
Workshop Cataliza:
impulsionando redes e ações inclusivas.
Informações
- Organiza: ‘Quererla es crearla’ e Dpto. Teoria e História da Educação, Pedagogia Social e M.I.D.E.
- Data: 25 e 26 de outubro de 2024, das 9h30 às 20h30.
- Local: Hub Social da Fundació Bofill. C/. Girona, 34, interior. 08010 – Barcelona.
- Colabora: Fundació Bofill
- Informação: https://creemoseducacioninclusiva.com/workshopcataliza/.
- Participação online e Inscrições: https://tinyurl.com/23sxls8c
- Fotografia de Paula Verde(uma mão infantil segura uma peça de xadrez de madeira).
- Organizam: Educação Inclusiva. Quererla es crearla; Universidade de Málaga.
Encontro internacional entre profissionais, famílias, estudantes e outros agentes comunitários para articular e catalisar o movimento pela educação inclusiva e a emergência de escolas mais humanas.
RESUMO: A WorkshopCataliza é um encontro internacional entre famílias, estudantes e profissionais e outros agentes comunitários para impulsionar o movimento pela educação inclusiva e a construção de escolas mais humanas. O objetivo é continuar o trabalho participativo, organizado e sistemático que Quererla es Crearla vem sendo desenvolvida há mais de seis anos e promover a construção de uma Rede Internacional de escolas pela inclusão e equidade, voltada a facilitar e acelerar o processo de transformação dos nossos sistemas educativos para torná-los mais inclusivos.
A base: pensar e construir globalmente para agir localmente na criação de um movimento social pela educação inclusiva.
Pensando e construindo globalmente para criar localmente escolas inclusivas
De onde viemos, para onde vamos
Em fevereiro de 2018 celebramos o principal precedente deste encontro na Universidade de Málaga. O WorkshopOrienta foi um encontro de trabalho que pretendia estabelecer uma comunicação igualitária entre profissionais das escolas e famílias com filhos e filhas escolarizados, com a ideia de realizar uma avaliação da experiência da orientação nas escolas do Estado espanhol, que têm de ser inclusivas. Para isso, convocou-se um dia intensivo de assembleias, exposições e oficinas para pessoas envolvidas na inclusão educativa, que terminaria com linhas estratégicas para continuar a trabalhar pela transformação necessária das escolas. Aquele trabalho foi o germe de muitas ações desenvolvidas ao longo dos anos seguintes por diferentes pessoas e coletivos.
Aquele Workshop não foi concebido como um evento em que alguns assistem como ouvintes e outros expõem. Foi um encontro de trabalho colaborativo, no qual dialogamos intensamente para fazer uma análise da realidade escolar e da orientação em particular, e para gerar linhas estratégicas nas quais continuar avançando. Além disso, as pessoas não participantes geraram o contexto do próprio encontro presencial com a construção de vídeos com os quais mostravam uma dor e uma alegria em relação à orientação escolar, e participaram através do Twitter nas sessões de trabalho. As sessões foram extraordinárias, e a partir de então, muitas das pessoas participantes puseram-se em marcha.
Dois anos depois do WorkshopOrienta, entre maio e junho de 2020, enquanto sofriamos o confinamento rigoroso devido à pandemia de COVID-19, aproveitamos para realizar uma série de Conversas sobre a escola (inclusiva) que foram compartilhadas nas redes sociais. Essas conversas pretendiam ser um espaço para pensar publicamente sobre a realidade que vivemos em nossas escolas e para projetar a escola que desejamos.
As sessões foram gravadas e divulgadas nas redes sociais, ao mesmo tempo que eram utilizadas para fins de investigação pedagógica. Mais de 200 pessoas de diferentes nacionalidades se inscreveram nas conversas, motivo pelo qual os encontros foram divididos operacionalmente por coletivos, nos quais participaram primeiro apenas famílias, depois estudantes, profissionais, equipes diretivas, pesquisadores/as e responsáveis políticos no Congresso dos Deputados. Apesar de haver encontros por coletivos, a ideia era que todas as pessoas inscritas assistissem aos demais debates, e convidou-se o resto da cidadania a acompanhá-los e comentá-los nas redes sociais. O exercício de escuta foi fundamental para todo o processo.
