Imagem de cabeçalho, com uma trama de esferas de diferentes cores conectadas entre si. Acima, à esquerda, pode-se ler "Workshop Incide: Uma política para a educação inclusiva a partir de experiências cidadãs". Abaixo, à direita, os logotipos do Ministério da Educação, Formação Profissional e Desporto, o da Universidade de Málaga e o do Plano Estratégico de Educação Inclusiva.

Apresentação do Workshop Incide

No âmbito do processo de elaboração do Plano Estratégico de Educação Inclusiva, o Ministério da Educação, em colaboração com a Universidade de Málaga, organizou um encontro participativo com o título «Workshop INCIDE. Uma política para a educação inclusiva a partir de experiências cidadãs» que teve lugar nos dias 4 e 5 de maio de 2026 na sede do Ministério em C/ Torrelaguna, 58 (Madrid).

O Workshop Incide foi um encontro entre docentes e outros profissionais da educação, famílias, estudantes, responsáveis políticos e outros agentes comunitários para elaborar propostas para o Plano Estratégico através de um trabalho participativo, sistemático e rigoroso, empregando a análise e o compromisso cidadão para facilitar e acelerar o processo de transformação do nosso sistema educativo para o tornar mais inclusivo.

Os participantes realizaram um diagnóstico participativo sobre a inclusão e a equidade nas escolas, assistidos por uma equipa do Grupo de Investigação «Educação e Mudança Social» da Universidade de Málaga, liderado por Ignacio Calderón Almendros e Teresa Rascón Gómez. O encontro teve particularmente em conta as vozes de pessoas pertencentes a coletivos em situação de desvantagem nas escolas e gerou um diálogo igualitário em que pudessem emergir linhas estratégicas para continuar a trabalhar de forma participativa, sistemática e rigorosa durante o próximo ano. Não foi um congresso nem um curso. Foi uma sucessão de assembleias e oficinas para fazer uma análise da realidade escolar a partir das experiências dos e das participantes, com a finalidade de lançar luz sobre o Plano Estratégico e gerar equipas de trabalho que continuarão posteriormente a avançar nas principais linhas emergentes.

Cartaz do Workshop Incide

Instantes do encontro

Fotografias de Raúl Aguirre, Paula Verde e MEFPD

Objetivos do Workshop Incide

  • Desenvolver um diagnóstico participativo da situação do sistema educativo espanhol através de experiências da comunidade.
  • Facilitar e acelerar o processo de transformação de políticas, culturas e práticas através de metodologias participativas.
  • Constituir um espaço para a confluência de boas práticas em matéria de inclusão, com a intenção de aprender delas, compartilhá-las e potencializá-las.
  • Conhecer, compreender e melhorar através do diálogo as concepções educativas, experiências e práticas profissionais que desafiam os processos de segregação e exclusão.
  • Aprender dos saberes dos estudantes, das famílias e dos/as profissionais, favorecendo que possam expor suas experiências escolares e suas propostas de melhoria, particularmente as dos coletivos em desvantagem.
  • Identificar, desenvolver e compartilhar os mecanismos de colaboração utilizados em e entre diferentes centros educativos.

Objetivo: a educação inclusiva

Após a realização deste encontro, será elaborado um relatório que recolherá as conclusões e contribuições realizadas, com o objetivo de que sejam consideradas na elaboração e implementação do Plano Estratégico que nos permita avançar em direção a um sistema educativo mais inclusivo. Todas as sessões plenárias e oficinas foram gravadas em vídeo para posterior divulgação.

Entre as produções do encontro, destaca-se a reportagem realizada pela RTVE intitulada “Objetivo: a inclusão educativa”, exibida no dia 2 de junho no programa “La aventura del Saber” da La 2.

Toda a informação da reportagem em: https://play.rtve.es/v/17096502/ 

Germinando o Workshop Incide

Nos dias que antecederam o evento, foram preparados uma série de breves depoimentos em formato de vídeo de estudantes, docentes, orientadores/as e especialistas, mães e pais de estudantes, bem como diretores/as de centros escolares.O conjunto de vídeos “Germinando o Workshop Incide” pretende abrir questões a partir de experiências concretas, e foram mobilizados através de duas perguntas, dependendo da pessoa a quem eram dirigidas:

  • Você pode contar uma dor e uma alegria em relação à sua experiência com a educação inclusiva?
  • Quando você se sentiu um a mais e quando se sentiu um a menos na escola?

A primeira pergunta foi dirigida fundamentalmente a profissionais e famílias. A segunda foi empregada para falar com estudantes, fazendo referência à pertença: momentos, experiências, situações em que sentiam que faziam parte ou não da escola. Daí o título dos vídeos:“Um a mais, um a menos no sistema educativo”, que nos ajuda a refletir sobre os processos inclusivos e excludentes que ocorrem de forma simultânea nas escolas.

Imagem com a captura de tela de 30 videotestemunhos nos quais se vê uma pessoa em cada um deles (exceto 2 dos vídeos, com 2 e 3 pessoas respectivamente)
Germinando el Workshop Incide

A pergunta emana da experiência de um estudante – Antón Fontao –, que dá título ao seu livro biográfico: “Antón. Um a mais, nada menos” (2025, Editorial Manelia).Como fruto deste chamado, germina o Workshop Incide, comuma série de 30 vídeo-testemunhosde grande riqueza.

Todo o Workshop, aberto à cidadania

Toda a informação das duas jornadas de trabalho, incluindo vídeos e atas, pode ser encontrada entrando no programa do evento. Durante o desenvolvimento do workshop houve uma grande tarefa de coordenação, registro e sistematização. A informação detalhada pode ser encontrada nos seguintes links:

Jornada 1: Diagnóstico

Cargando vídeo…

Transcrição de:

  • Inauguração institucional
  • Apresentação: uma agenda cidadã para a educação inclusiva
  • Assembleia Plenária Inicial: O que está acontecendo conosco nas escolas?

LUCIO CALLEJA: Bom, pois muito bom dia a todos os presentes esta manhã neste ato de inauguração deste encontro, que é um prazer ver aqui tanta gente, ver praticamente lotado este auditório desta sede do Ministério da Educação, Formação Profissional e Desporto. E além disso, vê-lo lotado de tanta diversidade, com crianças, com gente jovem, com gente mais velha, com professores, com famílias, com alunos, gente de instituições, de administrações, enfim, uma variedade que, bom, que não é nem mais nem menos reflexo da variedade da sociedade e um pouco o motivo pelo qual estamos aqui esta manhã, para falar de diversidade, para falar de inclusão e para compartilhar experiências e compartilhar vivências. Não quero alongar nem de longe esta apresentação. Haverá um breve espaço de apresentação institucional. E então, bom, como o importante vai começar depois, eu simplesmente peço que subam à mesa Ignacio Calderón, Jesús Martín e Mónica Domínguez, por favor, que serão as três pessoas que inaugurarão.

Bom, enquanto se sentam, Ignacio Calderón Almendros é professor da Universidade de Málaga e é, junto com Teresa Rascón, que também está aqui à frente, as pessoas que lideram o grupo de investigação, educação e mudança social. Jesús Martín Blanco é o diretor-geral de Direitos das Pessoas com Deficiência, do Ministério de Direitos Sociais, Consumo e Agenda 2030. E Mónica Domínguez García, que é a diretora-geral de Avaliação e Cooperação Territorial do Ministério da Educação, Formação Profissional e Desporto. Quero agradecer também a presença, que está aqui na primeira fila de Julio del Valle, que é o diretor-geral para a Igualdade Real e Efetiva das Pessoas LGTBI, do Ministério da Igualdade. Obrigado, Julio, por vir. E uma última coisa, o loop magnético disseram-me que está na zona de lá. Digo-vos, por se houver alguém que o necessite, que saibam que está no lado esquerdo, segundo estou eu a olhar para a sala. Pois nada mais, Nacho, quando quiseres tens a palavra.

IGNACIO CALDERÓN:Bom, então, muito obrigado, Lucio. Muito obrigado a todos e todas por terem vindo. Muito obrigado ao Ministério por ter dado a oportunidade de gerar este espaço de construção coletiva. Estou feliz, também nervoso agora mesmo, de iniciar este momento. Bom, na tarefa, o Lucio me disse: não se enrole, comece algo rapidinho, né? E pensei em como introduzir este workshop. E me remeti a 25 anos atrás, quando comecei a pesquisar sobre educação. E em particular, eu estava tentando pesquisar sobre a experiência, a experiência do fracasso escolar. Particularmente, a experiência do fracasso escolar de crianças que viviam em situações precárias, em situações de pobreza. E me lembrei de uma história, uma primeira história que escrevi com a Elena, uma estudante de ensino médio de um bairro operário de Málaga. Essa história de vida se intitulou "Libertar-se da escola". E "libertar-se da escola" era como uma pulsão que tanto ela quanto seus amigos e amigas contavam, que era a de tentar escapar do controle da escola. Depois de escrever aquela história, fiz uma formação para equipes diretivas. E levei alguns fragmentos do que a Elena me contou. Esses fragmentos contavam, basicamente, que ela não se lembrava significativamente de muitas coisas da escola. Começava assim: "No primeiro ano, estive com um professor, não me lembro do nome dele. Não me lembro das aulas dele, nem de como ele explicava, nem do que fazíamos na aula". E aí continuava uma ladainha de "não me lembro, não me lembro, não me lembro". E um docente daquela sala me disse: "Essa menina tem amnésia". E então trouxe a história de outro menino, neste caso era o José, um jovem de 17 anos, de uma família com muito poucos recursos, de mãe cigana, de pai não-cigano. E começaram novamente a se repetir esses "não me lembro, não me lembro, não me lembro". E ele não se lembrava nem dos docentes, nem dos colegas, nem dos livros, nem das disciplinas. Tanto que chega um momento em que ele me diz: "Não entendo o que aconteceu aqui, hein? Porque é como se a memória da escola tivesse sido apagada". Como se a memória da escola estivesse em um lugar diferente de outras memórias, né? Daquela história, da história do José, escrevi com ele sua biografia que se intitulou "Sem sorte, mas guerreiro até a morte". Esse título também tinha a ver com uma pichação que havia na cela em que ele estava, no centro de menores infratores, onde o conheci.

Ou seja, que essa irrelevância da escola teve um grande impacto na vida de uma criança, como teve um grande impacto na vida da Elena. Bom, e por aquela altura, estamos a falar de há 25 anos, por aquela altura, ao meu irmão Rafael, a escola onde tínhamos frequentado todos os irmãos e irmãs, convidou-o, e ponho entre aspas, convidou-o a abandonar a escola para ir para um centro de educação especial. A minha família recusou aceitar aquele parecer e empreendeu um caminho de dissidência que é complexo e que queria reconhecer a legitimidade do meu irmão como estudante legítimo naquela escola onde o resto dos irmãos e irmãs tinham estado. Aquela história tornou-se um livro que se intitulou, inicialmente, "Vertebrar a luta educativa". E o que pretendia era que a história que tinha ocorrido na minha família não ficasse apenas numa família, mas que pudesse ser algo que servisse para outras famílias avançarem na luta pelo reconhecimento dos direitos educativos de todas as crianças. E este é o sentido do encontro que começa agora. Experiências como a que acabei de narrar, na realidade, ainda existem muitas. Até em alguns termos pioraram. E o que me faz pensar é que não aprendemos suficientemente a reconhecer o valor dos saberes da cidadania, das crianças, dos seus famílias, do corpo docente que trabalha com elas. E esses saberes que eu reconheci na Elena, no José Medina, no meu irmão Rafa, na minha própria família, a minha mãe, esses saberes são muito mais fortes quando se tornam coletivos. E é isto que pretendemos fazer aqui, gerar um saber coletivo que permita ou que impulse a transformação do sistema. Por isso um espaço como este tem para mim um grande valor e gera-me uma grande esperança porque é uma aposta do ministério em trabalhar para que estas experiências que ocorreram, que ocorrem há muito tempo e que infelizmente continuam a ocorrer hoje, possam ter um travão, possam começar a ser solucionadas. Assim, muito obrigado Mónica por esta oportunidade, muito obrigado ao ministério e obrigado a todos e a todas por a tornarem possível.

LUCIO CALLEJA: Obrigado, Nacho. E a seguir, Jesús Martín, diretor-geral da deficiência, vai dizer umas palavras também.

JESÚS MARTÍN:Muito obrigado, querido Lucio, querida Mónica, também a ti e também querido Nacho. Bom dia a todas e é uma honra partilhar este espaço, além disso, no dia do meu aniversário, creio que é o melhor presente que posso ter, partilhar o meu 52º aniversário com pessoas que dedicam o vosso tempo, o vosso talento a melhorar a educação, que a meu ver é o maior capital juntamente com a infância que qualquer Estado possui. E estais a fazê-lo como corresponde numa democracia avançada como a nossa, a partir dos direitos humanos, ou seja, pensando em todo o alunado sem exceções. Obrigado, querida Mónica, por dizeres sempre que sim, por trabalhares lado a lado, por deixares a pele, tu e a tua equipa, para que a inclusão pivote no nosso sistema educativo. E obrigado também por a transcenderes para a deficiência e pensares que isto é uma questão de todas as realidades humanas, de todas as meninas e todos os meninos. Hoje convocaram-nos para a educação, mas a partir de uma escola que iguala, a partir de uma escola que liberta, mas a partir de uma escola que também inclui. E efetivamente é disso que se trata a educação inclusiva. É um sistema que deve ser flexível, deve ser um sistema que celebra a diversidade humana e no qual todas as crianças e todos os meninos devem aprender nos mesmos espaços. Temos de ter em conta que existem diferentes capacidades, grupos étnicos, estaturas, orientações sexuais, origens, idades e que é o sistema que deve mudar para acolher esta diversidade e adaptar-se a cada estudante. Entendereis que a escola é, depois da família, o primeiro lugar de convivência para a pessoa e, a partir desta perspetiva, é imprescindível que todo o alunado, todo o alunado, também o que tem deficiência, receba a educação nos mesmos colégios. Que o resto do alunado da família humana para partilhar salas de aula, aprendizagens, pátios, atividades extracurriculares em que se construam os afetos, em que as crianças sejam Laura, Adrián e Jesús e não uma criança com acondroplasia ou uma criança surda ou com síndrome de Down. E, sobretudo, que nesses espaços se construa o respeito mútuo. Estas meninas e estes meninos serão os adultos que governarão este país no futuro. Se desde o início construirmos esse respeito, asseguro-vos que a nossa vida, a vida das pessoas com deficiência, a vida das pessoas trans, das pessoas ciganas, será mais fácil. Pois teremos inoculado desde o início um vírus maravilhoso que é o da inclusão. E o enfoque inclusivo, é disso que trata este seminário, valoriza as e os estudantes como pessoas, respeita a nossa dignidade inerente e reconhece as nossas necessidades e a nossa capacidade, sim, também, para fazer uma contribuição valiosa para a sociedade. Também, a inclusão reconhece que a diferença proporciona uma oportunidade de aprendizagem e reconhece esta relação que é indissociável entre escola e comunidade para construir estas sociedades em que todos nos sentimos parte. Não só o alunado, também o corpo docente, o pessoal que está nas escolas, as famílias. Eu conto sempre uma anedota. Sou de uma aldeia muito pequena da Extremadura e fui estudar, pessoas que serão da minha idade, para o que eram então as universidades laborais. Fui para Huesca. Então, claro, era um internato de duas mil e poucas pessoas e só havia duas pessoas com deficiência. Uma que era externa, uma mulher com paralisia cerebral, Noelia, e eu. E a mim, sem me perguntarem, deixaram-me isento de educação física. Quando eu vinha de saltar por rochas e por todos os sítios da minha aldeia, de fazer o cabra, o que tem de fazer uma criança. Ninguém se preocupou de me fazer uma adaptação curricular. E eu, nessa disciplina, não sei como será agora, Mónica, mas antes era uma disciplina de muito lazer, de jogo, pois eu ia para a biblioteca. E aí começa o primeiro apontamento. Por não fazer uma coisa tão simples que agora tendes muito integrada como uma adaptação curricular. A escola inclusiva supõe transformar o sistema educativo para que acolha e aprecie a diversidade sem restrições.

Ou seja, que haja presença, que haja progresso, que essas crianças não só estejam na escola, mas que aprendam, e que também participem nos jogos, nas atividades extracurriculares, nos pátios. E no governo da Espanha, temos isso claro: a educação inclusiva é uma meta incontestável. E fazemos isso com determinação, com convicção, porque assim diz a convenção, que este ano completa 20 anos. E diz a própria LOMLOE. E um governo decente deve respeitar seu marco legal. A educação inclusiva, por isso adoro ver tanta gente, ver os jovens que estão aqui onde devem estar, na primeira fila, porque vocês são os protagonistas, ver famílias, ver a sociedade civil, estou vendo ali a Carmen, a presidente da Plena Inclusión, ver docentes, ver pesquisadores, porque isso deve ser abordado a partir do diálogo, da serenidade, do encontro. Aqui não sobra nada nem ninguém. Todas as vozes são valiosas e são porque precisamente nos jogamos um tema muito importante, que é o direito à educação de nossas crianças. E neste desafio, que é um desafio de país, devem estar, como digo, toda a comunidade educativa, as famílias, as organizações e, claro, vocês, as crianças e os meninos, cuja opinião é muito importante, muito importante a considerar. Porque vocês são os titulares dos direitos, algo que esquecemos muitas vezes quando construímos políticas públicas. Quero deixar muito claro, minha colega, a diretora-geral, vai sublinhar isso tanto quanto eu. Isso não é uma guerra contra nada nem contra ninguém. Aqui nada se emenda. Isso é sobre somar. Isso é sobre somar. Por isso, reunimos toda essa amálgama, que é uma representação do que é a sociedade, para ter o seu conhecimento, as suas dúvidas sobre o que será o próximo plano de educação inclusiva, para que seja solvente, para que seja certeiro, como nos manda a disposição adicional quarta da LOMLOE. Nesta equação não pode faltar a ciência, como um pilar chave da nossa emancipação individual e social, e como alavanca também para a nossa libertação de culturas e estruturas capacitistas. Hoje estamos aqui e finalizo para sustentar todas juntas a bandeira dos direitos humanos, para cristalizar uma igualdade que deve ser transformadora da mudança sociocultural, e esta igualdade transformadora é a que questiona a visão hegemônica na qual persiste um tratamento diferenciado por motivos de deficiência, de etnia, de orientação sexual, e esta igualdade transformadora é a que vai contribuir para erradicar essas formas sistêmicas, estruturais e mais ocultas de discriminação. Hoje aqui, ao longo destes dois dias, vamos buscar na educação a melhor aliada para reescrever a história das pessoas com deficiência, das pessoas ciganas, das pessoas trans, para que esta seja uma história de autodeterminação, de convivência, de inclusão e, sobretudo, de direitos. Muito obrigado.

LUCIO CALLEJA: Pois muito obrigado, Jesús, pelas suas palavras e também pelo seu apoio, como administração e como pessoa. E finalizamos este ato protocolar de inauguração deste encontro com Mónica Domínguez García, diretora-geral de avaliação e cooperação territorial do Ministério da Educação e responsável também por todo o desenvolvimento deste plano estratégico de educação inclusiva.

MÓNICA DOMÍNGUEZ:Muito obrigado, Lucio, Nacho, Jesus. Bom dia a todas e a todos. Vejam bem, tal como meus colegas na mesa e também Lucio mencionaram, há alguns meses o Ministério da Educação, Formação Profissional e Desportos tomou a decisão de que deveríamos elaborar, começar a desenhar o plano estratégico de educação inclusiva. Um plano que evidentemente requer ciência, como bem disse Jesus em suas palavras anteriores, requer rigor, requer fazer um bom diagnóstico, requer muitas questões. Mas, sem dúvida, o que tínhamos muito, muito claro no momento em que começamos a falar sobre fazer este plano é o que hoje vai começar a ser dado aqui. Tínhamos muito claro quando começamos a gestar o plano que não se podia fazer isso sem ter algo muito claro, e é que precisamos ter em um auditório um número de pessoas, hoje quase 200 pessoas aqui. pessoas aqui que têm quase 200 histórias distintas, quase 200 vivências. E a resposta do que queremos ou pretendemos a partir deste momento é colocar sobre a mesa a verdade. E a verdade em maiúsculas. Não queremos falar de estatísticas hoje, não queremos falar de diagnósticos, não queremos manchetes. Queremos de verdade falar da verdade do que não está funcionando no sistema educativo espanhol. Queremos a verdade de que somos conhecedores e confiamos plenamente em que todas as pessoas que estão hoje aqui sentadas têm a capacidade de poder mudar e melhorar o sistema educativo. Cada um de vocês com suas experiências, com suas vivências, com os saberes da cidadania, como Nacho nomeou anteriormente, vai muito além do que os manuais, a teoria podem nos dar. Não viemos a um congresso comum e acho que é isso que, por favor, viemos aqui para ouvir e construir todos juntos. Viemos para reconhecer a todos e cada um de vocês como especialistas. Não pedimos que venham opinar, pedimos que venham participar. E com a palavra participação me refiro a uma construção conjunta, a que possamos de verdade somar, como bem disse Jesus. Permitam-me falar com total honestidade. Sou muito consciente de que nesta sala hoje aqui há estudantes ou antigos estudantes que aprenderam a se adaptar a um sistema em que talvez tenham sido invisíveis em algum momento, em que tiveram que se adaptar vocês ao sistema porque não se soube dar resposta às suas necessidades. Também sei que há outros que podem falar muito positivamente sobre como se pode garantir uma participação dentro de um centro educativo, como se pode sentir parte de uma comunidade educativa, como se pode sentir de verdade a inclusão em todo o sentido, em todo o seu sentido mais amplo. Também há pais, mães aqui sentados hoje que lutaram muitíssimo ao longo da trajetória acadêmica de seus filhos e filhas, que talvez em algum momento se sentiram sozinhos. Às vezes, até tiveram que aprender porque ninguém, não encontraram a pessoa que lhes pode explicar como sair dessa dificuldade, dessa pressão, dessa dor de ver que não se está dando a resposta necessária para suas filhas ou seus filhos. Mas também sei que aqui há pais e há mães que sim podem falar positivamente mostrando como os apoios podem funcionar coordenando-se de todas as partes, como as barreiras existentes podem ser derrubadas. Também sei que nesta sala hoje há docentes, há mestras, há mestres que colocaram em prática soluções que são brilhantes, que às vezes, sem quase recursos, foram capazes de dar resposta, de ser uma pessoa chave e significativa para que alguém, alguma pessoa, algum estudante os tome como referência, saiba que são as pessoas que lhes permitiram ter o sucesso e ter a confiança em si mesmos para poder seguir em frente. Não podemos dar por garantido que a vocação está entre todos os docentes, devemos trabalhar para que realmente se saiba dar a resposta pertinente. Há também aqui membros de equipes diretivas que lideram, que confiam em seus claustros, em suas famílias, em seus alunos, que fazem de ponte com a administração educativa e que geram essa transformação que muitas vezes parece impossível, mas vocês conseguem.

Há investigadores, aqui nesta sala há muita gente da academia, que trabalham em universidades, em várias equipas de investigação, que souberam transformar em realidade, numa realidade quotidiana, conhecimento rigoroso que existe nas salas de aula e souberam transformá-lo em ciência, em evidência científica. Aqui há associações, instituições do terceiro setor, que são, sem dúvida, aqueles que conhecem melhor do que ninguém o coletivo, os coletivos com os quais trabalham e que sabem estar a lutar, a dar a cara, a vir sempre trabalhar com a administração educativa de frente, a dar a mão e a dar a resposta que se pretende. E evidentemente há membros das administrações não só educativas, educativas e de outras áreas, que têm algo que os outros não têm. E é precisamente a capacidade de fazer com que tudo mude de escala, de que estes sonhos e de que esta realidade seja uma realidade para todos e para todas, de transformar o excecional em norma. E para isso estamos aqui hoje. Assim, hoje aqui todos são imprescindíveis. Dou-vos as minhas sinceras graças a todos e cada um de vós por terem aceite, por terem deixado as vossas agendas de lado, por estarem aqui. E peço-vos muito sinceramente que vamos construir, porque este plano estratégico de educação inclusiva precisa da vossa voz, precisa de poder aportar a teoria que se vive dentro das vivências de cada um de vós. Quero aproveitar evidentemente o momento de agradecimento, não só a todos os que estão aqui hoje sentados, mas também muito sinceramente à equipa de investigação, educação e mudança social da Universidade de Málaga. Aqui está o Nacho, ali está a Teresa, sei que vêm com uma equipa enorme. Muito obrigado porque nos estão a acompanhar completamente para que, não só com o conteúdo e com o olhar, mas também com todo o apoio metodológico que será necessário para que este congresso, não à maneira tradicional, que durará dois dias, sejamos capazes de facilitar a participação, de fomentar o diálogo, de construir ciência, que é do que todos vós sabeis tanto. Precisamos que isto seja rigoroso e que seja sistemático e que nos traga verdadeiramente o que precisamos. Quero reconhecer também evidentemente a trajetória do movimento cidadão, Quererla es crearla, mostrou a importância do que significa a conexão, a conexão de definições que são chave para a melhoria educativa, a investigação, a inovação, a experiência educativa e, sobretudo, a ação social. Esta conexão são precisamente as chaves que procuramos para este congresso, este encontro.

Queremos construir políticas públicas a partir de la escucha a quienes conocen, a quienes viven y a quienes transforman la realidad educativa desde dentro. Soy muy consciente de que esto es necesario y no se puede trabajar desde los despachos, no se puede trabajar solo desde la teoría. Es muy, muy, muy necesario tener siempre los pies en el suelo para que sepamos que estamos dando la respuesta coordinada y necesaria. Quiero citar un lema que estoy segura de que Jesús habrá utilizado muchísimas veces. Es muy simple, son solo cinco palabras. Nada sobre nosotros sin nosotros. Estas cinco palabras tan simples buscan un principio que es fundamental. No puede haber ninguna persona, ninguna, ausente de cualquier conversación que vaya a decidir su futuro. Toda la normativa, todas las acciones, todo lo que se hace desde todos los despachos, llamémosles ministerios, ayuntamientos, da igual. En cualquiera de las administraciones se debe tener muy, muy en cuenta la vivencia personal, esta acción social. Por lo tanto, no se pueden tomar decisiones, ni diseñar programas, ni diseñar planes emitiendo el gran plan estratégico de educación inclusiva. No se pueden escribir leyes sin preguntar, sin escuchar y sin comprender. Así que este es el objetivo principal del workshop incide, precisamente porque lo que no queremos es hablar de educación inclusiva desde una distancia segura. Estamos aquí para practicarla, para demostrar que es posible construir conocimiento solo y únicamente cuando todas las voces se sientan en la misma mesa. Cuando tenemos en cuenta que las mejores políticas educativas no nacen en los despachos, pero sí nacen con las vivencias de aulas, de pasillos, de patios, de a veces conversaciones incómodas, diría. Pero lo incómodo hay que escucharlo y hay que estar enfrente para poder sumar. La inclusión. La inclusión no es un destino al que queramos ponerle una marca. Ya somos un sistema educativo inclusivo. No es una meta. No es un día en el que vayamos a llegar y vayamos a celebrarlo. La inclusión es la manera en la que queremos caminar juntos. Es un proceso. Y caminar juntos exige escuchar de verdad. Insisto otra vez con la palabra con la que he iniciado, que es esa verdad. No queremos escuchar para responder. No queremos escuchar para corregir. No queremos escuchar para defendernos de nada. Queremos escuchar para comprender, para mejorar y para incluir en este plan estratégico de educación inclusiva. Porque todas las acciones que hagamos sabemos que los recursos son muy limitados dentro de las políticas públicas y, por lo tanto, tenemos que estar muy, muy seguros de que toda la acción que vayamos a llevar a cabo sea una acción que de verdad sea algo que genere esta ayuda.

