Cartaz de 'Conversas sobre a escola (inclusiva)' para refletir e dialogar sobre a realidade e os futuros desejáveis da educação. Ao fundo, um grupo de pessoas caminha por uma passarela de madeira em um espaço aberto campestre. É entardecer e a luz do sol é tênue. Sobre a imagem, o logo da Universidade de Málaga. Fotografia de Paula Verde.

Conversas entre estudantes, famílias, profissionais, equipas diretivas, investigadores e responsáveis políticos sobre as escolas que temos e como torná-las para todas as pessoas

Durante as terças-feiras de maio e junho de 2020, foram realizadas uma série de Conversas sobre a escola (inclusiva) compartilhadas nas redes a partir da página Educação, diversidade e desigualdade no Facebook ou na lista de reprodução Conversas sobre a escola (inclusiva) do perfil do YouTube de Ignacio Calderón Almendros.

Estas conversas pretendiam ser um espaço para pensar publicamente sobre a realidade que vivemos em nossas escolas e para projetar a escola que desejamos. As sessões foram gravadas e divulgadas nas redes, ao mesmo tempo que usadas para fins de pesquisa pedagógica. Mais de 200 pessoas se inscreveram nas conversas; por isso, os encontros foram divididos operacionalmente por coletivos. Primeiro, as famílias; depois, estudantes, profissionais da educação, pesquisadores/as, equipes diretivas e representantes dos principais partidos políticos no Parlamento. Embora os encontros tenham sido organizados por coletivos, a ideia era que todas as pessoas inscritas assistissem aos demais debates, e convidou-se a cidadania a acompanhá-los e comentá-los nas redes. O exercício de escuta foi essencial para todo o processo.

Como fruto de tudo isso, ficam para a reflexão e análise as sessões gravadas, que já estão sendo usadas para processos de formação de professores/as, com dezenas de milhares de visualizações. Por outro lado, desses encontros nasce um documento que pretende ser útil para o debate parlamentar do Projeto de Lei Educativa na Espanha de 2020. O texto, de download gratuito, é Análisis y propuestas para una nueva Ley Educativa. Conversaciones de la ciudadanía sobre la escuela inclusiva (Octaedro, 2020).

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    Experiências de famílias nas escolas. Entre querer e poder

    N.C.:— Bueno, muchas gracias a todos por compartir sus experiencias y reflexiones. Me gustaría comenzar enfocándonos en cómo podemos mejorar la experiencia escolar de nuestras familias y nuestros hijos. Es importante recordar que estamos aquí para buscar soluciones y aprender unos de otros. La participación de cada uno es crucial para entender mejor nuestras realidades y cómo podemos apoyarnos mutuamente en este proceso. «Entre querer y poder». No sé si os despierta algo este título, si puede servir como disparador de la sesión de hoy. Tenéis la palabra. Bueno, ¿quién se anima? ¿Quién comienza? Carmen. Carmen:— A ver, he estado reflexionando esta mañana sobre la función de la escuela y he llegado a la conclusión de que tiene dos: educar y socializar, que los niños convivan. Pero hay muchas niñas y muchos niños que no alcanzan ninguno de estos dos objetivos. No se educan, no socializan, no conviven porque no tienen amigos. Entonces, mi pregunta es: ¿para qué van a la escuela? Esta pregunta me la hago yo día sí, día también, sobre todo en los últimos tres años. Rebeca:— Soy Rebeca, de São Paulo, Brasil, profesora de crianza de 4 y 5 años y madre de una niña de 2 años que comenzó la escuela en febrero. Dio un mes de clase antes del coronavirus y fue muy bien recibida. Es una niña con discapacidad. Tengo diez años de experiencia como maestra y esta es mi primera experiencia como madre. Cuando llegué allí, quisieron saber mi historia y todo sobre ella. Hablaron mucho sobre el respeto a las diferencias, que giraba en torno al respeto. Recuerdo que le pregunté a la profesora sobre este paso que a mí me preocupaba, quizás un poco más, y me hace pensar en cómo vamos más allá del respeto. Pero estamos juntos, cada uno en su mundo. Quiero que sea querida, claro, tiene amigos y también quiero que aprenda y conviva con todas las posibilidades de esa convivencia para lograr el respeto. N.C.:— Muchas gracias, Rebeca. Mari Carmen. Mari Carmen:— Boa tarde. Depois de ouvir a Carmen, tenho que dizer que concordo muito com ela, talvez porque também estou a vivenciar a escolarização de uma criança “especial” no secundário. Acho que o maior problema que nós, famílias, temos, e eu sou professora, é a administração. A administração encobre e protege o que, por exemplo, a Carmen mencionou. Essa falta de rácio, esse currículo e essa seleção de pessoal. Pela minha experiência, posso dizer que os rácios são enormes e que é impossível atender, por exemplo, no Ensino Secundário, 25 estudantes e ter grupos diferentes dentro desses estudantes. O corpo docente ampara-se no facto de ter de cumprir objetivos e, se a criança não cumpre, é reprovada e pronto. Não param para pensar em como se pode ajudar. E a única ajuda que temos seriam as equipas de orientação com os recursos disponíveis, que em vez de nos darem uma mão, o que nos dizem dia após dia são as dificuldades que existem, em vez de ajudar. Então, o que ouvi da Carmen, senti-me totalmente identificada, porque quando decides que o teu filho permaneça no ensino regular é isso. Chocas e tentam demonstrar que não tens razão. Que o teu filho não tem por que estar ali, que não te estás a aperceber. E quando te levantas e tentas demonstrá-lo, porque realmente levas as tuas justificações, vais às reuniões, tomas nota e apercebes-te de que, talvez, quando se diz que um grupo está mal, não é só o teu filho, é o grupo em geral. Então, concordo com a Carmen em que está a falhar, sobretudo, o sistema. Mas também se deve ter em conta que a administração, de certa maneira, ampara o seu corpo docente e defende-o. Entendo que talvez não vão dizer: “Olha, não temos esse pessoal. Não está preparado”, mas dia após dia apercebes-te de que no ensino primário uma criança pode ser mantida. Uma criança que apresenta uma forma diferente de aprendizagem pode ser mantida, até lhe podes tentar que a socialização, que é outra das coisas que a Carmen mencionou, se concretize. No entanto, quando chegas ao Ensino Secundário, deixas o teu filho ali praticamente sozinho. E é a luta, e é o sentimento que, como mãe, sentes todos os dias que realmente vale a pena. Eu acho que sim, que vale a pena, que nós, como família, continuemos a lutar para os que vêm atrás. N:C:— Muito obrigada, Mari Carmen. Rocío Rocío:— Bom, eu sou a Rocío e tenho um filho que este ano está na educação infantil, com 3 anos. Ele tem uma doença rara e começou a escola. Nós, desde antes de o menino ir para a escola, já nos deparamos com barreiras, porque, devido ao seu diagnóstico, antes mesmo de o orientador vê-lo e de fazerem o parecer de escolarização, a professora que lhe iria calhar disse-me que ela não estava preparada, que não se sentia capaz de ter o meu filho na aula e que o melhor que podia fazer era levá-lo para outra escola onde há uma sala específica e que o colocasse na sala específica. Então, eu, como mãe, fico surpreendida que nem sequer chegassem a conhecer o meu filho e que já tivessem um percurso traçado para ele. Acho muito forte que, sem saber se o menino tem ou não capacidades, o encaminhem diretamente e pronto. Claro que não me conformei, lutei por isso, e o menino está na escola do irmão onde tem de estar e na sala de aula regular. Uma sala de aula regular que, segundo o parecer, deveria ter sido feita com apoio, e lutámos para que tenha os apoios, e tem-nos. Mas que, mesmo assim, continuam a ter-lhe o caminho marcado no sentido de que sim, está na sala regular, mas não lhe dão todos os conteúdos, não adaptam os conteúdos e ele tem três anos. Então, parece-me que o sistema está feito de uma forma que, como já tens um parecer, como já tens uma deficiência, já tens um percurso traçado e não vais sair daí. E, como mãe, o facto de não quererem entender e apostar no teu filho parece-me muito forte. O sistema, certamente, não está bem e a escolarização não está bem e isto teria de ser mudado porque, realmente, o facto de os professores se poderem escudar na falta de recursos, na falta de formação… bom, pois eu no meu trabalho tive de me atualizar e agora, na quarentena, eles tiveram de organizar o seu trabalho e fazê-lo de forma diferente para fazer face ao que estamos a viver e, no entanto, com os nossos filhos nem sequer o consideram. Eles diretamente têm isto traçado, que eu entendo que será o que lhes dizem que têm de fazer, mas que, mesmo assim, para o indivíduo não é justo. A respeito do que a Carmen disse sobre porque tem de ser numa sala regular, eu nem sequer o considero de outra maneira, porque o que penso é que, se as crianças não convivem com outras crianças, tanto o meu para aprender como para os