WorkshopOrienta: Novos olhares na orientação escolar, para a infância e contra a segregação
Resumo: Um encontro de trabalho que pretende a comunicação igualitária de dois coletivos (profissionais das escolas e famílias com filhos e filhas escolarizados), com o objetivo de realizar uma avaliação preliminar da experiência da orientação nas escolas do estado espanhol, que têm de ser inclusivas. Para isso, convoca-se um dia intensivo de assembleias, exposições e oficinas para pessoas implicadas na inclusão educativa, que finalizará com linhas estratégicas para continuar a trabalhar pela transformação necessária das escolas.
O WorkshopOrienta é um encontro de trabalho realizado na Universidade de Málaga no dia 24 de fevereiro de 2018, com a pretensão de estabelecer uma comunicação igualitária de dois coletivos (profissionais das escolas e famílias com filhos e filhas escolarizados), e o objetivo de realizar uma avaliação preliminar da experiência da orientação nas escolas do estado espanhol, que têm de ser inclusivas. Para isso, convocou-se um dia intensivo de assembleias, exposições e oficinas para pessoas implicadas na inclusão educativa, que terminaria com linhas estratégicas para continuar a trabalhar pela transformação necessária das escolas. De facto, este trabalho foi o germe de muitas ações desenvolvidas ao longo dos anos seguintes por diferentes pessoas e coletivos.
O Workshop não foi um curso nem um congresso. Não foi concebido como um evento a que uns assistem como ouvintes e outros expõem. O WorkshopOrienta foi um encontro de trabalho colaborativo, em que Foi um encontro presencial, mas também houve um papel fundamental desenvolvido através de quem não pôde participar fisicamente. O encontro estaria dividido em sessões plenárias (assembleias) e oficinas por grupos em que se desenvolveriam as linhas geradas nas assembleias. As sessões plenárias foram transmitidas em direto em streaming, pelo que toda a gente que o desejou pôde seguir o que nelas ocorria, exceto nas oficinas. O encontro chegou a ser trending topic no Twitter graças a toda esta participação.
Mas houve algo mais. Durante as semanas anteriores ao encontro, após uma chamada aberta, foram sendo gerados e publicados vídeos de cerca de 3 minutos nos quais as participantes esboçavam as suas histórias de escolarização, e contavam uma dor e uma alegria associadas a ela, descrevendo o papel desempenhado pela Orientação. Quisemos que a dor e a alegria, que têm nome e apelidos, tivessem espaço no encontro, porque precisamos de saber o que vivem os estudantes, as famílias e os profissionais nas escolas.
Desta forma, as pessoas não presentes geraram o contexto do próprio encontro presencial, e participaram através do twitter nas sessões de trabalho. As sessões foram extraordinárias.
(Toca a canção Centro , de Pedro Pastor)
Audiodescrição [AD]: Créditos iniciais. Dedicado a todas as pessoas que desejam mudar o mundo. Por uma escola inclusiva.
A câmera foca o olhar de várias pessoas jovens, seguido de uma tomada do interior de um carro na autoestrada, dirigindo-se para Málaga.
Voz 1 (v.o.):— Virá gente de muitos lugares: famílias, orientadores, pessoas que têm algo a dizer, que viveram e sentiram na pele as sequelas da escola.
Audiodescrição [AD]: Vista posterior de uma pessoa de cabelos longos e castanhos dirigindo-se à entrada da Faculdade de Ciências da Educação da Universidade de Málaga. Ao entrar, a câmara detém-se no átrio, onde se encontram algumas pessoas.
Voz 1 (v.o.):— Mas, e o que posso fazer eu lá?
Audiodescrição [AD]: A sequência começa numa sala ou auditório universitário vazio, com uma mesa central e cadeiras para os participantes. A sala enche-se rapidamente de pessoas que assistem ao workshop, muitas delas a sentarem-se.
Em primeiro plano, Nacho Calderón prepara-se, organizando os seus papéis numa mesa. Ao seu lado, um adulto parece observá-lo. A cena alterna com planos dos participantes a interagirem entre si.
A seguir, é mostrado um plano próximo de um conjunto de letras coloridas sobre um fundo branco. As letras vão sendo reorganizadas para formar as palavras ‘Jogo', 'Emoção', 'Unidos', 'Constância', 'Arte', 'Olhar', 'Ser', 'Pessoas' e 'Uma mesma linguagem'. Finalmente, as letras juntam-se formando um coração.
A sequência continua com uma série de cenas rápidas que ilustram as seguintes palavras-chave da canção de fundo, visíveis na tela: 'Seguindo-te', 'Liberdade', 'Poder', 'Abrir as portas', 'Convidar', 'A humanidade mais animal', 'A mente aberta', 'A pele disposta', 'As asas postas'.
Entre as cenas:
- Close-up de marcadores sobre uma mesa coberta de papel branco.
- Jovens brincando com balões e as palavras.
- Planos de detalhe expressivos de jovens fazendo caretas.
- Uma menina com um balão rosa.
- A palavra 'juntas' formada por letras de madeira de várias cores.
- Planos de jovens correndo, mostrando um giz, brincando de amarelinha, compartilhando abraços e sorrisos.
- Um desenho feito com marcador de figuras de mãos dadas.
- Um campo de margaridas.
- Uma pessoa adulta com uma jovem a cavalo nas costas.
- Vista inferior de uma pessoa jovem a descer escadas a saltar.
- Primeiro plano de uma jovem a apoiar a cabeça na de um cão.
- Jovens sentadas com balões e snacks, a pintar ou a escrever mensagens de inclusão.
- As palavras 'todos, todas' formadas por letras de madeira de várias cores.
- O céu, limpo com nuvens ligeiras.
- Primeiro plano de alguém formando a frase «Escola inclusiva» com letras de papel.
Finaliza a sequência com um efeito visual de rebobinar rápido, que mostra todas as cenas em sentido inverso, terminando nas pessoas que trazem os seus testemunhos.
(Melodia suave de piano)
Pessoa 1:—A orientadora do centro ligou-me para dizer que, claro, o ideal seria que no ano seguinte repetisse porque «estas crianças»… Frase mítica onde as há. Acho que a vou pôr de epitáfio na minha sepultura: «Aqui jaz a mãe de uma destas crianças». (Tom sarcástico).
Pessoa 2:—Sempre acreditei que um rótulo, que é o que lhes colocam aos nossos filhos, era para ajudá-los a avançar o máximo, mas agora descobri que não, que o rótulo é para estancá-los e afastá-los.
Pessoa 3:— Não permito, não permito mais, que se questione a constância, o trabalho, o esforço e que sejam desvalorizados.
Pessoa 4:— Eu rogaria aos Serviços de Orientação que nos deixem ser profissionais no que nós somos, que é em ser pais destes meninos.
Pessoa 5:— Essa é a diferença: a atitude. Os meios são importantes, mas a atitude é muitíssimo mais.
Pessoa 6:— O que aconteceu para que essas crianças que não viam nenhuma diferença entre elas e o seu colega com deficiência, o que aconteceu para que as ignorem e não sintam que fazem parte do seu mundo?
(Música de piano suave)
Audiodescrição [AD]:— Testemunhos das pessoas participantes no workshop intercalam-se com primeiros planos de jovens em frente à câmara, aos quais colam etiquetas, como por exemplo 'Incapaz'.
Pessoa 7:— Porque meu filho não existia. Não era o Nico. Era uma etiqueta que eles precisavam colocar por um trâmite administrativo.
Pessoa 8:— Sempre a queixa tem sido: «Seu filho não é capaz de…»
Pessoa 9:— A orientação, a educação, em geral, são melhoráveis. Cada um desde sua parcela.
Audiodescrição [AD]: A câmera percorre os corredores vazios da faculdade.
Pessoa 10 (Nacho Calderón - N.C.):— Eu acho que, esta manhã, uma das coisas que se falou é que as AMPAs, por exemplo, as temos deixadas. E é verdade: as temos deixadas.
Pessoa 11:— A Educação Inclusiva, que é um direito, isso digo eu como advogado, como os que vimos de ali em frente [la Facultad de Derecho], é um direito, mas é um direito que não se cumpre. Que não se cumpre.
Pessoa 10 (N.C.):— Já está transmitindo ao vivo.
(Música)
Audiodescrição [AD]: Fragmentos de momentos ocorridos durante o transcurso do workshop.
Pessoa 12:— Nós, e a Administração, os profissionais, temos a obrigação de que esse direito se cumpra.
Pessoa 13:— Que mude o olhar de ver pessoas incapazes, pessoas com rótulos, hándicap, dificuldades… a ver simplesmente pessoas.
Pessoa 14:— O uso da linguagem teria que mudar.
Pessoa 15:— Não acredito, perdão, pelo meu trabalho no diagnóstico em papel. Acredito no trabalho diário em sala de aula, bem feito.
Pessoa 16:— Então, a única maneira de nos fortalecermos é que nos unamos e que a informação chegue a todos os pais.
Pessoa 17:— O que vocês vão fazer a partir de segunda-feira, orientadores e professores? É isso que eu quero ouvir hoje aqui. Porque eu já não tenho clareza sobre o que tenho que fazer.
Audiodescrição [AD]: Close-ups of young people facing the camera, to whom labels are stuck on different parts of their faces with words like 'Clumsy', 'ADHD', 'Incapable', 'Blind'. Then, they remove, tear, crumple, or throw these labels on the ground with a smile (subjective appreciation).
On a white background, a series of colored labels with the texts 'No labeling', 'Inclusion', 'Power', 'Information for all', 'Strong PTA', 'Abilities', 'New perspectives', 'Humanize', 'Unity', 'Justice', 'No prejudice', 'Invite', 'Rights', 'Cooperate'.
Again, fragments of moments that occurred during the workshop.
Voice 1 (v.o.):—I could give my opinion, I could learn, I could be there, help, show myself free to express my emotions… I have been able to do so many things. Being a teacher, a parent, a lawyer, a pedagogue, a person. Education is a place for everyone, and everyone can contribute.
('Center', by Pablo Pastor)
Audio description [AD]:On a black screen, the text "The work begins…".
A seguir, são apresentados fragmentos de momentos e intervenções do workshop. Em seguida, aparece o mesmo carro que foi mostrado no início, de volta.
Voz 1 (v.o.):—Agora, resta-nos um caminho onde continuar a avançar. Continuar a construir e a alcançar a mudança social. Onde a escola seja de todos e para todos. Onde todas as linguagens, olhares e corações tenham lugar. Uma escola inclusiva.
Audiodescrição [AD]:Fragmentos de momentos e intervenções do workshop. A seguir, capturas de menções do workshop em diversos meios, incluindo blogs, Twitter e Instagram.
Créditos finais. Uma mesma linguagem. Direção: Ignacio Calderón, Lucía María Parody, María Trujillo. Roteiro: Esther Polo. Produção: Miguel Moreno, Yolanda Ortega. Câmera: Joaquín Barba, Eva Blancbois. Tema principal: Pedro Pastor,Centro. Música utilizada. Beautiful background, Lightning Traveler, Música Livre de Direitos Autorais (Bensound), Mentes Criativas.
Participantes: Silvia Abolafia, Silvia Aguilar, Andrea Alfaro, Ana Angulo, Juan Carlos Aquino, Sandra Arjona, Joaquín Barba, Rosario Barea, María Dolores Berenguer, Eva Blancbois, Jorge Bueno, Ignacio Calderón, Alejandro Calleja, Irene Carranza, Hermelinda Casaña, Marian Chasco, María José G. Corell, Sonia Díaz, Beatriz Domene, Esther Domínguez, Susana Fajardo, Diana Farzaneh, Ana Gallardo, Loida García, Macarena García, M. Francisca García, Miriam Valle Garcia, Olga Gave, Maite Gavilán, Cristóbal Gómez, Arasy González, Natividad González, Alicia Gracia, Rafaela Guardiola, Antonio Guerrero, Catalina Herrero, María Elena Jiménez, Belén Jurado, Inmaculada Laguna, Concepción Lis, Lucia Loma, María Luz López, María Victoria López, Marina López, Raúl R. López, María Victoria Lupiáñez, María Cristina Marcos, Antonio Alberto Márquez, Estela Martín, Isabel Martínez, Sonia Mateos, Carmen Mates, Mirela Maximet, Carmen Máximo, José Luis Melero, Karina Milici, Alba Milla, Mirian Miranda, María Teresa Mora, Carmen Morales, Carmen Moreno, María José Moreno, Miguel Moreno, Ascensión Muñoz, Inmaculada Concepción Orozco, Yolanda Ortega, Aleida Orviz, Lucía María Parody, Belén Pascual, Mariano Pastor, Fran Pereña, Águeda Pérez, Susana Pérez, Pedro Piña, Esther Polo, Almudena Prats, Noemí Preciado, Cristina Puyo, Virginia Ramos, María Teresa Rascón, Marta Recarte, Ana Robles, Cristina Robles, Juan Carlos Rodríguez, María José Romero, Rocío Rosas, Paloma Ruiz, Rocío Salcedo, Marta Sánchez, Pedro Sánchez, María Eva Santiago, Miguel Serrano, Ana María Solsona, María Trujillo, Francisco Claudio Urbano, Fernanda Valdés, Aleix Vicente, Juan Antonio Vicente, Manuel Villalobos, Isabel Yagüe, Ainhoa Yáñez, Carmen Zunilda.
Essa raiva era uma raiva emocionada e tensa, mas ao mesmo tempo era um chamado sereno e relaxado à mudança, sem intenção de ofender, sem espírito violento.
Fomos tomando consciência como coletivo a cada relato e a cada experiência que era contada. Ao mesmo tempo, a ideia de que nossa condição biológica não é o problema, mas sim a “desculpa” para manter um sistema que se alimenta da segregação, ia tomando forma.
A dor e a alegria têm nome e sobrenome
Este conjunto de testemunhos foi o dinamizador inicial do workshop. Trata-se de uma série de vídeos curtos nos quais são esboçadas histórias reais, com emoções vividas e o papel que a Orientação Escolar desempenhou nelas. Este conjunto de recursos audiovisuais mostra que essa dor e essa alegria nas escolas têm nome e sobrenome. Dessas emoções nascem valiosas reflexões e ações.
[Para visualizar los videos, haz clic en las imágenes]
Olá, meu nome é Paula e sou mãe de três crianças. Todos os três frequentam uma escola regular e um deles ocupa uma vaga de necessidades específicas de apoio educativo. Quem a ocupa chama-se Héctor e tem um diagnóstico de transtorno do espectro autista. Demorou muito para falar e, até hoje, ainda tem muita dificuldade. Diz cada vez mais palavras, mas tem dificuldade. No entanto, ele está no 2º ano do Ensino Fundamental com seus apoios.
Um apoio fundamental para nós é a cuidadora. Ela é quase o engrenagem fundamental para que Héctor esteja na escola regular. Mas a nível acadêmico, por exemplo, Héctor difere pouco de seus colegas: sabe ler, sabe somar, sabe escrever, escreve suas próprias histórias… Então, eu estou ciente de todas as coisas positivas. Inclusive Héctor frequenta, por fora, atividades de música, ludotecas, e todos são capazes de ver as qualidades positivas, e às vezes, a partir das equipes de orientação, o que eu noto é que o que eles tentam nos transmitir é tudo o que eles não são capazes de fazer, mais do que o que são capazes de fazer.
E eu penso que seria preciso potenciar ou dar ferramentas para superar todos esses hándicaps que eles têm, mais do que nos contar o que nós já sabemos: que ele não pode fazer isto, que ele não pode fazer aquilo… E muito menos, dizer-nos: «Eles não são capazes de…» Se ele a esta altura fez tudo o que fez é porque se pode fazer. E porque tem um mérito enorme. Então, contou com duas tutoras extraordinárias. Estamos sempre dependendo da qualidade profissional que lhe calhar, em qualquer centro e qualquer criança.
No nosso caso, a sorte esteve do nosso lado e não sabemos como será o futuro nem o nosso dia a dia. O que tenho muito claro é que não há nenhum centro que não seja regular onde Héctor possa aprender mais do que está aprendendo. O que seria uma pena seria que lhe tirassem a possibilidade de estar com o que é hoje algo fundamental para nós, que é o grupo de referência: essa turma que é um exemplo de convivência, que nos dá lições todos os dias, e que é um pouco o que me dá energia a cada dia.
Olá a todos e a todas. Meu nome é Susana Ortigoso García e sou psicóloga clínica em uma Unidade de Saúde Mental que depende do Hospital Universitário Virgen de la Victoria de Málaga. Minha relação com a Orientação Educacional está determinada pela quantidade de crianças — cada vez mais — que chegam às equipes de saúde mental por queixas ou problemas surgidos no ambiente educacional. Muitas vezes, são crianças que já vêm com uma avaliação psicopedagógica realizada, na qual se medem todas as dificuldades que essa criança apresenta em nível psicopedagógico.
O problema fundamental é que, acredito, em resposta à época que estamos vivendo, onde todas as questões estão se centrando no cérebro, em questões orgânicas, de neurotransmissores, etc. As pessoas já chegam com a certeza do que lhes acontece, e essa certeza passa por siglas diagnósticas. Siglas como TDAH, TEA, Transtorno Opositor Desafiador, etc. A preocupação fundamental vem dada porque são diagnósticos que não dizem nada do que está acontecendo com essa criança, não dizem nada de seu sofrimento. Dizem muito sobre o quão incômodas essas crianças podem ser para os adultos, incluo os pais e as mães, os professores, fundamentalmente os adultos.
São siglas diagnósticas nas quais não se leva em conta a influência desta época, a influência das crises dos adultos, as dificuldades que existem no ambiente educacional, no sistema e nas próprias escolas. São rótulos diagnósticos que se colocam com base em listas de sintomas, e onde as diferenças acabam sendo patologizadas. Sim, é verdade que nestes anos pude conversar com orientadores; atualmente estamos tendo reuniões periódicas, não tão frequentemente quanto certamente gostaríamos, mas com alguns orientadores educacionais. E sim, é verdade que quando nos colocamos a falar do caso a caso, e do que está acontecendo com essa criança, podemos dar um sentido às dificuldades que ela apresenta, e outros caminhos se tornam possíveis.
E bom, fundamentalmente isto. A ideia deste encontro que será realizado na Universidade de Málaga me parece fantástica; há anos que sonho com um encontro em grande escala entre Saúde Mental e Educação, e bom, aqui está meu grão de areia.
Olá, sou María Luisa, mãe do Ángel. Meu filho nasceu nos anos 80 e só pôde frequentar a escola regular durante a educação infantil. Recentemente, recebi a carta de uma orientadora, Macarena, cuja reflexão me comoveu e confortou, talvez porque sempre a sonhei e, acima de tudo, porque representa esperança para outras mães.
Este ano mudei meu papel educativo como orientadora da etapa do Ensino Secundário para o Ensino Fundamental. Mesmo em fevereiro, continuo em um estado de «choque de realidade» com muitíssimas situações que me impressionaram e continuam a fazê-lo. Desde que as crianças se incorporam aos três anos, o fazem a partir de uma ruptura do apego: desde o choro para um espaço baseado em normas absurdas e inflexíveis. Exigem-se delas aspectos para os quais não estão preparadas nem maduras, e já se incorporam a um espaço hostil que não se ajusta às suas necessidades e interesses. Elas precisam de movimento, de descobrir, de investigar…
E assim se começa a forjar esse espaço que chamam escola, onde a cada dia menos se atende às necessidades das crianças, se desumaniza as pessoas e se mercantiliza tudo. E assim seguimos, com práticas baseadas na desigualdade, marcando a diferença como algo negativo, apontando as crianças que não se ajustam à norma e com uma demanda contínua para rotular as crianças e que elas saiam muito da aula. Assim continua a primar a homogeneidade.
E a lista continua. Com uma Administração mercantilizada, centrada em números e em economia, não em proporcionar recursos adequados a cada situação. E um sistema informático rígido, com pareceres engavetados, categorias fechadas, tipificações engessadas e umas modalidades de escolarização que, das quatro que existem, três são segregadoras e excludentes.
E encontro mentalidades bloqueadas pelo medo. Custa muito trabalho sair das zonas de conforto. E famílias desesperadas porque seus filhos recebam uma educação de qualidade. A orientação é compreendida como um instrumento de diagnóstico, e isso nos exige uma Administração que não oferece os meios e recursos necessários.
E em todo este turbilhão, não paro de me questionar: quem sou eu para emitir pareceres e julgamentos? Como favorecer espaços e tempos mais integradores e humanos? Como modificar os sistemas de crenças para apostar na ideia de que qualquer pessoa «pode»? E entro em contínuas contradições com o que se espera que eu faça, com o que devo fazer e com o que realmente gostaria de fazer. E assim navego neste mar de contradições, buscando novas ilhas em que nos reinventarmos…
Olá, sou María Luisa, mãe do Ángel. Meu filho nasceu nos anos oitenta, e sua experiência educativa na escola regular limitou-se à etapa infantil. Não vou falar da dor que significou para mim aceitar que a escola não se adaptava às necessidades do meu filho. Em vez disso, quero compartilhar uma anedota que ilustra a naturalidade com que as crianças aprendem a conviver com as diferenças.
Meu filho teria 5 anos e aquele colega 3; era seu aniversário. Ele perguntou à sua mãe como deveria entregar o seu doce ao Ángel, se embrulhado ou desembrulhado. Tendo em conta que a essa idade as crianças já têm certas habilidades manipulativas, a sua pergunta deve ter surpreendido a sua mãe. Quando ela entrou na sala de aula com o seu filho e viu o Ángel, percebeu a situação. Ao sair, comentou comigo, um pouco surpreendida, o que tinha acabado de acontecer. O que aconteceu não foi senão um dos tantos milagres que ocorrem diariamente nas escolas: crianças que aprendem a conviver para estarem juntas, que se conhecem e querem fazê-lo, que se ajudam e agem com naturalidade, e quando têm uma necessidade, pedem ajuda.
Parece-me que esta é uma oportunidade que não podemos desperdiçar, nem pais nem educadores, para ensinar valores que só se aprendem com a prática. Porque a solidariedade, a empatia, a compreensão, até essa ternura que muitas vezes perdemos com a infância, são fundamentais para que as pessoas, as crianças, se construam como seres humanos completos.
E quando se exclui uma criança da sala de aula, não só se comete com ela uma tremenda injustiça ao privá-la de um direito fundamental, mas também se priva as outras crianças da possibilidade de se enriquecerem com a diversidade e de se construírem de maneira completa. Porque só somos seres completos quando nos relacionamos com as pessoas. Com todas as pessoas. Obrigado, e um abraço.
Olá, tudo bem? Sou Iris, e sou mãe de um menino de 10 anos com diversidade funcional, física e intelectual. Ele se chama Manuel. Ele está aqui. Sempre apostamos pela educação inclusiva, mas no momento Manuel está em um colégio regular, mas em salas de educação especial. Com isso, ele está cursando Educação Especial, embora esteja em um ambiente de colégio regular.
A maior dificuldade que ainda percebo é ter que escolher entre a parte efetiva, a efetividade da escolarização do meu filho, do ensino e da aprendizagem que a escola pode oferecer a Manuel, e escolher entre o cuidado da sua pessoa, o respeito por ele como indivíduo. Por que temos que escolher? Muitas vezes temos que escolher, porque se nos apresenta a nós mesmos, eu me questiono todos os dias. Eu tenho essa questão minha. Não tento projetar essa responsabilidade nos outros. Também me questiono: por que tenho que escolher entre a efetividade de que ele aprenda coisas, de que possa se desenvolver de uma maneira eficaz, com respeito a estudos, resultados… e a parte do respeito à sua maneira de ser? A importância das relações que ele possa gerar na escola, a importância de ser ouvido, de que possa participar, ou não, simplesmente respeito por estar ali mesmo…
Como podemos construir algo onde ambas as coisas sejam importantes? Porque eu acho que são importantes. O respeito à sua lentidão, a ver como ele vai se expressando, como vai aprendendo a se comunicar, como vai se construindo como ser. Mas também é importante… o tempo passa e ele vai ficando mais velho, e demanda aprender coisas, e demanda… Como podemos chegar a esse equilíbrio? Como podemos juntar essas duas necessidades importantes para oferecer a todos os garotos? Como podemos oferecer essas duas coisas, sem ter que, quando escolhemos uma, nos esquecermos da outra?
Muitos beijos a todos! Tchau
Sou Noelia, a mãe do Manu, de 9 anos e com síndrome de Down. Minha experiência com a orientação… bem, nunca tive nenhuma experiência positiva. Meu primeiro contato com uma equipe de orientação foi quando Manuel entrou na escola, com três anos recém-completados, e apenas um mês depois a orientadora do centro me ligou para dizer que, claro, o ideal seria que no ano seguinte ele repetisse porque "estas crianças" começavam com 4 anos. "Estas crianças", frase mítica onde as há. Acho que vou colocá-la como epitáfio em meu túmulo: "Aqui jaz a mãe de uma destas crianças". Então, claro, como o meu tinha começado com 3, precisava repetir três anos, porque assim era melhor para ele, para firmar conceitos… Mas claro, como não era legal, o ideal seria que estivesse matriculado com 4 anos, mas iria com a turma de 3. Eu disse que não. Que meu filho, se achassem oportuno que tivesse que repetir, que repetisse, mas como não era legal, passaria para os 4 anos porque eu tinha decidido que ele entrasse com 3 anos. Então ela me disse: Bem, você mesma. Você vê, faça o que quiser, mas tenha claro que quando chegar aos 5 anos ele vai repetir. Chegaram os 5 anos, a equipe de orientação mudou e a equipe de orientação achou que ele poderia passar para o 1º ano.
No 3º ano, encontramos um tutor que não tinha… Bem, para isso precisaríamos do tempo de duração de "E o Vento Levou", para falar do tutor em questão. Ele passava mais tempo no escritório do orientador do que em minha casa. E cada vez que eu ia, no início do ano letivo, eram só palavras boas, eu tinha razão em tudo: efetivamente, essa pessoa não era adequada para meu filho, tratava-o como não devia ser, tratava-o como a mais um móvel na sala de aula… Meu filho estava manifestando comportamentos disruptivos que nunca havia manifestado aos cinco anos por culpa de que essa pessoa não o estava tratando adequadamente nem o estava integrando adequadamente na sala de aula. De um dia para o outro, não sei o que aconteceu, a equipe de orientação me disse: "Olha, isso que estávamos falando de que era essa pessoa… Não, é seu filho. Claramente, 'é seu filho' porque seu filho, quando chega pela manhã, abraça e cumprimenta essa pessoa".
Então, chega um momento em que aquela situação já era insustentável. Meu filho estava sendo assediado por vários colegas, zombando dele… "Claro, claro, claro, sim, sim, sim, você tem razão, você tem razão, você tem razão", mas ali ninguém fazia nada. Com o que, decidi mudar de escola.
Estamos encantados no momento. É uma pena que tenhamos tido que sair da escola, mas meu filho neste momento é uma pessoa completamente diferente. Eu, a única coisa que tenho a dizer aos orientadores, a todas as pessoas que têm em suas mãos parte da vida de nossos filhos, é que, por favor, não os rotulem. Com essa etiqueta, já se os julga, se os pré-julga, se lhes coloca uma série de obstáculos, que não há direito! Porque meu filho, por ter síndrome de Down, não tem por que começar a escola aos 4 anos, se eu decidi que ele comece com 3. E porque meu filho tem síndrome de Down, não tem por que uma pessoa me dizer (como me foi dito em uma ocasião): "É que se seu filho continuar com seus comportamentos disruptivos, vamos pensar em mudá-lo para Educação Especial ou Combinada". Isso não há direito! Porque havia colegas dele com comportamentos inadequados em relação a ele, mas como não usavam a etiqueta, em nenhum momento se considerou que deveriam sair da escolarização regular. É a única coisa que peço como mãe.
Olá, chamo-me Mari Carmen. Sou de Ciudad Real e sou professora. A minha participação no congresso é para partilhar a experiência que vivo como mãe de um rapaz. Vou partir do facto de que os nossos filhos costumam ser rotulados, e com esse rótulo justificam-se as conquistas e as limitações que eles têm. Eu vejo que no momento em que os nossos rapazes têm um determinado rótulo, já com isso justificamos que os nossos rapazes não avancem nem alcancem o que outros rapazes podem alcançar ou realizar.
A dor que vejo como mãe é a falta de coordenação e a falta de informação que, dos centros e sobretudo no Ensino Secundário, nos é oferecida às famílias. É uma luta contínua e não nos dão uma informação clara e concisa para que nós possamos participar e nos tornarmos participantes.
E bem, não vamos terminar com tudo negativo. Vamos terminar com uma alegria e a alegria, para mim, é o meu filho. É ele, é a luta, que me ajuda a lutar, a seguir em frente, e é o não me sentir sozinha. Neste caminho eu vejo todos os dias que não estamos sozinhos, e é com isso que quero terminar como positivo.
Gloria:—
Olá, bom dia. Eu sou a Gloria Chacón e esta é a minha filha pequena Sara, que tem 9 anos e vai para… Para onde vais?
Sara:—
4º ano.
Gloria:—
Para o 4º ano do ensino fundamental. A minha experiência na escola é que… Quer dizer, eu leio que é melhor que ela não saia da sala, que até entre no Atendimento Educacional Especializado (AEE), dentro da sala, com apoios, mas na verdade, se o professor não quer, é… Eu não posso fazer nada. É muito difícil. Então prefiro que ela saia, porque se o professor, o tutor, não a considera uma aluna, considera que é algo à parte, que passa o dia a colorir e a escrever mil vezes a mesma página, então na verdade prefiro que essas duas horas ela saia, porque a Sara é uma menina, (dirigindo-se à Sara) não é?, que sabe ler, o que mais sabes? Sabes escrever, fazes somas com transporte… (Sara nega com a cabeça).
O que eu vejo é que, quando o professor a considera uma aluna, ela fica muito feliz e isso a motiva a aprender. Porque, por exemplo, o professor de música, ela está a aprender flauta…
Sara:—
Com Alicia.
Gloria:—
Com Alicia. A professora de inglês prepara material para ela e ela está aprendendo muito inglês… Então ela se sente uma aluna a mais e quando a consideram algo à parte, ela fica entediada. E que ela passe a manhã inteira sem fazer nada, não me agrada. A orientação da escola, na verdade, também não… Ela faz o horário e se você vai pedir algo, na verdade me sinto como uma mãe chata, quando estou pedindo as coisas que deveriam ser atendidas, mas não, não me sinto atendida de forma alguma, nem minha filha Sara, é claro. (Sara faz o gesto de terminar) Já não falo mais? (Risos)
Muito obrigada e tomara que as gerações que estão se formando agora vejam tudo isso de outra maneira e saibam que, quando um professor trata seu filho dignamente e o considera um aluno, você é eternamente grata. A criança aprende muito mais, está mais motivada. Mas quando um professor te afasta, na verdade gera muito sofrimento no aluno e na família.
Muito obrigada. Vamos nos despedir, Sara?
Sara:—
Adeus.
Nossa história ainda é muito breve, porque estamos começando agora com o tema do colégio. Eu me chamo Carmen, minha filha tem três anos e se chama Enma. Começou no colégio em setembro do ano passado. A busca por um colégio foi muito angustiante. Enma, na creche, tinha vaga como criança com necessidades educacionais especiais, e ao passar para o colégio, tinha que ser em um colégio com sala de aula TEA [Trastornos del Espectro Autista], porque ela precisava. Com essas circunstâncias, as opções que tínhamos para escolher um colégio perto de casa eram mínimas. Os colégios que tinham sala de aula TEA relativamente perto tinham todas as salas ocupadas e foram meses muito angustiantes porque fui a muitas jornadas de portas abertas procurando colégio e não havia opções. O que gostávamos não tinha vaga e… No final, surgiu a possibilidade de matricular Enma em um colégio perto de casa que abria sala de aula TEA pela primeira vez este ano. Então, era um colégio que não tinha formação de nenhum tipo, nem o corpo docente, nem os profissionais… Tudo é como muito improvisado.
Minha filha evoluiu bem, agora está passando por uma fase um pouco ruim, mas é verdade que é um pouco angustiante se deixar levar pelos profissionais e ver que… Pois é, que o colégio não é só a sala de aula TEA, o colégio é muito mais. O colégio é a professora da sala de referência, que tem que estar formada em autismo, evidentemente, e não estava formada. O pessoal do refeitório… É um pouco tudo. E conscientizar, as tarefas de conscientização das famílias… Porque também não foi fácil.
E bom… Minha filha entrou… Minha filha não fala, de momento é pré-verbal, mas começa a dizer algumas palavras agora. A verdade é que, como mãe, custa muito confiar que ela, as sete horas que passa no colégio, está bem e a entendem. E custa muito trabalho quando, desde o início, já há tanta instabilidade, é tudo tão novo e ninguém sabe por onde as coisas vão. Por mais que te digam que controlam, que as salas de aula TEA estão muito controladas, e que os profissionais que estão lá as dirigem bem… A verdade é que é muito complicado.
Não sei o que o futuro nos reserva. Já ouço outras mães falarem de outras opções, mas é verdade que, no nosso caso, o primeiro passo foi muito difícil, muito complicado, e agora Enma cursará o Ensino Infantil, e do passo para o Ensino Fundamental já nem pensamos. De momento, nos conformamos como estamos e veremos como as coisas vão. Obrigada.
Olá, sou Rosa María Conca Pérez, de Ontinyent, da comarca de la Vall d’Albaida, em Valência. Bom, agradecer este workshop de Educação que me parece muito importante. Queria comentar sobre o tema da formação não obrigatória. Atualmente, estou cursando um Ciclo Superior de Formação Profissional de Promoção da Igualdade de Gênero aqui na minha cidade e… Bom, tenho necessidade de apoios generalizados. Preciso de ajuda na vida diária, para ir ao banheiro, etc. Vou em cadeira eletrônica para me deslocar e, quando comecei a cursar o ciclo, comentei minha situação, que precisava de apoio para ir ao banheiro.
O chefe de estudos e a direção me comentaram que iam olhar, que achavam que havia uma ajuda… Mas bom, no primeiro ano não me disseram mais nada. No segundo ano, quando fiz a matrícula, disse à diretora que fizéssemos um escrito porque, veja bem, tinha passado um ano e nada. Inclusive redigi o escrito e não sei se ela o enviou como estava ou o quê, mas bom. A resposta quando perguntei, porque ela não tinha me dito nada, é que lhe tinham dito que, como era educação não obrigatória, como ela se atrevia a perguntar isso. E nada mais. Estive estudando e estou concluindo o ciclo, este último curso, graças às minhas colegas, que me ajudam todos os dias a ir ao banheiro e graças às professoras e aos professores, porque me serviram de grande ajuda. Me deram todo o apoio, estiveram ali comigo transmitindo nas avaliações e nas reuniões minha situação. Me deram margem para que eu fosse embora se estivesse cansada, etc.
E bom, ressaltar que há professores muito conscientes e com muita vontade, que sim que querem mudar as coisas. Mas bom, a situação da educação não obrigatória para as pessoas com diversidade funcional e com necessidade de suportes generalizados está muito mal. Normal que a educação esteja tão baixa no setor da diversidade funcional. Porque não temos nenhum apoio nem nenhuma ajuda. Se a educação obrigatória já está mal, pois é que o resto são nulos os apoios que há.
E nada. A todos os mestres e mestras, e professores e professoras que estejam aí, orientadoras e orientadores, todo o coletivo de educação que está aí, que lutem pela inclusão, que nos coordenemos mais, que nos organizemos mais, e que tem que se visibilizar muitíssimo e ser uma força muito unida para que isto acabe e seja uma inclusão real. Um abraço a todos.
Sou Isabel, mãe da Lorea. A Lorea tem 12 anos e, com quatro meses e meio, teve uma encefalite. O seu diagnóstico mais claro é uma pequeníssima paralisia cerebral que a afeta sobretudo na escola, no seu acesso ao conhecimento, visto que tem um quadrante cego no lado direito, e o acesso ao conhecimento através da leitura dificulta-se-lhe muito. Além disso, tem uma desconexão viso-manual e a sua experiência na escola foi fabulosa até que o académico e o conceptual começaram a ter muito peso.
É uma menina aberta e comunicativa, e era muito bem acolhida pelos seus colegas. Quando o académico começou a ter peso, aos cinco anos repetiu. E eu, sempre apoiada por uma estimulação externa na qual me diziam que era uma menina que podia, que na escola eles tinham a experiência de que se costumam confundir as coisas, e às vezes quando não sabem muito bem o que fazer, logo te dizem que não pode. Todo o tempo insistia em que sim pode, até este momento, em que me planteio que repita o 6º ano, porque o que me oferecem no Ensino Secundário é uma ACI global.
Eu não admito uma ACI global, visto que eu, que a conheço de perto, sei que pode. Que é verdade que, talvez, não faz um Ensino Secundário em quatro anos, mas pode fazê-lo em mais tempo e indigna-me profundamente que desde o início se lhe diga: «a ti não te vou qualificar, não te vou exigir nada, não te vou nem avaliar, e o que vás fazer, apesar do teu esforço e de que sim admito que aprendes, não me vai servir». E então estou disposta a ir para a guerra no próximo ano, visto que este ano o que mais tranquila me deixa é que repita o 6º ano e… depois já veremos. Obrigado!
Olá, meu nome é Elia Sevilla. Sou professora de Educação Infantil e psicopedagoga, e trabalhei na Espanha e na Argentina. Na Argentina como professora integradora e na Espanha como PT e psicopedagoga em particular, orientando crianças com dificuldades de aprendizagem e necessidades educativas especiais.
Gostaria de compartilhar minha experiência nas escolas, destacando principalmente a importância do professor, do tutor, do professor de referência ou dos especialistas no trabalho com as crianças. O mais importante e quando elas se sentiam melhor era quando eram incluídas nas atividades, quando eram feitas atividades em que elas podiam participar e se buscava a forma de fazê-lo. Havia realmente professores que conseguiam muito bem, independentemente da dificuldade da criança. E outros em que era seu aluno e não se ocupavam dele, e você tinha que fazer a aula para ele. Podia ser na sala de aula ou fora dela, mas na verdade era você quem planejava tudo e sem colaborar com o professor de referência.