Fomos tomando consciência de coletivo a cada relato e a cada experiência que era contada. Ao mesmo tempo, a ideia de que nossa condição biológica não é o problema, mas sim a “desculpa” para manter um sistema que se alimenta da segregação, ia ganhando forma.EstelaWorkshopOrienta, 2018
Como fruto de todo ello, ficam para reflexão e análise as sessões gravadas daqueles dias, que já estão sendo utilizadas com dezenas de milhares de visualizações. Por outro lado, desses encontros nasce um documento para o debate legislativo, tanto no âmbito nacional quanto no autonômico. Ou seja, um guia para a construção de políticas públicas. O texto, de download gratuito, tem o título de “Análise e propostas para uma nova Lei Educativa” (Octaedro, 2020).
“De tal modo que se nos quedavam muitos estudantes para trás de uma maneira muito natural, inclusive nos parecia até bondoso recomendar a alguém que buscasse outros locais com mais recursos e demais. Romper essa dinâmica que tem a ver com as crenças, como vocês mencionaram, responder ao dilema saindo do ensimesmamento tem sido a rota, para mim, mais importante, o desafio mais importante. Começar a olhar para nós mesmos de outro lugar.” Cristóbal Diretor de Escola, Conversas, 2020.
Dois anos depois, em outubro de 2022, foi organizado em Madrid o WorkshopCrearla: Construindo coletivamente para impulsionar a escola inclusiva. O WorkshopCrearla foi um encontro entre famílias, estudantes e profissionais no qual partilhamos um diagnóstico da realidade escolar em relação à inclusão, construído coletivamente durante 4 anos. A partir desse ponto de partida, pretendia-se gerar um diálogo que permitisse continuar a trabalhar de forma coordenada durante os anos seguintes a partir de uma série de linhas estratégicas. Durante aquele encontro cada participante comprometia-se com a transformação do sistema educativo. Este encontro foi transmitido ao vivo por PeerTubegraças ao apoio de xrcb.cat. O workshop serviu para desenhar linhas estratégicas para promover o desenvolvimento real e efetivo da escola inclusiva, bem como organizar uma grande Investigação-Ação Participativa para promover a inclusão no sistema escolar. Emergiu então o seguinte.
Decálogo de propostas
- 1. Construir um grupo motor para cada Comunidade Autónoma, com integrantes dos diferentes coletivos: profissionais, estudantes, famílias, política, associativismo e universidade.
- 2. Desenvolver um amplo trabalho de difusão do documentário.
- 3. Compartilhar o estudo econômico da escolarização segregada e da inclusiva.
- 4. Explorar o site, experimentando os guias e materiais.
- 5. Criar oficinas e formações.
- 6. Melhorar a acessibilidade do site.
- 7. Criar uma rede de orientadores e orientadoras de todo o Estado.
- 8. Tejer redes compartilhando histórias.
- 9. Criar um argumentário definido com três pontos: argumento, raciocínio e evidência.
- 10. Comprometer-se como docentes com a comunidade educativa.
(Infográfico do WorkshopCrearla)
“Apesar da desinformação e do medo, que é o que temos todos os dias, temos a obrigação de acreditar nos nossos filhos e filhas, de empoderá-los, de torná-los pessoas corajosas para tomar decisões e livres”.AssembleiaWorkshopCrearla, 2022
Iniciando o trabalho por territórios
Embora até então os encontros tivessem sido organizados a cada dois anos e para todo o território do estado, desde então, e como fruto desta abordagem, outros encontros mais locais, mas igualmente interessantes, foram sendo desenvolvidos.