outros para que conheçam a diversidade, é que, se estamos sempre a segregar e a deixar de lado, a sociedade nunca será inclusiva e nunca… o problema cada vez será maior de segregação. Então, onde para a exclusão? Desde a escola, desde pequeno. O que não me parece é que, desde os 3 anos, nos estejam a colocar os entraves que nos estão a colocar. Que uma criança de 3 anos (neurotípica) não saiba fazer as coisas, e não acontece nada, e que, no entanto, ao meu filho estejam sempre a justificar “é que como ele não sabe fazer as coisas”, “como ele não vai aprender”, “como ele não vai fazer”… e tu o que sabes se ele não vai fazer, tu como sabes se ele não vai aprender. Isso parece-me totalmente injusto. Por isso, digo, o sistema não está bem e, efetivamente, há que lutar por ele e é verdade que também os apoios, os que deveriam estar aí para nos dar uma mão, não o estão a fazer e estamos sozinhos nesta luta. E o mais importante de tudo é que, se não fizermos algo para mudar, os que vêm atrás terão o mesmo problema. E o que não pode ser é que não se avance, que não se mude, que não se faça algo que realmente funcione para todos, não só para alguns. Porque depois as crianças que estão bem, pois claro, avançam e tudo está bem e não há problema, mas os que têm alguma dificuldade, esses vão ficando para trás, e isso não pode ser, não é justo. N.C.:— Estas reflexiones y experiencias compartidas durante la reunión resaltan las dificultades sistémicas y administrativas que enfrentan tanto padres como maestros en el ámbito de la educación inclusiva, revelando una necesidad crítica de reforma y apoyo.Estela:—Buenas tardes. Soy Estela. Para quien no me conozca, soy madre de un chaval que ya tiene 21 años cumplidos este año. Luego, tengo la situación de que mi hijo ya acaba con el sistema educativo, y, bueno, pues tengo, por un lado, que decir que, tristemente, me alegro de haber acabado con la etapa educativa porque me han hecho sudar sangre y llorar sangre. Y hace tiempo que dejé el sistema educativo como algo perdido. Hace tiempo que nos dejamos llevar cuesta abajo por el sistema porque sabíamos que no había forma de que le aportara nada la educación a Víctor. Que Víctor iba a aprender fuera del sistema educativo. Que, como todo el mundo, pues, se aprende con la actividad, con la experiencia, pero en él, pues, todavía más. Y como él todavía no ha conseguido ni aprender ni a leer ni a escribir, pues el sistema corriente de fichas para él no supone nada. Además, es que han seguido, como en Primaria, con los colores, las caritas tristes y alegres. Toda la vida, toda la vida. Cosas que ha visto que ya le aburren. Ya no sabe cómo decir que sabe distinguir entre el rojo y el verde. [Risas] Que por qué tienen que estar constantemente con esa prueba si sabe lo que es el color. Y, que, además, todos reconocen que Víctor sabe más de lo que aparente, solo que no lo puede expresar en una ficha ni hablarlo. Y, bueno, pues ahora empezaremos a navegar por otro desierto que es el del empleo, que para él no existe, y del que tendremos que buscar otras formas. El sistema educativo para él, para formarlo, para el empleo, no existe. Para los demás sí, para los nuestros no. No nos podemos quedar solo en la escuela. Porque una vida independiente, una vida adulta e independiente, sin meternos por la vía de la segregación que lleva a la residencia, algo que estamos viendo con el coronavirus, a los centros ocupacionales, centros de día y a esa segunda vía muerta. Si queremos que vivan y que sean adultos con una vida independiente, con un proyecto de vida, tendremos que mirar no solo el tema curricular, académico, y que lo superen. Porque el sistema educativo es como una cordillera de montaña. Unos pueden ir de montaña a montaña, pero otros terminan cruzándola y punto. Y lo que te encuentras detrás de esa cordillera de montaña es un desierto que te toca pelear por la accesibilidad, por muchas otras cosas y muchos apoyos que le den una vida independiente. N.C.:—Muchas gracias, Estela. Eduardo.Eduardo:— Hola, ¿qué tal? Somos Janet, mi esposa, y Eduardo, de México. Yo quiero partir diciendo que, en México, por lo que escucho puede ser así también en España y en otros países, la educación está fundada en ser competitivo académicamente. Que seas bueno en matemáticas, que seas bueno en física, que seas bueno en inglés, que seas bilingüe es superimportante. En los colegios compiten por eso. Tratan de ser los mejores colegios para eso. Los padres buscamos un colegio que tenga eso para nuestros hijos. Entonces, pensando que los colegios no piensan en educar en más habilidades para la vida más social. A ser mejores, socialmente, cívicamente, etc. No es tan relevante una educación inclusiva, no, nada más al colegio. Aunque quisieran, los papás no buscan específicamente eso. Pues partiendo de eso, es muy difícil que un colegio les dé los recursos y se enfoque en las necesidades de todos los niños.   Por ahí, mencionaron que cuando no eres tan bueno en matemáticas, es probable que salgas. No estás hablando de un niño con discapacidad. Estás hablando de un niño al que le cuesta más las matemáticas o que le cuesta más la historia y que, probablemente, salga del colegio porque no es lo suficientemente bueno para el colegio. Ahora, imagínense qué puede pasar en una escuela donde hay un problema de inclusión o de integración, en donde hay niños con discapacidad. Pues los papás de otros niños podrían quejarse, y de hecho a nosotros nos pasó. Podrían quejarse porque la maestra le ponga más atención a un niño que necesita más apoyo que cualquiera que sea su situación, y no al grupo general para hacerlo competitivo. Para que sea totalmente bilingüe. Entonces, para mí, la base es la que está del principio mal. Creo que tendríamos que hacer la tarea más en el sentido de cómo cambiamos la percepción y cómo cambiamos la realidad, también de lo que es una inclusión en la sociedad, en las familias, en la vida de todos los días de todos los niños, incluido los colegios. Para mí tendría que ser desde ahí. Eso daría más puerta a que no hubiera tanta resistencia a ese cambio. Nosotros ya con esa base hemos tenido a nuestra hija, Constanza, que tiene 13 años y ahora pasa a Secundaria, en dos colegios diferentes. Uno con tal intención y cariño de tenerla, pero con pocos recursos y disponibilidad para realmente responder a sus necesidades. Entre querer y poder, justamente. Entre querer hacer las cosas con mucha voluntad y decir: “sí, queremos tener con nosotros a Constanza, tráigala, la estamos esperando hace 20 años en el colegio, etc.” y, por otro lado, decirnos: “no puede trabajar sin sombra. Ella va a tener que tener sombra en este colegio siempre que ella esté, porque nosotros no tenemos el recurso. No estamos preparados y no podemos, no podemos dedicarle el tiempo”. En alguna ocasión, la terapeuta que nosotros hemos proporcionado le decía «Bueno, podría ser que la mis le dedicara 5 min o 10 min (la titular) a Constanza para poderle explicar y poder dedicar un tiempo de más para que ella se sintiera mucho más integrada, mucho más incluida en el grupo». Ya. No lo podemos, porque las mamás se van a quejar porque estamos descuidando a sus hijas. Entonces, al final, la cambiamos y encontramos un colegio que, desde mi punto de vista, para mí es la mejor opción de un colegio de integración. No encontramos un colegio realmente inclusivo, pero es la mejor propuesta, en México, de un colegio de integración, donde hay grupos técnicos, que es el grupo para niños que tienen alguna necesidad adicional, y también hay grupo regular. Dependiendo de las capacidades de cada niño, él está en su grupo regular un alto porcentaje del día, o no. Dependiendo de cómo vaya integrándose, cómo sea su comportamiento, su aprendizaje…, un montón de cosas. Digamos que el complemento es muy bueno. Las mises del grupo técnico o las maestras del grupo técnico son buenísimas. Están muy capacitadas. Hacen una adaptación en la currícula impresionante. Realmente aprenden. Avanzan al nivel de cada uno. Es muy personalizado. Son excelentes. Las mises del grupo regular están familiarizadas, que es totalmente distinto. Eso no quiero decir que estén necesariamente lo más capacitadas, pero están muy familiarizadas con los niños, con el sistema, y cuando detectan una necesidad, lo hablan con la mis del grupo técnico. Luego, nosotros estamos bien, pero sí creo que la base para mí es mucho más abajo. Es más de educación y de formación. I.C.:—Muito obrigada, muito obrigada aos dois.Patricia:—Me apresento. Sou Patricia, de Buenos Aires, Argentina, e tenho 3 filhos. A mais velha tem 37 anos e tem síndrome de Down. Eu posso falar da minha experiência, não vou falar da experiência da minha filha, porque entre querer e poder, há 30 anos, não faz mais sentido.   