Entradilla del programa TESIS, Canal Sur.
[Música de fondo]
Audiodescripción [AD]: Un grupo diverso de personas entra al campus de la Universidad de Málaga, rodeado de zonas verdes. Se sientan en un banco circular de piedra y comienzan a charlar de forma animada. Primeros planos capturan las expresiones emocionadas y el entusiasmo en sus interacciones.
Audiodescripción [AD]: Teresa Racón habla a cámara en una zona verde.
Teresa Racón:— Quererla es crearla es un movimiento que tiene un poco sus inicios a partir de un
workshopque se celebrou aqui, na Universidade de Málaga. Nele, reuniram-se pessoas de todo o panorama espanhol —professores, alunos, profissionais da educação, orientadores— e, a partir daí, fomos detetando uma série de necessidades que parecia que a escola tinha. Transformações que eram necessárias para torná-la mais inclusiva.
Audiodescrição [AD]: Várias pessoas entram no edifício da Faculdade de Ciências da Educação de Málaga.
Rótulo: Educando em igualdade.
[Música]
Audiodescrição [AD]: Mostra-se o átrio da faculdade, seguido de Ignacio Calderón falando para a câmara numa zona verde.
Rótulo: Ignacio Calderón, professor da Faculdade de Ciências da Educação da UMA e membro de 'Quererla es Crearla'.
Ignacio Calderón:— Surge de vários lugares. Por um lado, do social, do ativismo de muitas pessoas que vêm desenvolvendo trabalho há muito tempo, mas também da universidade, pelo desejo de transformar fundamentalmente como as escolas atendem a toda a população.
Audiodescrição [AD]: Um grupo de jovens de diversas idades conversam em um ambiente natural. Pessoas vão se incorporando.
Rótulo: O projeto 'Quererla es Crearla' da Universidade de Málaga trabalha em prol de um sistema educativo baseado na equidade e na inclusão.
Ignacio Calderón (v.o.):—Então, de alguma forma, há uma união entre os desejos das pessoas de transformar essas escolas e o trabalho que está sendo feito na universidade para apoiar essas pessoas na elaboração de discursos, na construção de novas práticas, na transformação de políticas, etc.
Audiodescrição [AD]: Diana Farzaneh fala para a câmera em uma sala de aula do CEIP La Parra.
Rótulo: Diana Farzaneh, professora de Pedagogia Inclusiva no CEIP La Parra.
Diana Farzaneh:— Os estudantes em situação de exclusão são os estudantes mais vulneráveis, porque não se encaixam dentro desse quadro normativo que entendemos por 'normal', como pode ser o estudante que tem uma orientação sexual diferente da maioria, o estudante que apresenta peculiaridades cognitivas, peculiaridades físicas, peculiaridades na forma de comunicar…
Para nós, as diferenças não são um problema, não são uma dificuldade. Queremos meninas e meninos que sejam pessoas que valorizem as diferenças como algo maravilhoso e necessário, e não como um problema o fato de uma pessoa sentir de uma forma diferente de mim. Que uma pessoa pense, se desloque ou fale diferente de mim.
Audiodescrição [AD]: O grupo de pessoas participantes abraça-se e ri enquanto a câmara para em cada uma delas.
Audiodescrição [AD]: Carmen Moreno fala para a câmara numa zona verde.
Rótulo: Carmen Moreno, integrante de 'Quererla es crearla'.
Carmen Moreno:—'Quererla es crearla' é um trabalho que, sobretudo, pensamos que é a base para uma escola inclusiva. O germe principal é que toda a comunidade educativa e toda a sociedade entendam e reconheçam o direito à educação inclusiva. Temos de mudar o nosso olhar e a nossa cultura.
Audiodescrição [AD]: O grupo entra numa sala de aula do CEIP La Parra e senta-se. Projeta-se o documentário
Quererla es Crearla.
Legenda: O grupo trabalha no aconselhamento e formação em centros educativos para que possam implementar um modelo mais igualitário nas salas de aula.
Audiodescrição [AD]: Carmen Matés fala para a câmara numa sala de aula do CEIP La Parra.
Legenda: Carmen Matés, diretora do CEIP La Parra.
Carmen Matés:— Vemos a necessidade de que, para trabalhar a inclusão, precisávamos convidar alguém de fora que pudesse nos ajudar. Então, chamamos a Universidade, conversamos com Nacho Calderón e ele veio nos dar uma formação para o corpo docente sobre como poderíamos trabalhar nessa escola inclusiva.