Portanto, ao longo destes dois dias, pedimos-vos, por favor, que partilhem essas experiências que talvez nunca tenham colocado em palavras, que talvez até vos obriguem a expor intimidades, mas que é o momento para que possam fazer perguntas, dar respostas, discordar se for necessário. Errar. Não faz mal. Para isso estamos, para nos ouvirmos e para trabalharmos juntos. Porque talvez uma voz sozinha, muitas vezes já terão vivido, uma vez sozinha pode ser que não seja ouvida o suficiente, que seja ignorada ou que não seja ouvida com ação suficiente. O que queremos é que 200 pessoas, 200 vozes, construam um caminho. Para finalizar, quero mencionar uma citação de Paulo Freire, um pedagogo do final do século XX, numa frase que creio que resume muito bem o objetivo deste Congresso. Ninguém educa ninguém, nem mesmo um se educa a si mesmo. Os homens só se educam entre si com a mediação do mundo. Hoje, nesta sala, isto não é uma teoria. Queremos que isto seja realmente uma realidade. O workshop terminará amanhã, à tarde, sairemos por esta porta, terminaremos este workshop. Mas, na verdade, o que começa hoje é outra coisa. Esperamos que se gerem vínculos, que possamos trocar ideias, que possamos ouvir verdades, nem sempre confortáveis, que geremos compromissos e a pergunta que vos lanço hoje não é se somos capazes de construir uma educação mais justa, é se nos atrevemos a fazê-lo juntos. Bem-vindas e bem-vindos. Comecemos. Muito obrigado.

LUCIO CALLEJA: Bom, pois muito obrigado aos três pelas vossas palavras e, como dizia a diretora-geral, comecemos. Isto começa agora, começa com uma primeira apresentação que, como têm nos programas, tem como título “Uma agenda cidadã para a educação inclusiva”. Simplesmente por questões de localização, esta será a sala geral, onde teremos os encontros de grupo, depois temos quatro salas independentes, onde se irão gerando os workshops para a discussão. Estão, conforme saímos aqui à direita, há outra que está no sexto andar, que tem acesso, mas bom, já vos irão indicando as pessoas da equipa, todos os que estão ali atrás são a equipa de educação inclusiva do ministério, aos quais também agradeço encarecidamente o grande esforço que estão a fazer para que isto avance. E, bom, pois a partir deste momento, já vos digo, sintam-se como em casa. Estão em vossa casa. Creio que é fundamental que se gere essa confiança, essa tranquilidade, que se sintam à vontade e que se deixem levar pelas emoções e pela necessidade de partilhar tudo aquilo que viveram, que estão a viver, porque dessa partilha esperamos, como ministério, poder ir construindo políticas educativas. Muito obrigado e começamos.

IGNACIO CALDERÓN: Sim, sim, olá. Bom, vamos continuar, iniciar a tarefa. A Tere e eu viemos com a ideia de estabelecer um pouco o marco do workshop, do trabalho que vamos desenvolver. A primeira coisa, tínhamos anotado aqui boas-vindas. Bom, bem-vindos, bem-vindas a todos e todas. Obrigado por estarem aqui. Obrigado por terem vindo de lugares distantes, por terem deixado todas as coisas que temos que fazer, que são sempre muitas e importantes, e por terem decidido dedicar dois dias a um trabalho intenso, porque do que se trata é de fazer um workshop participativo, ou seja, de gerar um espaço em que todo mundo participa aqui, ninguém veio para ver, mas sim que todos viemos para tomar parte. Um workshop se fundamenta em algo que a Mónica colocava agora, e é que se fundamenta no reconhecimento de que todos os seres humanos temos um saber que é valioso, e que além disso é insubstituível. Então, o saber, por exemplo, destes rapazes e raparigas, é insubstituível por toda essa gente grande que há por aí. O que vocês e vocês sabem, não sabemos o resto. E nos interessa saber o que eles pensam, mas também o que pensa a Nuria ou o que pensa o Ricardo. Nos interessa saber o que é que a gente sabe. E nos interessa porque nas escolas, em muitas ocasiões, esses saberes que partem da experiência de cada um não são suficientemente valorizados. E se os valorizássemos, nossas escolas teriam recursos para ir melhorando. Então, este workshop é uma construção coletiva em que vamos tentar entrelaçar os saberes, os distintos saberes que há aqui, nesta sala. E vamos fazê-lo para construir um conhecimento que não é só um conhecimento sem mais, mas sim que é um conhecimento, por um lado, emocionado, ou seja, que tem que estar vinculado com nossas vidas, com o que nos importa. E, por outro lado, é um conhecimento para agir, para provocar ação, neste caso, da Administração, mas também para provocar uma ação em nós e em nós mesmas.

TERESA RASCÓN: Bom, eu primeiro me somo a essa boas-vindas do Nacho. É uma alegria ver aqui tanta, tanta diversidade. E, sobretudo, é uma alegria que tenhamos este espaço para poder discutir com confiança e livremente a pergunta fundamental que nos traz hoje aqui, com este workshop, que é o que está acontecendo, o que não está acontecendo na escola, para que muitas crianças e meninos não se sintam hoje incluídos nela. E isso é um pouco o motivo do dia de hoje, da jornada de hoje, fazer um diagnóstico sobre o que está acontecendo e, a partir daí, pensar juntos o que podemos fazer para conseguir essa escola dos nossos sonhos, verdade? Essa escola que todos queremos e todas queremos. Por aqui dizem sim, os alunos. Então, na realidade, hoje é o primeiro encontro presencial do workshop, mas este workshop começa já há alguns dias quando começamos a solicitar uma série de vídeos às famílias, aos estudantes. Às famílias pedimos, se lembram, que contassem uma alegria e, bom, e algo… Uma dor. Uma dor. Uma dor. E aos estudantes pedíamos que contassem quando se tinham sentido um a mais e quando um a menos. Bom, agradecemos de antemão a grande quantidade de vídeos que recebemos. Muito obrigado. Evidentemente, não podemos projetar todos aqui porque temos um tempo muito curto, mas quisemos começar recolhendo uma dessas vozes dos estudantes, que é a voz do Fabricio. Não sei se está preparado por aí o vídeo. E bom, ele vai nos contar quando se sentiu um a mais e quando um a menos.

Bem, como vocês veem, Fabricio nos contava quando se sentiu um a mais. E quando se sentiu um a mais? Pois quando utilizava uma linguagem que às vezes é pouco valorizada na escola, que é a linguagem da arte e outra maneira de nos comunicarmos, não é mesmo? Mas também dizia, às vezes me senti um a menos. Quando me senti um a menos? Pois o que nos dizia Fabricio é que se sentiu um a menos quando não acompanhava ou notava que não acompanhava o ritmo de seus colegas. O que isso nos diz? Pois o que nos diz é que a educação inclusiva é um processo coletivo. Precisamos de todos e todas, sem exceção, nessas salas de aula. Bem, como eu dizia, este workshop está dividido em dois momentos fundamentais. Há um primeiro momento, que é o que vamos viver hoje, que é de diagnóstico. Sim, iniciarão algumas propostas, mas sobretudo o que queremos é responder a essa pergunta que colocávamos no início. E haverá um segundo momento amanhã, mais aprofundado, onde analisaremos ou trabalharemos conjuntamente, contando com todas as vozes que estão aqui, nessas propostas de melhoria. Esses serão os dois grandes momentos que se encadearão com distintas assembleias e oficinas, que vamos organizar ao longo do dia, entre hoje e amanhã.

IGNACIO CALDERÓN:Bom, vamos continuar. Após esta apresentação que estamos fazendo, começaremos com a primeira assembleia. Vamos, como dizia Tere, vamos encadear assembleias e oficinas. As assembleias são espaços nos quais compartilhamos experiências, saberes, emoções, propostas. São espaços nos quais contamos, em grande medida, coisas que são íntimas. O que nos interessaria é que este espaço que começa agora, assim como Fabricio acabou de compartilhar algo que é íntimo, que é parte de sua experiência escolar, o que gostaríamos é construir a proposta que emana deste espaço, deste workshop, a partir desse compartilhamento íntimo de cada um e cada uma. Esse compartilhamento também tem que levar em conta, gostaríamos de advertir sobre isso, embora vocês tenham sido advertidos desde o início, quando fizeram as inscrições. Isto agora mesmo é uma grande praça pública. Ou seja, estamos em um espaço que está sendo gravado, no qual queremos aprender do que nós contamos, de modo que, assim como convidamos vocês a contar parte de sua experiência, também dizemos: contem apenas a parte de sua experiência que vocês queiram compartilhar nessa praça pública que é a Internet, porque esta gravação depois será publicada. De modo que tenhamos muito presente o tempo todo isso e, tendo isso em conta, compartilhamos o que entendermos valioso. Contar histórias, como acabou de contar Fabricio, nos permite entrelaçar nossa história. Ou seja, que a história de Fabricio tem a ver também com minha própria história. E o que pretendíamos com esta coleta de vídeos, de experiências, era como essas histórias poderiam nos dar clareza para nossas próprias histórias, para irmos pensando como vivemos nós a experiência de estar na escola. Ao entrelaçar as histórias, vamos construindo algo coletivo e isso tem um grande poder. Tem o poder de que o que estamos construindo transcende a história de Fabricio, transcende a história de Nacho ou a história de Tere, porque o que estamos é construindo algo que nos abrange a todos. No entanto, temos muito pouco tempo. Ou seja, temos dois dias, mas temos muito pouco tempo para construir. Então, temos que ter muito claro todos e todas que temos, apesar de termos tempo, temos muito pouco tempo para falar. E isso implica que assumamos que temos que gerenciar muito bem nosso tempo. As intervenções, vamos tentar que sejam de dois, três minutos. Intervenções breves. Intervenções que permitam que haja muita conversa. Intervenções que permitam que haja muita conversa. E isso implica que pensemos muito bem de toda a sua história, de toda a sua trajetória como mãe ou como docente ou como estudante, de tudo o que você viveu, o que é que lhe parece fundamental que deveria contar aqui e que deveria contar ao Ministério da Educação da Espanha. Que é forte, não é? Que é forte. Diz, pois isto que me aconteceu, isto tenho que contar eu ao Ministério da Educação da Espanha. Mas também, isto que me aconteceu, tenho que contá-lo eu a esta gente que está aqui ouvindo sem julgar. E sim, ouvindo para tentar aprender e construir algo novo. Então, temos que priorizar, isso se chama categorizar a experiência e a categorização é um dos passos fundamentais que fazemos os pesquisadores educacionais. Então, aqui o que temos é quase 200 pessoas fazendo pesquisa educacional. Isso se chama ciência cidadã, é construir o saber a partir das pessoas comuns e correntes, construir o nosso saber que questiona em muitas ocasiões os poderes que muitas vezes nos submetem. E nesta ideia trazemos o segundo vídeo, o vídeo de Abril, que vamos projetar agora para continuar também com essas vozes, construindo o que vem a seguir.

TERESA RASCÓN: Bueno, pues después de esta otra experiencia tenemos que continuar porque, como dice Nacho, tenemos poco tiempo, pero ese tiempo es muy valioso por lo que hemos tenido que organizarlo muy bien. Bueno, pues vamos a comenzar con una asamblea en la que haremos una lluvia de ideas para contestar a esa pregunta que planteábamos al principio, ¿no? ¿Qué está pasando en nuestras escuelas para que haya muchos niños y niñas que no se sienten incluidos? Una vez terminemos la asamblea y esa lluvia de ideas, nos iremos al almuerzo a las dos de la tarde, que lo pondrán por aquí fuera. Y, mientras tanto, durante un ratito, pues un grupo de facilitadores nos vamos a reunir para, de todas las temáticas que habéis ido sacando cada uno de vosotros en esta primera asamblea, sacar algunos temas importantes que pueden aunar otros y que sean motivo de los talleres que después vamos a celebrar. Es decir, que los talleres, los temas de los talleres van a emerger de esta primera asamblea, ¿vale? Entonces, una vez se hayan decidido los temas, al principio del almuerzo, en cuanto vayáis terminando de almorzar un poquito antes de las cuatro de la tarde, os vais pasando, ahora nos dirán por dónde estarán colocados los papeles, dónde os podéis ir apuntando a los talleres. Hay que apuntarse porque el aforo es muy limitado, ¿vale? Me parece que son en torno a unas cuarenta plazas por taller. Entonces, nos tenemos que ir apuntando al que nos interese. Después de esos talleres, que se iniciarán, como digo, a las cuatro de la tarde, habrá una pausa para el café. Y tras la pausa del café, haremos una puesta en común de lo que se ha tratado en los distintos talleres. Así, aquellos compañeros y compañeras, aquellos alumnos y alumnas que no hayan tenido la oportunidad de estar en todos los talleres, pues hagan una idea de qué ha pasado en esos otros espacios. Y tras esta puesta en común, la idea es que hagamos una asamblea final. En esa asamblea final, si bien vamos a profundizar en el análisis de este diagnóstico que comentábamos antes, ya va a ser también un momento en el que van, como decíamos al principio, la idea es que vayáis ya elaborando algunas propuestas de acción. Aunque mañana será el día en el que trabajemos más sobre estas propuestas, bueno, esto puede ser un inicio para comenzar el trabajo de mañana. Entonces, ese va a ser un poco el planning que hemos hecho para hoy, pero tenemos que cumplir muy bien con los tiempos, para que todos y todas tengamos la oportunidad también de tener nuestro ratito para expresar qué opinamos y qué podemos proponer en este sentido.

IGNACIO CALDERÓN: Importante, como decía Tere, el límite de tiempo, asumir el límite de tiempo y que no te lo tengamos que decir, oye, ¿qué te has pasado de tiempo? Pero vaya, que no os preocupéis que os lo decimos. O sea, que no hay problema, ¿vale? Si os pasáis, te vamos a tirar de la oreja sin problema. Cuando alguien toma la palabra, levanta la mano, se le pasará el micro. Es importante que todo lo que se diga, se diga con el micro, porque todo se está grabando y para que la grabación esté correcta, que se diga con el micro. Y lo primero que hacemos es presentarnos. Hola, soy Nacho, vengo de Málaga. ¿Vale? Y nos ponemos de pie. O sea, te pones de pie. Hola, soy Nacho. Y vengo de Málaga o te presentas como quieres y ya cuentas lo que quieres, ¿vale? Cuando alguien habla, el resto... Escuchamos. Pero escuchar es escuchar. Escuchar es querer entender lo que la otra persona está diciendo o lo que la otra persona está contando, ¿eh? Con respeto a la persona y a su experiencia. Y lo que vamos a tratar de construir es una agenda ciudadana. Es una agenda de cómo la ciudadanía puede impulsar el plan estratégico del ministerio y también qué papel tenemos nosotros en el impulsar la educación inclusiva. Bueno, antes del último vídeo con el que vamos a comenzar ya la primera asamblea, yo quería dar las gracias a los intérpretes, a los técnicos que están haciendo la labor de que todo esto quede grabado, a los técnicos del ministerio por el trabajo que han ido desarrollando y, bueno, y a todos y todas por haber venido aquí. Pasamos ahora al tercer vídeo, que es el de Martín, Héctor y Lucas.

Ahí va el primer tema, ¡pum! Primer tema. La pregunta no era baladí, la pregunta que se hizo es una pregunta diseñada por otro estudiante. Hay un vídeo de él, Antón, que dice que de hecho él escribe su historia en una afirmación de que es uno más, no uno menos. Hablar de uno más y uno menos tiene que ver con lo que dice Héctor. To be or not to be. Ser y estar o no ser y estar en la escuela. Y aquí se abre la palabra.

ALEJANDRO: Hola, buenos días. Soy Alejandro, el padre de Rubén Calleja. Muchos me conoceréis seguramente porque ya llevamos una trayectoria muy grande de muchos años de lucha y resistencia por la defensa del derecho a la educación inclusiva. Vengo de León y, bueno, quisiera contar una anécdota que ha ocurrido hace poco, nadie conoce, normalmente hablamos mucho, pero bueno. Es una anécdota que me llamó la atención de hace una semana. Rubén es un joven con síndrome de Down que está trabajando en un centro de Alzheimer, en una empresa ordinaria. Es el único trabajador con discapacidad que está trabajando en el centro de Alzheimer. Y llegó para hacer el ingreso una familia al centro de Alzheimer de León. Y, bueno, el familiar que llevaba a la persona con Alzheimer reconocía a Rubén, que está allí, lógicamente, haciendo labores, trabajando. Y comentó a la administrativa que iba a hacer el ingreso con la guerra que nos dio su padre en la dirección provincial. ¿Cuánto le tuvimos que aguantar y cuánto tuvimos que soportar las presiones que nos venían por la lucha que llevaba esta familia? Claro, la administrativa, Rubén, ya lleva ya unos cuantos años trabajando en este centro. Sabe perfectamente nuestra historia, el León es muy conocida. Y le dijo, pues, lo mismo que tú quieres que tu familiar se le reconozcan los derechos y esté bien atendido, eso es lo que buscaba el padre de Rubén. Que se le reconociese su derecho a la educación inclusiva y que estuviese bien atendido. Pero ya no volví a hablar.

IGNACIO CALDERÓN: Alejandro, yo diría, perdona que te interrumpa, diría, es que hay mucha gente que no conoce vuestra historia. Entonces, no des por sentada la historia en un minutito.

ALEJANDRO:Esse é o que eu vi. Queria começar com a anedota, entre aspas, que é muito importante. E, bom, a nossa história, pois, são 15 anos de luta e resistência. Temos lutado pelo direito à educação inclusiva do nosso filho. Com 10 anos, Rubén foi afastado da escola regular, na qual esteve perfeitamente escolarizado e integrado. Até que surgiu, pois, um professor que não o quis na sala de aula. E aí ativou-se toda a maquinaria de relatórios psicopedagógicos, pareceres de escolarização. E, no final, pois, bom, o parecer ditou o centro especial. Nós nos negamos, logicamente, Rubén nunca pisou o centro especial. Aí iniciamos uma luta a morte com a administração educativa, com a política educativa deste país e com um sistema que não nos quis. Não quis Rubén e não quis a sua família. A Rubén rejeitou-o, discriminou-o. Nunca o pôde segregar porque nós não o permitimos. A nós custou-nos, como pais, sofrer o assédio tanto da administração educativa como até mesmo do Ministério Público para Menores, que nos denunciou por um crime de abandono de família, por não levar o nosso filho ao centro especial. E o promotor de menores de León imputou-nos um crime penal de abandono de família. Crime penal. Por defender o direito humano fundamental do nosso filho à educação inclusiva. Tivemos que ir a julgamento, ganhámos-lhe, mas foi uma pressão tremenda, incrível a que tivemos que suportar, porque nos poderiam ter tirado a pátria potestade, poderíamos ir para a prisão, estávamos dispostos a ir para a prisão por defender o nosso filho, e no final conseguimos, e logicamente, desde então, que saibamos, a Administração já não voltou a denunciar realmente nenhuma família, porque quem está a falhar é a Administração, o sistema está a falhar, que rejeita e discrimina, não as famílias e muito menos o aluno, ou seja, o mundo ao contrário, temos que estar a lutar para que se reconheça um direito reconhecido, que é um direito constitucional e um direito que está na Convenção de Direitos Humanos, das pessoas com deficiência, e que são de cumprimento obrigatório neste país. Não é uma coisa que, bom, se quero, sim, se quero, não, não, não, não, não. O direito é do menor e tem que ser sim ou sim. Conseguimos duas sentenças muito importantes, porque no final de todo o processo tivemos que chegar até à ONU, para que se reconhecesse o direito e a dignidade de Rubén, e depois do parecer do Comité da ONU, que nos deu razão, depois de não nos ter dado o Tribunal Constitucional, nem Estrasburgo, nem as instâncias superiores, tivemos que recorrer para que o Estado acatasse o parecer do Comité da ONU, que é de cumprimento obrigatório, sim ou sim. E tivemos que ir por duas vezes ao Tribunal Supremo, para que agora sim, já, porque o parecer obriga, agora sim, o direito e a dignidade de Rubén ficou judicialmente reconhecido, inclusive tem que nos ser abonada uma indemnização por isso, e criámos uma base e uma jurisprudência que aí está, e contra ela a Administração não pode, não tem o poder para rejeitar e discriminar os estudantes. Então, aí temos que andar, temos que continuar, temos que lutar, ainda hoje em dia, há tanta ou mais discriminação do que há uns anos, parece mentira, mas a base jurídica para lutar e disputá-la está aí, conseguimo-la e temos que continuar. Obrigado.

ALICIA: Hola, buenos días a todos. Yo me llamo Alicia, vengo de Cantabria, y soy de una asociación que se llama Famundi, que es de familias adoptivas y acogedoras, pero en este caso vengo representando a Cora, que es la coordinadora a nivel nacional de todas las familias adoptivas y acogedoras de España. Yo quería decir que muchos de los niños que acaban en el sistema de protección de menores tienen problemas en la escuela, porque normalmente presentan patologías que la escuela no quiere ver, que tienen que ver con el pasado, porque muchos han sufrido malos tratos, abusos, y todo eso influye en el aprendizaje de estos niños en el comportamiento, suelen ser muy disruptivos, y luego los diagnósticos que se hacen en la escuela son casi todos erróneos si es que se hacen, porque muchas veces no se hace ni diagnóstico, ¿no? El diagnóstico es que las familias no sabemos educarlos y que ellos son unos malos educados o unos vagos. También muchos de ellos sufren discriminación por el hecho de ser adoptados, o muchos de ellos son racializados y también sufren discriminación. Hay muchos prejuicios, tanto en docentes como en todo el colectivo de la escuela, referente a la adopción y al acogimiento, y es una pelea que llevamos las familias desde hace muchos años, y todavía hemos conseguido poco, la verdad, muy poco hemos conseguido. Y nada más.

IGNACIO CALDERÓN: Para las intervenciones sí que diría que en la medida de lo posible, tengamos en cuenta que hay diferentes edades, desde muy pequeñitos hasta muy grandecitos, en la sala intentemos regular el lenguaje para que pueda servirnos a todos, en la medida de lo posible.

MARI CARMEN: Hola, mi nombre es Mari Carmen, vengo de Pedro Muñoz, un pueblo de Ciudad Real, Castilla-La Mancha, y, bueno, en primer lugar, tenía dos cosas en mente, y lo siento, pero son negativas. Una, el maltrato institucional que sufre el alumnado y las familias, como ponía, por ejemplo, Alejandro. El maltrato institucional que recibimos las familias, no solo por falta muchas veces de contestación, directamente etiquetar, clasificar y decidir sobre el alumnado, sin dar opción a qué opine ni el alumnado ni la familia. El maltrato institucional cuando intentas denunciar esas situaciones y nadie te hace caso, incluido el real patronato de la discapacidad, como fue nuestro caso. A las familias y al alumnado no se las suele escuchar, y eso es algo que yo me gustaría que de aquí saliera ese cambio, que se escuche a las familias, que creo que por eso estamos aquí, y al alumnado, muy importante. Y otro punto negativo que nosotros encontramos en el funcionamiento del sistema educativo es la inspección, la inspección educativa. Echamos mucho en falta, y es algo que nosotros hemos intentado trabajar en el plan estratégico de inclusión educativa de Castilla-La Mancha, que está ahora en proceso final, Y es que inspección inspeccione y se asegure de que el trabajo se está haciendo bien, de que no existe una discriminación, de que la normativa se cumple. Y luego también tengo que decir que hay mucho docente, mucho profesional muy bueno que quiere trabajar, que tiene muchas ganas de incluir y que no se les deja. No se les deja porque el sistema no les deja, no les da opción. Porque cuando un profesional acude a estas cosas y se va cargando las pilas y dice, cuando llega a mi centro esto va a ser de otra manera. Y llega al centro y tiene un equipo directivo que le dice, quieto, quieto, que aquí tenemos los recursos que tenemos. Porque hablamos mucho de los cambios que hay que hacer, pero para eso hay que poner recursos, además de formación. Y formación obligatoria, porque no podemos permitir iniciar un cambio en el sistema sin iniciar una formación obligatoria en inclusión. Y en inclusión en general, no solo en discapacidad. Porque sabemos que hay muchas DEA y si vamos formando, vamos segregando, vamos a formar en DUA, en los diferentes sistemas que tenemos de formación para poder llegar a todo el alumnado.

MERCEDES SÁNCHEZ: Buenos días. Bueno, lo primero agradecer la posibilidad de este espacio tan enriquecedor. Me llamo Mercedes Sánchez, soy profesora de la Facultad de Educación de la Universidad Complutense. Una facultad en la que formamos a la gente de magisterio y a la gente de secundaria con el máster de formación del profesorado. En relación con el que falta, yo veo tres cosas muy claves. Lo primero, que en el sistema educativo, empezando por infantil y terminando por la universidad, se invisibilizan todo el rato realidades. Cuando hablamos de diversidad, se asocia a diversidad funcional, estamos dejando de lado diversidades etnicoculturales, diversidades exogenéricas, diversidades familiares. Lo hablaba la madre de las familias adoptivas. Realmente es que se invisibilizan todo el rato un montón de diversidades. Entonces, ¿cómo se va a incluir algo que ni siquiera se menciona en ninguna etapa educativa? Por otro lado, este adultocentrismo tan grande que se recoge, no se escucha la voz del alumnado, ni de las criaturas pequeñas, ni casi de estudiantes de las facultades de educación. Y por último, a mí me parece algo fundamental, el tema de los recursos. Tiene que haber un control de qué está pasando en las comunidades autónomas. Yo vengo de la comunidad autónoma de Madrid y a mí me parece una cosa alucinante lo que está sucediendo, primero, con las ratios, con los salarios del profesorado. Que es que yo hablaba con una maestra 0-3, que estamos ahora 0-3 en una lucha encarnizada. En el País Vasco cobran el doble que en Madrid. Entonces, algo desde el Ministerio que vea qué está pasando con los fondos destinados a la inclusión educativa, desde las diferentes comunidades autónomas y que está pasando sobre todo con las ratios, porque es que con las ratios que tenemos realmente es muy complejo. Y que está pasando también con los planes de formación de profesorado y de la formación permanente del profesorado a que se está dando importancia. Gracias.

BELÉN: Hola, yo soy Belén, vengo de Zaragoza. Y bueno, supongo que no lo sabréis porque tengo una discapacidad que es invisible, que si no me hago una coleta pues no lo veis. Soy sorda de nacimiento, tengo discapacidad auditiva y puedo escuchar gracias a dos implantes cocleares que tengo. Me parece increíble que hagáis esta iniciativa para conocer las realidades que se ocultan en las escuelas. Yo he terminado la universidad y pues conozco diferentes realidades que he ido pasando durante todos mis ámbitos escolares. Y nada, pues aquí quería comentar ahora mismo pues que el año pasado hubo una realidad que... Tenemos la obligación de hacer el examen de la PAU, que antes era de EVAU, bueno pues la PAU, para pasar a la universidad. Pues el año pasado un compañero nuestro que vengo de Fiapas le hicieron quitarse las prótesis auditivas para realizar el examen. Cosa que es un derecho nuestro el poder escuchar, el poder oír y que lo necesitamos para hacer el examen. Cualquier indicación que nos vaya a dar el profesorado o cualquier cosa, pues me parece muy injusto que todavía siga pasando hoy en día esto. Además sabiendo que él había pedido adaptaciones y que iba con adaptaciones que el tribunal ya lo sabía y los docentes con los que iba a hacer el examen también lo sabían. Entonces pues eso, creo que todavía faltan muchas cosas por cambiar y que la realidad que sí que estamos luchando por conseguir una educación inclusiva, pero que todavía faltan esas pequeñas cosas que no nos pueden quitar el derecho de oír.