Claro que faz sentido, continua fazendo sentido. Continua... De fato, eu acho que, em boa medida, as famílias jovens precisam conhecer o nosso percurso e saber quais foram as lutas. Claro. Eu sou membro fundadora da Associação Síndrome de Down da República Argentina (ASDRA), e quando comecei com a integração, naquele momento não se falava da inclusão da Sabrina. Entre o querer e o poder, eu era uma militante da causa sem saber, e então, percebo que entre esse querer do momento e o que eu podia, se pode menos agora. Estou falando da capital e província de Buenos Aires, porque a Argentina é muito grande e a experiência de cada um é de cada um. Naquele momento, Sabrina ia a um jardim de infância e ninguém me pediu nada. Ou seja, o da professora de apoio, ou como aqui lhe chamam, professora integradora, nunca me pediram numa sala. Sabrina começou numa sala depois de ser operada do coração aos 3 anos. Nunca me pediram. Só coloquei no pré-escolar o que naquele momento chamavam os americanos, até que depois li López Melero, o que se chamava um Peer Tutoring pedagógico. Fui a primeira a fazer pré-escolar com um par pedagógico, mas porque fui eu que coloquei, porque li e coloquei. Conclusão, que acabo ajudando outras crianças no pré-escolar que precisavam como Sabrina. No entanto, quando começou o Ensino Fundamental foi um pouco o que conta o senhor do México [Eduardo]: era uma escola que tinha um projeto com um grupo onde iam aprender especialmente bem e onde às vezes se colocava no primeiro ano. Ou seja, era a Educação Especial dentro de uma escola convencional, e ainda por cima funcionava mal. Então, Sabrina, como tinha uma patologia associada visual, que naquele momento não sabíamos como gerenciar, porque descobrimos o que tinha aos 15 anos, acho que nos tiram. Tem muita razão, Carmen Saavedra, a mãe que ouvi. Lamento o de Estela, eu também vivi. Tiraram a minha filha da escola, mas na verdade tiraram a mim. Expulsam-nos a nós, as mães, que somos as loucas, porque o sistema não tolera que nós marquemos, que não estejamos enviando um diagnóstico para a escola. Estamos enviando os nossos filhos. Não queremos que os diagnostiquem nem que os avaliem, queremos que os ensinem e que não nos digam que não estão preparados, porque para isso são docentes, e o docente tem que estar preparado para tudo, e se não gosta que estude outra coisa. O problema que temos na Argentina, em geral, é que a carreira docente não é universitária. Você aqui termina o bacharelado, inscreve-se em magistério, faz 2 anos, o 3º faz estágio, e aí aparece o formado em professor. Ou seja, professores homens quase não há, a maioria são professoras. Nunca se vai conseguir porque não há uma política pública que seja parte da Universidade de Buenos Aires, da UBA. Uma carreira, assim como a tecnicatura em paisagismo, é uma carreira universitária de 3 anos, em magistério não. Eu não digo que com isso funcionaria melhor, digo que funcionaria muito melhor porque se teria que mudar o currículo e os professores sairiam docentes para todos os estudantes, sabendo o que é um desenho universal de aprendizagem, e não estariam usando a sempre e tão aumentada muleta de “eu não estou preparada para isto”. Nós, as mães, também não estamos preparadas para isto. Eu me tornei uma técnica disto e teria que ter me dedicado a ser mãe, nada mais. Então, não, não me parece que as professoras digam que não estão preparadas para isto. A escola é o microcosmo do que se vê na sociedade. Ou seja, replica-se na escola. Por isso existe o bullying e tudo o que apareceu. Replica-se na escola o mesmo que vai acontecer lá fora. Se não conseguirmos que a escola seja uma mini sociedade onde se saiba que a diversidade nos enriquece a todos e aprendamos todos juntos, deixemos de usar como coto de poder a Escola Especial, que é um negócio para muitos. Porque aqui, quem vai incluído numa escola, Nacho, não sei os demais o que opinarão, não vai a escolas públicas, vai a escolas privadas. Pagam eles mesmos o consultório ou o plano de saúde, o psicopedagogo, a professora integradora… Não há escola pública que diga que sim. Eu o que vejo é que na Espanha, pelo que comentam, se queixam pelo mau funcionamento do filho na escola. Aqui não te aceitam, dizem que não em 20 milhões de escolas antes que encontres uma que te diga que sim. Além disso, os pais que não estão preparados, não colocam o que querem da inclusão do seu filho. Então, a escola tenta fazer entrar redondinhos em quadradinhos e, quando o redondinho não entra no quadradinho, em nome da inclusão e do diagnóstico dessa pessoa, mostram-lhe a porta de saída. Geralmente, estão na sala de 3 anos, já pedem uma professora integradora ou professora de apoio. Quatro anos, pré-escolar, no primeiro ano e no segundo. Quando a currícula faz, se afasta da aprendizagem da pessoa com inclusão, tiram-na ou convidam-na a ir embora e dizem que ela tem que ir para uma Escola Especial. Por outro lado, convencem os pais, contra a Convenção e o Artigo 24, de que a melhor opção para os seus filhos é a Escola Especial. E quem os convence são os que trabalham e donos da Educação Especial privada, porque vivem disso. É um negócio redondo. Porque a educação pública teria que passar para a educação pública especial. Teria que trabalhar dentro da pública comum e trabalhar juntas. Ninguém diz que desapareçam, e não haveria problema. Isso aconteceria em políticas públicas, mas quando se trata de um negócio de muitos, de Educação Privada, então não, não querem. Bom, esse é o problema que vejo aqui. E depois estão também em nós os pais… I.C.:—María Patricia [risas], já…Patricia:—Sim, já, bom.N.C.:—Já, já, porque, entre outras coisas, eu acho que vão te aclamar. Você não está vendo o chat, mas ele está… queimando. «María Patricia para presidente», nossa. [Risas] Para presidente da ONU, pelo menos.Patricia:—Eu não li nada [risas]. Eu não li nada, mas achei que iam me linchar. Eu não estava lendo nada, mas gente, não reclamem, porque aqui nos dizem que não o tempo todo. E se me perguntam, agora estamos pior agora do que antes. [Risas] Ou seja, a sociedade involuiu. É verdade o que Carmen disse, com a quarentena acho que muitos garotos estão vivendo e aprendendo coisas em casa que não aprenderam na escola. Eu era feliz na escola, mas não por causa da escola. I.C.:— Muchas gracias, María Patricia. Tiene la palabra la familia Esteima. Merce:— Hola, soy Merce. Dar la felicitación a todas las que ya habéis hablado, pero, Patricia, la verdad es que nos ha hecho el subidón de la tarde. Felicitaciones, mucho, ya está, sí. Bueno, yo solo quería hacer un pequeño comentario con respecto a lo que decía Eduardo antes y, con todos mis respetos. Si es cierto y estoy de acuerdo en que hay que pensar un poco desde la base, aunque con términos sencillitos. Perdóname, Nacho, porque voy a coger un poco tus palabras y rescatar los discursos de las familias, de las mamás. A lo mejor no tanta formación, a lo mejor no es tan importante la ratio, a lo mejor es más importante, pues, no sé, la confianza, el cariño, el amor, el querer a tus alumnos, a todos y cada uno de ellos y de ellas. El querer enseñarles, el querer que aprendan. Entonces, simplemente decir que veo que la integración no forma mucho parte de la solución, desde mi punto de vista, porque no deja de ser también tipificar o categorizar o segregar, aunque sea en el mismo espacio, a las personas. Con etiquetas. Entonces, yo creo que el cambio poco a poco va a estar, y Carmen lo decía muy bien, porque los chavales avanzan estando en casa, a pesar de que los papás y las mamás no son especialistas, ¿verdad? Pero avanzan porque los quieren, porque creen en ellos, porque confían en ellos, porque tienen ilusión… Bueno, pienso que las cosillas tienen que ir por ahí, ¿sí? I.C.:— Gracias. Abrazos a Isa. Tiene la palabra María Emilia. María Emilia:— Olá a todos. A verdade é que é um prazer ouvir todos vocês. Isso me gera um monte de emoções mistas ouvir mães com experiências tão díspares. Nós somos da Argentina, da província de Buenos Aires, de uma cidadezinha muito pequena de 12.000 habitantes, General Madrid. Temos três filhos. Nossa filha Clara, de 9 anos, tem síndrome de Down. Depois, temos Martín, de 6, e Manuel, de 2. Nossa experiência como família, como pais da Clara e sendo nossa primeira filha, com tudo o que isso implica, tem sido absolutamente favorável com a escola e, em geral, também nossa situação, e por isso ressalto que somos de uma comunidade pequena. Clara sempre foi a Clara, com tudo o que isso implica, além do diagnóstico. Sempre esperaram para conhecê-la para fazer uma proposta. É o que muitas mães falam: o mais importante em uma trajetória educacional na vida tem a ver com o respeito, com o amor, com o entendimento da diversidade em todas as suas facetas, e em valorizá-las para que nossos filhos estejam nos lugares que precisam estar, que são os mesmos lugares que os outros, com os apoios que precisam, como qualquer outra criança. Claramente, a