Emmarço de 2022, a Federação de AMPAs de Cádiz (FEDAPA Cádiz) abriu uma porta muito interessante ao convidar membros de diferentes coletivos de Quererla es Crearla, a participar no Congresso ‘Inclusão e boas práticas’que se realizou na Universidade de Cádis. Particularmente memorável foi a participação de famílias e a do grupo de estudantes, cuja mesa redonda ficou disponívelaqui. Esse passo não teria volta atrás para o movimento.
Em janeiro de 2023, algo parecido ocorreu em Grado (Astúrias), com a participação de membros dos diferentes coletivos de Quererla es Crearla nas II Jornadas sobre Orientação para o século XXI, nas quais mais uma vez brilhou particularmente o grupo de estudantes, desta vez representados por Martín e Indira. As jornadas constituíram um espaço de reflexão profunda e de construção de vontade coletiva.
Em outubro de 2023, a Federação de AMPAS de Mallorca (FAPA Mallorca), com a colaboração de Quererla es Crearla entre outras entidades, organizaram em Minorca as Jornadas Balears per la Inclusió, onde especialistas e ativistas se reuniram para debater e partilhar experiências sobre a inclusão em diferentes âmbitos: educativo, comunitário e laboral. Quererla es Crearla e a FAPA Mallorca trabalharam em conjunto na preparação deste encontro, no qual se destacou a análise da situação da educação inclusiva no contexto político adverso que vivemos para o desenvolvimento do direito à educação.
Em junho de 2024, a Federação ‘Juntos pela inclusão’ do Paraguai preparou um Encontro virtual entre estudantes de Assunção e o coletivo “Estudantes pela inclusão”, com o qual se iniciou um novo caminho de colaboração entre coletivos e de abertura para contextos internacionais. Este encontro seria preparatório para um grande evento no Paraguai.
Por último, em julho de 2024 também colaboramos na organização das Jornadas “As AMPAS como aceleradoras de uma educação inclusiva”, que se realizaram em Arcos de la Frontera sob o patrocínio da FEDAPA Cádiz.
Além de todos esses encontros, Quererla es Crearla também esteve presente em duas Jornadas com um papel menos protagonista, mas também notável: em março de 2024, o Congresso Internacional Universidades e Educação Inclusiva (San Sebastián), e em abril de 2024 as Jornadas da Confederação Espanhola de Associações de Pais e Mães de Alunos (CEAPA) sobre a transição para o ensino secundário de estudantes rotulados como com Necessidades Educativas Especiais (NEE) (Pamplona).
“Reencontramo-nos para conversar e idealizar juntos estratégias para continuar a construir inclusão e empatia nas salas de aula, com as famílias, os professores, diretores, governo, jovens, sociedade civil, profissionais médicos e serviços sociais. Junta-te a nós! Somente JUNTOS podemos enfrentar os desafios.” Movimento ION Congresso ION, Assunção .
Internacionalização do movimento
No início de julho de 2024 foi realizado em Assunção (Paraguai) o Congresso ION, um grande evento participativo em que Quererla es Crearla teve um importante espaço, particularmente a participação de representantes do coletivo “Estudantes pela Inclusão”. Este evento foi precedido por um trabalho participativo intenso iniciado no ano anterior a partir da edição anterior do congresso. Em um ano, houve um avanço gigantesco. Este ano, além disso, o evento foi seguido pelo Tour ION por diferentes cidades do interior do país. A experiência constituiu um marco em ambos os movimentos, que unem esforços para avançar na agenda da educação inclusiva.
Por outro lado, Quererla es Crearla iniciou uma Rede Internacional de escolas pela inclusão e equidade, com o objetivo de facilitar e acelerar o processo de transformação dos nossos sistemas educativos para torná-los mais inclusivos. A rede é composta por cerca de 170 escolas de 10 países: México, Costa Rica, Espanha, Colômbia, Peru, Chile, Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina.
