Estudiantes por la inclusión

Desde meados de 2020, ‘Estudiantes por la inclusión’ — um grupo muito diverso de estudantes do ensino médio de diferentes lugares da Espanha — tem realizado reuniões de trabalho com a intenção de construir umguia dirigido a outros estudantespara conseguir que suas escolas respondam à diversidade do alunado. O guia foi apresentado no dia 13/09/21 à Ministra da Educação e FP, Pilar Alegría, que ficou muito interessada pela proposta.

O texto, muito prático, já está publicado e disponível para qualquer estudante que queira tornar a sua escola mais acolhedora. Ou para outros membros da comunidade escolar que queiram ajudar os estudantes a desenvolver a sua própria voz para a transformação das suas escolas. Uma das iniciativas mais interessantes de Quererla es crearla.

Fotografia. Vista frontal de um grupo de jovens, em representação de ‘Estudantes pela inclusão’ junto a Pilar Alegría, ministra da Educação e Formação Profissional, e Alejandro Tiana, secretário de Estado.
Uma representação de 'Estudiantes por la inclusión' junto a Pilar Alegría, Ministra de Educação e Formação Profissional, e Alejandro Tiana, Secretário de Estado.

Prêmio 'Youth Teams in Education Research'

‘Estudiantes por la inclusión’ foi premiado pela American Educational Research Association (Associação Americana de Pesquisa Educacional) para participar do seu próximo congresso, que será realizado em Chicago em abril de 2023. O grupo foi uma das 10 equipes de pesquisa de estudantes do ensino médio selecionadas de todo o mundo para participar deste importante congresso internacional.

Design gráfico. Captura de tela de um pôster interativo apresentado no Congresso. Na parte superior, o título "Estudantes para a Inclusão", "Narrativas Emergentes sobre a Escolarização Inclusiva". Indira Martínez-de-llarduya, Darío Calderón-Cano, Jorge Osa-Fernández, Malena Calderón-Cano, Antón Fontao-Saavedra, Luz Mojtar-Mendieta, Teresa Rascón-Gómez & Ignacio Calderón Almendros. Universidade de Málaga, Espanha". Abaixo do título, as seções: "Introdução, Perspectivas, Métodos/materiais, Dificuldades, Relevância e Prospectiva, Resultados e Conclusões".
Pôster interativo apresentado no Congresso
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(Música) Audiodescrição [AD]: Créditos iniciais. «Estudiantes por la Inclusión | Prêmio AERA para equipes jovens de investigação educativa (Chicago, 2023). Educação inclusiva. Quererla es Crearla e Universidade de Málaga.» Aparecem legendas na tela enquanto se sucedem imagens de uma equipe representante de ‘Estudiantes por la Inclusión’ e as equipes de apoio e investigação que viajaram a Chicago para receber um prêmio. Ao longo de sua estadia, a câmera captura uma variedade de momentos, cenários, atividades e interações. Legendas:—‘Estudiantes por la inclusión’ viajam a Chicago, premiados como Equipe Jovem de Pesquisa educacional pela American Educational Research Association (AERA). A AERA celebra anualmente o Congresso de Pesquisa Educacional mais importante do mundo e eles foram selecionados entre mais de 80 equipes do Ensino Médio. O prêmio corresponde ao projeto desenvolvido nos últimos anos, a criação de um guia para estudantes e a promoção da educação inclusiva. A AERA preparou um programa especial de três dias para as equipes jovens, atendidas pela Presidência e pela Direção Executiva da AERA. As demais equipes de jovens selecionadas procediam dos Estados Unidos e Canadá, Universidades de Columbia, Houston, Michigan, Toronto, Cincinnati, Pensilvânia, Geórgia… Particularmente, conectaram-se com uma equipe de San Antonio, Texas, que veio com a Trinity University para apresentar projetos de imigração e saúde mental. Foram convidados para o ato de inauguração. O Congresso contou com mais de 2.000 sessões nas quais pesquisadores e pesquisadoras de todo o mundo compartilharam seus resultados. A Conferência Inaugural esteve a cargo de Cornel West, filósofo estadunidense e ativista pelos direitos humanos. O grupo de estudantes foi ovacionado durante a cerimônia de abertura, que continuou com algumas apresentações artísticas. Também houve tempo para aproveitar e se divertir para além do congresso… No dia seguinte, participaram de uma sessão apresentando um pôster no qual detalham a pesquisa realizada. O pôster está disponível online em (https://aera23-aera.ipostersessions.com/Default.aspx?s=64-C4-F0-2F-C5-C0-36-04-E9-0A-C3-C2-07-2F-ED-D2). Explicaram seu trabalho a outras equipes de estudantes do ensino médio. E a renomados acadêmicos e acadêmicas, como Valentina Migliarini da Birmingham University (Reino Unido), Chelsea Stinson da Sunny Cortland (Nova York), Federico Waitoller da University of Illinois em Chicago… Também receberam a visita de Mel Ainscow, da Manchester University, um dos pesquisadores de referência internacional em educação inclusiva. Jorge, Indira, Darío, Antón e Malena foram explicando os detalhes do projeto, assim como as emoções que sentiram ao desenvolvê-lo. Ainscow ficou fascinado e os parabenizou pelo trabalho, terminando por incentivá-los a liderar mudanças no panorama internacional. Depois participaram de oficinas, por exemplo, sobre o uso da arte na pesquisa educacional. Indira contou a forma como ela a utiliza. Indira Martínez:— (Malena Calderón traduz para o inglês) Eu faço muito teatro na rua, por exemplo, como se eu tivesse minhas filhas na escola. Faço teatro sobre escola inclusiva. Para que as pessoas na rua vejam. Para que fiquem sabendo de mais coisas. Legendas:—Colaboravam entre si, com o idioma, com os cuidados. As próprias palestrantes ficaram impressionadas. E quando saímos, ainda houve tempo para desfrutar fazendo outras manifestações artísticas…Antón Fontao:—Quando chegarmos em casa.Carmen Saavedra:—Quando chegarmos em casa e olharmos para trás…Legenda:—No último dia, foi hora de fazer a avaliação da experiência.Malena Calderón:—(Em inglês) Eu estava muito nervosa, porque não falamos muito inglês, então eu não sabia se as pessoas conseguiriam nos entender. Meu pai nos disse que tínhamos que estar focados nisso, e isso nos deixou mais nervosos (risos). Mas, finalmente, estou um pouco mais relaxada e é uma experiência realmente boa estar aqui. E é isso (risos).Carmen Saavedra:—Antón está dizendo que está pensando naqueles docentes que não acreditaram nele. Ele, um estudante de 18 anos com deficiência, está no Congresso de Investigação Educativa mais importante do mundo. E que todos esses docentes que não acreditavam nele deveriam vê-lo aqui.Audiodescrição [AD]:Créditos finais. Educação inclusiva. Quererla es crearla. Universidade de Málaga. American Educational Research Association, ‘Estudiantes por la Inclusión’. Representados nesta ocasião por: Indira Martínez de Ilarduya; Darío Calderón Cano; Jorge Osa Fernández; Malena Calderón Cano; Antón Fontao Saavedra. Equipe de Investigação da UMA: Luz del Valle Mojtar Mendieta; María Teresa Rascón Gómez; Florencio Cabello Fernández Delgado; Ignacio Calderón Almendros. Equipe de Apoio: Noemí Preciado-Zufiaur; Sandra Fernández-Carrera; Carmen Saavedra Torreiro; Ana María Cano Zamora.
“Em nome da American Educational Research Association (AERA), temos o prazer de informar que a sua equipe de pesquisa de estudantes do ensino médio foi selecionada para participar doPrograma de Equipes de Jovens em Pesquisa Educacionalda AERA no Congresso Anual de 2023 em Chicago. Esta iniciativa especial foi concebida para mostrar o trabalho de estudantes do ensino médio que utilizam ferramentas de pesquisa para responder a perguntas críticas sobre a educação e para cultivar o conhecimento e o interesse dos estudantes no campo da pesquisa educacional. O programa atraiu dezenas de propostas de equipes juvenis de todos os Estados Unidos e de todo o mundo. O comitê de seleção ficou impressionado com a qualidade da sua proposta e com a substância do trabalho que os estudantes pesquisadores da sua equipe estão realizando. Parabéns!”

Escrever para reivindicar o lugar no mundo

Os escritos de Antón Fontao vão além do diário de um adolescente. O que marcou a sua vida e, sobretudo, a sua passagem pela escola, foi o facto de ser uma pessoa nomeada pela deficiência e, a partir daí, ver violado o seu direito à aprendizagem, à participação e à convivência.

A escrita teve uma função terapêutica para Antón. Também lhe permitiu formar uma comunidade que lhe proporcionou a aceitação e a autoafirmação que no ambiente educativo lhe eram negadas. Por sua vez, essa comunidade recebeu valiosas aprendizagens ao ouvir a sua voz na primeira pessoa.

Prêmio 'World Down Syndrome'

No dia 31 de outubro de 2023 foram anunciados osWorld Down Syndrome Awards, organizados pelaDown Syndrome International, a organização internacional que reúne as associações de entidades de diferentes países nos 5 continentes. Os Prêmios Mundiais da Síndrome de Down são concedidos a projetos, conquistas ou práticas que melhoram a vida das pessoas com síndrome de Down. Foram mais de 200 nomeações de todo o mundo, e apenas 5 prêmios, dos quais um – o da categoria de Grupos de (auto)defesa da educação inclusiva – foi para ‘Estudiantes por la inclusión’, o grupo de estudantes promotor do movimento Quererla es crearla. Esta poderosa equipe de jovens, com seu caminhar tranquilo e sem pretensões, continua dando lições por todo o mundo. Apresentarão seu projeto e ações no dia 21 de março de 2024 na sede das Nações Unidas em Nova York.