educação funciona através do currículo e através de objetivos e padrões, mas a realidade é que cada uma das crianças que ocupam uma sala de aula são diferentes, e se queremos pensar que sua trajetória seja o mais enriquecedora possível, temos que esquecer um diagnóstico. Nossa experiência é que Clara, desde seus 2 anos, tem passado pela escola comum, jardim de infância, escola primária, sempre com projetos de inclusão da escola de Educação Especial de nossa comunidade. De fato, também sofremos mudanças, mas sempre apostamos na escola comum. Como família, confiamos na escola pública e na escola de nível. Acreditamos que é aí que a Clara tem que estar, porque, como outras mães diziam, a diversidade só se aprende se todos estamos na escola, sim? E a verdade é que nossa experiência é muito favorável porque sempre conheceram a Clara, a respeitaram, planejaram os projetos e os acompanhamentos conhecendo-nos como família. Acho que algo a destacar é que o papel das famílias é absolutamente fundamental na trajetória de nossos filhos, o compromisso é que sejamos ouvidos, que façamos parte do planejamento, tanto quanto nossos terapeutas externos. Acredito que a família, e concordo que agora estamos todos em casa, nossos filhos estão avançando e aprendendo muito, porque a família somos nós que mais os conhecemos e quem, a partir do amor, confiamos e acreditamos que não têm teto, que ninguém tem um teto. Então, acho que esse acompanhamento na escola tem que ser fundamental. O das famílias. E a escola tem que poder ouvir as famílias e as crianças como principais protagonistas. I.C.:— Muito obrigada, María Emilia. Tem a palavra agora Inma. Inma:— Olá, como vai? Vou me apresentar um pouco, porque, na verdade, é a primeira vez que me encontro nesta situação e não conheço ninguém. Pelo que vejo, fala-se muito de deficiências, vamos chamá-las assim, mas sempre com problemas de aprendizagem ou de alcançar os objetivos. Eu tenho um filho. Nasce com uma malformação congênita. E me identifiquei muito com a Rocío quando ela disse que, desde o início, já existem barreiras. Comigo aconteceu exatamente o mesmo. Desde que fui matriculá-lo, já me deparei com a secretária da escola me rejeitando com o relatório médico. Ela não queria saber nada de relatórios médicos. Bem, a gente vai apresentando o filho, porque, além disso, meu filho tem uma malformação congênita um pouco particular do ponto de vista social. Meu filho tem três anos retais, tem uma reconstrução anal, tem a espinha bífida oculta. Anda. Aparentemente, é uma criança normal e comum, mas não, não é. Ele tem problemas de funcionalidade com o controle do esfíncter, com o que isso acarreta na escola. Ele não tem problemas cognitivos. É verdade que é uma criança que, a nível intelectual, tem capacidades, mas, claro, ter capacidades intelectuais não te dá para alcançar os objetivos tão facilmente quando você tem outras dificuldades adicionais. O que acontece? Que ao meu filho foi feito um parecer de escolarização que foi… bem, não vou entrar em detalhes. Mas, enfim, para mim. Eu preparei tudo isso [risas] para não perder tempo e ser clara, e para que me ouçam bem, porque acho que é importante dar visibilidade e nos empoderar. Acho que é superimportante que usemos muito essa palavra, ok? Porque a escola não empodera. Acho que temos que começar um pouco por aí, além da inclusão, que a inclusão acarreta o empoderamento dessas crianças. E de suas famílias, claro. Portanto, a escolarização do meu filho começa com uma rejeição, uma exclusão e uma desorientação total, porque quando você diz que meu filho tem problemas renais, ninguém sabe do que você está falando. E como ninguém sabe, em vez de se informar, todos os profissionais de orientação, equipes de direção, coordenador pedagógico… ninguém se informa e ninguém te escuta. A primeira coisa que fazem é te dizer «ah, o que é isso? Não temos ideia. Fora daqui, porque isso vai nos criar um problema, um esforço extra de trabalho e de tudo». Eu acho que no primeiro ano, meu filho, como todas as crianças, tem que passar por um controle do esfíncter, mas meu filho tem um atraso no controle do esfíncter, porque, embora ele não usasse bolsas de colostomia nem fraldas, ele começa a usar o esfíncter aos 10 meses de vida. Portanto, ele estava 10 meses atrasado em relação às outras crianças, se formos do ponto de vista numérico ou de tempo. O que acontece é que o esforço que fizemos em casa, inclusive os profissionais de saúde, os médicos, para que a criança chegasse a isso, como eu disse, não se encaixa no «os redondinhos nos quadrados». Tínhamos feito um esforço imenso; a criança, a primeira. Tínhamos conseguido muitas conquistas, mas quando chega ao infantil de 3 anos, meu filho requer materiais, como roupas e atenção. O que acontece? Que eles interpretam, a escola interpreta, que a mãe o que quer é não atender a criança quando ela faz cocô ou xixi. Porque é assim, porque uma criança, quando entra com 3 anos na escola, não pode fazer cocô ou xixi na roupa. Ela tem que ser superautônoma e independente no banheiro. Banheiros comunitários que não são vigiados, que ficam fora das salas de aula e aos quais ninguém as acompanha. O que acontece? Que, dentro do parecer de escolarização, a pessoa de apoio trata meu filho como uma troca de fralda. Ao meu filho não tinha que tratar como uma troca de fralda. Tinha que dar um reforço do uso do banheiro e de uma aprendizagem do banheiro, mas não trocar a fralda. Levava-o a uma sala separada, onde não havia vaso sanitário, subia até lá em cima e trocava uma fralda que não tinha. Depois, isso criava uma informação errônea em uma aprendizagem para a qual é sumamente importante que seja feita corretamente. Eu estava vendo isso no meu filho. Meu filho saía zangado da escola, não queria ver a monitora de apoio. Embora eu falasse com ela, ela não ia mudar seu procedimento porque, além disso, havia uma menina com atraso madurativo e unificaram meu filho ali. Eu estava vendo, e como todo mundo sabe, as mães percebem e sofrem de perto. Via que meu filho não estava bem e, automaticamente, renunciei à monitora de apoio. Me dizem que renunciei à monitora de apoio, parecer que não serve para nada. Bem, isso dizem eles. A tutora daquele ano —evidentemente, meu filho todos os dias saía e entrava com sua mochila, roupas e o necessário para sua troca— tinha que levá-lo e trazê-lo diariamente, porque em sua turma não havia lugar para 'isso'. Colocava-o em uma mesa bem perto da porta. Me entregava pegado com dois dedos. Me dizia as coisas da criança. Isso já é exclusão total. No ano seguinte, e durante os dois anos que restavam do infantil, entra outra tutora, que foca tudo, normaliza tudo, aceita que a criança tem um uso do banheiro e um controle do esfíncter diferente, e que se você respeita como ele faz, se normaliza, que é o objetivo. Eles fazem de maneira diferente, mas se você aceita, não muda, não modifica, a conduta se normaliza. Estivemos dois anos muito bem, onde tudo foi muito bem compreendido. Ela chamou a família, escutou a família, o que não entendeu, perguntou e respeitou, que é o mais importante, todos os procedimentos. Tudo correu muito bem, eu relaxei, a criança relaxou, a experiência foi muito positiva. Como a criança alcançava os objetivos curriculares muito bem, inclusive a um nível bastante alto, o parecer foi para fora, zero. Na mudança de etapa, fora o parecer. O que acontece? Que eu me plantejo mudar de escola porque as coisas víamos que não iam bem, mas ao mesmo tempo coincidia com que a irmã também se matriculava. Não me compensaria ter cada criança em um centro, uma bagunça. A família é muito importante, que tenha um pouco de ordem e uma qualidade de vida ordenada, porque de por si ele é uma criança desordenada, a realidade. Então, o que acontece? Que preferimos ficar no mesmo centro, pensando que, como ele se adaptou e tudo ia bem, a mudança de etapa seria melhor, ficando no mesmo centro. Mas, claro, nossa surpresa foi que, de forma alguma. A etapa do Ensino Fundamental foi um fracasso absoluto. É a escola que adoeceu meu filho. Teve sua própria crise sanitária por causa do quão mal as coisas foram feitas lá e, em sua própria crise sanitária, como agora é mundial, vou falar da dele como a sua própria. Eu só pedia o mesmo que estava sendo feito até aquele momento. Eu queria uma escola como a que, agora, se supõe que querem implantar. Se tivessem me escutado, teriam sido uns adiantados, mas como as mães somos umas loucas, claro, não me escutaram. Agora me alegro que isso esteja acontecendo porque isso eu pedi para mim. Meu filho sempre disse desde o EOE que, a partir do momento em que a criança tivesse momentos em que não controlasse as fezes, nem me ocorresse mandá-lo para a escola, proibido ir para a escola. Para meu filho, 1º e 2º ano do Ensino Fundamental, foi bastante duro, porque sua tutora, por não nos