Em um primeiro momento, entendemos que a escola inclusiva parece ser como mágica, não é? Você faz uma formação e parece que já a tem. E você percebe, desde o momento em que começa, que é o contrário. Que é um mundo em que você tem que ir trabalhando, dia a dia, e que na hora de abordar qualquer conflito que, algo natural nos centros educativos, a pergunta é como vamos abordar, além da aprendizagem. Aí já temos a necessidade de como podemos fazer isso, não é?
Audiodescrição [AD]: Diana Farzaneh fala para a câmera em uma sala de aula do CEIP La Parra.
Diana Farzaneh:— A estrutura que temos neste momento no sistema educativo não nos permite construir a inclusão desde o princípio, porque o currículo supõe uma diferença. O currículo, tal como está organizado neste momento, a maioria do corpo docente utiliza livros didáticos, por exemplo. Pois isso já vai supor uma barreira enorme para todas as meninas e todos os meninos, não somente para um lado mais peculiar, mas também para o resto que está entendendo que o conhecimento vem empacotado em um livro, que é o que aquela editora marca. Que é o que há que saber e o resto não interessa. Por exemplo, isso é contrário aos valores culturais, não é?
Em nosso colégio há meninas e meninos de distintas culturas e, no entanto, os livros didáticos só falam de uma cultura muito concreta. As suas estão invisibilizadas. Se entendêssemos que isso é o currículo, estaríamos invisibilizando e tirando valor à cultura delas e deles, aos saberes que as meninas e os meninos trazem.
Audiodescrição [AD]: Carmen Matés fala para a câmera em uma sala de aula do CEIP La Parra.
Carmen Matés:— É muito difícil fazer um ensino… massificado, não é? Igual para todos. Bem, é fácil fazê-lo, mas não é fácil que chegue a todos os estudantes porque cada um aprende de uma maneira diferente e cada um tem umas emoções e cada um vem com uma mochila carregada de forma diferente.
Com isso, dar resposta a cada um dos estudantes é onde vem a exigência do professor. De que precisamos dessa formação, dessa ajuda, dessa reflexão constante à qual, às vezes, não estamos acostumados os professores, em que precisamos aprender ouvindo o outro.
Audiodescrição [AD]: Projeta-se o documentário Quererla es crearla na sala de aula do CEIP La Parra. Cena inicial: Colagem. Um menino sorri sobre uma grande roda dentada de cor fúcsia. Em primeiro plano, uma máquina de escrever antiga com um escrito que diz «mas quisemos amor». Na lateral esquerda, um documento intitulado «Convenção sobre os Direitos da Criança (20.11.1989).»
Audiodescrição [AD]: A seguir, sucedem-se imagens que aludem à escravidão e à luta antirracista. Entre elas, aparecem os rostos de Martin Luther King, Nelson Mandela, Rosa Parks, uma mulher negra votando e manifestantes.
Narradora (v.o.):— Houve um tempo em que a cor de alguns seres humanos os convertia em propriedade de outros, um tempo em que a lei os discriminava e segregava. Mas quisemos liberdade.
[Música]
Audiodescrição [AD]: Cenas de estudantes participando da gravação do documentário.
Rótulo 1. Tornar a instituição participante.
Rótulo 2. Ajuda a evitar preconceitos e favorece o diálogo entre gerações e coletivos.
Rótulo 3: Os estudantes da Faculdade de Ciências da Educação contribuíram para o projeto com um canal no YouTube para oferecer conteúdo didático.
Rótulo 4: Teresa Rascón, professora de Ciências da Educação da UMA e integrante de
Quererla es Crearla.
Teresa Rascón (v.o.):— A participação dos estudantes daqui da universidade nesses vídeos tutoriais, a verdade é que foi muito participativa desde o princípio. Além disso, foi um trabalho que considero muito enriquecedor para eles porque tiveram um período em que tiveram que preparar os guiões. Os tutores revisaram-nos, e a partir daí, tiveram que o aprender, gravá-lo…
Ou seja, eu acho que para eles, pelo menos a avaliação que fizeram daquele processo, foi muito positiva. E o facto de ver que esse produto que se elabora aqui, dentro da universidade, não fica entre essas quatro paredes, mas sai para fora e que de verdade vai ter utilidade, para formar, por exemplo…
Audiodescrição [AD]: Teresa Rascón fala para a câmara numa zona verde.