Resultado da premiação: https://www.ds-int.org/world-down-syndrome-awards

Cartaz do World Down Syndrome Awards 2023. Na parte superior, sob o logo, o texto: «Embora me expulsem do sistema, do ativismo não podem me expulsar. Eu sempre serei ativista», Indira. Sob o texto, um grupo de jovens em representação de 'Estudantes pela inclusão' junto a Pilar Alegría, ministra da Educação e Formação Profissional.
Audiodescrição [AD]:Entrega do Prêmio Mundial Síndrome de Down para 'Estudiantes por la inclusión' na Sede Central da ONU em Nova York. Recebem o prêmio em nome de todo o grupo Malena Calderón e Indira Martínez. (Aplausos)Robin Witson:—Muito obrigada à Indira e à Malena. Temos um prêmio que gostaríamos de entregar a vocês. Este prêmio é para 'Estudiantes por la Inclusión'. Aqui está.Malena Calderón:—Muito obrigada. (Aplausos)Audiodescrição [AD]:Malena e Indira recebem o prêmio simultaneamente e o mostram.Robin Witson:—Muito obrigado. (Aplausos)
“Estudiantes por la inclusión” têm impulsionado a educação inclusiva nas escolas secundárias, compartilhando histórias de estudantes, elaborando um guia sobre “Como tornar sua escola inclusiva” e defendendo a educação inclusiva perante o Governo e os meios de comunicação. Parabéns!

''Se nos separam desde pequenas na escola, a convivência é impossível''

Entrevista na Rádio Televisão Pública Basca com Indira Martínez de Ilarduya Preciado. Podcast disponível em https://eitb.eus/A_gYmPPA/

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Indira Martínez (Vitoria), integrante do coletivo 'Estudiantes por la inclusión', recebe na sede da ONU em Nova York o prêmio Mundial da síndrome de Down. (Indira passando batom na sua mãe, Noemi Preciado, em um ambiente natural.) Indira Martínez: Sou Indira, tenho 17 anos e moro em Gasteiz. Sou uma pessoa que não tolera a injustiça, que segue em frente para lutar contra as injustiças. Nas escolas, falta amor para algumas pessoas. (Aplausos enquanto Indira recebe o prêmio na sede da ONU) Indira: Foi uma grande honra. Deram-nos lá esse prêmio por trabalharmos para que as escolas sejam inclusivas para todos. (Integrantes do coletivo em uma praça, em frente a esculturas de vários homens de terno sob um guarda-chuva, de Ju Ming.) Indira: É um grupo de toda a Espanha, diverso. Reunimo-nos e, a partir disso, falamos sobre o que a escola deve ser, e vimos que ainda havia coisas a mudar. Fizemos um guia muito interessante. Para que as crianças não passem pelo que eu passei. Minha escola é […] não tem nem salas específicas nem nada disso. Todos estão juntos, lá, aprendendo. É que é o melhor para todos. Noemi Preciado: Nossa luta é e tem sido para que Indira permaneça dentro do sistema. A Indira foi retirada do sistema. As opções que o sistema nos dava eram opções segregadas. Indira: O que eu sempre digo é que a convivência entre todos é possível. («O trabalho foi apresentado à ministra da Educação, Pilar Alegría.») Indira: Estudar eu adoro, sim, sim. Ativista eu já sou. E também [quiero ser] política para fazer com que as leis sejam cumpridas. («Indira quer se tornar política para mudar as coisas, depois de ter se sentido afastada e sozinha na escola.») Indira: A Convenção das Nações Unidas diz que as pessoas com deficiência temos direitos a uma educação inclusiva. (Vista detalhada de alguns integrantes do coletivo. Em primeiro lugar, Antón Fontao Saavedrea.) Indira: Ainda há leis que permitem que nos separem. Os professores não me explicavam nada. Então, claro, eu ficava entediada. Consideravam que eu deveria estar à parte. Segregada em uma sala especial. Diziam que eu tinha que estar com os meus. («A ONU reconhece a educação inclusiva como um direito fundamental dos estudantes. A experiência de Indira e a de outros colegas é registrada no documentário 'Quererla es Crearla'.») Noemi: No Ensino Médio, Indira esteve na sala de aula regular porque foi 'uma teimosia minha'. Nunca foi entendido como seu legítimo direito. Ela estava lá, na aula; era uma inclusão física. Indira: Éramos 30 e quem era a -1? Eu. Faltava eles me conhecerem. Eu não estava com meus colegas. E olha que eu tentava, hein? Mas nada, era impossível. Era totalmente invisível. Eu carregava um cartaz. («O documentário mostra a luta desses estudantes e seus familiares por uma educação na qual todas as crianças tenham lugar.») Noemi: Falta humanidade. E a convicção de que, quando se segrega as pessoas por sua condição, está se violando o direito dessas pessoas e o direito dos outros. Porque se está privando-os do direito de conviver com a diversidade. Indira: Eu estou estudando, faço formações para desempregados. Não há salas específicas, lá sim me ensinam. Sou mais uma, vou feliz.

Estudiantes por la inclusión: "Não julgue um livro pela capa"

Cerimônia de entrega do World Down Syndrome Awards 2023, realizada em 22/03/2024 na Sede das Nações Unidas em Nova York.

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Audiodescrição [AD]:Entrega do Prêmio Mundial Síndrome de Down para ‘Estudiantes por la inclusión’ na Sede Central da ONU em Nova York. Recebem o prêmio em nome de todo o grupo Malena Calderón e Indira Martínez. (Aplausos)Robin Witson:—Bem-vindos, esta é a sessão final de dois dias maravilhosos nos quais tivemos palestrantes incríveis, apresentações fantásticas e conversas brilhantes. Vamos terminar a conferência celebrando o Prêmio Mundial Síndrome de Down. Estes prêmios são concedidos a projetos, conquistas ou práticas que melhoram a vida das pessoas com síndrome de Down. O comitê de premiação deseja celebrar projetos, conquistas e práticas que sigam estes dois princípios: as pessoas com síndrome de Down devem ser incluídas em igualdade em todas as facetas da vida comunitária e ter as mesmas oportunidades que os demais, conforme descrito na Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Mais de 200 pessoas foram indicadas aos prêmios. Queremos começar parabenizando todas as indicações e agradecendo a todas as propostas. Esperamos receber mais inscrições [aún] no próximo ano. Há duas organizações que não puderam estar aqui hoje, então quero mencioná-las. Primeiro, temos aDown Syndrome Advisory Network(DSAN), um grupo de pessoas com síndrome de Down que assessora a organizaçãoDown Syndrome Australia. Uma salva de palmas para elas. Também temos o projetoMake your voice heard(Faça sua voz ser ouvida) deTRIOM 21França. Neste projeto, a TRIOM 21 França capacita pessoas com síndrome de Down para desenvolver suas habilidades de autodefesa e falar sobre emprego. Ambas as organizações fizeram alguns vídeos maravilhosos que subiremos ao nosso canal do YouTube logo após a conferência, caso queiram saber mais sobre os projetos. Agora ouviremos os outros três premiados para finalizar a conferência e começaremos comEstudantes pela Inclusão. Temos [como representantes] a Indira e Malena. Em 2020, 16 estudantes do Ensino Médio da Espanha se uniram a uma equipe de pesquisa da Universidade de Málaga para criarEstudantes pela Inclusão.Vamos ouvir um pouco mais sobre o projeto. Estão prontas?Indira e Malena:—Boa tarde, nossos nomes são Indira Martínez e Malena Calderón. Estamos muito felizes por estar aqui com nossos colegas, representando o grupoEstudantes pela InclusãoConosco estão Darío, Leo e Antón, e embora alguns não tenham podido vir, estão conosco. Queremos agradecer às nossas famílias por estarem conosco hoje e sempre. Queremos agradecer à Síndrome de Down Internacional por reconhecer o trabalho que temos feito desde 2020. Para o nosso grupo, é uma honra que seja reconhecido aqui, nas Nações Unidas, em Nova York. Queremos que todas as escolas do mundo sejam inclusivas, compartilhar e aprender juntos, para que nunca ninguém tenha que se sentir sozinho. Infelizmente, em nosso país e em muitos países, muitos jovens sofrem na escola. Isso é injusto e é um crime, é algo ilegal. Aprendemos que os direitos precisam ser defendidos e é isso que estamos fazendo. Aprendemos a nos entender melhor, a sermos vistos também, porque às vezes não olham para nós. Tudo isso aconteceu através das reuniões online que tivemos durante todo um ano. Durante esse tempo, estivemos falando sobre nossas experiências na escola e o que poderíamos fazer para melhorar nossas experiências nela. Depois deste ano de trabalho, criamos um guia através deste projeto. Pudemos mostrar nosso esforço para que outras escolas também possam seguir alguns conselhos e exercícios e, assim, criar escolas mais inclusivas. Depois disso, começar a fazer um milhão de atividades para, de verdade, criar a mudança. Filmamos um documentário, escrevemos um roteiro para um curta-metragem, falamos com políticos, fomos a protestos e muitas outras atividades. Pudemos fazer tudo isso porque somos amigos. Sempre trabalhamos juntos e nos amamos muito, mesmo quando não estamos juntos. O mais importante é o apoio que damos uns aos outros nesses momentos difíceis. Não podemos aprender a não apoiar uns aos outros, precisamos nos apoiar mutuamente. E isso se faz através de uma educação inclusiva para mudar a situação. O mundo precisa aprender que não se pode julgar um livro pela capa e precisamos insistir nisso. Aprendemos que isso é possível se nos apoiarmos e nos amarmos uns aos outros. Muito obrigado a todos. (Aplausos)Robin Witson:—Muito obrigada à Indira e à Malena. Temos um prémio que gostaríamos de vos entregar. Este prémio é para ‘Estudiantes por la Inclusión’. Aqui o têm.Indira e Malena:—Muito obrigada. (Aplausos)Audiodescrição [AD]:Malena e Indira pegam o prêmio simultaneamente e o mostram.Robin Witson:—Muito obrigado. (Aplausos)

"Agora sei que todas as pessoas são perfeitas tal como são"

Intervenção de Antón Fontao sobre os discursos de ódio no Parlamento da Galiza, convidado pela Campanha Mundial pela Educação.