Nesse sentido, acredito que é importante que os professores sintam todos os alunos como iguais e o especialista como um apoio ou uma ajuda de um colega com quem compartilhar o trabalho dentro da sala de aula. Uma boa experiência de orientação foi quando, como orientadora externa, pude chegar a muitos colégios e institutos onde pude conversar com orientadores muito envolvidos e que buscavam fazer muitas coisas pelos garotos que eu atendia particularmente. E quando queria entrar em contato com a escola, porque gosto de trabalhar de forma coordenada com a escola, com a família, com a criança… pude acessar muitos colégios com muita facilidade, e outros nem tanto.
E orientadores muito acessíveis e muito envolvidos, que buscavam muitas estratégias dentro de seus centros e outros orientadores aos quais nem sequer pude ter acesso, porque não se contemplava a intervenção de profissionais externos. A intervenção, a coordenação com um profissional externo que estava atendendo um aluno de seu centro. Também queria contar que agora estou na Fundação UNICAP e que estamos buscando fazer uma escola que inclua todas as crianças e que o sonho seja realidade.
Obrigada.
Olá, sou o Ramón, pai do Eudald, de 6 anos. Vou contar-vos um pouco da nossa história. O nosso primeiro contacto com a Orientação Escolar foi no centro de Atendimento Precoce, onde aos três anos nos disseram —antes de começar a escolarização— que o melhor para o Eudald era repetir a creche e que ficássemos um ano à espera que abrissem um colégio de Educação Especial de nova construção que estavam a fazer em Reus. Nós recusámos, e finalmente o escolarizámos num centro aqui de Reus de uma única turma. Gostámos do colégio. Além disso, um dos seus lemas é o de escola inclusiva. Convenceu-nos, e começámos.
No P3 correu muito bem, a professora que ele tinha estava muito empenhada, encorajou-nos a tirar-lhe a fralda, e funcionou. O controlo de esfíncteres funcionou em dois meses, e ficámos muito contentes. E bem, no P4 já começaram um pouco os problemas, porque começaram a separá-lo durante certas horas. Eles disseram que, como só tinham dois professores de Educação Especial no centro, não podiam cobrir as necessidades de todos os alunos com necessidades educativas especiais. E o que faziam era separá-los numa sala, à parte da sala de aula regular, para cobrir as suas necessidades. Isso pareceu-nos péssimo. Estamos ainda em cada reunião, a verificar que os recursos os recebe na sala de aula regular, com os seus colegas, com a sua professora de referência e, como tem de ser, acreditamos nós.
E bem, dizem-nos sempre que é uma questão de recursos, que não há recursos… E nós pensamos que os recursos são muito importantes, mas também… Bem, a atitude do centro que deveria ter um plano estrutural que favorecesse a inclusão e que todos os professores trabalhassem em equipa, e apoiando-se uns aos outros, certamente cobririam muitas dessas necessidades que os alunos têm. E depois, claro, que se forem necessários recursos, nós somos os primeiros a lutar com eles para ir buscar à administração esses recursos. Mas que a atitude e um plano estrutural para favorecer a Educação Inclusiva é vital, acreditamos.
E bem, é tudo. Esta é a nossa experiência. Tê-lo-íamos gostado de estar aí convosco, mas não foi possível. Muita distância, não há tempo… Mas bem, um abraço a todos e obrigado por tudo o que fazem.
Olá, meu nome é Isabel. Sou a mãe da Mar, que agora tem 18 anos. Mar, no dia 6 de janeiro de 2017, me disse que abandonava a escola, que não queria continuar. Perguntei: Por quê? Porque a verdade é que a vi muito decidida, e disse que ela não faria falta para eles, e eles para ela também não, referindo-se tanto a colegas como a professores e à comunidade educativa.
Ainda assim, esperamos alguns dias para comprovar que a sua decisão era firme e, bem, era. Até hoje, ela ainda não mudou de opinião. Então tivemos que preencher um formulário para dar baixa e explicar os motivos. Os motivos que explicamos são que… Atribuindo ao ambiente escolar a desmotivação dela e a vontade de abandonar, pusemos fim a muitos anos de luta na escola. Porque não podemos chamar de outra forma senão luta. Quando saímos de lá, fomos comemorar, de facto.
E a verdade é que, desde que abandonou a escola, a Mar é muito mais feliz. Ainda assim, temos claro que o tempo que esteve na escola, simplesmente por estar, aprendeu imensas coisas. Por isso, quero agradecer a todos os que estamos e estão aí, na luta para que algum dia os direitos à educação sejam realmente isso, direitos.
Muito obrigada a todos por esta iniciativa.
Olá, meu nome é Lina e falo de Alicante. Aritz tem quatro anos e meio e tem síndrome de Down. Nossa experiência, em termos de orientação, tem sido negativa em todos os casos, encontrando até situações traumáticas e muito difíceis. A primeira foi a avaliação em que fazem o parecer. Aritz tinha acabado de passar por um exame médico muito forte que te deixa muito atordoado, e então os avisamos. Além disso, bem, o parecer saiu. Eles nos chamam para assiná-lo se concordamos ou não e para nos explicar tudo. Eles nos dizem que ele passa por pouco, como se estivessem nos fazendo um favor, e perguntamos se não podemos fazer com que ele comece aos quatro anos na turma de três anos, e eles nos dizem que não. Nós dizemos a eles que há pessoas em Valência, em Madri e em outros lugares que fizeram isso, e eles nos dizem que não. Por quê? Porque não. Pronto. E acabou.
A segunda é na escola onde estamos porque a professora não consegue lidar com Aritz. Aritz, todo mundo se dá bem com ele, ele é um cara super sociável, e ela reclama todos os dias que ele não a escuta. Então os recursos, supostamente, você já os tem, a experiência você já tem... Já é problema seu. Eles nos prepararam uma armadilha em que todos decidem que... dois meses e meio depois de começar, ele tem que ir para uma sala especial. Temos que enfrentar essa situação dizendo que... Bem, que não concordamos. Com muita calma, muita tranquilidade, e que sabemos as razões pelas quais eles querem fazer isso, que são logísticas e econômicas. Eles têm interesses que acham que não sabemos, e nós sabemos. Temos que ir com a associação, defensor do estudante... Bem, o próximo passo seria ir para a imprensa.
E bem, depois gerenciar tudo desde o registro, deixando constância... Ao ver como reagimos, eles ficam muito surpresos. E bem, Aritz ficou doente o ano todo, o estresse o afetou... Ele não se sentia aceito. Os colegas foram geniais, mas a professora e a escola não foram bem. Explica-se de forma muito breve e é pouco tempo, mas eu gostaria que passassem apenas um mês do que nossos filhos passam... Alguns estão vivos por milagre. Não permito. Não permito mais que se questione a constância, o trabalho, o esforço e que sejam desvalorizados. Não. Porque eu acho que, então, deveríamos valorizar todas as crianças que entram na escola. Todas. Muitas teriam que ir para uma sala especial.
Então, a próxima coisa que tememos, e que nos assusta muito, e que estamos um pouco assim... Para o ano que vem, que passará para a avaliação que te leva ao Ensino Fundamental. E nós vemos. Vemos como estão direcionando para levá-lo a uma sala especial. Inclusive, pois... Agora não sei. Não sabemos como faremos... Pois veremos. Vamos ver o que [pasa].
Olá, sou a Blanca, de Saragoça. Tenho três filhos. O mais velho, o Pedro, tem 12 anos, e há aproximadamente 11 anos que o Pedro se transformou num papel. Para a instituição educativa é um Transtorno do Espectro Autista. Para a Psiquiatria, está diagnosticado com um transtorno misto complexo para o qual ainda não encontrámos o nome. No dia em que o Pedro se transformou num papel, as nossas vidas mudaram. Não antes.
Aos 5 anos, assinei um papel em que concordei que ele repetisse o ano para evitar a Educação Especial, porque pensei que era realmente o que lhe convinha. Evitámo-la, ele está num colégio regular, foi passando de ano, mas ao chegar ao quarto ano do Ensino Fundamental, já no início do ano letivo, dizem-me que o Pedro terá de repetir o ano. Eu passo muitos anos procurando uma série de apoios simples, colocando-me à disposição, dando um monte de soluções que nunca são aceitas pelo Serviço de Orientação porque eu não sou especialista. Colocar um caderno de pauta em vez de um quadriculado, ou um tablet que não é implantado na aula para não gerar inveja nos colegas não me parece que sejam meios difíceis de conseguir.
O que é muito difícil de conseguir é que o Pedro, no dia em que lhe contamos que tinha de repetir o ano, disse que o seu coração se tinha escurecido e que nunca mais voltaria a brilhar a luz. Adoraria dizer que o meu filho hoje é uma criança feliz, mas não o é. A repetição supôs uma mudança total e uma rutura com os seus colegas, com os seus costumes, com o que ele conhecia. Por fim, esses pequenos apoios vão chegando, por parte dos tutores, não da Orientação.
Eu rogaria aos Serviços de Orientação que nos deixassem ser profissionais naquilo em que somos nós, que é em ser pais destas crianças. Eu não ponho em dúvida o trabalho de um Serviço de Orientação, mas não quero que o Serviço de Orientação ponha em dúvida o meu papel como mãe, nem que me impeça de o exercer. Espero de verdade que esta oportunidade nos leve a todos a um ponto comum e que não haja mais crianças que digam que hoje, a sua vida, é apenas um problema, com mais problemas do que os outros, ou que acreditem que são um problema para todos os outros.
Muito obrigada.
Quan l'Antón estava a Educació Infantil, la seva mobilitat era molt limitada i no podia pujar i baixar escales. Aleshores, havia de recórrer a l'ascensor en determinats moments, quan havia de traslladar-se fora de l'aula. La seva professora d'Infantil, a més, que és la persona amb la qual jo he après tot sobre educació, volia evitar una imatge molt assumida, estesa, completament normalitzada a les nostres escoles: que és veure el gruix de la classe, per una banda, amb la tutora i l'alumne o els alumnes amb discapacitat per l'altra, amb l'auxiliar tècnic educatiu, amb el cuidador o la cuidadora. I volia fer conscients a tots que cap nen de la seva classe pensés que ella era la professora de tots els nens, excepte l'Antón, o que l'Antón tenia altres adults que eren responsables d'ell.
Per a això, sempre va evitar que, cada vegada que l'Antón no tenia més remei que anar per un altre lloc diferent al de la majoria, anés sempre acompanyat per altres nens. L'ascensor era un d'aquests llocs. I com que a més també es va convertir en un privilegi i la classe de la Daniela era el lloc més democràtic de la Terra, tot està regulat amb normes. Sense normes que ens igualin a tots i que tots complim per igual, no existeix la justícia social. Com que es va convertir en un privilegi i no en una obligació, acompanyar l'Antón a l'ascensor, i tots volien acompanyar-lo cada dia, es van establir torns. Un dia, es van fer un embolic: normalment eren 4 companys els que anaven amb ell, i aquell dia van aparèixer 5 a la porta de l'ascensor.
Ella els va dir: «Només podeu anar 4 i sou 5. Us deixo aquí una estona, que delibereu, que ho penseu i que decidiu qui és el que s'ha de quedar fora i ha d'anar per l'escala». Aleshores, bé, els va deixar parlant i, passat una estona, va anar a veure quin havia estat el veredicte. I la portaveu del grup li va dir: «Ja ho hem parlat i hem decidit que el que no pot anar a l'ascensor és l'Antón perquè ja hi va tots els dies». A mi, quan m'ho va explicar, em venien ganes de plorar. Deia que, a més, l'Antón, tan campant allà al costat, amb cara com de: «Doncs teniu raó». Aquesta anècdota de l'ascensor és meravellosa i explica tantes coses.
Jo el que em pregunto és: ¿Què és el que ha ocorregut en aquests 6 o 7 anys, no només a les nostres escoles: a les nostres escoles, a les nostres cases, als nostres parcs, als nostres carrers? ¿Què ha ocorregut perquè aquells nens que no veien cap diferència entre ells i el seu company amb discapacitat, què ha ocorregut perquè 7 anys després l'ignorin i no sentin que forma part del seu món? Tinc força clar que els nens neixen sense prejudicis, i el meu plantejament és: ¿Què podríem fer per no canviar aquesta manca de prejudicis amb què neixen tots els nens i que els nens de l'ascensor no canviïn al llarg del temps?
Olá, meu nome é María Luisa e sou professora, além de estar cursando a graduação em pedagogia. Minha experiência com orientação escolar é agridoce. No meu caso, quando começaram a surgir dificuldades no ensino médio, o departamento de orientação escolar me incentivou a abandonar o bacharelado porque, talvez, fosse muito difícil para mim ou simplesmente eu não servia para estudar. Atualmente, tenho um Ciclo de Grau Médio… Consegui o bacharelado, sou integradora social e estou cursando a graduação em pedagogia. Ela, que não servia. No entanto, no caso do meu irmão, se preocuparam em buscar as necessidades que iam surgindo e em dar-lhes uma resposta eficaz que está possibilitando, junto com seu grande esforço, que ele esteja às portas de terminar o bacharelado.
O principal problema que eu vejo, e a grande diferença entre um caso e outro, é que há muitos profissionais que se acham mais eficazes se deixarem os problemas na porta, quando o que realmente faz um profissional é sua qualidade humana. Como futura pedagoga, que possivelmente se dedicará à área de Orientação Escolar, acredito que é necessário, desde já, retirar da nossa formação paradigmas antigos, caducados, técnicas e metodologias que o único que fazem é apontar o dedo, rotular, provocar desvantagem, discriminar.
No trabalho orientador e em qualquer trabalho relacionado à área socioeducativa é necessário que retiremos completamente as expectativas da pessoa que temos à frente, com quem estejamos lidando. Que vejamos, na hora de realizar este trabalho, que à frente temos uma pessoa com maiúsculas, uma pessoa que tem umas necessidades a satisfazer, e não que façamos, como costuma ser feito, que vamos pelo fácil… Que não vamos pelo fácil, que é ver unicamente um rótulo que temos que classificar e com o qual podemos estabelecer categorias.
Nós matriculamos Silvia aos 3 anos e ela ficou nesta escola até os 5 anos, ou seja, três anos letivos. No primeiro e segundo ano, ela se deu muito bem nesta escola, pois estava muito integrada com os colegas e não tivemos nenhum problema. Mas já na turma de 5 anos, pegamos uma professora que a via como um problema. Então, vimos que no final era perder tempo ficar ali, naquela turma, e descobrimos que a equipe diretiva dessa escola, que até então nos parecia que optava pela inclusão, não era tão inclusiva quanto pensávamos. De fato, nos diziam que Silvia tinha que estar na Educação Especial e que não podia estar na Inclusão.
Então decidimos mudá-la de centro, para o qual solicitamos um relatório ao orientador, à Equipe de Orientação, para poder fazer um desfasamento no próximo colégio, para que a menina ficasse nos 5 anos. Tivemos muitíssimos problemas com esse relatório porque o orientador não fazia o seu trabalho. Em janeiro, lembro que assinamos nossa decisão de mudança de colégio. Bem, pois de janeiro até os três meses que ele teve para fazer o relatório, nada, tudo eram enrolações, tudo eram evasivas... Além disso, ele nos disse que sim, que estava de acordo em fazer o relatório de permanência em um lugar e depois de repente se retratou, disse que não, que Silvia tinha que continuar naquele centro.
Contra a nossa vontade, porque tínhamos claríssimo que queríamos mudá-la, e tudo foram problemas. Tive que ir falar com a inspeção educativa, com o chefe do EOE, para apertar um pouco as coisas e dizer que fizesse o seu trabalho, porque dele dependia que pudéssemos conseguir uma vaga no novo centro ou não. Porque senão, ficávamos sem vaga. Passamos dois meses com muitíssimo estresse, porque víamos que Silvia ficava sem um novo centro, e depois, a opção de ficar no centro anterior não era viável, porque tínhamos claríssimo que ali ela não podia estar. Os profissionais não estavam para incluí-la, pelo menos na turma de 5 anos.
Nossa experiência no novo colégio é muito boa, porque desde o primeiro momento receberam Silvia de braços abertos. É um colégio que tem um ideário inclusivo, não como o outro. E por isso, acreditam que Silvia contribui muito para a turma, além de se beneficiar do que são crianças sem dificuldades, pois ela também contribui muito para a turma. De fato, nos repetiram desde o primeiro dia: que estavam muito contentes em tê-la. Que apostavam nela e que iam fazer tudo o possível para apoiá-la no que precisar, que é do que se trata. Porque Silvia tem direito a ter uma educação como qualquer outra criança.
Olá a todos. Meu nome é Sandra e sou mãe de três crianças. Uma delas tem paralisia cerebral. Ele se chama Jorge e atualmente está cursando o 6º ano do Ensino Fundamental. Ele repetiu o 4º ano, o que significa que ele está há 10 anos na mesma escola, a escola onde seus irmãos estudaram e onde estão todos os seus amigos. A etapa da Educação Infantil foi maravilhosa. Ele teve uma professora excepcional, e a acolhida por parte das outras crianças também foi extraordinária.
As dificuldades começaram quando ele passou para o Ensino Fundamental e Jorge tinha que começar a cumprir objetivos como as outras crianças. E aí começaram a nos dizer que tínhamos que aceitar que Jorge tinha um problema. Que aceitássemos. E que não esperássemos que ele cumprisse os mesmos objetivos que as outras crianças. Por parte do Departamento de Orientação, a verdade é que o contato conosco foi muito escasso. Nesses 10 anos passaram 4 orientadores diferentes e somente uma delas quis conhecer Jorge em profundidade, e receber todas as informações dos profissionais externos que o atendiam. Ela os reuniu na escola e tentou coordenar o trabalho com todos eles. Os outros dois orientadores que vieram depois, bem... nunca vieram a uma reunião. Minto, vieram a uma reunião de tutoria e o atual orientador somente me ligou por telefone para me dizer que havia saído a convocação das subvenções.
Tem sido uma etapa difícil. Principalmente para nós, que não quisemos que Jorge conhecesse as diferenças que nós tínhamos com seus professores. Não mudamos Jorge de escola, como muita gente nos incentivava, porque não há direito de arrancá-lo de seu ambiente social. O trabalho era nosso. Tentar nos coordenar com seus professores, tentar que Jorge continuasse progredindo... E tudo isso se resume em que Jorge teve um tutor quase a cada ano. O último que entrava pela porta. Ele está há dois anos com o mesmo tutor, e no ano passado, no segundo trimestre, seu tutor nos disse que acreditavam que Jorge havia chegado ao seu limite, ao seu teto. Que daí para baixo, obviamente Jorge se movia muito bem, mas não era capaz de superá-lo. Então eu perguntei se Jorge realmente não era capaz de superá-lo ou se eles não eram capazes de ajudá-lo para que o superasse. Ele ficou um pouco sem reação e admitiu que, apesar de faltar pouco para a aposentadoria, estava disposto a receber ajuda de profissionais externos que trabalhassem com Jorge.
Foram palavras muito bonitas que ficaram em palavras muito bonitas. Um abraço muito grande a todos.
Bom dia. Sou Maricarmen, mãe da Clara, de 16 anos. Vou tentar resumir todas as nossas alegrias e as nossas dores também, desde a Escola Infantil até o 2º ano do Ensino Secundário, que é o que ela cursa atualmente. A minha primeira dor foi quando uma orientadora na escola infantil disse que preferia um menino na cadeira de rodas, mas inteligente. Eu respondi que preferia que a minha filha fosse feliz. Exceto por isso, toda a etapa infantil foi muito boa, desfrutamos muito, tanto nas vivências da menina, como eu como mãe, e com muito boa colaboração por parte da equipa diretiva e de orientação e dos professores, fomos felizes.
Mas no 1º ano do Ensino Primário as coisas pioraram, e já era uma dor diária ouvir a professora dizer: «Tenho 24 crianças e a Clara». Diariamente, eu falava com a orientadora, já desesperada. Ela disse-me que só dava orientações e que se a professora não as quisesse seguir, ela não podia fazer nada. Então, não aguentei mais, e fizemos uma mudança para outro centro, recomendado pela Inspeção, e mais três anos muito felizes. Mas tudo mudou outra vez quando a equipa diretiva e a de orientação tiveram que abandonar o centro; a de orientação por lei, e a equipa diretiva por mudanças de votação.
E bem, durante dois anos a menina não foi avaliada e no 6º ano do Ensino Primário a orientadora, que não a conhece de nada, e os professores, que também não a conhecem porque são novos nesse ano, chamam-me e dizem que há uma mudança de escolarização, que me recomendam o Ensino Especial. Ao que eu me recuso e digo que não; claro que não. Começa a luta, a falar com médicos, a falar com centros, e há outra mudança, e calha-me um centro muito bom no qual a equipa profissional é estupenda, e a orientadora avalia a Clara em condições e vê que ela pode cursar o Ensino Secundário, que é no que estamos atualmente.
Bem, continuamos a tirar pedrinhas do caminho, porque são muitas, vamos fazer um castelo com elas. E lutando, e nada, sempre em frente. Eu apenas deixo uma reflexão: sempre acreditei que uma etiqueta, que é o que colocam nos nossos filhos, era para ajudá-los a avançar o máximo, mas agora descobri que não. Que a etiqueta é para estancá-los e afastá-los. Essa é a minha experiência. Se não houver luta diária e contínua por parte dos pais, os nossos filhos estão condenados a terminar no Ensino Especial. E é uma dor muito grande.
Muito obrigada a este projeto e a estas jornadas.
Olá, sou Rocío Sotillos, mãe do Mateo, que fez 12 anos, e da Carolina, que tem 10. Queria compartilhar um pouco da nossa experiência porque vai realmente na contramão da maioria das experiências que ouvimos. E pensamos que somos sortudas por isso, mas que pena pensar que seja uma questão de boa sorte, que dependa da sorte o fato de seu filho ser melhor ou pior atendido em uma escola.
Mateo começou com um parecer de escolarização de sala CYL, que são as salas específicas em centros regulares, e que naquele momento, bem, o inspetor dizia que era uma sorte ele ter uma vaga porque havia poucas e muita demanda, e que ali ele teria todas as suas necessidades atendidas. E o enviaram para uma escola em que era uma sala recém-criada, e na qual… Bem, eu acho que eles ainda não sabiam muito bem como se organizar. Mas no Infantil ele mal pisou em sua sala regular. No primeiro ano, ele descia uma hora por semana nos dois últimos meses do curso. Até então, não. Claro, em passeios, etc., do grupo de referência da sala ele não participava.
Como não gostávamos dessa ideia de escolarização para nosso filho, procuramos outro centro, outras opções, e mudamos para um centro. Neste caso, é um centro conveniado regular, uma cooperativa de ensino, e mudou no 1º ano do Ensino Fundamental. E a diferença, para que vocês tenham uma ideia, é que, uma semana após o início do curso, veio falar comigo a terapeuta ocupacional, que, claro, ainda não conhecia o Mateo, nem a professora… Porque não tinham tido tempo material, para me dizer que na escola faziam dois acampamentos por ano: um no início do curso e outro no final, e que o acampamento seria em três semanas. E eu, obviamente, esperava que ela me dissesse: «Talvez não seja conveniente que o Mateo venha, porque não o conhecemos ou…». Bem, enfim, o que se espera normalmente, que, infelizmente, é o que nos acostumaram. E ela veio e me disse: «Temos o acampamento e, claro, o Mateo vem». E não me perguntou, afirmou. Dando por certo que o Mateo ia, como iam todos os outros colegas.
Essa é a diferença: a atitude. Os meios são importantes, mas a atitude é muito mais importante. O olhar sobre a pessoa, sobre a criança, sobre como ela é, e suas características e não sua etiqueta, é fundamental. Que mude de curso, de ciclo, e mude de professora, e normalmente você tem preocupação sobre quem vai ser, se vai entender a maneira de ser do seu filho, e que venha a professora dizer-lhe: «Que sorte! Que vontade eu tinha que me tocasse esta turma, porque está o Mateo nela…!». Essas coisas são as que, de verdade, nos fazem seguir em frente e saber que é possível.
Quero parabenizar pela iniciativa. Acho que essa via de colocar em comunicação as famílias e os profissionais é a única para fazer com que tudo funcione e criar um futuro e, se possível, um presente muito melhor para a escolarização dos nossos filhos. Um abraço.
Aceda à lista de reprodução.
Ecos de um encontro mobilizador
O Workshop “Novas perspetivas na Orientação Escolar, para a infância e contra a segregação” não nos deixou indiferentes. Quem participou experimentou-o como um encontro muito mobilizador. Exemplo disso foi a resposta na rede, bem como os textos que foram sendo publicados em diferentes sites e blogs. Recolhemos a seguir alguns destes ecos:
- Repensar o papel (não só) da Orientação para tornar possível a inclusão , por Pablo Gutiérrez de Álamo
- WorkshopOrienta de Málaga: a Explosão dos Silenciados , por Antonio Márquez
- Por quatro cantinhos de nada! , por Cristóbal Gómez Mayorga
- A viagem sonhada… , por Alejandro Calleja
- Ingenuidade e esperança , por María Luisa Fernández
- Reflexão sobre o WorkshopOrienta em Málaga , por Estela Martín
- Novos olhares na Orientação escolar, para a infância e contra a segregação , por Ignacio Calderón
- WorkshopOrienta. Construindo a inclusão de baixo para cima , por Javier Herrera
- A imensidão do mar , por Belén Jurado
- O grupo dá calor, o grupo é necessário , por Maite Gavilán
O #WorkshopOrienta foi um encontro entre profissionais e famílias realizado em 2018 na Universidade de Málaga para pensar juntos como fazer escolas para todas as pessoas. Desde esse momento, temos nos organizado para tecer redes que tornem efetivo o direito à educação inclusiva. Uma aposta pela democratização das escolas.
Aqueles sem voz na escola gritaram neste evento. Aqueles que não podem se mover, dançaram alegremente.
E assim, com a naturalidade com que acontece o que tem que acontecer, o dia 24 de fevereiro tornou-se o dia da Esperança. E ali “me disseram” que essa escola que chega tarde para o meu filho, sim o será para outros, ou caso contrário, não será escola! E eu, mesmo sabendo-me ingênua, tenho esperança.
A metodologia proposta permitiu-nos construir as propostas “de baixo para cima”. Isto é, mediante a participação e colaboração.
Vídeos do Workshop
Aqui você pode encontrar todos os vídeos da sessão, tal como foram transmitidos na época.
Audiodescrição [AD]: Um grupo de participantes conversa enquanto se senta na sala, preparando-se para iniciar o workshop. Ignacio Calderón pega o microfone e se dirige ao grupo.
Ignacio Calderón - I.C.:— Bom dia a todos e todas, bem-vindos e bem-vindas à Universidade de Málaga e bem-vindos a este encontro que fizemos com muito carinho e que, agora, vivemos com muita ansiedade.
Bem, estava pensando que, primeiro, haveria que fazer uma apresentação desta jornada, que é qualquer coisa menos o que normalmente entendemos como jornada. As jornadas normalmente são entendidas como um lugar onde há um especialista que fala e o resto escuta e, neste caso, nos reunimos para nos concebermos todos e todas como especialistas da realidade que vivemos, e como construtores de conhecimento a partir dessa realidade que vivemos e estamos vivendo.
Falávamos há pouco Raúl, María José, Silvia e eu, os que armamos tudo isso, que haveria que apresentar esta jornada desde onde ela nasce. Nasce há um mês e meio, dois meses no máximo, quando María José, orientadora de Valência, mostra no Facebook seu mal-estar por sua profissão, porque está vivendo sua profissão, que é a orientação, desde um lugar que a ela não agrada. María José sofre, e então, ao expressá-lo, ela diz, talvez de uma maneira quase ingênua: Por que não nos reunimos? Por que não nos encontramos?
E a essa pergunta, que não sei se era totalmente consciente, responde muita gente. Trata-se de algo, de um encontro que se gesta agora, mas é um encontro que já estava ocorrendo previamente na rede, pouco a pouco. Bem, quando respondem a María José, respondem principalmente famílias, e então, isso transborda o que María José propunha, e quando falamos do tema, eu lhe digo, talvez, se possa fazer um encontro menos habitual, um encontro presencial em Málaga. E depois pensamos que tivesse a possibilidade virtual, porque as pessoas começaram a pedir que fosse virtual.
Dizia que transborda o início de pensar que fossem apenas os profissionais nessa conversa, nesse encontro. Transborda o fato de serem famílias que se encontram com profissionais em um espaço, e no final acaba sendo o que hoje montamos, e que terá sentido na medida em que todos lhe dermos sentido. Pouco a pouco, conforme se vai gestando o encontro, vão se colocando expectativas. Uma ideia que tivemos foi criar vídeos. Criar vídeos deu muito pano para mangas. Quando começamos a criar esses vídeos, foi chegando muita gente para nos perguntar e nos convidar a continuar. Nesse processo, há pessoas que não podem vir e que, mais ou não, além de enviar um vídeo com sua experiência, pessoas como Concha Casasnovas, que diz: «Me ocorre, Nacho, que isto deveria ter uma música». E quando diz que lhe ocorre que isto tenha uma música, pensa concretamente em um músico, e nos pomos a perguntar a esse músico se nos cede o direito de uso de uma canção e disso ficou isto.
Autodescrição [AD]:— Diante das pessoas presentes, a parede serve de tela onde se projeta a canção ‘Centro’ de Luis e Pedro Pastor, acompanhada de imagens criadas por Paula Verde. As imagens incluem retratos fotográficos de diferentes jovens.
🎵 Atrás de ti, correndo vai o porvir
a ver se queres
deixar-te arranhar por seus pincéis.
Atrás de ti, seguindo-te, a liberdade
a ver se podes
abrir-lhe algumas portas, soltar as redes.
Por trás de ti, dança a lua cheia,
sua dança ardente
te convida a elevar tua voz de neve.
Por trás de ti, a humanidade mais animal
está te chamando:
que esqueças o aprendido,
que comeces a sentir,
que não tem sentido
viver assim.
A mente aberta, a pele disposta,
as asas postas, a mente alerta.
Aberto o coração, aberto ao mundo
em todo o seu esplendor o teu ser profundo.
É preciso ter:
A mente aberta, as asas postas
e se pode ser,
com a pele disposta, a mente alerta.
Aos poucos, em fogo lento, está nascendo
uma canção do centro do teu centro. 🎵
I.C.:— Eu queria agradecer ao Pedro Pastor, especialmente, por ter cedido essa música, mas também à Paula Verde pelo trabalho que faz com as imagens que tanto ajudam a pensar essas realidades. Reunimo-nos para pensar a realidade a partir de outro lugar. Também à Olga Lalín, Carmen Saavedra, Concha Casasnovas, e a todas as pessoas que hoje não estão, e que realmente estão.
A sessão de hoje, indo ao mais operativo, tem um sentido radicalmente participativo. A ideia é construir conhecimento a partir das nossas experiências. Vamos começar a construir esse conhecimento a partir dos vídeos que têm sido partilhados, de pessoas que agora não estão e é a forma de estarem presentes. Nessas experiências que contaram nesses vídeos, imagino que há muita gente que se sente compreendida no que viveu, e também o interessante será que, depois do trabalho que fizeram de pôr em contacto esses vídeos que viram com as vossas experiências pessoais, a ver o que é que sai.
Vamos dividir a sessão em assembleias plenárias e em oficinas. A assembleia plenária inicial, que começa agora, tem a ver com falar daquilo que acontece nesses vídeos e sobre a experiência que vocês têm sendo profissionais da educação, das escolas, sendo famílias de crianças escolarizadas, e que pensemos quais são as problemáticas, os problemas que encontramos, as dores que encontramos nessas escolas e as alegrias, para que ao longo do dia não fiquemos apenas nos problemas, mas que esses problemas sirvam para pensar algumas soluções.
A sessão de hoje é de muito trabalho. Algumas pessoas repreendem-me porque é uma sessão muito intensiva, mas eu pensava: «Como vamos fazer uma sessão curta quando há pessoas que vêm da Astúrias, Galiza, Valência, Leão, Estremadura, que vêm de tantos lugares? Como vamos fazer uma sessão curta com pessoas que fizeram tal esforço?»
Eu convido vocês a participarmos todos. É importante que todas as vozes estejam presentes, dos profissionais, familiares, de outros profissionais que não são os orientadores e orientadoras, e que falemos entre todos para construir coisas novas, que não sigamos os caminhos que já temos traçados, que nos vídeos são denunciados como insatisfatórios.
Nesta primeira assembleia, tentaremos extrair algumas das ideias fundamentais que sirvam para organizar os workshops. Os workshops ainda não estão elaborados, não sabemos quais temáticas usaremos neles. Pensamos em fazer três ou quatro workshops com as temáticas que surgirem na assembleia; as mais importantes tentaremos abordar depois, em pequenos grupos, nos workshops. Haverá uma equipe de estudantes da faculdade, alguns bolsistas de colaboração, outros são estudantes de mestrado em Educação e Mudança Social, e vamos tentar ir sistematizando o que criarmos nesta sessão.
A ideia que tínhamos proposto é que os três vídeos que selecionamos, talvez porque aglutinam outros, serão projetados e, a partir daí, começamos e conversamos. Não sei se Raúl ou María José querem comentar algo, não? Então vemos os vídeos e começamos.
Audiodescrição [AD] Diante das pessoas presentes, são projetados na parede três testemunhos.
Testemunho 1 - María Luisa Fernández (voz em off): Olá, sou María Luisa, mãe de Ángel. Meu filho nasceu nos anos oitenta e só pôde frequentar a escola regular na etapa infantil.
Chegou às minhas mãos a carta de uma orientadora, Macarena García, e esta reflexão dela me comoveu, talvez porque sempre a sonhei, e sobretudo porque é esperança para outras mães.
«Durante este ano, mudei minha trajetória educacional como orientadora do Ensino Secundário para o Ensino Fundamental. Mesmo em fevereiro, ainda estou em estado de choque de realidade, com muitas situações que me impressionaram e continuam a fazê-lo.
Desde que as crianças entram aos três anos, o fazem a partir de uma ruptura do apego, do choro para um espaço baseado em normas absurdas e inflexíveis, exigem-lhes aspectos para os quais não estão preparadas nem maduras, e já se incorporam a um espaço hostil que não se ajusta às suas necessidades e interesses. Elas precisam de movimento, de descobrir, de investigar…
E assim se começa a forjar esse espaço que chamam escola, onde a cada dia se atende menos às necessidades das crianças, se desumaniza as pessoas e se mercantiliza tudo. E assim seguimos, com práticas baseadas na desigualdade, em marcar a diferença como algo negativo, em apontar as crianças que não se encontram dentro da norma, e uma demanda contínua para rotular as crianças e que saiam muito da aula. Assim continua a premiar a homogeneidade e segue adiante.
Com uma administração mercantilizada, centrada em números e em economia, não em cobrir com recursos adequados a cada situação. E um sistema informático rígido, com pareceres engavetados, categorias fechadas, tipificações engessadas, e umas modalidades de escolarização que, de quatro que existem, três delas são segregadoras e excludentes. E dou de cara com mentalidades bloqueadas pelo medo, custa muito trabalho sair das zonas de conforto. E famílias desesperadas para que seus filhos recebam uma educação de qualidade.
Compreende-se a orientação como um instrumento de diagnóstico, e isso nos exige uma Administração que não oferece os meios e recursos necessários. E em todo este turbilhão, não paro de me questionar: quem sou eu para emitir pareceres e julgamentos? Como favorecer espaços e tempos mais integradores e humanos? Como modificar os sistemas de crenças para apostar que qualquer pessoa pode? E entro em contínuas contradições com o que se espera que eu faça, com o que devo fazer e com o que realmente gostaria de fazer. E assim navego neste mar de contradições, buscando novas ilhas onde nos reinventarmos...»
Testemunho 2 - Carmen Saavedra:— Quando Antón estava na educação infantil, sua mobilidade era muito limitada e não podia subir e descer escadas. Então, tinha que recorrer ao elevador em determinados momentos, quando tinha que se deslocar para fora da sala de aula.
Sua professora de infantil, além disso, que é a pessoa com quem eu aprendi tudo sobre educação, queria evitar uma imagem muito assumida, estendida, normalizada em nossas escolas, que é ver a maioria da turma, por um lado, com a tutora e os alunos com deficiência por outro, com o auxiliar técnico educativo, com o cuidador ou cuidadora. E queria conscientizar que nenhuma criança de sua turma pensasse que ela era a tutora de todas as crianças, exceto de Antón, ou que Antón tinha outros adultos que eram responsáveis por ele.
Então, para isso, evitou que, sempre que o Antón, porque não havia outra alternativa, fosse por um lugar diferente da maioria, fosse sempre acompanhado por outras crianças. O elevador era um desses lugares, como também se tornou um privilégio e a turma da Daniela é… é o lugar mais democrático da Terra, tudo é regulado por normas. Sem normas que nos igualem a todos e que todos cumpramos por igual, não existe justiça social. Como se tornou um privilégio e não uma obrigação acompanhar o Antón ao elevador, e todos queriam acompanhá-lo todos os dias, estabeleceram turnos. Um dia fizeram uma confusão: normalmente eram quatro colegas que iam com ele, e naquele dia apareceram cinco à porta do elevador, ela o que lhes disse foi: «Só podem ir quatro e são cinco, deixo-vos aí um bocado para deliberarem, para pensarem e decidirem quem tem de ficar de fora e ir pelas escadas». Então, deixou-os a falar e, passado um bocado, foi ver qual tinha sido o veredicto. O porta-voz do grupo disse-lhe: «Já falámos e decidimos que quem não pode ir no elevador é o Antón porque já vai todos os dias».