escutar, por não ler o histórico escolar da criança, por não falar com sua colega do infantil, decidiu que ela tinha a chave para que meu filho fizesse uso adequado do banheiro. [Le obligaba a] aguentar. Uma criança que não tem capacidade para aguentar nem para controlar o esfíncter. Com o que isso acarretou, meu filho teve que se sujar todo e ficar assim sujo na escola. Assim ninguém aprende, assim não se alcançam objetivos. N.C.:—Inma, você não precisa continuar porque… eu acho que você tem…Inma:—Não, eu quero continuar, vou cortar isso, vou dar o salto.N.C.:—Em qualquer caso, Inma, quem está te ouvindo, não sabemos do seu sofrimento, mas sabemos do sofrimento da tremenda incompreensão que existe nas escolas. Então, não precisa aprofundar aí porque…Inma:—No meu caso, meu filho passou mais tempo em casa do que na escola. Surgiram dificuldades de saúde, evidentemente por todas as atuações realizadas pela escola. Portanto, o menino passava mais tempo em casa, abandonava o dia escolar antes do tempo ou, simplesmente, não comparecia. Chegou um momento em que meu filho me pediu para não ir, e eu não o forcei, sinceramente. Chegou um momento em que vi a prioridade e em casa o menino é onde aprendeu. Tive que ser sua professora, e tive que adaptar tudo. Da escola, como estou dizendo, nada. Vou continuar seguindo meu esquema… N.C.:— Eu acho, Inma, que como você está dizendo, em grande parte você também antecipou o que está acontecendo agora. É o que aconteceu comigo. Agora estão pedindo à escola o que eu pedia. Inma:— É que eu pedi uma escola em casa. Eu pedi que a escola tivesse que sair do espaço físico e tivesse que chegar à minha casa. E que estamos na era da tecnologia. Que era uma pena que houvesse um programa que não sei se é bom ou ruim, desconheço. Mas existe e foi investido nele. Solicitei ao centro que o usasse. Que desse de alta meu filho, particularmente, e que, por favor, o colocasse em funcionamento. Porque eu vivia alheia a uma escola. Pensso que a escola… tenho 44 anos e não mudou, continua sendo a mesma. Então, eu dizia ao meu filho «isso vai por aqui» e meu filho me dizia «não, mamãe, quando eu chegar amanhã não vai ser», «porque você diz, se não veem, não sabem, por aqui». E meu filho saía da escola todos os dias e me dizia, «mamãe, você tinha razão, foi tudo como você disse». Isso não mudou. Vou à ideia principal à qual queremos chegar. N.C.:— Termina logo Inma, há muita gente ainda esperando para participar. Inma:— Ok. Eu quero dizer, com respeito ao currículo, que não é nem bom nem ruim, simplesmente é a programação que há para os professores, porque são programações teóricas e não reais. Quero fazer também um apelo ao princípio de autonomia dos centros. O princípio de autonomia de um centro não é que o diretor do centro tenha autoridade sobre tudo, nem tampouco é que faça o que ele queira. Quero falar do projeto do centro. O projeto do centro deve refletir explicitamente a diversidade de seus estudantes. Ou seja, se tem estudantes com x perfil, tem que aparecer, especificamente, não falar de diversidade de maneira teórica, porque esse direito ou princípio de autonomia dos centros é para que você dê identidade ao seu centro. Portanto, você tem que fazer constar em seu projeto de centro que tem um menino com isso e como você o trabalha, como você quer trabalhar ou como você atua. A família é muito importante. A família não pode ser reduzida a conselho escolar nem AMPA. Claro que não. Outra coisa que não entendo é como a administração… N.C.:—Inma, encerrando já.Inma:—Perdão, a Administração tem que reconhecer se deficiência é igual que necessidade, aluno de necessidade de apoio específico ou não, porque há um grande debate. Meu filho passou o filtro da deficiência porque diziam que não era aluno com necessidade. Mas quando tem a deficiência me dizem que também não me vale. Então a Administração tem que fazer um marco legal onde verdadeiramente deixe claro o que são estas crianças, ou como são estas crianças, ou como serão valoradas, porque o que tem que aceitar e reconhecer. Não as reconhece.N.C.:—Muito obrigada, Inma, pelo seu testemunho.Inma:—Muito obrigada a vocês, a vocês sempre.N.C.:—Gado.Gado:—Boa tarde a todos e…N.C.:—Peço brevidade porque temos pouco tempo. Vamos tentar que todos possamos falar e, depois, se formos capazes de gerar um pouco de debate.Gado:—Eu acho que, recolhendo um pouco de notas de todos os participantes, me identifico com todos. Meu filho tem 14 anos e não posso fazer uma avaliação do ensino secundário porque este ano começou o 1º ano do Ensino Secundário. A ver, escolhemos o caminho da integração. Não sei se chamo integração ou inclusão. Pensamos que não se podia compreender a diversidade, se não se convivia com ela desde a infância. A partir daí, também me identifico com essa militância que surgiu da voz de Carmen Saavedra: o sistema falhou. O sistema educativo precisa, do meu ponto de vista, de uma reforma de raiz para atender às necessidades dos nossos crianças. Tanto das nossas crianças com e sem diversidade. A partir daí, eu não acho que isto seja um caminho de hoje para amanhã. Não quero alongar-me mais, mas sim dizer-vos que o sistema está muito engessado. Pessoas com preparação, pessoas não preparadas, pessoas com medo. E as pessoas não preparadas sim estão motivadas, bem, mas é o que há e não podemos fazer nada, encontrámo-nos com isto muitas vezes. No final, nós decidimos que o importante era a parte emocional mais do que a curricular e que seria o nosso filho quem escolheria o seu espaço. Com isto, sim. N.C.:— No te puedo hacer ahora una pregunta porque hay más turno de palabra. Pero, me quedo con una duda… ¿Cómo se vincula uno a una cosa y se aparta de la otra? ¿Cómo se vincula a lo emocional y no a lo curricular? Gado:— Yo pienso que todo va unido, Nacho, porque la motivación para mi hijo, ha sido lo más importante para seguir aprendiendo. Y esta motivación, muchas veces, los padres éramos los que teníamos que motivar a los profesionales. Yo pienso que va unido. N.C.:— Muy bien, muchas gracias. María:— Olá, eu sou a María, o Vicens é meu marido. Tenho um menino de 13 anos com uma doença ultrarrara. É um gene A1. Essa doença foi contemplada em 2013, é muito nova. Ficamos sem diagnóstico por muitos anos, mas enfim… Minha trajetória pela escola com meu filho, que tem 13 anos, foi um pouco, enfim…, me identifico muito com a Patrícia, embora estejamos na Espanha. Eu moro em Donosti, Guipúzcoa. Aqui, as escolas, vamos dizer 'especiais', são privadas, conveniadas, e quando você quer um colégio ordinário, pode ser público, embora também conveniado. Então, a trajetória que tenho com a criança é que ele esteve em um colégio especial. Nesse colégio especial, uma das profissionais que via que o menino evoluía, me recomendou que, tal como me via, uma tia que se movia, o transferisse para o colégio ordinário. Inclusive, me disse: “você vai ter muita dificuldade, porque o grupo de orientação vai negar, mas você tem muito caráter e, provavelmente, por esse caráter e pela luta que você tem, provavelmente conseguirá”. Foi assim, negaram. Não queriam fazer nem uma avaliação presencial, mas eu pedi ao grupo de orientação que me dedicaria a fazer uma denúncia se não o admitissem, o que, enfim, fez com que cedessem. O diretor cedeu a fazer uma avaliação presencial do meu filho. Então foi quando ele me disse sim, este menino pode estar em um ordinário. Então, decidimos fazer um compartilhado. Esse compartilhado foi durante três anos pelas capacidades e habilidades sociais do menino; foi feito muito trabalho. Sim, tenho que dizer que fui a impulsora. Que constantemente estou animando os profissionais. —Sou eu que dou as diretrizes. Sou uma mãe, não sou profissional. Com tudo isso, sempre me encontro na situação de buscar constantemente coisas para que o Markel evolua. Me encontro novamente no confinamento que tivemos. Tive que fazer uma terapia em Madrid. Voltei para casa. Esperei que o colégio entrasse em contato comigo, como mais um aluno, para as aulas online que todos os alunos estavam tendo. Ninguém entrou em contato comigo. Uma tristeza horrorosa me tomou. Fui eu que, depois da Semana Santa, entrei em contato com eles. Disse que o Markel era mais um aluno, e que também se podia trabalhar com essas crianças de casa. O que, enfim, no início o diretor me enviou um e-mail, que me pareceu superengraçado: “diante dos gostos que você colocar dos gostos que você vir que o Markel tem, nos dê diretrizes para elaborar aulas online”. Disse que eu continuava sendo mãe, que os profissionais eram eles, que chamassem o grupo de orientação, que o Markel poderia trabalhar online, sobretudo com atenção. O Markel é não verbal. E, aí, foi quando, enfim, eles então recuaram. E então disseram, caramba, caramba! Estamos constantemente no currículo dele, trabalhando a comunicação através de um tablet, na concentração. O