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Miguel Ángel Santalices (presidente do Parlamento da Galiza): Para encerrar este turno, tem a palavra Antón Fontao Saavedrea, porta-voz de 'Estudiantes por la inclusión'. (Aplausos) Antón Fontao Saavedrea: Bom dia a todos e a todas. Obrigado por me darem a oportunidade de me expressar. Chamo-me Antón, tenho 19 anos e tenho uma deficiência. Passei a vida sentindo que existe um molde no qual todos temos que nos encaixar e, tristemente, quem não se encaixa tenta ocupar esse lugar. No meu caso, não consigo fazê-lo, não há forma de eu me disfarçar ou me esconder. Passei anos em que ser como sou me fazia sofrer, mas agora estou orgulhoso, porque agora sei que todas as pessoas são perfeitas como são. Hoje vim falar sobre os discursos de ódio e eu, como pessoa com diversidade funcional, senti-me tratado assim muitas vezes, porque a maioria das pessoas não conviveu com pessoas como eu. Isso faz com que nos vejam como diferentes e estranhos, e como se costuma ter medo de quem é diferente, às vezes esse medo acaba se transformando em ódio. Entendo que não é culpa deles. Pelo contrário, eles também são vítimas de uma sociedade capacitista. O capacitismo é acreditar que as pessoas com deficiência somos inferiores ou piores do que as pessoas que não a têm. É o mau-trato que nós, pessoas com diversidade funcional, temos que enfrentar todos os dias. Há uma solução, e é a convivência desde que somos pequenos, desde a escola. A solução é garantir a Educação Inclusiva, como diz a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. É um tratado das Nações Unidas que o nosso país assinou há 16 anos, mas que não é cumprido. Porque se continua a separar e a segregar as crianças com deficiência em centros de educação especial e em salas de aula específicas. E por isso, continuam a ser estranhas para o resto. Todas as crianças têm o direito de ir à mesma escola que os seus irmãos, os seus primos e os seus vizinhos do bairro ou da aldeia. Estar com os nossos colegas na mesma escola desde o início é a única maneira de nos verem com total normalidade. Mas não basta apenas estarmos juntos, a escola deve tratar-nos respeitando a maneira como somos e como funcionamos. Tenho muito boas recordações da minha passagem pelo sistema educativo, mas também muito más. Há quatro anos começamos a reunir-nos telematicamente, um grupo de estudantes do ensino secundário de toda a Espanha, um grupo que chamamos de 'Estudiantes por la Inclusión' (EXI). Não éramos apenas pessoas com deficiência. Havia também rapazes e raparigas migrantes, racializados, ciganos, do coletivo LGTBI… Todos tínhamos em comum o facto de termos passado muito mal na escola. A partir das reuniões, elaboramos um guia chamado «Cómo hacer inclusiva tu escuela», onde se explicam os passos que as escolas deveriam dar para que ninguém passe pelo que nós passamos. Nós pensamos que sim, é possível criar a escola que queremos. Por isso, gostaria que vocês, que são quem pode fazê-lo, nos ajudem a mudar a escola para que saiba acolher-nos e ensinar-nos a todos e a todas. (Aplausos)

Como tornar sua escola inclusiva

Fruto do trabalho intenso e prolongado do grupo ‘Estudiantes por la inclusión’ junto a uma equipe de pesquisadores e pesquisadoras da Universidad de Málaga, nasce o Guia ‘Como tornar sua escola inclusiva’.

A conformação tão diversa do grupo foi a chave para que as ideias que dele nasceram, filtradas através do debate sustentado ao longo do tempo, garantissem que o foco estivesse sempre na inclusão de todos os estudantes, sem nenhum tipo de restrição a esse todo. Seu trabalho é um enorme exemplo de que, quando falamos de educação inclusiva, Quererla es crearla.

O guia bebe de três grandes linhas de investigação amplamente desenvolvidas pelas Ciências da Educação e outras Ciências Sociais. Estas correntes de investigação e ação para fomentar a justiça social nas situações que afetam os e as jovens, foram combinadas e misturadas nestas páginas com a ideia de que sejam os próprios jovens quem lidere a mudança nas nossas escolas e institutos.

Você pode usar este guia...

Se você é estudante, porque o guia foi desenhado para você.

Se você é docente, apoiando seus estudantes com este guia.

Se você é família, promovendo o guia, divulgando-o e colaborando com o corpo discente para colocá-lo em prática.

Se você é membro de uma equipe diretiva, organizando uma assembleia em sua escola para convidar os estudantes a utilizá-la, e impulsionando a colaboração do corpo docente com os estudantes…

Se você se dedica à formação de professores, desenvolvendo práticas de aprendizagem-serviço para impulsionar os estudantes de escolas com o guia.

Se você desenvolve políticas educativas, difundindo o guia, gerando planos de formação que o utilizem, introduzindo-o em editais de inovação educacional.