O WorkshopCataliza, que será realizado em Barcelona nos dias 25 e 26 de outubro de 2024, pretende assumir esse desafio, mobilizando a Rede Internacional para avançar no desafio de desenvolver instituições escolares mais inclusivas, oferecendo oportunidades de aprendizagem e uma rede social que apoie todo o alunado sem exceção. Isso implica a construção de comunidades escolares mais acolhedoras e criativas, que valorizem as diferenças e cresçam de forma sistemática a partir delas. Dessa forma, os ambientes educativos reduzem a segregação e melhoram a qualidade das aprendizagens que geram e das relações sociais que favorecem, o que supõe crescer em democracia e em justiça social.
“Tantas pessoas olharam para a minha deficiência e não me viram como “Ariel”, e não falo do nome, mas do jovem que se licenciou, fez pós-graduações, conseguiu emprego e abriu um negócio de serviços de comunicação sem padrinhos, com muito esforço e com uma bengala branca nas ruas. Chega de olhar para o cego! É hora de ver o Ariel.” Ariel Ruiz Movimento ION, Villarica, Paraguai.
“Há pessoas que me consideram um sonhador. Eu sou um sonhador. Mas não um sonhador louco. Há pessoas que me consideram um idealista, um idealista perigoso. Não creio. Acredito na esperança… A esperança parte do que chamamos natureza humana.” Paulo Freire https://tinyurl.com/24kdl3w7.
Trabalhando para a construção de um sonho
Tanto o Workshop de 2018 quanto as Conversas sobre a escola (inclusiva) de 2020 constituíram diagnósticos participativos para conhecer a realidadediagnósticos participativos para conocer la realidad. São narrativas construídas através do diálogo de um numeroso grupo de pessoas para a transformação de ideários coletivos e a construção de objetivos estratégicos. A partir delas derivaram uma série de trabalhos que respondiam ao descoberto nesses dois grandes momentos de criação coletiva.
Trata-se de propostas que pretendem canalizar novas formas de enfrentar a realidade explorada. Ou seja, criar novos caminhos através de diferentes formas de participação, que desembocam numa ampliação da experiência dos participantes e na produção de guias e materiais úteis para construir inclusão. Dentre todas elas destacam-se os seguintes trabalhos:
- O primeiro é um ” Investigação-Ação Participativa desenvolvida no CEIP “La Parra” de Almáchar (Málaga), uma experiência que está servindo para formar outros centros de âmbito nacional e internacional através da Rede de Escolas pela Inclusão e Equidade, e da qual emana um guia sobre o seu próprio processo de melhoria escolar.
- O segundo é um ” Grupo de Trabalho sobre Avaliação Psicopedagógica Inclusiva, com mais de 3 anos de reuniões periódicas gravadas, formado por cerca de 50 orientadores e orientadoras de todo o país que constroem uma nova proposta de avaliação psicopedagógica alternativa, como peça chave na construção da escola inclusiva.
- O terceiro é um Grupo de Trabalho de Estudantes pela InclusãoDurante mais de 2 anos, encontros periódicos foram gravados com estudantes de todo o estado. Juntos, eles construíram um guia para que os próprios estudantes promovam a inclusão em seus institutos.
- O quarto é um Grupo de Trabalho de Famílias Ativistas pela Educação Inclusiva, construiu a campanha de divulgação pela educação inclusiva “Quererla es crearla”. A campanha é composta por vários vídeos, dentre os quais se destaca o que lhe dá nome (https://youtu.be/ze1K3X5-NTY) e o website de Quererla es Crearla, que aglutina todo el trabajo previo, así como una selección de textos legales para defender la escuela inclusiva y textos científicos que la apuntalan. Por otra parte, este colectivo ha desarrollado la Guía “Cómo disentir”.