A mim, quando me contou, dava vontade de chorar. Dizia, além disso, que o Antón estava ali tão tranquilo ao lado com uma carinha de «pois têm razão». Esta anedota do elevador é maravilhosa e conta tantas coisas… Eu o que me pergunto é: o que é que aconteceu nestes 6 ou 7 anos, não só nas nossas escolas, mas também nas nossas casas, parques, ruas? O que aconteceu para que aquelas crianças que não viam nenhuma diferença entre elas e o seu colega com deficiência, o que aconteceu, para que 7 anos depois o ignorem e não sintam que faz parte do seu mundo? Tenho bastante claro que as crianças nascem sem preconceitos e o meu plano é:
O que poderíamos fazer para não mudar essa falta de preconceitos com que nascem todas as crianças? Eu estou convencida disso, e que as crianças do elevador não mudem ao longo do tempo.
Testemunho 3 - Paula Verde:—Olá, o meu nome é Paula, e sou mãe de três crianças. As três frequentam um colégio regular e uma delas ocupa uma vaga de necessidades específicas de apoio educativo. Quem ocupa essa vaga chama-se Héctor, e tem um diagnóstico de transtorno do espectro autista. Demorou imenso tempo a falar e, até hoje, ainda lhe custa muito. Cada dia diz mais palavras, mas custa-lhe. No entanto, está no segundo ano do ensino básico, com os seus apoios. O seu apoio fundamental para nós é a cuidadora, é quase o engrenagem fundamental para que o Héctor esteja na escola regular. A nível académico, o Héctor difere pouco dos seus colegas, sabe ler, escrever, somar, e escreve as suas próprias histórias. Então, eu sou consciente de todas as coisas positivas, inclusive o Héctor frequenta fora atividades de música e na ludoteca. Todos são capazes de ver as qualidades positivas, e às vezes, desde as equipas de orientação, eu o que noto é que o que tentam transmitir-nos é tudo o que eles não são capazes de fazer, mais do que o que são capazes de fazer. Eu penso que seria preciso potenciar ou dar ferramentas para superar todos esses hándicaps que têm, mais do que nos contar o que nós já sabemos, «que não podem fazer isto, que não podem fazer aquilo…» E muito menos já nos dizer que “não são capazes de”, porque se o Héctor a estas alturas fez tudo o que fez é porque se pode fazer, e porque tem um mérito enorme.
Então, ele contou com duas tutoras extraordinárias. Estamos sempre dependendo da realidade do profissional que nos calha e do centro. No nosso caso, a sorte esteve do nosso lado, não sabemos como será o futuro ou o nosso dia a dia. Mas o que tenho muito claro é que não há nenhum centro que não seja regular onde o Héctor possa aprender mais do que está aprendendo. O que seria uma pena seria que lhe tirassem a possibilidade de estar com o que é hoje, algo fundamental para nós, que é o grupo de referência, essa turma que é um exemplo de convivência, que nos dá lições todos os dias e que é um pouco o que me dá energia a cada dia.
I.C.:—Duas coisinhas antes de começar. Acabei de partilhar o link destreamingpela rede. Se o partilharem, as pessoas podem aceder ao vídeo deste momento.
Abre-se a sessão e começamos a ouvir palavras, a comentar sobre o que vivemos enquanto víamos esses vídeos, sobre qual é o nosso parecer sobre a situação da orientação na atualidade, sobre as nossas experiências… Queria dizer uma coisa, e é que temos de ser muito disciplinados, sobretudo disciplinados com o tempo. Somos muita gente e temos muito pouco tempo. Temos de ser disciplinados e entender que as palavras têm de durar muito pouco, dois minutos neste início, dois minutos como máximo.
Audiodescrição [AD]:As pessoas do grupo assistente tomam a palavra uma após a outra, pegando no microfone e falando por turnos.
Carmen Morales:— Olá, bom dia, meu nome é Carmen Morales. Meu filho tem 23 anos. Para resumir, minha impressão é que sempre, desde a orientação das escolas, das equipes, dos EOE (Serviços de Orientação Educacional), dos professores de apoio, dos tutores, sempre foi "Seu filho não é capaz de...". Quando ele entrou na pré-escola, a professora (de quem eu não gostava muito), bem, você se identifica ou não com as pessoas, isso é uma realidade, depois você pode ser um bom profissional ou não, a empatia para mim é fundamental. Cheguei um dia na sala de aula, o menino tinha três anos, paralisia cerebral, com quatro anos ele andava, mas antes não, e a professora me diz: "Seu filho, Carmen, é que tem implicância com o lápis". E eu, que tenho personalidade, disse a ela: "Laura, eu das oito às três estou no meu trabalho". Olha o que disse Carmen Morales, que ainda por cima é professora de educação especial. Eles poderiam ter me dito: "Olha Carmen, pensamos que, por que não em casa...?", mas não me dizer que o menino tem implicância com o lápis… Na escola há profissionais que terão que me orientar sobre o que devo fazer em casa.
Depois, ele também demorou muito para aprender a ler e escrever, fui reclamar porque em três anos lhe tinham apresentado oito métodos de leitura, então, bem, qualquer aprendizado dá muito trabalho, qualquer pessoa quando tira a carteira de motorista, se lhe mudam o carro não aprende, como você pretende que uma criança aprenda com oito métodos de leitura e escrita.
(Aplausos)
Alejandro Calleja:— Olá, bom dia, sou Alejandro Calleja, pai de Rubén. Como dizíamos, ontem completaram três anos da conferência sobre educação inclusiva e o direito à realidade. Então, continuamos mais ou menos iguais. Às vezes, parece que estamos recuando um pouco, mas acho que aprofundamos bastante; o fato de estarmos aqui, de termos interesse todos, profissionais e famílias. Eu quero sair desta jornada com uma proposta positiva para os profissionais e, sobretudo, para as famílias, saber que existem ferramentas, saber que temos instrumentos para atender o direito e a dignidade dos nossos filhos, com base nos nossos sete anos de experiência nesta luta, é o que viemos aportar. Acredito que entre todos será uma jornada estupenda. Obrigado.
(Aplausos)
Antonio Guerrero:— Olá, bom dia. Meu nome é Antonio Guerrero. Sou presidente da plataforma de atenção precoce da Andaluzia. Nós, de Huelva a Almería, o que vimos é uma realidade, e concordo com a mensagem. Nós vemos no dia a dia que é possível manter as crianças na modalidade adequada. Vemos, no dia a dia, que é possível; trabalhando muito, pressionando muito, às vezes até indo ao Ministério Público da Infância, lutando pelo direito das crianças. O superior interesse da criança está acima de tudo. Eu me filio a essa mensagem à qual todas as famílias devemos nos apegar hoje. Não é que pensemos que talvez seja possível, mas sim que já é possível. Meu telefone, o nosso, está no site de atenção precoce. Qualquer coisa que precisarem, por favor, entrem em contato conosco. O que estamos tentando é aglutinar todo o coletivo de toda a Andaluzia, para que sejamos uma voz. Na semana passada, em Málaga, encerraram um evento para psicólogos para que deem oficinas para famílias conhecerem as primeiras famílias, havia um convidado que me facilitaria as oitenta e cinco associações de deficiência em Málaga, e eu dizia: não quero oitenta e cinco endereços, quero apenas um, quero todos nós aglutinados, a administração se interessa pela dislexia, por um lado, Down por outro, ELA por outro. A diversidade nos torna iguais na diversidade; a mensagem é que não é que não seja possível, é que já é possível. Obrigado.
(Aplausos)
Paco Serrano:— Olá, eu me chamo Paco Serrano. Sou professor de educação infantil, pedagogo e pai de um garotinho de três anos que agora está começando no serviço de orientação. Me dirijo a um dos colegas que já intervieram. Eu gostaria de convidar todos vocês, colegas da comunidade educativa, sejamos pais, mães, professores, orientadores, para que o tom que usemos hoje seja o mais positivo possível, porque quem está aqui sabe que tudo era pior há um tempo, que isso melhorou de um tempo para cá, e sabemos que o que há agora, hoje, é melhorável, a educação, a orientação em geral é melhorável, cada um em sua área, de seu ponto de vista. Então, eu gostaria de verdade, de sair daqui hoje às nove da noite deste Workshop animicamente destruído, não gostaria. Eu não vim aqui para isso, gostaria que saíssemos daqui todos com muita energia e com todos os fios que cada um à sua maneira pode ir puxando, com todos os fios bem atados, e como disse o colega, que desses fios façamos uma única corda para que todos nós caminhemos juntos a partir de hoje e hoje mesmo. Tomara que isso aconteça.
(Aplausos)
Ana Solsona:— Olá, sou Ana Solsona. Sou a mãe de Aleix, que está aqui conosco, e tem 21 anos. Em dois minutos é muito difícil dar o percurso que todos os pais temos, com 21 anos, imaginem. Concordo que viemos aqui para tentar tirar algo positivo, e estou com a mãe de Héctor, Paula Verde, que diz que a partir do ordinário temos que avançar, por muitas dificuldades que nossos filhos tenham, temos que tentar que estejam lá com todos os apoios que precisam, mesmo que seja duro, temos que lutar a partir daí porque da exclusão, no final, você se encontra com o nada. Suponho que ao longo do dia iremos coletar mais coisas e tirar coisas positivas. Obrigado.
(Aplausos)
Virginia:— Olá, bom dia, meu nome é Virginia. Tenho um filho de 13 anos. De tudo o que vocês disseram, e mesmo estando na área da educação, é inevitável nos colocarmos uns em um lugar e outros em outro, embora tenhamos que avançar juntos. Eu acho que todos os pais já sofremos de alguma maneira muitas coisas que nos aconteceram durante todo o processo em que nossos filhos avançam. Inevitavelmente, temos que caminhar juntos, mas temos uma parte muito sofrida que não poderemos evitar.
Fico emocionada porque esta semana recebi a avaliação psicopedagógica do meu filho. Acho muito importante o que disseram antes, eles se aproveitam e digo isso claramente, das diferenças que temos em pensar se meu filho é mais incapaz ou não, e a administração faz uso das nossas diferenças, porque em nós mesmos leva muito tempo até aprendermos a ter um olhar diferente para aqueles que são mais incapazes que os nossos, já que eles nos ensinam a ter esse olhar. É a maneira de nos empoderarmos e acreditarmos que não somos muito diferentes dos que são normais, é a realidade.
Outra parte que me parece fundamental é que os que estamos aqui somos muito a favor da inclusão, mas há muitos pais que desconhecem tudo isso que acontece, porque continuam acreditando que a administração e os docentes não lhes dirão algo muito diferente, ou seja, não pensarão de alguma maneira que estão sendo enganados. E, me perdoem, no sábado tive um almoço familiar em que estavam minha cunhada e minha sobrinha, que tem dislexia, tem 15 anos, tem que fazer as coisas de forma muito espacial, e ela me contava que a professora de português tinha dito que ela não podia fazer as provas. E eu disse: «Sara, a lei permite que você peça uma cópia da prova e a leve para casa». Há muita gente que não sabe nem os direitos que temos, nem o que nos estão contando, então, a única maneira de nos tornarmos fortes é que nos unamos e que a informação chegue a todos os pais, porque senão somos uma pequena parte em um grupo de gente que não conhece as coisas, e isso serve para todos os outros nos tornarem menores.
O relatório psicopedagógico do meu filho, que me entregaram nesta quinta-feira, é curioso e chamativo que se esqueçam de colocar a frase que diz a doutora dele, na qual ele tem autonomia para fazer as atividades básicas da vida diária, do ano de 2018, deste janeiro, mas não se esquecem de colocar um relatório de 2016 em que a pessoa que o enviou diz que ele precisa de ajuda para se vestir. Vão me perdoar, mas isso não foi esquecido se não for para um objetivo, e essa é uma realidade que me aconteceu há três dias, então abramos os olhos, esta é a realidade.
(Aplausos)
Mónica:— Olá, bom dia. Meu nome é Mónica, sou a mãe do Nico, um menino de 8 anos. Temos 4 anos de vida escolar, poderia contar muitas coisas. No enfoque da orientação, tenho que dizer algo que me surpreendeu muitíssimo. Quando terminou a etapa da infância em uma modalidade B, uma sala de aula regular com seus apoios, há uma mudança para o ensino fundamental em que quase por regra geral terminam em salas de aula específicas. Lembro-me que, depois da avaliação que a orientadora fez, ela me dizia: «É que como o Nico ainda não tem um diagnóstico claro, não sei o que colocar para ele». E eu dizia que isso não tinha muita importância, ou seja, a avaliação para que serve, entendo que o que vocês estão procurando é uma resposta educativa correta para o meu filho, e ela me dizia «Não, mas é que tenho que encaixá-lo em algum lugar, é que me obrigam a colocar algo aqui no computador, e o que coloco?». E eu dizia que ele tem relatórios médicos de profissionais, o seu, no final ela terminou chamando a equipe específica de autismo da delegação, e após quinze minutos terminou enquadrando-o ali para poder colocar uma caixa e que meu filho tivesse um rótulo, eu a olhava e dizia que isso não era para dar uma resposta educativa correta às necessidades do meu filho; parecia-me tão surpreendente porque naquele momento me dei conta de que meu filho não era humano, ou seja, o desumanizou, o que importava era colocar um nome para colocá-lo em uma sala de aula específica Pluri ou TEA, em uma sala de aula específica, aqui ou ali, mas não porque ele precisasse, mas porque ela precisava dar, a obrigavam a colocar um rótulo no meu filho. Isso é o que mais me doeu porque meu filho não existia. Não era Nico, era um rótulo que eles precisavam colocar por um trâmite administrativo, sem em nenhum momento buscar o que meu filho precisava.
(Aplausos)
Diana Farzaneh:— Bom dia, eu sou Diana Farzaneh. Sou professora. O que mais me interessa de tudo, é que vejo como as famílias e alguns profissionais, infelizmente, ainda não todos, temos um olhar muito distinto em relação às pessoas que têm algum tipo de deficiência. O que mais me interessa é que acredito que a chave está em que os profissionais da educação, sejam de orientação, qualquer pessoa que trabalhe com as crianças nas escolas, mudem o olhar, de ver pessoas incapazes, pessoas com rótulos, deficiências, dificuldades, a ver simplesmente pessoas. Acredito que no que deveríamos nos concentrar, sobretudo os profissionais da educação, é em mudar o olhar, porque a partir daí podemos começar a trabalhar e a mudar a sociedade em que vivemos, que também é necessário, partir desde a escola. A escola é o motor de mudança. Obrigado.
(Aplausos)
Ana:— Olá a todos, sou Ana, mãe de uma menina de seis anos chamada Luna. Quero contar minha experiência brevemente, muito positiva em relação à orientação. Graças à orientadora do centro do ano passado, onde estava minha filha. Minha filha estava em cinco anos no ano passado, e era preciso fazer o diagnóstico para passar para o ensino fundamental. Minha filha estava matriculada em Las Flores, uma escola aqui de Málaga que tem três salas de aula específicas. No início do ano letivo, até outubro, tudo ótimo, como nos primeiros três anos de vida de Luna. A partir de outubro, começam a chegar relatórios negativos sobre as capacidades da minha filha, e minha filha continuava sendo a mesma, nada havia mudado nela, o que aconteceu? A orientadora me chamou, pessoalmente me disse: «Ana, não conte isso, mas quero me reunir com você». Então, nos reunimos um pouco a portas fechadas, porque aquilo era muito complicado de entender, a orientadora falar diretamente com a mãe da menina, e me diz: «Há um problema administrativo neste centro. No próximo ano, fecham uma sala de aula específica, porque ficam sem alunos, e claro, para que venha alguém de fora com uma realidade mais complexa é preferível que Luna, que não dá nenhum problema, que é uma menina alegre, sem problemas de conduta, passe para a modalidade C, de graça», então a obrigam a fazer um monte de relatórios negativos sobre minha filha. Ela se recusa totalmente, é claro, porque visita Luna na sala de aula e não vê nenhum tipo de problema. Mais ainda, solicita que, por favor, seja mantida a permanência mais uma vez no terceiro ano da educação infantil e que assim possa amadurecer e tal… No final de tudo, Luna, graças à orientadora deste centro, continua na modalidade B, é claro que levo minha filha desse centro educativo onde suas capacidades já não eram vistas, e onde todo mundo tinha começado a ver Luna como algo totalmente diferente, e a levo para um centro onde não existem salas de aula específicas, no colégio Nuestra Señora de Gracia, onde atualmente está Luna, integrada, incluída, maravilhosamente, com todos os seus apoios e com uma monitora, com uma assistente social estupenda que a ajuda no seu dia a dia, e eu estou muito feliz. Somente queria dizer isso.
(Aplausos)
Maite:— Olá, meu nome é Maite, sou mãe de um menino de 12 anos que tem autismo e está em uma sala de aula específica. Não vou falar da minha vida, simplesmente dizer que a figura do orientador na minha vida tem sido muito negativa, porque o orientador está afastado da realidade, vive em outro mundo. O menino não tem que se aproximar da escola, é a escola que tem que se aproximar das famílias e do filho. Então, quando colocarem o coração, vão usar a inteligência, porque quando surge um problema de conduta, não vão ver um problema de conduta, vão buscar o porquê, não como me disse uma: «De graça fez isso». Quando utilizarmos o coração, vamos ver não um menino com um diagnóstico, mas uma pessoa e vamos querer ajudá-lo. Então, espero que, daqui, deste encontro saia que o coração é fundamental, a mão aos pais é fundamental para que isto continue, bom, a sala de aula específica deve mudar um pouco, e para isso é necessária a união de todos, porque senão a administração nos dirá que não há dinheiro. Simplesmente isso, obrigado.
(Aplausos)
Esther Gómez:— Olá a todos, e bem-vindos. Meu nome é Esther e sou estudante da Universidade de Málaga. Estamos vendo o Twitter e o streaming , e estamos vendo os comentários que as pessoas fazem sobre o que estamos comentando hoje aqui, então para dar voz a elas e que todos possam ouvi-los e participar deste Workshop, vamos ler alguns dos comentários:
Paula diz que a informação deve chegar a todas as famílias e que existe muita desinformação por parte da administração.
Laura comentou que nós acompanhamos como pais e mães no espectro autista nossos filhos com diversidade funcional no ambiente escolar, como podemos gerar canais de comunicação para este desafio da inclusão.
Carmen Ocaña comenta que há muitas caras conhecidas neste Workshop, muita dor e sofrimento em cada história, muita impotência. Que estamos juntos lutamos por uma educação digna e em igualdade.
Francisco Urbano nos diz que na exclusão você encontra o nada, fazendo referência a comentários anteriores.
Javier Herrera:— Olá, boa tarde, eu sou Javier Herrera. Perdoem-me se me emociono, mas tenho as emoções à flor da pele. Tenho as emoções assim porque acredito e sinto que algo está mudando, desde o momento em que podemos sentar juntos e podemos falar sobre isso e podemos gerar uma mudança na sociedade. Eu sou presidente da associação Petales España. Dizer-vos apenas que para mim este encontro supõe um (inteligível) não só pelas ferramentas concretas que vamos ter, as ideias que disseram tanto Álvaro como Antonio, mas que tudo é uma ferramenta a mais para incorporar a perspectiva de direitos como ferramenta.
Por outro lado, está a consciencialização de toda a sociedade, ou seja, se não convencermos todos e cada um dos pais, todos e cada um das pessoas com quem os nossos filhos convivem, nunca poderemos atingir esse objetivo, é uma função que temos de cumprir sim ou sim e que só poderemos fazer de forma positiva. Estou convencido de que aqui vão sair boas ferramentas para isso, e pronto, obrigado a todos.
(Aplausos)
Rocío:— Olá, o meu nome é Rocío e gostaria de lançar alguma luz. Sou irmã de uma mulher maravilhosa que faz 44 anos este domingo. Ela teve hipóxia no momento do parto e tem capacidades diferentes. Quando isto aconteceu há tanto tempo, os meus pais tiveram de vir da aldeia. O melhor que encontraram foi uma escola paga para que a minha irmã pudesse sentar-se numa cadeira ao lado do professor. Hoje em dia sou terapeuta ocupacional, trabalho como assistente para a integração na sala de aula de crianças diagnosticadas com TEA. O que me apercebo é que, muitas vezes, os professores querem, querem, mas dizem-me: «olha, é que não sei como fazê-lo». Então, [hay que] criar um recurso para que estes professores que realmente estão implicados possam ter um recurso de formação, porque eles querem. No final, deparamo-nos com os problemas sobre os quais muitos dos pais falaram, é que temos de esperar que haja um coração por detrás do profissional. Independentemente de o papel ser o de orientador ou professor, esperamos que por detrás haja um coração que empatize com o que tu queres.
Não sei se me falta algo. Simplesmente, dizer que, quanto à administração e à burocracia, por assim dizer, seria preciso mudar o uso da linguagem, que é simplesmente mudar umas palavras por outras, há palavras que fazem muito mal. Um pai a quem dão o diagnóstico, o pior que pode fazer é meter-se na internet, porque o mundo desaba. Procurar essa palavra, o que significa, é tudo negativo. É preciso atender detalhadamente à linguagem. Obrigado.
(Aplausos)
Carmen Máximo:— Olá, eu sou a Carmen, sou professora de apoio. Queria comentar-vos que sou professora de apoio do ensino secundário e não tive qualquer tipo de formação pedagógica. Digo-vos isto porque estive a ouvir todos os testemunhos e queria fazer duas precisões que, depois, poderei ampliar nos grupos em que trabalharmos. Eu sei que as famílias, a maioria, estão no Ensino Básico, mas quando se chega ao Ensino Secundário, os professores temos a formação pedagógica que recebemos num mestrado, mesmo que sejamos técnicos, nem sequer se nos exigia isso. Levo 15 anos adscrita ao departamento de orientação como professora de apoio no âmbito científico-tecnológico para os estudantes neste caso com deficiência auditiva, mas, pronto, trabalho lado a lado com orientadores e outras colegas, PT e outro corpo docente de apoio, e queria assinalar sobretudo duas coisas.
A primeira, concordo totalmente com o que foi dito sobre os rótulos, porque se a avaliação tem sentido, é para dar uma resposta educativa, senão, não tem sentido. Segundo, há muitos orientadores aqui e eu trabalho com um orientador no meu centro: há dois mil alunos, os orientadores têm que ter essa formação pedagógica, e é verdade e eu apelo a práticas humanizadoras e a que as pessoas tenhamos um coração, mas, quando não encontramos esse coração, estão os direitos, e então entendo que a informação, tal como dizem os colegas, é fundamental. Primeiro pedem-se as coisas, explicam-se, apresentam-se-nos e pedimos uma atenção, mas não estamos, como dizer?... a mendigar nada. Quando vamos a um departamento de orientação e encontramos um profissional, o que temos que encontrar é uma resposta humana, e se não se derem, há que exigi-la, porque exigindo-a para os nossos filhos, e outras crianças de outras escolas e de outros docentes serão atendidas, porque perante a formação a direção pedagógica, a direção pedagógica que aqui há muitos orientadores, leva-a a orientação, e, claro, a direção pedagógica do centro porque vocês têm que ter em conta que a resposta aos vossos filhos não depende só da PT ou do orientador, mas sim da implicação que esse centro tenha nessa inclusão, e, portanto, eu o tema da orientação, das famílias e o exigir os direitos quando não nos ouvem é fundamental. Muito obrigada.
(Aplausos)
Beatriz Domene:— Olá, eu sou a Bea, a Beatriz, mãe de um menino com síndrome de Williams. Além disso, sou professora de educação infantil e o meu marido é professor de educação física no centro onde está o meu filho. Então, tenho muitos papéis, digamos. Sinto-me muito identificada com muitas das coisas que diziam. Queria retomar o que a Rocío disse de que depende dos tutores. Outro dia, por exemplo, estava numa equipa técnica com a orientadora do meu centro, então, perguntei-lhe. Ao dar orientações aos docentes do meu filho, pensei que ela supervisionava de alguma forma o que era feito. Então, ela disse-me: «Sim, mas é que se os tutores não querem ou não estão dispostos…». Então, de quem depende que se cumpra o direito do meu filho e de todas as outras crianças a ter uma educação digna? Por outro lado, a direção pedagógica também tem que zelar por isso, mas, acontece que a direção pedagógica que neste caso, por exemplo, são amigos nossos, dizem o mesmo: «Se o tutor não está disposto…». Então estamos perdidos. Nós, por exemplo, nas tutorias conseguimos que venha quase toda a equipa docente, porque estamos no centro, mas e as outras crianças cujos pais não têm esse acesso? Mesmo assim, claro, estamos melhor do que há algumas décadas.
(Aplausos)
Belén Jurado:— Buenas, yo soy Belén Jurado, madre de Lucía, una niña con autismo de 10 años. Tengo también un hermano con esquizofrenia que, en su día, con 20 años, fue expulsado de su colegio directamente. Le dijeron: «No puedes estar aquí», y se acabó, no hubo ninguna oportunidad más. Sí que es verdad que las cosas han ido cambiando, no creo que mucho, pero han ido cambiando. Nuestra experiencia no ha sido nada buena, quizás ha sido más no con los orientadores, sino con los profesores-tutores. Es lo que decís, no saben hacerlo. Yo creo que, primero, habría que mirar a la persona antes que mirar a la etiqueta, y eso no se hace nunca. Entonces, ponen etiquetas, una, otra, otra… Mi experiencia fue que Lucía durante tres años estuvo en un aula TEA y no entró al aula ordinaria apenas unos minutos. Se da de baja esta profesora y llega otra que parece que sí quería que entrase, y Lucía entró. A mí lo que me dijo eso es que, según el profesor que estuviese, tendría derecho a una educación. Yo no digo que las aulas TEA sean inclusivas porque no lo creo, pero bueno, según el profesor que tuviese en ese momento, mi hija podía o no podía. Durante los meses que esa chica estuvo de baja, Lucía demostró que sí podía estar allí, mostró que estaba bien y mostró que podía hacer sus tareas igual que cualquier niño. Cuando la otra profesora volvió, se acabó todo de nuevo. Mi experiencia es que, según el tutor, según el criterio del tutor, Lucía tiene una educación digna, de calidad o no.
(Aplausos)
Lola Berenguer:— Hola, soy Lola y maestra de educación primaria, tengo una hija con parálisis cerebral y nació en los 80. Todo mi empeño desde un principio es que ella estuviera en un centro ordinario, en modalidad B, y luché, bueno, luchamos mi marido y yo, porque en ese tiempo no se entendía muy bien aquello y ella estaba estupendamente bien. Infantil fue una etapa fantástica, pasó a primaria y empezó a convertirse en una carga dentro del aula y nosotros nos rendimos en quinto. Cuando llegó a sexto de primaria, nos rendimos. Ella siempre había estado conmigo en el colegio donde yo he estado trabajando. Nos rendimos, me decepcioné mucho cuando ya la vi en las circunstancias en las que estaba, en el aula, haciendo plastilina con una mano. Me ofrecieron meterla en un aula específica o llevárnosla a un colegio de educación especial. Ahora está en un cole de educación especial, muy bien atendida, muy contenta. Mi lucha sigue con ella para su integración social, ya lleva muchos años dentro del aula, y ella es muy observadora. Veo que dentro de los colegios no tenemos las posibilidades que deberíamos de tener, que sí que hay gente que a lo mejor no sabe o no se interesa, pero que sí que hay gente, maestros, que tienen mucha mano, pero no hay recursos. Yo siempre he comentado con aquellos compañeros que estaban interesados que me parece que el problema no está en que realmente nosotros queramos o queramos, es que no nos ofrecen, y ahora hablo como maestra, la oportunidad de tener recursos para todo lo que queramos hacer.
El trimestre pasado trajeron a un niño con una problemática social muy complicada. Nos lo metieron en segundo con una compañera admirable. Era un niño que se escapaba de clase y había que correr tras él, por los pasillos, para poder encontrarlo. No sabíamos dónde estaba. Todo el equipo, la PT, la logopeda, después de dar servicio a todo el cole, tenían que atender a este chico. Nosotros pedíamos que, por favor, nos trajeran un monitor para que pudiera ser atendido. ¿Sabéis cómo ha terminado la historia? El niño se ha ido del cole, le han cambiado de modalidad de educación, ahora está en un aula de integración en otro colegio del pueblo, y ya está, así han quitado del medio al problema, porque no se llama niño, se llama problema. Gracias.
(Aplausos)
Audiodescrição [AD]: As intervenções das pessoas participantes no workshop continuam.
Estela Martín:— Bom dia, chamo-me Estela, sou mãe do Víctor. Ele tem 19 anos e está numa sala específica no instituto, mas como criança, não como pessoa de 19 anos, com interesses de 19 anos. Mesmo que não leia, não escreva ou não consiga falar, os seus interesses são os de um rapaz de 19 anos, isso não podemos esquecer. Ele gosta do instituto porque gosta de estar com as pessoas, é muito sociável, toda a gente em Alhaurín o conhece, até a polícia de Alhaurín. Mais protegido do que o meu filho está, não estará em nenhum centro. Os nossos filhos têm de estar na rua, os seus vizinhos têm de os conhecer, isso para começar.
O meu filho, desde o segundo ou terceiro ano do ensino básico, não trouxe nenhum parecer médico. Foi o próprio neurologista que me deu a chave: os diagnósticos médicos são íntimos e, portanto, não têm de ir para o centro se tu não quiseres, não têm possibilidade de te exigir o diagnóstico. O diagnóstico da escola tem de ser pedagógico, não clínico. A partir desse momento, quando me diziam: «Ó, que não voltaste a trazer o parecer», eu digo que amanhã trago, e assim levo pelo menos 10 anos. «Amanhã trago…» Já não me pediram mais, além disso, o Víctor não precisou de ir ao neurologista mais.
Enquanto continuarmos a falar de capacidade e continuarmos a ver a escola como a forma de chegar ao trabalho, que é para o que serve agora, mas não é assim, o sistema tem de servir para nos desenvolvermos como pessoas.
(Aplausos)
Isabel:— Olá, meu nome é Isabel, estou muito emocionada e neste momento também muito nervosa, então se não me explicar bem nestes dois minutos, é por isso. Sou mãe de dois filhos. Sou orientadora também. Dói-me, como parte da instituição, a vossa dor, porque a escola me dói e acredito na instituição… perdoem-me, emociono-me. Acredito nas crianças, acredito na infância de todos e não apenas das crianças que vocês sentem e que vos doem. Não sinto que a escola seja para nenhuma criança, nem mesmo para (ininteligível). Não sinto que haja esse respeito entre os setores que formamos essa comunidade que não é comunidade, não é em comum; que são famílias e professores se quiserem fazer as coisas por outro caminho. Quero fazer as coisas de forma diferente. Há vezes em que nem sei o que fazer (ininteligível).
(Aplausos)
Audiodescrição [AD]: As intervenções das pessoas participantes no workshop continuam.
Susana Pérez:— Olá, sou Susana, sou galega. Como bem puderam observar, espero não sair daqui com um rótulo. É um grande esforço estar aqui hoje, logicamente, está sendo bastante difícil, a verdade. Sou professora de educação infantil, sou psicopedagoga, não trabalho numa escola, venho de uma associação de pessoas com síndrome de Down e deficiência intelectual, que fica em Ferrol. É uma associação pequena, embora tenha sido menor. Trabalho na área de educação. Tenho 14 anos na associação, por isso um monte de histórias de dores às minhas costas. Todas as histórias que ouvi ao longo desta manhã são histórias que venho ouvindo todos estes anos.
Eu acho que muitas coisas têm que mudar. Fico com essa parte de que, no final, é verdade que depende da vontade das pessoas. Vi como as coisas iam mal durante o curso, e no curso seguinte com o mesmo docente, e no mesmo centro as coisas iam às mil maravilhas, então fico com que é possível. Temos que nos fixar em que coisas são aquelas que estão funcionando, quais são as que não funcionam para deixar de fazê-las, porque também acho, e me parece muito triste, que há uma Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência Intelectual. Como pode ser que a estas alturas do século XXI estejamos expostos à vontade das pessoas, ou seja, que alguém possa ter direito a uma educação digna e de qualidade, dependa de que alguém queira ou não queira?
Por outro lado, quero dizer que é necessário mudar e ir integrando essa definição de deficiência intelectual que nos dá a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência Intelectual, que diz que a deficiência surge em relação com o ambiente. Então, temos que tirar o foco das pessoas e começar a ver quais são as barreiras que o ambiente tem para poder adaptar e participar em igualdade de condições e igualdade de oportunidades. Também fico com que ouvi um monte de vezes hoje sobre salas de aula especiais, o que me arrepia, porque não acredito que tenha que haver salas de aula especiais para ninguém. Todos deveríamos ter o direito de estar nas mesmas salas de aula, todos juntos, porque quando não é assim, estamos apartando-os e estamos tirando a oportunidade do resto das pessoas de conhecê-los e aprender a conviver, e a entendê-los. E, então, chegamos lá fora, e claro, o mundo se encontra com pessoas com deficiência intelectual na rua e não sabe como se relacionar com elas, quais são as suas necessidades, quais são os apoios que precisam, nem nada de nada. Então, enquanto não estiverem, não contam, com o que vos animo a que continuem lutando, porque precisam e têm que estar onde está o resto do mundo.
Acho que há professores que têm direito a escolher se dão aulas a uma criança ou não. Acho tremendo porque as crianças não têm direito a escolher se gostam de um professor ou não gostam. Acho que devemos lembrar sempre o tema dos direitos, que estão aí. Temos que parar neles, que para algo estão.
(Aplausos)
Mirela:— Olá, eu sou Mirela, venho de Ibiza e não vou falar nada sobre meu filho, porque ouvindo vocês o caso do meu filho é superleve. Sou sócia fundadora de uma associação na ilha, suas siglas são APIES, Associação Pitiusas pela Inclusão Educativa e Social. Nela, precisamente fazemos isso, informar os pais sobre os direitos que eles têm, os direitos que seus filhos têm, e uma das coisas que poucos pais conhecem é que existem equipes de orientação fora do âmbito educativo, por exemplo, associações que podem assessorá-los no caminho que devem seguir para que seu filho termine a escola. Há dois anos, chegou à ilha pela primeira vez um colégio especial. Até agora, éramos o único lugar onde não havia um colégio especial, mas com a chegada deste colégio especial, também foram cortados os apoios nas escolas regulares, daí surgiu a APIES, e graças ao Nacho, que veio à nossa apresentação, ele nos abriu um pouco mais os conhecimentos e os olhos, porque sempre tivemos pouco, mas bem distribuído, e agora não há nada. Das crianças, pelo simples fato de terem um rótulo da orientação, nos dizem: «Há um colégio especial». E isso não é assim, temos direito como pais a errar, a levar nossos filhos para a escola que quisermos, dar-lhes um ensino, e eles têm o direito e a obrigação de fornecer os recursos e apoios para que cada um tenha sua educação de qualidade, e em condições.
Susana Pérez:— Pego o microfone novamente, porque esqueci de dizer algo. Eu quero fazer um encontro como este, mas na Galícia, dito!
(Risos)
Carmen Morales:— Vou repetir, porque primeiro falei como mãe e agora quero falar como presidenta da SOLCOM. Somos uma associação a nível nacional que defende os direitos das pessoas com diversidade funcional. Vocês não podem imaginar a quantidade de casos que nos chegam da educação com mudança de exames. Há uma tendência nacional em todas as autonomias de crianças que estavam em salas de aula regulares e passam para salas especiais, é um autêntico escândalo, isso vai contra a Convenção Internacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência. Da SOLCOM, queremos convidá-los a que cada um em sua localidade, suas associações, se reúnam entre iguais, busquem um bom advogado e denunciem, porque o direito à educação é um direito constitucional. Às vezes, tenta-se falar primeiro com a escola, e há vezes que a escola raciocina porque os profissionais são seres humanos, os orientadores são seres humanos e têm a mesma capacidade de errar que nós. E, às vezes, bom, levando-os à reflexão, eles mudam. Há ocasiões em que obrigatoriamente a única opção que dão é remeter a criança para um centro especial. E há pessoas que aceitam porque gostam e é preciso respeitar. Claro, mas também é preciso respeitar minha opinião. Eu não quero que meu filho esteja em um colégio especial. Quando as equipes, a delegação e todos ficam teimosos, a única fórmula é denunciar em um tribunal. E já há sentenças favoráveis na Espanha, as quais podem ser usadas para os casos de nossos filhos. O meu foi denunciado no ano passado por outro tema: ele foi expulso da educação por ter 21 anos e deficiência. Vocês podem usar também, está na página da SOLCOM, costumamos postar as sentenças. A educação é um direito e é preciso lutar quando não é reconhecido. Nossos filhos nascem com uma mochila sem direitos e temos que carregá-la durante toda a vida, isso é uma realidade. Então, convidamos vocês a não apenas brigarem com os orientadores, que muitas vezes se veem entre a espada e a parede, mas a denunciarem. Vocês podem entrar na SOLCOM e nos consultar e nós podemos orientá-los. Obrigado.
(Aplausos)
Susana Fajardo:— Bom dia a todos, sou Susana Fajardo. Eu tinha escrito três páginas sobre a minha experiência com o sistema educativo e a orientação em particular, mas gostaria de destacar duas coisas e contar uma experiência. Primeiro, a questão da sensibilidade e de ter coração. Você pode ter sensibilidade ou não ter sensibilidade, mas você tem que fazer o seu trabalho, que é atender a todas as crianças, e depois, se você quer colocar coração ou não quer colocar coração porque isso vem de você ou não, então seja bem-vindo se você o fizer com o coração, mas é o seu trabalho e você não pode deixar de fazê-lo.