BELÉN JURADO: Hola, buenas. Yo soy Belén, madre de dos hijos. Tengo a Lucía con 18 años con autismo y tengo a Marcos con 15 años sin autismo. Yo últimamente, debido a nuestra experiencia en la escuela, que ha sido muy muy mala, horrible, pues a Lucía la diagnosticaron con tres añitos, la metieron en una aula TEA porque no tuvimos opción de otra cosa y en la aula TEA se ha pasado día tras día, de curso tras curso, pues hasta ahora que tiene 18 años y ya sale. Yo pienso mucho últimamente en el valor de las personas, en el valor de mi hijo o en el valor de mi hija. El valor de mi hija en el sistema educativo ha sido cero patatero. Nunca la han querido, nunca han contado con ella, no ha podido ir a excursiones, no ha podido estar en su clase ordinaria con todos los compañeros, pero el valor de mi hijo sí ha sido de un 10, ¿no? Él no tiene autismo, entonces sí ha podido estar en excursiones y sí ha podido estar en su clase ordinaria, sí ha podido participar de todo. Para nosotros, para mi familia, mis hijos tienen el mismo valor, pero para el sistema educativo y para la sociedad en general no tienen el mismo valor. De hecho, mi hijo dentro de unos años tiene oportunidad de estudiar una carrera, un ciclo o lo que le dé la gana. Mi hija, el año que viene, después de toda la lucha que hemos tenido para que estuviera dentro de un aula ordinaria, nada más que su derecho, ¿no? Que eso que te venden muy bonito de que va a estar en el aula TEA cuando necesite, pero luego va a estar en el aula ordinaria casi todo el tiempo, en nuestra experiencia es falso. Al revés, se ha tirado mucho más en el aula TEA. Entonces, mi hijo el año que viene estudiará una carrera, en el curso, en los siguientes, y mi hija el año que viene se va a educación especial porque no hay otra opción. Tenemos que llevarla a un colegio de educación especial con la que no estamos de acuerdo porque creemos que es segregación, al igual que las aulas TEA, y eso es la única opción o dejarla en casa. Tiene 18 años, se le ha negado todo durante todos estos años en la escuela. Si se paras en la escuela, se paras para la vida entera, como decía una amiga, La separaron desde el primer día con tres añitos. Va a estar separada hasta que muera porque la escuela debió hacer su trabajo de no separarla, sino de estar con todos, como era su derecho. Nuestra experiencia ha sido horrible. Muchos me conoceréis. Yo soy Belén Jurado, vivo en Madrid y suelo compartir todas nuestras experiencias por redes sociales. Yo creé lo de él y no pasa nada, que son muchas experiencias reales de prácticas educativas que se silencian y que se ocultan en las escuelas y que existen, pero que no pasa nada porque existan. Nadie va a hacer nada y me gustaría también que luego saliera en algún taller. ¿Qué tenemos que hacer las familias para que se nos escuche, como han dicho antes? ¿O qué tenemos que hacer las familias para que nuestros hijos a los 18 años salgan del colegio y no tengan a dónde ir? Solamente le den la opción de educación especial. Muchas gracias.

DANIEL: Me llamo Daniel. Ahorita estoy en el espectro, fui recogido dentro del espectro como hace unos años. Y una cosa que, desde que he estudiado aquí, desde que bueno, ya estoy unos años ya fuera del colegio, pero en todos los años que he estado en el colegio, una cosa que siempre he notado y siempre me ha impactado era la falta de empatía, la falta de educación y la falta de... Y también la falta de empatía, educación y tolerancia. Que especialmente entre los chicos de los años que estuve, todos actuaban de una forma. Y si no eras visto actuando de esa forma, eras el forastero, eras lo que nadie quería. Y todos estén dispuestos a hacer lo que sepas, que no eras querido en ese ambiente. Y en casi todos los institutos que he ido aquí, hasta en mi primer centro de FP, había poco, poco se hacía cuando había ese tipo de problemas. En todos los centros y colegios que he estado, solo dos donde realmente hicieron alguna cosa respecto de eso. Y eso es todo.

FEDERICO:Boa tarde, meu nome é Federico. Eu venho de Sevilha e represento a Associação de Professores com Ciganos. Tenho aqui também uma colega de Madri, mas bem, vou começar eu. Com a pergunta de um mais, um menos, eu acho que o primeiro problema, e para todas, não? Para todas as deficiências, imigrantes ou povos ciganos, o primeiro problema é o etiquetamento. E o etiquetamento se dá, infelizmente, desde a infância por culpa, não somente das próprias famílias, mas por culpa do próprio sistema educativo, que nos vendem quando nos formamos, que não se pode etiquetar, mas a primeira coisa que se faz é o etiquetamento no centro educativo. O que isso produz? Estereótipos, preconceitos, racismo. E enquanto, no caso dos povos ciganos, quanto mais racializada for a pessoa, mais terá, mais estereótipos, mais preconceitos e maior discriminação desenvolverá ao longo de sua trajetória educativa. Mais ainda, se colocarmos a desculpa, que não é essa a única desculpa do problema residencial, porque os centros gueto não são somente um problema residencial. Existem centros gueto por outros problemas, que é multidiverso, vamos diretamente. Então, pois pior ainda nesse sentido. E neste plano de educação inclusiva, que nós estivemos tentando aportar a parte teórica, pois isso é o primordial, erradicar o tema da segregação escolar e evitar futuros centros segregados ou guetos. E assim como existe o micromachismo, existe também o microrracismo e o microrracismo institucional. Eu, por sorte ou por azar, estou nos processos de reassentamento de famílias ciganas. E quando não se está em um processo em data de matrícula, pois o processo é ir à direção com o chefe de inspetores. O chefe de inspetores te dá a carta para ir ao centro educativo atendendo à proximidade e necessidade dessa família. E se a primeira estampa que você encontra é um colégio que é racista, pois imagine a família como será atendida no terceiro ou quarto dia quando se acompanha. E isso tem que ser trabalhado, porque, infelizmente, a cada dia nos encontramos com mais professores muito, muito trabalhadores, mas também nos encontramos com professores e professoras, mestres e mestras, que nos dão um pouco com a maior riqueza dos centros educativos, que são as diversidades. E outra coisa mais importante que demonstra tudo isso é quando nos encontramos com pessoas ciganas não racializadas. Em muitos lugares estivemos onde dizem, não, mas aqui não há ciganos. E te dizem barbaridades, não, se aqui não são assentados, aqui vêm lavados, aqui vêm todos limpos. E isso se dá desde os centros educativos de infantil e primário, bacharelado, inclusive em universidades públicas e privadas. E esses aspectos têm que ser trabalhados para realmente ter um centro educativo inclusivo. Obrigado.

JOAQUÍN:Olá? Bem, antes de mais nada, obrigado pela oportunidade de nos reunirmos tantas pessoas que vêm para refazer a escola. Bem, vou apresentar a experiência como professor. Sou professor do ensino secundário, educador social, cooperante em educação transformadora para o desenvolvimento. E o que encontro nas minhas salas de aula, o que encontrei nas minhas salas de aula, são principalmente três muros. O muro da primeira avaliação. Sou professor do ensino secundário. Quando, depois de passar por uma experiência primária pouco traumática, chegam raparigas e rapazes e reprovam em oito disciplinas na primeira avaliação, não é? E começa a ladainha de como puderam passar do ensino primário e depois reprovar em oito. Bem, o problema é, creio que é outro, não é? O problema é uma cultura do exame sem acompanhamento, sem relação de ajuda e uma conflitualidade fabricada pelo próprio sistema, daí que se chame o centro de difícil desempenho, que afeta especialmente os estudantes ciganos, também os marroquinos, estudantes afrodescendentes e romenos e, claro, estudantes com deficiências, que não concordam em ser separados do grupo, que não querem estar numa sala de aula específica dentro do centro regular. Isso o que produz, já disse, é conflitualidade, salas de aula do suor onde ninguém quer estar, nem os estudantes, nem as famílias, nem o próprio corpo docente. Depois temos outro muro, que é o muro da crivagem, não é? No segundo e terceiro anos do ensino secundário, estudantes com mochilas de reprovações enormes, não é? Sem expectativas de sucesso, que começam a faltar de maneira sistemática, não é? E só vêm para que os serviços sociais não intervenham. Isso produz abandono precoce aos 16 anos e afeta todas as pessoas que mencionei anteriormente, as que ainda estão. Resta-lhes ainda o muro do limbo no quarto ano do ensino secundário e na formação de grau médio. Purifica-se e exclui-se quem é visivelmente diverso, não é? Isto afeta os estudantes racializados e, para além dos estudantes com deficiência. Recomenda-se que evitem o bacharelato e o ensino superior. Rebaixa-se a nota média destes estudantes, com o que não podem aceder à maioria dos ciclos de grau médio. E isto, já disse, é especialmente grave no caso das pessoas com deficiência, porque nem sequer lhes é dado o título do ensino secundário. E argumentam e alegam que é que não cumprem os mínimos, não é? Ou seja, parece-me tremendo.

IGNACIO CALDERÓN: É o teu nome, por favor? Joaquín.

Eu primeiro, sim que gostaria de ouvir os miúdos e depois falo eu. Porque estão aí à espera. Primeiro aqui.

NEYÉN: Olá, o meu nome é Neyén. Olá, o meu nome é Albert. E queremos contar-vos uma história que nos aconteceu na nossa escola que vimos e que não gostámos, a verdade, que muito. Nós estávamos no pátio da cantina, ok? E estávamos a jogar e de repente vimos que umas crianças atiravam pedras a uma menina que, por assim dizer, tem como uma espécie de autismo, não é? Que, pois não se sabia defender, tal. Ela pensava que era uma brincadeira, mas essas crianças não o estavam a fazer a modo de uma brincadeira. Estavam a fazê-lo porque lhes parecia divertido atirar-lhe pedras. E então nós, a menina, meteu-se na casa de banho, não é? Para se esconder. E as crianças foram atirando pedras para entrar na casa de banho. Há como uma espécie de vidro. Atiraram pedras ao vidro, tal. E então pegámos, entrámos e o meu amigo Albert disse a uma criança, ei, o que estás a fazer? A criança disse, atirar-lhe pedras. E Albert disse, porquê? E ficou em branco. E depois fomos a um monitor da cantina. E dissemos o que estava a acontecer, tal, resolveram um pouco e agora vai falar ele.

ALBERT:Bom, e no final nós arrumamos, tá? De qualquer maneira, tentamos arrumar. Sim, arrumou-se. E nós, pois, é que não temos muitos monitores no refeitório. Temos um para cada turma, ou seja, para duas turmas. E somos 46 crianças, mais ou menos, em duas turmas. E então queríamos dizer isto porque queríamos ter mais monitores no refeitório. Porque senão há mais problemas no refeitório.

IGNACIO CALDERÓN:Vejam bem, adorei a vossa anedota de Neyén e Albert, mas eu pergunto, como é que vocês arranjaram isso? Porque ele disse que de qualquer maneira, eu quero saber qual era essa maneira.

NEYÉN:Bom, então, fomos falar com o monitor do nosso curso. Um, ou seja, aquele que estava a atirar pedras, levámo-lo ao monitor. E então o monitor falou com ele e dissemos-lhe para não voltar a atirar pedras às pessoas. Nem a ela nem a mais ninguém.

ESTIFO:Sim. Eu sou Estifo e venho também com a minha mãe de Cora. Mas bom, eu vou falar agora como estudante de Magistério de Educação Infantil e em relação um pouco com o que as crianças disseram. E simplesmente que eu acho que algo que tem de mudar em relação à pergunta que vocês fizeram no início é que é preciso mudar um pouco os objetivos do ensino. Ou seja, não nos centrarmos tanto nos conteúdos curriculares típicos como matemática, língua e tudo isso, que está muito bem. Mas eu acho que se queremos uma mudança, sobretudo para a inclusão, é preciso centrar-se em criar cidadãos que estejam preparados para a sociedade, para a diversidade. E simplesmente, pois sim é verdade que o que eu disse, as matemáticas e tudo isso é muito importante e não se pode deixar para trás. Mas sem incidir desde a infância, o ensino primário, sobretudo, que são os mais pequenos, na criação de cidadãos e saber o que os prepara para a sociedade, o que é a sociedade. Porque muitos, pois igual no ensino primário, na infância, não entendem isso. E se não começarmos a partir daí, nunca chegaremos a essa mudança que estamos a procurar com isto, por exemplo.

JESÚS MARTÍN:Oi, estão me chamando, a verdade, estão me chamando. Bom, em primeiro lugar, por alusão, queria pedir desculpas à mãe que diz que não a ouvimos do Real Patronato à disposição. As portas estão abertas para te ouvir e, em primeiro lugar, quando quiseres, claro. Minha colega Carmen está aqui e, em primeiro lugar, desculpas. Como o que me interessa muito neste workshop é, claro, ouvir adultos, ouvir Neyén, Albert, os miúdos que estão aqui. Porque, claro, estamos falando de não rotular, de inclusão. Mas depois isto, como eu fui um miúdo com deficiência, o que é que eu fazia? A minha deficiência é muito visível. Muito visível e além disso está associada a questões muito chave como a risada, o anãozinho, o bobo da corte, todas essas coisas, certo? Então, ou seja, claro, vais procurando estratégias. Eu venho de uma vila muito pequena, de Cáceres, onde era um ambiente protegido, de alguma forma, todos me conheciam e todos me tinham visto crescer, não, porque não cresci muito, mas todos me tinham visto desde sempre com este corpo e eu era mais um, não é? Vou na adolescência, para vossa informação, quando todos se apaixonam menos tu, vou para um macro instituto onde sou o único miúdo com deficiência. E claro, queres sentir-te parte do grupo. Eu, a verdade é que não sei se por ser da vila ou por alguma razão, eu tinha as minhas estratégias ou tive as minhas estratégias para que as pessoas se esquecessem do meu corpo. E eu tive, não sei porquê, tinha dotes de liderança. Mas nem todos os miúdos podem ter essa personalidade. Então, eu ouvindo-os, que, bom, que façam este exercício de denúncia, de proteção, ou seja, isso é difícil. Isso é difícil porque normalmente queres sentir-te parte do grupo. Parte do grupo e essa responsabilidade dar aos miúdos eu acho que às vezes é complicado. Nos programas estes de planos de convivência, essas questões têm de ser tidas em conta. Eles explicavam, explicavam muito bem. Ou seja, como, como aparece, como convive, como convive uma menina com autismo ou uma menina com paralisia cerebral que se comunica através de um computador. O que se explica a esses miúdos? O que se explica a esses miúdos? Explica-se algo, não se explica nada. E depois está o tema dos rótulos, porque aqui fala-se de uma maneira, desde a filosofia, de rotular ou de não rotular. Mas a administração precisa de dar nomes às coisas. Ou sim, ou sim, precisa de dar nomes às coisas. Eu fui um grande defensor dos não rótulos. Mas agora, e sei que isto vai ser disruptivo, mas como isto é uma assembleia, tem de ser disruptivo, tem de gerar debate. Quando se estava a construir a LOSU, a lei do sistema universitário, falava-se das unidades de diversidade. E isso preocupava-me, porque a deficiência no sistema educativo precisa de gasto. Precisa de investimento. E se não dermos nomes às coisas, ficamos desenhados numa amálgama de diversidade, em que evidentemente não é o mesmo, e é preciso dizer as coisas claras, não é o mesmo o que precisa uma pessoa gay, uma pessoa lésbica, digo porque eu também sou, não é o mesmo o que precisa um rapaz com paralisia cerebral autismo. Não é o mesmo. E precisam-se de outros tipos de apoios para que participe da educação. Portanto, é preciso procurar, não sei se a palavra é rotular, mas é preciso procurar ferramentas, ferramentas, para que esses miúdos, esses miúdos e essas miúdas, tenham assegurado o direito à educação. Portanto, cuidado com os miúdos, ou seja, como se está a fazer. Perguntemo-nos também de onde vêm essas resistências, de onde vêm essas resistências. Se é medo, porque quando ouvi vozes que defendem a educação especial, que também são valiosas, o medo delas é que o seu filho não sofra na escola. Porque a educação regular não é educação inclusiva. Não nos enganemos. Não é educação inclusiva. E este plano é sobre isso. É sobre dar uma volta de campana ao sistema educativo para que acolha meninas como a filha de Rocío, como eu, ou como meninas e meninos ciganos. É sobre isso. Dar uma volta de campana. E é preciso olhar para os miúdos como estão a ser atendidos, mas é preciso olhar também e é preciso repensar-se a si mesmo. Desculpem. Obrigado.

MARIA JOSÉ: Olá. Meu nome é María José. Sou a mãe de Raúl, um menino com grandes necessidades de apoio e que não tem voz. E estou aqui para dar-lhe voz. Desculpem-me, estou um pouquinho nervosa. Eu queria comentar com o Jesús que meu filho... Desculpe, Jesús. Ouça-me. O que meu filho tem, vou dizer o que foi diagnosticado. "Você foi tocado". Ou seja, não posso colocar um rótulo no menino porque é um "você foi tocado". Ele tem grandes necessidades de apoio e meu filho passou toda a etapa educacional sentindo como não o queriam em nenhum centro. Quero que todos saibam que estou emocionalmente marcada para sempre pelo sofrimento tão grande que eu carreguei. E não estou aqui para dar visibilidade ao meu sofrimento, mas ao dele, que não tem voz. Preciso que entendam que há meninos com grandes necessidades de apoio educacional e de outros apoios que não têm voz e que são humanos e que também querem estar na escola. E eu quero e sempre quis um espaço para meu filho em uma escola regular. Não os expulsem, não expulsem os meninos por não poderem falar ou por terem grandes necessidades. Meu filho é um cidadão de plenos direitos e vocês violaram os dele. A administração, os profissionais, vocês me fizeram muito mal e especialmente ao meu filho. E estou aqui para erguer a voz dele. Por favor, que os profissionais se formem. Parem de nos dizer que nossos filhos não têm o direito de estar em um centro educacional. Mas por favor, por quê? Ele é um ser humano maravilhoso. Ele é um ser humano maravilhoso. Ele tem capacidades que muitos profissionais não souberam ver porque não quiseram ver. Ele não fala. Bem, ele anda. Mas parece que não presta atenção, por favor. Se é um menino que tem a área da comunicação afetada, que não fala, que vocês não lhe proporcionam um sistema alternativo de comunicação, que não tem nem lousas digitais, como querem que ele vos escute se não se entende? Pelo amor de Deus, se não se entende. E ele foi catalogado a vida toda. Por favor, escutem-me. Nossos filhos com grandes necessidades de apoio também são filhos, são crianças. E têm direito a estar em uma escola inclusiva. Desde o primeiro minuto meu filho já é grande. Desde o primeiro minuto que eu soube que Raúl era um menino especial, que me disseram, "você foi tocada?" Esse foi o diagnóstico e é que não sabemos o que ele tem. É que "me tocou". Eu estou super orgulhosa da vida porque me tenha tocado este menino. Ele nos fez uma família maravilhosa. Tenho uns filhos, dois filhos mais velhos, maravilhosos, aos quais ensinei este legado. Lutar pela educação inclusiva. Não quero que meus netos nem as futuras gerações sofram o que eu sofri. E estou vendo que há um retrocesso. Por favor, à Administração eu peço. Por favor, escutem-nos. Há um retrocesso. Há pessoas que querem que fiquemos trancados. Por quê? Porque meu filho tem que ficar trancado? Quero que saibam que há muitos anos eu abri junto com outra mãe uma "aula aberta". Disseram-me que era uma "aula aberta" e eu disse, "Oh, que maravilha!" Isso é o que eu quero para meu filho. Primeira mentira. Não era uma "aula aberta". Tornou-se um gueto. Em um centro. Em um mini centro de educação especial. Em um centro regular. Raúl. Como ele vai entrar nisso? Por favor, como ele vai entrar aqui? Não, homem. Onde vai o Raúl? Sabem onde acabou o Raúl? Debaixo de uma quadra de tênis. Sentado. Era ali onde ele se integrava. No pátio. Seu pai e eu o olhamos. Através da grade e choramos. Quero que essa seja a realidade. Depois chegaram os 16 anos e fomos para um centro de educação especial. Segunda mentira da educação. Não havia educação. Não sei o que acontece. Eu falo para vocês da minha experiência de vida. A história de vida do meu filho. Ninguém acreditou nele. Ninguém lhe colocou uma lousa digital. Ninguém lhe colocou um comunicador. O que fazia o Raúl? Pois, "oh, oh". O que é que ele sabe fazer? Quem dera pudesse ver-me, querido. Para dizer que estou aqui. Para te apoiar. E para apoiar tantas crianças como tu. Para que não lhes façam sofrer o que te fizeram sofrer a ti. Por favor. Só peço isso. E peço muita formação e obrigatória. É que eles não se dão conta que eu não posso, se sou docente, escolher se deste menino eu entendo o que ele tem ou o que ele não tem ou me formo. Temos que ajudar as pessoas nos ambientes regulares. É que isto não faz sentido. E por favor, de verdade que compreendam que por trás de cada criança há uma família. Uma família que sofreu imensamente. Obrigado.

JESÚS MARTÍN: Só uma coisa que não disse antes, que não nos esqueçamos, não nos esqueçamos, estamos num Estado de Direito e eu sempre incentivo, sei que é esgotante, sei que é esgotante e ao medo de Alejandro que se denuncie, que se denunciem práticas que são contrárias ao ordenamento jurídico. Que se denuncie. Ou seja, está bem, este espaço de assembleia é muito interessante, mas também é preciso ir aos espaços de denúncia para denunciar situações que são discriminatórias. Nada mais.

IGNACIO CALDERÓN: Mas, mas, eu diria Jesús, uma coisa é a denúncia individual e outra coisa é o que está a acontecer aqui, que é uma denúncia coletiva.

JESÚS MARTÍN: Estamos a tomar nota, a diretora de educação e eu estamos a tomar nota e isto nasce de uma proposta do governo. Queremos ouvir, mas quando acontecerem coisas flagrantes...

IGNACIO CALDERÓN: Mas é que acontecem muitas. Claro, o que se está a ver é que acontecem muitas. Vale, a ver, por aqui...

LAURA BADÍA: Sí, ahora hemos cambiado porque le quería decir una cosita a Jesús, que es un poco de controversia, pero aprovecho. A ver, bueno, yo soy Laura Badía, presidenta de la Asociación Segundo Maestro, desde... es una asociación que acompañamos a familias de niños con discapacidad para garantizar el derecho a la educación de estos niños. Y antes de que se vaya Jesús, solo decirle, Jesús, que aquí todas las familias que hemos estado escuchando, lo que están dejando de manifiesto es que las instituciones no les escuchan. Y nosotros como asociación hemos invitado en numerosas ocasiones a las familias a que presenten su denuncia, tanto al defensor del pueblo como a la Oficina de Atención a la Discapacidad, y es demasiado constante las respuestas. Esto no es nuestra competencia. Esto no es nuestra competencia. Nosotros lo trasladamos a las personas que son las que tienen la competencia. A mí me duele mucho, a mí me duele mucho como persona que discapacidad. No, no, no, no, es que tengo que hacer pedagogía de esto. Hay que hacer pedagogía de lo que pasa. Cuando a mí me llega una denuncia, una denuncia de un centro concreto, con nombre y apellidos, que está haciendo un acto de discriminación, ¿yo qué hago como Administración General? Yo lo traslado a la Administración competente para que actúe, porque yo no tengo, a mí la ley de discapacidad me impide actuar directamente para sancionar a ese centro educativo. Yo lo pongo en conocimiento de ello. No le puedes sancionar, pero puedes hacer algún informe. Yo hago ese informe, eso se hace, Laura, pero nosotros tenemos que informar a la persona que no somos competentes y que se da traslado con un informe y eso se hace a la Administración competente. Que tampoco responde. Y cuando la familia va al defensor del pueblo, ojo, no todos los defensores del pueblo, es cierto que hay defensores del pueblo de comunidades autónomas que actúan. Y las familias, con un simple informe, hemos hecho esta investigación, hemos solicitado esto a la Administración, a la Consejería de turno y no ha actuado, eso sí que ayuda administrativamente a la familia. No el silencio y el no soy competente, porque entonces las familias, lo que realmente están poniendo aquí de manifiesto, es que están solas. Están solas, nadie es competente, ni la Consejería de Educación, ni el Ministerio, ni el Defensor del Pueblo, ni la Inspección Educativa, ni las Direcciones de Área Territorial, ni la Viceconsejería, o sea, es que nadie es competente. Entonces, no tienen las familias, ningún organismo, ni autonómico, ni estatal, donde hacer llegar sus denuncias y que alguien les escuche. Gracias.

IGNACIO CALDERÓN: Gracias. Vale. Bueno. No, pero no. Es que hay muchas palabras. Hay muchas palabras. Hay muchas palabras. Tienen que ser intervenciones muy breves. Pensad cómo las hacéis para hacerlas muy breves, para que podamos hablar todos y todas.

CAROLINA: Buenos días. Mi nombre es Carolina. Vengo en representación de la Plataforma Canaria de Educación Inclusiva. Soy madre de una niña con síndrome de Down, la cual está expulsada del sistema educativo hace dos años que la tengo en casa conmigo. He emprendido la misma lucha que emprendió Alejandro Calleja con su hijo y le he plantado cara a la administración para no permitir que maltraten a mi hija, obligándola a estar en un entorno en el cual ella no quiere estar ni va a aprender y por el contrario me la van a discapacitar. Hoy he venido a hablar en nombre propio, como madre, en nombre de mi hija y en nombre de todas las familias canarias que no tienen voz, que no tienen a nadie que las ampare y que no están siendo escuchadas.

INMACULADA BLANCO: Bom, muito obrigada. É tão emotivo e tão emocionante ouvir todos vocês aqui hoje, que é realmente emocionante. Eu sou Inmaculada Blanco, Macu para os amigos, e queria dizer duas coisas. Temos na educação regular uma peneira importantíssima no sexto ano do ensino primário. No sexto ano do ensino primário é onde começa a deriva para a educação especial, insistente por parte dos orientadores, fundamentalmente, que alguns deveriam saber que é tirar esse aluno do sistema educativo. Não é que vai… Não, não, não é terapia ocupacional. O senhor está a tirar esse aluno do sistema educativo. E realmente a segunda peneira é, se conseguiu superar todos os desafios que houve e passa para o ensino secundário, no segundo ano do ensino secundário, voltamos a ter o belo convite para esta educação especial ou passar para formação profissional de grau básico. Ou seja, para a deficiência intelectual há barreiras que são intransponíveis devido a como está o sistema educativo. Diretora-geral, o sistema educativo de formação profissional e os currículos que existem no grau médio de formação profissional são impossíveis, sem nenhum tipo de adaptação curricular que o supere uma pessoa com deficiência intelectual. É impossível. Impossível. E a única via natural que existe para uma deficiência intelectual é a formação profissional, diretora-geral. E revisem os currículos porque é impossível. E agradeço todo o interesse e as notas que a vi tomar com todos os participantes. Obrigada, Nacho.

CARMEN: Sim, sim, sim. Meu nome é Carmen e venho da Galiza. Meu filho é muito ativista, é um rapaz de 21 anos com deficiência. E como ele não pôde estar, serei a sua voz. Primeiro, queria ter dito algo ao Jesús, mas como ele não está, direi de qualquer forma. Na necessidade dos rótulos. Acho a teoria fantástica. O problema é quando a administração usa os rótulos não para ajudar, mas para excluir. Outro tema é o do sofrimento que justifica a existência da segregação com base no sofrimento. Mais do que meu filho e minha família, ninguém sofreu. Mas tenho uma amiga que tem uma filha super tímida que é super frágil e também sofre. Tenho outra amiga que tem um filho trans e também sofre. Vamos fazer escolas para crianças tímidas, para meninas trans, para meninos com acne que riem delas, para meninas gordas. Só se considera a segregação e o sofrimento dos que sofrem quando têm deficiência. E isso me parece aberrante. Porque a ninguém ocorre que uma menina não tem amigos porque é tímida e diz, ah, então vamos levá-la a uma escola de educação especial ou vamos criar uma escola para crianças como ela. Como pode ser que nas escolas, no sistema, isso continue a ser justificado? E ainda por cima fazem você se sentir mal porque parece que você não quer a felicidade do seu filho. Que o inspetor ou a orientadora ou o diretor se importam mais com a felicidade do seu filho do que a mãe dele. Bem, vou ler algumas palavras do meu filho que refletiram sua experiência no ensino secundário aqui, entre os 14 e os 18 anos. Ele escreveu uma série de textos e eu vou ler um deles. Eu não tive, nem tenho, nem terei as coisas fáceis. Sim, tenho um ambiente em que adoro viver. Desfruto da minha vida, da minha família, dos meus amigos e das pessoas que tenho encontrado ultimamente no meu caminho. Nesse sentido, não posso ser mais sortudo, mas também na minha vida houve alguns altos e baixos, embora para mim pese mais tudo o que é bom. Mas, por azar ou por sorte, assim como não me esqueço do bom, também não me esqueço do mau. Esses maus momentos, apesar de ser difícil de acreditar, de uma forma ou de outra, ajudaram-me a ser uma pessoa mais forte. Minha passagem pelo sistema educativo tem sido complicada. Alguns professores foram muito bons, mas outros me trataram mal. Sempre me senti sozinho, especialmente na minha última etapa do ensino médio. Assim, este ano deixei as aulas presenciais porque, sobretudo, o último ano para mim foi um inferno. Não só por alguns professores, mas também pelos meus colegas e por como eu passava o recreio. Completamente sozinho. Agora estou estudando e vou a Santiago apenas para fazer os exames. A diferença é boa em comparação com as aulas presenciais porque já não sofro as coisas que sofri antes. Também não é que eu goste muito do que faço este ano, mas se tiver que escolher, fico claramente com ficar em casa. Apesar de todo esse sofrimento, nunca foi uma opção para nós afastá-lo do mundo porque isso é segregação. E quando você o afasta do mundo, você o afasta para sempre. E queremos um mundo paralelo para certas pessoas e, de verdade, estamos no século XXI. Fizemos a luta do feminismo, do movimento LGTBI, da escravidão. Para quando as pessoas com deficiência serão humanas? Porque é isso que está por trás de tudo isso. Que não são consideradas plenamente humanas.