- Por último, todo este trabajo culmina con el Documentário “Educação inclusiva. Quererla es crearla”, dirigido pela cineasta Cecilia Barriga, que estreou em 21 de outubro de 2022 (um dia antes do Workshop Crearla), no Museu Nacional de Arte Reina Sofía. , dirigido pela cineasta Cecilia Barriga, que estreou em 21 de outubro de 2022 (um dia antes do Workshop Crearla), no Museu Nacional de Arte Reina Sofía.
Esta arquitetura metodológica, desenvolvida para impulsionar a educação inclusiva na Agenda da Política Educativa, tem sido fundamentada nas histórias pessoais de muitos participantesque compartilharam generosamente suas experiências na escola. Essas histórias nos servem como uma carta de navegação ou como uma cartografia, que nos ajuda a reconhecer o terreno para saber assim quais são os passos que devemos e não devemos dar, à luz das experiências prévias. E é esta edificação – um trabalho com escolas concretas que avançam, e um movimento social que as sustenta – que agora estamos compartilhando comfamílias, estudantes e profissionais de outros países da América Latina, com a esperança de que juntos possamos fazer as escolas se moverem, aprender uns com os outros e garantir que nenhuma criança ou jovem seja privado de seu direito fundamental à educação.
Algumas pinceladas sobre a pesquisa em que o Workshop se insere
O projeto de pesquisa “Narrativas emergentes para a construção de escolas inclusivas”(Ministério da Ciência e Inovação, PID2022-140193OB-I00), no qual se enquadra oWorkshopCataliza, é a continuação de outro iniciado em 2018, intitulado “Narrativas emergentes sobre a escola inclusiva a partir do modelo social da deficiência. Resistência, resiliência e mudança social”. O projeto parte de duas premissas:
- O ativismo das pessoas com deficiência e seu entorno contribui para a formação de identidades que promovem a inclusão educacional e a mudança social.
- As redes de apoio mútuo e resistência favorecem processos de resiliência que atuam em benefício das pessoas com deficiência.
Desde os seus inícios, o projeto gerou numerosos recursos e um movimento pela educação inclusiva em ascensão, sob o lema Educação inclusiva. Quererla es crearla, que evidencia que é necessária a implicação de toda a cidadania para tornar realidade esse desejo coletivo. Daí a importância de continuar desenvolvendo processos de investigação e desenvolvimento que se assentem no princípio moral básico de considerar que todos os seres humanos são iguais em dignidade e direitos, independentemente das características diferenciais em questões de género, capacidades, crenças, estrato social, orientação sexual ou qualquer outra. A partir destas ideias, o problema que enfrenta o projeto de investigação tem a ver com as dificuldades que os sistemas educativos de todo o mundo enfrentam para dar resposta a muitas das transformações sociais, tecnológicas e culturais que estão a ocorrer dentro e fora dos centros educativos.
A pesquisa buscou resgatar histórias de ativismo de famílias, estudantes e profissionais que lutam decididamente para tornar a escola um lugar onde toda a infância encontre o reconhecimento através da presença, da aprendizagem, da participação e do sucesso nas etapas pré e obrigatórias. Documenta e analisa as experiências daqueles que lutam para que o artigo 24 da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, ratificado pela Espanha (ONU, 2006), seja cumprido. No entanto, a pesquisa vai muito além desses termos descritivos e jurídicos.
O trabalho de pesquisa desenvolvido até agora na Espanha evidenciou sua capacidade de se posicionar na vanguarda do conhecimento, bem como de contribuir para o desenvolvimento das escolas em nosso país, mas também além de nossas fronteiras, particularmente na América Latina. Nesse sentido, encontrar formas de incluir nos sistemas educacionais os grupos sociais que estão excluídos ou em situações de alta vulnerabilidade – particularmente pessoas em situação de pobreza, estudantes nomeados pela deficiência, estudantes indígenas e de populações rurais – é um desafio fundamental para todos os países da América Latina.