Depois, quero chamar um pouco a atenção para uma questão que me parece muito importante: não temos sentido de pertença a um grupo, ninguém quer ser o pai do menino que não sabe ler nem escrever, e continuamos a pensar que nos acontecem coisas individuais, e viemos aqui e percebemos que todas as experiências têm pontos em comum. Não vamos a lugar nenhum enquanto não sentirmos que pertencemos a um grupo e que pertencemos a este grupo de pais e mães de crianças que não sabem ler nem escrever com treze, com 14, com 15, com 21 e com 50 anos, e que todos temos que lutar pelos direitos de todos.
A minha última experiência com a orientação, a penúltima, foi quando o Víctor terminou o sexto ano no ano passado. Durante todo o sexto ano, estivemos a fazer o parecer psicopedagógico, ele já estava em escolaridade combinada no quarto ano. Na Extremadura, existe uma opção de escolaridade combinada, que é frequentar o centro regular alguns dias e o centro de educação especial outros dias. Quando ele estava no quarto ano, por causa de uma tutora com quem não pudemos fazer nada, aceitámos a escolaridade combinada e depois vimos a realidade da educação especial. Comparamos com a realidade do centro educativo regular, conhecemos uma maravilhosa tutora. Não era que o meu filho tivesse problemas de conduta, é que os problemas de conduta estavam a ser provocados. Durante esse parecer, nós fomos às reuniões com essa orientadora, para lhe expor uma série de motivos pelos quais o nosso filho não devia deixar a escolaridade combinada, não devia deixá-la porque pertencia ao grupo, havia sentido de pertença não só por parte do meu filho, mas também por parte dos outros, porque havia melhorias de conduta, quando estava no centro regular comportava-se pior no centro de educação especial, por muitos motivos. As únicas razões que nos deram foram repetir ou ir para um centro de educação especial, coisa que nós recusámos e, depois de muita movimentação, ele já está no ensino secundário.
Quero chamar a atenção por duas coisas. Primeiro, toda a série de motivos que a orientadora nos dava para nos dizer que o Víctor não devia continuar no ensino secundário eram problemas sistémicos, problemas do seu sistema, da organização do centro, da proporção de alunos por professor, da formação do corpo docente. Estavam a carregar nas costas do nosso filho os problemas do seu sistema. Segundo, quando nós expusemos toda uma série de motivos, ela dizia que porque é que teria de se deixar convencer por nós, em vez de nós nos deixarmos convencer por ela?, porque ela era a profissional e nós éramos apenas os seus pais. Ela não entendia que nós pudéssemos ter uma opinião e que ela tivesse que respeitar a nossa opinião, porque era a profissional. Então, quando chegou o momento e os argumentos puramente que afetavam o nosso filho mudaram, começámos a falar de exclusão, começámos a falar de cortar o vínculo social do nosso filho, quando começámos a falar de discriminação, ela chegou a dizer que não queria pensar em tudo isso porque queria dormir tranquila. Muitos não pensam que isto é necessário porque se está a violar direitos, eles continuam a defender o sistema, e fazem o seu trabalho para defender o sistema.
(Aplausos)
Esther Polo (aluna de mestrado):— Olá novamente, no streaming, uma rapariga chamada Marta Recarte Domingo contou uma história e vou lê-la para que todos possamos ouvi-la:
«Sou orientadora de ESO e, no meu instituto, temos duas crianças cujas capacidades costumam ser motivo de exclusão. Os professores diziam que era impossível que estivessem aqui, mostravam-se assustados e incapazes, mas, pouco a pouco, vão aprendendo. Agora estão totalmente incluídos. A pedagoga terapêutica trabalha dentro das aulas com eles, e os colegas de turma estão a enriquecer-se com a diversidade, adquirindo valores de solidariedade e respeito muito valiosos. Falta mudar a formação do corpo docente, mudar o tipo de burocracia segregadora e recursos, mas, mesmo assim, pode-se fazer mais do que se faz, basta querer fazê-lo.»
(Aplausos)
Cristóbal Gómez Mayorga:— Olá, sou professor de PT, levo quatro ou cinco anos, mas vinte e tantos em educação infantil. Só queria manifestar uma coisa: 80% do meu trabalho agora não são as crianças com dificuldades, porque eu não vejo problemas nelas. Aquele que não sabe as letras, vai aprendendo; aquele que está noutro nível, pode fazer outras coisas. 80% do meu trabalho é falar com o pessoal, mas não é um tema só de conhecimentos, é um tema de cultura escolar, de livro didático, de que só sabem seguir todos o mesmo nível, homogeneidade, e todo este tipo de coisas. Então, é uma mudança de atitude. É preciso andar pelos corredores com bom astral. Às vezes, dão-lhe vontade de muitas coisas, convencendo do que sabem, mas: «não te dás conta de que sabe… olha o que me fez». Não veem as capacidades, isso é um trabalho. Os professores de PT temos a universidade com um toque, que não aprendam a trabalhar com as crianças com dificuldades, que aprendam a trabalhar com os professores, com as direções, com os orientadores, com todo o mundo, porque somos aí uma saga que pode fazer com que as coisas se movam. Obrigado.
Participante 1:— Boa tarde. Simplesmente, estou a dar-me conta de que, aqui, os pais ou evitamos ou não tocamos no assunto, e os profissionais também. Por que rejeitamos as crianças e as levamos para uma sala específica ou para uma escola de educação especial?
Uma é a conduta. A conduta olhamos de uma maneira muito desumanizada, porque sempre pensamos que a conduta a traz a criança, e nunca pensamos o que nós provocamos nessa conduta. Então, fundamentalmente, o corpo docente e o orientador opõem-se. Muitos dos problemas criamos nós, por não respeitar a decisão, porque a criança, mesmo que não fale, sabe o que quer e tem interesses; outra coisa é investigar, pôr os óculos. É fundamental que nos ponhamos os óculos, mas já não só a partir do coração, a partir da maneira mais profissional. As condutas, muitas, criamos nós, e depois sim que temos um problema, porque não sabemos trabalhar e deitamos a culpa ao pai. É a minha mochila, com certeza, porque é o meu filho, a minha vida, o meu coração, mas é a vossa responsabilidade e vocês têm de o fazer. Porque depois estas crianças são como plasticina, estamos a dar-lhes forma e serão pessoas adultas, e quem as vai incluir? Ninguém. A conduta é uma das coisas fundamentais, não temos de ter vergonha. Se pergunto, até eu tenho problemas comportamentais, mas ninguém me analisa. Eu posso estar num semáforo e dizer «merda…», mas ninguém me vai fazer um registo. A conduta vamos analisá-la de maneira séria, fazendo registos, não dizendo: «eu acho que». Então, vamos ver qual é o problema da criança e vamos ajudá-la, porque esta criança vai ser uma pessoa adulta e, depois, para elas existe o nada, e não temos o direito de fazer isso.
(Aplausos)
José e Isabel Yagüe:— Olá, bom dia, sou José e Isabel. Somos pais de uma menina de seis anos e viemos de Valência. A nossa história, como a de muitos dos que estão aqui, é lutar com a Saúde, com a Educação, todos os dias, sem ter nenhum conhecimento. Bem, sempre andámos com os artigos, com os direitos, talvez isso seja o que fez com que nos respeitassem em certos locais.
Então, quando chegámos ao colégio e já nos desgastaram, um psicólogo disse-nos que tínhamos de ir para educação especial. Então, fomos visitá-los todos e demos-nos conta do que há nos centros de educação especial. E dizes: «eu não quero isso». Mas não há outra alternativa. Colocámos no parecer que não estávamos de acordo, em função dos direitos das Nações Unidas, dos artigos, e tudo isso. Finalmente, alguém nos ouviu, e demos com uma orientadora, que se chama Ana, e ela abriu-nos a vida para outro colégio. E passámos de um colégio em que a minha filha era um problema, não podia ir às excursões, ao colégio quando não tinha a educadora ou que nos chamava para que não a levássemos, a um colégio onde não há nenhum problema. Ou seja, quando chegámos lá, disseram-nos: «Aqui há muitas crianças e não há problema, não temos nenhum problema, é que nem nos apercebemos». A diferença é que lá não há educadores nem PT, há-os no cartão de visita, mas, todos os profissionais fazem tudo e, no final, tudo isso resulta. A mim o que me gostaria é que daqui saísse, que nos multiplicássemos, que cada província identificasse esses colégios que sabem fazê-lo bem, e que não estão aqui, e escrevessem esse livro de orientações que há que seguir para que isto ocorra. Se é possível num colégio, porquê não noutro? Gostaria que se escrevesse esse Livro Branco que podemos encontrar para montar uma associação sem fins lucrativos, pois façamo-lo para a educação inclusiva. Um livro onde estejam os direitos, em que estejam as orientações a seguir, que sirva para professores, e sirva para as famílias. Bem, e creio que esse é o meu objetivo hoje aqui. Obrigado.
(Aplausos)
Olga Gave:— Bem, vamos ver os nervos e as emoções. Sou Olga Gave, mãe de três meninos e digo que para mim cada um deles funciona de uma maneira, embora o meu filho mais velho tenha tido de experimentar a educação especial, porque já vinha, como dizer, já estava feito, na estimulação onde íamos já me disseram que iria para um colégio especial, que iria de autocarro, e que comeria lá. A mim isso já me soou a «o que se passa?» Mas bem, eu desconhecia, era o meu primeiro filho, não tinha ideia nenhuma. Deixámo-nos levar. A psicóloga disse-nos que seria o melhor sítio. Ainda conservo o papel de colégio especial, colégio regular ou combinado, mas, o melhor sítio era o especial. Total, três anos de luta. a mim viam-me e eu sentia que quando desciam do autocarro essas crianças, deixar o meu menino lá… não sei, doía-me o estômago, via que isso não era o que eu queria. Então, por curiosidade, por me mexer e procurar na internet, encontrei uma pessoa maravilhosa, que está aqui e se chama María José.
María José tinha um escrito que dizia: «Quem era ela, quem eram os orientadores para decidir se este menino vai para especial e este para regular?» Então, a coisa foi-me tocando. Escrevi-lhe. Lutámos. Tirei o Jaume do colégio especial, está num colégio regular. E eu queria aportar muitas coisas, mas, como que lhe tirámos tudo o que tem, porque para mim, o meu filho não tem nada, funciona de outra maneira, então tirámos-lhe coisas. Ao estar no colégio especial, penso que o encasilhávamos a não estar no nosso mundo, a estar à parte. Então, lá, no colégio regular, como o Jaume já vinha do colégio especial, já havia um precedente: quem seria este menino? E quando começaram a vê-lo: «Ah, que bem, não é para tanto». Não sei, criámos umas coisas, e nada, agora estamos muito contentos, e isso queria agradecê-lo à María José.
(Aplausos)
Virginia:— Olá, desculpem, mas vou repetir. (Dirigindo-se a Cristóbal Gómez) Você disse que se dedica quase 80% a falar, a ensinar professores, e acho isso fundamental. Mas devo dizer que meu filho esteve do primeiro ao sexto ano do ensino fundamental em uma escola. Mudei-o em janeiro e, nessa escola, não ouvi absolutamente nenhuma frase depreciativa. Com os professores, ele conseguiu isso ou aquilo, eles o incentivaram, mas, a partir do início da avaliação psicopedagógica, me deparo com o PT dizendo: «Quando for mais velho, vai piorar». Me deparo com a secretária dizendo «Servirá para colocar um parafuso em um lugar específico». Frases que não ouvi em seis anos, e as ouço agora, agora, a partir da avaliação psicopedagógica.
Outra coisa que acho muito importante é quando você fala com os inspetores ou orientadores. Agora, quando um pai tem um filho com necessidades educacionais especiais e se dedica, como qualquer outro pai, a ajudar seu filho a progredir, você não o faz bem, ou seja, nós pais não sabemos, não podemos nos comparar a ser um professor, nós pais devemos ser pais e não professores. Ou seja, a escola ou o Estado não oferece apoio, mas se você, como pai, ajuda seu filho, que diabos, você também está fazendo errado. Então, não entendo completamente. No café da manhã, estive conversando com uma mãe que me disse uma frase fundamental: «Não adianta nada para nós pais reclamarmos das instituições, não adianta nada para nós pais reclamarmos dos professores, dos tutores, se nós pais não avançarmos e nos unirmos, eles são um exército muito bem construído ao longo de muitos anos». A favor de que isso funcione como eles esperam que funcione. É assim porque, quer vocês queiram ou não, e vou dizer, e não sei se haverá alguém de Madri e isso pode me prejudicar. Em Madri, uma das fundações mais importantes que existem é a fundação Carmen Pardo Valcarce, que agora mudou de nome por uma razão muito simples. A senhora que dirige essa associação se chama Carmen Casafranca. Essa senhora é uma das indiciadas nos ‘Cartões Black’ da Comunidade de Madri, é sócia de pessoas que estavam no partido. Isso está montado de uma determinada maneira para que a educação, como disse um pai antes, leve nossos filhos a uma série de oficinas que depois beneficiem uma série de pessoas. E isso é uma realidade, e é exatamente assim, não é algo que eu invente, qualquer um pode ler.
Ao meu filho, quando estava na educação infantil, tinha ataques epilépticos (já recebeu alta). Levei-o a uma instituição em Madri que dependia da Sanidade e se chamava Instituto Dionisia Plaza. Eles o fecharam. Essa escola que apoiava as crianças recebia cheques em branco da Sanidade; 3.000 euros que pagavam pelo meu filho, e não funcionava. Eles os orientavam para que ocorressem oficinas. E não nos enganemos, isso está montado de uma determinada maneira para que as coisas cheguem a um fim. Por isso, aos 21 anos, não podem continuar estudando, para que vão para uma série de lugares. E o que digo sobre um exército… os orientadores gostam muito de você, mas quando a orientadora entra, eles não olham mais para você, você descobre que um professor vem falar com você porque você apresenta um documento, e você descobre que todos que eram muito amáveis com você, deixam de ser, você não é mais a mãe que esteve seis anos, que é a sua escola onde estudou, agora você é a que vem incomodar e vai gerar um problema no sistema. Desculpem.
(Aplausos)
Fernanda Valdés:— Olá, bom, eu sou Fernanda Valdés. Venho de Cáceres e sou a mãe da Zoe, porque ela é mais famosa do que eu. Em Cáceres, na verdade, senti-me um pouco sozinha desde que a Zoe nasceu, porque era como o meu problema, mas descobri o Facebook e um monte de gente maravilhosa que sinto como da minha própria família. Quando nos encontramos aqui, foi como: «Olá, Alejandro, María José ou Belén?» E isso é fantástico porque sentes que não estás louca, tal como quando conheci o Nacho, foi como, bem, ainda bem que existes.
A Zoe tem cinco anos agora, ou seis, sim, tem cinco anos agora, estamos no terceiro ano do infantil. Agora temos a transição para o ensino primário, mas tenho muito medo. Fiz magistério e sei o que significa a transição para o Ensino Primário com cinco horas sentadas numa cadeira. A Zoe é um espírito livre e ainda não sei bem que decisão tomar. O que eu queria dizer, porque já se disse quase tudo aqui, sobre os problemas, as coisas que temos de enfrentar e tudo mais, que algumas já tive de enfrentar, e que lutar e argumentar, apesar de me chamarem louca ou o que for. Eu, desde a minha profissão, sou músico, contadora de histórias, tento falar ou contar histórias sobre as diferenças, sobre o quão diferentes somos todos e o quão maravilhoso é isso, e as crianças entendem perfeitamente. Depois, é preciso trabalhar os pais, isso é mais complicado, mas as crianças desde a infância entendem perfeitamente. E eu, desde o início, é verdade que na escola em que estamos é pequena, Cáceres também não é grande, então tenho um espaço e a Zoe tem um espaço e é mais uma até agora. Não sei o que acontecerá no futuro, e não tenho medo porque confio. Então, acho que é preciso mudar muito os olhares e a infância é muito importante para mudar esses olhares, porque essa infância depois será adulta, e esse é o meu pequeno grande contributo, o olhar que temos para os nossos filhos é o que os outros veem como os vemos e isso também faz com que os vejam de outra forma e isso é muito poderoso, mudar os olhares é muito importante.
(Aplausos)
Belén Jurado:— Eu quero repetir, porque há pessoas que o conhecem, mas há pessoas que não. Eu fiz há um ano, quando tudo estava muito mal, muito mal, uma corrente com o livro do Nacho Calderón «Educação, Hándicap e Inclusão» e com uma flor da minha filha. Passou pela escola e passou por muitas pessoas. Eu encorajo-vos a levá-lo às escolas, a levá-los às instituições e que esteja lá, porque este livro é muito importante, de verdade. E outra coisa que queria comentar antes que me esqueça, é o projeto «Mães», que não sei se o conhecem. Visitem-no, porque lá há muitas histórias de mães e muita gente que conta o que se está a contar hoje aqui. Obrigado.
(Aplausos)
Antonio Guerrero:— Olá, vou repetir por coisas importantes. Uma é esta senhora que falou sem o microfone. Eu sempre disse que nunca se deve julgar o rival pelo seu tamanho, mas pela sua capacidade de resistência. Por exemplo, os trezentos no passo das Termópilas, que não pararam até que o seu povo saísse. E também dissemos desde o início, desde que nascemos como coletivo, como movimento, que se aprendermos a aceitar a diversidade como algo normal, não há que falar de inclusão, mas de convivência, mas isso há que aprender desde o berço, não desde que se chega à escola, porque já tem três anos. Antes já lhes ensinámos, possivelmente, que este é coxo, este é vesgo, esta é loira e bonita, e que também é ‘vítima de’.
E por que digo isto? Porque antes dissemos que os professores não sabem. Nós fomos este 6 de fevereiro à Faculdade de Ciências da Educação da Universidade de Sevilha, desde a plataforma de atenção precoce com membros nossos, para ensinar aos futuros professores o que vão encontrar. Foram duas oradoras que ganharam o prémio Rainha Sofia, ou seja, gente de categoria, foram mães, pais, diretores de colégios e disseram: «Isto é o que vocês vão encontrar nas aulas». E viram crianças com síndrome de Down, viram crianças com epidermólise bolhosa, viram crianças com paralisia cerebral e com catorze mil doenças raras que quase nenhuma se consegue pronunciar.
Mas também dissemos, e voltando ao que dissemos antes, voltando às crianças, por que não envolvemos as crianças a interagir com as crianças, e não separamos umas das outras? E isto vem porque as famílias diziam que os seus filhos estavam sozinhos no recreio e ninguém os acompanhava. Então, ocorreu-nos envolver as crianças das classes superiores para que joguem e sejam protagonistas com os mais pequenos. Hoje o jornal La Razón publica o nosso projeto, estamos a distribuir carteiras de protetores. A criança, por exemplo, da turma de 8 anos cuida, acompanha, protege e ensina crianças que estão sozinhas no recreio, e hoje sai na imprensa. Como dizia esta mulher (aponta), não pensem que é possível, é que já é possível, que já se estão a dar as carteiras, que a mim me estão a ligar presidentes de câmara e vereadores: «Antonio, que vou implantá-lo em todos os colégios». Também falei com o diretor de ordenação educativa, aqui há funcionários da conselharia, e ele disse-me: «Coloca o projeto no portal de boas práticas, vamos analisá-lo e, se for correto, vamos implantá-lo obrigatoriamente em todos os colégios». Então, que forma mais bonita! Uma criança de 8, 9 ou 10 anos sente-se já responsável por uma criança de 3, 4 ou 5 anos. Estamos a dar um bónus para ele e um motivo também para a sua família se sentir orgulhosa e, sobretudo, a criança que é diferente está acompanhada, incluída, protegida e ensina-se a brincar. O jogo é jogo desde que o homem é homem, desde que se inventou o jogo, e a criança onde de verdade aprende é interagindo com os seus iguais. Façamo-lo, é possível, está aqui. Muito obrigado.
(Aplausos)
Fran Pereña:—Obrigado, bom dia, dão-me dois minutos, quando quem vai falar é um advogado. Queria apresentar-me, talvez sou o único que não tem muita relação com o ponto de vista da educação, sim do ponto de vista do direito, que vi que têm a faculdade ali em frente, pelo que longe não estamos, e acho que todos juntos podemos ajudar a que isto corra bem.
Pertencemos estas mulheres e eu, incluída esta pequena. Viemos de Madrid, agora a minha colega apresentará o colégio Carlos Cano, e eu como advogado quero dar conhecimento a todos de uma iniciativa legislativa dos ayuntamientos, de 42 ayuntamientos de Madrid, que está agora mesmo na assembleia de Madrid. É uma iniciativa para a educação inclusiva. A educação inclusiva é um direito, digo-vo-lo eu como advogado que venho dali de frente, é um direito, mas que não se cumpre. Sobre esta iniciativa legislativa, ela antes falava dos exércitos e nós falamos do exército de formiguinhas, eu no início não estava nesse exército, começaram há já dois anos, e esses dois anos acabaram em que no próximo 1 de março na assembleia de Madrid há uma tomada de consideração e essa iniciativa legislativa dos ayuntamientos (ILA) já se chama proposição de Lei 17/17. Já nos levam em consideração. É um projeto de um exército de formiguinhas, mas é um projeto muito ambicioso e, como esse exército de formiguinhas diz, porque é muito modesto, mas eu acho que não, «desde a modéstia quer-se conseguir algo que é o que todos aqui pretendemos».
Permitam-me falar sobre o direito à educação inclusiva. Está regulamentado em toda a legislação, mas colocá-lo em prática é outra questão. É na prática que esse exército, que ela mencionava, nos coloca todas as barreiras possíveis. Do ponto de vista legislativo, busca-se estabelecer uma base, uma norma que devemos cumprir; no entanto, como agora, não se cumpre. Não sei se conhecem uma recente sentença do Tribunal Supremo, o nosso tribunal mais alto. Para os especialistas em direito preocupados com estes temas, é muito clara e vai criar jurisprudência. Ou seja, é algo que os juízes e os tribunais terão que considerar, e que complicará as coisas a esse exército que tenta fazê-las mal. No entanto, o meu enfoque é puramente jurídico; precisamos também de pessoas fora deste âmbito. Vocês, a partir da base, têm que lutar para mudar esta situação. Enquanto se aplicam e aprovam as leis, e os partidos políticos avaliam se são benéficas para o eleitorado, após a assembleia de Madrid, devem refletir. Chegámos até aqui, é um grande passo e juntos podemos alcançá-lo. Enquanto isso, gente humilde como eu está aqui para lutar nos tribunais, que no final nos estão a dar razão. O problema é que para chegar a este ponto, à guerra interna de cada um, vocês adicionam a batalha dos tribunais, as sentenças e o tempo, tudo o que deve ser muito rápido. 'Que o menino me o querem levar', pois há dez dias para agir. É uma carga enorme para vocês, os pais que enfrentam este problema e os trabalhadores da educação, sem necessidade de nos aprofundarmos neste mundo tão corrosivo que é o direito. Mas aqui estamos, representando uma ILA (iniciativa legislativa dos municípios) que hoje tenho o orgulho de representar. São cinco milhões de pessoas em Madrid, porque há 42 municípios. O que começou como um pequeno sonho de conseguir apoio de 3 municípios, o que estabelece a ILA, tornou-se realidade. Assim, aqui estou para ajudar no que for possível. Muito obrigado.
(Aplausos)
Participante 2:— Eu queria comentar algo que acho que é fundamental para as professoras e os professores. Eu gostaria de convidar vocês… como professor devemos ter duas coisas fundamentais. Uma, compromisso absoluto no nosso trabalho, compromisso com a justiça social, com a equidade educativa. Segundo, ter um pouco ou muita rebeldia. Acho que nós temos que nos rebelar contra este sistema que é opressor, segregador e que é nossa responsabilidade mudá-lo, então não podemos ser meros instrumentos do sistema, mas sim que estamos para transformá-lo e, por conseguinte, transformar a sociedade em que vivemos. Obrigado.
(Aplausos)
Rosario Barea:— Olá, boa tarde, somos os pais de duas crianças, mas uma delas com diversidade funcional. Nós estávamos predestinados. Eu fiz psicologia aqui na Universidade de Málaga e tive a sorte de conhecer Carmen Linares fazendo a disciplina de Atenção Precoce. Por isso digo que estávamos predestinados, porque anos mais tarde tivemos uma criança maravilhosa, nosso primeiro filho, Pedro, com diversidade funcional. Então recorri a Carmen Linares, e tudo era maravilhoso com Carmen Linares, mas, o que aconteceu? Que a atenção precoce já rangia, fazia água. O centro de atenção precoce ao qual o levamos pela primeira vez não era o que Carmen Linares nos dizia, e nós dizíamos: mas isto o que é? Ali não se fazia atenção precoce. Então Carmen disse-nos: «Até que não encontrem um centro onde se faça atenção precoce como deve ser feita, não parem». E assim continuamos a lutar até que encontramos um centro onde as coisas eram feitas.
Quando começamos com o tema da educação, nós somos de uma vila muito pequena em Cádiz, onde há apenas uma escola. Fomos ao EOE (Serviço de Orientação Educacional) da escola, muito conhecido nosso e do meu marido. Ele nos disse de imediato que dava por suposto que o menino não estaria ali, porque ele assumia que nós o levaríamos para 15 quilômetros de distância, para Ubrique, a maior cidade perto da nossa. Eu disse-lhe que o menino não era de Ubrique, que o menino era de Villanueva del Rosario, que é de onde somos nós, que já com os obstáculos que tínhamos, por que deveríamos levar o nosso filho para outra escola? Ele contou isso à equipa de orientação e à equipa de orientação educativa. Sempre nos disseram que eles punham a mão no fogo de que o nosso filho não estaria na escola da vila. A escola da vila é mais ou menos como o Antonio contou e eu pensei que era ideal. São aulas unitárias, os mais velhos ajudam os mais novos, mas o que acontece? Que, como o meu filho é um estorvo e o EOE não quer que ele esteja ali, nenhum professor quer que o Pedro esteja ali. É uma luta diária, mas, ainda assim, somos famosos quase na delegação de Cádiz, e o Pedro está lá.
Participante 3:—Ontem, vendo os vídeos, percebi que muitos deles diziam que a etapa da Educação Infantil foi maravilhosa, que não havia problemas. Então, o que eu me pergunto é o que há na Educação Infantil que se perde obrigatoriamente no Ensino Fundamental, ou, dito de outra forma, não poderíamos analisar a etapa da Educação Infantil e ver o que pode ser mantido no Ensino Fundamental para que não haja essa mudança, essa ruptura? Por que no Ensino Fundamental a padronização, a homogeneização, a unificação prevalecem e há tanto medo de perder o controle do que a criança aprende? Como se avaliar as crianças em diferentes objetivos fosse garantia de que as crianças estão realmente adquirindo essas aprendizagens, quando a única coisa que indica é que, naquele momento da avaliação, o rapaz ou a rapariga é capaz de lembrar o que lhe foi perguntado, mas realmente as aprendizagens a longo prazo não creio que se deem aí, pelo menos no contexto dessas avaliações. Portanto, eu acho que deveríamos perder o medo de que o Ensino Fundamental se parecesse, continuasse a parecer-se com a Educação Infantil. Gostaria que isso fosse analisado em algum momento, qual a diferença entre uma etapa e outra? Obrigado.
(Aplausos)
Antonio Márquez:— Bom, eu sou Antonio Márquez. Quem me conhece sabe que a minha história, a minha luta, segue por outro caminho, como foi comentado aqui um pouco. Há muitos docentes que precisam de ferramentas, que querem saber como fazê-lo. O trabalho de consciencialização e de luta que todos os que estamos aqui fizemos está a começar a surtir efeito. E agora, é preciso dar um passo em frente: dotar de estratégias todo esse corpo docente que o está a pedir. Sim, já estamos cientes disso, mas, como o fazemos? Neste sentido, quero dar-vos um toque positivo porque há muitas iniciativas que estão a funcionar, sobretudo nas redes sociais. Há um grupo bastante amplo de quase cem orientadores que estão no Telegram; com o Twitter, mexemo-nos, com a hashtag #orientachat, estão a ser feitos grupos de trabalho para analisar situações de inclusão, analisar situações psicopedagógicas, como podemos mudá-las, então estão a ser dadas formações em muitos centros, já que querem aderir a isto da educação inclusiva. Por exemplo, no centro de formação de professores de Almería estão a fazer uma iniciativa muito grande dirigida por Manolo Ávila, e eu mesmo estou a fazer uma formação a 28 centros da Andaluzia, 28 centros que colocaram como linha prioritária conseguir em dois anos a educação inclusiva. Há duas semanas consegui que se reunissem em Motril 100 docentes de inovação educativa, podemos dizer que dos mais avançados da Andaluzia, que estão a gerar essa transformação na escola que tanto se pede, não só em inclusão, mas também em propostas didáticas inovadoras, tudo para falar apenas de inclusão e que a inovação educativa dê as mãos à inclusão porque é fundamental.
Então, eu quero também que coloquemos o foco de atenção nesse monte de docentes, que são os que eu estou convencido de que podem propiciar esta mudança, os docentes, não os de PT, ou os orientadores, o docente está definitivamente com o aluno, e colocar o foco nesse docente porque há bastantes mudanças, estão a produzir-se mudanças e tenho a consciência tranquila, feliz, porque estão a conseguir pequenas coisas. Obrigado.
(Aplausos)
Participante 4:— Para os pais e mães que estão a ver que o sistema não lhes funciona, pois vai-se aos tribunais e não acontece nada. Chega um momento em que se está tão farto, que se vai aos tribunais, não há problema, aí está SOLCOM. Há pessoas que os vão apoiar, e à Administração é o que mais a incomoda. Ou seja, vamos aos tribunais, temos de ir atrás deles, e olha, eu lamento muito pelos orientadores, por quem quer que seja, mas os pais são os que têm de dar o passo e as mães, para isso estamos aqui, e não o sistema. O sistema, já sabemos como está e o que há, então vai-se aos tribunais, denuncia-se e pronto. E nada mais, é o que vos digo.
(Aplausos)
Rocío Salcedo:— Boa tarde, o meu nome é Rocío, sou psicopedagoga e PT por vocação, e bem, depois de ver os vídeos de ontem de todos os pais e mães, gostaria de fazer um reconhecimento porque se sacrificaram durante anos para melhorar a qualidade de vida dos vossos filhos e, sobretudo, dedicaram-se de corpo e alma a criá-los. No entanto, é inegável que tal labor é pouco reconhecido socialmente, e em muitíssimas ocasiões continuam a lutar perante distintas adversidades, como por exemplo administrações pouco comprometidas e uma sociedade pouco sensibilizada e acessível. Acredito e penso que o avanço da criança com diversidade funcional no Ensino Básico depende muito do PT e do tutor dentro da sala de aula. Pelo meu trabalho, não acredito no diagnóstico sobre papel, acredito no trabalho diário na sala de aula bem feito, porque os estudantes evoluem tanto e a cada dia nos mostram que talvez precisam de um pouco mais de tempo, mas que no final são capazes se os docentes colocarmos em prática os recursos à disposição dos estudantes. Acredito e penso que o corpo docente, em geral, necessita de uma formação mais especializada, sobretudo nos tutores de sala de aula, e, como não podia deixar de ser, necessitam de mais empatia e de se colocar no lugar de vocês, das famílias. Falta tantíssimo por fazer no âmbito educativo, talvez eliminar todos os rótulos diagnósticos e pensar, como bem disse uma mãe, nesse diagnóstico mais pedagógico do que clínico. Também falta muitíssimo por fazer, porque em muitos dos centros ainda essa inclusão nessa sala de aula regular não se realiza, esse apoio educativo dentro da sala de aula regular, mas sim fora da sala de aula, na sala de PT. Gostaria também de reivindicar que é necessário modificar também a linguagem que tanto prejudica. Em suma, somos muitos os docentes que acreditamos na inclusão, mas acreditamos numa inclusão real e efetiva. Muito obrigada.
(Aplausos)
Paco Serrano:— Bem, eu repito, mas mais breve que antes. Tenho um pequeno apontamento de resposta ao que dizia a colega antes: o que acontece na passagem da Educação Infantil para o Ensino Básico, ou na passagem do Ensino Básico para o Secundário? Eu formei-me como professor nesta mesma faculdade. Estudei magistério de infantil aqui e, depois, pedagogia, e um dia um professor daqui esteve a falar-nos do conceito de educação, assim, em bruto, e esteve a falar-nos da diferença que há entre a educação, a formação e a alfabetização. Depois saí daqui e comecei a trabalhar, e comecei a trabalhar em Educação Infantil e não em todos os casos, e não gostaria de generalizar porque há muitíssimos colegas muito valiosos a trabalhar e a fazer um trabalho, de verdade, de pérolas em Educação Infantil, mas, é verdade que muitas vezes me deparei com que a Educação Infantil não é Educação Infantil, é alfabetização infantil, e no Ensino Básico mais. No Ensino Básico, a educação transforma-se em alfabetização porque se reduz a ensinar a ler, a escrever, os rios, os reis, a geografia, as disciplinas estagnam e esquecem-se do que realmente, é o que dizemos. Não falo de questões de coração ou de voluntariedade. A Educação Secundária Obrigatória não é formação; fala-se que a Educação tem o propósito final, último, do desenvolvimento integral das pessoas, desenvolvimento físico, psicológico, moral e cívico, em todos os aspetos. Então, se a lei que temos agora mesmo vigente nas nossas mãos os professores e professoras de toda a comunidade educativa, nos diz que esse é o objetivo, então, porque raio se ignora essa finalidade e se transforma o que deveria ser educação integral em mera formação académica ou laboral? A formação tem de ficar na Universidade, que para isso existe. Obrigado.
(Aplausos)
Alejandro Calleja:— Bom, eu acho que o que tem que ficar claro para as famílias desde o início, para isso acho que viemos, é ter uma conscientização pessoal clara de que queremos defender o direito dos nossos filhos. O direito deles como sujeitos jurídicos que são. Nós, a administração e os profissionais, temos a obrigação de que esse direito seja cumprido. E, efetivamente, o ensino tem que ser ensino para a vida, para que a pessoa seja o mais autônoma e independente possível. Depois cada um seguirá para onde tiver que seguir. O importante é ter essa consciência, criar consciência de grupo, de famílias, como está começando a ser criado em distintas comunidades autônomas. E, efetivamente, reclamar; se for preciso ir ao tribunal, vai-se, com o apoio de profissionais. Há psicólogos clínicos, orientadores que podem nos apoiar, advogados que podem nos ajudar. Inclusive, já não é preciso ir ao tribunal para defender o direito à educação inclusiva dos nossos filhos, existe a Convenção Internacional dos Direitos Humanos das Pessoas com Deficiência, que em maio faz dez anos que a Espanha a ratificou. E só vou dar uma dica, depois explicarei melhor. Só preenchendo um questionário e enviando o parecer de escolarização para o centro combinado ou para o centro especial, não são necessários tribunais, a comissão de direitos humanos intervém diretamente, porque já há uma violação do artigo 7 e do artigo 24 da Convenção, e é efetiva, real e gratuita.
(Aplausos)
Raúl López:— Hoje, sou Raúl. A única coisa que tinha clara quando comecei a trabalhar é que não queria trabalhar em educação especial e por isso estou aqui hoje, porque também não queria trabalhar com a comunidade cigana, nem com imigrantes, nem com setores marginalizados, nem setores familiares também segregados, com o que sempre quis trabalhar e trabalhei é com o sofrimento das crianças e dos meninos e meninas que estão nas salas de aula, não sei se normais ou não normais, diferentes ou não, mas há muito sofrimento. Um sofrimento que passa por aulas aborrecidas, que são passivas e levam à segregação, em frente a aulas interessantes, que são participativas e, curiosamente, onde nunca há problema para a inclusão. Então, o trabalho é transformar os sistemas tóxicos que estão produzindo tanto sofrimento.
(Aplausos)
Ainhoa Yáñez:— Olá, bom dia a todos. Eu sou Ainhoa. Como dissemos antes, viemos representando a ILA inclusiva, e também um colégio em Madrid, o Carlos Cano, onde não viemos dar nenhuma receita mágica porque a receita mágica não existe. Estou muito mole, mas, queria dizer-lhes que é possível. Eu, como professora, me matou quando a colega falava que somos um exército. Não quero pertencer nunca a esse exército. Me esgota que os gremios não paremos de falar de recursos e recursos, «é que as crianças aqui não estão bem, é que têm que ir para outro lugar onde haja mais recursos». Eu estou totalmente convencida de que os recursos são necessários, os PT e AL fazem um trabalho essencial, que os orientadores fazem o seu trabalho, mas o recurso é infinito, e se há um recurso que tem um potencial, que não se pode medir, sois as famílias. Então, acredito que, se as famílias entram no colégio, a invadir os colégios, se estivessem por todos os lados, esse também seria o recurso.
Estamos em uma escola onde não temos livro didático para nos adaptarmos aos alunos e alunas, porque com o mesmo livro didático todos não podem, e porque não gostamos que uma criança com adaptação curricular tenha um livro diferente do que toda a turma tem. Estamos em uma escola onde os cantinhos da Educação Infantil vão até o terceiro ano do Ensino Fundamental. Estamos em uma escola onde há aprendizagem cooperativa no quarto, quinto e sexto anos. Mas, acima de tudo, para mim o mais importante é que estamos em uma escola onde as famílias trabalham conosco. As segundas-feiras, no horário docente, as famílias estão dentro da escola, em comissões, cuidam de tudo conosco, tomam decisões, propõem o que tiverem que propor, criticam, animam e há uma forte APM (Associação de Pais e Mestres), que impulsiona. Acredito que vocês precisam entrar nas escolas, deixar de ter tanta paciência. Vocês me partem o coração com tanta paciência, vocês têm o direito de estar na escola, vocês têm o direito de dizer: «Estamos aqui e importamos». A escola existe porque as crianças estão aqui, e se as crianças não estivessem, os professores não fariam nada, então, por favor, entrem nas escolas, defendam esse direito à participação familiar e vão com tudo. E se vocês quiserem algo, aqui estamos.