GABRIELE: Eu sou Gabriele e venho de Las Palmas de Gran Canaria. E sou um aluno do primeiro ano do bacharelado. E me sinto mais um quando posso aprender e conversar com meus colegas. E me sinto menos um quando não pude me expressar abertamente para os outros. e fui discriminado por ser diferente.

ANA: Olá, eu sou a Ana, venho de Valência. E, bem, há 14 anos que acompanhamos famílias em equipa dupla. Vivemos junto às famílias, bem, todo este sofrimento da escola. E em casa, o que fizemos, em casa ensinámos os filhos a ler e a escrever. Demos-lhes oportunidades de ter acesso a um sistema de comunicação. Porque os centros escolares nem sequer sabem que existe tecnologia de apoio. E à pergunta de que faltam nas escolas, porque também desde a equipa dupla acompanhámos imensas escolas que querem esta transformação. Desde as escolas, estão acolhidas a uma lei que ainda fala de inclusão como princípio e não como direito. Uma lei educativa que é incoerente, que continua a manter centros de educação especial como forma, em alguns casos, de enviar parte do alumnado. Têm de personalizar a aprendizagem e dar resposta aos estudantes sem recursos. Sem recursos não só sem meios de pessoal, que isto é algo óbvio, e com rácios elevadíssimos, mas sem recursos, por vezes, de um quadro digital, de acesso à internet e de coisas básicas que passam por ter uma escola acessível e para todas as pessoas. E bem, para além de uma anedota pessoal, queria apenas partilhar que também sou mãe de um pequeno que não tem a vida fácil, que tem muitas dificuldades e desafios para ir à escola e também um sobrinho. Na minha família há muita neurodivergência e no outro dia descobriu o que era a educação especial. Descobriu que existiam centros de educação especial e fez-me uma pergunta que vou fazer hoje aqui. Assim, quando lhe disse o que era um centro de educação especial, disse-me: "Mãe, e porque é que alguém quer que uma criança sofra?" É tudo, obrigado.

ESTELA: Olá. Olá, sou Estela, sou mãe de um rapaz com um rótulo como o que esta mãe mencionou, que me calhou, não tem diagnóstico, depois está no saco de ninguém e outra filha que não tem rótulo e que, portanto, meu filho já tem 27 anos, fez no dia 13 deste mês passado. Enquanto minha filha está se preparando para concursos, vai trabalhar, tem namorado, meu filho que passou por salas específicas não tem nada, nem sequer amigos. Bem, eu principalmente ia falar porque Jesus me incentivou. Ele diz que quando estava em Cáceres, estava muito amparado porque a convivência em sua cidade era conhecida por todos, não havia problema. Sim, e nas famílias não há problema porque a convivência existe. Por que ele chegou a um lugar onde era o único rapaz com deficiência? Por que não havia mais rapazes com deficiência? Porque ele foi segregado, porque ele foi tirado de cena, porque a deficiência não é conhecida. E a deficiência é conhecida pela convivência, assim como se conhece o rapaz gay, a rapariga lésbica ou se conhece a pessoa racializada. E falou de gasto, o gasto que um comunicador representa. Enquanto continuarmos a falar de gasto e não de que isso é um investimento para o futuro, porque a vida independente das pessoas com deficiência gera muito mais socioeconomicamente, gera muito mais do que a separação. E depois vemos, porque eu tenho uma associação que se chama Vida Independiente Andalucía. Fizemos o primeiro projeto piloto sobre assistência pessoal na Andaluzia e incluía menores e também assistência para pessoas com deficiência intelectual. Bem, esse projeto gerou um benefício socioeconômico. Essa avaliação pode ser vista em nossa página web. Por cada euro investido há um retorno socioeconômico de 3,64 euros. Portanto, não me falem de gasto. Tudo o que seja é investimento, investimento em futuro. E depois vemos, porque eu tenho uma associação que se chama Vida Independiente Andalucía. Fizemos o primeiro projeto piloto sobre assistência pessoal na Andaluzia e incluía menores e também assistência para pessoas com deficiência intelectual. Bem, esse projeto gerou um benefício socioeconômico. Essa avaliação pode ser vista em nossa página web. Por cada euro investido há um retorno socioeconômico de 3,64 euros. Portanto, não me falem de gasto. Tudo o que seja é investimento, investimento em futuro.

BELÉN: Olá, bom dia. Meu nome é Belén. Sou mãe de uma filha com inteligência limite. Não é um rótulo, é um rótulo pequeno. E estamos excluídos da educação regular. Existe uma porcentagem altíssima de pessoas com inteligência limite para as quais não há recursos na educação regular para formá-las. Considero que somos a ponta de lança da deficiência intelectual. A educação regular não está preparada, nem sequer, de verdade, nem sequer para pessoas com deficiência intelectual leve. E ainda por cima te dizem que é o melhor para ela. É que este não é o seu lugar. É uma constante nas escolas de educação regular. Estamos aqui porque lutamos. E vou dizer-lhes, há um problema com as famílias. As famílias têm muito medo de se confrontar nas escolas. Porque pensam que, se não o fizerem, vão expulsar o filho. Então, pegar e ir aos ministérios ou fazer uma denúncia ao defensor. Tudo isso para as famílias. Porque aqui já somos profissionais da deficiência. Mas quando se começa a viver o mundo da deficiência, as pernas tremem. Porque morre-se de medo. E se ainda por cima é, digo-lhes, a partir da deficiência intelectual ligeira e deficiência intelectual leve. Que é que se diz, meu Deus, em que mundo vou entrar? Irene, senta-te bem. Porque se diz, não quero que a minha filha pertença ao mundo da deficiência. Porque sabemos como a sociedade trata as pessoas com deficiência intelectual. Esse é o medo que temos. A vergonha persegue-nos, o medo persegue-nos. E até que se coloquem e superem, os nossos filhos não se colocam na sociedade. E a sociedade é tremendamente dura com a deficiência intelectual. E isso temos de ver do ponto de vista de que, como a deficiência intelectual não entra na sala de aula, não entrará na sociedade que não conhece a deficiência intelectual. Muito obrigada.

VANESSA: Bom dia. Sou Vanessa, recentemente professora na UNED. Mas vou falar a partir da minha experiência respondendo à pergunta que lançaram como orientadora educativa de 2006 até poucos meses atrás. Para mim, a chave fundamental na experiência que vivi nos centros, nas excursões de crianças que foram em alguma ocasião e outras vezes não, no momento em que participaram e outras vezes não, é isto que está a surgir, que é a diferença entre pertencer à família ou a um povo ou a diferença de não pertencer. E para mim, aí a chave, para além de rácios, para além de recursos de formação, a chave fundamental é a linguagem universal desses docentes que são capazes de olhar através do afeto e do olhar de se situarem e acolherem essas crianças de que estamos a falar. Essa é a diferença, o afeto e esse olhar inclusivo que esse docente. Com formação e com rácios, poderá fazê-lo melhor, mas perante as mesmas circunstâncias, eu como orientadora vivi duas realidades de crianças que pareciam estar em mundos diferentes dentro de um mesmo centro educativo, duas situações completamente diferentes e apenas mudava a pessoa que estivesse a atender essa criança.

ELENA: Olá. Bom dia. Meu nome é Elena, sou orientadora educacional aqui na Comunidade de Madrid e, embora tenha experiência como estudante e como mãe, vou me concentrar um pouco nesta parte. Considero muito importante, sim, faltam recursos, mas acho que esses recursos devem ser desvinculados dessas categorias, dessas etiquetas que caem sobre as crianças como uma laje. Na verdade, de nada serve nossa avaliação psicopedagógica se, no final, tivermos que marcar aquela caixinha para que receba esses recursos. Considero que esses recursos, assim como um professor de educação física, não são levados em conta para a criança com diabetes ou a criança com sobrepeso, mas sim que estão para todos. O recurso de pedagogia terapêutica, o TIS, o de audição e linguagem deve ser levado em conta também para crianças que podem estar, não sei, passando por um divórcio conturbado em casa e que isso, no final, também as impede de aprender na escola. Por outro lado, queria levar em conta também que não se trata mais de ter mais recursos se eles continuarem sendo utilizados da mesma forma. A parte de formação, a parte de sensibilização, não apenas para os professores e professoras, mas também para a inspeção educacional, para a unidade de programas, certo? Revisar essa formação que é feita nas universidades, tanto em magistério quanto na parte de psicologia, no mestrado de ensino médio. E depois, bom, dizer também que o mautrato institucional também existe em relação aos perfis dos orientadores, que também não nos encaixamos nessa parte que consideram que devemos nos encaixar. Por outro lado, gostaria que, ao longo dos dias que estamos aqui, eu, dentro da minha avaliação psicopedagógica, sempre levo em conta as famílias, o aluno, na medida em que este pode me responder, principalmente os do ensino fundamental. Pergunto como eles acham que podem aprender melhor, o que acham que podemos fazer melhor por eles. Estou me concentrando muito na devolutiva para as famílias, em que vocês saibam o que pedir, o que podem exigir, como lutar por seus filhos, porque, no final, eu estou no centro, mas sou algo passageiro, digamos. Nada mais. Obrigado.

ELENA: Obrigado. Bem, vocês testaram minha paciência, quase me levantei para ir ao microfone. Muito obrigado. Sou Elena, presido a Associação Cuidador Lazarillo, e o que acho que falta nas escolas são duas coisas importantes para as crianças que têm doenças graves, que é que haja uma enfermeira nas escolas e que seja obrigatório, que os rácios sejam semelhantes aos das empresas, pois para cada 500 alunos uma enfermeira, e que seja algo que ofereça uma garantia estatal para que isso exista, porque, no final, as crianças também, pelo fato de terem necessidade de um cuidado constante de sua saúde, têm que sair de muitos centros e bem, isso eu vivi em minhas próprias carnes, com minha filha. E depois, por outro lado, além da enfermeira escolar, seria necessária uma bolsa de horas para acompanhamento em excursões, passeios, com ou sem pernoite, etc. Que às vezes só podem ir as crianças que têm recursos econômicos em sua família, que podem pagar esses recursos para poder ser mais um, e não pode ser que sejam discriminadas dupla ou triplamente, por serem crianças, por terem doença grave e, além disso, por não terem recursos econômicos para poder pagar o recurso de que precisam. E todo o resto vocês já disseram. Muito obrigado.

IGNACIO CALDERÓN: Antes de continuarem, eu diria, sabemos que não há tempo para todos nesta assembleia, depois há as oficinas onde nos dividimos, somos menos gente, aí podemos falar mais. Eu diria, das pessoas que, como temos o tempo muito limitado, as pessoas que mais ou menos sentem que o tema que iam abordar foi abordado, que o deixem, certo? Que renunciem agora mesmo a tocar nesse tema e a tocá-lo depois na oficina. Certo, continuo... Ninguém renuncia.

JAVIER:Não funcionou, Ignacio. Tente de outra maneira. (Risos) Não, vamos lá, eu vou te fazer uma pegadinha. Eu não posso acrescentar algo novo, mas acredito que seja uma voz que ainda não surgiu. Eu sou o Javier, bem, venho de Mallorca, trabalho em um centro de educação especial, no centro de educação especial Joan Mesquida, e atualmente sou orientador e coordenador do centro de referência e apoio a centros regulares, que no nosso caso, bem, conseguimos ter uma escola, como outras colegas que tenho aqui como a Marta, cada vez menor, e é muito pequena agora, e temos uma equipe de 20 profissionais no total, além de professores, trabalhando em 30 escolas, ok? 600 euros. O que eu queria contribuir quando peguei o microfone como uma voz que talvez ainda não tivesse surgido aqui? Bem, eu acho que é preciso um passo de coragem nos centros de educação especial para querer nos transformar. Isso me faz pensar, pensei nisso agora quando vocês falavam, na lagarta e na borboleta. Ou seja, isso não é sobre eu não ser mais o que eu era, eu não quero mais ser o que fui. E isso deve ser assumido com todas as consequências e com todos os obstáculos e pedras que vão nos jogar de todos os lados. Mas a borboleta já não é lagarta. Ou seja, os centros de educação especial e o trabalho em um deles têm que ser algo diferente. Gosto da comparação porque o que queremos é ir de flor em flor, ir de escola em escola e tirar crianças e sair. O que nós contribuímos? Que já fazemos isso há vários anos. Que eu acho que aqui está uma das chaves. Isso não é sobre alguns especialistas que vão e te dizem o que fazer. Isso se trata de ir ver pessoas que não estão sendo vistas. É validar. Isso foi escrito. Está em um manual. É o modelo social. Não sei quanto. Quero dizer, não inventamos nada, nada, nada, nada, nada. Somos simplórios nesse sentido. Mas não é visto. Mais tarde farei uma citação de um filósofo que acho que explica por que não é visto. E a outra chave para mim é a responsabilidade. Nunca, nunca pode estar no aluno. Sempre está no sistema e nas pessoas que o formamos. Isso é chave. Aconteça o que acontecer. E digo isso porque às vezes acontecem coisas graves. Mas não importa. O foco está em mim. Não nele. Estes são os dois pontos chave para nós como centro de educação especial querendo ser borboleta. E o que vamos contribuir? Bem, que a escola seja um lugar mais humano. Menos competitivo. Menos opressor. Ok? Onde não se queira sair, mas sim entrar. Ignacio disse que nos ouvem do ministério. Isso me parece como a carta aos Reis Magos. Como algo mágico. Mas, enfim, vou aproveitar. Acredito que a modalidade de escolarização deva ser abolida. Sinto muito. Isso é muito grave. Não pode ser. Não pode ser. Ou seja, não podemos falar que queremos uma sociedade não machista e que o divórcio está proibido. Acho que há coisas que não podem existir. Sinto muito. Digo isso porque complica muito o meu trabalho. Eu tento. Mas depois me dizem: "Ah, mas essa opção existe." Eu digo: "Sim, você tem razão." A culpa é minha. Não podemos continuar mantendo um sistema de avaliações centrado na pessoa. Pelo que eu disse, a razão é nossa. Claro que há condições e necessidades. Isso é óbvio. Todos as temos. Temos. Mas não, o sistema não pode mantê-lo. E os apoios não são para consertar ninguém. São para ver o que faltava para que a pessoa pudesse estar bem ali, em condições, e participar. Acredito que estas são as três chaves que eu daria ao ministério. Sinto muito. Pedem-me a citação do filósofo. Robert Pirsig, não sei se vocês o conhecem, um filósofo, disse: "Quando você olha para um louco, quando você realmente olha nos olhos de um louco, tudo o que você vê é o reflexo da sua percepção de que ali há um louco." O problema disso é que você não viu a pessoa. É isso que acontece conosco no sistema educacional. Obrigado.

TOMÁS PERLA: Sim. Olá. Meu nome é Tomás Perla, venho de Madrid e é isso. Concordo totalmente com o que o colega acabou de dizer. Sou pai de uma pessoa com deficiência intelectual. Sim, sou pai de uma pessoa com deficiência intelectual e concordo totalmente com o que... Bem, totalmente, quero dizer, em geral concordo com ele. Queria dizer duas coisas. Primeiro, apontar. A deficiência intelectual é a grande oculta dentro da deficiência na escola. Cerca de 40% do alumnado com deficiência está aí. É a carne de canhão, juntamente com alguma parte do TEA e, claro, com a plurideficiência, a carne de canhão dos centros de educação especial. Mas a deficiência intelectual morre quando termina o ensino obrigatório. A partir daí já não há nada. Já não há nada, não resta nada. Não há centros para onde ir, não há para onde se dirigir. A única coisa que resta para as pessoas com deficiência intelectual é a residência, o centro ocupacional e ponto final. Aí acaba. E isto não... Ou seja, isto começa na escola. Começa na escola. Duas coisas. E outra coisa muito importante. Estamos a falar da importância que tem o corpo docente. Estamos a falar do que pensam os nossos filhos e o alumnado. Estamos a falar do que pensamos as famílias. Mas na escola há um elemento mais, que é o que diabos estamos a ensinar. Para que estamos a ensinar. Como estamos a ensinar. Isso não se questiona. Falamos de recursos, falamos de outras histórias. Mas temos de ir ao centro. E é para que serve a escola. E esta escola que temos, duvido muito que sirva para poder formar pessoas que têm outra forma de agir. Porque nós falamos da deficiência sempre como negação. Nunca como possibilidade. Falamos... Não falamos de que possibilidades têm estas pessoas de que fazer. Falamos do que não podem fazer. Mas não lhes damos espaço para lhes dizer, vai em frente. Vai em frente. E isso é um tema que tem de ser abordado na escola. Muito obrigado.

IGNACIO CALDERÓN: Muito obrigado. Aqui acrescenta-se um tema. Porque não nos aprofundámos muito nisso da deficiência. E seria interessante como retomar o rumo para que estas últimas perguntas que fizeste nos tenham levado a pensar novamente na escola não só para um coletivo, mas para muitos coletivos. Então, aqui há reflexões importantes a fazer. Ok.

VIKY:Eu sou a Viky. Sou orientadora e faço parte da rede de escolas pela equidade e inclusão. A rede de escolas pela equidade e inclusão. Aqui somos algumas pessoas. Bem, somos um grupo de 12 centros que se uniram e o compromisso que temos é fazer coisas parecidas com o que estamos fazendo hoje aqui, mas em nossos centros. Para melhorar a equidade e a inclusão. Eu queria dizer uma coisa. Nós já fazemos essas coisas há algum tempo. E acontece que toda vez que buscamos o foco, o que nos preocupa? O que nos preocupa? Sempre nos preocupa uma coisa. A convivência e as relações. E sabem qual é um dos grandes temas que surge em nossa escola, mas que surgiu em muitas outras? A solidão. A solidão dos estudantes. Quando fazemos essa pergunta, não é sobre estudantes com um rótulo, com dois ou com três. Não, não e não. Não. O que acontece é que quando fazemos essa pergunta em uma turma, a maioria dos estudantes já a sofreu alguma vez. E isso é muito importante. E antes se dizia, bom, deixar algo assim nas mãos dos estudantes. Pois bem, o que percebemos é que, ao fazer esses processos de investigação coletiva, surgem soluções super criativas, super bonitas, mas, acima de tudo, o que surge é um compromisso muito forte por parte dos estudantes. Um compromisso super forte para que isso não aconteça. E eu acho que este é o caminho para avançar na inclusão. Isso é. E os rótulos são o caminho que corta a inclusão.

ROSA:Consegui enganar o Nacho. Por questão de gênero, vá. Bom, sou a Rosa e venho da Convive Fundación Cepaim, que é uma entidade que trabalha em toda a Espanha com ação integral com pessoas migrantes. Vou contar a realidade que temos aqui em Madrid, em concreto. Nós estamos no bairro de Carabanchel. Em Carabanchel, como no resto dos bairros da periferia, nas escolas públicas há uma percentagem de pessoas migrantes de 90%. Nas escolas privadas, a história é que 90% são meninos e meninas de famílias autóctones. Se vamos ao centro de Madrid, acontece totalmente o contrário. Ou seja, nas escolas públicas estão os meninos e meninas de famílias autóctones ou, se são famílias estrangeiras, são de famílias da OCDE, como uma menina de mãe japonesa e pai francês. Entendem por onde vão os tiros. Desde o Ministério da Inclusão também se está promovendo agora o plano de convivência intercultural. É uma coisa que está sendo trabalhada, que se quer... De fato, desde a Fundación CEPAIM estamos participando. De que forma se pode trabalhar ou colocar em marcha um plano de convivência intercultural se essa convivência intercultural não acontece na vida diária das crianças e adolescentes? Nada mais.

RUBÉN: Bom, eu sou Rubén, venho do Conselho Estadual de Colégios de Educadores e Educadoras Sociais e incorporei-me em 2009 para trabalhar numa equipe de orientação educativa na Andaluzia, em Santa Fe, municípios de uns 15.000 habitantes mais ou menos. E aí, pensando um pouco sobre quando sou, quando estou, quando não estou, havia muitas coisas que me interpelavam. Porque, bom, tive a sorte de me incorporar ao sistema educativo e havia muitos temas que me incomodavam no dia a dia. E via que não fazia parte disso. Ou seja, fui enterrado em protocolos de absentismo escolar, cento e tantas, num só município de mil alunos. E durante anos estive nisso e também estive com temas de expulsões, convivência, todos esses conflitos, que quando você olhava para trás dizia o que me falta aqui é que pensemos em cidadãos e cidadãs e que pensemos em território e comunidade. Que eu acho que é um pouco uma parte que eu gostaria de trazer para este debate. Não somos escolas que devemos estar à margem do que acontece no território e temos muitos agentes no território trabalhando e que estão além disso desejando colaborar com os centros educativos. Não sabem a que porta bater, não sabem a que professor, professorado, que muda continuamente. E bom, é certo que me afundei. Houve um momento em que o sistema me afundou porque me pediam que esses cento e tantas protocolos saíssem. Vi-me sentado com famílias em frente a julgamentos em que se pediam esses dois anos de prisão, que comentavam no início. Vejam bem, você ia ver esses protocolos e via o que comentavam. Que além disso me interpelava muito ouvir somos famílias, o que nos acontece isto? Pois você tinha a sorte de ouvir isto. Porque por sorte podia sair do centro educativo, sentava-me com as famílias, falava com elas. E claro, via prostituição, mulheres maltratadas, famílias que estavam lutando contra o sistema porque tudo isso que tinha sido comentado do meu filho com diversidade, deficiência e demais. Claro, muitas histórias que, no entanto, desde o sistema educativo tratávamos como números, protocolos, além disso, super anonimizados. E isso levava-me a uma crise. Disse, houve de facto um momento em que coloquei na minha própria conselharia, eu assim não continuo a trabalhar. Tive a sorte de que houve um colega que assumiu a coordenação a nível provincial de compensação educativa. Era cigano. Conhecia muito bem o sistema de proteção. E além disso vinha do mundo do desenvolvimento comunitário. Então aí, bom, coloquei um ultimato dizendo, olha, vou ser sincero. Se querem que continue a denunciar famílias, porque a solução maravilhosa para uma menina adolescente grávida é que o seu pai e a sua mãe vão para a prisão dois anos por um delito de abandono do menor. Era como, eu não quero fazer parte disso. Se querem que continue a fazer parte disso, eu peço uma licença e vou-me embora. Não acredito nisto, não sou isto. Estou aqui. Estão a pedir-me que os estudantes estejam aqui também das 8 às 3, mas não são assim. Têm muitas vivências, muitas histórias e talvez seja preciso procurar esse ser. Então, bom, tive a sorte que me deixaram trabalhar durante vários anos nessa ideia até que chegou a COVID e já sabem como tudo parou. Mas estive a trabalhar com ativos do território, com referentes de famílias ciganas, com associações de deficiência que havia na zona, com líderes desportivos. Os técnicos desportivos foram chave para a inclusão e a interação de muitos alunos que no sistema educativo estávamos a perder. Ou seja, tivemos que assumir que não éramos referência para eles de manhã, mas que havia outros agentes do território que sim. E por sorte durante vários anos pude ir fazendo este trabalho de rede, para mim são as chaves, rede, comunidade, trabalho fora da sala de aula, e realmente foi uma motivação não só para mim, mas houve muitos colegas das equipes educativas que diziam, deixo de me sentir sozinho, por fim encontro gente com quem colaborar, integrar outras famílias, pessoas na sala de aula, outras vozes, para mim seria a chave, é dizer, não temos que nos centrar apenas na inclusão, em tudo isso dos apoios, que me parece super importante, oxalá o consigam e continuem a trabalhar por isso, mas acho que precisamos de abrir o centro ao território. Nesse sentido, tive a sorte de ser educador social no sistema educativo, acho maravilhoso, é um trabalho que oxalá haja muito mais gente que possa estar aí dentro, porque também vimos que o professorado está muito sozinho, há situações que lhes vêm grandes, pedem-lhes relatórios, de repente destapam-se no centro educativo, uma situação de assédio, uma agressão sexual, e pedem esse acompanhamento, acho super bonito poder acompanhar os meus colegas em toda essa ideia. São as duas, vamos fechar já. Vamos fechar já.

SANDRA: Buenos días. Me llamo Sandra, y soy mediadora intercultural, y bueno, pues somos un grupo de mujeres gitanas, desde una apuesta de la Asociación Barro, ya hace ya bastante tiempo, también estamos trabajando con el grupo de enseñantes con gitanos, y bueno, pues quería haceros una reflexión muy pequeña, lo primero de todo que me da mucha ilusión, que el planteamiento y la cuestión de la población gitana también esté encima de la mesa, puesto que lamentablemente en el sistema educativo la población gitana está casi fuera de juego, por no decir en su totalidad casi, librándose de los gitanos que a lo mejor tienen un puesto mejor económico, social y económico, se genera de una forma muy fuerte el tema de que el sistema socioeconómico que tiene esta población, que es mi población, la población gitana, pues requiere otro tipo de educación, donde el sistema queda muy fuera, me he encontrado más de 400 alumnos gitanos que solo han titulado en secundaria unos 6 o 7 a lo largo de estos 17 años, y lo que he podido comprobar es que los profesionales que están más preparados, que tienen mayor cualificación e implicación con la población gitana, salen más hacia adelante, y que los que se generan en escuelas gueto, y además cuentan con que las familias no han sido inculcadas a una cultura de la formación, y de lo que es la importancia de la formación, quedan fuera también, entonces nos encontramos con niños que por falta de la cultura de la familia, no me gustaría decir cultura, porque la cultura marginal no pertenece a ninguna cultura, la cultura de la pobreza no existe, para mí es una situación socioeconómica, no cultural. Y partiendo de esa base, de verdad que me hace ilusión que haya profesionales que se planteen que el sistema educativo no acoge a la población gitana.

ALEJANDRA: Hola, buenas. Yo soy Alejandra, vengo de Vigo, de una asociación que se llama APAN, que es una asociación que acompaña y apoya a familias y personas con parálisis cerebral. Y bueno, tenemos una parte de nuestro trabajo donde, bueno, parte del equipo profesional de la entidad acude a centros educativos, gracias a un convenio que tenemos con la Consejería de Educación, no contractual, no nos financian, todo va a costa de la entidad, pero sí nos autoriza a entrar como recurso externo, apoyar y acompañar alumnado afín a nuestra entidad y desarrollar diferentes proyectos de sensibilización. Se han mencionado muchas cosas que no voy a repetirme, pero bueno, sí mencionar que igual que se mencionan a los centros de educación especial como posibles centros de recursos, las entidades sociales sin ánimo de lucro también podemos ser agentes de recursos de apoyo y la realidad que nos encontramos es que muchas veces nos dicen que no, así que en cuanto al tema recursos que se mencionaba por aquí habría que hacerse la interrogación de si es una falta de recursos o también de aprovechamiento de recursos, eso por un lado. Y por último, una de las cosas que hemos percibido a lo largo de todos estos años es que se centran, hay un señalamiento muy grande al alumnado, cuando preguntamos qué necesidades hay se señala mucho al alumnado, es muy fácil decir qué problema tiene el alumno, qué dificultades tiene el alumno, pero este año comenzamos a hacer otra pregunta y es, ¿qué haces tú en cuanto a la autonomía, a la participación y a la relación del alumno? Y hay un silencio verdaderamente incómodo. Así que creo que también es momento de señalar el contexto y ver barreras y facilitadoras desde el contexto escolar y dejar de señalar al alumnado en situación de diversidad. Gracias.