Teresa Rascón (v.o.):—Por exemplo, nós estamos utilizando para cursos de formação de professores. Inclusive está disponível na página web da universidade. Ou seja, qualquer centro educativo que queira pode entrar na página de
www.creemoseducacioninclusiva.com e lá têm todos os recursos que fomos criando.
Audiodescrição [AD]: Teresa Rascón e Ignacio Calderón mostram materiais e recursos de Quererla es Crearla ao grupo participante numa sala de aula do CEIP La Parra.
Ignacio Calderón (v.o.):— Foram brotando da realidade um monte de narrativas criativas de como as pessoas podem transformar a realidade, aquela que lhes está a fazer mal ou que é muito melhorável. Pois daí emergem os guias que foram feitos.
Audiodescrição [AD]: Ignacio Calderón fala para a câmera em uma área verde.
Ignacio Calderón:— Foram construídos diversos guias: um guia para construir políticas públicas; um guia que foi feito pelos estudantes, dirigido a outros estudantes, para que eles e elas mesmas construam suas próprias escolas. Ou seja, não precisam esperar que o corpo docente o faça, mas sim que eles e elas se coloquem a trabalhar na construção dessas escolas inclusivas.
Audiodescrição [AD]: Três jovens folheiam uma revista intitulada
Como tornar a escola inclusiva, de
A aventura de Aprender.
Ignacio Calderón:— Hay una guía hecha por familias sobre cómo disentir en las escuelas; una guía de orientadores y orientadoras para construir prácticas orientadoras que sean acordes con la inclusión y con los derechos humanos.
Audiodescripción [AD]: Ignacio Calderón habla a cámara en una zona verde.
Ignacio Calderón:— Y, finalmente, hay otra para que las propias escuelas puedan construir procesos de investigación-acción-participación, que es la otra gran metodología que hemos utilizado.
Audiodescripción [AD]: Reunión oficial entre la ministra de Educación, Pilar Alegría, y el secretario de Estado de Educación, Alejandro Tiana, y dos jóvenes, sentadas frente a ellos. Una de las jóvenes se dirige a ellos.
Jovem:—… tentaram expulsá-lo da escola. E temos um amigo, que se chama Rubén, que foi expulso da escola.
Audiodescrição [AD]: Num espaço ao ar livre, dois jovens dançam ao fundo e um terceiro jovem, em cadeira de rodas, permanece perto de uma mesa em primeiro plano. A seguir, um jovem com uma mochila caminha por uma praça com mesas de restaurantes.
Rótulo: O documentário
Quererla es crearla, dirigido por Cecilia Barriga e que contou com a participação do coletivo, foi projetado no Museu Reina Sofía de Madrid.
Audiodescrição [AD]: Ignacio Calderón fala para a câmara numa zona verde.
Ignacio Calderón:— O documentário 'Quererla es crearla' é um documentário que dirige Cecilia Barriga, uma cineasta chilena com um longo percurso, e emerge de uma história: a história de Rubén Calleja e sua família na luta pelo seu direito à educação inclusiva, que lhe tinha sido violado e que, recentemente, foi reconhecido pela ONU como uma violação do Estado espanhol a um direito humano fundamental de uma criança.
Audiodescrição [AD]: Antón Fontao, numa cena do documentário, falando para a câmara ao lado de outra pessoa.
Ignacio Calderón:— Partindo daí, dessa história, o documentário o que faz é como um espelho de todo o processo investigador iniciado, que tem uma parte biográfica na história de Rubén, mas também nas histórias de outras famílias que contam o que lhes tem acontecido nas escolas, o que não funciona…
Audiodescrição [AD]: Raúl Aguirre em frente a uma jovem que se comunica por gestos. Em seguida, Indira ao lado de um adulto e um jovem que lhe prestam atenção e sorriem. Atrás de Indira, em um ambiente natural, uma jovem faz bolhas de sabão ao lado de uma pessoa adulta que parece sorrir.
Audiodescrição [AD]: Três jovens sentados em um banco de pedra. Os três olham para a câmera. Malena Calderón, participante do documentário Quererla es Crearla, está sentada no centro. À sua esquerda, Alberto Sánchez, também participante.
Malena Calderón:— Gravar este documentário foi muito bom, porque fizemos muitos amigos na Espanha, pudemos falar com a ministra da Educação para consertar as coisas nas escolas, ou pelo menos tentar.