  • Acesse a Infográfico Resumo, disponível em PDF e online.
Nacho Calderón - N.C.:—A seguir, teremos uma mesa na qual vamos compartilhar um momento de conversa com alguns membros do grupo ‘Estudiantes por la inclusión’, com o qual temos aprendido intensamente durante o último ano. Luz Mojtar e eu acompanhamos estes rapazes e moças de diferentes lugares do Estado espanhol. Indira, Antón, Leo e Jorge vão nos ilustrar um pouco sobre qual foi o processo e o que aprendemos nele. Também nos contarão um pouco sobre suas experiências na escola, o germe deste trabalho. Além disso, apresentaremos o guia «Cómo hacer inclusiva tu escuela» e, a partir daí, refletiremos sobre o que significou estar neste grupo. Zulaica, outra companheira, estaria aqui hoje, mas não pôde comparecer por motivo de doença, mas quisemos trazê-la conosco através de um breve fragmento de uma intervenção junto a outros rapazes e moças. A proposta agora é pensar sobre quais temas vocês querem falar, por exemplo, suas experiências nas escolas.Antón Fontao - A.F.:—Eu quero contar a minha experiência na escola. No ano passado, eu ficava sozinho no pátio e, quando comentei isso com a minha mãe, ela me disse para tentar me aproximar dos outros. No dia seguinte, eu me aproximei e não tive sucesso, porque me trataram como se eu fosse um fantasma. Como eu não queria mais me sentir assim, eu fui embora. Depois, em uma aula de educação física, tínhamos que formar grupos para uma atividade de orientação e eu deveria ir com umas meninas, mas, no meio do caminho, elas foram embora e me deixaram sozinho. É isso.N. C.:—Eu te faria duas perguntas. Uma é o que você sentia naquele momento e a outra, o que você acha que pode ser feito para mudar isso.A.F.:—Bem, eu, quando estava sozinho, não era bom porque tinha 20 minutos, que é o tempo que durava o recreio, e eu ficava remoendo. Era ruim. E o que se pode fazer é que os professores tentem que nas suas escolas isso não aconteça, e se dediquem quando estiverem os próprios colegas.N. C.:—Nosso grupo se reunia periodicamente para conversar sobre temas e coisas que iam acontecendo no instituto, assim como propor algumas soluções. Uma das propostas que o Antón lançou e que eu gostei muito foi que, talvez, pudesse ser feita uma assembleia de toda a escola no pátio e, embora ele diga que é tímido, ele participaria dessa assembleia, não é?A.F.:—Sim, eu acho que é necessário que nos perguntem como nos sentimos. E é que nas tutorias, bem, no meu caso, no ano passado, como já não nos davam 20 minutos, e era menos tempo porque eram 10 minutos, já não dava tempo para nada.N.C.:—Muito obrigado.Jorge Osa - J.O.:—Veja bem, minhas experiências na minha escola foram como as de qualquer criança, o que acontece é que os professores não me viam como um aluno comum. Ou seja, não me viam com as mesmas capacidades de outras pessoas e a solução que eles tinham era adaptar os trabalhos de uma forma que eu não entendia. Depois, como não me escutavam, minha mãe tinha que vir e conversávamos seriamente com eles. Até que assimilaram, mas continuavam me tratando mal, e para mim isso não parece a educação de um professor. (Aplausos)N.C.:—Alguém da mesa quer comentar algo sobre o que Antón ou Jorge levantaram? Por exemplo, Indira ou Leo…? Ou você, Jorge. Você diz "Continuavam me tratando mal", mas o que é tratar você mal?J.O.:—Pois, apesar de minha mãe conversar com os professores, eles continuavam com o mesmo sistema de aprendizagem. Ou seja, não mudaram o sistema de aprendizagem nem um pouco.N.C.:—Mais alguma ideia que queiram comentar? Vamos lá, por exemplo, Indira? Esperamos um pouco pela Indira. Continua, Leo.Leo Osa - L.O.:—A verdade é que eu tive, no geral, uma experiência bastante neutra. Não passei por coisas muito traumáticas nem difíceis, como qualquer outro estudante. Mas, embora não fosse duro, eu não me sentia bem na escola ou no ensino médio. Estava sempre entediadíssimo na aula. Passava as aulas procurando maneiras de não prestar atenção ou tentando me entreter, para não ter que fazer... a mesma maneira de estar na aula. Era tão monótono, sempre a mesma coisa. Era super-repetitivo e perdi o interesse. Sempre fui uma pessoa bastante curiosa e tento, na escola, por respeito, prestar atenção aos professores, não fazer bagunça. Tentava seguir algo do que estavam me dizendo, porque é educação básica de uma conversa, mas as aulas não eram interativas, era mais um monólogo que nem mesmo os professores queriam ter. Então, o ambiente não era positivo, não te dava vontade de estar lá. Eu passava as aulas cada vez mais cansado e entediado. Não queria ir à aula, não encontrava nenhum tipo de proveito nelas. Não queria saber de nada, e me sentia mal; não me chamava a atenção o que estavam contando. Eu sou da área de artes, e do que fazíamos nada me chamava a atenção, por isso não me importava com nada. Então, a coisa mudou completamente quando me matriculei no Bacharelado em Artes, que é algo mais focado no que quero fazer. A coisa muda muito quando você está interessado em tudo; de fato, na conferência que tivemos antes, foi dita a frase «A aprendizagem é sempre conhecimento morto», e é um pouco verdade, porque você ia às aulas como estudante, mas não estudava porque não estava interessado em aprender. Era para tirar mais de 5 na nota e pronto. (aplausos)N.C.:—Muito bem, Leo. Eu estava pensando que, nas reuniões, tivemos um grupo muito diverso. Há muitas diferenças dentro do grupo, dos estudantes que fizeram parte dele. E essa era a maior riqueza que tinha porque, de alguma maneira, garantia que o que saísse dali tinha que servir para todo mundo. Entre as coisas que foram discutidas nessas sessões, algumas eram críticas. Estávamos tentando entender como é a escola que eles vivenciaram e que soluções podemos oferecer. Por exemplo, uma das coisas que fazíamos era pensar que coisas realmente estavam funcionando em sua escola e, particularmente, Indira falou em várias ocasiões de um professor seu chamado Aniceto. Um professor muito importante para você, não é, Indira?Indira Martínez - I.M.:—Sim.N.C.:—E por que foi tão importante para você, Indira? O que é que você gostava nele? O que é que você mais destaca no Aniceto? Porque você gostava mais dele do que de outros professores. Por que era?Indira Martínez - I.M.:—(Em voz baixa, para Luz Mojtar) Não entendo o que ela diz.Luz Mojtar - L.M.:—Quando você nos contava como era o Aniceto, dizia coisas muito boas sobre ele.I.M.:—Sim.L.M.:—Lembra-te de coisas que dizias que falavam muito bem dele e dos outros não, porque o que acontecia com o Aniceto? Por que ele era tão bom contigo?I.M.:—Porque ele me dava atenção.N.C.:—Mmm. Isso é o que eu adoro no que a Indira conta. O Aniceto te dava atenção, não é? E como ele te dava atenção, Indira? Por exemplo, como vocês faziam os trabalhos lá?I.M.:—Em grupos.N.C.:—Mmm. Ou seja, com o Aniceto vocês faziam os trabalhos em grupo. E com outros professores, vocês faziam em grupo ou não?L.M.:—Com o Aniceto você fazia os trabalhos em grupo.I.M.:—Sim.L.M.:—E com os outros professores, o que acontecia?I.M.:—Que não nos colocava em grupo.L.M.:—Como te colocavam?I.M.:—À parte.N.C.:—E isso você não gostava.I.M.:—(Em voz baixa.) O quê?L.M.:—Que você não gostava disso, não é? Como você se sentia quando os outros professores te colocavam de lado?I.M.:—Triste.L.M.:—E você dizia isso a eles, não é?I.M.:—A eles.L.M.:—Aos professores você dizia..., o que você dizia a eles?I.M.:—… mas essa é a primeira vez que vi o assento.L.M.:—O que aconteceu?I.M.:—Que eu pensava que iam me colocar lá atrás de novo. Os outros, não []. Que iam me colocar à parte ou lá atrás. Mas é que eu os conheço.L.M.:—¿O que você conhece sobre eles?I.M.:—Sim, é que no final eu já sei.L.M.:—O que acontece no final?I.M.:—Que iam me colocar lá atrás. Isso com certeza.L.M.:—Menos Aniceto.I.M.:—Menos Aniceto. A primeira vez que ele veio [] atrás, dizendo-me que eu estava lá, porque eu não estava. E eu, dizendo-lhe, tens a certeza? Porque eu, vendo a minha carteira aqui, é impossível que me digam que é porque eu não estava. Porque claro, eu não ia acreditar neles, é mentira. Ou mentira ou desculpas, sempre.L.M.:—Como você gosta de aprender, então? Como você gosta de estar na sala de aula?I.M.:—Em grupos, não como os outros faziam. No final… Mas o bom que havia, além do Aniceto, era o José Luis ou… vejamos, é que tem outro. (Falando em voz baixa para si mesmo) Qual mais havia, espera…?L.M.:—Você está lembrando daqueles que te colocavam em grupo, não é? Bom, então ficamos com o Aniceto, que te fazia sentir bem. E estar com os outros.I.M.:—Sim. Menos com o Martín. Ele se aproximava para me ver ou me fazia uma massagem. Isso, pelo menos, com isso eu já ficava satisfeita (tom divertido). (Aplausos e risos)L.M.:—(Risadas) Com uma massagem eu também fico satisfeito.I.M.:—Veja bem, não é só por isso. Não fiquei satisfeito só por isso. Não porque ele vinha me dizer apenas «Olá», claro que ele também não me explicava, pelo menos. Ou seja, muito estranho. (Aplausos)N.C.:—Bem, algo mais que queiram comentar? Alguém do público? No público há mais alguns membros do grupo.Pessoa do público 1:—Para o Leo. Sobre a questão do tédio na aula, isso também influencia a atitude dos estudantes nas aulas?L.O.:—Havia pessoas que sim, ou seja, há pessoas que, por tédio, tentam se entreter de alguma maneira. E há estudantes que fazem isso e pode-se considerar que estão atrapalhando a aula. Então, há muitos comportamentos cuja origem não se sabe e que tentam solucionar com castigos ou com soluções que, na verdade, não levam a nada, mas não buscam a origem. Muitas vezes é o tédio. Você está tão isolado e entediado que não está ali. Há muitos estudantes, especialmente os mais jovens, que tentam fazer qualquer coisa para se entreter. E há professores que não suportam isso e explodem, e isso pode condicionar muito a universidade.Malena Calderón - M.C.:—(Entre o público) Não vou fazer uma pergunta, mas vou falar sobre a discriminação. Tenho um amigo que conheci neste verão chamado Rubén Callejas. Ele foi bastante discriminado porque queriam expulsá-lo da escola. De fato, expulsaram-no da escola e a ONU disse que isso foi um ato de discriminação. Rubén e sua família estão esperando que os chamem para solucionar isso.N.C.:—Muito bem, e além disso, depois, teremos a sorte de poder ouvir o seu pai. Muito obrigado. Bem, pensamos em falar sobre os passos do guia e quase preferimos continuar com a outra dinâmica que temos, mas antes vamos ver uma intervenção. O que os rapazes e as raparigas acabaram de comentar, mais outros temas, foi apresentado juntamente com o guia à Ministra da Educação em setembro do ano passado. Foram dizer-lhe que as escolas não estão a funcionar bem ou não tão bem quanto deveriam funcionar. A ministra ouviu-os. Aqui, um dos fragmentos Zulaica que traz outras experiências que estão a alimentar o guia.Zulaica:—… sobre a discriminação e a não discriminação. Por exemplo, o que aconteceu com Antón ou Rubén e, também, a discriminação sobre diferentes etnias ou culturas. E não apenas de crianças para crianças, mas também do professor. Como no meu caso. Eu, no 3º ano do Ensino Fundamental, tive que entrar tarde porque minha mãe estava passando por uma cirurgia de vida ou morte. Não havia quem pudesse me levar à escola, então me coube um professor. Jamais vou me esquecer desse professor porque o fantasma me persegue até agora, que vou para o 2º ano do Ensino Médio. Ele marcou não apenas o crescimento naquela etapa, aos 7 anos, mas agora, aos 18, continua me marcando muito. (Choro) E é porque eu estava sempre na mira, claro. Eu estava com atraso nos estudos e não entendia muitas coisas. Então ele me dizia «eu posso te explicar quantas vezes for, porque me pagam para te explicar», mas na terceira vez ele já dizia «se você é burra, a culpa não é minha, aprenda sozinha». E você ficava assim porque, claro, ele não apenas dizia isso em particular, mas dizia na frente de tantas crianças. E eu era tão tímida que me sentia como uma formiguinha, pequenininha. No 4º ano, minha mãe já estava melhor, mas, ainda assim, continuava mal, porque seguia com cirurgias e tal. Então, eu digo à minha mãe que não quero mais ir à escola. Eu adorava, minhas notas eram excelentes, mas a partir do 3º ano minhas notas foram de reprovação em reprovação. (Choro) No 4º ano, minha mãe foi a uma reunião de pais e ele disse a ela: «claro, claro, não se preocupe, eu vou ajudá-la». Ele era daquelas pessoas que vão muito rápido e, se você não acompanhasse o ritmo, ficava reprovada. Então, no dia seguinte à reunião, lembro que ele parou na frente da turma e me disse: «Zulaica, diga à sua mãe que se você é lenta, a culpa não é minha. Porque não vou encher 4 lousas para você». E, claro, as crianças são tão cruéis que começavam a rir de mim porque o professor dizia que eu era lenta e burra. Porque me diziam que eu era cigana. (Sarcasmo) E, claro, se você é cigana, já tem 8 anos, saia da escola, não é? Você não merece estar aqui. N.C.:— A história de Zulaica, assim como a história de muitos meninos e meninas que contaram lá no ministério, na verdade são histórias de muita profundidade e de muita dor. Estes encontros foram uma dessas formas de entrelaçar histórias das quais falávamos antes. Serviram, por um lado, para resolver alguns problemas que eles tinham vivido, porque compartilhavam o que estava acontecendo. E, por outro, para nos focarmos em construir algo: um guia. O guia tem uma série de passos. É muito prático e é dirigido a estudantes. As associações de pais e mães, particularmente, poderiam promover este guia e ajudar a que fossem os meninos e as meninas quem liderassem processos de mudança. Está feito de uma maneira muito prática e pode ser desenvolvido nas escolas. Bem (apontando para um projetor com o guia), estes são os passos, não vamos nos deter neles. Os passos são criar um grupo diverso; depois contar à comunidade conjunta o projeto; examinar a escola; organizar tudo o que a comunidade diz sobre esse exame; devolver à comunidade tudo isso; fazer algumas ações, e festejar pela comunidade. É um projeto de investigação-ação participativa juvenil. E essa é a proposta que o guia tem. Trago algumas palavras que Alberto disse sobre o que significou este cruzar de relações, histórias e relatos. «Quando a ministra entrou, assustei-me, mas pensei que tudo correria bem e que sou uma das poucas pessoas que conseguimos estar lá e tentar mudar o futuro da educação. Tranquilizei-me, senti-me um herói quando chegou o meu momento. Parei para pensar e comecei a falar, embora ao falar, como o disse desde o coração mesmo, vieram à cabeça todos esses anos de inferno que passamos a minha família e eu, e não pude conter as lágrimas. Ao sair do ministério, consegui libertar toda a carga que vinha carregando de dor, inferno e sofrimento durante estes anos, e senti-me livre. Desejo que isto tão bonito e tão importante não acabe. Que isto tenha sido o princípio e que continuemos fazendo coisas para mudar as coisas.» Muito bem. Agora a minha pergunta é para o resto dos meninos e meninas da mesa. O que significou para vocês reunirem-se neste grupo?J.O.:—Bem, para mim significou inventar um sistema que nos permita nos desenvolver, que me permita me desenvolver, emocional e socialmente.N.C.:—Você é demais. (Aplausos)L.O.:—Sem dúvida, abriu meus olhos ver como essas pessoas são capazes de todas essas experiências e tentar dar-lhes uma reviravolta para mudar o sistema inteiro, buscar soluções e compartilhar todas as suas boas intenções com o resto das pessoas que sabem que também estão passando por dificuldades. Estar tão comprometidos com a causa e comovidos dá um pouco de fé na humanidade. E a verdade é que hoje em dia faz falta. A verdade é que é uma maravilha poder participar deste projeto, com essas pessoas maravilhosas. (Aplausos)N.C.:—Conte a sua experiência, Indira. Tem sido importante para você estar no grupo? O que é que você gostou?I.M.:—Sim, gostei de tudo.N.C.:—O que é mais importante para você?I.M.:—Que são meus amigos e eu gosto muito deles. (Aplausos)A.F.:—Tenho um texto. Ele chegou a mim em um momento da minha vida em que eu estava passando por maus bocados por culpa do instituto. Sempre me custa me abrir com as pessoas, algumas vezes mais e outras menos. Mas a primeira vez que nos vimos, isso não aconteceu. Com eles, abri-me de corpo e alma. Com eles, não havia coisas que eu não lhes contasse, porque contava tudo. E é que, em nenhum momento, tive vergonha de lhes dizer algumas coisas. Para mim, eles são sinônimo de felicidade. Com eles, fui eu mesmo. É como se todos nós tivéssemos más experiências na escola, como contou o escultor Xavier [] E também nos tornamos mais fortes. Levo comigo amigos e companheiros incríveis. Será o começo de uma longa amizade. Amo vocês. (Aplausos)N.C.:—Agora sim, um momentinho para quem quiser perguntar.Pessoa do público 2:—Enquanto ninguém se anima, lerei as coisas que estão colocando no chat. Colocaram coisas como «a voz dos silenciados, têm as coisas muito claras e uma história de sofrimento com a qual não deveriam carregar». Colocaram também «o sofrimento na escola é uma imoralidade e é excessivamente frequente». «Sempre foi o meu lema: o amor é muito mais importante que os recursos, sem menosprezar estes últimos». «Impressionam os testemunhos das crianças e, sobretudo, doem. Ainda se torna mais difícil quando as crianças não podem se expressar oralmente». A verdade é que eu acredito que todo mundo está comovido aqui. É admirável a capacidade de movimento que você teve e é admirável que lhes dê voz e que possam se expressar e mais vezes. (Aplausos) Daqui, eu acredito que ninguém se negará a levar o compromisso de divulgar o guia e de torná-lo conhecido, pelo menos, conhecido nas escolas.N.C.:—Muito obrigada, apenas uma observação. Estes rapazes e raparigas sempre tiveram uma voz muito potente e nunca foram ouvidos. Portanto, não foi preciso dar voz, porque sempre tiveram uma muito potente, desde o início. A única coisa é que estiveram num espaço para existir.L.M.:—Uma coisinha. No vídeo, a Zulaica dizia que na escola se sentiu pequenina, pequenina. A mim, trabalhar e conviver com este grupo, no início, fez-me sentir pequena também. Porque tiras a tua licenciatura ou o teu mestrado, pões-te a estudar um doutoramento, pões-te a investigar e acreditas que sabes alguma coisa, mas que nada! Vem este pessoal e dá-te lições todos os dias. Enviam-me áudios, enviam-me mensagens, e eu diariamente aprendo com eles e com elas. A sério, mudam-te a vida. À Zulaica, levamo-la à universidade e deu uma aula. E eu disse para mim mesma: «bom, e o que é que eu faço aqui agora». A partir daqui, agradeço-lhes tudo o que fazem e o que fazem por todos os rapazes e raparigas como eles. E por tudo o que fizeram por mim. A sério, é uma oportunidade ouvi-los porque, no final, aprendes mais do que em qualquer curso. (Aplausos)A.F.:—Quero dizer uma coisa. [] Depois vai vir uma pessoa que… para mim… que… mãe, você é demais! (Risos, aplausos)Audiodescrição [AD]Do público, Carmen Saavedra, a mãe de Antón, aproxima-se e abraça o seu filho.N.C.:—(Humor) Antón, cara, controla-te, que estamos mal… Bem, já vamos para o lanche. Muito obrigado a todos.
Participação de ‘Estudiantes por la Inclusión’ no Congresso ‘Inclusión y buenas prácticas’, organizado pela Federação de Associações de Pais e Mães de Alunos de Cádis (FEDAPA) e realizado nos dias 19 e 20 de março de 2022 na Universidade de Cádiz. Lá, apresentaram o seu guia “Como tornar a sua escola inclusiva” e narraram alguns dos processos seguidos até à sua construção. As experiências de Antón Fontao, Jorge Osa, Leo Osa, Zulaika Hadmed e Indira Martínez dão corpo a uma análise serena, porém crua, de um sistema escolar que precisa se transformar para responder às necessidades de todos os estudantes. Moderam a mesa Luz Mojtar e Ignacio Calderón, da Universidade de Málaga.