PAULA:Agora sim, eu sou a Paula e venho de Vigo também. Vi, bom, sinto-me identificada com muitas das palavras que foram ditas esta manhã, mas há uma coisa que tenho clara e é que temos de começar a pensar e deixar de falar de inclusão. Os estudantes pertencem à escola, certo? E temos de deixar de os excluir. Portanto, penso que a única maneira de acabar com a exclusão é que deixem de existir tantos recursos segregados, unidades segregadas, centros segregados. Temos de utilizar esses recursos para realmente fazer com que os estudantes deixem de ser excluídos e continuem a pertencer, porque não estamos a falar de inclusão, estamos a falar de que todos pertencemos à escola.

IGNACIO CALDERÓN:Bem, há muitas mais palavras. Peço desculpas porque é impossível, já ultrapassámos o tempo. Temos, vamos ter espaço agora nos workshops para continuar a falar, depois temos outra assembleia, ou seja, não vão ficar sem falar, vamos falar, vamos conversar. Fazemos a pausa agora para o almoço. Foi uma assembleia inicial brilhante. Felicito-vos e muito obrigado pelo trabalho.

Abertura, apresentação e assembleia inicial

  • Abertura institucional
  • Apresentação: uma agenda cidadã para a educação inclusiva (35:30 min)
  • Assembleia Plenária Inicial: O que está acontecendo nas escolas? (57:05 min)
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Oficinas Simultâneas de diagnóstico

  • Oficina de diagnóstico de crianças e jovens: Realidade e sonhos na educação
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Oficinas Simultâneas de diagnóstico

  • Oficina de diagnóstico: barreiras para a transição de lagarta para borboleta
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Transcrição de:

  • Inauguração institucional
  • Apresentação: uma agenda cidadã para a educação inclusiva
  • Assembleia Plenária Inicial: O que está acontecendo conosco nas escolas?

 

LUCIO CALLEJA: Bom, pois muito bom dia a todos os presentes esta manhã neste ato de inauguração deste encontro, que é um prazer ver aqui tanta gente, ver praticamente lotado este auditório desta sede do Ministério da Educação, Formação Profissional e Desporto. E além disso, vê-lo lotado de tanta diversidade, com crianças, com gente jovem, com gente mais velha, com professores, com famílias, com alunos, gente de instituições, de administrações, enfim, uma variedade que, bom, que não é nem mais nem menos reflexo da variedade da sociedade e um pouco o motivo pelo qual estamos aqui esta manhã, para falar de diversidade, para falar de inclusão e para compartilhar experiências e compartilhar vivências. Não quero alongar nem de longe esta apresentação. Haverá um breve espaço de apresentação institucional. E então, bom, como o importante vai começar depois, eu simplesmente peço que subam à mesa Ignacio Calderón, Jesús Martín e Mónica Domínguez, por favor, que serão as três pessoas que inaugurarão.

Bom, enquanto se sentam, Ignacio Calderón Almendros é professor da Universidade de Málaga e é, junto com Teresa Rascón, que também está aqui à frente, as pessoas que lideram o grupo de investigação, educação e mudança social. Jesús Martín Blanco é o diretor-geral de Direitos das Pessoas com Deficiência, do Ministério de Direitos Sociais, Consumo e Agenda 2030. E Mónica Domínguez García, que é a diretora-geral de Avaliação e Cooperação Territorial do Ministério da Educação, Formação Profissional e Desporto. Quero agradecer também a presença, que está aqui na primeira fila de Julio del Valle, que é o diretor-geral para a Igualdade Real e Efetiva das Pessoas LGTBI, do Ministério da Igualdade. Obrigado, Julio, por vir. E uma última coisa, o loop magnético disseram-me que está na zona de lá. Digo-vos, por se houver alguém que o necessite, que saibam que está no lado esquerdo, segundo estou eu a olhar para a sala. Pois nada mais, Nacho, quando quiseres tens a palavra.

IGNACIO CALDERÓN:Bom, então, muito obrigado, Lucio. Muito obrigado a todos e todas por terem vindo. Muito obrigado ao Ministério por ter dado a oportunidade de gerar este espaço de construção coletiva. Estou feliz, também nervoso agora mesmo, de iniciar este momento. Bom, na tarefa, o Lucio me disse: não se enrole, comece algo rapidinho, né? E pensei em como introduzir este workshop. E me remeti a 25 anos atrás, quando comecei a pesquisar sobre educação. E em particular, eu estava tentando pesquisar sobre a experiência, a experiência do fracasso escolar. Particularmente, a experiência do fracasso escolar de crianças que viviam em situações precárias, em situações de pobreza. E me lembrei de uma história, uma primeira história que escrevi com a Elena, uma estudante de ensino médio de um bairro operário de Málaga. Essa história de vida se intitulou "Libertar-se da escola". E "libertar-se da escola" era como uma pulsão que tanto ela quanto seus amigos e amigas contavam, que era a de tentar escapar do controle da escola. Depois de escrever aquela história, fiz uma formação para equipes diretivas. E levei alguns fragmentos do que a Elena me contou. Esses fragmentos contavam, basicamente, que ela não se lembrava significativamente de muitas coisas da escola. Começava assim: "No primeiro ano, estive com um professor, não me lembro do nome dele. Não me lembro das aulas dele, nem de como ele explicava, nem do que fazíamos na aula". E aí continuava uma ladainha de "não me lembro, não me lembro, não me lembro". E um docente daquela sala me disse: "Essa menina tem amnésia". E então trouxe a história de outro menino, neste caso era o José, um jovem de 17 anos, de uma família com muito poucos recursos, de mãe cigana, de pai não-cigano. E começaram novamente a se repetir esses "não me lembro, não me lembro, não me lembro". E ele não se lembrava nem dos docentes, nem dos colegas, nem dos livros, nem das disciplinas. Tanto que chega um momento em que ele me diz: "Não entendo o que aconteceu aqui, hein? Porque é como se a memória da escola tivesse sido apagada". Como se a memória da escola estivesse em um lugar diferente de outras memórias, né? Daquela história, da história do José, escrevi com ele sua biografia que se intitulou "Sem sorte, mas guerreiro até a morte". Esse título também tinha a ver com uma pichação que havia na cela em que ele estava, no centro de menores infratores, onde o conheci.

Ou seja, que essa irrelevância da escola teve um grande impacto na vida de uma criança, como teve um grande impacto na vida da Elena. Bom, e por aquela altura, estamos a falar de há 25 anos, por aquela altura, ao meu irmão Rafael, a escola onde tínhamos frequentado todos os irmãos e irmãs, convidou-o, e ponho entre aspas, convidou-o a abandonar a escola para ir para um centro de educação especial. A minha família recusou aceitar aquele parecer e empreendeu um caminho de dissidência que é complexo e que queria reconhecer a legitimidade do meu irmão como estudante legítimo naquela escola onde o resto dos irmãos e irmãs tinham estado. Aquela história tornou-se um livro que se intitulou, inicialmente, "Vertebrar a luta educativa". E o que pretendia era que a história que tinha ocorrido na minha família não ficasse apenas numa família, mas que pudesse ser algo que servisse para outras famílias avançarem na luta pelo reconhecimento dos direitos educativos de todas as crianças. E este é o sentido do encontro que começa agora. Experiências como a que acabei de narrar, na realidade, ainda existem muitas. Até em alguns termos pioraram. E o que me faz pensar é que não aprendemos suficientemente a reconhecer o valor dos saberes da cidadania, das crianças, dos seus famílias, do corpo docente que trabalha com elas. E esses saberes que eu reconheci na Elena, no José Medina, no meu irmão Rafa, na minha própria família, a minha mãe, esses saberes são muito mais fortes quando se tornam coletivos. E é isto que pretendemos fazer aqui, gerar um saber coletivo que permita ou que impulse a transformação do sistema. Por isso um espaço como este tem para mim um grande valor e gera-me uma grande esperança porque é uma aposta do ministério em trabalhar para que estas experiências que ocorreram, que ocorrem há muito tempo e que infelizmente continuam a ocorrer hoje, possam ter um travão, possam começar a ser solucionadas. Assim, muito obrigado Mónica por esta oportunidade, muito obrigado ao ministério e obrigado a todos e a todas por a tornarem possível.

LUCIO CALLEJA: Obrigado, Nacho. E a seguir, Jesús Martín, diretor-geral da deficiência, vai dizer umas palavras também.

JESÚS MARTÍN:Muito obrigado, querido Lucio, querida Mónica, também a ti e também querido Nacho. Bom dia a todas e é uma honra partilhar este espaço, além disso, no dia do meu aniversário, creio que é o melhor presente que posso ter, partilhar o meu 52º aniversário com pessoas que dedicam o vosso tempo, o vosso talento a melhorar a educação, que a meu ver é o maior capital juntamente com a infância que qualquer Estado possui. E estais a fazê-lo como corresponde numa democracia avançada como a nossa, a partir dos direitos humanos, ou seja, pensando em todo o alunado sem exceções. Obrigado, querida Mónica, por dizeres sempre que sim, por trabalhares lado a lado, por deixares a pele, tu e a tua equipa, para que a inclusão pivote no nosso sistema educativo. E obrigado também por a transcenderes para a deficiência e pensares que isto é uma questão de todas as realidades humanas, de todas as meninas e todos os meninos. Hoje convocaram-nos para a educação, mas a partir de uma escola que iguala, a partir de uma escola que liberta, mas a partir de uma escola que também inclui. E efetivamente é disso que se trata a educação inclusiva. É um sistema que deve ser flexível, deve ser um sistema que celebra a diversidade humana e no qual todas as crianças e todos os meninos devem aprender nos mesmos espaços. Temos de ter em conta que existem diferentes capacidades, grupos étnicos, estaturas, orientações sexuais, origens, idades e que é o sistema que deve mudar para acolher esta diversidade e adaptar-se a cada estudante. Entendereis que a escola é, depois da família, o primeiro lugar de convivência para a pessoa e, a partir desta perspetiva, é imprescindível que todo o alunado, todo o alunado, também o que tem deficiência, receba a educação nos mesmos colégios. Que o resto do alunado da família humana para partilhar salas de aula, aprendizagens, pátios, atividades extracurriculares em que se construam os afetos, em que as crianças sejam Laura, Adrián e Jesús e não uma criança com acondroplasia ou uma criança surda ou com síndrome de Down. E, sobretudo, que nesses espaços se construa o respeito mútuo. Estas meninas e estes meninos serão os adultos que governarão este país no futuro. Se desde o início construirmos esse respeito, asseguro-vos que a nossa vida, a vida das pessoas com deficiência, a vida das pessoas trans, das pessoas ciganas, será mais fácil. Pois teremos inoculado desde o início um vírus maravilhoso que é o da inclusão. E o enfoque inclusivo, é disso que trata este seminário, valoriza as e os estudantes como pessoas, respeita a nossa dignidade inerente e reconhece as nossas necessidades e a nossa capacidade, sim, também, para fazer uma contribuição valiosa para a sociedade. Também, a inclusão reconhece que a diferença proporciona uma oportunidade de aprendizagem e reconhece esta relação que é indissociável entre escola e comunidade para construir estas sociedades em que todos nos sentimos parte. Não só o alunado, também o corpo docente, o pessoal que está nas escolas, as famílias. Eu conto sempre uma anedota. Sou de uma aldeia muito pequena da Extremadura e fui estudar, pessoas que serão da minha idade, para o que eram então as universidades laborais. Fui para Huesca. Então, claro, era um internato de duas mil e poucas pessoas e só havia duas pessoas com deficiência. Uma que era externa, uma mulher com paralisia cerebral, Noelia, e eu. E a mim, sem me perguntarem, deixaram-me isento de educação física. Quando eu vinha de saltar por rochas e por todos os sítios da minha aldeia, de fazer o cabra, o que tem de fazer uma criança. Ninguém se preocupou de me fazer uma adaptação curricular. E eu, nessa disciplina, não sei como será agora, Mónica, mas antes era uma disciplina de muito lazer, de jogo, pois eu ia para a biblioteca. E aí começa o primeiro apontamento. Por não fazer uma coisa tão simples que agora tendes muito integrada como uma adaptação curricular. A escola inclusiva supõe transformar o sistema educativo para que acolha e aprecie a diversidade sem restrições.

Ou seja, que haja presença, que haja progresso, que essas crianças não só estejam na escola, mas que aprendam, e que também participem nos jogos, nas atividades extracurriculares, nos pátios. E no governo da Espanha, temos isso claro: a educação inclusiva é uma meta incontestável. E fazemos isso com determinação, com convicção, porque assim diz a convenção, que este ano completa 20 anos. E diz a própria LOMLOE. E um governo decente deve respeitar seu marco legal. A educação inclusiva, por isso adoro ver tanta gente, ver os jovens que estão aqui onde devem estar, na primeira fila, porque vocês são os protagonistas, ver famílias, ver a sociedade civil, estou vendo ali a Carmen, a presidente da Plena Inclusión, ver docentes, ver pesquisadores, porque isso deve ser abordado a partir do diálogo, da serenidade, do encontro. Aqui não sobra nada nem ninguém. Todas as vozes são valiosas e são porque precisamente nos jogamos um tema muito importante, que é o direito à educação de nossas crianças. E neste desafio, que é um desafio de país, devem estar, como digo, toda a comunidade educativa, as famílias, as organizações e, claro, vocês, as crianças e os meninos, cuja opinião é muito importante, muito importante a considerar. Porque vocês são os titulares dos direitos, algo que esquecemos muitas vezes quando construímos políticas públicas. Quero deixar muito claro, minha colega, a diretora-geral, vai sublinhar isso tanto quanto eu. Isso não é uma guerra contra nada nem contra ninguém. Aqui nada se emenda. Isso é sobre somar. Isso é sobre somar. Por isso, reunimos toda essa amálgama, que é uma representação do que é a sociedade, para ter o seu conhecimento, as suas dúvidas sobre o que será o próximo plano de educação inclusiva, para que seja solvente, para que seja certeiro, como nos manda a disposição adicional quarta da LOMLOE. Nesta equação não pode faltar a ciência, como um pilar chave da nossa emancipação individual e social, e como alavanca também para a nossa libertação de culturas e estruturas capacitistas. Hoje estamos aqui e finalizo para sustentar todas juntas a bandeira dos direitos humanos, para cristalizar uma igualdade que deve ser transformadora da mudança sociocultural, e esta igualdade transformadora é a que questiona a visão hegemônica na qual persiste um tratamento diferenciado por motivos de deficiência, de etnia, de orientação sexual, e esta igualdade transformadora é a que vai contribuir para erradicar essas formas sistêmicas, estruturais e mais ocultas de discriminação. Hoje aqui, ao longo destes dois dias, vamos buscar na educação a melhor aliada para reescrever a história das pessoas com deficiência, das pessoas ciganas, das pessoas trans, para que esta seja uma história de autodeterminação, de convivência, de inclusão e, sobretudo, de direitos. Muito obrigado.

LUCIO CALLEJA: Pois muito obrigado, Jesús, pelas suas palavras e também pelo seu apoio, como administração e como pessoa. E finalizamos este ato protocolar de inauguração deste encontro com Mónica Domínguez García, diretora-geral de avaliação e cooperação territorial do Ministério da Educação e responsável também por todo o desenvolvimento deste plano estratégico de educação inclusiva.

MÓNICA DOMÍNGUEZ:Muito obrigado, Lucio, Nacho, Jesus. Bom dia a todas e a todos. Vejam bem, tal como meus colegas na mesa e também Lucio mencionaram, há alguns meses o Ministério da Educação, Formação Profissional e Desportos tomou a decisão de que deveríamos elaborar, começar a desenhar o plano estratégico de educação inclusiva. Um plano que evidentemente requer ciência, como bem disse Jesus em suas palavras anteriores, requer rigor, requer fazer um bom diagnóstico, requer muitas questões. Mas, sem dúvida, o que tínhamos muito, muito claro no momento em que começamos a falar sobre fazer este plano é o que hoje vai começar a ser dado aqui. Tínhamos muito claro quando começamos a gestar o plano que não se podia fazer isso sem ter algo muito claro, e é que precisamos ter em um auditório um número de pessoas, hoje quase 200 pessoas aqui. pessoas aqui que têm quase 200 histórias distintas, quase 200 vivências. E a resposta do que queremos ou pretendemos a partir deste momento é colocar sobre a mesa a verdade. E a verdade em maiúsculas. Não queremos falar de estatísticas hoje, não queremos falar de diagnósticos, não queremos manchetes. Queremos de verdade falar da verdade do que não está funcionando no sistema educativo espanhol. Queremos a verdade de que somos conhecedores e confiamos plenamente em que todas as pessoas que estão hoje aqui sentadas têm a capacidade de poder mudar e melhorar o sistema educativo. Cada um de vocês com suas experiências, com suas vivências, com os saberes da cidadania, como Nacho nomeou anteriormente, vai muito além do que os manuais, a teoria podem nos dar. Não viemos a um congresso comum e acho que é isso que, por favor, viemos aqui para ouvir e construir todos juntos. Viemos para reconhecer a todos e cada um de vocês como especialistas. Não pedimos que venham opinar, pedimos que venham participar. E com a palavra participação me refiro a uma construção conjunta, a que possamos de verdade somar, como bem disse Jesus. Permitam-me falar com total honestidade. Sou muito consciente de que nesta sala hoje aqui há estudantes ou antigos estudantes que aprenderam a se adaptar a um sistema em que talvez tenham sido invisíveis em algum momento, em que tiveram que se adaptar vocês ao sistema porque não se soube dar resposta às suas necessidades. Também sei que há outros que podem falar muito positivamente sobre como se pode garantir uma participação dentro de um centro educativo, como se pode sentir parte de uma comunidade educativa, como se pode sentir de verdade a inclusão em todo o sentido, em todo o seu sentido mais amplo. Também há pais, mães aqui sentados hoje que lutaram muitíssimo ao longo da trajetória acadêmica de seus filhos e filhas, que talvez em algum momento se sentiram sozinhos. Às vezes, até tiveram que aprender porque ninguém, não encontraram a pessoa que lhes pode explicar como sair dessa dificuldade, dessa pressão, dessa dor de ver que não se está dando a resposta necessária para suas filhas ou seus filhos. Mas também sei que aqui há pais e há mães que sim podem falar positivamente mostrando como os apoios podem funcionar coordenando-se de todas as partes, como as barreiras existentes podem ser derrubadas. Também sei que nesta sala hoje há docentes, há mestras, há mestres que colocaram em prática soluções que são brilhantes, que às vezes, sem quase recursos, foram capazes de dar resposta, de ser uma pessoa chave e significativa para que alguém, alguma pessoa, algum estudante os tome como referência, saiba que são as pessoas que lhes permitiram ter o sucesso e ter a confiança em si mesmos para poder seguir em frente. Não podemos dar por garantido que a vocação está entre todos os docentes, devemos trabalhar para que realmente se saiba dar a resposta pertinente. Há também aqui membros de equipes diretivas que lideram, que confiam em seus claustros, em suas famílias, em seus alunos, que fazem de ponte com a administração educativa e que geram essa transformação que muitas vezes parece impossível, mas vocês conseguem.

Há investigadores, aqui nesta sala há muita gente da academia, que trabalham em universidades, em várias equipas de investigação, que souberam transformar em realidade, numa realidade quotidiana, conhecimento rigoroso que existe nas salas de aula e souberam transformá-lo em ciência, em evidência científica. Aqui há associações, instituições do terceiro setor, que são, sem dúvida, aqueles que conhecem melhor do que ninguém o coletivo, os coletivos com os quais trabalham e que sabem estar a lutar, a dar a cara, a vir sempre trabalhar com a administração educativa de frente, a dar a mão e a dar a resposta que se pretende. E evidentemente há membros das administrações não só educativas, educativas e de outras áreas, que têm algo que os outros não têm. E é precisamente a capacidade de fazer com que tudo mude de escala, de que estes sonhos e de que esta realidade seja uma realidade para todos e para todas, de transformar o excecional em norma. E para isso estamos aqui hoje. Assim, hoje aqui todos são imprescindíveis. Dou-vos as minhas sinceras graças a todos e cada um de vós por terem aceite, por terem deixado as vossas agendas de lado, por estarem aqui. E peço-vos muito sinceramente que vamos construir, porque este plano estratégico de educação inclusiva precisa da vossa voz, precisa de poder aportar a teoria que se vive dentro das vivências de cada um de vós. Quero aproveitar evidentemente o momento de agradecimento, não só a todos os que estão aqui hoje sentados, mas também muito sinceramente à equipa de investigação, educação e mudança social da Universidade de Málaga. Aqui está o Nacho, ali está a Teresa, sei que vêm com uma equipa enorme. Muito obrigado porque nos estão a acompanhar completamente para que, não só com o conteúdo e com o olhar, mas também com todo o apoio metodológico que será necessário para que este congresso, não à maneira tradicional, que durará dois dias, sejamos capazes de facilitar a participação, de fomentar o diálogo, de construir ciência, que é do que todos vós sabeis tanto. Precisamos que isto seja rigoroso e que seja sistemático e que nos traga verdadeiramente o que precisamos. Quero reconhecer também evidentemente a trajetória do movimento cidadão, Quererla es crearla, mostrou a importância do que significa a conexão, a conexão de definições que são chave para a melhoria educativa, a investigação, a inovação, a experiência educativa e, sobretudo, a ação social. Esta conexão são precisamente as chaves que procuramos para este congresso, este encontro.

Queremos construir políticas públicas a partir de la escucha a quienes conocen, a quienes viven y a quienes transforman la realidad educativa desde dentro. Soy muy consciente de que esto es necesario y no se puede trabajar desde los despachos, no se puede trabajar solo desde la teoría. Es muy, muy, muy necesario tener siempre los pies en el suelo para que sepamos que estamos dando la respuesta coordinada y necesaria. Quiero citar un lema que estoy segura de que Jesús habrá utilizado muchísimas veces. Es muy simple, son solo cinco palabras. Nada sobre nosotros sin nosotros. Estas cinco palabras tan simples buscan un principio que es fundamental. No puede haber ninguna persona, ninguna, ausente de cualquier conversación que vaya a decidir su futuro. Toda la normativa, todas las acciones, todo lo que se hace desde todos los despachos, llamémosles ministerios, ayuntamientos, da igual. En cualquiera de las administraciones se debe tener muy, muy en cuenta la vivencia personal, esta acción social. Por lo tanto, no se pueden tomar decisiones, ni diseñar programas, ni diseñar planes emitiendo el gran plan estratégico de educación inclusiva. No se pueden escribir leyes sin preguntar, sin escuchar y sin comprender. Así que este es el objetivo principal del workshop incide, precisamente porque lo que no queremos es hablar de educación inclusiva desde una distancia segura. Estamos aquí para practicarla, para demostrar que es posible construir conocimiento solo y únicamente cuando todas las voces se sientan en la misma mesa. Cuando tenemos en cuenta que las mejores políticas educativas no nacen en los despachos, pero sí nacen con las vivencias de aulas, de pasillos, de patios, de a veces conversaciones incómodas, diría. Pero lo incómodo hay que escucharlo y hay que estar enfrente para poder sumar. La inclusión. La inclusión no es un destino al que queramos ponerle una marca. Ya somos un sistema educativo inclusivo. No es una meta. No es un día en el que vayamos a llegar y vayamos a celebrarlo. La inclusión es la manera en la que queremos caminar juntos. Es un proceso. Y caminar juntos exige escuchar de verdad. Insisto otra vez con la palabra con la que he iniciado, que es esa verdad. No queremos escuchar para responder. No queremos escuchar para corregir. No queremos escuchar para defendernos de nada. Queremos escuchar para comprender, para mejorar y para incluir en este plan estratégico de educación inclusiva. Porque todas las acciones que hagamos sabemos que los recursos son muy limitados dentro de las políticas públicas y, por lo tanto, tenemos que estar muy, muy seguros de que toda la acción que vayamos a llevar a cabo sea una acción que de verdad sea algo que genere esta ayuda.

Portanto, ao longo destes dois dias, pedimos-vos, por favor, que partilhem essas experiências que talvez nunca tenham colocado em palavras, que talvez até vos obriguem a expor intimidades, mas que é o momento para que possam fazer perguntas, dar respostas, discordar se for necessário. Errar. Não faz mal. Para isso estamos, para nos ouvirmos e para trabalharmos juntos. Porque talvez uma voz sozinha, muitas vezes já terão vivido, uma vez sozinha pode ser que não seja ouvida o suficiente, que seja ignorada ou que não seja ouvida com ação suficiente. O que queremos é que 200 pessoas, 200 vozes, construam um caminho. Para finalizar, quero mencionar uma citação de Paulo Freire, um pedagogo do final do século XX, numa frase que creio que resume muito bem o objetivo deste Congresso. Ninguém educa ninguém, nem mesmo um se educa a si mesmo. Os homens só se educam entre si com a mediação do mundo. Hoje, nesta sala, isto não é uma teoria. Queremos que isto seja realmente uma realidade. O workshop terminará amanhã, à tarde, sairemos por esta porta, terminaremos este workshop. Mas, na verdade, o que começa hoje é outra coisa. Esperamos que se gerem vínculos, que possamos trocar ideias, que possamos ouvir verdades, nem sempre confortáveis, que geremos compromissos e a pergunta que vos lanço hoje não é se somos capazes de construir uma educação mais justa, é se nos atrevemos a fazê-lo juntos. Bem-vindas e bem-vindos. Comecemos. Muito obrigado.

LUCIO CALLEJA: Bom, pois muito obrigado aos três pelas vossas palavras e, como dizia a diretora-geral, comecemos. Isto começa agora, começa com uma primeira apresentação que, como têm nos programas, tem como título “Uma agenda cidadã para a educação inclusiva”. Simplesmente por questões de localização, esta será a sala geral, onde teremos os encontros de grupo, depois temos quatro salas independentes, onde se irão gerando os workshops para a discussão. Estão, conforme saímos aqui à direita, há outra que está no sexto andar, que tem acesso, mas bom, já vos irão indicando as pessoas da equipa, todos os que estão ali atrás são a equipa de educação inclusiva do ministério, aos quais também agradeço encarecidamente o grande esforço que estão a fazer para que isto avance. E, bom, pois a partir deste momento, já vos digo, sintam-se como em casa. Estão em vossa casa. Creio que é fundamental que se gere essa confiança, essa tranquilidade, que se sintam à vontade e que se deixem levar pelas emoções e pela necessidade de partilhar tudo aquilo que viveram, que estão a viver, porque dessa partilha esperamos, como ministério, poder ir construindo políticas educativas. Muito obrigado e começamos.

IGNACIO CALDERÓN: Sim, sim, olá. Bom, vamos continuar, iniciar a tarefa. A Tere e eu viemos com a ideia de estabelecer um pouco o marco do workshop, do trabalho que vamos desenvolver. A primeira coisa, tínhamos anotado aqui boas-vindas. Bom, bem-vindos, bem-vindas a todos e todas. Obrigado por estarem aqui. Obrigado por terem vindo de lugares distantes, por terem deixado todas as coisas que temos que fazer, que são sempre muitas e importantes, e por terem decidido dedicar dois dias a um trabalho intenso, porque do que se trata é de fazer um workshop participativo, ou seja, de gerar um espaço em que todo mundo participa aqui, ninguém veio para ver, mas sim que todos viemos para tomar parte. Um workshop se fundamenta em algo que a Mónica colocava agora, e é que se fundamenta no reconhecimento de que todos os seres humanos temos um saber que é valioso, e que além disso é insubstituível. Então, o saber, por exemplo, destes rapazes e raparigas, é insubstituível por toda essa gente grande que há por aí. O que vocês e vocês sabem, não sabemos o resto. E nos interessa saber o que eles pensam, mas também o que pensa a Nuria ou o que pensa o Ricardo. Nos interessa saber o que é que a gente sabe. E nos interessa porque nas escolas, em muitas ocasiões, esses saberes que partem da experiência de cada um não são suficientemente valorizados. E se os valorizássemos, nossas escolas teriam recursos para ir melhorando. Então, este workshop é uma construção coletiva em que vamos tentar entrelaçar os saberes, os distintos saberes que há aqui, nesta sala. E vamos fazê-lo para construir um conhecimento que não é só um conhecimento sem mais, mas sim que é um conhecimento, por um lado, emocionado, ou seja, que tem que estar vinculado com nossas vidas, com o que nos importa. E, por outro lado, é um conhecimento para agir, para provocar ação, neste caso, da Administração, mas também para provocar uma ação em nós e em nós mesmas.