Audiodescrição [AD]: Quatro jovens participantes do documentário conversando animadamente. Entre eles estão Rubén Calleja, Antón Fontao e Malena Calderón. O ambiente é um espaço ao ar livre com muros de pedra. Em seguida, dois jovens sentados em um chão natural. Um deles, pinta ou lê em um tablet. O outro parece estar brincando com a terra.
Malena Calderón:— Nós transmitimos que todo mundo precisa ser incluído nas escolas e que muitas crianças se sentem excluídas porque não estão nas aulas regulares.
Alberto Sánchez:— Foi uma ótima experiência porque me trouxe muitas coisas, entre elas saber que, mesmo que pareça que você está sozinho, não está, porque há pessoas passando pelo mesmo que você. E, bem, serviu tanto para apoiar quanto para ser apoiado pelas pessoas que participaram disso.
Audiodescrição [AD]: O grupo participante na formação CEIP La Parra se reúne, em círculo, em um ambiente natural ou parque. Conversam e trocam ideias.
Alberto Sánchez:— Com o documentário, o que queremos pedir é que todo mundo seja incluído, sem dividi-los por conhecimentos, capacidades ou o que for. Que as mentes e os corações dos professores e alunos, etc., se abram. Todo mundo, enfim.
Audiodescrição [AD]: O grupo entra na escola e percorre os seus espaços naturais para se dirigir à sala de aula. Atrás deles, um autocarro azul.
[Música]
Audiodescrição [AD]: Carmen Moreno fala para a câmara.
Carmen Moreno:— Todo o trabalho que está a ser desenvolvido em 'Quererla es crearla', como por exemplo o documentário ou os diferentes guias e ferramentas que foram elaborados, é uma janela aberta para a sociedade para que, aquelas pessoas que se sentem identificadas ou querem começar a trabalhar nas suas escolas por uma escola inclusiva, tenham materiais disponíveis. Possam transformar essas escolas.
Audiodescrição [AD]: Várias pessoas do grupo param e exploram um ambiente natural com cactos.
Audiodescrição [AD]: Teresa Rascón fala para a câmera em uma área verde.
Teresa Rascón (v.o.):— Nós continuamos encontrando certas resistências dentro da instituição escolar que impedem que determinadas ações possam ser compartilhadas, e não fiquem no âmbito de uma sala de aula ou de um professor. Que a sorte de um estudante não esteja nas mãos de um professor, mas que seja responsabilidade de um centro.
Audiodescrição [AD]: Teresa Rascón conversa com uma das integrantes do Quererla es crearla.
Audiodescrição [AD]: Quatro integrantes conversam entre si em um ambiente natural com cactos.
Audiodescrição [AD]: Malena Calderón fala com outra integrante em um espaço natural.
Audiodescrição [AD]: Ignacio Calderón fala com um jovem integrante em um ambiente natural.
Audiodescrição [AD]: Diana Farzaneh fala com uma integrante em um ambiente natural.
Teresa Rascón (v.o.):— É necessária mais conscientização social. Nós trabalhamos com famílias que já tinham uma trajetória ativista, e é preciso conscientizar outro âmbito da sociedade que não tem essa trajetória.
Audiodescrição [AD]: Diana Farzaneh fala para a câmara numa sala de aula do CEIP La Parra.
Diana Farzaneh:— Precisamos de construir uma comunidade onde as pessoas se necessitem, se ajudem, se queiram… como são. E isso não pode ser feito apenas por um coletivo, mas temos de estar todas juntas: têm de estar o corpo docente, os estudantes, as associações, a câmara municipal. É algo que temos de fazer todas, fundamentalmente acreditando que é possível. Aqui a utopia… Precisamos de recuperar utopias. Precisamos de acreditar que é possível neste mundo tão catastrófico, onde parece que já não há nada a fazer. O mundo destrói-se, autodestrói-se, e não podemos fazer nada.
Audiodescrição [AD]: Raúl Aguirre tira fotos num ambiente natural. Olha para a câmara.
Audiodescrição [AD]:Um grupo de jovens espreita por uma varanda, observando o ambiente e os carros a circular. Entre eles, está Antón Fontao.
Diana Farzaneh:—Precisamos recuperar a consciência de que é possível, porque somos nós que construímos a realidade que temos e podemos melhorá-la. E querer é criar.
[Música]
Audiodescrição [AD]: O grupo de pessoas integrantes de Quererla es Crearla compartilham risadas, cumplicidade e abraços em um ambiente aberto.
Créditos:
Roteiro de Juanjo Zayas.
Montagem de José Antonio Galiano
Imagem de Macarena Texeira.