Audiodescrição [AD]: Introdução do programa ‘Llegó la hora’, dirigido por Roberto López. Apresentação do Projeto ‘Estudiantes por la inclusión’.

(Música)

Roberto López - R.L.:— Chegou a hora. Hoje é quinta-feira, dia 23, e às quintas-feiras dedicamos um espaço neste tempo de televisão para falar de universidade. E, hoje, acompanham-me três investigadores, três amigos que vão contar-nos sobre um projeto que é muito, muito interessante.

À minha direita, Luz del Valle, que é investigadora do Departamento de Teoria e História da Educação e M.I.D.E. Olá, Luz, como estás?

Luz Mojtar - L.M.:— Olá, tudo bem, e você?

R.L.:— Bem, obrigado. O que é exatamente M.I.D.E.?

L.M.:— Métodos de Investigação e Diagnóstico em Educação.

R.L.:— Nossa, quanta coisa. Obrigada, Luz, por estar conosco. Também nos acompanha, à minha esquerda, María Teresa Rascón. É professora titular do

Departamento de Teoria e História da Educação e também M.I.D.E.

Teresa Rascón - T.R.:— Bom dia.

R.L.:— A história do M.I.D.E. nós já conhecemos. Como você está?

T.R.:—Bem, e você?

R.L.:— Bem, obrigado. Como vão as aulas, tudo bem?

T.R.:— Tudo bem por enquanto. Temos bons estudantes, não podemos reclamar. Há futuro e há esperança.

R.L.:— Sim, já sabemos, sabemos. Também nos acompanha Ignacio Calderón, que é professor titular do Departamento de Teoria e História da Educação, e também M.I.D.E. Nacho, tudo bem, como você está?

Nacho Calderón - N.C.:— Muito bem, repetimo-nos. Todos colegas do mesmo departamento.

R.L.:— Claro, porque no final todos vocês estão trabalhando no mesmo projeto.

N.C.:—Sim, todos trabalhamos no mesmo projeto. Há pessoas que são de outros departamentos e de outras faculdades, mas, sim, nós, os que estamos hoje representando o projeto, somos todos do mesmo departamento.

R.L.:— Um projeto, Luz, muito integral, porque vamos contar que estudantes, profissionais, famílias e pesquisadores se juntaram para analisar uma questão que nos importa muito: a inclusão na educação, nas escolas.

L.M.:— Exato.

R.L.:— Isso é, em essência, um pouco o objeto do vosso trabalho.

L.M.:— Sim, todos juntos, todos remando na mesma direção, para que a educação seja inclusiva, igual para todo mundo.

R.L.:— Que todos entendam: na sala de aula cabem todos. Atenção, porque o seu projeto, e acredito que você seja uma das impulsionadoras, foi premiado mundialmente pelo projeto “Estudiantes por la inclusión”.

L.M.:—Sim, bom, “Estudiantes por la inclusión” faz parte de um projeto maior que, a partir da universidade, é “narrativa emergente”, mas que é “Quererla es crearla”. Esse conjunto de pessoas de quem você falava no início.

R.L.:— Uma iniciativa que recebeu o World Down Syndrome Award 2023, um prêmio pelo vosso estudo, não pelo vosso trabalho. Como foi recebido pela equipe?

L.M.:— Pois com muitíssima alegria, estamos super orgulhosos. Creio que estão sendo mostradas imagens dos estudantes, que receberam o prêmio. Imagine, estamos super orgulhosos por eles, pelo trabalho que realizaram e por nós, como equipe profissional que os acompanha e facilita que isto seja possível.

R.L.:—Nacho, conte-me, em que consiste este projeto premiado, por favor?

N.C.:— Bem, o projeto premiado chama-se “Estudiantes por la inclusión” e é um grupo muito diverso de estudantes que convocamos há alguns anos para elaborar um guia que nos tinha sido encomendado pelo Ministério. O guia é um guia de estudantes, construído por esses estudantes, que trabalharam ao longo de mais de um ano de reuniões periódicas nas quais ajudavam outros estudantes a tornar as suas escolas mais inclusivas. Ou seja, é o próprio alunado que assume o protagonismo e decide sair ao encontro, digamos, para tornar as escolas mais inclusivas e não esperar que sejam os docentes ou as famílias quem o faça.

E a partir desse início, que é fazer um guia, estes estudantes têm vindo a formar o corpo docente, a realizar imensas conferências, a participar num documentário. Enfim.

R.L.:— Os próprios estudantes?

N.C.:— Os próprios estudantes formando docentes. Sim, sim.

R.L.:—Estudantes, além disso, com diversidade. Ou seja, pessoas muito diferentes.

T.R.:— Todos nós temos um grupo muito, muito diverso. Estudantes com deficiência, com identidade sexual distinta, de gênero diferente, com desempenho acadêmico muito variado, raça, etnia…, enfim, é um grupo muito, muito diverso, mas eles se encaixaram perfeitamente. Ou seja, no grupo, em nenhum momento se fala dessas categorias.

R.L.:— Sim, que bom. São todos estudantes, juntos, conversando. Porque leio que falaram sobre suas experiências, no que diz respeito à questão da inclusão, inclusive relatando suas histórias de vida. Ali começa uma espécie de laboratório de ideias. Começam a falar, a chegar a conclusões, e são eles que depois estão reeducando os outros.