TERESA RASCÓN: Bom, eu primeiro me somo a essa boas-vindas do Nacho. É uma alegria ver aqui tanta, tanta diversidade. E, sobretudo, é uma alegria que tenhamos este espaço para poder discutir com confiança e livremente a pergunta fundamental que nos traz hoje aqui, com este workshop, que é o que está acontecendo, o que não está acontecendo na escola, para que muitas crianças e meninos não se sintam hoje incluídos nela. E isso é um pouco o motivo do dia de hoje, da jornada de hoje, fazer um diagnóstico sobre o que está acontecendo e, a partir daí, pensar juntos o que podemos fazer para conseguir essa escola dos nossos sonhos, verdade? Essa escola que todos queremos e todas queremos. Por aqui dizem sim, os alunos. Então, na realidade, hoje é o primeiro encontro presencial do workshop, mas este workshop começa já há alguns dias quando começamos a solicitar uma série de vídeos às famílias, aos estudantes. Às famílias pedimos, se lembram, que contassem uma alegria e, bom, e algo… Uma dor. Uma dor. Uma dor. E aos estudantes pedíamos que contassem quando se tinham sentido um a mais e quando um a menos. Bom, agradecemos de antemão a grande quantidade de vídeos que recebemos. Muito obrigado. Evidentemente, não podemos projetar todos aqui porque temos um tempo muito curto, mas quisemos começar recolhendo uma dessas vozes dos estudantes, que é a voz do Fabricio. Não sei se está preparado por aí o vídeo. E bom, ele vai nos contar quando se sentiu um a mais e quando um a menos.

Bem, como vocês veem, Fabricio nos contava quando se sentiu um a mais. E quando se sentiu um a mais? Pois quando utilizava uma linguagem que às vezes é pouco valorizada na escola, que é a linguagem da arte e outra maneira de nos comunicarmos, não é mesmo? Mas também dizia, às vezes me senti um a menos. Quando me senti um a menos? Pois o que nos dizia Fabricio é que se sentiu um a menos quando não acompanhava ou notava que não acompanhava o ritmo de seus colegas. O que isso nos diz? Pois o que nos diz é que a educação inclusiva é um processo coletivo. Precisamos de todos e todas, sem exceção, nessas salas de aula. Bem, como eu dizia, este workshop está dividido em dois momentos fundamentais. Há um primeiro momento, que é o que vamos viver hoje, que é de diagnóstico. Sim, iniciarão algumas propostas, mas sobretudo o que queremos é responder a essa pergunta que colocávamos no início. E haverá um segundo momento amanhã, mais aprofundado, onde analisaremos ou trabalharemos conjuntamente, contando com todas as vozes que estão aqui, nessas propostas de melhoria. Esses serão os dois grandes momentos que se encadearão com distintas assembleias e oficinas, que vamos organizar ao longo do dia, entre hoje e amanhã.

IGNACIO CALDERÓN:Bom, vamos continuar. Após esta apresentação que estamos fazendo, começaremos com a primeira assembleia. Vamos, como dizia Tere, vamos encadear assembleias e oficinas. As assembleias são espaços nos quais compartilhamos experiências, saberes, emoções, propostas. São espaços nos quais contamos, em grande medida, coisas que são íntimas. O que nos interessaria é que este espaço que começa agora, assim como Fabricio acabou de compartilhar algo que é íntimo, que é parte de sua experiência escolar, o que gostaríamos é construir a proposta que emana deste espaço, deste workshop, a partir desse compartilhamento íntimo de cada um e cada uma. Esse compartilhamento também tem que levar em conta, gostaríamos de advertir sobre isso, embora vocês tenham sido advertidos desde o início, quando fizeram as inscrições. Isto agora mesmo é uma grande praça pública. Ou seja, estamos em um espaço que está sendo gravado, no qual queremos aprender do que nós contamos, de modo que, assim como convidamos vocês a contar parte de sua experiência, também dizemos: contem apenas a parte de sua experiência que vocês queiram compartilhar nessa praça pública que é a Internet, porque esta gravação depois será publicada. De modo que tenhamos muito presente o tempo todo isso e, tendo isso em conta, compartilhamos o que entendermos valioso. Contar histórias, como acabou de contar Fabricio, nos permite entrelaçar nossa história. Ou seja, que a história de Fabricio tem a ver também com minha própria história. E o que pretendíamos com esta coleta de vídeos, de experiências, era como essas histórias poderiam nos dar clareza para nossas próprias histórias, para irmos pensando como vivemos nós a experiência de estar na escola. Ao entrelaçar as histórias, vamos construindo algo coletivo e isso tem um grande poder. Tem o poder de que o que estamos construindo transcende a história de Fabricio, transcende a história de Nacho ou a história de Tere, porque o que estamos é construindo algo que nos abrange a todos. No entanto, temos muito pouco tempo. Ou seja, temos dois dias, mas temos muito pouco tempo para construir. Então, temos que ter muito claro todos e todas que temos, apesar de termos tempo, temos muito pouco tempo para falar. E isso implica que assumamos que temos que gerenciar muito bem nosso tempo. As intervenções, vamos tentar que sejam de dois, três minutos. Intervenções breves. Intervenções que permitam que haja muita conversa. Intervenções que permitam que haja muita conversa. E isso implica que pensemos muito bem de toda a sua história, de toda a sua trajetória como mãe ou como docente ou como estudante, de tudo o que você viveu, o que é que lhe parece fundamental que deveria contar aqui e que deveria contar ao Ministério da Educação da Espanha. Que é forte, não é? Que é forte. Diz, pois isto que me aconteceu, isto tenho que contar eu ao Ministério da Educação da Espanha. Mas também, isto que me aconteceu, tenho que contá-lo eu a esta gente que está aqui ouvindo sem julgar. E sim, ouvindo para tentar aprender e construir algo novo. Então, temos que priorizar, isso se chama categorizar a experiência e a categorização é um dos passos fundamentais que fazemos os pesquisadores educacionais. Então, aqui o que temos é quase 200 pessoas fazendo pesquisa educacional. Isso se chama ciência cidadã, é construir o saber a partir das pessoas comuns e correntes, construir o nosso saber que questiona em muitas ocasiões os poderes que muitas vezes nos submetem. E nesta ideia trazemos o segundo vídeo, o vídeo de Abril, que vamos projetar agora para continuar também com essas vozes, construindo o que vem a seguir.

TERESA RASCÓN: Bueno, pues después de esta otra experiencia tenemos que continuar porque, como dice Nacho, tenemos poco tiempo, pero ese tiempo es muy valioso por lo que hemos tenido que organizarlo muy bien. Bueno, pues vamos a comenzar con una asamblea en la que haremos una lluvia de ideas para contestar a esa pregunta que planteábamos al principio, ¿no? ¿Qué está pasando en nuestras escuelas para que haya muchos niños y niñas que no se sienten incluidos? Una vez terminemos la asamblea y esa lluvia de ideas, nos iremos al almuerzo a las dos de la tarde, que lo pondrán por aquí fuera. Y, mientras tanto, durante un ratito, pues un grupo de facilitadores nos vamos a reunir para, de todas las temáticas que habéis ido sacando cada uno de vosotros en esta primera asamblea, sacar algunos temas importantes que pueden aunar otros y que sean motivo de los talleres que después vamos a celebrar. Es decir, que los talleres, los temas de los talleres van a emerger de esta primera asamblea, ¿vale? Entonces, una vez se hayan decidido los temas, al principio del almuerzo, en cuanto vayáis terminando de almorzar un poquito antes de las cuatro de la tarde, os vais pasando, ahora nos dirán por dónde estarán colocados los papeles, dónde os podéis ir apuntando a los talleres. Hay que apuntarse porque el aforo es muy limitado, ¿vale? Me parece que son en torno a unas cuarenta plazas por taller. Entonces, nos tenemos que ir apuntando al que nos interese. Después de esos talleres, que se iniciarán, como digo, a las cuatro de la tarde, habrá una pausa para el café. Y tras la pausa del café, haremos una puesta en común de lo que se ha tratado en los distintos talleres. Así, aquellos compañeros y compañeras, aquellos alumnos y alumnas que no hayan tenido la oportunidad de estar en todos los talleres, pues hagan una idea de qué ha pasado en esos otros espacios. Y tras esta puesta en común, la idea es que hagamos una asamblea final. En esa asamblea final, si bien vamos a profundizar en el análisis de este diagnóstico que comentábamos antes, ya va a ser también un momento en el que van, como decíamos al principio, la idea es que vayáis ya elaborando algunas propuestas de acción. Aunque mañana será el día en el que trabajemos más sobre estas propuestas, bueno, esto puede ser un inicio para comenzar el trabajo de mañana. Entonces, ese va a ser un poco el planning que hemos hecho para hoy, pero tenemos que cumplir muy bien con los tiempos, para que todos y todas tengamos la oportunidad también de tener nuestro ratito para expresar qué opinamos y qué podemos proponer en este sentido.

IGNACIO CALDERÓN: Importante, como decía Tere, el límite de tiempo, asumir el límite de tiempo y que no te lo tengamos que decir, oye, ¿qué te has pasado de tiempo? Pero vaya, que no os preocupéis que os lo decimos. O sea, que no hay problema, ¿vale? Si os pasáis, te vamos a tirar de la oreja sin problema. Cuando alguien toma la palabra, levanta la mano, se le pasará el micro. Es importante que todo lo que se diga, se diga con el micro, porque todo se está grabando y para que la grabación esté correcta, que se diga con el micro. Y lo primero que hacemos es presentarnos. Hola, soy Nacho, vengo de Málaga. ¿Vale? Y nos ponemos de pie. O sea, te pones de pie. Hola, soy Nacho. Y vengo de Málaga o te presentas como quieres y ya cuentas lo que quieres, ¿vale? Cuando alguien habla, el resto... Escuchamos. Pero escuchar es escuchar. Escuchar es querer entender lo que la otra persona está diciendo o lo que la otra persona está contando, ¿eh? Con respeto a la persona y a su experiencia. Y lo que vamos a tratar de construir es una agenda ciudadana. Es una agenda de cómo la ciudadanía puede impulsar el plan estratégico del ministerio y también qué papel tenemos nosotros en el impulsar la educación inclusiva. Bueno, antes del último vídeo con el que vamos a comenzar ya la primera asamblea, yo quería dar las gracias a los intérpretes, a los técnicos que están haciendo la labor de que todo esto quede grabado, a los técnicos del ministerio por el trabajo que han ido desarrollando y, bueno, y a todos y todas por haber venido aquí. Pasamos ahora al tercer vídeo, que es el de Martín, Héctor y Lucas.

Ahí va el primer tema, ¡pum! Primer tema. La pregunta no era baladí, la pregunta que se hizo es una pregunta diseñada por otro estudiante. Hay un vídeo de él, Antón, que dice que de hecho él escribe su historia en una afirmación de que es uno más, no uno menos. Hablar de uno más y uno menos tiene que ver con lo que dice Héctor. To be or not to be. Ser y estar o no ser y estar en la escuela. Y aquí se abre la palabra.

ALEJANDRO: Hola, buenos días. Soy Alejandro, el padre de Rubén Calleja. Muchos me conoceréis seguramente porque ya llevamos una trayectoria muy grande de muchos años de lucha y resistencia por la defensa del derecho a la educación inclusiva. Vengo de León y, bueno, quisiera contar una anécdota que ha ocurrido hace poco, nadie conoce, normalmente hablamos mucho, pero bueno. Es una anécdota que me llamó la atención de hace una semana. Rubén es un joven con síndrome de Down que está trabajando en un centro de Alzheimer, en una empresa ordinaria. Es el único trabajador con discapacidad que está trabajando en el centro de Alzheimer. Y llegó para hacer el ingreso una familia al centro de Alzheimer de León. Y, bueno, el familiar que llevaba a la persona con Alzheimer reconocía a Rubén, que está allí, lógicamente, haciendo labores, trabajando. Y comentó a la administrativa que iba a hacer el ingreso con la guerra que nos dio su padre en la dirección provincial. ¿Cuánto le tuvimos que aguantar y cuánto tuvimos que soportar las presiones que nos venían por la lucha que llevaba esta familia? Claro, la administrativa, Rubén, ya lleva ya unos cuantos años trabajando en este centro. Sabe perfectamente nuestra historia, el León es muy conocida. Y le dijo, pues, lo mismo que tú quieres que tu familiar se le reconozcan los derechos y esté bien atendido, eso es lo que buscaba el padre de Rubén. Que se le reconociese su derecho a la educación inclusiva y que estuviese bien atendido. Pero ya no volví a hablar.

IGNACIO CALDERÓN: Alejandro, yo diría, perdona que te interrumpa, diría, es que hay mucha gente que no conoce vuestra historia. Entonces, no des por sentada la historia en un minutito.

ALEJANDRO:Esse é o que eu vi. Queria começar com a anedota, entre aspas, que é muito importante. E, bom, a nossa história, pois, são 15 anos de luta e resistência. Temos lutado pelo direito à educação inclusiva do nosso filho. Com 10 anos, Rubén foi afastado da escola regular, na qual esteve perfeitamente escolarizado e integrado. Até que surgiu, pois, um professor que não o quis na sala de aula. E aí ativou-se toda a maquinaria de relatórios psicopedagógicos, pareceres de escolarização. E, no final, pois, bom, o parecer ditou o centro especial. Nós nos negamos, logicamente, Rubén nunca pisou o centro especial. Aí iniciamos uma luta a morte com a administração educativa, com a política educativa deste país e com um sistema que não nos quis. Não quis Rubén e não quis a sua família. A Rubén rejeitou-o, discriminou-o. Nunca o pôde segregar porque nós não o permitimos. A nós custou-nos, como pais, sofrer o assédio tanto da administração educativa como até mesmo do Ministério Público para Menores, que nos denunciou por um crime de abandono de família, por não levar o nosso filho ao centro especial. E o promotor de menores de León imputou-nos um crime penal de abandono de família. Crime penal. Por defender o direito humano fundamental do nosso filho à educação inclusiva. Tivemos que ir a julgamento, ganhámos-lhe, mas foi uma pressão tremenda, incrível a que tivemos que suportar, porque nos poderiam ter tirado a pátria potestade, poderíamos ir para a prisão, estávamos dispostos a ir para a prisão por defender o nosso filho, e no final conseguimos, e logicamente, desde então, que saibamos, a Administração já não voltou a denunciar realmente nenhuma família, porque quem está a falhar é a Administração, o sistema está a falhar, que rejeita e discrimina, não as famílias e muito menos o aluno, ou seja, o mundo ao contrário, temos que estar a lutar para que se reconheça um direito reconhecido, que é um direito constitucional e um direito que está na Convenção de Direitos Humanos, das pessoas com deficiência, e que são de cumprimento obrigatório neste país. Não é uma coisa que, bom, se quero, sim, se quero, não, não, não, não, não. O direito é do menor e tem que ser sim ou sim. Conseguimos duas sentenças muito importantes, porque no final de todo o processo tivemos que chegar até à ONU, para que se reconhecesse o direito e a dignidade de Rubén, e depois do parecer do Comité da ONU, que nos deu razão, depois de não nos ter dado o Tribunal Constitucional, nem Estrasburgo, nem as instâncias superiores, tivemos que recorrer para que o Estado acatasse o parecer do Comité da ONU, que é de cumprimento obrigatório, sim ou sim. E tivemos que ir por duas vezes ao Tribunal Supremo, para que agora sim, já, porque o parecer obriga, agora sim, o direito e a dignidade de Rubén ficou judicialmente reconhecido, inclusive tem que nos ser abonada uma indemnização por isso, e criámos uma base e uma jurisprudência que aí está, e contra ela a Administração não pode, não tem o poder para rejeitar e discriminar os estudantes. Então, aí temos que andar, temos que continuar, temos que lutar, ainda hoje em dia, há tanta ou mais discriminação do que há uns anos, parece mentira, mas a base jurídica para lutar e disputá-la está aí, conseguimo-la e temos que continuar. Obrigado.

ALICIA: Hola, buenos días a todos. Yo me llamo Alicia, vengo de Cantabria, y soy de una asociación que se llama Famundi, que es de familias adoptivas y acogedoras, pero en este caso vengo representando a Cora, que es la coordinadora a nivel nacional de todas las familias adoptivas y acogedoras de España. Yo quería decir que muchos de los niños que acaban en el sistema de protección de menores tienen problemas en la escuela, porque normalmente presentan patologías que la escuela no quiere ver, que tienen que ver con el pasado, porque muchos han sufrido malos tratos, abusos, y todo eso influye en el aprendizaje de estos niños en el comportamiento, suelen ser muy disruptivos, y luego los diagnósticos que se hacen en la escuela son casi todos erróneos si es que se hacen, porque muchas veces no se hace ni diagnóstico, ¿no? El diagnóstico es que las familias no sabemos educarlos y que ellos son unos malos educados o unos vagos. También muchos de ellos sufren discriminación por el hecho de ser adoptados, o muchos de ellos son racializados y también sufren discriminación. Hay muchos prejuicios, tanto en docentes como en todo el colectivo de la escuela, referente a la adopción y al acogimiento, y es una pelea que llevamos las familias desde hace muchos años, y todavía hemos conseguido poco, la verdad, muy poco hemos conseguido. Y nada más.

IGNACIO CALDERÓN: Para las intervenciones sí que diría que en la medida de lo posible, tengamos en cuenta que hay diferentes edades, desde muy pequeñitos hasta muy grandecitos, en la sala intentemos regular el lenguaje para que pueda servirnos a todos, en la medida de lo posible.

MARI CARMEN: Hola, mi nombre es Mari Carmen, vengo de Pedro Muñoz, un pueblo de Ciudad Real, Castilla-La Mancha, y, bueno, en primer lugar, tenía dos cosas en mente, y lo siento, pero son negativas. Una, el maltrato institucional que sufre el alumnado y las familias, como ponía, por ejemplo, Alejandro. El maltrato institucional que recibimos las familias, no solo por falta muchas veces de contestación, directamente etiquetar, clasificar y decidir sobre el alumnado, sin dar opción a qué opine ni el alumnado ni la familia. El maltrato institucional cuando intentas denunciar esas situaciones y nadie te hace caso, incluido el real patronato de la discapacidad, como fue nuestro caso. A las familias y al alumnado no se las suele escuchar, y eso es algo que yo me gustaría que de aquí saliera ese cambio, que se escuche a las familias, que creo que por eso estamos aquí, y al alumnado, muy importante. Y otro punto negativo que nosotros encontramos en el funcionamiento del sistema educativo es la inspección, la inspección educativa. Echamos mucho en falta, y es algo que nosotros hemos intentado trabajar en el plan estratégico de inclusión educativa de Castilla-La Mancha, que está ahora en proceso final, Y es que inspección inspeccione y se asegure de que el trabajo se está haciendo bien, de que no existe una discriminación, de que la normativa se cumple. Y luego también tengo que decir que hay mucho docente, mucho profesional muy bueno que quiere trabajar, que tiene muchas ganas de incluir y que no se les deja. No se les deja porque el sistema no les deja, no les da opción. Porque cuando un profesional acude a estas cosas y se va cargando las pilas y dice, cuando llega a mi centro esto va a ser de otra manera. Y llega al centro y tiene un equipo directivo que le dice, quieto, quieto, que aquí tenemos los recursos que tenemos. Porque hablamos mucho de los cambios que hay que hacer, pero para eso hay que poner recursos, además de formación. Y formación obligatoria, porque no podemos permitir iniciar un cambio en el sistema sin iniciar una formación obligatoria en inclusión. Y en inclusión en general, no solo en discapacidad. Porque sabemos que hay muchas DEA y si vamos formando, vamos segregando, vamos a formar en DUA, en los diferentes sistemas que tenemos de formación para poder llegar a todo el alumnado.

MERCEDES SÁNCHEZ: Buenos días. Bueno, lo primero agradecer la posibilidad de este espacio tan enriquecedor. Me llamo Mercedes Sánchez, soy profesora de la Facultad de Educación de la Universidad Complutense. Una facultad en la que formamos a la gente de magisterio y a la gente de secundaria con el máster de formación del profesorado. En relación con el que falta, yo veo tres cosas muy claves. Lo primero, que en el sistema educativo, empezando por infantil y terminando por la universidad, se invisibilizan todo el rato realidades. Cuando hablamos de diversidad, se asocia a diversidad funcional, estamos dejando de lado diversidades etnicoculturales, diversidades exogenéricas, diversidades familiares. Lo hablaba la madre de las familias adoptivas. Realmente es que se invisibilizan todo el rato un montón de diversidades. Entonces, ¿cómo se va a incluir algo que ni siquiera se menciona en ninguna etapa educativa? Por otro lado, este adultocentrismo tan grande que se recoge, no se escucha la voz del alumnado, ni de las criaturas pequeñas, ni casi de estudiantes de las facultades de educación. Y por último, a mí me parece algo fundamental, el tema de los recursos. Tiene que haber un control de qué está pasando en las comunidades autónomas. Yo vengo de la comunidad autónoma de Madrid y a mí me parece una cosa alucinante lo que está sucediendo, primero, con las ratios, con los salarios del profesorado. Que es que yo hablaba con una maestra 0-3, que estamos ahora 0-3 en una lucha encarnizada. En el País Vasco cobran el doble que en Madrid. Entonces, algo desde el Ministerio que vea qué está pasando con los fondos destinados a la inclusión educativa, desde las diferentes comunidades autónomas y que está pasando sobre todo con las ratios, porque es que con las ratios que tenemos realmente es muy complejo. Y que está pasando también con los planes de formación de profesorado y de la formación permanente del profesorado a que se está dando importancia. Gracias.

BELÉN: Hola, yo soy Belén, vengo de Zaragoza. Y bueno, supongo que no lo sabréis porque tengo una discapacidad que es invisible, que si no me hago una coleta pues no lo veis. Soy sorda de nacimiento, tengo discapacidad auditiva y puedo escuchar gracias a dos implantes cocleares que tengo. Me parece increíble que hagáis esta iniciativa para conocer las realidades que se ocultan en las escuelas. Yo he terminado la universidad y pues conozco diferentes realidades que he ido pasando durante todos mis ámbitos escolares. Y nada, pues aquí quería comentar ahora mismo pues que el año pasado hubo una realidad que... Tenemos la obligación de hacer el examen de la PAU, que antes era de EVAU, bueno pues la PAU, para pasar a la universidad. Pues el año pasado un compañero nuestro que vengo de Fiapas le hicieron quitarse las prótesis auditivas para realizar el examen. Cosa que es un derecho nuestro el poder escuchar, el poder oír y que lo necesitamos para hacer el examen. Cualquier indicación que nos vaya a dar el profesorado o cualquier cosa, pues me parece muy injusto que todavía siga pasando hoy en día esto. Además sabiendo que él había pedido adaptaciones y que iba con adaptaciones que el tribunal ya lo sabía y los docentes con los que iba a hacer el examen también lo sabían. Entonces pues eso, creo que todavía faltan muchas cosas por cambiar y que la realidad que sí que estamos luchando por conseguir una educación inclusiva, pero que todavía faltan esas pequeñas cosas que no nos pueden quitar el derecho de oír.

BELÉN JURADO: Hola, buenas. Yo soy Belén, madre de dos hijos. Tengo a Lucía con 18 años con autismo y tengo a Marcos con 15 años sin autismo. Yo últimamente, debido a nuestra experiencia en la escuela, que ha sido muy muy mala, horrible, pues a Lucía la diagnosticaron con tres añitos, la metieron en una aula TEA porque no tuvimos opción de otra cosa y en la aula TEA se ha pasado día tras día, de curso tras curso, pues hasta ahora que tiene 18 años y ya sale. Yo pienso mucho últimamente en el valor de las personas, en el valor de mi hijo o en el valor de mi hija. El valor de mi hija en el sistema educativo ha sido cero patatero. Nunca la han querido, nunca han contado con ella, no ha podido ir a excursiones, no ha podido estar en su clase ordinaria con todos los compañeros, pero el valor de mi hijo sí ha sido de un 10, ¿no? Él no tiene autismo, entonces sí ha podido estar en excursiones y sí ha podido estar en su clase ordinaria, sí ha podido participar de todo. Para nosotros, para mi familia, mis hijos tienen el mismo valor, pero para el sistema educativo y para la sociedad en general no tienen el mismo valor. De hecho, mi hijo dentro de unos años tiene oportunidad de estudiar una carrera, un ciclo o lo que le dé la gana. Mi hija, el año que viene, después de toda la lucha que hemos tenido para que estuviera dentro de un aula ordinaria, nada más que su derecho, ¿no? Que eso que te venden muy bonito de que va a estar en el aula TEA cuando necesite, pero luego va a estar en el aula ordinaria casi todo el tiempo, en nuestra experiencia es falso. Al revés, se ha tirado mucho más en el aula TEA. Entonces, mi hijo el año que viene estudiará una carrera, en el curso, en los siguientes, y mi hija el año que viene se va a educación especial porque no hay otra opción. Tenemos que llevarla a un colegio de educación especial con la que no estamos de acuerdo porque creemos que es segregación, al igual que las aulas TEA, y eso es la única opción o dejarla en casa. Tiene 18 años, se le ha negado todo durante todos estos años en la escuela. Si se paras en la escuela, se paras para la vida entera, como decía una amiga, La separaron desde el primer día con tres añitos. Va a estar separada hasta que muera porque la escuela debió hacer su trabajo de no separarla, sino de estar con todos, como era su derecho. Nuestra experiencia ha sido horrible. Muchos me conoceréis. Yo soy Belén Jurado, vivo en Madrid y suelo compartir todas nuestras experiencias por redes sociales. Yo creé lo de él y no pasa nada, que son muchas experiencias reales de prácticas educativas que se silencian y que se ocultan en las escuelas y que existen, pero que no pasa nada porque existan. Nadie va a hacer nada y me gustaría también que luego saliera en algún taller. ¿Qué tenemos que hacer las familias para que se nos escuche, como han dicho antes? ¿O qué tenemos que hacer las familias para que nuestros hijos a los 18 años salgan del colegio y no tengan a dónde ir? Solamente le den la opción de educación especial. Muchas gracias.

DANIEL: Me llamo Daniel. Ahorita estoy en el espectro, fui recogido dentro del espectro como hace unos años. Y una cosa que, desde que he estudiado aquí, desde que bueno, ya estoy unos años ya fuera del colegio, pero en todos los años que he estado en el colegio, una cosa que siempre he notado y siempre me ha impactado era la falta de empatía, la falta de educación y la falta de... Y también la falta de empatía, educación y tolerancia. Que especialmente entre los chicos de los años que estuve, todos actuaban de una forma. Y si no eras visto actuando de esa forma, eras el forastero, eras lo que nadie quería. Y todos estén dispuestos a hacer lo que sepas, que no eras querido en ese ambiente. Y en casi todos los institutos que he ido aquí, hasta en mi primer centro de FP, había poco, poco se hacía cuando había ese tipo de problemas. En todos los centros y colegios que he estado, solo dos donde realmente hicieron alguna cosa respecto de eso. Y eso es todo.