Ignacio Calderón:—Bom, muito obrigado a todos e todas, eu sinto muito, mas estamos com pouco tempo e temos que ser muito rigorosos com isso. Agora temos planejada uma pausa. Depois voltamos aqui para ir para os workshops. São meia hora, a cafeteria está aberta, é o que há. Muito obrigado.
Audiodescripción [AD]: Tras el descanso, las personas asistentes regresan y toman asiento. Ignacio Calderón se dirige a ellas.
Ignacio Calderón:— Bueno, después del descansillo iniciamos los talleres. De todo lo que se ha estado hablando, hemos logrado consensuar tres talleres. Un primer taller que se titularía: «¿Qué pasa en las escuelas donde algunos niños y niñas no caben?» Este taller pretende hacer una mirada a la escuela en global, es decir, qué es lo que pasa en esas escuelas en las que algunos niños y niñas no caben. No estamos hablando de todas las escuelas, estamos hablando de aquellas escuelas en las que algunos niños y niñas no caben, ¿vale? Aquí se trabajará participación, cultura, organización, metodología. Vamos a ver lo que ocurre, por qué ocurre y cómo ocurre la exclusión.
Un segundo taller, que tiene que ver con dar respuesta a algo que ha sido una tónica habitual en los vídeos que enviaron y también en el debate de hoy, la evaluación psicopedagógica. Este taller se titula: «La evaluación psicopedagógica a examen, ¿para qué están sirviendo los informes?» Este segundo taller pretende analizar y focalizar nuestro análisis en ese problema, ¿vale? Estamos hablando ahora mismo de problemas, no estamos hablando de soluciones. Tenemos que analizar bien esos problemas. ¿Qué ocurre en las escuelas para que excluyan a algunos niños y niñas? ¿Qué ocurre con la evaluación psicopedagógica ahora mismo?
Y el tercer taller tiene que ver con algo que salió también en el debate y lo hemos titulado: «Barreras legales». Tenemos que problematizar las barreras legales que existen ahora mismo o que nosotros estamos viendo que existen en las escuelas, ¿bien? ¿Qué es lo que impide legalmente? Ponemos “legalmente” entre comillas. ¿Qué normativas? ¿Qué es lo que está ocurriendo para que se nos diga, por ejemplo, «legalmente no puede estar aquí?».
Entonces, esos son los tres talleres que hemos propuesto. Yo creo que aglutinan un poco el sentir de todo lo que se ha comentado hasta ahora. Si hay algo que creáis que no cabe aquí, es el momento de plantearlo.
Belén Jurado:— Eu proporia também, não agora, nas oficinas, as adaptações não curriculares.
Ignacio Calderón:—Está bem proposto, teremos que pensar nisso. Eu proporia como parte desse apartado da avaliação psicopedagógica em exame. Vamos completar e colocar. «A avaliação psicopedagógica e as adaptações curriculares em exame», por exemplo, o que acham?
Bem, temos que nos dividir, ou seja, se houver uma oficina que seja muito atrativa e gostaríamos que 90 pessoas estivessem nessa oficina, não pode ser, então, teremos que nos dividir.
O primeiro é «O que acontece nas escolas em que algumas crianças não cabem?» É uma análise global da escola como instituição, como instituição excludente, porque agora mesmo estamos falando dos problemas. Depois, falaremos de soluções na segunda oficina, mas, agora mesmo, vamos pensar nos problemas. O que acontece nas escolas para que isso ocorra?
Todo mundo tem claro? A terceira mesa é «Barreiras legais», ou seja, focar no que é proposto pelas escolas, o que é legal, vocês falaram disso em várias intervenções. Agora mesmo, temos que pensar apenas no problema, no legal como problema.
Se acharem bem, vamos colocar aqui três folhas, vamos nos inscrever nas oficinas. Cada um escolhe a oficina que quiser; não vamos ficar muito tempo nas oficinas. Você vai entrar em uma oficina e vai dedicar seu cérebro a pensar nesse tema.
Esta tarde as oficinas serão dedicadas a pensar nas soluções, em resposta a esses problemas. Por que acontece, como acontece e para que acontece? Oficina dois, 0.16, oficina três, sala 0.15.
Audiodescrição [AD]: Os participantes aproximam-se da mesa para se inscreverem no workshop da sua escolha. Depois, cada um dirige-se para o workshop e para a sala atribuída.
Os participantes que escolheram o workshop 1, «O que acontece nas escolas onde algumas crianças não cabem?», permanecem nos seus assentos na sala principal.
Cristóbal Gómez:— A ideia é focarmos no primeiro workshop: «O que acontece nas escolas onde há algumas crianças que não cabem?» Supõe-se que a escola é para todos, há escolas onde todos cabem. Há salas de educação infantil onde, como falámos antes, cabem. Depois, há outros sítios onde não cabem. Então, vamos concretizar apenas os problemas, as dificuldades, as causas sistémicas de todos os elementos da escola que fazem com que alguém não caiba, está bem?
Levantamos a mão, dizemos a ideia, passamos um post-it e resume-se em poucas palavras para colocá-la ali (aponta-se para uma parede sobre a qual pende uma grande cartolina branca).
Ignacio Calderón :— Eu diria que seria melhor passar já os post-its e que, quando se estiver a falar, já se tenha o post-it preparado.
Cristóbal Gómez:— Se possível em maiúsculas e de forma sistêmica, com uma palavra ou frase curta, melhor, embora depois, na hora de explicá-las, possamos nos aprofundar um pouco mais. Elementos que dificultam a inclusão de algumas crianças em algumas escolas.
Audiodescrição [AD]: Cristóbal entrega o microfone às pessoas presentes, que responderão por turnos. Depois de falar, cada uma colocará seu post-it na cartolina.
Maria José :— Olá, eu sou Maria José, sou mãe de um menino com síndrome de Down. Os problemas que encontrei são que meu filho está cursando o primeiro ano do Ensino Fundamental, e o problema que sua tutora nos disse este ano não, no ano passado, é que ela tinha que cumprir uns objetivos. Então, não se podia dedicar o tempo que o Luis precisava porque ela tinha que cumprir esses objetivos com as outras crianças. Objetivos de leitura e escrita.
Pedro Piña:— Olá, bom dia, eu sou Pedro, pai de um menino com problemas também. O principal problema que encontramos ao matricular o Pedro na escola é que venho de uma cidade muito pequena na província de Cádiz, que tem quatrocentos habitantes, e a escola tem no total trinta alunos, trinta alunos para quatro professores. Pedro, hoje, através da nossa luta, teve seu PT. Ele tem duas vezes por semana, além de seu tutor, seu professor de inglês, etc. Nosso primeiro problema foi quando nos reunimos com o EOE e nos disseram que não havia dinheiro, que praticamente não havia recursos. Como viemos de uma cidade pequena, tinham que centralizar todas as crianças da comarca da Sierra de Cádiz em uma escola onde houvesse mais recursos. Além de lutar muito para que o Pedro estivesse lá, quando nos reunimos com o EOE, o principal problema que eu vejo na escola é o EOE. Depois, uma equipe de orientação que não concorda, te chega a entender, mas de cima lhe dizem que não há e não há, e pronto, é o único obstáculo que nos colocavam. Quando verdadeiramente nos colocávamos a falar com eles, dizíamos: «se você entende o que eu quero e o que preciso, qual é o problema? É econômico?» E eles te diziam que sim, que a administração não fornecia professores suficientes, ou recursos suficientes.
Ignacio Calderón:— É importante que cada intervenção que fizermos se materialize, ou que cada ideia que trabalharmos se materialize num post-it que vá para o papel contínuo.
Arasy González:—Olá, meu nome é Arasy. Sou aluna da faculdade há alguns anos e continuarei sendo, espero. Vejo que um dos fatores que condicionam a escola a se materializar como um espaço onde não há lugar para crianças é um certo déficit na formação do professorado durante o período de formação inicial. Normalmente, há muito pouco espaço onde se possa pensar em outro tipo de escola, então, quando a formação continua sendo reprodutora na faculdade, continua sendo transmissiva, continua sendo inerte e estéril. O que se tende a fazer é reproduzir esse modelo hegemônico e não há mudança, e as pessoas que entram e saem de sua carreira e chegam a uma sala de aula, terminam reproduzindo o que há nesse lugar e o que vêm trazendo herdado da cultura e da sociedade.
Audiodescrição [AD]:A câmera sai da sala onde ocorre o primeiro workshop e se dirige para a sala onde ocorre o segundo: «A avaliação psicopedagógica, em exame». Atravessa um corredor envidraçado da faculdade, passa por um pátio e caminha por um hall vazio.
Susana Fajardo:— Desvirtuou todo o trabalho que fizeram as pessoas que pensaram esse processo, desvirtuou-se o processo e a utilidade tanto da avaliação psicopedagógica quanto da concretização curricular.
Esther Polo:—Pois se quiser, aqui temos post-its e você pode escrever mais ou menos, e nós colamos. Se quiserem, continuamos com as contribuições; se alguém quiser comentar algo, o que quiserem dizer.
José Luis Melero:— Bom dia. Tenho uma filha com síndrome de Down. Estamos tentando lutar com o tema. A partir do que vi na internet, no Facebook com Nacho Calderón e Alejandro Calleja, estou lutando pela educação inclusiva da minha filha. A questão dos relatórios psicopedagógicos, eu vejo como algo clínico. A administração tem um poder tremendo aí, e enquanto nossos filhos forem doentes, eu acho que a questão será mudá-la para algo positivo, porque claro, quando você lê um relatório desses, o mundo desaba sobre você. É tudo negativo, não há nada positivo sobre seu filho. Eu, quando li os artigos de Nacho Calderón ou de você, por exemplo, (ininteligível).
María José Cornell: Eu também passo por isso. Na equipe, somos trinta e poucos, e estamos aqui duas do time, todo mundo vê de outra maneira.
José Luis Melero:— São visões.
María José Cornell: À tarde, quando virmos as soluções, ou virmos as linhas de por onde ir… Uma das coisas é que não são opiniões. Há um workshop que vai trabalhar sobre a lei, a parte legal. Outro tipo de argumentações são as que podemos te oferecer, como pai, ou a mim como orientadora, quando estou na equipe e você diz algo e não está na linha do que dizem.
Raúl López:— Digo algo, porque veo a gente escribiendo. Yo propongo que escribamos en los post-its solo la línea fuerza, por ejemplo, «problema de la evaluación», «modelo clínico» o «señala solo lo negativo». Es decir, ‘ideas-fuerza’. Que se vean las diferentes ideas-fuerzas. Y, luego, las juntamos.
Participante 1:— Yo pertenezco a la Federación Española de Enfermedades Raras (FEDER). En enfermedades raras tenemos también conflictos con la calificación, porque evidentemente no los consideramos enfermos, pero, claro, en clínica, es necesario muchas veces clasificar para dar una respuesta muchas veces a nivel clínico. Lo que sí veo bajo mi punto de vista es que no se debería hacer ninguna evaluación psicopedagógica, porque a ningún niño que no tenga dificultades se le hace una evaluación psicopedagógica. Lo que sí que es considerable es hacer un informe no solo teniendo en cuenta las necesidades, sino también valorando todas las capacidades de ese niño. Es importante también en enfermedades raras tener en cuenta las necesidades sanitarias, pero no debemos confundirlo y llevarlo a nivel clínico, porque hay muchos niños que tienen una necesidad sanitaria dentro del cole, por ejemplo, un cambio de sonda, y necesitan la figura de una persona sanitaria, necesitan ese recurso para que el niño esté en el aula. Entonces, creo que lo más importante es hacer un informe de sus necesidades, pero también reflejar todas las capacidades que se tienen, que no se suele hacer. Siempre vamos a las necesidades y dificultades que hay, sin resaltar esas capacidades que tiene.
Carmen Mates:— Bueno, yo soy Carmen Mates, directora de un centro. Somos una comunidad de aprendizaje y aseguramos la inclusión al centro como uno de los pilares de las comunidades de aprendizaje. Es verdad que la evaluación psicopedagógica para etiquetar al alumnado no tiene mucho sentido, pero también los centros nos vemos en la obligación, porque si no hay una evaluación del alumnado que demanda necesidades, nos restan personal. Es buenísimo tener dos o tres profesores dentro del aula, pero, en el momento en el que no hay alumnado evaluado y con un informe psicopedagógico, esos recursos empiezan a desaparecer, con lo cual algo está fallando. No sé si es la norma o si es la manera. Es verdad que en la concepción de los centros hay mucho por hacer, mucho por trabajar y que tenemos que cambiar nuestra mirada hacia el alumnado, pero es necesario ese tipo de evaluaciones o, por lo menos, no apartándolos, sino dándoles las respuestas dentro del aula.
José Luis Melero:— Yo pienso todo lo contrario, perdona.
Participante 7: — Eu acho que o que seria importante é conhecer a realidade com que nos deparamos nos centros. O que pode ser feito para que os centros possam ter recursos sem a necessidade de rotular de forma negativa os estudantes? Temos essa dificuldade, precisamos de professores para trabalhar. Como fazemos? Esse seria um ponto importante a trabalhar, não sei se dentro do sistema que temos, porque o sistema está totalmente equivocado. Não deveria haver nem um censo nem rótulos para atender às necessidades educativas que todos os estudantes têm.
Mirela:— Acontece porque os relatórios psicopedagógicos são muito padronizados. Na associação, por exemplo, chegam até nós dos pais, você os lê e parece a prova da autoescola: a, b, a, b, c. São muito 'padronizados'.
Esther Polo:— Vamos tentar que todas essas ideias que estamos dizendo aqui se reflitam nos post-its. Conforme as formos tendo, nos levantamos e as colamos, porque depois temos que ordená-las. Então, para agilizar o que é o processo, além do que são todas as intervenções.
Antonio Márquez:— Eu queria fazer uma observação em relação ao que vocês estão dizendo, e centrá-la um pouco na forma mais técnica do que é a avaliação psicopedagógica. Eu acho que à avaliação psicopedagógica está se associando que ela é a causadora do etiquetamento, e é mais bem o parecer que gera o etiquetamento. Como bem vocês disseram, a avaliação psicopedagógica foi desvirtuada, e foi desvirtuada porque entre as funções que tem atribuída a avaliação psicopedagógica, está delimitar as necessidades educativas especiais e, por outro lado, analisar o contexto onde o estudante se desenvolve, para modificar esse contexto e que o estudante possa participar. O que aconteceu? Que a parte do contexto nós a esquecemos por completo, e não se lhe dá atenção, e é a mais importante, porque não obriga a criança a mudar, mas sim obriga a escola a mudar e a sala de aula a mudar.
Depois, por outro lado, o termo «necessidades educativas especiais» foi distorcido. Não sei se vocês notaram que acessamos qualquer manual, relatório, etc., e as necessidades educativas especiais são apresentadas como problemas, e não é um problema. O que temos que ver é a necessidade que a criança precisa para mitigar esse problema, o que ela precisa. E se eu confrontar isso com o que deveria ser mudado na escola, o relatório psicopedagógico teria utilidade. E isso é fundamental, não é algo que eu diga, diz a normativa. A normativa, ao definir avaliação psicopedagógica, diz que ela deve estar nos dois elementos, deve basear-se na análise da criança, mas, sobretudo, basear-se na análise do contexto, e é norma e é descumprida, como tantas coisas que são descumpridas e não são feitas. Eu acho que isso é importante, que é algo que poderia ter utilidade e não tem.
Participante 7:—E você não acha que para trabalhar essas necessidades temos que fazê-lo a partir da fortaleza dos estudantes, a partir de seus pontos fortes? Você não acha que isso deveria fazer parte da avaliação? Como vou abordar essas necessidades se não sei em que vou me apoiar? Isso é algo que também não vi em uma avaliação.
Susana Fajardo:—É que elas não são feitas para isso, são feitas para excluir.
Raúl López:—Eu vejo um problema com as avaliações psicopedagógicas. Um fundamental é que nos obrigam a colocar um rótulo que corresponde a um modelo médico. Quando perguntei ao colégio de psicólogos se eu poderia colocar alguma dessas categorias, eles me disseram que não, não porque não seja clínico, mas porque não sou eu quem deve. Estou indo contra a normativa legal para colocar um rótulo. Quando falei com a delegação, eles me disseram: «Não, você coloque que esta criança tem esta sintomatologia compatível com tal rótulo». Na parte de soluções, dizer que eu não tenho por que conhecer com o que algo é compatível, porque talvez eu não seja psicólogo, sou pedagogo, e se sou psicopedagogo não tenho por que conhecer os últimos inventos clínicos de rotulagem.
Mirela:—A Baleares, vimos um relatório da psiquiatra que, inicialmente, não é um relatório psicopedagógico. A partir do relatório da psiquiatra, começam a fazer um relatório psicopedagógico.
Raúl López:—Claro, o que me disseram foi: «Pare até que tenha o relatório de saúde», mas se eu parar sem o relatório de saúde, ele não tem direito a bolsas, não tem direito a recursos.
E outro tema em relação aos recursos. Às vezes me criticaram dizendo que, como fiz esse parecer, dizendo que esta turma, não a criança, mas esta turma, precisa de um segundo professor de apoio, ou precisa de um professor de comunicação, ou precisa de um educador social, já que não existe no centro. Eu não estou avaliando os recursos do centro, mas sim as necessidades desta sala de aula, independentemente de existir ou não. Isso não me interessa, mas há uma visão de que, se não há PT, não coloque que precisa de PT. Se não há educador social, não coloque que precisa de educador social. Se não há sala específica, não coloque que precisa de sala específica, que eu nunca vou colocar, mas já me deparei com o facto de que «como temos sala específica, coloque alguma criança que precise de sala específica, porque senão a sala específica desaparece». Ou seja, estão a procurar crianças para os recursos, e não recursos para as crianças.
Susana Fajardo:—Isso dizem-te cara a cara, sentada tranquilamente no seu gabinete a delegada provincial. E os recursos? E as crianças? As crianças onde estão os recursos e não os recursos onde estão as crianças, e fica tão tranquila.
Participante 1:—E o que acontece é que, como não há nada estabelecido aqui na Andaluzia, no caso do meu filho, eu tive que levá-lo a um colégio que não lhe correspondia por zona; era onde estava o recurso. E claro, há uma PT para 30 estudantes, pelo que, evidentemente, a atenção não é dada dentro da sala de aula, em grupos, e daquela maneira.
Susana Fajardo:— E outra coisa que devemos ter em conta, e é um pouco o que comentava. Os rapazes que recebem apoio porque precisam e não têm parecer, não são contabilizados dentro da ratio.
Participante 1:— Não, não são contabilizados.
Carmen Mates:— Uma das instruções para que um aluno seja avaliado é que tenha de haver uma disciplina reprovada. Se não há uma disciplina reprovada, não há avaliação.
Susana Fajardo:— Mas se tu detetas que há uma dificuldade, dás o apoio, mas ele não tem o parecer porque não reprovou uma disciplina e precisa do apoio, e não conta na ratio. Por isso há sempre essa descompensação.
Carmen Mates: —Entendemos ‘dificuldade’ quando está suspenso, quando a dificuldade está ali, suspenda ou não suspenda. A capacidade e a dificuldade não têm que andar juntas; pode ter uma dificuldade e ter grandes capacidades. Então, têm que suspender a criança, porque com a avaliação que temos, há uns recursos…
Rocío Salcedo:— Eu queria dizer que vemos o relatório psicopedagógico como uma ferramenta fechada. Eu li relatórios que não foram modificados em anos, pelo qual, se a criança evolui, esse relatório psicopedagógico também deve evoluir, deve adaptar-se à realidade da criança. Li relatórios que não se modificam; no entanto, as adaptações curriculares que nós, PTs, fazemos, adaptamo-las por trimestre. Essa diferença queria que ficasse registada.
María José Moreno:— Eu queria dizer que o problema básico que vejo na avaliação psicopedagógica é, principalmente, que se adaptou ao sistema educativo. Os que estamos aqui não podemos mudar o sistema educativo e pouco temos a fazer, exceto na pequena ilha do nosso colégio. Sou mãe de duas crianças. Uma delas tem diagnóstico de TEA, e tive de procurar que colégio é inclusivo, o que me parece totalmente injusto. Mas, para além disso, o que sofri com a avaliação psicopedagógica, em primeiro lugar, foi que se fez para que o meu filho saísse do colégio *concertado*, porque o meu filho incomodava os restantes alunos e esse colégio não tinha recursos para atender o meu filho. Pode ter uma piscina aquecida, pode ter muitas coisas, mas não tinha recursos para atender o meu filho. Então, o relatório psicopedagógico foi feito como uma espécie de curativo, para poder excluir o meu filho.
Depois, encontrei o segundo caso, em que se fez uma avaliação psicopedagógica adequada, perfeita, tendo em conta todos os aspetos da criança, os familiares, os terapêuticos, mas, uma vez feita, não houve nenhuma coordenação com os sucessivos PTs que vieram, nem com os sucessivos professores-tutores, que isso é outra coisa que não falámos. As crianças no ensino primário não têm um tutor; até 11 professores o meu filho chegou a ter, mas, se não há uma coordenação entre o orientador ou equipa de orientação que fez a avaliação, entre os sucessivos PTs que vão chegando, sucessivos professores, sucessivos chefes de estudo, sucessivos terapeutas da fala, é que então não serve para nada. Por exemplo, a ACIS, estamos em fevereiro e ainda não a recebi. Ou seja, quando o meu filho entra em setembro, não se sabe o que vai aprender, eu sei o que vai aprender.
Esther Polo:— Temos que ir terminando o que são os comentários porque vamos passar à análise dos post-its. Se alguém quiser dizer algo, que seja muito breve.
Olga Gavé:—Eu coloquei qual é o poder do orientador para mudar de forma, ao que me refiro. Eu antes tinha comentado o caso do meu filho ao mudar para o especial. Nós tivemos que pedir uma segunda avaliação. No especial, o orientador dizia que não, que meu filho não podia se beneficiar de um centro regular. Então fomos a outra equipe, e, surpresa, nos disse que valorizaria com o coração, e por isso meu filho está no regular, porque a pontuação lhe saía para uma sala especial, mas, como tenho mais dois filhos e queríamos conciliação familiar, meu filho está no regular. Por que uns mudam e outros não?
Audiodescrição [AD]:A câmera abandona a sala onde se desenvolve o segundo workshop e se dirige para outra, onde acontece o terceiro workshop intitulado: «Barreiras legais».
Fran Pereña:—Esse é o problema do Direito, ter razão, saber justificá-lo e que lhe deem razão.
Alejandro Calleja:—Eu aqui escrevia: o parecer de escolarização como sentença de morte social. O parecer juridicamente é uma sentença, e a consequência é a morte social.
Carmen Morales:—O sistema avaliza leis que teriam de ser revogadas. Se em Espanha tivesse sido feita uma boa limpeza… O que se fez aqui há seis ou sete anos, que parece que muita gente ficou convencida, é certo que se montou um grupo que propôs mudanças, pegaram numa lei e de todos os artigos que incumpriram a Convenção, mas só mudaram dois. Fez-se um bom acordo, mas a lei não se cumpre, porque as leis de educação que se mantêm vigentes violam os direitos fundamentais de todos os nossos estudantes e as nossas estudantes.
Alejandro Calleja:—O problema é que com a lei elementar se puseram duas frases que pareciam muito bonitas, que incluíam inclusão, mas no final era o mesmo, que há quatro modelos de escolarização e só um é inclusivo. Enquanto não houver um só modelo ou grupo de escolarização, temos o problema e temos a ilegalidade.
Fran Pereña:—A norma está clara, a norma existe. Do ano de 2008, Espanha aprovou isso, está acima de tudo, mas, como diz ela, todas as leis que se possam manter e as que vão saindo e continuam a violar isso. Uma coisa é a existência de normas, e o que está a acontecer agora vai contra a lei. E o problema é que tenham de ir ao tribunal para que um juiz, com a arbitrariedade que tu dizias, para que o juiz ou a arbitrariedade que supõe ir à justiça, declare o que já está estabelecido, que tinha de ser executivo, ou seja, aqui diz isto e há que cumpri-lo.
Carmen Morales:— Se de todo este grupo, imagine que nasce uma grande plataforma, que de alguma forma tem um eco social impressionante, você sabe o que o governo e as autonomias fazem? Criam uma nova lei que demoram três ou quatro anos para fazer, lançam-na, nem a orçamentam, nem criam a norma, e nossos filhos continuam no mesmo lugar, porque quantas mudanças já aconteceram.
Alejandro Calleja:— A melhor forma de combater isso, e eu tenho isso cada vez mais claro depois de todo o percurso. Em março ou abril chegam todos os pareceres psicopedagógicos, para que em setembro sejam secundados pelos especiais. Se em vez de ser uma família de uma comunidade autônoma a se negar a levar o seu filho, fossem dez famílias na Andaluzia, quinze na Extremadura, então o problema gordo que a administração teria seria esse.
Carmen Morales:— Mas é que as escolas de educação especial já não deveriam existir aqui na Espanha há dez anos.
Sabina:— Sobram vinte minutos, e se concordarem, vamos repassar as ideias que surgiram. Surgiram 40 ideias.
(Lê) «Ausência de conhecimento do direito no âmbito educativo e falta de como se demonstra que um professor escreve mentiras».
Fran Pereña:— É a presunção de veracidade e legalidade.
Virginia:— Como você prova que um professor escreve mentiras? É a palavra dele contra a sua.
Sabina Habegger:— Se quiserem, convido-os a se aproximarem um pouco mais, a menos que tenham muito boa vista. A ideia é ver se os agrupamentos que fizemos são mais ou menos pertinentes. Leio para vocês os que já organizamos:
O parecer de escolarização como sentença de morte social
Como provar essas mentiras?
Os relatórios psicopedagógicos.
As medidas em relação aos estudantes.
Os rótulos.
A lei trabalha em um modelo clínico.
O modelo de necessidades educativas especiais.
Vocês acham que o que li está dentro de uma ideia mais ou menos semelhante?
Javier Herrera:—Eu acho que há uma clara, que é sobre o modelo da estrutura, ou modelo em si mesmo. Ou seja, como vêm as categorias, como vem a estrutura ordenada. Aí está claro que há algumas coisas que estão em comum, mas há uma, que não me lembro qual é, que não.
Irene Carranza:—Existem normas educativas que têm um modelo clínico de base psicopedagógica, então, uma orientadora que queira fazer um trabalho inclusivo, tem dificuldades, porque tem de ir contra a norma.
Javier Herrera:— É ‘a norma como barreira’.
Sabina Habegger:—Bem, era o título do workshop, não é?
Irene Carranza:—A norma educativa que regula o teu trabalho, vai contra a inclusão.
Fran Pereña:— O caráter rígido, poderíamos chamar.
Irene Carranza:— O caráter rígido e clínico.
Sabina Habegger:— Modelo clínico excludente do marco legislativo, temos que dar um nome à categoria.
Irene Carranza:— A Administração criou um artefato de etiquetagem que só garante esse direito se eu estiver ao telefone. «Está etiquetado» e «não está etiquetado» são um paradigma clínico de etiquetagem, para garantir um direito a alguém que já o tem.
Alberto Márquez:—Modelo clínico com caráter de lei.
Javier Herrera:—A base clínica é a que sustenta o relatório psicopedagógico. Se lhe retiras a base clínica…
Alejandro Calleja:—É preciso desterrar o modelo clínico.
Sabina Habegger:—Mas tudo isto, o que representa?, de que estamos falando?, que ideias estamos propondo?
Irene Carranza:—Que a lei educativa sustenta o que o grupo 2 está a trabalhar, que é uma avaliação psicopedagógica e pareceres, e a lei responde a isso.
Sabina Habegger:—A lei responde a um modelo clínico.
Alejandro Calleja: Eu acho que é o inverso. A lei promove que esses relatórios e pareceres sejam possíveis. Se não houvesse uma lei que amparasse os diferentes modelos de escolarização, os relatórios não existiriam.
Javier Herrera:—Não pela lei que se inicia, mas pelas normas que existem.
Ana Solsona:—O modelo educativo está baseado no académico, e a educação é muito mais do que o académico.
Sabina Habegger:—Estamos na fase em que temos de tentar resumir ou aglutinar tudo isto. Quando formos para o grande grupo, aqui há mais de quarenta opiniões, ou seja, temos de agrupá-lo em grandes blocos.
Irene Carranza:— Normativas que se baseiam em modelos clínicos.
Participante 1:—Modelos baseados em patologias.
Ana Solsona: Também, exigências acadêmicas.
Virginia: Perdoe-me, não sei se entra no que falamos ou não, mas, por exemplo, na parte legal, um orientador ou orientadora pode falar clinicamente sobre uma criança? Pergunto.
Irene Carranza:— Não pode, mas se pegar a LOMCE deve, porque tem que justificar.
Virginia:— Mas isso seria uma ilegalidade, porque um profissional não médico não pode.
Irene Carranza:—A LOMCE é ilegal. Você identifica necessidades e elas têm que estar associadas a categorias.
Alejandro Calleja:—Eu acho que a orientadora pode ou não pode.
Sabina Habegger:Vamos nos concentrar, leio para vocês esta que está aqui: «Falta de informação, falta de clareza nas normas, desconhecimento dos direitos.»
Como agrupamos?
Virginia:— Yo creo que eso es algo que se crea a propósito. Esa desinformación desde la administración educativa se genera a propósito para que los padres tengan indecisión.
Javier Herrera:— Normas poco claras y contradictorias.
Sabina: Normas poco claras y contradictorias, apuntado.
Os leo los bloques de ideas: «burocracia lenta, falta de mecanismos efectivos; revisión en la fase administrativa, indefensión, falta de empoderamiento de las familias, falta de mecanismos para exigir responsabilidades y presunción de veracidad».
Alberto Márquez:— Indefensión.
Sabina Habegger:— Indefensao, e o que mais?
Carmen Máximo:— Indefensao legal.
Carmen Morales: Indefensao da infancia com diversidade.
Alberto Márquez: Eu diria mais, a indefensao das pessoas.
Fran Pereña:— A indefens uevo consiste em ter um direito, que ele te seja concedido por uma norma, e que tu n uevo possas exercer esse direito, essa uevo uma posi uevo de indefens uevo. Eu tenho este direito e n uevo posso exerc uevo-lo, ou tenho este direito e tenho que ir ao tribunal para que esse tribunal me d uevo raz uevo sobre um direito que j uevo tenho. Isso uevo um problema.
Sabina Habegger:— Abandono do menor, podemos coloc uevo-lo a uevo, em indefens uevo? [El menor] fica exclu uevodo.
Carmen Morales:— Em toda essa hist uevoria, n uevo se leva em conta toda a bateria legal tradicional que existe, onde n uevo se respeita o interesse superior do menor. O interesse superior do menor jamais pode ser a segrega uevo uevo, que uevo o que se consegue atrav uevos dos pareceres.
Sabina Habegger:— Aqui havia um do ‘esp uevorito da lei e instru uevo uevoes’, acham que poderia ir com a primeira que estivemos analisando?
Fran Pereña :—Sim, porque no final é o que ela dizia. As instruções estão acima da lei. Ou seja, a instrução, que está embaixo, é o que no dia a dia trabalho, e me esqueço de tudo o que tenho aqui em cima: é o dia a dia do seu trabalho.
Sabina Habegger:— Aqui se fala de outra coisa: desgaste pessoal adicionado; custos econômicos, de saúde e psicológicos; falta de transparência orçamentária, que não sei se iria aqui; barreiras econômicas, critérios estáveis; dotação de recursos; preocupação com o dinheiro; custos judiciais, e prejuízos sociais.
Fran Pereña:— Custos.
Sabina Habegger:— Custos? Deixo assim?
Javier Herrera: Custos adicionais da defesa.
Carmen Morales:— Custos. Vocês não imaginam o custo que é a nível familiar, a nível social, a nível psicológico, tanto do seu filho como seu, econômico.
Sabina Habegger:— Então, coloco custos adicionais à defesa?
Carmen Morales: Não, para mim é um todo. Eu não consigo separar o custo de que meu filho perdeu sete quilos, do custo de que quase tive uma depressão, não consigo separar. O custo econômico, como pude pagar, é o menor, mas quantas pessoas não puderam enfrentar o custo econômico.
Alejandro Calleja:— Em suma, é o que se pretende com todo este processo: a destruição da unidade familiar.
Audiodescrição [AD]: O grupo participante reúne-se na sala principal após os workshops. Ignacio Calderón dirige-se a eles.
Ignacio Calderón: Esta pequena assembleia de meia hora serve para pôr todos a par do que aconteceu nos workshops em que não estivemos. Portanto, os porta-vozes de cada workshop vão passar por aqui e contar-nos um pouco a que conclusões chegaram e que debates foram gerados em cada um dos workshops.
Alejandro Calleja:— Olá, boa tarde. Nós, no workshop 3, estivemos a contrastar um pouco o tema legislativo, de onde vimos e onde estamos. Esta tarde aprofundaremos para onde queremos ir, para onde vamos. Houve uma cascata, uma chuva de ideias. Não as contei, mas havia umas quarenta e poucas iniciativas que resumimos em oito.
A primeira, um pouco como título, é «normas pouco claras e contraditórias». Geram confusão entre os próprios profissionais e as famílias. É tremendo o desconhecimento que existe. E, depois, contraditórias no sentido de que não se ajustam realmente à legislação. A legislação é ilegal porque, se se permite a discriminação, o abandono, o maltrato, a segregação, a exclusão, a condenação de morte civil-social dos estudantes, é ilegal à Convenção e aos direitos humanos, claro, e, evidente, ainda assim, estamos nisto.
São normativas baseadas no modelo clínico. A normativa apoia-se no rótulo, como já comentámos. No final, rotula-se o estudante, rotulam-se as famílias também; estamos todos rotulados.
Depois, "a indefensibilidade", logicamente a família, quando lhe chega este tsunami. Já vem de um tsunami emocional muito forte, e quando lhe chegam estes problemas sem comer nem beber, está totalmente indefeso. Não se espera o golpe e chega tal tsunami que sobreviver é quase impossível. "A resiliência", que aprendi com o Nacho. Depois de todo este processo, acreditar-se sobrevivente realmente é um mérito tremendo, por tudo o que há que passar e sofrer: a incompreensão própria, alheia, do entorno próximo, inclusive, por isso, é tão importante o apoio pessoal, familiar e do entorno. Já o iremos vendo.
Depois, o tema jurídico gera muitos medos pelo tema de "custos". O tema de ameaças, logicamente. Está sempre entre a espada e a parede. Se se confronta com a Administração, com o poder estabelecido, com a norma, então já o ameaço com serviços sociais, ameaço com que o vou denunciar, ameaço com uma rutura de família, ameaço porque é um mau pai e "como vai fazer isso pelo seu filho". Então, o medo e as ameaças, logicamente, afetam muito as famílias e é um abuso de poder. Realmente, estamos em "legalidade sobre ilegalidade".
A ausência de ações por discriminar é um pouco o que comentei na oficina, é um pouco o tema de acesso. As famílias, para além de serem honestas, temos que parecer honestas, porque os profissionais, mesmo que não sejam honestos, podem dar-se ao luxo de não parecer honestos e não acontece nada. Eu isso vivi pessoalmente. Mas as famílias temos que ser honestas e parecer honestas. Quando se ganham as batalhas que se podem demonstrar, alguma responsabilidade, algo tem que haver.
A "falta de transparência" orçamental no controlo das críticas educativas. A lengalenga de sempre: não há dinheiro, faltam recursos. O que me está a dizer, se o relatório do banco mundial da OCDE diz que a educação especial é caríssima, em custos e em resultados? Olhe, que não há recursos? Os recursos que emprega para a educação segregada, para a educação regular, verá como há recursos para todos. Além disso, estaremos a formar alunos, pessoas, com direitos, dignidade, autonomia e com independência. Será, ao longo da vida, muito mais barato do que dizer a um aluno com 21 anos: "Toma, uma patada e aqui ficas". E por onde saímos? Sem nenhum estudo oficial, sem nenhuma titulação oficial, para isso tanto? Temos que investir e temos que gastar, as coisas claras.
O problema para a Administração não serão as associações. O problema para a Administração podem ser as famílias, as famílias independentes que nos unamos, e que chegue setembro e, em vez de uma família "louca", se juntem aqui na Andaluzia 20 ou 30 famílias na Conselharia de Educação, porque os nossos filhos não vão ir para centros segregados.
E depois, pois bem, "a ausência tanto das famílias como dos profissionais" das normas, das leis, do direito. Eu acho que é uma ignorância um pouco traiçoeira, porque à Administração, entre aspas, talvez, também não lhe interessa que saibamos que temos direitos. E que lhe digam que o seu filho tem que ir para um centro tal e você lhes diga: "O direito do menor não é esse". O mesmo, à Administração não lhe interessa dizer-lhe: "Estes são os seus direitos e esta é a Convenção".
E até aí tudo o que vimos. Obrigado. E, por supuesto, esta tarde chegará algo melhor.
(Aplausos)
Arasy González:— Bom, do nosso debate surgiram múltiplas ideias que tentamos agrupar em diferentes grandes grupos. Depois de soltar essas mini ideias e de agrupá-las, tentamos encontrar, entre todos e todas, uma origem desse mal da escola, e nos demos conta de que, na realidade, tudo está interconectado e que poderíamos começar a explicar o esquema a partir de qualquer parte, embora me sinta mais segura começando pela esquerda.
Entendemos que existe uma lei educativa. Uma lei educativa que, a grandes traços, é bastante inclusiva, mas algo acontece nessa concretização da lei, algo passa que a escola se torna segregadora, então, o que acontece? Nos deparamos com uma estrutura organizativa da escola bastante concreta, como diziam alguns companheiros e companheiras. A escola está centrada não em formar cidadãos ativos, dependentes e democráticos, mas em formar trabalhadores, o que se traduz em um projeto educativo sem missão e sem visão. Tendo em conta que o propósito educativo da escola é formar esses trabalhadores, está centrada totalmente na produtividade, no academicismo, é uma escola fechada, uma escola rígida, de camiseta de tamanho único, na qual entram certas pessoas e a maioria fica excluída em um ou vários aspectos.