L.M.:—Sim, é muito curioso, o grupo é formado por pessoas que não se conheciam. De antemão, não se conheciam, algum tinha algum contato muito esporádico porque havia duas mães que se conheciam, mas o grupo era de desconhecidos e muito, muito diverso, como diz minha colega. Mas, ao contar sua experiência e compartilhá-la com os outros, percebiam que tinham muitas coisas em comum, que compartilhavam experiências parecidas. E criou-se um grupo que são amigos.

R.L.:— Quantos anos têm estes meninos e meninas?

L.M.:— O mais novo tinha 14 anos, que, agora, já tem 15. Mas desde os 14 anos, mais ou menos, do ensino secundário, até aos 20.

R.L.:—E vocês reúnem este grupo e o que é que vocês fazem? Suponho que tutelar, acompanhar, e tirar também conclusões, não é?

N.C.:— Bem, o projeto, tanto com os estudantes quanto com outros coletivos, como por exemplo famílias ou profissionais, o que faz é dar sustentação teórica, sustentação científica, aos saberes dessas pessoas que, em grande medida, ainda não são muito valorizados na escola. E sabemos que é, precisamente, pelo reconhecimento desses saberes, do valor desses saberes, que as escolas podem progredir para serem mais inclusivas, para que todo mundo caiba nelas.

Nós o que fazemos é facilitar que isso aconteça e dar sustentação científica a esse trabalho, que eles vão fazendo e construindo: uma ciência cidadã, que as crianças e as famílias fazem e que não é nem ingênua nem pouco útil. De fato, nas imagens está sendo visto outro prêmio internacional anterior que receberam da maior associação científica do mundo. Receberam em Chicago no início do ano.

R.L.:— Que bom. Estamos vendo as imagens do grupo de rapazes e moças que vocês formaram. Esses 16 estudantes com uma grande diversidade interna, que tratam de suas experiências e contam suas histórias de vida. Que chegam a conclusões e expõem tudo isso em congressos, oficinas, meios de comunicação, redes sociais.

T.R.:— No Ministério, também, estão formando professores, oferecendo cursos de formação para professores.

R.L.:—Meu Deus.

L.M.:— Na segunda-feira, precisamente, têm um na Galiza

R.L.:— Eu adoraria falar com eles. Não sei se poderíamos fazer isso algum dia.

L.M.:—Quando quiser.

R.L.:— Que interessante. Note que fazemos anos e anos falando com departamentos e pesquisadores, e não sei se algo parecido tinha sido feito. Pelo menos no contexto andaluz, não é? Não sei.

L.M.:— Nós não temos conhecimento do que você diz, do contexto andaluz. É verdade que, fora da Espanha, conhecemos estudantes. Estas imagens que foram divulgadas foram de um congresso em Chicago no qual havia outros grupos de estudantes. Premiaram 10 grupos de estudantes de todo o mundo, mas de grupos próximos também não temos conhecimento de nenhum movimento parecido.

R.L.:—E por isso vocês receberam ou eles receberam o Prêmio Mundial Síndrome de Down, mas, claro, o que é preciso deixar claro é que não se fala apenas da síndrome de Down, mas que se trata de qualquer tema que tenha a ver com qualquer um de nós.

T.R.:— Exatamente. Desta vez, este foi o motivo do prêmio, mas, como bem disse o Nacho, no ano passado ganharam outro de educação inclusiva. Ou seja, aqui no grupo não há espaço, como eu te dizia, para esses rótulos. Em todo momento é um grupo de jovens ativistas que estão lutando para transformar a educação e convertê-la em uma educação inclusiva.

R.L.:— É a isso que me refiro e abro o debate. Pode, realmente, e deve, realmente, a educação ser inclusiva? Por favor, iluminem-me.

N.C.:—Pode e deve, porque é moralmente necessário e tem de ser porque é legalmente obrigatório. Na verdade, ainda existe todo um debate, lamentavelmente, o do Sim ou Não à educação inclusiva, mas esse debate já deveria ter sido superado, porque há um monte de evidências científicas internacionais das últimas décadas que dizem que a educação inclusiva é, não apenas melhor moralmente. É um mandato legal e moral que nós, educadores e educadoras, temos e, além disso, é cientificamente mais eficaz do que a educação segregada. Portanto, esse debate, na verdade, deveria desaparecer.

Tem que ser inclusiva. Agora, a pergunta será como fazemos isso. Aí sim há

muito sobre o que falar e debater.

R.L.:— Ah, claro. Eu sou pai de meninas que frequentaram a escola e, às vezes, encontramos outros pais e mães que, na porta da escola, fazem comentários do tipo "todos sabemos que esta criança não deveria estar na sala de aula porque trava o crescimento e a educação do resto do grupo". E, no entanto, vocês dizem "não, é exatamente o contrário".

T.R.:—Nós dizemos isso e a evidência científica internacional também diz. Ou seja, todos os estudos científicos indicam que não há evidência de que a presença de crianças diversas na sala de aula afete o desempenho acadêmico nem, logicamente, o desenvolvimento social; pelo contrário, é benéfico.

R.L.:— E como fazemos isso, bem.

N.C.:— Esse é o debate. Eu estava pensando, enquanto Teresa falava, que sabemos que sociedades inclusivas não acontecem se não for porque socializamos juntos e aprendemos juntos. Ou seja, falar de sociedades inclusivas sem

que as escolas sejam realmente inclusivas não vai acontecer, não acontece. Esperamos que isso ocorra por mediação das empresas? Qual é o espaço onde as crianças podem aprender a reconhecer o valor da outra pessoa sem que seja um valor mediado pelo econômico? Não há espaço melhor que a escola.

R.L.:— Além disso, as crianças, nesse aspecto, é como se tivessem isso claríssimo. Verdade, Luz? O que tem na sua turma? Colegas. Elas não se perguntam se um é de uma cor, se outro tem... Não, isso elas já trazem de série. Somos nós, depois, que nos confundimos.

L.M.:—Não há dúvida. Indira é a menina de rosa que aparece nas imagens. Eu tenho uma filha pequena. Quando celebraram o dia da síndrome de Down, minha filha disse na escola que não conhecia ninguém com síndrome de Down, e ela conhece perfeitamente a Indira porque ela já dormiu na minha casa. Então, onde está a diferença? Indira é mais uma menina. Indira é a Indira. Onde estão as diferenças? Aquelas que nós, os outros, criamos, porque as coisas precisam ter nomes, mas na convivência tudo se resolve melhor, e isso está comprovado.

R.L.:— Insisto na pergunta, como fazemos isso? Que conclusão tiramos? Para que os que estamos aqui e os que estão em casa vendo hoje a TV, este tempinho, se perguntem: o que posso fazer eu para que as escolas sejam mais inclusivas? E, portanto, a nossa sociedade.

N.C.:— Temos exemplos de escolas que estão avançando para serem mais inclusivas. Não se pode dizer «esta escola é inclusiva» da mesma maneira que não podemos dizer «esta escola é tão justa quanto poderia ser». Sempre podemos ser mais justos, sempre podemos ser mais inclusivos, mas há escolas que estão avançando e esses avanços partem, fundamentalmente, de colocar o diálogo e a participação em primeiro plano. Ou seja, que todas as pessoas possam falar e possam compreender o que está acontecendo na escola e possam decidir como transformá-la.

Aqui, em Málaga, temos uma escola que tem avançado. Com a qual temos aprendido também, que tem avançado muito em seu processo de tornar-se mais inclusiva. E agora pretendemos colocar em marcha uma

rede de escolas também, aprendendo com essa, a partir de um guia que surgiu dessa escola. Essa escola tem desenvolvido um processo que se chama

«Investigação-Ação Participativa». Nele, as pessoas analisam para transformar as coisas e fazem isso através da participação. Esse processo foi documentado com um guia que ajuda outras escolas a desenvolverem seus próprios processos para se tornarem mais inclusivas.

R.L.:— Que bom, de verdade. Neste programa temos tempo para a universidade, mas sempre dedicamos um tempo na semana para falar de Educação. Falamos das crianças, dos professores da comunidade educativa e acho muito interessante tudo o que vocês estão propondo.

Para finalizar, quais são os próximos passos no projeto que vocês têm? Porque esta é apenas uma parte do que conversamos. Vocês terão que voltar para falar sobre todo o resto.

T.R.:—Como dissemos, este projeto foi finalizado, mas tivemos a sorte de o Ministério tê-lo renovado, então a ideia agora é continuar trabalhando e dar, inclusive, um enfoque mais internacional a este trabalho que estamos realizando com famílias, profissionais e estudantes.

Queremos ultrapassar fronteiras. De fato, estamos estabelecendo contatos com escolas da América Latina, porque a ideia é que isto se torne, como a Unesco já estabeleceu em seu tempo para a agenda 2030 no cumprimento desse objetivo da educação inclusiva, continuar trabalhando e envolvendo, sobretudo, escolas que, de verdade, acreditem neste projeto.

Você perguntava ao Nacho, como podemos fazer isso? Podemos fazer isso colocando famílias, docentes e estudantes para trabalhar. Informando sobre as práticas de sucesso que também estão ocorrendo em outras escolas. Com participação, diálogo.

R.L.:— Escolas inclusivas, um futuro melhor que, no final, é disso que se trata. Muito obrigado por vir e por nos contar sobre este projeto. Eu me interessei muito e espero que em casa vocês também tenham se interessado.

Ignacio Calderón, professor titular do Departamento de Teoria e História da

educação, obrigado por estar conosco.

Obrigado, Luz del Valle Mojtar, pesquisadora do Departamento de Teoria e História da Educação.

Obrigado, María Teresa Rascón, professora titular do Departamento de Teoria e História da Educação

Em uníssono:— Muito obrigada.

R.L.:—Obrigada a vocês. Seguimos em contato, eu adoraria continuar falando sobre este tema

L.M.:— Quando quiser falar com os estudantes, nós o trazemos para você.

R.L.:— Isso está feito. Agora, na saída, conversamos. Vocês falam com a produtora, marcamos uma data. Obrigado a todos e todas no tempo da universidade, nossa seção mais cultural.