FEDERICO:Boa tarde, meu nome é Federico. Eu venho de Sevilha e represento a Associação de Professores com Ciganos. Tenho aqui também uma colega de Madri, mas bem, vou começar eu. Com a pergunta de um mais, um menos, eu acho que o primeiro problema, e para todas, não? Para todas as deficiências, imigrantes ou povos ciganos, o primeiro problema é o etiquetamento. E o etiquetamento se dá, infelizmente, desde a infância por culpa, não somente das próprias famílias, mas por culpa do próprio sistema educativo, que nos vendem quando nos formamos, que não se pode etiquetar, mas a primeira coisa que se faz é o etiquetamento no centro educativo. O que isso produz? Estereótipos, preconceitos, racismo. E enquanto, no caso dos povos ciganos, quanto mais racializada for a pessoa, mais terá, mais estereótipos, mais preconceitos e maior discriminação desenvolverá ao longo de sua trajetória educativa. Mais ainda, se colocarmos a desculpa, que não é essa a única desculpa do problema residencial, porque os centros gueto não são somente um problema residencial. Existem centros gueto por outros problemas, que é multidiverso, vamos diretamente. Então, pois pior ainda nesse sentido. E neste plano de educação inclusiva, que nós estivemos tentando aportar a parte teórica, pois isso é o primordial, erradicar o tema da segregação escolar e evitar futuros centros segregados ou guetos. E assim como existe o micromachismo, existe também o microrracismo e o microrracismo institucional. Eu, por sorte ou por azar, estou nos processos de reassentamento de famílias ciganas. E quando não se está em um processo em data de matrícula, pois o processo é ir à direção com o chefe de inspetores. O chefe de inspetores te dá a carta para ir ao centro educativo atendendo à proximidade e necessidade dessa família. E se a primeira estampa que você encontra é um colégio que é racista, pois imagine a família como será atendida no terceiro ou quarto dia quando se acompanha. E isso tem que ser trabalhado, porque, infelizmente, a cada dia nos encontramos com mais professores muito, muito trabalhadores, mas também nos encontramos com professores e professoras, mestres e mestras, que nos dão um pouco com a maior riqueza dos centros educativos, que são as diversidades. E outra coisa mais importante que demonstra tudo isso é quando nos encontramos com pessoas ciganas não racializadas. Em muitos lugares estivemos onde dizem, não, mas aqui não há ciganos. E te dizem barbaridades, não, se aqui não são assentados, aqui vêm lavados, aqui vêm todos limpos. E isso se dá desde os centros educativos de infantil e primário, bacharelado, inclusive em universidades públicas e privadas. E esses aspectos têm que ser trabalhados para realmente ter um centro educativo inclusivo. Obrigado.

JOAQUÍN:Olá? Bem, antes de mais nada, obrigado pela oportunidade de nos reunirmos tantas pessoas que vêm para refazer a escola. Bem, vou apresentar a experiência como professor. Sou professor do ensino secundário, educador social, cooperante em educação transformadora para o desenvolvimento. E o que encontro nas minhas salas de aula, o que encontrei nas minhas salas de aula, são principalmente três muros. O muro da primeira avaliação. Sou professor do ensino secundário. Quando, depois de passar por uma experiência primária pouco traumática, chegam raparigas e rapazes e reprovam em oito disciplinas na primeira avaliação, não é? E começa a ladainha de como puderam passar do ensino primário e depois reprovar em oito. Bem, o problema é, creio que é outro, não é? O problema é uma cultura do exame sem acompanhamento, sem relação de ajuda e uma conflitualidade fabricada pelo próprio sistema, daí que se chame o centro de difícil desempenho, que afeta especialmente os estudantes ciganos, também os marroquinos, estudantes afrodescendentes e romenos e, claro, estudantes com deficiências, que não concordam em ser separados do grupo, que não querem estar numa sala de aula específica dentro do centro regular. Isso o que produz, já disse, é conflitualidade, salas de aula do suor onde ninguém quer estar, nem os estudantes, nem as famílias, nem o próprio corpo docente. Depois temos outro muro, que é o muro da crivagem, não é? No segundo e terceiro anos do ensino secundário, estudantes com mochilas de reprovações enormes, não é? Sem expectativas de sucesso, que começam a faltar de maneira sistemática, não é? E só vêm para que os serviços sociais não intervenham. Isso produz abandono precoce aos 16 anos e afeta todas as pessoas que mencionei anteriormente, as que ainda estão. Resta-lhes ainda o muro do limbo no quarto ano do ensino secundário e na formação de grau médio. Purifica-se e exclui-se quem é visivelmente diverso, não é? Isto afeta os estudantes racializados e, para além dos estudantes com deficiência. Recomenda-se que evitem o bacharelato e o ensino superior. Rebaixa-se a nota média destes estudantes, com o que não podem aceder à maioria dos ciclos de grau médio. E isto, já disse, é especialmente grave no caso das pessoas com deficiência, porque nem sequer lhes é dado o título do ensino secundário. E argumentam e alegam que é que não cumprem os mínimos, não é? Ou seja, parece-me tremendo.

IGNACIO CALDERÓN: É o teu nome, por favor? Joaquín.

Eu primeiro, sim que gostaria de ouvir os miúdos e depois falo eu. Porque estão aí à espera. Primeiro aqui.

NEYÉN: Olá, o meu nome é Neyén. Olá, o meu nome é Albert. E queremos contar-vos uma história que nos aconteceu na nossa escola que vimos e que não gostámos, a verdade, que muito. Nós estávamos no pátio da cantina, ok? E estávamos a jogar e de repente vimos que umas crianças atiravam pedras a uma menina que, por assim dizer, tem como uma espécie de autismo, não é? Que, pois não se sabia defender, tal. Ela pensava que era uma brincadeira, mas essas crianças não o estavam a fazer a modo de uma brincadeira. Estavam a fazê-lo porque lhes parecia divertido atirar-lhe pedras. E então nós, a menina, meteu-se na casa de banho, não é? Para se esconder. E as crianças foram atirando pedras para entrar na casa de banho. Há como uma espécie de vidro. Atiraram pedras ao vidro, tal. E então pegámos, entrámos e o meu amigo Albert disse a uma criança, ei, o que estás a fazer? A criança disse, atirar-lhe pedras. E Albert disse, porquê? E ficou em branco. E depois fomos a um monitor da cantina. E dissemos o que estava a acontecer, tal, resolveram um pouco e agora vai falar ele.

ALBERT:Bom, e no final nós arrumamos, tá? De qualquer maneira, tentamos arrumar. Sim, arrumou-se. E nós, pois, é que não temos muitos monitores no refeitório. Temos um para cada turma, ou seja, para duas turmas. E somos 46 crianças, mais ou menos, em duas turmas. E então queríamos dizer isto porque queríamos ter mais monitores no refeitório. Porque senão há mais problemas no refeitório.

IGNACIO CALDERÓN:Vejam bem, adorei a vossa anedota de Neyén e Albert, mas eu pergunto, como é que vocês arranjaram isso? Porque ele disse que de qualquer maneira, eu quero saber qual era essa maneira.

NEYÉN:Bom, então, fomos falar com o monitor do nosso curso. Um, ou seja, aquele que estava a atirar pedras, levámo-lo ao monitor. E então o monitor falou com ele e dissemos-lhe para não voltar a atirar pedras às pessoas. Nem a ela nem a mais ninguém.

ESTIFO:Sim. Eu sou Estifo e venho também com a minha mãe de Cora. Mas bom, eu vou falar agora como estudante de Magistério de Educação Infantil e em relação um pouco com o que as crianças disseram. E simplesmente que eu acho que algo que tem de mudar em relação à pergunta que vocês fizeram no início é que é preciso mudar um pouco os objetivos do ensino. Ou seja, não nos centrarmos tanto nos conteúdos curriculares típicos como matemática, língua e tudo isso, que está muito bem. Mas eu acho que se queremos uma mudança, sobretudo para a inclusão, é preciso centrar-se em criar cidadãos que estejam preparados para a sociedade, para a diversidade. E simplesmente, pois sim é verdade que o que eu disse, as matemáticas e tudo isso é muito importante e não se pode deixar para trás. Mas sem incidir desde a infância, o ensino primário, sobretudo, que são os mais pequenos, na criação de cidadãos e saber o que os prepara para a sociedade, o que é a sociedade. Porque muitos, pois igual no ensino primário, na infância, não entendem isso. E se não começarmos a partir daí, nunca chegaremos a essa mudança que estamos a procurar com isto, por exemplo.

JESÚS MARTÍN:Oi, estão me chamando, a verdade, estão me chamando. Bom, em primeiro lugar, por alusão, queria pedir desculpas à mãe que diz que não a ouvimos do Real Patronato à disposição. As portas estão abertas para te ouvir e, em primeiro lugar, quando quiseres, claro. Minha colega Carmen está aqui e, em primeiro lugar, desculpas. Como o que me interessa muito neste workshop é, claro, ouvir adultos, ouvir Neyén, Albert, os miúdos que estão aqui. Porque, claro, estamos falando de não rotular, de inclusão. Mas depois isto, como eu fui um miúdo com deficiência, o que é que eu fazia? A minha deficiência é muito visível. Muito visível e além disso está associada a questões muito chave como a risada, o anãozinho, o bobo da corte, todas essas coisas, certo? Então, ou seja, claro, vais procurando estratégias. Eu venho de uma vila muito pequena, de Cáceres, onde era um ambiente protegido, de alguma forma, todos me conheciam e todos me tinham visto crescer, não, porque não cresci muito, mas todos me tinham visto desde sempre com este corpo e eu era mais um, não é? Vou na adolescência, para vossa informação, quando todos se apaixonam menos tu, vou para um macro instituto onde sou o único miúdo com deficiência. E claro, queres sentir-te parte do grupo. Eu, a verdade é que não sei se por ser da vila ou por alguma razão, eu tinha as minhas estratégias ou tive as minhas estratégias para que as pessoas se esquecessem do meu corpo. E eu tive, não sei porquê, tinha dotes de liderança. Mas nem todos os miúdos podem ter essa personalidade. Então, eu ouvindo-os, que, bom, que façam este exercício de denúncia, de proteção, ou seja, isso é difícil. Isso é difícil porque normalmente queres sentir-te parte do grupo. Parte do grupo e essa responsabilidade dar aos miúdos eu acho que às vezes é complicado. Nos programas estes de planos de convivência, essas questões têm de ser tidas em conta. Eles explicavam, explicavam muito bem. Ou seja, como, como aparece, como convive, como convive uma menina com autismo ou uma menina com paralisia cerebral que se comunica através de um computador. O que se explica a esses miúdos? O que se explica a esses miúdos? Explica-se algo, não se explica nada. E depois está o tema dos rótulos, porque aqui fala-se de uma maneira, desde a filosofia, de rotular ou de não rotular. Mas a administração precisa de dar nomes às coisas. Ou sim, ou sim, precisa de dar nomes às coisas. Eu fui um grande defensor dos não rótulos. Mas agora, e sei que isto vai ser disruptivo, mas como isto é uma assembleia, tem de ser disruptivo, tem de gerar debate. Quando se estava a construir a LOSU, a lei do sistema universitário, falava-se das unidades de diversidade. E isso preocupava-me, porque a deficiência no sistema educativo precisa de gasto. Precisa de investimento. E se não dermos nomes às coisas, ficamos desenhados numa amálgama de diversidade, em que evidentemente não é o mesmo, e é preciso dizer as coisas claras, não é o mesmo o que precisa uma pessoa gay, uma pessoa lésbica, digo porque eu também sou, não é o mesmo o que precisa um rapaz com paralisia cerebral autismo. Não é o mesmo. E precisam-se de outros tipos de apoios para que participe da educação. Portanto, é preciso procurar, não sei se a palavra é rotular, mas é preciso procurar ferramentas, ferramentas, para que esses miúdos, esses miúdos e essas miúdas, tenham assegurado o direito à educação. Portanto, cuidado com os miúdos, ou seja, como se está a fazer. Perguntemo-nos também de onde vêm essas resistências, de onde vêm essas resistências. Se é medo, porque quando ouvi vozes que defendem a educação especial, que também são valiosas, o medo delas é que o seu filho não sofra na escola. Porque a educação regular não é educação inclusiva. Não nos enganemos. Não é educação inclusiva. E este plano é sobre isso. É sobre dar uma volta de campana ao sistema educativo para que acolha meninas como a filha de Rocío, como eu, ou como meninas e meninos ciganos. É sobre isso. Dar uma volta de campana. E é preciso olhar para os miúdos como estão a ser atendidos, mas é preciso olhar também e é preciso repensar-se a si mesmo. Desculpem. Obrigado.

MARIA JOSÉ: Olá. Meu nome é María José. Sou a mãe de Raúl, um menino com grandes necessidades de apoio e que não tem voz. E estou aqui para dar-lhe voz. Desculpem-me, estou um pouquinho nervosa. Eu queria comentar com o Jesús que meu filho... Desculpe, Jesús. Ouça-me. O que meu filho tem, vou dizer o que foi diagnosticado. "Você foi tocado". Ou seja, não posso colocar um rótulo no menino porque é um "você foi tocado". Ele tem grandes necessidades de apoio e meu filho passou toda a etapa educacional sentindo como não o queriam em nenhum centro. Quero que todos saibam que estou emocionalmente marcada para sempre pelo sofrimento tão grande que eu carreguei. E não estou aqui para dar visibilidade ao meu sofrimento, mas ao dele, que não tem voz. Preciso que entendam que há meninos com grandes necessidades de apoio educacional e de outros apoios que não têm voz e que são humanos e que também querem estar na escola. E eu quero e sempre quis um espaço para meu filho em uma escola regular. Não os expulsem, não expulsem os meninos por não poderem falar ou por terem grandes necessidades. Meu filho é um cidadão de plenos direitos e vocês violaram os dele. A administração, os profissionais, vocês me fizeram muito mal e especialmente ao meu filho. E estou aqui para erguer a voz dele. Por favor, que os profissionais se formem. Parem de nos dizer que nossos filhos não têm o direito de estar em um centro educacional. Mas por favor, por quê? Ele é um ser humano maravilhoso. Ele é um ser humano maravilhoso. Ele tem capacidades que muitos profissionais não souberam ver porque não quiseram ver. Ele não fala. Bem, ele anda. Mas parece que não presta atenção, por favor. Se é um menino que tem a área da comunicação afetada, que não fala, que vocês não lhe proporcionam um sistema alternativo de comunicação, que não tem nem lousas digitais, como querem que ele vos escute se não se entende? Pelo amor de Deus, se não se entende. E ele foi catalogado a vida toda. Por favor, escutem-me. Nossos filhos com grandes necessidades de apoio também são filhos, são crianças. E têm direito a estar em uma escola inclusiva. Desde o primeiro minuto meu filho já é grande. Desde o primeiro minuto que eu soube que Raúl era um menino especial, que me disseram, "você foi tocada?" Esse foi o diagnóstico e é que não sabemos o que ele tem. É que "me tocou". Eu estou super orgulhosa da vida porque me tenha tocado este menino. Ele nos fez uma família maravilhosa. Tenho uns filhos, dois filhos mais velhos, maravilhosos, aos quais ensinei este legado. Lutar pela educação inclusiva. Não quero que meus netos nem as futuras gerações sofram o que eu sofri. E estou vendo que há um retrocesso. Por favor, à Administração eu peço. Por favor, escutem-nos. Há um retrocesso. Há pessoas que querem que fiquemos trancados. Por quê? Porque meu filho tem que ficar trancado? Quero que saibam que há muitos anos eu abri junto com outra mãe uma "aula aberta". Disseram-me que era uma "aula aberta" e eu disse, "Oh, que maravilha!" Isso é o que eu quero para meu filho. Primeira mentira. Não era uma "aula aberta". Tornou-se um gueto. Em um centro. Em um mini centro de educação especial. Em um centro regular. Raúl. Como ele vai entrar nisso? Por favor, como ele vai entrar aqui? Não, homem. Onde vai o Raúl? Sabem onde acabou o Raúl? Debaixo de uma quadra de tênis. Sentado. Era ali onde ele se integrava. No pátio. Seu pai e eu o olhamos. Através da grade e choramos. Quero que essa seja a realidade. Depois chegaram os 16 anos e fomos para um centro de educação especial. Segunda mentira da educação. Não havia educação. Não sei o que acontece. Eu falo para vocês da minha experiência de vida. A história de vida do meu filho. Ninguém acreditou nele. Ninguém lhe colocou uma lousa digital. Ninguém lhe colocou um comunicador. O que fazia o Raúl? Pois, "oh, oh". O que é que ele sabe fazer? Quem dera pudesse ver-me, querido. Para dizer que estou aqui. Para te apoiar. E para apoiar tantas crianças como tu. Para que não lhes façam sofrer o que te fizeram sofrer a ti. Por favor. Só peço isso. E peço muita formação e obrigatória. É que eles não se dão conta que eu não posso, se sou docente, escolher se deste menino eu entendo o que ele tem ou o que ele não tem ou me formo. Temos que ajudar as pessoas nos ambientes regulares. É que isto não faz sentido. E por favor, de verdade que compreendam que por trás de cada criança há uma família. Uma família que sofreu imensamente. Obrigado.

JESÚS MARTÍN: Só uma coisa que não disse antes, que não nos esqueçamos, não nos esqueçamos, estamos num Estado de Direito e eu sempre incentivo, sei que é esgotante, sei que é esgotante e ao medo de Alejandro que se denuncie, que se denunciem práticas que são contrárias ao ordenamento jurídico. Que se denuncie. Ou seja, está bem, este espaço de assembleia é muito interessante, mas também é preciso ir aos espaços de denúncia para denunciar situações que são discriminatórias. Nada mais.

IGNACIO CALDERÓN: Mas, mas, eu diria Jesús, uma coisa é a denúncia individual e outra coisa é o que está a acontecer aqui, que é uma denúncia coletiva.

JESÚS MARTÍN: Estamos a tomar nota, a diretora de educação e eu estamos a tomar nota e isto nasce de uma proposta do governo. Queremos ouvir, mas quando acontecerem coisas flagrantes...

IGNACIO CALDERÓN: Mas é que acontecem muitas. Claro, o que se está a ver é que acontecem muitas. Vale, a ver, por aqui...

LAURA BADÍA: Sí, ahora hemos cambiado porque le quería decir una cosita a Jesús, que es un poco de controversia, pero aprovecho. A ver, bueno, yo soy Laura Badía, presidenta de la Asociación Segundo Maestro, desde... es una asociación que acompañamos a familias de niños con discapacidad para garantizar el derecho a la educación de estos niños. Y antes de que se vaya Jesús, solo decirle, Jesús, que aquí todas las familias que hemos estado escuchando, lo que están dejando de manifiesto es que las instituciones no les escuchan. Y nosotros como asociación hemos invitado en numerosas ocasiones a las familias a que presenten su denuncia, tanto al defensor del pueblo como a la Oficina de Atención a la Discapacidad, y es demasiado constante las respuestas. Esto no es nuestra competencia. Esto no es nuestra competencia. Nosotros lo trasladamos a las personas que son las que tienen la competencia. A mí me duele mucho, a mí me duele mucho como persona que discapacidad. No, no, no, no, es que tengo que hacer pedagogía de esto. Hay que hacer pedagogía de lo que pasa. Cuando a mí me llega una denuncia, una denuncia de un centro concreto, con nombre y apellidos, que está haciendo un acto de discriminación, ¿yo qué hago como Administración General? Yo lo traslado a la Administración competente para que actúe, porque yo no tengo, a mí la ley de discapacidad me impide actuar directamente para sancionar a ese centro educativo. Yo lo pongo en conocimiento de ello. No le puedes sancionar, pero puedes hacer algún informe. Yo hago ese informe, eso se hace, Laura, pero nosotros tenemos que informar a la persona que no somos competentes y que se da traslado con un informe y eso se hace a la Administración competente. Que tampoco responde. Y cuando la familia va al defensor del pueblo, ojo, no todos los defensores del pueblo, es cierto que hay defensores del pueblo de comunidades autónomas que actúan. Y las familias, con un simple informe, hemos hecho esta investigación, hemos solicitado esto a la Administración, a la Consejería de turno y no ha actuado, eso sí que ayuda administrativamente a la familia. No el silencio y el no soy competente, porque entonces las familias, lo que realmente están poniendo aquí de manifiesto, es que están solas. Están solas, nadie es competente, ni la Consejería de Educación, ni el Ministerio, ni el Defensor del Pueblo, ni la Inspección Educativa, ni las Direcciones de Área Territorial, ni la Viceconsejería, o sea, es que nadie es competente. Entonces, no tienen las familias, ningún organismo, ni autonómico, ni estatal, donde hacer llegar sus denuncias y que alguien les escuche. Gracias.

IGNACIO CALDERÓN: Gracias. Vale. Bueno. No, pero no. Es que hay muchas palabras. Hay muchas palabras. Hay muchas palabras. Tienen que ser intervenciones muy breves. Pensad cómo las hacéis para hacerlas muy breves, para que podamos hablar todos y todas.

CAROLINA: Buenos días. Mi nombre es Carolina. Vengo en representación de la Plataforma Canaria de Educación Inclusiva. Soy madre de una niña con síndrome de Down, la cual está expulsada del sistema educativo hace dos años que la tengo en casa conmigo. He emprendido la misma lucha que emprendió Alejandro Calleja con su hijo y le he plantado cara a la administración para no permitir que maltraten a mi hija, obligándola a estar en un entorno en el cual ella no quiere estar ni va a aprender y por el contrario me la van a discapacitar. Hoy he venido a hablar en nombre propio, como madre, en nombre de mi hija y en nombre de todas las familias canarias que no tienen voz, que no tienen a nadie que las ampare y que no están siendo escuchadas.

INMACULADA BLANCO: Bom, muito obrigada. É tão emotivo e tão emocionante ouvir todos vocês aqui hoje, que é realmente emocionante. Eu sou Inmaculada Blanco, Macu para os amigos, e queria dizer duas coisas. Temos na educação regular uma peneira importantíssima no sexto ano do ensino primário. No sexto ano do ensino primário é onde começa a deriva para a educação especial, insistente por parte dos orientadores, fundamentalmente, que alguns deveriam saber que é tirar esse aluno do sistema educativo. Não é que vai… Não, não, não é terapia ocupacional. O senhor está a tirar esse aluno do sistema educativo. E realmente a segunda peneira é, se conseguiu superar todos os desafios que houve e passa para o ensino secundário, no segundo ano do ensino secundário, voltamos a ter o belo convite para esta educação especial ou passar para formação profissional de grau básico. Ou seja, para a deficiência intelectual há barreiras que são intransponíveis devido a como está o sistema educativo. Diretora-geral, o sistema educativo de formação profissional e os currículos que existem no grau médio de formação profissional são impossíveis, sem nenhum tipo de adaptação curricular que o supere uma pessoa com deficiência intelectual. É impossível. Impossível. E a única via natural que existe para uma deficiência intelectual é a formação profissional, diretora-geral. E revisem os currículos porque é impossível. E agradeço todo o interesse e as notas que a vi tomar com todos os participantes. Obrigada, Nacho.

CARMEN: Sim, sim, sim. Meu nome é Carmen e venho da Galiza. Meu filho é muito ativista, é um rapaz de 21 anos com deficiência. E como ele não pôde estar, serei a sua voz. Primeiro, queria ter dito algo ao Jesús, mas como ele não está, direi de qualquer forma. Na necessidade dos rótulos. Acho a teoria fantástica. O problema é quando a administração usa os rótulos não para ajudar, mas para excluir. Outro tema é o do sofrimento que justifica a existência da segregação com base no sofrimento. Mais do que meu filho e minha família, ninguém sofreu. Mas tenho uma amiga que tem uma filha super tímida que é super frágil e também sofre. Tenho outra amiga que tem um filho trans e também sofre. Vamos fazer escolas para crianças tímidas, para meninas trans, para meninos com acne que riem delas, para meninas gordas. Só se considera a segregação e o sofrimento dos que sofrem quando têm deficiência. E isso me parece aberrante. Porque a ninguém ocorre que uma menina não tem amigos porque é tímida e diz, ah, então vamos levá-la a uma escola de educação especial ou vamos criar uma escola para crianças como ela. Como pode ser que nas escolas, no sistema, isso continue a ser justificado? E ainda por cima fazem você se sentir mal porque parece que você não quer a felicidade do seu filho. Que o inspetor ou a orientadora ou o diretor se importam mais com a felicidade do seu filho do que a mãe dele. Bem, vou ler algumas palavras do meu filho que refletiram sua experiência no ensino secundário aqui, entre os 14 e os 18 anos. Ele escreveu uma série de textos e eu vou ler um deles. Eu não tive, nem tenho, nem terei as coisas fáceis. Sim, tenho um ambiente em que adoro viver. Desfruto da minha vida, da minha família, dos meus amigos e das pessoas que tenho encontrado ultimamente no meu caminho. Nesse sentido, não posso ser mais sortudo, mas também na minha vida houve alguns altos e baixos, embora para mim pese mais tudo o que é bom. Mas, por azar ou por sorte, assim como não me esqueço do bom, também não me esqueço do mau. Esses maus momentos, apesar de ser difícil de acreditar, de uma forma ou de outra, ajudaram-me a ser uma pessoa mais forte. Minha passagem pelo sistema educativo tem sido complicada. Alguns professores foram muito bons, mas outros me trataram mal. Sempre me senti sozinho, especialmente na minha última etapa do ensino médio. Assim, este ano deixei as aulas presenciais porque, sobretudo, o último ano para mim foi um inferno. Não só por alguns professores, mas também pelos meus colegas e por como eu passava o recreio. Completamente sozinho. Agora estou estudando e vou a Santiago apenas para fazer os exames. A diferença é boa em comparação com as aulas presenciais porque já não sofro as coisas que sofri antes. Também não é que eu goste muito do que faço este ano, mas se tiver que escolher, fico claramente com ficar em casa. Apesar de todo esse sofrimento, nunca foi uma opção para nós afastá-lo do mundo porque isso é segregação. E quando você o afasta do mundo, você o afasta para sempre. E queremos um mundo paralelo para certas pessoas e, de verdade, estamos no século XXI. Fizemos a luta do feminismo, do movimento LGTBI, da escravidão. Para quando as pessoas com deficiência serão humanas? Porque é isso que está por trás de tudo isso. Que não são consideradas plenamente humanas.

GABRIELE: Eu sou Gabriele e venho de Las Palmas de Gran Canaria. E sou um aluno do primeiro ano do bacharelado. E me sinto mais um quando posso aprender e conversar com meus colegas. E me sinto menos um quando não pude me expressar abertamente para os outros. e fui discriminado por ser diferente.

ANA: Olá, eu sou a Ana, venho de Valência. E, bem, há 14 anos que acompanhamos famílias em equipa dupla. Vivemos junto às famílias, bem, todo este sofrimento da escola. E em casa, o que fizemos, em casa ensinámos os filhos a ler e a escrever. Demos-lhes oportunidades de ter acesso a um sistema de comunicação. Porque os centros escolares nem sequer sabem que existe tecnologia de apoio. E à pergunta de que faltam nas escolas, porque também desde a equipa dupla acompanhámos imensas escolas que querem esta transformação. Desde as escolas, estão acolhidas a uma lei que ainda fala de inclusão como princípio e não como direito. Uma lei educativa que é incoerente, que continua a manter centros de educação especial como forma, em alguns casos, de enviar parte do alumnado. Têm de personalizar a aprendizagem e dar resposta aos estudantes sem recursos. Sem recursos não só sem meios de pessoal, que isto é algo óbvio, e com rácios elevadíssimos, mas sem recursos, por vezes, de um quadro digital, de acesso à internet e de coisas básicas que passam por ter uma escola acessível e para todas as pessoas. E bem, para além de uma anedota pessoal, queria apenas partilhar que também sou mãe de um pequeno que não tem a vida fácil, que tem muitas dificuldades e desafios para ir à escola e também um sobrinho. Na minha família há muita neurodivergência e no outro dia descobriu o que era a educação especial. Descobriu que existiam centros de educação especial e fez-me uma pergunta que vou fazer hoje aqui. Assim, quando lhe disse o que era um centro de educação especial, disse-me: "Mãe, e porque é que alguém quer que uma criança sofra?" É tudo, obrigado.

ESTELA: Olá. Olá, sou Estela, sou mãe de um rapaz com um rótulo como o que esta mãe mencionou, que me calhou, não tem diagnóstico, depois está no saco de ninguém e outra filha que não tem rótulo e que, portanto, meu filho já tem 27 anos, fez no dia 13 deste mês passado. Enquanto minha filha está se preparando para concursos, vai trabalhar, tem namorado, meu filho que passou por salas específicas não tem nada, nem sequer amigos. Bem, eu principalmente ia falar porque Jesus me incentivou. Ele diz que quando estava em Cáceres, estava muito amparado porque a convivência em sua cidade era conhecida por todos, não havia problema. Sim, e nas famílias não há problema porque a convivência existe. Por que ele chegou a um lugar onde era o único rapaz com deficiência? Por que não havia mais rapazes com deficiência? Porque ele foi segregado, porque ele foi tirado de cena, porque a deficiência não é conhecida. E a deficiência é conhecida pela convivência, assim como se conhece o rapaz gay, a rapariga lésbica ou se conhece a pessoa racializada. E falou de gasto, o gasto que um comunicador representa. Enquanto continuarmos a falar de gasto e não de que isso é um investimento para o futuro, porque a vida independente das pessoas com deficiência gera muito mais socioeconomicamente, gera muito mais do que a separação. E depois vemos, porque eu tenho uma associação que se chama Vida Independiente Andalucía. Fizemos o primeiro projeto piloto sobre assistência pessoal na Andaluzia e incluía menores e também assistência para pessoas com deficiência intelectual. Bem, esse projeto gerou um benefício socioeconômico. Essa avaliação pode ser vista em nossa página web. Por cada euro investido há um retorno socioeconômico de 3,64 euros. Portanto, não me falem de gasto. Tudo o que seja é investimento, investimento em futuro. E depois vemos, porque eu tenho uma associação que se chama Vida Independiente Andalucía. Fizemos o primeiro projeto piloto sobre assistência pessoal na Andaluzia e incluía menores e também assistência para pessoas com deficiência intelectual. Bem, esse projeto gerou um benefício socioeconômico. Essa avaliação pode ser vista em nossa página web. Por cada euro investido há um retorno socioeconômico de 3,64 euros. Portanto, não me falem de gasto. Tudo o que seja é investimento, investimento em futuro.