Essas contradições que, apesar das conquistas, o projeto de tornar as escolas mais inclusivas incorpora, também ocorrem na onipresença da razão jurídica em detrimento da razão ética (Skliar, 2008). Não há dúvida de que sua consideração como direito humano constitui uma dessas alavancas fundamentais para a mudança de que precisamos. Mas também não há dúvida de que nem tudo se resolve com a sua enunciação. São necessários novos discursos e práticas que questionem as narrativas hegemônicas das escolas que ofuscam outras que poderiam oferecer novas possibilidades para a construção de identidades que superam as atuais formas de relação e de criação de sentido (Adami, 2014; Calderón-Almendros & Calderón-Almendros, 2016; Calderón-Almendros & Ruiz-Román, 2016), permitindo resistências mais robustas e fortalecendo possibilidades de resiliência pessoal e coletiva com base no reconhecimento da nossa humanidade: podemos reconstruir-nos graças à educação.
Partindo das premissas mencionadas e dos avanços realizados nestes seis anos de investigação, a motivação do atual projeto e do WorkshopCataliza é continuar na geração de conhecimento pedagógico e construção.
“Que tipo de mundo queremos? É um mundo em que possamos racionalizar comodamente a exclusão e a segregação de diferentes grupos de pessoas? Qual é a natureza da justiça e da democracia? Não se aplica isso às pessoas que consideramos com NEE?” Roger Slee (2011:73) University of South Australia.
Workshop Cataliza
Finalidade
Gerar um encontro internacional entre famílias, estudantes e profissionais que parte do diagnóstico da realidade escolar em relação à inclusão, construído coletivamente durante os últimos 6 anos de pesquisa. A partir daí – assim como de outros diagnósticos gerados em países da América Latina – pretende-se desenvolver um diálogo igualitário no qual emerjam linhas estratégicas para continuar trabalhando de forma participativa, organizada e sistemática durante os próximos 2 anos. Não é um congresso nem um curso comum. Trata-se de um encontro dirigido a facilitar e acelerar o processo de transformação dos nossos sistemas educativos para torná-los mais inclusivos, tanto na Espanha quanto na América Latina.
Objetivos
- Facilitar e acelerar o processo de transformação de políticas, culturas e práticas educativas em escolas da Espanha e da América Latina, orientando-as para a inclusão e a equidade através de metodologias participativas.
- Constituir um espaço para o desenvolvimento da Rede Internacional de escolas pela Inclusão e a Equidade.
- Conhecer e compreender as concepções educativas, experiências e práticas profissionais envolvidas nos processos de inclusão escolar.
- Aprender dos saberes dos estudantes, das famílias e dos e das profissionais, favorecendo que todos os membros da comunidade educativa possam contar suas experiências escolares e suas propostas de melhoria.
- Identificar, desenvolver e compartilhar os mecanismos de colaboração utilizados nos diferentes centros educativos.
Bases metodológicas
O WorkshopCataliza fará parte da pesquisa, assim como os anteriores encontros participativos desenvolvidos neste projeto. Funcionará como uma Pesquisa-Ação Participativa (PAP), que pretende aninhar múltiplos processos de PAP mais locais. As metodologias participativas focadas na ação facilitam a construção e o desenvolvimento de projetos comuns para transformar a realidade, fazendo um exame crítico do poder e dos privilégios segundo Brydon-Miller & Maguire (2009), gerando relações colaborativas como marco de práticas mais efetivas.
Spivak (2006) reflete sobre a dificuldade do sujeito subalterno em se expressar e ser ouvido. Uma dificuldade que reside na ausência de espaços que deem lugar a essas vozes que historicamente foram silenciadas. As metodologias participativas habilitam também novas formas de produção discursiva, canais inexplorados pelos quais canalizar os novos discursos e a geração de processos de escuta, transformação de práticas e questionamento do poder. Porque para os grupos subordinados, o ato de escrever (no mais amplo sentido da palavra) é um ato de rebeldia diante do silêncio imposto. Escrever de maneira pública é um ato político. Por isso, a construção de narrativas supõe um ato subversivo e, em si mesmo, transformador.