Tudo isso se traduz em adotar e assumir uma metodologia concreta, que são também as programações muito fechadas, muito concretas, centradas somente na obediência, na submissão dos estudantes, no controle, na ordem e em ter um modelo de aluno que tem que se encaixar nessa metodologia concreta. Um dos exemplos que dávamos antes de terminar é que a escola é que a vemos como um cubículo onde há crianças separadas de seus companheiros e companheiras. Então, é normal que o papel do docente se traduza em dar resposta a pequenos problemas. Não se veem crianças com deficiência como um problema, que é um problema que, afinal de contas, tem que ser tratado.
Bom, essa metodologia, inevitavelmente, deriva em um tipo de avaliação, que mais do que uma avaliação é uma qualificação que tem a ver com um dado alfanumérico, com um número que supõe uma segregação, supõe uma separação e uma hierarquização, onde um é mais que outro e há uns padrões que têm que ser respondidos. O que diziam os companheiros e companheiras é que precisamos de uma avaliação para a justiça social, avaliação em lugar de qualificação, e que o que persegue a escola, tendo em conta os princípios dos quais falávamos, é uma excelência acadêmica mais do que a inclusão ou que gerar cidadãos competentes.
Bom, tudo isso se vê e concretiza em uma cultura e prática educativa muito particulares, nas quais o professor tem falta de atitude, de vontade, de motivação, não sai de sua zona de conforto. Este último post-it, o adicionamos ao final, e é que notamos que na escola há uma falta de coesão social. Ao não haver esse sentido de trama social, todo mundo entende que os problemas são de um, e que cada um tem que se encarregar deles.
Outro ponto que está estreitamente relacionado com a cultura e a prática escolar é a formação docente. A formação para o corpo docente, da qual falámos antes, tem um alto déficit relacionado com a sociedade excludente em que estamos imersos.
As que pagam o pato são as famílias. Tendo em conta que em um âmbito fechado, inerte, e que exclui os demais agentes participantes, a família é a que sofre as consequências. Isso se traduz em que as famílias formam parte de um engrenagem, de uma hierarquia, na qual primeiro estão os docentes, os quais têm a qualidade de especialistas; depois, estão os pais e as mães com sorte e, por último, estão as crianças.
(Aplausos)
Leonor:— Bom, nosso grupo era o segundo workshop, a avaliação psicopedagógica. Fizemos, também, um brainstorming em relação à avaliação psicopedagógica, para que ela serve, e a colocamos um pouco sob escrutínio. Nesse sentido, agrupamos todos os post-its e, depois, os agrupamos dando uma categoria a cada um desses grupos de post-its. As categorias foram as que estão ali no papel, que são: os rótulos, a cooperação e as funções e limitações das adaptações. No grupo, abordamos todas essas questões que a colega acabou de apresentar. A avaliação psicopedagógica faz parte dos processos e atuações que realizamos na escola e os orientadores, que somos quem os organiza, nos vemos envolvidos e formamos parte de todas essas circunstâncias que a colega expôs.
O que destacamos, focando sobretudo nos problemas? Eu tinha vontade de apresentar propostas e soluções que também estão em nossas mentes, e experiências positivas, que também as há. Focando nos problemas, não podemos ignorar que, na avaliação psicopedagógica, o modelo clínico, o modelo segregador, excludente está muito presente no momento. Alguns orientadores temos a mesma sensação que as famílias, de precisar ser muito técnicos, com rigor quanto às categorias diagnósticas; colocar um recurso que se ajuste muito a esse rótulo. Isso está muito presente, e é um esforço que nós, orientadores, temos que fazer para lembrar em cada uma de nossas atuações para que avaliamos, com que sentido avaliamos, e como eu dizia no grupo antes, não podemos esquecer que trabalhamos por e para os estudantes e nesse trabalho estamos para beneficiá-los e ajudá-los em função das necessidades que apresentam.
Também se comentava que os relatórios eram muito padronizados, que se encontrava que um relatório era uma fotocópia de outro. Nesses relatórios, esquece-se o contexto, descontextualiza-se, olha-se apenas para o menino ou a menina como doentes.
A avaliação psicopedagógica passou de ser um processo a ser algo prescritivo, pois para colocar um recurso, diziam: «Vamos colocar crianças para usar este recurso», em vez de ser o contrário, ter umas necessidades e ver que recurso podemos oferecer a esses estudantes. Assim, o processo e a utilidade da avaliação psicopedagógica foram distorcidos.
Falamos de cooperação porque nos parecia também que era destacável que nessas avaliações psicopedagógicas, a figura unitária do orientador, em solidão, determinava como técnico ou como clínico qual era a necessidade, ou a deficiência ou o diagnóstico, esse rótulo. Em muitos casos, não se leva em conta a opinião das famílias, nem as observações da tutora, que também faz sua própria avaliação e conhece os estudantes. As avaliações se centram naquele momento em que se aplicam testes, descontextualizadamente e sem uma cooperação entre os agentes envolvidos.
Não sei se me escapa alguma coisa mais. Eu dizia aos colegas que me dessem uma mão, não sei se alguém do grupo quer comentar algo.
Susana Fajardo:— Tínhamos comentado sobre o tema da cooperação, sobre o quão injusto parece que, depois de ter feito um trabalho que, em princípio, tem que ser positivo e necessário, como é avaliar que necessidades tem uma criança para que essas necessidades sejam cobertas no ambiente educativo, nos deparamos com o facto de que depois cabe ao professor decidir se faz caso ou não faz caso, e se quer levar a cabo a proposta ou não as tem em conta.
Outra coisa que tínhamos comentado em relação às adaptações e limitações é que o próprio sistema se perverte ao rotular os estudantes. O que conseguimos é que, se desvirtuamos o próprio processo que supostamente seria essa avaliação, e só o executamos para que produza um parecer que provavelmente será excludente, porque se não for provável que nem se avalie a criança, estamos a perverter o sistema e está a acontecer que o parecer e a avaliação se estão a tornar defensores da própria perversão do sistema. Então, em vez de ser uma ferramenta para cobrir necessidades, está a tornar-se uma ferramenta de segregação, e na qual toda a administração se apoia para decidir que criança sim e que criança não.
Então, evidentemente, outra coisa que é preciso ter muito em conta é que é impossível, com a proporção de orientadores que existe hoje em dia, que esse processo possa ser levado a cabo como foi pensado. Tal como as ACIS (adaptações curriculares) foram pensadas não para segregar, mas para conseguir que os estudantes adquirissem uns objetivos, agora, se as ACIS supõem que o seu filho tem um atraso de dois anos, é um candidato claro para ter a porta aberta, como a tem aberta quase desde que entra para abandonar o sistema educativo regular. Então, está tudo muito implicado e tudo muito conectado. O estudo psicopedagógico é necessário se o vamos usar para cobrir necessidades, mas se estamos a procurar um parecer, o parecer é o que é dispensável, não é necessário para nada. Se vamos usar a avaliação psicopedagógica para segregar uma criança, também será dispensável o estudo psicopedagógico.
(Aplausos)
Ignacio Calderón :— Eu acrescentaria, só para apontar uma coisa, referente ao nosso workshop sobre a escola em global, que o que vocês estão a tratar no vosso workshop tem a ver com algo que talvez nós não tenhamos abordado suficientemente, que são os níveis, a escola nivelada, o pensar que uma criança ou um menino a uma determinada idade tem que estar neste curso, mas se não cumpre com uns requisitos não tem por que estar nesse curso, ou não tem por que estar nesse centro ou nessa sala de aula. Teremos que pensar o que é que está a acontecer aí para que tenhamos entendido que a escola está acima de qualquer criança.
Alejandro Calleja:— Referente aos exames e aos relatórios, também o abordamos na questão jurídica. Juridicamente, vimos a necessidade do relatório. Deve haver um relatório para avaliar que cada criança tem necessidades distintas, de apoios distintos, e é preciso avaliá-los. O que consideramos totalmente ilegal e dispensável é o parecer de escolarização, porque o parecer é juridicamente uma sentença. No caso dos nossos filhos, é uma sentença de morte social, não pode existir a opção sim ou não, tem que ser sim ou sim.
(Aplausos)
Leonor:—Gostaria de dizer uma coisinha, que comentei antes no grupo. Outra das coisas que eu levo em conta, e acho que é importante nomeá-la ou dizê-la, é que nesse sentimento que temos de ser técnicos, de ser rigorosos, de ajustar e ser muito precisos no trabalho quanto a necessidade, recurso, e ser muito exatos no caso que estamos avaliando como caso. Eu acho que não podemos esquecer a subjetividade, que assim como os docentes trabalhamos em educação e temos uma carga muito subjetiva quando estamos trabalhando. No entanto, essa subjetividade não tem que implicar falta de rigor ou que não façamos bem o trabalho. Além disso, eu acho que é imprescindível sempre e quando seja em benefício das crianças e seja olhando pelo que elas precisam e seu bem-estar. Eu acho que essa parte, que é a do coração que falávamos, nunca pode faltar, e acompanha, com certeza, que seja um bom trabalho.
(Aplausos)
Inma (estudante):—Eu queria acrescentar que, no meu grupo, comentamos a importância que se dá a ¿o que se avalia? Se avaliamos umas normas rígidas como «chegar à aula, estar sentados e calados», e se isso é o correto, o supostamente correto, porque se não o faz uma criança, e já requer a necessidade de uma avaliação, o que é realmente o que estamos avaliando?
(Aplausos)
Irene Carranza:— Eu queria dizer que o relatório psicopedagógico é também uma advertência, no sentido de que identifica necessidades educativas especiais. Nós analisamos que a própria normativa está baseada num modelo clínico, parte da LOE, e que a garantia de certas ajudas, dos recursos, está com base nesse etiquetamento. Isso é o que vejo que perverte também toda a questão. Então, eu acho que o relatório também se ajusta a esse modelo clínico, porque parece ser que é o guia para garantir um direito que já está na criança. Não é preciso o rótulo, é uma arma de dois gumes.
Depois, também analisamos que tudo o que está aqui atrás na escola (referindo-se ao cartaz do workshop 1). A normativa também está sustentada em todo esse modelo: como se qualifica, como se avalia, como vai esse desenho do currículo, qual é a normativa de organização do centro. Todas essas questões, que pertencem a como está legislada toda a instituição educativa, também respondem a um modelo segregador, e está na base de todos os mecanismos de exclusão. No final, a orientação é um pilar mais de todas essas estruturas segregadoras, por norma.
(Aplausos)
Participante 6:— Eu acho que, dentro dos problemas que se encontram neste âmbito, um deles é a forma de avaliação. Estão avaliando as crianças uma equipa. Quando eu fui à avaliação do meu filho, havia uma equipa de pessoas que não o conhecia de nada, que nunca esteve com ele. Nem sequer tinham passado uma tarde com ele, e estavam a avaliar uma criança num momento concreto do qual não se pode tirar muito. São dez minutos, quinze minutos ou meia hora, e isso a ti não te dá nenhuma informação. Estás a sentenciar uma criança com informação incompleta. Então, eu acho que o problema é que se tem de avaliar de outra forma. As opções já as veremos agora. A avaliação tem de mudar, não se tem de fazer nesse âmbito que é desconhecido para a criança. Chega a um lugar que não conhece, onde ainda por cima a estão a olhar com lupa.
(Aplausos)
Raúl López:— Para incidir no que já foi dito também, na hora de fazer avaliações psicopedagógicas depende muito de em que sistema estamos, de como estamos a entender a educação. De vários centros que tive no curso passado, num centro inclusivo, tive solicitação de avaliações psicopedagógicas de 2% do alunado, se eram 100, pois 2, e eram para obter recursos e bolsas. Em centros segregadores, as necessidades de avaliações psicopedagógicas supostas eram de 20% por turma.
Segundo o sistema, seleciona-se que tipo de aluno é suscetível de ser avaliado ou não. Eu comentava que, numa quinta pedagógica, os mais suscetíveis de serem avaliados seriam os mais tímidos, os que não se atrevem a montar a cavalo, os que não metem as mãos na massa do pão, mas o que é muito extrovertido e tem uma habilidade cinético-expressiva muito alta, é dos melhores e mais admirados. No entanto, na escola são os disruptivos e problemáticos os que requerem de estratégias para que consigam sentar-se e estar em silêncio; é onde tem cabida as respostas do centro de modificação de conduta, porque queremos que se adaptem a um sistema, em vez de se adaptar o sistema aos diferentes tipos de personalidades que temos.
(Aplausos)
Virginia:—Quero falar em função do que disse aquela mãe, quando lhe fazem uma avaliação a um menino que não conhecem. Uma nota. Na avaliação do meu filho, consideraram que é um problema porque gosta muito de Disney e Pixar, e tem treze anos. Em vez de se pôr a falar sobre o que é que ele gosta da Disney e Pixar, pôs-o duas vezes na avaliação, não se molhou a saber que o meu filho com treze anos não é que goste de Disney e Pixar, é que sabe quem fundou a Pixar, que a Disney comprou a Marvel ou quem são os produtores de cada filme. Só pensaram que é mais pequeno porque gosta de Disney e Pixar, mas não se molharam a conhecê-lo. Ele tentou contar à avaliadora o que lhe interessa, e para ela supõe um problema que o meu filho saiba os produtores, os musicais, o que faz um e outro. Põe-se a escrever guiões, o que para ele é uma paixão, para ela é uma deficiência maior.
Ignacio Calderón:—Muitas vezes, parece que não tem a ver isso com o conhecimento da pessoa, mas sim o contrário.
Susana Fajardo:—Duas coisinhas que me tinham escapado e que considero importantes. O tema da avaliação, da coordenação. Comentava-se antes que o relatório psicopedagógico não era um trabalho apenas do orientador, mas do conjunto do tutor com as famílias, etc., mas como comentava a colega, muitas vezes não há tempo para que essas reuniões possam acontecer. É muito difícil chegar a um acordo, o corpo docente tem cada vez mais burocracia, e então está a deixar-se de lado o que é verdadeiramente importante: que a criança não avance por causa de um monte de burocracia administrativa.
Outra coisa que também comentámos e que me parece importante é que, muitas vezes, o alunado sem rótulo não é tido em conta para os recursos, então obriga-se, de alguma maneira, o alunado que neste momento não tem um rótulo a procurar-lhe um problema para que possa obter um recurso.
Ignacio Calderón:—Muito obrigado a todos e a todas. Eu acho que em todos se vê algo, ou talvez seja eu que tenho os olhos um pouco estranhos. Vê-se que algo que é um processo social, que é o que se está a contar aqui desde as nove da manhã. Os problemas são sociais, mas nos três âmbitos em que trabalhámos, nos três workshops, o que chegámos a entender é como a escola tem a maneira de os converter em individuais; esses problemas que são sociais convertem-se em pessoais.
Pausamos, vamos para os workshops novamente. Vamos continuar a trabalhar, agora em como podemos responder a esses workshops. Há dois workshops em que temos de continuar a trabalhar para organizar todas essas problemáticas e continuamos a pensar que soluções podemos dar a esses problemas que fomos gestando em cada um desses workshops, certo? Depois disso, voltamos a encontrar-nos, temos uma hora e meia para pensar em possíveis soluções nesses workshops. Vamos lá.
Audiodescrição [AD]:—O grupo participante fica um tempo na sala principal, conversando e trocando opiniões. Posteriormente, dispersam-se para as distintas salas atribuídas para continuar com os workshops selecionados. Enquanto isso, a câmara mantém-se na sala principal, focando nos participantes do primeiro workshop intitulado «O que acontece na escola onde algumas crianças não cabem? Soluções».
— Cristóbal Gómez: "}Se vamos a colocar todas estas ideias numa árvore, temos de a estruturar. Parecia que a essência era a estrutura organizacional, que talvez possamos colocar no tronco.
A ideia que temos é ir dando soluções, mas soluções de três tipos. Já temos o problema. As soluções globais, assim para toda a gente, não servem; vamos concretizar nas soluções que estão nas nossas mãos, o que cada um de nós, orientadores, famílias, professores e outros, podemos fazer. Depois, vamos procurar outras em que possamos influenciar, e deixar de lado as que não estão nas nossas mãos, porque há realidades a assumir ou a viver na contradição. Neste caso, há formas de participar, seja de forma política ou através de votações. Quando dermos uma solução, vejamos se a pensamos a partir destas três áreas: as que estão nas nossas mãos, as que podemos influenciar e como, e as que nos escapam um pouco.
Ignacio Calderón:—Com respeito aos problemas em que estivemos a trabalhar esta manhã, seria preciso dar uma volta. A ideia que propomos é que, para visualizar esses problemas, fizemos um design muito simples, que serve para entender que problemas são fundamentais e quais são os sintomáticos.
Esses problemas que vimos que estão relacionados. Há problemas que são os que causam outros problemas, e podemos situá-los na raiz da árvore; há problemas que são mais bem sintomáticos, ou seja, que são causados por outros, mas não causam em si mesmos outros problemas, e, finalmente, há outros problemas que, mais ou menos, têm um equilíbrio entre o que causam e pelo que são causados, explico-me ou não?
Ou seja, se de um problema podemos dizer que é causa de outro, indicamo-lo com uma seta. Agora podemos pensar: os que recebem mais setas são os sintomáticos, dos que saem mais setas são os nós górdios, os importantes. Então, se formos capazes de atacar esses nós aqui em baixo (as raízes da árvore), como dizia Cristóbal, tendo capacidade para poder trabalhar isso, é importante atacar a estes porque estes causam outros problemas.
Então, vamos a essa tarefa agora. Primeiro, a pensar nesses problemas de que estivemos a falar, quais são os fundamentais e quais são os sintomáticos, e depois, vamos pensar que soluções encontramos para cada um desses problemas.
Estela Martín:—Eu vejo a educação mais como uma engrenagem dentro do sistema econômico e político. Nos educam para trabalhar, para que sejamos produtivos; portanto, para mim essa é a raiz do problema.
Cristóbal Gómez:—Essa é a conclusão última que tínhamos que fazer. Talvez as soluções devêssemos buscá-las em outro lugar, embora, talvez, essa mudança deva ser colocada na raiz profunda que também precisa ser tratada, e que tem uma razão política, ideológica, fora da escola, social. Não podemos perdê-la de vista, porque senão estamos falando de questões técnicas.
Ignacio Calderón:—Eu diria que é de fora da escola, mas também de dentro da escola, porque eu, como docente, cada vez que estou trabalhando com meus estudantes como se fossem trabalhadores, estou fazendo isso, estou construindo, estou inventando, mesmo que seja um mandato que venha de fora.
Existem muitas formas de ser docente nas escolas também, e continua sendo a mesma escola com o mesmo mandato.
Estela Martín:—Existem escolas democráticas e escolas que não são. Também, há professores que usam a escola para criar espírito crítico, e há quem a tenha para submissão.
Participante 1:— Do ponto de vista do professor, eu me pergunto: o que posso fazer? Quando a metodologia de um professor se limita a fazer com que os estudantes cheguem ao topo de uma montanha, então, esses estudantes começam a caminhar e muitos ficam pelo caminho, não conseguem subir, apenas um número determinado de estudantes alcança esse topo. Então, aí, deve haver uma mudança de atitude por parte do docente, e essa mudança pode ser uma mudança na metodologia. Como no final da aula há muita competitividade, trata-se de chegar o primeiro de forma individualizada. Se mudarmos isso, e o tema do trabalho cooperativo, que está tão em voga e parece tão óbvio, mas, levá-lo a cabo de verdade, e perceber que seu papel muda, e que esses estudantes que ficaram mais para trás não devem ser cronometrados, não apenas pelo professor, mas por seus próprios colegas, e fazer com que seus colegas, que estão apenas focados em subir a montanha, parem um momento e digam: «Isto é um trabalho em equipe, e entre todos temos que subir, no final todos demoraremos um pouco mais, uns chegarão até o topo, e outros até aqui, mas, conseguiremos que todas essas crianças deem o máximo de si». Nisso um pouco, mudar a metodologia, mudar essa forma de pensar, que, embora pareça muito óbvio, não está sendo levada a cabo na sala de aula.
Participante 2:— Eu acho que a base está no conceito de educação que ela estava dizendo, um conceito de educação onde os papéis, em uma escola tradicional, são muito diferentes de uma escola inclusiva. O papel do professor muda totalmente quando você dá espaço para a criança em toda a sua capacidade, e o papel da criança também muda. Então, eu, abaixo, acho que um dos problemas que eu apontaria é o conceito de educação e os papéis estabelecidos. Isso é a base, porque tem uma solução. A solução é trabalhar a formação inicial, trabalhar através da metodologia, trabalhar com as famílias.
Ignacio Calderón:— Eu diria que, para situar o problema que não tem solução, o problema é o problema, depois pensamos na solução, mas, agora mesmo, vamos nos situar.
Participante 3:— No início, falou-se da problemática dizendo que não havia uma verdadeira comunidade educativa. Eu sou um pouco a favor de que exista a comunidade educativa sem hierarquia, sem que o corpo docente, as famílias e os estudantes estejam acima, mas que todos possamos aprender de todos. No aspecto do olhar do orientador, pensar que também se pode aprender do olhar dos pais. Não é preciso partir da base de que o orientador sabe tudo, porque se preparou. A individualidade de cada criança vai poder aportar muito à família. Então, é um pouco isso, que seja uma verdadeira comunidade educativa, todos podemos aportar e ir somando.
Ignacio Calderón:— Então, o problema é, e a solução é? Porque você está dando as duas coisas.
Participante 3:— A solução é mudar o olhar, tanto do docente que pode aprender da realidade dos pais e mães, não só ele está na posse da verdade, e, por outro lado, que os pais e mães possamos mudar o olhar em relação ao professor, de julgá-lo se ele está fazendo bem ou está fazendo mal. Mudar o olhar de todos e todas, que seja verdadeira comunidade educativa, que todos aportamos, e depois ter em conta a criança ou o menino.
Audiodescrição [AD]: A câmera abandona a sala e percorre as instalações da faculdade até chegar à sala onde está sendo desenvolvido o segundo workshop. Enquanto isso, o grupo continua dialogando na sala.
Participante 4:— Então, o controle do contexto, das circunstâncias em que se encontra a criança, está nas mãos do orientador ou do docente.
Participante 5:— Mas se não for formalmente regulamentado, voltamos ao mesmo: faço ou não faço. Eu posso ter a minha sala de aula, e ele pode vir dizer-me: «Tu tens de organizar a sala assim, porque tens este aluno com umas características que podem correr melhor se estiverem organizados em grupos em vez de individualmente» ou «Os dois faladores que são os dois amigos, pões um de cada lado». E o que é que eles fazem o dia todo? Levantam-se? Eu ponho-os juntos, que falem à vontade, não os quero a saltitar pela sala. Então isto não é obrigatório.
Raúl López:— Eu disse que o fazia, posso fazê-lo. Outra coisa é que me escutem ou não.
Esther Polo:— Pode ser que haja duas vertentes. A vertente legal, que seria rosa, na qual não podemos inferir, e outra, a vertente na qual podemos inferir, embora não controlar pessoalmente, que seria a cor intermédia.
Raúl López— : Que daí surgiam as minhas propostas.
Participante 8:— Como orientadores, também podemos fazer propostas à delegação para que isso mude, para que os pareceres e as avaliações mudem. Acho que também é nossa obrigação como orientadores.
Antonio Márquez :— Eu queria conectar com o que vocês estão discutindo e acho que falta um ponto a mais, que é o conceito de barreiras à participação. Quando o orientador, junto ao docente —e isso já muda de cor—, considera que o docente é quem finalmente tem o poder de decidir na sala de aula, se ambos valoram o contexto, não só de cantos ou espaços, mas também o contexto didático e metodológico, assim como as propostas que são geradas na sala de aula, como as programações de sala de aula, atividades e agrupamentos, e confrontamos isso com as necessidades não só de um estudante, mas de todos os estudantes da sala de aula, então, baseando-nos nessa união, pensamos no conceito de barreiras à participação. O que temos que fazer a partir do relatório psicopedagógico, segundo a proposta de sala de aula que há com este docente e este grupo de estudantes, é considerar que esta e esta proposta que você está apresentando excluem este e este estudante, pelo que propomos esta e esta alternativa. Essa, eu acho, é a chave dos relatórios psicopedagógicos: oferecer sistemas de alternativas para romper as barreiras à participação.
Participante 4:— Do que você disse, de que se ocorre em uma sala de aula ou não, eu acho que a realização da avaliação psicopedagógica ali não seria feita, simplesmente porque ocorre em uma situação determinada, e uma avaliação psicopedagógica é um processo lento e deve ser cuidadoso para que não se repita somente em uma situação, vocês me entendem?
Antonio Márquez: —Mas eu não estou falando; é igual, é o mesmo processo. Trata-se de que, quando você estiver em uma avaliação inicial, no começo vamos nos pôr de acordo com todos os professores e que todos coloquem sobre a mesa quais são suas propostas de trabalho na sala de aula, e vejamos também quais são os estudantes a quem são dirigidas essas propostas. E que o relatório de avaliação psicopedagógica sirva de verdade como orientação a esse professor com o qual, junto a ele, vou trabalhar; não é algo só meu de orientador, mas que juntos vejamos que essa proposta didática que ele tem para o curso pode deixar de fora determinados estudantes e propor alternativas. Ou seja, se eu sou um professor que tenho este sistema, e gosto muito de usar este estímulo e tal, o mesmo estou deixando fora um estudante que perde este estímulo, então ofereça uma alternativa. Eu não estou dizendo que sua alternativa não serve, mas que proponha uma dupla para que os estudantes tenham a oportunidade de escolher, então estaremos rompendo muitas barreiras à participação. Isso, além disso, vem no Index para a inclusão; é o que está se tentando fazer, mudar o olhar, para não colocar o foco nas necessidades e buscar as barreiras à participação. Eu acho que os dois são necessários porque, se não sei quais são as necessidades do estudante, também não posso saber quais são as barreiras que vou encontrar na minha sala de aula, pelo que tenho que confrontar ambas as coisas.
Participante 4:— Isso então é laranja.
Antonio Márquez: Claro, por isso eu disse que é preciso mudar a cor, porque preciso inexcusavelmente da participação do docente.
Participante 4:— A informação e a inclusão nascem do docente, embora a lei o especifique. Se no final o docente não quiser, não realiza a inclusão na sala de aula.
Raúl López:— A problemática ou não será totalmente diferente dependendo de como o contexto estiver organizado. Se eu quiser que leiam em silêncio durante uma hora, já sei quais crianças terão problemáticas.
Participante 9:— Eu, aí, não vejo que o problema sejam as avaliações psicopedagógicas. Eu acho que o que vale, aí, é que o professor conheça seus alunos, simplesmente. Não fazer avaliar todo mundo, e em todos os momentos nem nada.
Descobrir a situação familiar da criança, mas sem um critério diagnóstico nem nada do tipo, somente de uma forma humana.
Susana Fajardo:— Que os tutores se preocupem com os alunos
Participante 9:— Sem procurar «a este lhe falta isto ou aquilo ou precisa disto ou daquilo».
Susana Fajardo:— Aí, voltamos à voluntariedade, o que chamamos de empatia ou de ter vontade, ter esse feeling que me faz querer que todos os meus estudantes progridam.
Participante 4:— Isso é parte da formação. Eu estou no segundo curso da graduação em Pedagogia e essa parte é tocada muito pouco.
Leonor:— A mim acontece, e perdoem que eu extrapole muito para o pessoal, para a experiência própria. Em tudo isso que vocês estão colocando sobre a mesa ou refletindo, me acontece que, na minha experiência própria, quando passei por momentos piores ou com as maiores pressões, as sofri por parte do docente mais do que por parte das famílias, sempre me senti mais próxima das famílias, inclusive muito mais drástica por parte do docente do que por parte da Administração, porque a Administração é a norma, nos engessa às vezes porque às vezes é interpretável, e dependendo de onde a interpretas tem muitas lacunas, mas acredito que nos dá margem para oferecer soluções e oferecer coisas bonitas aos estudantes, e que nos permita tirar todas essas ideias adiante. O que é certo é que há docentes maravilhosos, mas que há docentes que esperam essa função determinada do orientador. O que buscam é iniciar todo o protocolo, preencher toda a documentação, que da nossa província são cinco ou seis documentos, tudo com um prazo, e que uma vez que esteja preenchida, que o orientador a veja. Esperam isso, e que quando você a vir, você lhes dê as resoluções e a varinha mágica. Aí está a impotência. Eu não faço nada sozinha, preciso que nos sentemos, que realmente formemos uma equipe de trabalho para detectar o que estamos precisando, ou como valorizamos este processo, ou como beneficiamos todo o contexto e todas as crianças, e o que está acontecendo para que com este estudante não possamos ou nos vejamos incapacitados para atendê-lo. Então, você se encontra, às vezes, com essas barreiras e com muitas outras pressões, e é questão de resistir e transmitir-lhes um pouco esse modelo. Defender a outra postura, devolver relatórios com outra visão, definir mais o contexto.
Aí, entramos também nas limitações de tempo, e às vezes também penso que aos orientadores nos obrigam a nos formar mais, ou nos obrigam na prática a nos adaptarmos a todas as pessoas com as quais, no final, interagimos na escola, porque se você não se «adapta» para que haja uma comunicação e uma boa relação. Quando você choca com um docente que lhe está mostrando algo que você não compartilha e que acredita que o caminho é outro, você quer dar meia volta e dizer: «Não posso fazer nada com esta pessoa». Para não chegar a isso, você tem que ter uma série de ferramentas para se adaptar.
Raúl López:— Tenho muito medo da palavra adaptar-nos quando supõe desistir dos direitos.
Leonor:— Quando digo «adaptar-me», refiro-me a saber como dar a volta ao que esse docente, quando não se convence. A como dar a volta e voltar outro dia, e tirar-lhe novamente a conversa. Adaptar-me nesse sentido, para chegar ao final a podermos entender-nos.
Participante 7:— Eu gostaria de insistir numa coisinha que acho que é muito importante. Eu continuo a insistir, tal como falámos antes, em que na escola não somos clínicos, somos docentes, orientadores, não clínicos. O nosso trabalho ao fazer uma avaliação não é fazer um parecer e diagnosticar; esse é um trabalho que, se for necessário, deve ser feito a partir de outro âmbito. A escola serve para determinar que necessidades tem o alumnado, como podemos atendê-las, e produzir aprendizagens e, portanto, desenvolvimento, em todas e cada uma das pessoas que estão na escola. Portanto, o nosso trabalho não é diagnosticar, o exame não é necessário, nem fazer um diagnóstico. Se precisarmos de saber como modificar os contextos para que se produzam neles a aprendizagem e, portanto, o desenvolvimento, esse deve ser o nosso trabalho. A palavra diagnóstico… não é o nosso trabalho.
Esther Polo:— Eu acho que estamos outra vez a sair um bocadinho do tema, então vamos tentar voltar e centrar-nos nas soluções.
Participante 7:— O importante na solução é o contexto.
Esther Polo:— Tudo o que surgir, mesmo que estejamos falando de forma fluida, vamos anotando, principalmente para ir colocando e visualizando tudo, para que todos possamos ir vendo. De qualquer forma, ela (apontando para a colega) está anotando todas as ideias que vão surgindo.
Susana Fajardo:— Eu acho que a colega disse uma das palavras-chave e nas quais todos poderemos concordar, tantas famílias, especialistas e professores: resistir. É resistir aos convites, resistir ao professor que não quer, resistir ao parecer, resistir e se fortalecer, transmitir sua mensagem, porque não adianta nada ficarmos com ela para nós.
Leonor:— Porque não adianta nada, eu tive a experiência. Para mim custou a saúde, e custou uma licença de 3 meses, que eu não queria, porque eu dizia: «Não posso me licenciar porque o trabalho se acumula e quando eu voltar, o que vou fazer?» A médica me dizia: «Menina, você está no terceiro trimestre, esqueça e descanse». Então, custou a minha saúde. Eu, inteligentemente, não quero que me custe a saúde novamente. Tive que aprender sobre a maneira como enfrentamos todas essas pressões, todos esses desafios. É muito complicado não deixar que isso custe a sua saúde e ser operacional no seu trabalho. Por isso digo que empatizo muito com as famílias, sempre empatizei com elas. Não é porque tive umas circunstâncias, é porque nesse trabalho com as crianças me coloco no lugar dos pais. Agora sou mãe, tenho dois filhos pequenos, as situações que tratamos na escola me afetam ainda mais. Então, considero fundamental. A subjetividade está aí para beneficiar em todos os casos as crianças, e quando não beneficiamos as crianças, estamos aplicando uma subjetividade muito questionável e que não queremos questionar, e queremos nos basear no parecer, e no técnico e no rigor.
Susana Fajardo:— Mas aqui temos que buscar soluções, já que somos um grupo misto de famílias, eu de alguma forma não preciso... Além de dizer que o que você está fazendo não beneficia meu filho, eu não posso dizer isso a um professor. Nós, como família, temos duas soluções para melhorar ou parar, são legais, porque de nós não vai depender que se faça um parecer ou se aplique uma ACIS.
Leonor:— Eu acho que falta muito incluir as famílias no processo, assim como, do contexto, nos falta coordenação, tempo, espaço e reuniões. Não há lugar e nós fazemos isso nos aproximando da sala de aula no corredor, no recreio, em horas soltas, e fazemos como podemos. Nós, as famílias, precisamos ser incluídas no processo. Nós temos estipuladas no protocolo uma entrevista de início e uma entrevista final, de devolução dessa informação. Depende muito de como você faz essa entrevista, que atitude e que predisposição você mostra, como você vai atender essas famílias, se você age como um técnico que lê os relatórios, «isto é o que há, eu leio a sentença para você e tal», e os pais assinam ou não, ou se você estabelece um diálogo com a família desde o início. E eu acho que essas duas reuniões prescritivas são insuficientes e que, em todo o processo, se eu estou avaliando e estou vendo coisas, dar informação à medida que vamos avaliando. O que acontece é que isso implica um processo de avaliação muito mais pausado e colaborativo; os tempos estão sempre em cima de nós. A avaliação tem que ser um processo lento e nós vamos a toda velocidade, e se você não o faz, «esta criança é encaminhada no primeiro trimestre», e chega junho e você não a viu. Sempre temos essa limitação.
Rosario Barea:— Eu penso que com os meios que temos hoje em dia, não tem que ser uma reunião presencial, poderia ser por e-mail, via telefônica, tem o Skype. É que eles dizem «há duas reuniões e prescritivas tal», mas se há vontade, em um tempinho, se você está saindo da escola da criança, não saia correndo para entrar no carro, que eu não vou te fazer nada, que em um momento pode haver uma entrevista de devolução e não passar um trimestre quando já não faz sentido nos reunirmos, que às vezes a retroalimentação e o feedback devem ir sendo feitos pouco a pouco, não já quando o trimestre passou.
Audiodescrição [AD]: A câmera abandona a sala do segundo workshop e se desloca pelas instalações da faculdade até chegar à sala onde se desenvolve o terceiro workshop, «Barreiras legais».
Alejandro Calleja:— Queria terminar com a importância que tem o tema associativo. Ultimamente, surgiu uma associação só de pais que buscam a educação inclusiva, e isso tem que ir se estendendo e complicando o caminho.
Ana Solsona:—E de que serve se não vais ao jurídico.
Alejandro Calleja: Ao jurídico, já veremos que há um passo forte, que é o que quero analisar eu depois. É fundamental o empoderamento das famílias através de uma rede. Há profissionais, é preciso comunicar, falar, para isso estamos. Quando te começas a empoderar e a dizer que tens direitos, dizem-te que te vão mandar aos serviços sociais. As famílias têm de saber. Nós, pela nossa experiência, temos um relatório da procuradoria do estado, que, efetivamente, uma família por defender o direito à educação inclusiva dos seus filhos não pode ser denunciada pela Administração, algo tão óbvio, mas que nos aconteceu.
J. Antonio Vicente:—A nós também nos ameaçaram.
Alejandro Calleja:—Nós fomos imputados e processados.
Ana Solsona:— Inclusive, eles exigem dinheiro de você.
Alejandro Calleja: Sim, foram quatro mil euros de fiança, e até com a possibilidade de perder a guarda dos filhos. A Administração não pode te ameaçar por defender o direito à educação inclusiva dos nossos filhos.
Ana Solsona:— Vamos ser práticos, o que acontece se eu tiver uma violação de direitos, o que as associações fazem? Quando uma pessoa em concreto tem um problema, alguém deveria amparar essa pessoa até o fim, com entusiasmo. Essas associações até agora não o fizemos.
Alejandro Calleja: Uma das soluções prévias é que, assim que se tem um parecer de escolarização combinada ou especial, pode-se enviar diretamente um formulário, escaneando esse parecer, ao comitê das Nações Unidas, denunciando uma violação do artigo 7 e 22, porque é o real.
Ana Solsona:—E isso é assim?
Alejandro Calleja:Sim, tive uma reunião com o Comitê com a Carmen, no ano passado, e desde então estamos em contato.
Virginia:—E esse comitê, onde fica?
Alejandro Calleja:Fica em Genebra. Você manda um e-mail para eles e eles respondem rapidamente. É muito eficaz porque as bofetadas não vêm de baixo para cima, como costuma ser, mas de cima da Administração. O escrito através do comitê vai contra o governo da Espanha.
(Todos falam ao mesmo tempo)
Carmen Máximo:— Eu entendo perfeitamente as famílias quando falavam dos docentes como se fossem o lado oposto. Minha proposta é que a luta tem que ser coletiva, de toda a comunidade educativa. Então, espaços como este devem ser aproveitados para criar redes e compartilhar a informação em que estamos trabalhando. Eu trabalho em um centro educativo; essa informação pode ser colocada no site de orientação. Não podemos separar famílias, professores e estudantes, não somos bandos, não estamos enfrentados. Todos nós que defendemos a inclusão estamos entre o corpo docente, os estudantes e entre as famílias; não somos um ou somos outro.