BELÉN: Olá, bom dia. Meu nome é Belén. Sou mãe de uma filha com inteligência limite. Não é um rótulo, é um rótulo pequeno. E estamos excluídos da educação regular. Existe uma porcentagem altíssima de pessoas com inteligência limite para as quais não há recursos na educação regular para formá-las. Considero que somos a ponta de lança da deficiência intelectual. A educação regular não está preparada, nem sequer, de verdade, nem sequer para pessoas com deficiência intelectual leve. E ainda por cima te dizem que é o melhor para ela. É que este não é o seu lugar. É uma constante nas escolas de educação regular. Estamos aqui porque lutamos. E vou dizer-lhes, há um problema com as famílias. As famílias têm muito medo de se confrontar nas escolas. Porque pensam que, se não o fizerem, vão expulsar o filho. Então, pegar e ir aos ministérios ou fazer uma denúncia ao defensor. Tudo isso para as famílias. Porque aqui já somos profissionais da deficiência. Mas quando se começa a viver o mundo da deficiência, as pernas tremem. Porque morre-se de medo. E se ainda por cima é, digo-lhes, a partir da deficiência intelectual ligeira e deficiência intelectual leve. Que é que se diz, meu Deus, em que mundo vou entrar? Irene, senta-te bem. Porque se diz, não quero que a minha filha pertença ao mundo da deficiência. Porque sabemos como a sociedade trata as pessoas com deficiência intelectual. Esse é o medo que temos. A vergonha persegue-nos, o medo persegue-nos. E até que se coloquem e superem, os nossos filhos não se colocam na sociedade. E a sociedade é tremendamente dura com a deficiência intelectual. E isso temos de ver do ponto de vista de que, como a deficiência intelectual não entra na sala de aula, não entrará na sociedade que não conhece a deficiência intelectual. Muito obrigada.

VANESSA: Bom dia. Sou Vanessa, recentemente professora na UNED. Mas vou falar a partir da minha experiência respondendo à pergunta que lançaram como orientadora educativa de 2006 até poucos meses atrás. Para mim, a chave fundamental na experiência que vivi nos centros, nas excursões de crianças que foram em alguma ocasião e outras vezes não, no momento em que participaram e outras vezes não, é isto que está a surgir, que é a diferença entre pertencer à família ou a um povo ou a diferença de não pertencer. E para mim, aí a chave, para além de rácios, para além de recursos de formação, a chave fundamental é a linguagem universal desses docentes que são capazes de olhar através do afeto e do olhar de se situarem e acolherem essas crianças de que estamos a falar. Essa é a diferença, o afeto e esse olhar inclusivo que esse docente. Com formação e com rácios, poderá fazê-lo melhor, mas perante as mesmas circunstâncias, eu como orientadora vivi duas realidades de crianças que pareciam estar em mundos diferentes dentro de um mesmo centro educativo, duas situações completamente diferentes e apenas mudava a pessoa que estivesse a atender essa criança.

ELENA: Olá. Bom dia. Meu nome é Elena, sou orientadora educacional aqui na Comunidade de Madrid e, embora tenha experiência como estudante e como mãe, vou me concentrar um pouco nesta parte. Considero muito importante, sim, faltam recursos, mas acho que esses recursos devem ser desvinculados dessas categorias, dessas etiquetas que caem sobre as crianças como uma laje. Na verdade, de nada serve nossa avaliação psicopedagógica se, no final, tivermos que marcar aquela caixinha para que receba esses recursos. Considero que esses recursos, assim como um professor de educação física, não são levados em conta para a criança com diabetes ou a criança com sobrepeso, mas sim que estão para todos. O recurso de pedagogia terapêutica, o TIS, o de audição e linguagem deve ser levado em conta também para crianças que podem estar, não sei, passando por um divórcio conturbado em casa e que isso, no final, também as impede de aprender na escola. Por outro lado, queria levar em conta também que não se trata mais de ter mais recursos se eles continuarem sendo utilizados da mesma forma. A parte de formação, a parte de sensibilização, não apenas para os professores e professoras, mas também para a inspeção educacional, para a unidade de programas, certo? Revisar essa formação que é feita nas universidades, tanto em magistério quanto na parte de psicologia, no mestrado de ensino médio. E depois, bom, dizer também que o mautrato institucional também existe em relação aos perfis dos orientadores, que também não nos encaixamos nessa parte que consideram que devemos nos encaixar. Por outro lado, gostaria que, ao longo dos dias que estamos aqui, eu, dentro da minha avaliação psicopedagógica, sempre levo em conta as famílias, o aluno, na medida em que este pode me responder, principalmente os do ensino fundamental. Pergunto como eles acham que podem aprender melhor, o que acham que podemos fazer melhor por eles. Estou me concentrando muito na devolutiva para as famílias, em que vocês saibam o que pedir, o que podem exigir, como lutar por seus filhos, porque, no final, eu estou no centro, mas sou algo passageiro, digamos. Nada mais. Obrigado.

ELENA: Obrigado. Bem, vocês testaram minha paciência, quase me levantei para ir ao microfone. Muito obrigado. Sou Elena, presido a Associação Cuidador Lazarillo, e o que acho que falta nas escolas são duas coisas importantes para as crianças que têm doenças graves, que é que haja uma enfermeira nas escolas e que seja obrigatório, que os rácios sejam semelhantes aos das empresas, pois para cada 500 alunos uma enfermeira, e que seja algo que ofereça uma garantia estatal para que isso exista, porque, no final, as crianças também, pelo fato de terem necessidade de um cuidado constante de sua saúde, têm que sair de muitos centros e bem, isso eu vivi em minhas próprias carnes, com minha filha. E depois, por outro lado, além da enfermeira escolar, seria necessária uma bolsa de horas para acompanhamento em excursões, passeios, com ou sem pernoite, etc. Que às vezes só podem ir as crianças que têm recursos econômicos em sua família, que podem pagar esses recursos para poder ser mais um, e não pode ser que sejam discriminadas dupla ou triplamente, por serem crianças, por terem doença grave e, além disso, por não terem recursos econômicos para poder pagar o recurso de que precisam. E todo o resto vocês já disseram. Muito obrigado.

IGNACIO CALDERÓN: Antes de continuarem, eu diria, sabemos que não há tempo para todos nesta assembleia, depois há as oficinas onde nos dividimos, somos menos gente, aí podemos falar mais. Eu diria, das pessoas que, como temos o tempo muito limitado, as pessoas que mais ou menos sentem que o tema que iam abordar foi abordado, que o deixem, certo? Que renunciem agora mesmo a tocar nesse tema e a tocá-lo depois na oficina. Certo, continuo... Ninguém renuncia.

JAVIER:Não funcionou, Ignacio. Tente de outra maneira. (Risos) Não, vamos lá, eu vou te fazer uma pegadinha. Eu não posso acrescentar algo novo, mas acredito que seja uma voz que ainda não surgiu. Eu sou o Javier, bem, venho de Mallorca, trabalho em um centro de educação especial, no centro de educação especial Joan Mesquida, e atualmente sou orientador e coordenador do centro de referência e apoio a centros regulares, que no nosso caso, bem, conseguimos ter uma escola, como outras colegas que tenho aqui como a Marta, cada vez menor, e é muito pequena agora, e temos uma equipe de 20 profissionais no total, além de professores, trabalhando em 30 escolas, ok? 600 euros. O que eu queria contribuir quando peguei o microfone como uma voz que talvez ainda não tivesse surgido aqui? Bem, eu acho que é preciso um passo de coragem nos centros de educação especial para querer nos transformar. Isso me faz pensar, pensei nisso agora quando vocês falavam, na lagarta e na borboleta. Ou seja, isso não é sobre eu não ser mais o que eu era, eu não quero mais ser o que fui. E isso deve ser assumido com todas as consequências e com todos os obstáculos e pedras que vão nos jogar de todos os lados. Mas a borboleta já não é lagarta. Ou seja, os centros de educação especial e o trabalho em um deles têm que ser algo diferente. Gosto da comparação porque o que queremos é ir de flor em flor, ir de escola em escola e tirar crianças e sair. O que nós contribuímos? Que já fazemos isso há vários anos. Que eu acho que aqui está uma das chaves. Isso não é sobre alguns especialistas que vão e te dizem o que fazer. Isso se trata de ir ver pessoas que não estão sendo vistas. É validar. Isso foi escrito. Está em um manual. É o modelo social. Não sei quanto. Quero dizer, não inventamos nada, nada, nada, nada, nada. Somos simplórios nesse sentido. Mas não é visto. Mais tarde farei uma citação de um filósofo que acho que explica por que não é visto. E a outra chave para mim é a responsabilidade. Nunca, nunca pode estar no aluno. Sempre está no sistema e nas pessoas que o formamos. Isso é chave. Aconteça o que acontecer. E digo isso porque às vezes acontecem coisas graves. Mas não importa. O foco está em mim. Não nele. Estes são os dois pontos chave para nós como centro de educação especial querendo ser borboleta. E o que vamos contribuir? Bem, que a escola seja um lugar mais humano. Menos competitivo. Menos opressor. Ok? Onde não se queira sair, mas sim entrar. Ignacio disse que nos ouvem do ministério. Isso me parece como a carta aos Reis Magos. Como algo mágico. Mas, enfim, vou aproveitar. Acredito que a modalidade de escolarização deva ser abolida. Sinto muito. Isso é muito grave. Não pode ser. Não pode ser. Ou seja, não podemos falar que queremos uma sociedade não machista e que o divórcio está proibido. Acho que há coisas que não podem existir. Sinto muito. Digo isso porque complica muito o meu trabalho. Eu tento. Mas depois me dizem: "Ah, mas essa opção existe." Eu digo: "Sim, você tem razão." A culpa é minha. Não podemos continuar mantendo um sistema de avaliações centrado na pessoa. Pelo que eu disse, a razão é nossa. Claro que há condições e necessidades. Isso é óbvio. Todos as temos. Temos. Mas não, o sistema não pode mantê-lo. E os apoios não são para consertar ninguém. São para ver o que faltava para que a pessoa pudesse estar bem ali, em condições, e participar. Acredito que estas são as três chaves que eu daria ao ministério. Sinto muito. Pedem-me a citação do filósofo. Robert Pirsig, não sei se vocês o conhecem, um filósofo, disse: "Quando você olha para um louco, quando você realmente olha nos olhos de um louco, tudo o que você vê é o reflexo da sua percepção de que ali há um louco." O problema disso é que você não viu a pessoa. É isso que acontece conosco no sistema educacional. Obrigado.

TOMÁS PERLA: Sim. Olá. Meu nome é Tomás Perla, venho de Madrid e é isso. Concordo totalmente com o que o colega acabou de dizer. Sou pai de uma pessoa com deficiência intelectual. Sim, sou pai de uma pessoa com deficiência intelectual e concordo totalmente com o que... Bem, totalmente, quero dizer, em geral concordo com ele. Queria dizer duas coisas. Primeiro, apontar. A deficiência intelectual é a grande oculta dentro da deficiência na escola. Cerca de 40% do alumnado com deficiência está aí. É a carne de canhão, juntamente com alguma parte do TEA e, claro, com a plurideficiência, a carne de canhão dos centros de educação especial. Mas a deficiência intelectual morre quando termina o ensino obrigatório. A partir daí já não há nada. Já não há nada, não resta nada. Não há centros para onde ir, não há para onde se dirigir. A única coisa que resta para as pessoas com deficiência intelectual é a residência, o centro ocupacional e ponto final. Aí acaba. E isto não... Ou seja, isto começa na escola. Começa na escola. Duas coisas. E outra coisa muito importante. Estamos a falar da importância que tem o corpo docente. Estamos a falar do que pensam os nossos filhos e o alumnado. Estamos a falar do que pensamos as famílias. Mas na escola há um elemento mais, que é o que diabos estamos a ensinar. Para que estamos a ensinar. Como estamos a ensinar. Isso não se questiona. Falamos de recursos, falamos de outras histórias. Mas temos de ir ao centro. E é para que serve a escola. E esta escola que temos, duvido muito que sirva para poder formar pessoas que têm outra forma de agir. Porque nós falamos da deficiência sempre como negação. Nunca como possibilidade. Falamos... Não falamos de que possibilidades têm estas pessoas de que fazer. Falamos do que não podem fazer. Mas não lhes damos espaço para lhes dizer, vai em frente. Vai em frente. E isso é um tema que tem de ser abordado na escola. Muito obrigado.

IGNACIO CALDERÓN: Muito obrigado. Aqui acrescenta-se um tema. Porque não nos aprofundámos muito nisso da deficiência. E seria interessante como retomar o rumo para que estas últimas perguntas que fizeste nos tenham levado a pensar novamente na escola não só para um coletivo, mas para muitos coletivos. Então, aqui há reflexões importantes a fazer. Ok.

VIKY:Eu sou a Viky. Sou orientadora e faço parte da rede de escolas pela equidade e inclusão. A rede de escolas pela equidade e inclusão. Aqui somos algumas pessoas. Bem, somos um grupo de 12 centros que se uniram e o compromisso que temos é fazer coisas parecidas com o que estamos fazendo hoje aqui, mas em nossos centros. Para melhorar a equidade e a inclusão. Eu queria dizer uma coisa. Nós já fazemos essas coisas há algum tempo. E acontece que toda vez que buscamos o foco, o que nos preocupa? O que nos preocupa? Sempre nos preocupa uma coisa. A convivência e as relações. E sabem qual é um dos grandes temas que surge em nossa escola, mas que surgiu em muitas outras? A solidão. A solidão dos estudantes. Quando fazemos essa pergunta, não é sobre estudantes com um rótulo, com dois ou com três. Não, não e não. Não. O que acontece é que quando fazemos essa pergunta em uma turma, a maioria dos estudantes já a sofreu alguma vez. E isso é muito importante. E antes se dizia, bom, deixar algo assim nas mãos dos estudantes. Pois bem, o que percebemos é que, ao fazer esses processos de investigação coletiva, surgem soluções super criativas, super bonitas, mas, acima de tudo, o que surge é um compromisso muito forte por parte dos estudantes. Um compromisso super forte para que isso não aconteça. E eu acho que este é o caminho para avançar na inclusão. Isso é. E os rótulos são o caminho que corta a inclusão.

ROSA:Consegui enganar o Nacho. Por questão de gênero, vá. Bom, sou a Rosa e venho da Convive Fundación Cepaim, que é uma entidade que trabalha em toda a Espanha com ação integral com pessoas migrantes. Vou contar a realidade que temos aqui em Madrid, em concreto. Nós estamos no bairro de Carabanchel. Em Carabanchel, como no resto dos bairros da periferia, nas escolas públicas há uma percentagem de pessoas migrantes de 90%. Nas escolas privadas, a história é que 90% são meninos e meninas de famílias autóctones. Se vamos ao centro de Madrid, acontece totalmente o contrário. Ou seja, nas escolas públicas estão os meninos e meninas de famílias autóctones ou, se são famílias estrangeiras, são de famílias da OCDE, como uma menina de mãe japonesa e pai francês. Entendem por onde vão os tiros. Desde o Ministério da Inclusão também se está promovendo agora o plano de convivência intercultural. É uma coisa que está sendo trabalhada, que se quer... De fato, desde a Fundación CEPAIM estamos participando. De que forma se pode trabalhar ou colocar em marcha um plano de convivência intercultural se essa convivência intercultural não acontece na vida diária das crianças e adolescentes? Nada mais.

RUBÉN: Bom, eu sou Rubén, venho do Conselho Estadual de Colégios de Educadores e Educadoras Sociais e incorporei-me em 2009 para trabalhar numa equipe de orientação educativa na Andaluzia, em Santa Fe, municípios de uns 15.000 habitantes mais ou menos. E aí, pensando um pouco sobre quando sou, quando estou, quando não estou, havia muitas coisas que me interpelavam. Porque, bom, tive a sorte de me incorporar ao sistema educativo e havia muitos temas que me incomodavam no dia a dia. E via que não fazia parte disso. Ou seja, fui enterrado em protocolos de absentismo escolar, cento e tantas, num só município de mil alunos. E durante anos estive nisso e também estive com temas de expulsões, convivência, todos esses conflitos, que quando você olhava para trás dizia o que me falta aqui é que pensemos em cidadãos e cidadãs e que pensemos em território e comunidade. Que eu acho que é um pouco uma parte que eu gostaria de trazer para este debate. Não somos escolas que devemos estar à margem do que acontece no território e temos muitos agentes no território trabalhando e que estão além disso desejando colaborar com os centros educativos. Não sabem a que porta bater, não sabem a que professor, professorado, que muda continuamente. E bom, é certo que me afundei. Houve um momento em que o sistema me afundou porque me pediam que esses cento e tantas protocolos saíssem. Vi-me sentado com famílias em frente a julgamentos em que se pediam esses dois anos de prisão, que comentavam no início. Vejam bem, você ia ver esses protocolos e via o que comentavam. Que além disso me interpelava muito ouvir somos famílias, o que nos acontece isto? Pois você tinha a sorte de ouvir isto. Porque por sorte podia sair do centro educativo, sentava-me com as famílias, falava com elas. E claro, via prostituição, mulheres maltratadas, famílias que estavam lutando contra o sistema porque tudo isso que tinha sido comentado do meu filho com diversidade, deficiência e demais. Claro, muitas histórias que, no entanto, desde o sistema educativo tratávamos como números, protocolos, além disso, super anonimizados. E isso levava-me a uma crise. Disse, houve de facto um momento em que coloquei na minha própria conselharia, eu assim não continuo a trabalhar. Tive a sorte de que houve um colega que assumiu a coordenação a nível provincial de compensação educativa. Era cigano. Conhecia muito bem o sistema de proteção. E além disso vinha do mundo do desenvolvimento comunitário. Então aí, bom, coloquei um ultimato dizendo, olha, vou ser sincero. Se querem que continue a denunciar famílias, porque a solução maravilhosa para uma menina adolescente grávida é que o seu pai e a sua mãe vão para a prisão dois anos por um delito de abandono do menor. Era como, eu não quero fazer parte disso. Se querem que continue a fazer parte disso, eu peço uma licença e vou-me embora. Não acredito nisto, não sou isto. Estou aqui. Estão a pedir-me que os estudantes estejam aqui também das 8 às 3, mas não são assim. Têm muitas vivências, muitas histórias e talvez seja preciso procurar esse ser. Então, bom, tive a sorte que me deixaram trabalhar durante vários anos nessa ideia até que chegou a COVID e já sabem como tudo parou. Mas estive a trabalhar com ativos do território, com referentes de famílias ciganas, com associações de deficiência que havia na zona, com líderes desportivos. Os técnicos desportivos foram chave para a inclusão e a interação de muitos alunos que no sistema educativo estávamos a perder. Ou seja, tivemos que assumir que não éramos referência para eles de manhã, mas que havia outros agentes do território que sim. E por sorte durante vários anos pude ir fazendo este trabalho de rede, para mim são as chaves, rede, comunidade, trabalho fora da sala de aula, e realmente foi uma motivação não só para mim, mas houve muitos colegas das equipes educativas que diziam, deixo de me sentir sozinho, por fim encontro gente com quem colaborar, integrar outras famílias, pessoas na sala de aula, outras vozes, para mim seria a chave, é dizer, não temos que nos centrar apenas na inclusão, em tudo isso dos apoios, que me parece super importante, oxalá o consigam e continuem a trabalhar por isso, mas acho que precisamos de abrir o centro ao território. Nesse sentido, tive a sorte de ser educador social no sistema educativo, acho maravilhoso, é um trabalho que oxalá haja muito mais gente que possa estar aí dentro, porque também vimos que o professorado está muito sozinho, há situações que lhes vêm grandes, pedem-lhes relatórios, de repente destapam-se no centro educativo, uma situação de assédio, uma agressão sexual, e pedem esse acompanhamento, acho super bonito poder acompanhar os meus colegas em toda essa ideia. São as duas, vamos fechar já. Vamos fechar já.

SANDRA: Buenos días. Me llamo Sandra, y soy mediadora intercultural, y bueno, pues somos un grupo de mujeres gitanas, desde una apuesta de la Asociación Barro, ya hace ya bastante tiempo, también estamos trabajando con el grupo de enseñantes con gitanos, y bueno, pues quería haceros una reflexión muy pequeña, lo primero de todo que me da mucha ilusión, que el planteamiento y la cuestión de la población gitana también esté encima de la mesa, puesto que lamentablemente en el sistema educativo la población gitana está casi fuera de juego, por no decir en su totalidad casi, librándose de los gitanos que a lo mejor tienen un puesto mejor económico, social y económico, se genera de una forma muy fuerte el tema de que el sistema socioeconómico que tiene esta población, que es mi población, la población gitana, pues requiere otro tipo de educación, donde el sistema queda muy fuera, me he encontrado más de 400 alumnos gitanos que solo han titulado en secundaria unos 6 o 7 a lo largo de estos 17 años, y lo que he podido comprobar es que los profesionales que están más preparados, que tienen mayor cualificación e implicación con la población gitana, salen más hacia adelante, y que los que se generan en escuelas gueto, y además cuentan con que las familias no han sido inculcadas a una cultura de la formación, y de lo que es la importancia de la formación, quedan fuera también, entonces nos encontramos con niños que por falta de la cultura de la familia, no me gustaría decir cultura, porque la cultura marginal no pertenece a ninguna cultura, la cultura de la pobreza no existe, para mí es una situación socioeconómica, no cultural. Y partiendo de esa base, de verdad que me hace ilusión que haya profesionales que se planteen que el sistema educativo no acoge a la población gitana.

ALEJANDRA: Hola, buenas. Yo soy Alejandra, vengo de Vigo, de una asociación que se llama APAN, que es una asociación que acompaña y apoya a familias y personas con parálisis cerebral. Y bueno, tenemos una parte de nuestro trabajo donde, bueno, parte del equipo profesional de la entidad acude a centros educativos, gracias a un convenio que tenemos con la Consejería de Educación, no contractual, no nos financian, todo va a costa de la entidad, pero sí nos autoriza a entrar como recurso externo, apoyar y acompañar alumnado afín a nuestra entidad y desarrollar diferentes proyectos de sensibilización. Se han mencionado muchas cosas que no voy a repetirme, pero bueno, sí mencionar que igual que se mencionan a los centros de educación especial como posibles centros de recursos, las entidades sociales sin ánimo de lucro también podemos ser agentes de recursos de apoyo y la realidad que nos encontramos es que muchas veces nos dicen que no, así que en cuanto al tema recursos que se mencionaba por aquí habría que hacerse la interrogación de si es una falta de recursos o también de aprovechamiento de recursos, eso por un lado. Y por último, una de las cosas que hemos percibido a lo largo de todos estos años es que se centran, hay un señalamiento muy grande al alumnado, cuando preguntamos qué necesidades hay se señala mucho al alumnado, es muy fácil decir qué problema tiene el alumno, qué dificultades tiene el alumno, pero este año comenzamos a hacer otra pregunta y es, ¿qué haces tú en cuanto a la autonomía, a la participación y a la relación del alumno? Y hay un silencio verdaderamente incómodo. Así que creo que también es momento de señalar el contexto y ver barreras y facilitadoras desde el contexto escolar y dejar de señalar al alumnado en situación de diversidad. Gracias.

PAULA:Agora sim, eu sou a Paula e venho de Vigo também. Vi, bom, sinto-me identificada com muitas das palavras que foram ditas esta manhã, mas há uma coisa que tenho clara e é que temos de começar a pensar e deixar de falar de inclusão. Os estudantes pertencem à escola, certo? E temos de deixar de os excluir. Portanto, penso que a única maneira de acabar com a exclusão é que deixem de existir tantos recursos segregados, unidades segregadas, centros segregados. Temos de utilizar esses recursos para realmente fazer com que os estudantes deixem de ser excluídos e continuem a pertencer, porque não estamos a falar de inclusão, estamos a falar de que todos pertencemos à escola.

IGNACIO CALDERÓN:Bem, há muitas mais palavras. Peço desculpas porque é impossível, já ultrapassámos o tempo. Temos, vamos ter espaço agora nos workshops para continuar a falar, depois temos outra assembleia, ou seja, não vão ficar sem falar, vamos falar, vamos conversar. Fazemos a pausa agora para o almoço. Foi uma assembleia inicial brilhante. Felicito-vos e muito obrigado pelo trabalho.

Oficinas Simultâneas de diagnóstico

  • Oficina de Diagnóstico: barreiras para abrir a escola à comunidade e ao território
Cargando vídeo…

Oficinas Simultâneas de Diagnóstico

  • Oficina de Diagnóstico: barreiras geradas pela rotulagem
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Compartilhamento e Assembleia de projeção

  • Compartilhamento de oficinas de diagnóstico: compartilhamos análises
  • Assembleia de projeção: início de propostas de desenvolvimento (Min. 27:38)

Jornada 2: Propostas

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Assembleia Inicial

  • Assembleia Plenária: recuperamos o que foi construído
Cargando vídeo…

Oficinas simultâneas para a ação

  • Oficina para a ação: alternativas de crianças e jovens para tornar seus sonhos em educação realidade
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Oficinas simultâneas para a ação

  • Oficina para a ação: alternativas para fazer a transição de lagarta para borboleta
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Oficinas simultâneas para a ação

  • Oficina para a ação: barreiras geradas pela rotulagem
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Assembleia de Encerramento

  • Assembleia final: O que faremos amanhã?
  • Conclusões e encerramento (Min. 01:19:43)

Os testemunhos do Workshop Incide

Durante as duas jornadas dedicadas à reflexão partilhada no Workshop Incide, foram sucedendo-se vozes distintas, que partiam de realidades diferentes, de experiências muito diversas de acordo com os coletivos a que pertenciam, e das vivências que tinham experimentado. Cada uma dessas vozes foi aportando algo novo à conversa, que se modulava com elas, redirecionava os debates, e gerava novos nós e análises que contemplavam emoções e saberes, diagnósticos e propostas.

Deste modo, as construções vão passando de ser pessoais a coletivas, de um coletivo a vários, de umas realidades a outras. Trata-se, pois, de construir um diálogo interseccional em que se vai lançando luz com cada testemunho sobre as barreiras à presença, à aprendizagem e à participação nas escolas, ou seja, tudo aquilo que impede que toda a comunidade se sinta parte plena do sistema educativo. Constrói-se assim um diagnóstico participativo da realidade escolar em relação à inclusão e à equidade, que se funda em experiências concretas, e que avança graças à construção coletiva em direção a modelos alternativos que superam as desigualdades detetadas.

Uma metodologia contrastada

La metodología empleada en este workshop ha sido previamente desarrollada en los Proyectos de I+D+i RTI2018-099218-A-I00 y PID2022-140193OB-I00, financiados por el Ministerio de Ciencia, Innovación y Universidades. Estos proyectos, dirigidos desde la Universidad de Málaga, han facilitado la emergencia del movimiento por la educación inclusiva Quererla es Crearla, que aúna el activismo social y educativo, la participación ciudadana y las evidencias científicas internacionales. Los resultados han sido presentados en los principales Congresos Internacionales de educación, publicados en algunas de las revistas científicas más prestigiosas del mundo en este ámbito, y todo ello ha recolectado un importante número de reconocimientos, entre los que destacan premios de la American Educational Research Association (Chicago, 2023) y de Down Syndrome International(Nações Unidas, Nova Iorque, 2024).

Mais informações sobre o trabalho académico de Quererla es Crearla podem ser encontradas AQUI.

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