Este pretende ser um Workshop participativo internacional, que aproxime a experiência da escolarização de crianças e a desigualdade escolar, e no qual participem familiares, profissionais e estudantes. Um encontro de trabalho que pretende a comunicação igualitária destes coletivos com o objetivo de realizar uma avaliação da experiência da escolarização em escolas de Espanha e América Latina, que têm de ser inclusivas. Este trabalho concluirá com linhas estratégicas para trabalhar nos diferentes territórios de forma coordenada pela transformação necessária das escolas. Este encontro constitui um marco para o desenvolvimento do resto da investigação, e tratará de mobilizar um grupo internacional de ativistas para gerar propostas de ação, com especial ênfase no impulso do coletivo de estudantes pela inclusão.
Dinâmica de trabalho
Como se articula o encontro
O WorkshopCataliza será constituído por dois dias de trabalho intensivo. As manhãs de trabalho serão destinadas –dadas as diferenças horárias–, aos e às participantes da Espanha; as tardes, serão destinadas ao workshop internacional. O primeiro dia se centrará em apoiar a rede de escolas; o segundo, em articular o movimento social. Independentemente desta previsão, todos os participantes poderão estar em qualquer sessão. Os dias serão distribuídos da seguinte forma (GTM Madrid):
Sexta-feira, 25 de outubro de 2024
Manhã
08:30-09:00 h. Abertura de portas e credenciamento.
09:00-09:30 h. Apresentação do dia e proposta de trabalho.
09:30-10:30 h. Assembleia Plenária. A Rede de Escolas pela Inclusão e Equidade da Espanha em foco.
10:30-11:30 h. Mesa redonda: Orientar la escuela hacia la inclusión. Dejar de mirar al lugar equivocado.
11:30-12:00 h. Descanso. Café en el Patio.
12:00-13:30 h. Talleres simultáneos: Hacia un cambio de enfoque en las escuelas
13:45-14:15 h. Assembleia Plenária. Compartilhamento dos workshops.
14:15-15:45 h. Almoço.
Tarde
15:45-16:45 h. Apresentação do Workshop Internacional. De onde viemos, para onde vamos.
16:45-17:45 h. Assembleia Plenária. O que acontece nas nossas escolas?
17:45-18:15 h. Intervalo.
18:15-19:45 h. Oficinas simultâneas: Avançar a partir das escolas.
20:00-20:30 h. Assembleia Plenária. Partilha dos resultados das oficinas.
Sábado, 26 de outubro de 2024
Manhã
08:30-09:00 h. Abertura das portas.
09:00-10:00 h. Apresentação e Assembleia Plenária. Compartilhando análises, preocupações e trabalhos para a transformação do sistema.
10:00-11:00 h. Mesa redonda: Famílias e estudantes compartilham o que aprenderam.
11:00-11:30 h. Intervalo. Café no Pátio.
11:30-13:30 h. Oficinas simultâneas: Aprendizagem, desenvolvimento do movimento e influência
13:45-14:15 h. Assembleia Plenária. Partilha das oficinas e tomada de decisões.
14:15-15:45 h. Almoço.
Tarde
16:45-17:45 h. Mesa redonda: Contribuições de famílias e estudantes.
15:45-16:45 h. Apresentação e Assembleia Plenária. Análise e desafios para um Movimento Social Internacional.
17:45-18:15 h. Intervalo.
18:15-19:45 h. Oficinas simultâneas: Colocar a educação inclusiva na agenda social.
20:00-20:30 h. Assembleia Plenária. Compartilhamento das oficinas e construção de propostas.
Participação online
Prevê-se que muitas pessoas, apesar do seu interesse em participar neste encontro, não poderão estar presencialmente em Barcelona. Particularmente para todas aquelas pessoas que participarem a partir da América Latina, é possível que previamente lhes solicitemos algumas tarefas com as quais contar com as suas perspetivas. Por outro lado, as sessões plenárias serão transmitidas em streaming para que possam ser acompanhadas por pessoas interessadas dentro e fora das nossas fronteiras. Será utilizada a hashtag #WorkshopCataliza na rede social X para que as pessoas que acompanhem os debates e o trabalho assemblear possam participar em tempo real.