Apresentação do Projeto ‘Estudiantes por la inclusión’ pela equipe de pesquisa universitária no Programa ‘Llegó la hora’, dirigido por Roberto López. Luz Mojtar, Teresa Rascón e Ignacio Calderón, da Universidade de Málaga, descrevem o processo seguido e contam algo sobre o movimento ‘Quererla es crearla’ no qual se inscreve. No momento da transmissão do programa (23/11/23), o projeto acabava de obter o World Down Syndrome Award.

Prêmio Cidade de Málaga à Educação 2024

Em 13/09/2024, Malena e Darío Calderón, membros de Estudiantes por la Inclusión, receberam o Prêmio Cidade de Málaga na categoria de Educação, das mãos do Prefeito de Málaga, Francisco de la Torre, e da Vereadora de Educação.

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Audiodescrição [AD]:

Introdução dos Prêmios Cidade de Málaga, 2024. Francisco de la Torre Prados, prefeito de Málaga, faz sua aparição junto a outros vereadores da Corporação Municipal.

Após o prefeito, os premiados avançam entre o público em direção ao palco para receber seus prêmios.

(Música)


Jorge Gallardo:—

Chegou o momento do Prêmio Cidade de Málaga à Educação. E, neste caso, é concedido a Malena e Darío, dois irmãos de sobrenome Calderón Cano, estudantes do ensino médio dos institutos Jesús Marín e Torre Atalaya, reconhecidos recentemente, junto aos seus colegas do coletivo ‘Estudiantes por la Inclusión’, com um prêmio internacional na sede da ONU por seu ativismo em prol da educação inclusiva.


Audiodescrição [AD]:

Primeiro plano de Darío, sentado entre os participantes,

atento à apresentação.


Jorge Gallardo:—

O seu trabalho está focado na prevenção do isolamento e da solidão nas salas de aula. Vamos ver parte do trabalho deles.

(Música)


Audiodescrição [AD]:

Em uma tela gigante, ao ar livre, sucedem-se imagens do grupo ‘Estudiantes por la inclusión’ em atividades comuns, oficinas realizadas com familiares, equipes docentes e de pesquisa, recebendo em Chicago um prêmio da American Educational Research Association e na ONU, recebendo o Prêmio Mundial Síndrome de Down.

Em uma grande tela, são projetadas cenas do grupo ‘Estudiantes por la inclusión’ em atividades conjuntas, oficinas com familiares e colaborações com equipes docentes e pesquisadores. Também, a entrega de um prêmio da American Educational Research Association e da ONU (Prêmio Mundial Síndrome de Down).


Jorge Gallardo:—

Recebem o prêmio Malena e Darío Calderón Cano e quem entrega é o prefeito de Málaga e María de la Paz Flores Delgado, vereadora de Educação e de Fomento ao Emprego.

(Música)


Audiodescrição [AD]:

Francisco de la Torre, María de la Paz Flores, Darío e Malena Calderón levantam-se de seus assentos e caminham em direção à área de entrega de prêmios. Ao chegar, o prefeito entrega-lhes o prêmio e trocam brevemente palavras de agradecimento. Em seguida, posicionam-se um ao lado do outro para uma fotografia em grupo tirada por jornalistas.


Jorge Gallardo:—

Foto de família. Os irmãos agora vão ter que brigar… Não sei onde colocarão o prêmio, se no quarto da irmã, do irmão ou na sala. Suponho que na sala. Agora nos revelarão.


Audiodescrição [AD]:

Darío e Malena dirigem-se ao púlpito de apresentação, onde se encontra o mestre de cerimônias do evento, Jorge Gallardo.


Jorge Gallardo:—

Parabéns.


Audiodescrição [AD]:

Darío toma a palavra.


Darío Calderón:—

Boa noite. Em primeiro lugar, queremos agradecer por este prêmio, tanto da parte da minha irmã quanto da minha. Sinceramente, nós dois estamos muito gratos e jamais teríamos esperado que teríamos a oportunidade de estar aqui hoje.

Este prêmio é muito importante para nós e é uma honra recebê-lo como bons cidadãos de Málaga. Mas este prêmio, na verdade, sentimos que é de todas as pessoas do nosso grupo ‘Estudiantes por la inclusión’, já que sem elas nada disso poderia ter acontecido.

Por isso, é necessário agradecer aos nossos colegas que não estão presentes hoje: Alberto Sánchez, Antón Fontao, Carmen Manzano, Indira Martínez de Illarduya, Jorge Osa, Juan Estefan Marí-Mayans, Leo Osa, Mariama Samba, Martín Zabaleta, Pablo García, Patricia Fernández, Rafael Soto, Yasmina Ennadi e Zulaika Hadmed.

Com estas pessoas criamos o nosso projeto, que nos entusiasmou, com o qual tanto aprendemos e no qual todos demos a nossa contribuição para que as escolas valorizem a nossa diversidade e se comprometam com os nossos direitos.

Também queremos agradecer a Luz Mojtar, da Universidade de Málaga, e aos nossos pais, que nos têm apoiado em cada passo deste processo.


Audiodescrição [AD]:

Malena toma a palavra.


Malena Calderón:—

Hoje temos a honra de receber este prêmio, e pensamos que é um bom momento para compartilhar nossa preocupação com algumas injustiças que se mantêm ao longo dos anos.

Muitas crianças e jovens não são levados em conta em suas aulas. Alguns não podem aprender, porque o ritmo ou a forma de ensinar não mudam. Outros encontram-se sozinhos na escola e no instituto. Há pessoas também que são convidadas a ir embora ou diretamente são expulsas de

suas aulas e suas escolas para colocá-las em salas de aula especiais ou centros específicos.

Em muitos desses casos, eles conseguiram. É algo que continua acontecendo, também, com pessoas do nosso grupo, ‘Estudiantes por la inclusión’, e é algo injusto e ilegal. Nós denunciamos isso que está acontecendo em muitas escolas, e também o que nós, estudantes, não fazemos bem. Mas nos esforçamos para dar soluções para melhorar as condições dentro delas e para que ninguém se sinta excluído.

Isso é o que hoje é premiado, e nos enche de orgulho. Muito obrigado.

Vídeo legendado em espanhol e inglês. Programa completo, transmitido pelo Canal Málaga, disponível em este link.

Prêmio Cadena 'Ser de Álava' 2025

Em 31/03/2025, Indira Martínez de Ilardulla Preciado, membro de Estudiantes por la Inclusión, recebeu o Prêmio “Ser de Álava”, por seu ativismo por um sistema educativo inclusivo em uma gala realizada no Palacio Europa de Vitoria-Gasteiz.

Cargando vídeo…

Audiodescrição [AD]:

Um apresentador e uma apresentadora, no palco do Palacio Europa de Vitoria-Gasteiz.

Apresentador:—
Por sua luta por um sistema educativo inclusivo e sem segregação, um ativismo reconhecido com o Prêmio Mundial de Síndrome de Down das Nações Unidas em março de 2024.

Um vídeo é projetado em tela grande:—

Indira Martínez de Ilarduya, de Vitoria-Gasteiz, recebeu na sede da ONU em Nova York o Prêmio Mundial de Síndrome de Down. Ela o fez em nome de um grupo de estudantes do ensino médio chamado 'Estudiantes por la inclusión' que, em 2020, criou um guia para garantir que suas escolas respondam à diversidade do alunado. Indira quer mudar as coisas depois de ter se sentido afastada e sozinha em períodos de sua educação devido à sua síndrome de Down, para que nenhuma outra criança passe pelo mesmo. Para Indira, não é a síndrome de Down que causa problemas, mas sim as barreiras impostas pelas pessoas.

Apresentadora:—

Entrega o prêmio Ángel Garabieta, Diretor comercial do CaixaBank no País Basco...

Apresentador:—

E recebe o prêmio Indira Martínez de Ilarduya, acompanhada por sua mãe, Noemí Preciado. Por favor.

Audiodescrição [AD]:
Ambas sobem ao palco enquanto o público as aplaude.
 
Apresentador:—
Parabéns.
 
Audiodescrição [AD]:
Ambas sobem ao palco enquanto o público as aplaude. No palco, Indira recebe o prêmio, visivelmente contente. Depois, ela e sua mãe dirigem-se ao púlpito, onde estendem uma folha.
 
Indira Martínez de Ilarduya Preciado:—

Olá a todos e a todas,

Hoje estou muito feliz, emociona-me que o trabalho dos 'Estudiantes por la inclusión' seja reconhecido aqui, na minha cidade.

Adoro a minha cidade, e para podermos conviver nela é muito importante que não nos separem na escola. É para isso que trabalhamos os 'Estudiantes por la inclusión' e nunca vamos desistir. Nunca.

Lutamos para tornar as escolas inclusivas e assim construir sociedades e cidades onde todas as pessoas possamos conviver, com os mesmos direitos e oportunidades.

Se nos separam desde pequenos, é impossível aprendermos a conviver.

Gostaria que na minha cidade, e em todas as cidades e lugares do mundo, pudéssemos estar, trabalhar e desfrutar todos juntos.

Quero agradecer à Cadena Ser por valorizar o nosso trabalho. Muito obrigado, de coração.

Também quero agradecer a todas as pessoas que me acompanharam no caminho:

À minha família, que está por aqui.

À minha mãe, por me apoiar e me ensinar a defender meus direitos e não deixar que os pisem.

Para Miren, minha amiga.

Para Jon, Izan e Alejandra, por serem meus amigos e me apoiarem quando eu mais precisava.

Para aqueles que dificultaram as coisas para mim e colocaram barreiras. Tenho uma mensagem para vocês: vocês me tornaram mais forte e mais ativista.

Àqueles que pensavam que eu não valia ou que eu tinha que estar separada dos meus iguais. Vocês se enganaram, não tinham razão. Vocês me ensinaram a resistir.

Para Luz e Nacho. Obrigado por acreditarem em nós. Amo vocês.

E, claro, obrigado ao meu grupo, os 'Estudiantes por la inclusión': Alberto, Malena, Darío, Antón, Martín... Não vou nomear todos porque somos muitos, somos 16. Este prêmio também é de vocês, amigos.

É uma honra muito grande receber este prêmio na minha cidade. Milhões de obrigada.

Vídeo legendado em espanhol. Programa completo, transmitido pela Cadena Ser Álava, disponível em este link.