Ana Solsona:— Mas eu me pergunto, quem se arrisca?
Carmen Máximo:— Há pessoas que se arriscam.
(Todos falam ao mesmo tempo)
Carmen Máximo:— O que quero dizer é que, embora pareça que não há profissionais que estejam a favor da mudança, há pessoas comprometidas que querem uma mudança dentro do paradigma. E se não for visibilizado, o que não se vê não existe. A minha proposta é que este espaço sirva para criar uma rede de contactos que se amplie, e que informação como a que o Alejandro está a dar e da qual eu não fazia ideia, possa ser transmitida. E que os profissionais e as pessoas que estamos dentro do sistema educativo, possamos dizer às famílias que vêm que têm essa informação. Eu tenho sempre esperança, e não acredito que o sistema possa ser mudado, é que ele tem de ser mudado.
Fran (estudante) :— Relaciona-se com a proposta anterior de associativismo.
Carmen Máximo: Mas esse movimento é mais político, porque a vida é política, é uma estrutura da qual falamos e que mantém tudo isto, esse sistema que é algo real domina as relações, e, portanto, temos de nos politizar como sujeitos para nos darmos conta de que fazemos parte desse canal, e isso muitas pessoas veem por experiência própria ou pela experiência de pessoas que têm próximas.
Irene Carranza: Eu proponho medidas compensatórias para os coletivos de famílias que não têm associação ou não têm meios para conhecer seus direitos, não apenas a nível informativo, mas também para atuar mais com certos coletivos, que têm seus direitos violados e têm menos recursos.
Outra proposta que faço é o aumento do orçamento. Isso estaria fora de controle, mas um aumento do orçamento em educação e recursos que permita a inclusão nos centros regulares de todo o alunado.
Como isso está fora de controle, outra opção mais acessível é chegar a uma dotação básica, mesmo que seja muito básica, em todos os centros, e que não dependa do número de estudantes com certos rótulos, mas que possa depender de outra série de fatores que não sejam tão individuais. Por exemplo, o contexto em que o centro está. Uma dotação básica não dependente de rótulos das crianças.
Outra proposta, embora com a dotação básica já não fosse necessário, seria eliminar os pareceres, se houvesse uma dotação básica e medidas no ensino regular que permitissem a atenção, não seriam necessários pareceres, porque se houvesse um auxiliar educador em todos os centros, não seria necessário um parecer para levar você ao centro onde há um auxiliar.
Virginia— Eu me perdoa, mas me parece quase uma utopia o que você está dizendo.
Sabina Habegger:Fora de controle, não é?
Irene Carranza: Fora de controle os orçamentos, mas a dotação básica pode ser influenciada.
J. Antonio Vicente:—Perdoem-me, mas parte-se da premissa inicial de que é necessário um aumento de orçamento, não paramos para pensar que, talvez, o orçamento está mal empregado.
(Falam todos ao mesmo tempo)
Sabina Habegger:—Otimizar os recursos.
Irene Carranza:— No tanto otimizar como priorizar. Onde o coloco, em seções bilíngues, o que está comprovado que segrega, ou em recursos especializados, o que está comprovado que ajuda à inclusão?
(falam todos ao mesmo tempo)
Irene Carranza:— Uma nova norma de avaliação psicopedagógica, através dessa dotação básica. Poderia haver uma nova norma. Em Astúrias, no ano passado, a escolarização em centros especializados não pôde ser feita sem a autorização da família. Escrevê-lo em uma norma, em uma instrução de funcionamento de orientação.
Audiodescrição [AD]: A câmera sai da sala onde se desenvolve o workshop e percorre as instalações da faculdade até chegar à sala do primeiro workshop.
Arasy González:— … O docente, se não toma consciência durante seu período de formação inicial, ou permanente ou em algum momento, não está exercendo bem sua função docente. Ele ou ela está exercendo uma política concreta na forma mesma de estar presente na sala de aula. Como está presente, como se relaciona com as crianças, como gerencia os tempos? É um ser político que faz política. A política não está alheia no centro educativo
Portanto, se não tiver consciência dessa função ou desse papel, se não se vir encarnado como agente político, a ética do professor é inerente, não pode ser separada, não é um acréscimo, e então a pata manca. Eu não acho que seja uma falta de atitude, nem que lhe faltem valores ou solidariedade, não, porque isso tem de estar presente como parte substancial do que é um professor. Se isso não está, é que ao professor falta uma pata, está a mancar.
(Todos falam ao mesmo tempo)
Ainhoa Yáñez:Eu, respondendo um pouco a ti, volto ao tema de antes de trabalhar o coletivo, seja a escola que for. Tu disseste uma coisa muito importante…
Audiodescrição [AD]: Após os workshops, o grupo participante reúne-se na sala principal e começa a conversar animadamente. Ignacio Calderón toma a palavra e dirige-se ao grupo. Enquanto isso, a câmara percorre visualmente a árvore simbólica criada durante os workshops, desde as raízes até às folhas, destacando as intervenções do grupo e os post-its aderidos.
Ignacio Calderón:— Bem, agora mesmo, partilha do que trabalhámos nos workshops, muito rapidamente, muito sistemicamente. E depois, já, assembleia final. Agora serão 5 ou 10 minutos, máximo, e vamos tomar café.
Alejandro Calleja:— Vamos tocar o apartado da árvore legal, que preparámos com base no que esta manhã estivemos a falar.
Sobre o que depende de nós, falámos do empoderamento das famílias. De como as famílias nos temos de unir, unificar, e estar no que estamos, que é defender o direito e a dignidade dos nossos filhos. Que inclua a inovação e a comunicação, que isso é fundamental, e que se vá criando uma plataforma.
Também, participar mais no centro escolar; entender-se e comunicar-se, criar redes; unir esforços com especialistas, direitos, advogados, psicólogos educativos, psicólogos clínicos.
Participante:— Tudo isso custa dinheiro.
Alejandro Calleja:— Podemos ir criando a rede. Em Leão temos a SOLCOM, e é custo zero. Sempre se podem criar alternativas. Pessoas comprometidas e, bom, o que eu tenho bem claro é que reclamar um direito não deve supor para as famílias um medo de enfrentar uma realidade que se quer corrigir. Por isso, o que comentava tão importante, o papel do Comitê dos Direitos Humanos das Pessoas com Deficiência.
Deixei um post-it. Passarei a informação sobre onde se pode descarregar o arquivo para poder fazer a reclamação ao Comitê, juntando o parecer de escolarização. O parecer de escolarização, administrativamente, equivale a uma sentença. Pode reclamá-lo ao comitê e, dado que implica uma clara perda dos direitos do menor, pode invocar o artigo 7, ‘A igualdade das crianças’, e o artigo 24, ‘O direito à educação inclusiva’. Ao fazer esta reclamação, será admitida a trâmite e passará através do Governo da Espanha, o Ministério da Educação com a Consejería e através da Direção Provincial. O problema para a administração é que o processo vai de cima para baixo, não como usualmente fazemos as queixas em inspeção ou ao tutor, onde não avança e fica taponado; desta forma, o procedimento é mais efetivo. Além disso, o comitê só avalia se se cumpre a Convenção ou não, então reclamará à Espanha, como país subscrito à Convenção, que aplique este convênio. Isto é muito importante e completamente gratuito: só tens que enviar um correio eletrónico com o formulário e, se for possível, juntar um relatório psicológico favorável ao modelo inclusivo, o que pode solucionar bastante o problema.
Sobre as possíveis soluções, logicamente comentamos a formação do docente. Também, sobre instaurar e construir novos modelos educativos; ações para além do voluntariado; plataformas; movimento político; formação básica inclusiva; dispor de contatos referentes.
Além disso, sobre a luta de toda a comunidade educativa, para que não haja bandos, que é o ideal. Medidas compensatórias a certos coletivos. Mudar o tema de oposições, o modo de acesso do corpo docente, o temário… Autorização das famílias para a escolarização, que agora consta, mas às vezes dá o mesmo. Não teríamos que chegar nunca a esta disjuntiva, tal como o orientador não teria que chegar à disjuntiva de colocar um relatório inadequado, mas nunca teria que haver um parecer, e o parecer é sim ou sim.
Uma pergunta que me fazia Antonio Márquez esta manhã, e é uma pergunta que se faz muito a miúdo, «o estudante tem uma plurideficiência», mas se esse estudante pode estar dez minutos na sala de aula, pois está dez minutos na sala de aula. Esse é o seu direito, o que não é seu direito é ficar toda a manhã ali apartado.
Depois falamos sobre a organização flexível do centro; sobre o sistema de acesso à função docente e sobre uma dotação básica. Distribuição de recursos, que é o que comentávamos: a educação inclusiva é muito mais barata que a educação especial; no entanto, como tudo, é preciso mudar a norma. É preciso mudar o sistema completamente, de raiz, de cima a baixo, sim ou sim.
Aumento do orçamento, que seria o ideal, ou pelo menos que o orçamento existente não fosse dedicado à educação especial, mas que esses mesmos recursos fossem dedicados à educação regular, que serão mais baratos e mais eficazes. Está comprovado, além disso.
Criar um único modelo educativo entre as regiões administrativas, que não haja dezessete modelos administrativos de educação, porque o direito é igual em todos os lugares, o ideal é implementar decretos de educação inclusiva em todos os lugares.
Eu, pessoalmente, no tema do arquivo, no tema judicial, sobre o aconselhamento que possam necessitar, eu tenho a informação, posso facilitá-la através de um privado. Podemos ir passando e comunicando isso. Qualquer coisa que seja necessária neste tema, está à vossa disposição. Eu acho que é interessante. Assim, daremos um bom toque à Administração. Soubemos há meses, nós há um ano estivemos reunidos com o Comité, que fez uma avaliação da Espanha: um desastre, estamos à espera da avaliação do Comité das pessoas com deficiência, e parece-me, conhecendo-me a mim, o Nacho e muita outra gente que participamos, que vai ser bastante delicada. Além disso, se entre todos, cada vez que houver um problema, acudirmos ao Comité, tudo isso nos vai empoderar muito e vamos avançar muito.
Arasy González:—Nós tentamos organizar o nosso turbilhão de problemas sistémicos na escola neste esquema, localizando-os na raiz, tronco e ramo. Partindo dos problemas mais gerais, que levam aos problemas mais específicos, que se concretizam em problemas muito mais concretos.
Os problemas mais gerais são, por exemplo, a formação do corpo docente, a fragmentação nas disciplinas, a metodologia tradicional, o conceito de educação que os professores e as professoras tenham. Também, o medo do desconhecido, a falta de vontade política, que tem a ver com o que falávamos do docente como agente político na escola, a qualificação e a falta de coesão.
Tudo o que foi dito anteriormente tem como consequência que a escola tem o seu foco nos processos de ensino, mais do que nos processos de aprendizagem, o que se traduz em que toda a atenção está centrada em padrões concretos, em adquirir uma série de conteúdos, e não tem em conta a quem se ensina.
Por último, el resultado de ese tipo de enseñanza se traduce en que hay una falta de recursos. Hay una jerarquía educativa de lo que son las familias, los docentes y el alumnado. Con esta jerarquización, los docentes son los expertos y las familias no tienen nada que aportar. Las familias no están informadas, no hay una comunicación y ni un feedback.
Para todo este tipo de problemáticas, propusimos una serie de soluciones, desde lo más próximo a lo más lejano.
Los post-its rosas son las soluciones próximas, las que están en nuestras manos como docentes o como familia, y son, por ejemplo: dar valor a la diferencia; compartir experiencias; cambiar la mirada en cuanto a la diferencia, realizar tareas de sensibilización, crear espacios de convivencia, trabajar en equipo en los colegios, con las familias, etc., aportaciones individuales de experiencias de personas, y potenciar las cualidades del niño o niña en la escuela.
En otro tipo de soluciones, que tratan un nivel un poco más alejado al nuestro, pero de los que igual manera somos agentes de influencia, son, por ejemplo: buscar alternativas al libro de texto, generar un sentimiento compartido de inclusión, un sentimiento conjunto, favorecer la comunicación, la participación, el sentido democrático, brindarle a la niña o niño una atención personalizada, optar en el aula por una metodología más flexible, dar el paso de la calificación a la evaluación.
Un ejemplo que vimos para llevar a cabo todo este tipo de iniciativas es, por ejemplo, adoptar el modelo de comunidades de aprendizaje, que salió como un ejemplo de ello.
Y otro tipo de cambios, ya a nivel macro, al que ya no tenemos tanto acceso, pero que serían necesarios para el cambio, para cambiar las raíces, serían, por ejemplo: cuestionarse las prácticas educativas, eliminar las aulas específicas, eso es muy importante, hacer un cambio radical en la formación inicial, hacer de la educación permanente algo obligatorio, y crear otro tipo de cultura.
Gracias.
Susana Fajardo:— Nós, na raiz, colocamos a concepção do sistema, o sistema em si, as limitações e adaptações. No tronco, a cooperação, a descontextualização. E nos ramos colocamos os rótulos.
Temos falado que seria necessário e urgente avaliar as crianças com nomes e sobrenomes e não através do seu diagnóstico. Que não chegue primeiro o relatório clínico e, depois, todo o resto. Talvez, que o relatório seja a última coisa a ser lida, ou talvez não precise ser lida.
Se conhecemos as necessidades dos nossos estudantes, conhecemos o seu entorno, talvez não precisemos de um parecer, porque nós mesmos, talvez, vamos precisar de colaboração para propor, mas vamos ser parte, não precisamos da figura do orientador para que venha e nos proponha, e nos diga o que temos que fazer. Nós vamos ser parte importante do processo de orientação. E assim deveria ser.
Não só deveríamos incluir as famílias no processo de avaliação, deveríamos incluir os tutores e toda a comunidade educativa. Trata-se de deixar de avaliar especificamente as crianças, para começar a avaliar o contexto, as carências da sala de aula, as carências do centro. E como tutor, avaliar a metodologia que estou usando, fazer um pouco de autocrítica, e ver se a metodologia que estou aplicando serve para todo o alumnado ou se estou deixando gente de fora. Essa deveria ser a verdadeira avaliação.
Formação docente para nos capacitarmos na atenção à diversidade nas salas de aula. Está claro que é preciso saber sobre autismo. Está claro que será preciso saber sobre dislexia, que diziam por aí que a provocamos nós. Será preciso saber de tudo, mas é preciso saber incluir, e disso estamos nos esquecendo, e disso está se esquecendo a formação dos professores, em formação para incluir. Em como desenhamos tarefas para que todos os meus estudantes possam realizá-las. Como organizo a minha sala de aula, se o material que disponho é adequado para todos?
Ser humano. Ser humano e considerar humano quem temos à frente, que já é muito pedir. Tomar em consideração relatórios externos de todo o alumnado. Descartamos informação muito importante se somente nos baseamos em relatórios médicos. Não só informação das famílias, mas de associações e pessoas que trabalham com eles, que nos possam aportar muito mais.
Criar salas de aula democráticas onde as diferenças sejam necessárias e naturais. Os colegas devem ser os apoios naturais; todos aprendemos a partir das diferenças. Viver a diversidade como algo naturalizado. É impossível viver a diversidade como algo naturalizado se os continuamos a excluir, se os continuamos a mandar para fora. Se tu nunca te criaste, ou partilhaste sala de aula, vida, espaço com uma pessoa com deficiência, não vais saber tratar uma pessoa com deficiência. A primeira vez que vimos um negro foi: «Uau, um negro».
Virginia: Quando fui a Paris pela primeira vez, em 82, sentei-me no metrô e comecei a contar quantos negros havia, porque na Espanha quase não havia negros. Eu disse: «Meu Deus».
Susana Fajardo:É que temos que aprender. Há um momento em que disseram: «Temos que nos sentir incluídos». Não, temos que nos sentir excluídos, que é o que eles não vão poder fazer.
Não realizar as avaliações descontextualizadas, tirando a criança da sala de aula. Eu acho que é fundamental tirar a criança da sala de aula e dizer-lhe «com os cinco cubos, faz-me uma torre, e agora faz-me um comboio», «mas esta tia que diz, se eu não a conheço de nada, se a minha mãe me disse para não falar com estranhos». Estamos a pedir-lhe que responda ao que lhe estamos a perguntar, e não sabemos se ela está a entender, e que, além disso, vai supor que esses 10 ou 15 minutos que passe com a pessoa, suporão que a avaliação seja de uma forma ou de outra.
Resistir, é preciso resistir, temos que resistir, e também temos que denunciar, não só temos que denunciar, mas também temos que ser críticos, e temos que desobedecer, plantar-nos e perguntar-nos até onde podemos chegar e não ter medo. Há um momento, mantínhamos uma conversa em que dizíamos: «A mim, aconteceu-me que me disseram ‘uma criança como o teu filho, no instituto, isso nunca se viu’». Mas o que é o pior que me pode acontecer, que o tenha que levar? Se já o vão deitar fora. É que se lhe corre mal daqui a três meses, levo-o, mas está a correr bem, para horror de muita gente. Vamos pensar que o medo nos limita, e se nos limita a nós, estamos a limitá-los a eles.
O relatório psicopedagógico deve centrar-se em eliminar as barreiras de participação. Trata-se de que a criança possa participar, possa aprender evidentemente. Centrarmo-nos nas barreiras de crianças sem dificuldades, mas eliminando as barreiras do contexto. Realizar avaliações colegiadas coordenadas com as famílias. Mudar os rótulos, fazer rótulos globalizadores. Decidir nós a quem avaliar e a quem não.
Fazer cumprir a normativa, que é inclusiva, implicando ativamente a inspeção. Que as nossas opiniões sejam respeitadas, porque ninguém nos pode roubar o direito de decidir sobre os nossos filhos. Isso como famílias é fundamental; se não estou de acordo, não o vou consentir. A participação familiar e proativa. Coordenação entre todos os profissionais. Intervenção sistémica.
Promotores de mudança metodológica. Os docentes são os que têm que promover a mudança metodológica, não têm que colocar mais obstáculos. Promover alternativas metodológicas. Os rótulos diagnósticos só podem ser colocados pelos profissionais de saúde, vocês não podem colocar os rótulos diagnósticos, nem usá-los para definir ninguém.
Audiodescrição [AD]: Após os workshops, os participantes reúnem-se na sala principal para uma assembleia plenária, onde iniciam conversas animadas e participam no desenvolvimento de análises, comunicação e planeamento de ações. A câmara foca em Ignacio Calderón, que digita no seu portátil com a ajuda de uma pessoa que lhe soletra. Em seguida, percorre a sala perguntando às pessoas do grupo assistente qual foi a sua experiência durante o Workshop.
Ignacio Calderón toma a palavra e dirige-se ao grupo.
Ignacio Calderón:— Enquanto estávamos a tomar café, os porta-vozes ficaram a conversar e chegaram a algumas conclusões, que são as linhas de força que aparecem aí. O que vamos fazer na próxima hora será trabalhar sobre essas linhas de força e tentar concretizar ao máximo o que é que cada um e cada uma pode fazer a partir do seu lugar para continuar a trabalhar nesta linha. Este debate tem de ser concreto, temos de concretizar toda esta jornada de trabalho. Por último, daremos 10 minutos de encerramento.
Se quiserem, leio. No workshop 1, sobre escolas excludentes, levantam-se três linhas:
- Sobre a formação, uma mudança de olhar.
- Valorizar a diversidade, colocá-la em positivo.
- Gerar metodologias flexíveis, apoiar metodologias flexíveis
As linhas de força do workshop 2 sobre avaliação psicopedagógica são:
- Que os relatórios estejam centrados no contexto, na pessoa, identificando as barreiras à participação. Não podemos continuar com diagnósticos clínicos.
- Consolidar uma rede crítica que não se deixe arrastar.
- Resistir, não indo ao mínimo, resistir às máximas. Falar de inclusão é falar de revolução social, é pensar que podemos construir uma sociedade melhor. Para isso é necessário somar apoios, tem a ver com gerar redes. Somar apoios (sindicatos, universidades, advogados, políticos…). Ou seja, temos que nos apoiar em outras pessoas que possam gerar isso.
As linhas de força do workshop 3, do Direito à realidade, são:
- Movimento de famílias independentes. Ou seja, famílias que não dependam de recursos. Podemos fazer as plataformas que quisermos, mas os movimentos de famílias independentes não são controlados pela administração. Esses movimentos de famílias são os que mais medo dão, porque são os que mais podem mover. Não podem ser manipulados.
- Buscar apoios profissionais que visibilizem a realidade, tanto no que é excludente quanto no que é inclusivo.
- Demanda urgente de direitos de pessoas com deficiência. Esta é uma proposta PUM, muito interessante porque é muito direta.
- Não podemos cair em criminalizar as famílias. Ou seja, as famílias estamos no mesmo barco, embora não pensemos igual, o que estamos é defendendo o direito à educação.
Abre-se a caça, vocês têm a palavra.
Ángel:—Uma coisinha, uma duvidazinha que tenho. Sobre o não a mais diagnósticos clínicos, o diagnóstico do orientador pode se traduzir em um diagnóstico clínico?
Ignacio Calderón:—Ángel, são diagnósticos de tipo clínico. Ou seja, os diagnósticos que se fazem agora mesmo nas escolas, as avaliações psicopedagógicas, são diagnósticos clínicos. A avaliação psicopedagógica. Ou seja, que você tem TEA ou síndrome de Down ou paralisia cerebral, e daí se deriva que você tenha um parecer de escolarização de um tipo ou outro. Mas se pensarmos em avaliação psicopedagógica e não adequarmos o processo de ensino-aprendizagem a esta realidade concreta, é algo muito diferente. Uma coisa é o diagnóstico clínico e outra coisa é a avaliação do processo educativo, é passar do pessoal ao conceitual.
Ángel:—Então, o diagnóstico clínico não é dado por um psicólogo da saúde?
Ignacio Calderón:—Nas escolas, é dado por um psicólogo, um pedagogo, um orientador...
Ángel:O orientador pode dar...?
Ignacio Calderón:Não é que possa, é que o faz.
Susana Fajardo:—No workshop 1, o que me surpreende é que todas as linhas de força que surgiram são, sobretudo, focadas nos docentes. Ou seja, nós, famílias, também temos que tornar isso um problema nosso, também. Somos vítimas da escola excludente, mas, muitas vezes, também nos vemos presas nela até que percebemos que algo temos que fazer. Só queria apontar isso. Acho que essa linha deveria estar ali colocada.
Audiodescrição [AD]: Continua a assembleia plenária.
Susana Fajardo:— No workshop 1, o que me surpreende é que todas as linhas de força que surgiram são, sobretudo, focadas nos docentes. Ou seja, nós, famílias, também temos de tornar isso um problema nosso, também. Somos vítimas da escola excludente, mas, muitas vezes, também nos vemos presas nela até que percebemos que algo temos de fazer. Só queria apontar isso. Acho que essa linha deveria estar ali colocada.
Paco Serrano: Uma questão de esclarecimento por desconhecimento. O que vocês dizem sobre o diagnóstico clínico, um diagnóstico clínico por definição é excludente?
Ignacio Calderón:— Na escola, sim. O facto de eu dizer que tu tens paralisia cerebral ou que tens o transtorno que for, não me ajuda nem ajuda o docente a elaborar novas respostas. As novas respostas geram-se quando eu entendo. E eis aqui o exemplo do modelo social da deficiência. O modelo social da deficiência é entender a deficiência como a relação, não como a condição da pessoa. Então, se falamos de pedagogia da educação, do que devemos falar é da relação, e a relação é o que não se questiona. O diagnóstico clínico diz: «Este tem a culpa, olha para ele». E na educação o que temos de fazer é ver que essa relação está viciada. Como a podemos transformar? Essa é a tarefa.
Participante 7:— Falámos na oficina sobre isso, falávamos de não fechar o diagnóstico no handicap ou na dificuldade que a pessoa tem (porque a pessoa é como é), mas sim de nos concentrarmos em como modificar esse contexto para que essa pessoa possa aprender exatamente igual que os outros, e que possa desenvolver o máximo igual que o resto. Então, o diagnóstico que se faz nas escolas é um diagnóstico que não é clínico, no sentido de que não o faz um médico, mas por ser um diagnóstico, tem esse caráter. Ou seja, eu ponho-te um rótulo que vai fazer com que o resto dos docentes veja esse rótulo antes de ver a pessoa. Não veem a pessoa nem as suas forças. Pensamos que a avaliação tem de estar centrada em como modifico o contexto, que forças tens tu para me concentrar nelas. Através delas vais poder aprender, não a partir das tuas dificuldades, isso está claro. Se nos concentrarmos nas dificuldades, ficamos aí, na incapacidade.
Antonio falava de que nos temos de concentrar nas barreiras à participação. Ou seja, sentamo-nos os docentes, a equipa de orientação e dizemos: «Tenho a minha sala de aula, tenho 25 alunos e alunas. Cada aluno e aluna com as suas peculiaridades, as suas maneiras de comunicar, de pensar, de sentir. Esta é a sala de aula, esta vai ser a metodologia. Vamos trabalhar desta maneira para avaliar que barreiras vamos encontrar face à participação». Com este tipo de metodologia, com este contexto amplo, assinala-se que alunos ou alunas ficam de fora e não podem participar. Temos de pensar como modificar isso para incluir todo o alunado. Por aí vai o tema da avaliação do contexto.
Raúl López:— O que acontece é que sobre este tipo de relatório sobre necessidades do contexto, que tipo de recursos precisa esse tutor para descrever a diversidade da sua sala de aula? Atualmente, pelo menos na Andaluzia, não nos é permitido escrevê-la. O programa informático não te permite assinalar isso, mas sim remete para um modelo clínico onde só podes assinalar determinada problemática do alunado. Como não és clínico, não te obrigam a fazer esse diagnóstico, mas se te dizem: «assinala que tem tais sintomatologias, compatíveis com este transtorno», já te estão a obrigar, por vezes pela primeira vez e sem que nenhum médico tenha feito qualquer diagnóstico, a assinalar um possível diagnóstico que, embora tu não o estejas a dizer, te estão a obrigar a usar um modelo baseado no clínico. Por conseguinte, supõe-se que o que tem de ser transformado é essa característica desse aluno ou aluna, e não transformar o contexto, porque esse aluno ou aluna, que é diferente também, está junto a outros que são diferentes (de altas capacidades, de mais necessidade de movimento ou não, de timidez ou não). E com toda essa variedade, o corpo docente necessita de apoios, de recursos e de orientações. Tens de o fazer entre corredores, porque formalmente o modelo ainda é demasiado clínico.
Ignacio Calderón:— Eu só ia dizer que levamos o dia todo a falar de orientação, e não se falou de nenhuma patologia, não foi preciso. Do que estivemos a falar é do puramente social, do modelo social, o tempo todo.
Leonor:— Eu queria comentar em relação ao que vocês estavam dizendo que sim, é verdade que temos um sistema, que é o Séneca, onde ficam registrados os relatórios psicopedagógicos, os pareceres. Sim, é verdade que o parecer, talvez, é o documento mais técnico, mais clínico, o que é o criador desses recursos, dessas modalidades, e que, talvez, possamos concordar todos que poderiam ser eliminados e que não são necessários. Mas quanto ao relatório psicopedagógico, falando de diagnósticos clínicos e que caráter ele tem, eu acho que de alguma forma nos dá margem aos orientadores, tal como está no Séneca, para que o preenchamos da maneira ou com o enfoque que cada um tenha.
O contexto escolar e acadêmico, o contexto familiar, são apartados abertos nos quais você desenvolve e descreve, na medida em que cada um exerce seu trabalho. Você pode descrever essa situação, se você quiser e se quisermos, e se nos propusermos a fazer uma avaliação mais contextual, também tem espaço nesse apartado de contexto escolar. Claro, também há apartados para o desenvolvimento evolutivo dos estudantes, onde falamos de desenvolvimento cognitivo, desenvolvimento da comunicação e da linguagem, todas as áreas do desenvolvimento, estilos de aprendizagem… O que acontece? Que está em nossas mãos o caráter que é dado a esse documento, como desenvolvemos esses apartados e que tempo investimos em buscar.
Ignacio Calderón:—Você diz de buscar a fórmula na própria ferramenta.
Leonor:—Claro, o relatório em seus apartados. O parecer não, o parecer no Séneca te obriga a assinalar abas, que na maioria dos casos não respondem ao que o estudante é. Mas o relatório psicopedagógico são apartados abertos, talvez devesse haver outros apartados e alguns eliminar, mas se está o contexto escolar e acadêmico e o contexto familiar, e todos são para preencher.
Ignacio Calderón:—Ocorreu-me que você está falando do contexto Andaluz e estou vendo o contexto valenciano, que está dizendo que não com a cabeça, porque talvez a ferramenta seja diferente. Ocorreu-me que em cada contexto poderíamos fazer, para visualizar, algum exemplo, e que outros orientadores e orientadoras digam: «Pois olha, eu poderia fazer assim também se quiser». Por isso seria uma boa ferramenta.
Leonor:— Falávamos no nosso grupo que uma das soluções é que a família faça parte do processo, mas não apenas nas duas reuniões prescritivas que temos, aquelas em que se informa sobre o início da avaliação e o conteúdo do relatório, mas sim no processo em que estou a tentar conhecer quem é esse aluno. Essa informação que tu me podes dar tão valiosa, assim como te serve a informação dos tutores. Eu não concebo que o orientador, por si só, determine quem é, como se desenvolve. Tens de te valer da informação que te dá o tutor, que está muitas mais horas com ele, e as famílias. Tudo isso deve ser recolhido no relatório.
Virginia:— Desculpa, é prescritivo, também, quantas vezes te encontras com o tutor ou, mais do que prescritivo, quantas vezes te encontras com os pais. Disseste que é prescritivo encontrar-te duas vezes com os pais, mas com o resto dos agentes, é prescritivo quantas vezes te encontras com o tutor.
Raúl López:— Não, com a equipa educativa é prescritivo.
Virginia: Quantas vezes?
Raúl López:— Quantas vezes for necessário, e durante três meses é preciso aprovar medidas gerais.
Virginia : Ou seja, cada vez que for necessário podes reunir-te com a equipa educativa, mas com os pais é prescritível duas vezes, isso já diz muito. A mim já me tinham contado quando já o tinham iniciado e quando me o deram, e é prescritível que com os pais se reúna duas vezes e com os demais agentes todas as vezes que for necessário. Estou a fazer-vos uma pergunta que desconheço sobre o que ela disse. A mim chamaram-me só duas vezes, e muita da informação que eu dei aparece enviesada no relatório, pelo que me chamou a atenção que com os pais só seja prescritível reunir-se duas vezes.
Além disso, é o que ela acabou de dizer sobre os apartados. A etiqueta no final é só um sítio onde se põe um x; além disso, na parte dos pais não há nem um x, aí somente assinaturas. A única coisa que os pais fazem é reunir-se duas vezes e assinar.
E na parte que ela disse sobre o contexto, não é que só se enviesar quando se põe o x, é que em cada parte do que ela conta é onde se vê que a informação se enviesar, e leva-se a um ponto determinado para chegar a esse x, centrado na dificuldade. Por isso o que ela conta é importantíssimo. Embora depois ao orientador o obriguem a pôr um x porque o sistema o exige, sem a parte em que o orientador pode escrever, subjetivamente, o que ele vê nesse menino, seria muito diferente.
Ignacio Calderón:— Não por pôr um x é objetivo, e pôr o narrativo é subjetivo
Virginia:— É que ela usou antes a palavra subjetivo, porque o que ela diz é porque o olhar que ela tem, e perdoem-me, porque esse é o debate, nem todos os orientadores têm esse olhar.
Ignacio Calderón:— Temos de continuar, e olhando para propostas.
Irene Carranza:— Uma proposta é a dotação básica, porque o sistema se perverte, porque as medidas e os recursos se associam a certas etiquetas. Então, até que não quebremos essa perversão, acho que vai ser difícil, porque temos de garantir a atenção sem etiquetas.
Ignacio Calderón:— Essa ideia é importante, é preciso quebrar a relação entre dotação de recursos e catalogação ou etiquetagem, isso tem de ser quebrado.
Irene Carranza:— O ministério, as bolsas e a percentagem de vagas que se tem de preferência para entrar…, há um monte de coisas que foram pervertidas.
Alejandro Calleja:— Em relação ao parecer, está claro que vai para o Sêneca ou para o programa correspondente, mas quem obriga o orientador a documentar esse apartado? Quando chegou o parecer de escolarização do Rubén para um centro especial, o chefe da equipa de orientação não quis assinar esse parecer. Disse: «Assina tu, que a mim dá-me vontade de rir o relatório que fizeste e o parecer». E teve de o assinar outro funcionário por ordem da diretora provincial, mas o chefe de orientação recusou-se. Ninguém está a negar ao orientador porque, além disso, é um documento tão ilegal que com esse documento podes ir ao Comité das Pessoas com Deficiência para dizer que se nega o direito ao menor.
Raúl López:— Uma questão sobre isto. Um rótulo não obriga a um parecer; qualquer rótulo, por mais duro que seja, não obriga a um parecer. Se conseguiste, através das orientações, através do trabalho da equipa educativa, que esse aluno ou aluna seja adequadamente tratado e se esteja a desenvolver adequadamente, não há nenhuma necessidade de uma mudança de modalidade. Mantém-se em modalidade A, pode passar de Infantil para Primária com modalidade A. Se no Primária continuar a ser uma educação inclusiva, com propostas abertas, universais, não haverá necessidade de outro tratamento porque está a evoluir favoravelmente, e pode chegar ao ensino secundário com modalidade A, tenha a suposta problemática que tiver. É somente quando determinados tutores e tutoras, quando determinadas equipas educativas pensam que eles não podem fazer nada. É quando dizem: «Não me compete, compete a outro, modalidade B, C ou D».
Para mim, é sempre modalidade com apoios, porque todos precisamos de apoios em momentos dados. Todos precisamos de apoios na nossa vida, e não somos de outra modalidade de pessoas. Quando um centro, segundo a sua ideologia, pensa que não pode atender adequadamente, inventa a necessidade de outro tipo de centros e de um parecer, mas não há nenhum rótulo que obrigue nenhum orientador a outro tipo de modalidade de escolarização. É preciso gerar os recursos para que esse aluno seja adequadamente tratado. Numa conferência, dizia o Nacho. Não é o TDAH, exista ou não o TDAH, ou uma criança que precisa de movimento. A essa criança é preciso dar-lhe movimento porque tem necessidade de movimento. E é preciso dar-lhe uma resposta, porque se não é falso que essa criança possa ser mais um. Se estão a dar resposta a essa necessidade de movimento, e o rapaz e os seus colegas estão a aproveitar a escolarização, não é necessário mandá-lo para nenhum centro.
Susana Pérez — Em relação aos recursos, eu queria dizer que na Galiza temos um decreto de atenção à diversidade, e sim, os recursos estão associados às pessoas que têm o rótulo. Isso é a nível legal. É verdade que você, já dentro do centro, pode decidir como gerencia esse recurso.
Por outro lado, queria aportar outra linha de força: as programações de aula, que acho que não contemplam para nada a realidade que há na sala de aula. Ou seja, há programações de aula que este ano, e no ano seguinte, e no seguinte, e no seguinte, são sempre as mesmas. Se eu na minha programação de aula não contemplar o que tenho na minha sala de aula, nem as necessidades que tenho, as barreiras que tenho que eliminar, os materiais que tenho que utilizar, a avaliação…, pois estou desperdiçando uma oportunidade.
Ainhoa Yáñez:—Eu queria incluir isto no workshop 2, mas não tenho a certeza. Estamos o tempo todo a falar de parecer, de relatórios psicopedagógicos, diagnósticos, e às vezes, desde que trabalho nisto, pergunto-me onde fica a palavra orientar, não é? Eu nunca o entendi. Quando se lêem as funções de um orientador, e aqui são muitos e muitas, têm a função básica de orientar, então…
Audiodescrição [AD]: Continua a assembleia plenária.
Susana Fajardo:— Eu não ouvi ninguém me dizer o que vocês vão fazer a partir de segunda-feira, orientadores e professores, porque eu já tenho claro o que tenho que fazer. Sinceramente, o que precisamos é de uma resposta, e não vale mais ficar de lado. Ou seja, «Vamos apresentar propostas para que os pareceres mudem», «Vamos nos envolver com as famílias do nosso entorno que estão lutando pela educação inclusiva, e vamos nos envolver com elas». Ou seja, o que vai acontecer quando sairmos daqui por essa porta? Na segunda-feira, o que vamos fazer? É para isso que viemos.
Ignacio Calderón :— Eu ia dizer, na linha do que estava sendo falado, que esta manhã foi colocada na primeira assembleia a necessidade de criar materiais para aquelas pessoas que não sabem como fazer, não é? Então, nessa linha das avaliações psicopedagógicas, é preciso gerá-los. Eu acho que uma boa proposta pode ser gerar materiais para que a orientadora ou o orientador que se sente mal fazendo seu trabalho, ou que não sabe como fazer seu trabalho de outra maneira, veja aí uma alternativa: «Posso fazer meu trabalho de outra forma porque há pessoas que o fazem». Essa é uma tarefa para a qual é preciso dizer (levanta a mão): «Eu vou montar isso».
Participante:— Vamos formar um grupo, os que quisermos, um grupo de trabalho.
Ignacio Calderón:— É uma proposta. Essa é uma proposta. Outra, a respeito disso mesmo. Há iniciativas em diferentes lugares da Espanha que, neste momento, estão fazendo decretos sobre avaliação psicopedagógica. Então, essa iniciativa que em alguns lugares está tendendo a ser inclusiva, provavelmente se encontrarão com a dificuldade de que a Administração diga “pois não”, ou não tanto. Então, uma rede de sustento dessas propostas inclusivas, ou uma rede de estar atentos para que esses novos decretos que sejam elevados sejam realmente inclusivos, ou seja, que não se permita, por exemplo, que voltem a ser diagnósticos clínicos. É algo sobre o qual temos que estar atentos. É outra proposta que apresento.