fato é que consegui que chegássemos às aulas online. O Markel está tendo respostas muito boas, mas eu sempre quis focar um pouco nisso de que sempre me vejo na situação de que sou eu que tenho que constantemente dar diretrizes, que estou constantemente olhando coisas, que tenho que dizer aos profissionais que estão trabalhando com ele 'vamos fazer desta maneira'. Eu sou uma mãe que trabalha muito em casa porque vejo que cada vez que se trabalha, o Markel mais evolui. Com tudo o que me acarreta que a Administração me coloque milhões de entraves, milhões de entraves. Agora tenho um processo porque o Markel termina o Ensino Fundamental e temos que passar para o Ensino Médio. O que acontece? Que no Ensino Fundamental já lhe colocavam poucos recursos. A base de teimosia, colocaram todos os recursos. Sempre me colocam muitas entraves, as horas, as horas… Mas é que todas as horas não serão dedicadas a ele. Bom, conseguimos até agora. Agora, voltam a me colocar todas essas barreiras de «se colocarmos ao seu filho estas horas, teremos que tirá-las e subtraí-las de outra criança». Sempre me vejo no conflito, sentir-me mal por tudo isso que está acontecendo. Você se sente mal por dizer, «ainda por cima vou tirar de outra família». Como é isso? A Administração é economia. A mim sempre falaram muito de economia na Administração. Tive reuniões com deputados e outros e sempre, sempre, falaram de economia. Inclusive chegaram a me dizer que talvez teríamos que pedir que os transeuntes pagassem mais impostos, não é? Para que a Educação arrecadasse mais impostos, e então haveria mais especialistas e mais recursos. Pois no final você se sente como se estivesse pedindo, não é? N.C.:— Muito obrigada. Sandra, você vai conseguir ou não? Sandra:— Bom, antes de mais nada, me apresento. Sou mãe de três rapazes, um deles se chama Jorge, tem 15 anos e paralisia cerebral infantil. A trajetória do Jorge pelo Ensino Fundamental, sim, foi, talvez, similar a toda a luta que vocês levaram as que expuseram. Mas quero lançar, abrir uma janela de esperança. Jorge teve que repetir o 4º ano do Ensino Fundamental. Jorge tem um gêmeo, seu irmão mais velho tem dois anos a mais que eles, e Jorge repetiu o 4º ano, com o qual seus irmãos passaram para o ensino médio. Eu pude conhecer a vida do ensino médio, o ambiente que ali se respirava. Fiz parte da AMPA. Estava no Conselho Escolar na Galícia. Eu moro em Corunha. E… um ano antes da chegada do Jorge ao ensino médio, fui falar com a orientadora e expus o que eu acreditava que deveria ser a educação e a inclusão do meu filho no ensino médio. Tive a sorte mundial de encontrar essa mulher. No último ano do Jorge no Ensino Fundamental, o Equipe de Orientação Específico me chamou. Me chamaram para uma reunião. Eu já fazia um ano que não ia ao colégio de tanta briga que tive, como todas vocês, e me perguntaram: o que você espera do seu filho quando ele chega ao ensino médio? Eu fiquei… Digo, eu espero tudo. É que meu filho pode fazer tudo. O que acontece é que aqui acreditaram que não. Isso já deixo de lado. O fato é que o Jorge chegou ao ensino médio e, meninas, levo dois anos vivendo, aproveitando a vida finalmente. Ou seja, me encontrei com pessoas que deram tudo pelo Jorge. Começando por sua orientadora, pela PT, por muitos professores e, sabem qual foi a avaliação do Jorge na primeira avaliação? É que eles tinham se surpreendido. Me pediram um pouco de paciência, mas viam que o Jorge tinha capacidades incríveis. Ou seja, depois de tudo o que tive que ouvir no Ensino Fundamental, é questão das pessoas. No final, é questão das pessoas. Desse amor que vocês falavam. Esse amor tem que estar também no corpo docente e essa capacidade de querer que seja possível. Bom, pois no meio do curso do primeiro ano, me chamou novamente a orientadora, a equipe de orientação, junto com a PT e conseguiram a figura do PT preferencial para o Jorge. Este ano, esse PT está em quase todas as disciplinas com ele. O Jorge está sempre dentro da sala de aula. No que notei uma diferença abismal entre o Ensino Fundamental e o Ensino Médio, foi a relação entre o corpo docente e nós. No ensino médio eles estão superabertos a todo tipo de proposta. É um ambiente extraordinário. O Jorge tem todos os dias do confinamento aula às 8:30 da manhã através de videoconferência com seu professor, e está feliz. A sorte que tivemos é ver como se relacionam, ou seja, é maravilhoso. De fato, ao Nacho, bom, e a alguns, enviei um vídeo do Jorge quando recebeu as notas do 2º trimestre e disse: «ei, acho pouco esse 5 que me colocaram em matemática». E o professor lhe dizia: «é um número, Jorge, o que importa é que você aprendeu». Mas é que ele quer mais e isso é maravilhoso, que meu filho queira mais e que permitam. Além desta inclusão que falamos da deficiência, também tenho que contar a vocês, e quero contar a todos, que o gêmeo do Jorge, no ano passado, comunicou a toda a minha família que ele nasceu sendo uma garota e que ele é um garoto. Fizemos toda a transição com ele e o ensino médio foi maravilhoso. Ou seja, o Departamento de Orientação foi maravilhoso. Foi tão bonito. É uma experiência tão maravilhosa que isso faz ver como são e que é possível quando as pessoas permitem. Assim, bom, que sei que essa dor que eu passei e que vocês também passaram, tem uma luz no fim do túnel. Acreditei que nunca chegaria. O Nacho me conheceu no pior momento da minha vida, mas é possível, e temos que continuar lutando todos, eu a primeira. Eu me relaxei, sinto muito. Me permiti o direito de relaxar e por um tempo, talvez esteja menos presente. Precisava descansar, de verdade. N.C.:— Você se permitiu até se divertir e descansar e pronto. Sandra:— Como? Feliz da vida. Pratiquei durante toda a vida o confinamento [risas], mas estou de volta e se serve para algo, pensem que há pessoas que sim estão. Eu acreditava que não, e às vezes colocava todo o corpo docente no mesmo saco, porque é verdade que o Ensino Fundamental em si tem sido supercorporativista. É um dos problemas que eles têm. Olhem, estou viciada em Anatomia de Grey. Nos EUA, quando um profissional comete um erro, o outro vai e o denuncia. Quem me dera que fizessem isso aqui na Educação, verdade? Porque a mim, professores que abandonaram o colégio, inclusive tive que descobrir que meu filho esteve no 1º ano do Ensino Fundamental, 6 meses afastado do resto, olhando para a parede com um computador. Disse-me sua cuidadora. Perdão, sua AT. Isso não pode ser. Estamos vendidos. Não sabemos o que acontece dentro da sala de aula. Eu acho que também deve haver outro tipo de inspeção educativa e que os professores, entre eles, não deveriam permitir isso. Está tudo corrompido, eu acho. Acho que têm que colocar a criança à frente dos direitos trabalhistas muitas vezes. Mas enfim, nada. Que lhes envio um raio de esperança, de luz, de muito carinho, de muito amor. Aproveito para mandar um beijo a todos os nossos radicais que talvez estejam nos vendo agora e, Nacho, obrigado por tudo. N.C.:— Muito obrigada por abrir janelas. Que maravilha! Bom, a Blanca tinha a palavra agora. Blanca:— Olá, para os que não me conhecem, sou a Blanca, a mamãe do Félix, um menino de 10 anos com diversidade, escolarizado em um colégio de Educação Especial, na província de Pontevedra, na Espanha. E também sou mamãe do Martín, um menino de 12 anos que começou este ano no 1º ano do Ensino Médio. Está no instituto público que nos corresponde por zona. Só foi possível que fossem ao mesmo colégio público que nos corresponde por zona um ano. Ao Félix o segregaram no primeiro ano da infância. Primeiro, nos impuseram uma modalidade de educação combinada com um colégio de Educação Especial. Pois, com muita guerra, muita denúncia… [risas], com essa agressividade e essa hostilidade tão horrível que todos vivemos, conseguimos que lhe dessem 3 dias em ordinário, não como os 2 iniciais, e 2 em Educação Especial. Bom, a experiência no colégio público foi cruel. Diretamente, muito cruel. Tive que me recompor como a Sandra, para não me emocionar e chegar ao choro cada vez que falava em um fórum como este. Isso é algo que te consome anos. O colégio especial também não nos agradou. Era como um pouco carcerário, no sentido de que fomentava muito a distância entre a família e a escola. As ideias fortes que gostaria de dar neste minuto “golden minute” [risas] e que escrevi assim um pouco para não as deixar de lado, como disse Eduardo Figueroa que adorei, é que ao sistema educativo atual, eu acho, hoje, na Espanha, com esta reforma educativa já em tramitação parlamentar e nestas circunstâncias tão raras, há que erradicá-lo, desenraizá-lo. Ou seja, tirá-lo dali, porque está baseado em padrões, em competências puramente acadêmicas baseadas em grupos de idade profundamente individualistas, não serve de base para a inclusão. Ou seja, seria para mim um erro, e acho que isso é a parte em que