Publicações em destaque nas redes

Miguel Ángel Santalices (presidente do Parlamento da Galiza): Para encerrar este turno, tem a palavra Antón Fontao Saavedrea, porta-voz de 'Estudiantes por la inclusión'. (Aplausos) Antón Fontao Saavedrea: Bom dia a todos e a todas. Obrigado por me darem a oportunidade de me expressar. Chamo-me Antón, tenho 19 anos e tenho uma deficiência. Passei a vida sentindo que existe um molde no qual todos temos que nos encaixar e, tristemente, quem não se encaixa tenta ocupar esse lugar. No meu caso, não consigo fazê-lo, não há forma de eu me disfarçar ou me esconder. Passei anos em que ser como sou me fazia sofrer, mas agora estou orgulhoso, porque agora sei que todas as pessoas são perfeitas como são. Hoje vim falar sobre os discursos de ódio e eu, como pessoa com diversidade funcional, senti-me tratado assim muitas vezes, porque a maioria das pessoas não conviveu com pessoas como eu. Isso faz com que nos vejam como diferentes e estranhos, e como se costuma ter medo de quem é diferente, às vezes esse medo acaba se transformando em ódio. Entendo que não é culpa deles. Pelo contrário, eles também são vítimas de uma sociedade capacitista. O capacitismo é acreditar que as pessoas com deficiência somos inferiores ou piores do que as pessoas que não a têm. É o mau-trato que nós, pessoas com diversidade funcional, temos que enfrentar todos os dias. Há uma solução, e é a convivência desde que somos pequenos, desde a escola. A solução é garantir a Educação Inclusiva, como diz a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. É um tratado das Nações Unidas que o nosso país assinou há 16 anos, mas que não é cumprido. Porque se continua a separar e a segregar as crianças com deficiência em centros de educação especial e em salas de aula específicas. E por isso, continuam a ser estranhas para o resto. Todas as crianças têm o direito de ir à mesma escola que os seus irmãos, os seus primos e os seus vizinhos do bairro ou da aldeia. Estar com os nossos colegas na mesma escola desde o início é a única maneira de nos verem com total normalidade. Mas não basta apenas estarmos juntos, a escola deve tratar-nos respeitando a maneira como somos e como funcionamos. Tenho muito boas recordações da minha passagem pelo sistema educativo, mas também muito más. Há quatro anos começamos a reunir-nos telematicamente, um grupo de estudantes do ensino secundário de toda a Espanha, um grupo que chamamos de 'Estudiantes por la Inclusión' (EXI). Não éramos apenas pessoas com deficiência. Havia também rapazes e raparigas migrantes, racializados, ciganos, do coletivo LGTBI… Todos tínhamos em comum o facto de termos passado muito mal na escola. A partir das reuniões, elaboramos um guia chamado «Cómo hacer inclusiva tu escuela», onde se explicam os passos que as escolas deveriam dar para que ninguém passe pelo que nós passamos. Nós pensamos que sim, é possível criar a escola que queremos. Por isso, gostaria que vocês, que são quem pode fazê-lo, nos ajudem a mudar a escola para que saiba acolher-nos e ensinar-nos a todos e a todas. (Aplausos)
 
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Indira Martínez (Vitoria), integrante do coletivo 'Estudiantes por la inclusión', recebe na sede da ONU em Nova York o prêmio Mundial da síndrome de Down.

(Indira passando batom na sua mãe, Noemi Preciado, em um ambiente natural.)

Indira Martínez: Sou Indira, tenho 17 anos e moro em Gasteiz. Sou uma pessoa que não tolera a injustiça, que segue em frente para lutar contra as injustiças. Nas escolas, há falta de amor para algumas pessoas.

(Aplausos enquanto Indira recebe o prêmio na sede da ONU)

Indira: Foi uma grande honra. Recebemos aquele prêmio por trabalharmos para que as escolas sejam inclusivas para todas as pessoas.

(Integrantes do coletivo em uma praça, diante de esculturas de vários homens de terno sob um guarda-chuva, de Ju Ming.)

Indira: É um grupo de toda a Espanha, diverso. Nós nos reunimos e, a partir disso, falamos sobre o que a escola deve ser, e vimos que ainda havia coisas a mudar. Fizemos um guia muito interessante. Para que as crianças não passem pelo que eu passei.

Minha escola é […] não tem nem salas específicas nem nada disso. Todos estão juntos, ali, aprendendo. É que é o melhor para todos.

Noemi Preciado: Nossa luta é e tem sido para que Indira permaneça dentro do sistema. A Indira foi retirada do sistema. As opções que o sistema nos dava eram opções segregadas.

Indira: O que eu sempre digo é que a convivência entre todos é possível.

(«O trabalho foi apresentado à ministra da Educação, Pilar Alegría.»)

Indira: Eu adoro estudar, sim, sim. Ativista eu já sou. E também [quiero ser] política para fazer com que as leis sejam cumpridas.

(«Indira quer se tornar política para mudar as coisas, depois de ter se sentido afastada e sozinha na escola.»)

Indira: A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência das Nações Unidas diz que as pessoas com deficiência temos direito a uma educação inclusiva.

(Vista detalhada de alguns integrantes do coletivo. Em primeiro lugar, Antón Fontao Saavedrea.)

Indira: Ainda existem leis que permitem que nos separem. Os professores não me explicavam nada. Então, claro, eu ficava entediada. Consideravam que eu deveria estar à parte. Segregada em uma sala de aula especial. Diziam que eu tinha que estar com os meus.

(«A ONU reconhece a educação inclusiva como um direito fundamental dos estudantes. A experiência de Indira e a de outros colegas é retratada no documentário 'Quererla es Crearla'.»)

Noemi: No Ensino Médio, Indira esteve na sala de aula regular porque foi 'uma teimosia minha'. Nunca foi entendido como seu legítimo direito. Ela estava lá, na aula; era uma inclusão física.

Indira: Éramos 30 e quem era a -1? Eu. Faltava eles me conhecerem. Eu não estava com meus colegas. E olha que eu tentava, viu? Mas nada, era impossível. Eu era totalmente invisível. Eu carregava um cartaz.

(«O documentário mostra a luta destes estudantes e de seus familiares por uma educação na qual todas as crianças tenham lugar.»)

Noemi: Falta humanidade. E a convicção de que, quando se segrega as pessoas por sua condição, está se violando o direito dessas pessoas e o direito dos outros. Porque se está privando-os do direito de conviver com a diversidade.

Indira: Eu estou estudando, faço formações para desempregados. Não há salas de aula específicas, lá sim me ensinam. Sou mais uma, vou feliz.

Mais informações

Produções científicas

Publicações

Conferências em congressos científicos

  • RASCÓN-GÓMEZ, M.T. & MOJTAR-MENDIETA, L. (2021). Educação inclusiva ou exclusiva? Um desafio para o sistema escolar espanhol. Trabalho apresentado no World Educational Research Association 2021 Focal Meeting, Santiago de Compostela, Espanha. https://hdl.handle.net/10630/23241
  • CALDERÓN-ALMENDROS, I.; RASCÓN-GÓMEZ, M.T. & CABELLO-FERNÁNDEZ-DELGADO, F. (2021). Como tornar as nossas escolas mais inclusivas? O caso da Espanha. Artigo apresentado na 12ª Conferência Bienal da Comparative Education Society of Asia (CESA). Catmandu, Nepal.
  • CALDERÓN-ALMENDROS, I. (2022). Involving communities in the promotion of inclusive school cultures. 1ª Conferência Internacional sobre Educação e Formação – Pensar a educação em tempos de transição, Lisboa, Portugal. https://www.icet2022.pt/en/content/abstracts/abstract-book/abstract-book.html
  • RASCÓN-GÓMEZ, M.T.; CABELLO FERNÁNDEZ-DELGADO, F. & CALDERÓN-ALMENDROS, I. (2022). Narrativas emergentes e transformadoras sobre educação inclusiva através do cinema documental. Trabalho apresentado na Reunião Anual da American Educational Research Association 2022 (AERA). San Diego, EUA. https://hdl.handle.net/10630/24019
  • CALDERÓN-ALMENDROS, I.; RASCÓN-GÓMEZ, M.T. & MOJTAR-MENDIETA, L. (2022). Interseccionalidade, narrativas emergentes e educação inclusiva na Espanha. Trabalho apresentado na Reunião Anual da American Educational Research Association 2022 (AERA). San Diego, EUA. https://hdl.handle.net/10630/24086
  • CALDERÓN-ALMENDROS, I.; MOJTAR, L.; RASCÓN-GÓMEZ, MT.; FONTAO, A.; MARTÍNEZ-DE-ILARDULLA, I.; OSA, J.; CALDERÓN, M.; CALDERÓN, D. (2023). Estudiantes por la Inclusión. Narrativas Emergentes sobre la Escolarización Inclusiva. 2023 Reunião Anual da American Educational Research Association (AERA). Chicago, EUA.
  • MOJTAR-MENDIETA, L., CALDERÓN-ALMENDROS, I. & RASCÓN-GÓMEZ, M.T. (2023). Students as subjects. Resistance and collective resilience to challenge barriers to inclusion. Artigo apresentado na Reunião Anual da American Educational Research Association 2023 (AERA), Chicago, EUA. https://hdl.handle.net/10630/27300
  • MOJTAR-MENDIETA, L., CALDERÓN-ALMENDROS, I. & RASCÓN-GÓMEZ, M.T. (2024). Da opressão ao ativismo. Voz estudantil e mudança social. Trabalho apresentado na Conferência da British Educational Research Association (BERA) 2024 e Reunião Focal da World Educational Research Association (WERA). Manchester, Reino Unido.

Prêmios e reconhecimentos

  • Prêmio ‘Youth Teams in Education Research’ (2023), concedido pela American Educational Research Association (Associação Americana de Educação Inclusiva) à Equipe de Pesquisa de Estudantes do Ensino Médio ‘Students for Inclusion’.
  • Prêmio ‘World Down Syndrome’ (2023), concedido por Down Syndrome International a ‘Estudiantes por la Inclusión’.
  • Prêmio Cidade de Málaga de Educação (2024), concedido pelo Prefeitura de Málagaa Malena e Darío Calderón Cano em representação do coletivo ‘Estudiantes por la Inclusión’.