Javier Herrera:— Eu acho que uma linha fundamental é que as famílias nos unamos de alguma maneira, seja como fez Antonio e seus companheiros, através da plataforma de atenção precoce, ou criando plataformas por comunidades autônomas ou nacional, onde nos reforcemos e nos demos esse peso e essas ferramentas de trabalho, para poder denunciar, ter as documentações ordenadas e dar um suporte direto às famílias, acho que isso é fundamental. Além disso, acho que havia que criar ferramentas, não só para ajudar os orientadores a fazer seu trabalho bem ou fazê-lo de outra forma, inclusive para não fazê-lo. Ou seja, há vezes que têm margem dentro do sistema para praticar a desobediência, dentro de determinados margens. Obrigado.
Antonio Guerrero: Eu sei o que vou fazer na segunda-feira, por isso quase não intervenho. Eu sou um movimento de vida independente. Nossa web tem quatro milhões de alcance, por isso vou dizer a todo mundo que enviem as demandas: vamos enchê-los até o pescoço ao Comitê dos Direitos. Isso como movimento independente. Além disso, nós não temos cota, nem subsídios, nem nada, assim que nós somos incorruptíveis, e com 4.000.000 de alcance. Agora, o que nos falta? Eu aos pais disse que não assinassem o parecer dizendo «Não estou de acordo». Eu digo que não assines, porque se não assinares, podes dizer que não te inteiraste. Assim que eu digo «não assines». Então, agora nos falta a outra parte, que sois os professores, aos quais eu levo dando no saco, falando claramente, quase dois anos e meio, e escuto muito silêncio. Então, eu na segunda-feira sei o que vou fazer.
Carmen Máximo:— Bom, eu queria comentar que tínhamos falado antes, no grupo em que estávamos, que não acreditamos que seja uma luta da família, é uma luta da comunidade educativa, uma luta pela escola inclusiva. É mais, uma luta por todas as crianças, porque a escola inclusiva nos inclui a todos. Então, entendo que as famílias estejam desgastadas, que queiram associar-se, que queiram fazer plataformas, mas essas plataformas têm que ser de todos os setores, da comunidade educativa, dos estudantes, que possa ser representativa, que possa ter voz, também do corpo docente. É mais, nas propostas que foram feitas de redes, é muito importante do ponto de vista de que a informação é poder, em qualquer centro se há um professor que tenha essa informação e se encontra com um pai que não saiba o que fazer, que também acontece, e têm recursos, porque o movimento é para todas as crianças, para aquelas crianças que tenham pais implicados, e para aquelas crianças cujos pais por falta de formação não saibam nem como aceder a isso, pois então há que dizê-lo.
Então, eu sei que vocês estão muito esgotados profissionalmente, porque têm lutado contra uma barreira, mas eu tenho muita esperança e conheço muita gente dentro do sistema educativo e pensamos que outra escola é necessária. Muitas vezes não encontram um espaço como este para poder chegar ao seu centro novamente e se inteirar da informação que aqui demos. Então, quando a informação está nos centros e há um pessoal comprometido, quando chega uma família, seja ou não lutadora, ela vai recebê-la. É uma questão social, não uma questão individual, e a escola inclusiva é a escola de todos, de toda a comunidade. Portanto, todo o trabalho que fizermos, que seja para todas as crianças, e para todas as famílias, mesmo que sejamos nós neste momento os que tenhamos que começar.
Participante 7:—Tenho claro o que vou fazer segunda-feira, porque é o que faço todos os dias: continuar com o mesmo caminho. O que sim, animo professores, professoras, orientadores e orientadoras a que, se alguém está interessado em realmente trabalhar nisto, estou à disposição de quem quiser mudar as coisas e fazer algo, mas, de verdade, contem comigo. Quem quiser, entramos em contato. E façamos materiais, coisas que de verdade possam mudar as coisas. Eu estou disposta a tudo.
Ignacio Calderón:—Eu acho que é um grande plano, começar a fazer alguns materiais que não sejam os de sempre, outra coisa.
Carmen Morales—Meu filho tem 23 anos e eu, para ser sincera, tenho que agradecer a muitíssimos profissionais que trabalharam com meu filho, com uma decência e uma ética impressionantes. Igual que tive os piores, com uma indecência impressionante! Por exemplo, a Alejandro diziam que o problema era sua mãe, e bom, eu a verdade é que estou contente por encontrar aqui este lugar de reflexão. Sofri esta manhã porque vejo ainda que, se meu filho esteve vinte anos massacrado, há famílias que estão vivendo a mesma situação que eu e, de verdade, é demoledor. Cumprimentou-me uma pessoa ali e abraçou-me chorando. Além das minhas vivências, levo também muitas vivências de muitas famílias que vêm a SOLCOM, e realmente chega um momento em que te vais desfazendo. Até pouco tempo atrás dizia «não posso mais», porque vês que há tanta gente má.
Eu estava comentando que há três tipos de pessoas: os que nascem com os direitos humanos incorporados, inatos, que vêm de série; aqueles que vêm como os carros, com o espaço para incorporá-los, e aqueles aos quais jamais vais convencer. Essas pessoas são más pessoas e é preciso conviver com elas. O que é preciso fazer? Aproveitar os que vêm com os direitos humanos de série e induzir naqueles que têm o espaço para incorporá-lo. Então, somos dois grupos contra um. A mim entusiasmou-me estar aqui, tanto com profissionais como com famílias, porque eu, quando meu filho era pequeno, a única coisa que conheci foi o fórum de vida independente, e era um monte de gente muito louca, proveniente de um movimento de vida independente que nasceu nos anos cinquenta. Os pais e as mães que estão hoje aqui realmente têm sorte, porque há mais gente implicada em fazer o bem com nossos filhos e nossas filhas, com seus erros, porque não são perfeitos, temos um monte de defeitos e de virtudes.
Bom, eu na segunda-feira estarei lá. Já estou a mil, o motor estava com algumas falhas, parece que tudo se relaciona com carros... Agradeço a todos, Nacho, estou realmente entusiasmada.
Esther Gómez:—Bom, novamente vamos tentar dar voz a tudo o que se diz no Twitter e nas redes sociais para fazer um pequeno apanhado e comentar um pouco o que dizem de fora sobre o encontro. Marisa, por exemplo, está nos pedindo que avaliemos as crianças com nome e sobrenome, focando nas necessidades e não no diagnóstico. Que avaliemos o contexto e a metodologia para observar se alguém está sendo deixado de fora.
Mariluz Sanz também nos fala que a justiça deveria ser gratuita, ou manifestar ajuda para muitas famílias e entidades, dessa forma se denunciaria mais o descumprimento da lei, lutando pelo direito a uma educação inclusiva, que isto é muito custoso monetariamente e, no final, psicologicamente acabamos desistindo.
Também nos dizem que, um primeiro passo para que um diagnóstico psicopedagógico não seja rotulador, é fazer um diagnóstico das necessidades que existem de maneira objetiva.
Também estão nos falando da ótima ideia que o Nacho teve, e que isto nos serve para continuar melhorando na formação diária, e sair do método antigo que também se tem na Universidade, que é também parte da proposta.
Alejandro Calleja:—Diante das dúvidas que possam surgir, porque partiremos e haverá gente que queira contatar e tal, o ponto de encontro o temos com Nacho. Qualquer problema ou dúvida, através do Nacho. Eu, pessoalmente, não tenho nenhum problema em facilitar materiais, dentro do que é possível, assim como os solicitem à SOLCOM, é claro, da qual sou membro, além disso. É saber que temos esse apoio. Devemos nos apoiar e devemos avançar. Temos que seguir em frente, porque podemos e é real, e isso as famílias é o que temos que fazer. Qualquer questão através do Nacho ou pessoalmente, estaremos lá.
Javier Herrera:— Há uma parte que me parece muito importante: mudar o olhar da sociedade de alguma forma. Acho que deveríamos encontrar alguma fórmula para isso. Todos nós podemos mudá-lo em nosso pequeno círculo e todos nós que estamos aqui e estamos envolvidos deveríamos ser capazes de nos unir e mudar o olhar em macro. De alguma forma, eu acho que é possível. Se nos unirmos e criarmos recursos unificados e potentes, também poderíamos fazer campanhas potentes.
Ignacio Calderón:— Eu acho que é preciso articular coisas que sejam simples, mas profundas. Ou seja, simples, em que sejam rápidas, que as pessoas as possam ver rapidamente, como a realidade está conformada hoje, que seja algo rápido, mas que por baixo tenha muito alcance. Então, o que fizermos que seja simples, rápido, mas profundo. Então, essas redes, como as articulamos para que isso aconteça?
Pedro Piña:— Eu nunca vi isso, não sei se isso é possível. Um quadro de avisos em uma escola que esteja à vista dos pais, e ter informações sobre os estudantes e a escola e poder expressá-lo ali. É algo simples, mas muitas vezes, você tem relação com os pais da mesma turma, mas não com pais de outros anos.
Ignacio Calderón:— Eu acho que esta manhã, uma das coisas que foi falada, é que as AMPAs, por exemplo, as temos deixadas de lado. E é verdade, as temos deixadas de lado e são órgãos de governo. Há grandes exemplos em Madri. O que fazem é fortalecer essa comunidade, e agora mesmo a verdade é que as temos abandonadas. Eu tenho uma experiência horrível estando em um conselho escolar, que compartilho aqui com um colega. Uma experiência horrível: sentir o nada. Eu há tempos pensei: «Ok, eu sou ignorado, sempre estou dando coisas, mas isso não chega a lugar nenhum. Chega quando nos tornamos comunidade e fazemos uma AMPA forte, que não esteja a serviço dos de sempre.»
Susana Fajardo:—Eu quero dizer uma coisa a partir da experiência. Você nem sequer precisa de uma AMPA forte, porque o que você precisa é criar redes a partir da AMPA, a partir da imagem da AMPA, porque a AMPA permite que você se comunique com outros colégios, com outras AMPAs, de igual para igual. Pode ser que você não tenha muito apoio, ou que tenha um colégio muito pequeno, mas permite que você tenha os contatos, crie uma rede de contatos. Nós, por exemplo, temos um fórum de AMPAs, um grupo de WhatsApp onde a informação flui. Há uma palestra e todo mundo sabe que há uma palestra. Alguém posta um artigo, e esse artigo se difunde. Surgiu como iniciativa da prefeitura, mas serviu muito para dar muita visibilidade. O colégio que eu representava ninguém sabia que existia na minha cidade, e nós ganhamos nome. Além disso, por trás, embora fosse um colégio pequeno e houvesse poucos pais, nós incomodamos muito.
Uma AMPA não tão forte, mas para nos fazermos notar. No final, o que teremos que fazer é nos fazer notar.
Javier Herrera:—Teríamos que tomar as AMPAs, tomar os conselhos escolares e as comissões de convivência. É preciso tomar posição e a partir daí criar redes e incomodar.
Alejandro Calleja:—O problema é que os conselhos escolares se desvalorizaram muito, as famílias nos conselhos escolares valemos menos do que valíamos. É o de sempre: ligue você para a direção provincial, que se for você a dizer, eles vão te dar mais atenção. Estamos no de sempre, está bem, mas é preciso empoderar-se muito mais.
Susana Fajardo:—Eu acho que o momento de ficar de lado já passou, de aqui para trás todo mundo ficou de lado, e só lutava quem se interessava, mas chega um momento, como estamos vendo que estamos funcionando, que estamos tecendo redes, que estamos funcionando, que as famílias se unem, que se apresentam iniciativas como a ILA em Madrid, ou Antonio com a atenção precoce. Ou, modestamente, nós na Extremadura. Quando já se apresenta uma proposta, se retrata quem fica de lado, e é o que temos que forçar. Temos que forçar que as pessoas não possam ficar de lado com isto, com iniciativas e propostas às quais ninguém possa dizer que não. Então, chegar a um consenso e dizer: «Estas são as quatro coisas às quais ninguém pode dizer que não», e começar a martelar, começar a criar as redes, começar a buscar os apoios, e começar a incluir as AMPA, os sindicatos. Que professor não vai querer uma redução da ratio? Quem não quer é o político que terá que pagá-la, sabe o que quero dizer.
Javier Herrera:Não, não, quem paga somos nós, não os políticos.
Susana Fajardo:Bem, sim, quero dizer que trastoca os orçamentos. Então, o que há que forçar é que ninguém possa ficar de lado disto, que se ficas de lado disto é porque estás manifestamente contra, e ficas mal.
Raúl López:— Nessa linha, destacar uma coisa que saiu no workshop de avaliações psicopedagógicas. Bem, eu sou amigo de causas perdidas, e aqui, paradoxalmente, encontro-me com que essa causa é a legal, e é a que vai de acordo com o sistema legal, e os que são antissistema são os que se estão opondo a isto. Então, desde a orientação educativa, parece-me que nos devemos posicionar totalmente na legalidade, e exigir à inspeção que se posicione com a legalidade.
Ignacio Calderón:— Aqui há algo interessante. Eu acho que, talvez, se poderia buscar apoio acadêmico para fazer essa luta entre orientadores e orientadoras, com a Inspeção. Então podemos buscar uma rede de apoio de acadêmicos que estejam dispostos a transformar essa proposta. Isso tem que ser iniciado pelo orientador ou pela orientadora e pedir apoio ao acadêmico (levanta a mão). Vamos à Inspeção E dizemos: «Olha, escuta, isso é ilegal».
Javier Herrera: —As inspeções são poucas, mas existem sensíveis.
Ignacio Calderón: — Aqui estamos focando no ilegal, mas não é só o ilegal, é o antipedagógico, tem uma lógica também, as coisas são feitas para algo.
Esther Gómez: — Como grupo —e quando falo de grupo falo de Lucía, que está ali, de Miguel, de Eva, de Rocío, que também está ali, de Yoli e de mim—, nossa proposta é tentar dar forma a tudo isso que está sendo criado hoje aqui. Tentar dar difusão para tentar que chegue mais longe e não fique em uma só experiência, e que possa ultrapassar o que são as fronteiras das pessoas que estão nos vendo e estão comunicando, que chegue ao mundo. E seguir lutando pelas causas justas e seguir dando tudo.
Susana Fajardo: — Esta é a última vez que vou falar, prometo. O que eu queria era disponibilizar o manifesto que temos preparado, que pode servir como documento de trabalho ou para o que estávamos a falar, para dizer: «Isto é o que há e ninguém pode ficar de fora».
Ainhoa Yáñez:—Eu queria dizer, em nome da Cris, da Fran, da Violeta e meu, que em Madrid estamos, e os que quiserem saber algo sobre a ILA, como começou e como está a chegar ao pleno neste momento, estamos à disposição. Para isso viemos. Nós viemos de Madrid para vos dizer que estamos à vossa disposição e que, por outro lado, o Carlos Cano está aberto no dia 5 de março. Vêm 42 estudantes da Universidade de Granada, assim, para passar o dia. Está sempre aberto para as famílias, para os estudantes em estágio e para quem quiser dar um passeio por Fuenlabrada, que, embora não seja muito bonito, aí está. Continuaremos na segunda-feira, com esse lema que diz que «Para educar uma criança, é preciso toda a tribo e é isso que continuaremos a fazer». Já está, obrigado.
Carmen Máximo:—Uma proposta que me lembrou a colega e que fizemos no grupo de trabalho, era criar uma plataforma entre famílias e profissionais, onde pudéssemos contactar e trocar informações para as fazer chegar aos centros, às pessoas que delas necessitem. A proposta é recolher os contactos, criar uma plataforma onde estejamos os profissionais da orientação, os professores, docentes, estudantes e as famílias. Eu ofereço-me para ser o elo de ligação e, num determinado momento, poder criar esse espaço. Que todos os pais, professores e orientadores que estamos aqui hoje, cada um num centro educativo, que estejamos nesse espaço e possamos partilhar a informação para que se difunda por todos os centros que estão aqui.
Ignacio Calderón:—Teríamos de pensar se o que vamos decidir é criar uma plataforma. Acho interessante que toda a diversidade que há hoje aqui continue intacta e melhorada. Quero dizer, que aqui há associações que são algumas estupendas, há movimentos que são estupendos, e isso tem de continuar a funcionar. Agora, nós estamos a fazer aqui algo como transversal, que deveria continuar, mas, não sei se lhe daria o nome de plataforma ou o quê, mas sim, é verdade que aqui se está a criar algo, outras redes.
Javier Herrera— Vamos dar-lhe um nome e, acima de tudo, um recurso.
Virginia:—Por exemplo, a capacidade que vocês tiveram hoje, vocês como equipa, de nos ir juntando separadamente, e que fôssemos aportando ideias e agrupando-as, e com a iniciativa que a Esther disse, pois ocorre-me que vocês, que são estudantes, não é?...
Ignacio Calderón:—...mas são estudantes dos bons...
(risos)
Virginia:—...parece que, talvez, essa capacidade que eles tiveram de nos unir e colocá-lo de alguma maneira dirigido por ti, Nacho, eu acho que teríamos de aproveitá-las. Eles são os futuros docentes, são um pouco os encarregados de semear esta sementinha.
Ignacio Calderón:— Eles já disseram que vão fazer algo com tudo isso, não se pode depositar tudo neles, mas eles vão fazer algo.
Carmen Máximo:— Eu me comprometo a que, se for iniciado, participarei ativamente. Se estamos falando de que é uma plataforma de professores, estudantes, orientadores e famílias, entendo que tenho que estar com eles e que será necessária uma combinação. E que muitas coisas elas nos trarão, e nós, após anos de estar nos centros e conhecer as relações, as estruturas, os centros, etc., podemos aportar também, embora eu também, se quiserem, trabalhe com vocês, acompanhando.
Irene Carranza:— Nós viemos da Astúrias, também serão bem-vindas e bem-vindos se precisarem de nós. Viemos da Conselharia, não sei se é a única Conselharia que está aqui hoje. Promoveram que estivéssemos aqui hoje, e pagaram a nossa viagem. Isso é de destacar, isso é bom. Eu trabalho lá há muitos anos, e na segunda-feira vou continuar com o trabalho que, desde o ano passado, estamos iniciando nesta luta. Temos uma estratégia de orientação, por exemplo, pela qual estamos lutando, que são profissionais da orientação, PT, AL, comunidade e orientação educativa. Todas essas especialidades refletindo, porque eu acho que no sistema, se você não pensa, seu trabalho vai tender à exclusão. Se você deixar a engrenagem funcionar, você vai tender a criar esse papel de arma para a exclusão. Então, acho que nunca devemos deixar de pensar e questionar nosso erro.
No ano passado refletimos sobre a avaliação psicopedagógica. Em concreto, falamos de tudo isso dos diagnósticos. Fechou a estratégia, Nacho, obrigado, foi um prazer ter você lá, foi inspirador. E este ano estamos refletindo sobre nosso papel profissional, sobre o papel que desempenhamos nos centros de aconselhamento. Mais da metade dos profissionais está tentando caminhar nesta linha.
Temos um rascunho de decreto de equidade, que inclui a dotação básica de que falava antes; potencia a ação tutorial, reconhecendo esse valor, potenciando-a, não apenas dizendo no preâmbulo que é muito importante, mas com alavancas de mudança: tentam-se fomentar as medidas ordinárias do centro e de organização de centro, e a nível da sala de aula. Desde o ano passado, nas instruções aos serviços especializados de orientação, aparecia por escrito a cláusula de rejeição zero: se uma família não autoriza a escolarização num centro de educação especial, não se escolariza. As condições de escolarização funcionaram assim desde o curso anterior.
Trouxemos também formação ao serviço da Inspeção, como mencionaram: Manuel Ávila de Valência, Echeita e Tony Booth com equipas diretivas.
E bem, continuar nessa linha. Levo também todas as emoções, todos os conhecimentos…
(risos)
Valorizar não apenas os profissionais da orientação, é uma responsabilidade de todos e de todas.
Ignacio Calderón:—Isto foi como puxar de um fio, porque a María José puxou de um fio, nós puxámos desse fio, mas nem as escolas são os orientadores e orientadoras, nem a sociedade é a escola. Enfim…
Irene Carranza:— Obrigado por organizar algo assim. Eu aposto no trabalho em rede, sempre com apoios, sozinhos não. As pessoas temos a nossa responsabilidade individual, mas temos que procurar rede, apoio. Eu sempre pensei isso, espaços de reflexão e de debate, partilhar. Eu sempre aposto por isso na minha vida e no meu trabalho, e não me correu mal. Obrigado.
Participante 8:— Bom, eu algo muito curtinho. Sou mãe há 15 anos. Sempre me falaram de ser partícipes da comunidade educativa, e jamais em 15 anos me senti dentro dela. Esta é a primeira vez que vejo que estão representadas as famílias e os docentes, e nada, agradecer. E um projeto muito fácil e muito simples que se pode levar a cabo é o projeto dos pais na sala de aula. São muito bonitos e muito enriquecedores. Há muitas coisas por fazer, e os pais e as mães podem fazer muitas coisas dentro da sala de aula. Então, muitas coisas pequenas feitas em lugares pequenos e por gente pequena podem mover o mundo. Obrigado.
Raúl López:— Falastes do trabalho em rede e a mim parece-me muito interessante, mas eu sinto a necessidade dos contactos pessoais. Então, eu apostaria por que este tipo de encontros se repetissem.
Ignacio Calderón:— Eu tenho que dizer, respondendo a isso, que ontem me colocaram a possibilidade de emular algo assim em Madrid, e talvez poderia ser uma oportunidade, talvez, não o sei.
Ana Robles:— Eu tinha que agradecer a todos por estarem aqui hoje. Para mim, foi uma experiência super enriquecedora. É verdade que o trabalho em rede é importantíssimo. Eu costumo trabalhar muito sozinha, mas porque não paro muito para pensar em toda essa força que preciso, não tenho essa coragem. Para isso está o Nacho, que é um encanto e tem essa facilidade para tornar extensível o que, a priori, é complicado.
Então, eu me dedico um pouco à minha área. Vocês estão falando do que vão fazer na segunda-feira. Eu na segunda-feira vou fazer algo preciosíssimo, vou dizer em que consiste. Até agora, o projeto que comentei, «História para todos», eu fiz de forma autônoma e solitária, com crianças com e sem diversidade no museu de Málaga, mas agora me deram uma oportunidade, já que foi feito um curso de extensão universitária para jovens estudantes com diversidade intelectual, e eles têm um módulo de dramatização do patrimônio que eu lhes dou. Então, pedi que esse alunado participe ativamente no projeto. Ou seja, não vou estar sozinha como docente, agora vou ter esses meninos a quem estou formando, com diversidade intelectual, trabalhando comigo, como uma equipe de pessoas totalmente capacitadas. E teremos pessoas com diversidade em cima, ministrando oficinas, e embaixo, recebendo, um grupo de gente trabalhando, simplesmente. É uma mini ação que eu acho que vale a pena dar divulgação, para que todo mundo entenda que sim, é possível fazer. Eu colocarei nas redes, tentarei dar a divulgação que puder, mas sobretudo a farei chegar ao Nacho, porque acho que é um mini exemplo que pode ser super interessante. Ver que sim é possível na escola e na vida real também, porque a escola termina, é um ciclo da vida do ser humano, mas o que acontece com esses adolescentes que terminam esse ciclo escolar, que os impedem muitas vezes de participar nos institutos e, claro, à Universidade nem chegam? Então, acho que é uma saída laboral importante, porque todos somos seres maravilhosos e contribuímos com coisas fantásticas, obrigado.
Javier Herrera:— Como maneira eficaz de sistematizar os contatos e como proposta, eu proponho que criemos um grupo no Facebook e o chamemos, por exemplo, «Movimento pela educação inclusiva». E nos inscrevamos todos no grupo. Para começar, já temos os contatos, já sabemos quem somos, e já podemos começar a fazer propostas, fazer documentos e, a partir daí, a questão pode ser organizada. Eu digo isso como uma proposta para segunda-feira, ou para amanhã.
Ignacio Calderón:— Vocês concordam com isso?
Virginia:— Gostaria de agradecer à María José, que está por aí e que participou tanto neste dia também. Eu, pessoalmente, estou muito agradecida porque você me atura muito no Messenger e me ajuda a avançar em muitas coisas com as quais às vezes se precisa de apoio. Obrigado.
Professora do colégio Señora de Gracia:— Olá, eu também estou muito feliz por estar aqui hoje. Nesta jornada, aprendemos imenso também. Faço parte do Colégio Nuestra Señora de Gracia, que é um colégio muito inclusivo, e encorajo todos vós que queiram, todos os pais e educadores, a visitá-lo. Temos dias abertos na terça-feira, dia 6, das 10h às 12h, e na sexta-feira, dia 9 de março, das 16h30 às 18h30. Somos acima de tudo um colégio de inclusão social, mas também estamos abertos à diversidade. Temos a Luna connosco. Somos também uma comunidade educativa onde os pais e os estudantes têm espaço para participar. Temos uma escola de antigos estudantes, qualquer pessoa que queira pode participar. Pessoas de fora que queiram vir dar workshops, têm as portas abertas, nós somos um colégio de portas abertas. Trabalhamos por projetos, desde a educação infantil até ao sexto ano, que é o que temos, e somos um colégio de portas abertas para todos os que queiram vir, ensinar e aprender.
(Aplausos)
Ana María Solsona:— Bem, eu volto a falar, acontece-me como à Susana. O que posso fazer eu como mãe, o que podemos fazer nós como pais a partir de segunda-feira e de hoje? Primeiro, continuar a dar visibilidade ao Aleix, em qualquer ambiente, ele pode estar em qualquer lugar, com as suas características como qualquer outra pessoa.
Continuo a sentir falta do que realçou antes: a orientação a nível escolar.
Outra coisa muito importante. Quero agradecer também à María José, e ao Nacho também, mas à María José que está nas sombras e é quem me fez mudar o meu olhar. Nós estávamos a cair num precipício quando o Aleix, aos 21 anos, não tinha nada. Iam enviar-nos para um colégio especial, ups, para um colégio especial, não, o Aleix ia ser mandado para um centro de dia aos 21 anos, quando ele ainda está a aprender imenso. Tem muito potencial e, como qualquer pessoa, tem direito a formar-se.
Antes, a falar com a Belén, queria dizer uma coisa que pode servir a muitos pais: existe a formação de segundas oportunidades, onde não é preciso ter o Ensino Básico concluído, onde um dos requisitos é não ter o Ensino Básico concluído. O Aleix, com medidas cautelares, tivemos de ir aos tribunais. Ele esteve sem escolarização desde setembro até 17 de janeiro, que começou agora, e está a funcionar, com muitas inquietações ainda, mas está a funcionar. Estão a antecipar-nos as aulas de língua e matemática através do correio, e nós adaptamo-las, porque os meios não nos foram fornecidos. Aí andamos, ele está incluído no grupo, não há nenhum recreio onde ele não esteja com o grupo. Tudo isto faz parte do professor, porque tivemos a sorte de contar com um professor que, sem ter nenhum conhecimento, se dedicou. E, depois, tivemos apoios externos. Sem alguém que te apoie, não podes seguir em frente. Esse apoio é necessário, seja quem for, e oxalá que cada vez haja mais apoio, e gente que se envolva verdadeiramente no problema diário deles. Obrigado.
(Aplausos)
Olga Gave:—Eu, como mãe, na segunda-feira vou continuar lutando e tentando mudar muita gente, mudando as palavras que as pessoas não percebem quando falam do meu filho, continuando a ensiná-lo a qualquer um que eu não me canso. O que eu gostaria é de saber como podemos alcançar tantos, tantos pais que não veem isso como eu, por exemplo. Eu tinha isso claro, luto pelo meu filho e pretendo continuar lutando, mas há outros pais que não veem. Não é que não os queiram, é que não veem ou estão enganados. Como podemos, a partir daqui, também alcançar esses pais para ajudá-los? Porque há muitos, e assim, se eles vierem para o nosso lado, seremos mais. Tentar fazer isso de alguma forma.
Susana Pérez:—Aqui está a galega, de novo. Como disse, venho de uma associação da Galiza, e além disso faço parte de uma rede. Somos outras sete associações de síndrome de Down e deficiência intelectual na Galiza e, por sua vez, fazemos parte de outra rede que é de toda a Espanha. Portanto, o que farei na segunda-feira é compartilhar esta experiência com um monte de gente. Criar essa rede onde possamos estar todos, compartilhar experiências positivas, materiais, modelos, avaliações psicopedagógicas… acho que vai nos ajudar muito. E vou repetir, quero uma segunda experiência como esta, mas na Galiza.
(Aplausos)
Ignacio Calderón:—Carmen Saavedra me envia um comentário. Ontem pedi-lhe uma frase alegre para o início da sessão, e ela estava um pouco desanimada e disse-me: «Não me sai, Nacho». E queria agradecer que me enviou uma mensagem, e disse-me que gostaria de agradecer o trabalho que foi feito hoje com a fotografia do elevador do filho dela, aí está.
Paco Serrano:— Rápido, outro convite. Gostaria de vos convidar a refletir tudo isto sempre com amabilidade, com a amabilidade que, em muitos casos, vós ou vossos filhos e filhas, talvez, não encontrastes. Com amabilidade e firmeza, tendes. Eu sou professor de Educação Infantil, tendes que nos exigir excelência, tendes que nos exigir profissionalismo, com amabilidade, com carinho, se possível. Quero dizer, um professor ou uma escola não inclusiva é um luxo que não nos podemos permitir. Um único professor ou uma única professora que não esteja disposto a ser o que deve ser um educador ou educadora, com todas as letras, com esse conceito de educação que eu dizia há umas horas, é uma pessoa que deve estar disposta a mudar ou não merece estar no sistema educativo. Assim que exigi com amabilidade, mas exigi excelência educativa e profissional sempre, sempre. E é isso.
(Aplausos)
Silvia Abolafia:— Nós estivemos a recolher todas as propostas que foram surgindo. As dez que consideramos mais importantes, porque são as que realmente todos podemos fazer e estão no nosso raio de ação, são:
Gerar o material para que os orientadores possam contornar a exclusão, ou para aqueles orientadores que não sabem muito bem como trabalhar nas avaliações. Unirmo-nos para fazer valer os direitos; ou seja, denunciar as práticas excludentes ao Comité dos Direitos das Pessoas com Deficiência, que acredito que é algo que muitos farão.
Criar plataformas em que todos os setores tenham voz: alunos, famílias, professores, orientadores, psicólogos, etc., que também é algo que faremos sim ou sim. Que haja profissionais em todas as escolas que disponham da formação necessária para informar todas as famílias. Assumir a posição, assumir as AMPA, assumir as comissões de convivência, os conselhos escolares, poder participar verdadeiramente.
Forçar que as pessoas não se possam pôr de lado perante as propostas que estamos a fazer. Que ninguém possa dizer não às propostas. Criar uma plataforma entre famílias e profissionais para trocar a informação que for sendo gerada. Bem, isto repete-se um pouco. Refletir como comunidade, como estamos a fazer agora, para não regressar às práticas exclusivas. Procurar apoio académico para tornar esta luta presente perante a inspeção educativa.
E, por último, e o que creio que vamos fazer a seguir, criar nas redes sociais uma página onde todos os que estão aqui presentes possam dar a sua voz.
E estas são as dez propostas que ficaram aí como chaves.
Ignacio Calderón:—Eu, já… minha nossa, que dia e que noite…
(risos)
Ignacio Calderón:—Eu quero agradecer todo o esforço que supõe para tanta gente ter-se deslocado até aqui, ter dito: «Vou gastar o dinheiro, vou dedicar o meu esforço a vir até aqui, a encontrar-se, a fazer um encontro que não é nada, que é encontrar-se». Eu creio que María José disse: «Porque não nos encontramos?, porque não nos unimos?» Pois isso foi isto, unir-se, encontrar-se. Encontrámo-nos muitas pessoas. Encontrámo-nos nos discursos, também no físico. Demos abraços. Eu felicito-vos pelo trabalho. Hoje houve aqui tanta inteligência; isto era um cérebro a funcionar, muita gente a pensar, muita gente especialista a pensar numa realidade concreta na qual é especialista.
Quero agradecer a María José por me ter deixado espaço para que isto acontecesse, por ter trabalhado comigo tão maravilhosamente. Quero agradecer a Raúl, quero agradecer a Silvia, quero agradecer a Sabina, quero agradecer a todos os estudantes que hoje vieram aqui e que eu pensava: «Se não chegassem a estar, o que teria sido disto?, o que teria acontecido?» Teria ficado louco. Eu felicito-vos a todos e a todas, e agradeço-vos enormemente por hoje terem feito este presente.
(Aplausos)
Ignacio Calderón:Comecei esta sessão com a sua banda sonora. A primeira coisa que será publicada no Facebook, evidentemente, é a sua banda sonora.
Autodescrição [AD]:Na tela, projeta-se a canção ‘Centro’ de Luis e Pedro Pastor, acompanhada de imagens criadas por Paula Verde. As imagens incluem retratos fotográficos de diferentes jovens.
🎵 Atrás de ti, correndo vai o porvir
a ver se queres
deixar-te arranhar pelos seus pincéis.
Atrás de ti, seguindo-te, a liberdade
a ver se podes
abrir-lhe algumas portas, soltar as redes.
Atrás de ti, dançando vai a lua cheia,
sua dança ardente
te convida a elevar tua voz de neve.
Atrás de ti, a humanidade mais animal
está te chamando:
que você esqueça o que aprendeu,
que você comece a sentir,
que não faz sentido
viver assim.
A mente aberta, a pele disposta,
as asas postas, a mente alerta.
Aberto o coração, aberto ao mundo
em todo o seu esplendor o seu ser profundo.
É preciso ter:
Mente aberta, asas postas
e, se possível,
pele disposta, mente alerta.
Atrás de mim, em fogo lento está nascendo
uma canção do centro do seu centro. 🎵
Decálogo para a mudança
- Gerar material que facilite que as equipas de orientação possam focar o seu trabalho em práticas não segregadoras.
- Facilitar a união para fazer valer os direitos: denunciar as práticas excludentes ao Comité de Direitos de Pessoas com Deficiência.
- Constituir uma Plataforma na qual tenham voz todos os setores implicados para forçar transformações na escola comum: estudantes, famílias, professores, equipas de orientação, advogados…
- Facilitar procedimentos de participação das famílias e voluntariado nos centros educativos.
- Tomar posições: implicar-se nas AMPAs, nas comissões de Convivência e nos Conselhos Escolares.
- Forçar o posicionamento da comunidade educativa; que ninguém possa ficar de lado.
- Refletir como comunidade, para não regressar às práticas excludentes.
- Criação nas redes sociais de uma página em que todos possam dar sua voz.
- Buscar apoio acadêmico para tornar esta luta presente perante a inspeção educacional.
- Gerar materiais e links para experiências inclusivas reais.
Produções científicas a partir do Workshop
Publicações
- CALDERÓN-ALMENDROS, I. (2018). Privado de direitos humanos. Disability & Society, 33(10), 1666-1671.
- CALDERÓN-ALMENDROS, I.; MORENO-PARRA, J. & VILA-MERINO, E. (2022). Educação, poder e segregação. O relatório psicoeducacional como obstáculo à educação inclusiva. International Journal of Inclusive Education.
- CALDERÓN-ALMENDROS, I. & RASCÓN-GÓMEZ, M.T. (2022). Tecendo lutas pelo direito à educação: Narrativas coletivas e pessoais para a inclusão a partir do modelo social da deficiência. Pedagogia Social. Revista Interuniversitaria, 41, 43-54.
- MORENO PARRA, J.; FERNÁNDEZ TORRES, P. & CORTÉS GONZÁLEZ, P. (2022). A inteligência na formação inicial dos orientadores. Perspectivas discentes. Revista de Educación, 398, 87-110.
- CALDERÓN ALMENDROS, I.; MORENO PARRA, J. & MOJTAR MENDIETA, L. (2023). Desigualdade escolar e discriminação por capacidade em tempos de confinamento. Experiências familiares em processos de investigação participativa. Revista Complutense de Educación, 34(4), 945-954.
Conferências em congressos científicos
- CALDERÓN-ALMENDROS, I.; MORENO-PARRA, J.J. & VILA-MERINO, E. (2021). Educação, poder e segregação. Avaliação psicoeducacional como obstáculo à Educação Inclusiva. Trabalho apresentado emWorld Educational Research Association 2021 Focal Meeting, Santiago de Compostela, Espanha.https://hdl.handle.net/10630/22679
- ALONSO-BRIALES, M., DE OÑA-COTS, J.M. & VEGA-DÍAZ, C. (2021). Aprendizagem ao longo da vida para a educação inclusiva. Trabalho apresentado emWorld Educational Research Association 2021 Focal Meeting, Santiago de Compostela, Espanha.
- RASCÓN-GÓMEZ, M.T. & MOJTAR-MENDIETA, L. (2021). Educação inclusiva ou exclusiva? Um desafio para o sistema escolar espanhol. Trabalho apresentado emWorld Educational Research Association 2021 Focal Meeting, Santiago de Compostela, Espanha. https://hdl.handle.net/10630/23241
- CALDERÓN-ALMENDROS, I.; RASCÓN-GÓMEZ, M.T. & CABELLO-FERNÁNDEZ-DELGADO, F. (2021). Como tornar nossas escolas mais inclusivas? O caso da Espanha. Trabalho apresentado na Comparative Education Society of Asia (CESA) 12th Biennial Conference. Catmandu, Nepal.
- CALDERÓN-ALMENDROS, I. (2022). Envolvendo comunidades na promoção de culturas escolares inclusivas. 1st International Conference on Education and Training – Thinking education in transition times, Lisboa, Portugal. https://www.icet2022.pt/en/content/abstracts/abstract-book/abstract-book.html