estão nos dividindo a toda a comunidade, que estamos no mesmo oceano, no mesmo mar. É a angústia que nos gera às famílias que este sistema não pode servir de base para a inclusão. Eu acho que no momento em que todos partirmos dessa ideia, esse 'dividir para conquistar' com que se está jogando com plataformas e tal vai desaparecer. Porque essa angústia que você vive desaparecerá. O fato de que todos estejam juntos não vai garantir a inclusão. Está claríssimo. A ideia forte da dupla inclusiva é que vão todos juntos aos mesmos colégios e não posso concordar mais. Ou seja, [risas], sou mãe diversa. Está em todas as minhas fibras. Meu temor é que o compromisso educativo se perca no caminho. Explico-me. Meu filho está em um bom colégio. É de educação especial, mas meu filho tem um programa educativo personalizado. É radicalmente diferente de um programa educativo adaptado. Não tem nada a ver. E para completar, tem um sistema de avaliação que avalia o programa. Se o programa está funcionando ou não, e se é preciso fazer ajustes de design. Não avalia a criança. Que é um conceito básico, a mim me parece, de senso comum, mas aqui colocamos nas costas das crianças o fracasso ou o acerto. Mas o fracasso ou o acerto desse programa que os profissionais desenharam para uma criança. O sistema de educação com o Félix é muito básico, mas talvez, seja uma ideia a mais, não quero dizer que tenha que ser importada. O fato é que ele é avaliado com seu programa em todas as diferentes áreas, se o faz com ajuda, se o faz sem ajuda, ou se não o faz. Se consegue fazê-lo sem ajuda, então se generalizam outros contextos como seu espaço de jogo fora do colégio ou, claro, sua casa. E da mesma maneira, em sua casa, comunicamos continuamente ao colégio que coisas ele faz que não faz no colégio. E isso é muito engraçado. Além de que, no final, você chega a uma relação com a professora de seu filho, no meu caso, quase, de comaternidade. Ou seja, digo assim. [risas]. Compartilhamos as ilusões, as alegrias, o amor pela criança. É muito fácil. É isso, sobretudo o amor, faz falta neste confinamento horrível, e… você se torna confidente em tudo o que tem a ver com a criança. Quero terminar com uma experiência pessoal que tive no ano passado. Foi em um programa Erasmus na Itália. Realmente íamos buscando experiência e compartilhar experiências em projetos de vida independente, não estava centrado na escola. Eu, além de ser mamãe do Félix, sou diretora em uma associação que gerencia o colégio, o centro de dia, tudo, tudo como mamãe. Ou seja, são essas batalhas em que você se vê envolvida porque eu, profissionalmente, sou outra coisa que não tem nada a ver com isso. Mas vamos buscando ideias, sempre por ali, para incomodar a administração. Para colocar em marcha projetos de vida independente, que é do que se trata, e a escola também, a nossa, a que queremos, tem que ser focada nisso. Em que todo mundo tenha garantido um projeto de vida independente. Bom, pois o fato é que lá não existe Educação Especial desde o ano de 78, se não me engano, e todos os profissionais com quem nos entrevistávamos nos diziam que não percebiam uma experiência positiva, porque, digamos, que os colocaram lá com um sistema educativo como o que temos na Espanha, e então, basicamente, os chamavam de um sistema de convivência na água, de copresença na sala de aula. Foi horrível. Copresença, diziam. E que, à margem da lei educativa, quase todos os colégios se arranjaram para ter salas de apoio, lá chamam salas de sustentação, nas quais afastam os alunos com diversidade sem meios. Ou seja, sem meios específicos para sua atenção educativa nem programações personalizadas, nada. Para tirá-los do meio. Então, bom, queria dizer que o debate… de arrancar este sistema educativo e começá-lo de novo, reiniciá-lo. Porque se nos metermos todos nele, ou seja, se fizermos o que fizeram na Itália, não vamos conseguir nada, porque na Itália as pessoas com diversidade não estão mais incluídas do que na sociedade espanhola. Ou seja, a presença deles na escola não garantiu mais inclusão social na vida adulta. N.C.: — Muito obrigada, Blanca. Você está por aí, Virginia? Virginia: — Sim, sim, sim. É que fui anotando coisas. Bom, agradecer a todos. Achei que tudo o que a Patricia, da Argentina, contou, embora tenha passado décadas, parece o que vivemos aqui dia a dia. Depois, anotei aqui, quando ela disse que se contasse, não era importante porque já tinha passado muito tempo, eu acho que é muito importante que os que estão em uma etapa ajudem os que estão em outra etapa. Por exemplo, meu filho está no Ensino Secundário. Aos que estão no Ensino Fundamental I ou Infantil, isso os ajudará a não ter que sofrer tanto. No caso particular do meu filho, Mario, que está no Ensino Secundário, hoje mesmo, como resumo, tive uma conversa de quase uma hora com a diretora dele, e solicitei, por favor, que levassem em conta uma experiência mais global e que, inclusive, vamos considerar ir para a Formação Profissional Básica. Porque, embora eles tentem fazer o que podem, a frase é sempre a mesma. Ele tem que fazer o que os outros fazem, como os outros, e também não chegamos a lugar nenhum. E não importa se você sabe, como apontou Estela, se seu filho não chegou, por exemplo, a escrever. Mario lê, escreve, faz programas de cubo, entende, não sei o quê. A dificuldade é sempre a mesma. Quando você chega a um caminho, a dificuldade é que, se você gosta de tudo manuscrito, faça tudo manuscrito, e isso que é com boas intenções. O último, porque não quero me alongar mais, que tenho aqui um monte de coisas, o que Carmen disse sobre a militância que um irmão lhe propõe, a mim também aconteceu. E por isso, às vezes me pergunto se, ao olharmos apenas para a parte acadêmica, ficando no ensino regular, será quase impossível se perdermos a parte relacional. E essa não seria mais possível, embora eu saiba que também não, porque tenho "mães" com crianças em Educação Especial e como se consegue essa parte relacional? Bom, muito obrigada a todos. N.C.: — Bom, muito obrigada, Virginia. Virginia fez isso exemplarmente, só te digo isso [risas]. Não está te ouvindo, veja se está bem conectado… Pessoa 17: — Bom, dizer que muito obrigada. É a primeira vez que consigo me conectar a algo assim e adoro. Muito obrigada a todas que estiveram falando. Dizer que estou totalmente de acordo que o problema é o sistema educativo. Que é muito impessoal. Dizer que, felizmente, somos umas mães loucas. Graças a isso conseguimos muitas coisas. Eu sou mãe de 2 crianças com necessidades educativas especiais. Estão escolarizadas no ensino regular com apoio. O mais velho tem 16 e a pequena tem 10. Cada um com as suas. São totalmente diferentes. Estiveram escolarizadas em 3 colégios diferentes e o motivo foi porque tinha a sensação de estar falando com a parede. De que não se ouvia e que não estávamos conseguindo nada. E enquanto isso, meus filhos iam crescendo, iam se desenvolvendo, e eu tinha a sensação de estar perdendo tempo. O que mais me marcou em todo esse percurso por esses 3 centros, em um estivemos melhor, em outros estivemos pior, foi sobretudo a diferença. Não a diferença que supõe que meus filhos têm em relação aos colegas, mas a diferença entre ter um diagnóstico ou não ter. A diferença entre ter uma comunicação com o corpo docente de qualidade ou não ter. A diferença entre nos encontrarmos emocionalmente bem ou não. A diferença de ter um integrador social ou não ter no centro. A diferença de que meus filhos tenham uns colegas ou que não os tenham, e bons pais desses colegas ou que não os sejam. E a diferença entre que te levem em conta, que levem em conta a nossa realidade familiar. O que nos acontece, o que acontece em nossa casa. E nada mais, muito obrigada. N.C.: — Muito obrigada. Vocês estão indo super bem. Deveriam ter começado vocês e assim as outras teriam seguido e teriam sido obedientes [risas]. Mónica Villarán. Você está por aí, Mónica? Bom, então vamos para María Fuensanta. María: — Boa tarde a todos e a todas, e muito obrigada por esta iniciativa. Apresento-me um pouco. Meu nome é María Fuensanta, sou de Coín, Málaga. Estou aqui como mãe de um jovem de 22 anos com diversidade funcional, transtorno do espectro autista, diagnosticado aos 18 anos com síndrome de Asperger, e… bom, a passagem dele pelo sistema educativo foi, na verdade, um caos. Sem um diagnóstico em nenhum momento e, simplesmente, ele é catalogado como uma criança estranha. Então, pois, claro, buscando apoio, mas sem entender nem como nem o que estava acontecendo, mas vendo a sua diferença. Eu buscava apoio com base nisso. Solicitei dentro do Ensino Fundamental. Estou falando que ele tem agora 22 anos. Solicitei porque, como meu filho era diferente e eu percebia que talvez ele não anotava diretamente as tarefas, e não é que não as fizesse, mas que não as anotava por causa das funções executivas