- Informação básica: www.creemoseducacioninclusiva.com/workshopcataliza.
- Inscrições e participação online: https://decidimoseducacioninclusiva.uma.es/conferences/workshopcataliza
- Local: Hub Social da Fundació Bofill. C/ de Girona, 34, L’Eixample, 08010. Barcelona.
- Contato: info@creemoseducacioninclusiva.com
- Organizam: Quererla es crearla. Universidade de Málaga.
- Colabora: Fundació Bofill. Educação para mudar tudo.
Referências bibliográficas
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Últimas produções do projeto
- CALDERÓN ALMENDROS, I. & RASCÓN GÓMEZ, M.T. (2022). Tecendo lutas pelo direito à educação: narrativas coletivas e pessoais para a inclusão a partir do modelo social da deficiência. Pedagogía Social. Revista Interuniversitaria, 41, 43-54.
- SOLDEVILA-PÉREZ, J.; CALDERÓN-ALMENDROS, I. & ECHEITA, G. (2024). Minha vida (escolar) é dispensável: radicalizar um discurso contra as misérias do sistema escolar. Em J. Collet, M. Naranjo & J. Soldevila (Ed), Educação inclusiva Global (pp. 41-62). Octaedro.
- JURADO, B. E CALDERÓN ALMENDROS, I. (2024). Violações do direito à educação que ocorrem diariamente em nossas escolas. E nada acontece. AOSMA, Revista de Orientação Educativa, 33, 118-127.
- CALDERÓN ALMENDROS, I. & RASCÓN GÓMEZ, M.T. (Coords.) (2024). O papel da universidade na construção de sistemas educativos inclusivos. Dificuldades, propostas e desafios. Octaedro.
- ALONSO BRIALES, M. & VILA MERINO, E. (2019). Pensar coletivamente uma escola melhor. Formação permanente e educação inclusiva. Aula de Secundaria, 33, 18-22.
- CALDERÓN ALMENDROS, I. & RASCÓN GÓMEZ, M.T. (2021). Retóricas, possibilidades e infâncias dilaceradas. Sobre a educação inclusiva na LOMLOE. Cadernos de Pedagogia, 526, 74-80.
- CALDERÓN ALMENDROS, I. & RASCÓN GÓMEZ, M.T. (Coords.)(2020). Análise e propostas para uma nova Lei Educativa. Conversas da cidadania sobre a escola inclusiva. Octaedro, Barcelona.
- VILA MERINO, E., RASCÓN-GÓMEZ, M.T. & CALDERÓN-ALMENDROS, I. (2024). Deficiência, estigma e sofrimento nas escolas. Narrativas emergentes pelo direito à educação inclusiva. Educação XX1, 27(1), 353-371.https://doi.org/10.5944/educxx1.36753
- CALDERÓN ALMENDROS, I.; RASCÓN GÓMEZ, M.T. & ALONSO BRIALES, M. (2020). Investigar para construir uma educação inclusiva. Em Vila, E. e Grana, I. (Coords.), Investigação educativa e mudança social (pp. 189-209). Octaedro, Barcelona.
- CALDERÓN-ALMENDROS, I.; AINSCOW, M.; BERSANELLI, S. & MOLINA, P. (2020). Inclusão e equidade educacional na América Latina: uma análise dos desafios. Prospects: Comparative Journal of Curriculum, Learning, and Assessment, 49(3), 169-186.
- CALDERÓN ALMENDROS, I.; MORENO PARRA, J. & MOJTAR MENDIETA, L. (2023). Desigualdade escolar e discriminação por capacidade em tempos de confinamento. Experiências familiares em processos de investigação participativa. Revista Complutense de Educación, 34(4), 945-954.
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