e toda essa questão, ele não sabia que para o dia seguinte tinha que fazer aquilo. Então, eu solicitei um pouco de atenção simplesmente na hora de anotar as tarefas para ele e… nada, pois não. Isso era muito trabalho, parece ser, para o corpo docente. Uma coisa que eu gostaria de apontar também é que estou ouvindo em quase todos os testemunhos que é, dependendo da sorte, que seu filho ou filha funcione ou não funcione. É uma questão da profissionalidade e do bom fazer da pessoa, e além de que, claro, estamos em um sistema que não está adaptado para nada. Relação aluno-professor muito grande, muitos estudantes na mesma sala. Não há apoio e, então, complica-se, mas tudo depende disso, do bom fazer. Depois, como pudemos, passamos o Ensino Fundamental, e no Ensino Médio decidiram adaptar o inglês. Então, a adaptação do inglês, quando eu percebi, era baixar o nível de inglês. Ele não tinha problemas de aprendizagem, o problema dele é de comunicação. Então, havia exames que ele fazia muito bem e exames que deixava em branco. Eu agora já entendo. Há exames em que ele não entendia basicamente as perguntas, vamos, que não sabia o que estavam perguntando, mas não em inglês, mas em geral. E, claro, a adaptação para mim supunha, e eu disse, perguntar de outra maneira. Ele era muito visual. Teve a sorte de ter em História um professor que tudo fazia muito visual, que fazia como documentário, e, claro, história ia muito bem para ele. Então, ele foi se adaptando de uma maneira catastrófica, vá. Agora também pertenço a uma associação de famílias com diversidade funcional, aqui em Coín, e me encontro que a situação continua praticamente igual. Dizem-nos que o tema da inclusão, dos recursos, inclusive diretores de escola, que denunciem, que o denunciemos, porque quando pedimos um apoio para as crianças, dizem-nos que as crianças têm que ir ao recurso e não o recurso às crianças. Ou seja, continuamos vendo o mesmo caos que eu, que nós sofremos. Depois, também queria pontuar que estamos tentando, nós pelo menos desde a associação, que eles tenham uma vida laboral e, de fato, temos programas de inclusão laboral, mas nos damos conta de que não haverá uma inclusão real enquanto, desde pequenos, o tema da educação também não for vivido de uma maneira inclusiva. Então, claro, um pouco o meu dilema é este: Como vamos… estamos criando uma rede boa, porque estou me encontrando com grupos muito bons, fazendo apoio para a inclusão laboral, se nem eles se formaram bem? Porque meu filho saiu do Ensino Médio, e não fez mais porque já não aguentava o sistema, porque, além disso, é que não o acompanhavam porque não o entendiam e nós também não sabíamos o que estava acontecendo. E, bom, não sei, me enrolei, mas, bom, em geral isso, que vejo que não há inclusão. N.C.: — Muito obrigado(a) por todas as suas palavras. Mónica. Mónica: — Boa tarde a todos, como o tempo é ouro e acho que já foram debatidas ou comentadas bastantes coisas que eu tinha em reserva, não me vou estender mais porque me sinto superidentificada tanto com Estela como com Carmen como com Inma de Sevilha… com todas. Concordo com a Blanca, enfim. N.C.: — Mónica, a moça está por aí, digo isto porque está a ser gravado e como vou emitir, para que saibas. Mónica: — Ok, certo, obrigado(a). Vou fazer uma apresentação. Quero ser tão breve que, no final, nem me vão entender. Eu sou Mónica Villarán, mãe de uma menina com uma doença. Começámos no ensino regular. Continuámos no regular até ao secundário, onde não tive outra opção senão recorrer ao ensino especial. Então, não só me sinto muito identificada, como partilho 100% da vossa opinião. Gostaria de agradecer especialmente à Estela porque acho que, a partir dos 21 anos, depois do percurso que temos durante toda a vida, que os nossos filhos estão noutra etapa, que as mães continuem envolvidas lutando por uma educação de qualidade para todos, acho que é de aplaudir. Porque quando é uma criança pequena, tu lutas, tu estás lá… bom, não é fácil para ninguém isto, mas tu estás lá. Quando tu terminas e continuas aqui, para mim, parabéns. Mas o que estava a dizer sobre a Estela. A Estela no seu discurso dizia: «eu desisti da educação», e eu pensava, «bom, para teres desistido, aqui estás». É isso, só te interrompia para dizer isso. Então, apenas vou responder, não vou repetir o que todas disseram. Sinto-me superidentificada, e todos sabemos. Sim, gostaria de destacar desta pandemia, que pessoalmente, como mãe, adorei, porque me permitiu ver o trabalho que também se desenvolve no Ensino Especial. Acho que é importante para debater um tema tão complexo como este. Conhecer como funcionam por dentro, e, o Ensino Especial, para além de que já tinha ido a alguns congressos onde se falava que o PTVAL não nos vai servir, não nos vai servir para uma possível inserção laboral, eu quero dizer, como mãe, que o comprovei na minha pele durante esta pandemia. O tédio e a prisão a que eles chamam, como diz Carmen Saavedra, são normais. Vês isto? Audiodescrição [AD] Mónica mostra algo na tela. Mónica: — Vocês veem a lição de casa que minha filha está fazendo aos 19 anos? Uma menina que faz absolutamente tudo, que além disso é escoteira. Vejam as somas que o professor dela manda. Vejamos se elas aparecem. N.C.: — Sim, sim, aparecem. Mónica: — Pois estas são as que ela faz comigo, está bem? Bom, tenho tudo isto cheio de fichas porque para mim é mais… Mandam-me uma atividade para que eu designe quais são as partes do colégio, e resulta que vem uma piscina e o colégio dela não tem piscina, forte, hein? E agora isto. Eu, quando ponho esta lição de casa à minha filha. No primeiro dia ou nas primeiras duas semanas da pandemia, minha filha fazia isto. Bom, rabiscos, rabiscos, normal, a menina entediada, entediada. Eu, de facto, até a ponho a colorir os retângulos porque digo: «Bom, vou tirar um pouco de proveito disto porque minha filha o fez em 2 segundos». E aqui, escreve o nome do objeto. Olha, um lápis. Minha filha escreve, lê, subtrai… aos 19 anos, minha filha continua a fazer estas fichas. Nem colégio especial, nem regular, nem recursos, nem administração, nem denúncias, nem nada. Os professores têm de se reciclar, isso está claríssimo. Mas, vamos, digo eu que isto é como eu no meu posto de trabalho, não é? Enfim, deixo aqui. Deixo o conteúdo e o material com que ela está a trabalhar aos 19 anos num PTVAL, a ver se isto é normal. Já está. N.C.: — Muito obrigada, Mónica, muito obrigada. María Rodríguez, você está por aí? María R: — Olá. Serei muito breve e obediente. Antes de mais nada, olá a todos e, bem, eu queria começar dizendo que acredito que, entre o querer e o poder, há um problema muito grande, que é o tema do diagnóstico. Acredito que o diagnóstico é uma sentença, um tijolo ou uma laje. Muitos pais lutamos para ter o diagnóstico porque ele nos dá respostas, mas, agora, esse mesmo diagnóstico em outras etapas da vida de nossos filhos, o que faz é erguer paredes. E é curioso, porque as famílias que temos um percurso de hospitais. Minha filha foi para a escola do hospital, e na escola do hospital eu não vi tantas palavras estranhas, nem tantos procedimentos, nem tantas histórias. Isso também é uma reflexão, não é? Na escola do hospital, onde há crianças que passam muito tempo, não há tantos protocolos. Depois, também, estão as barreiras que muitas vezes o sistema e os profissionais colocam aos pais. Eu sou mãe de primeira viagem e, de repente, você começa o processo de escolarização e tem que fazer um mestrado porque entre Pt, AL, currículo, orientadora… Você começa a conhecer palavras estranhas e depois, além disso, os conteúdos, muitas vezes, desses relatórios você tem que interpretar, fazer, e é uma carreira universitária que você tem que fazer em um tempo expresso. E todo o esforço sempre recai sobre a família. Não vejo que haja uma conversa de igual para igual. É sempre a família que tem que demonstrar e que tem que fazer para que eles o façam. Depois, estou totalmente de acordo com Gado em que o problema educativo não é um problema sobre as crianças com necessidades educativas especiais, é um problema social. Não me importa se é a escola regular ou como vocês queiram chamar. Acredito que todos os pais, quando nossos filhos passam do Ensino Fundamental I, onde pode haver um pouco de sobrevivência, para o Ensino Fundamental II, todos temos medo. Ou seja, há um problema que é social e que é global. Inma falava de uma coisa muito dura. Falava que seu filho não era normal pelo fato do controle fisiológico, não é? Era diferente. Que te digam isso é muito duro. O tema de que seu filho, porque faz as coisas de uma forma diferente, já o afastem, não é? Esse é o maior problema, não é? Que te afastem como pessoa e que, a partir desse momento, já seja apenas um diagnóstico, um relatório médico e centenas de protocolos. Não entendo para onde o sistema vai ou para quem olha ou pensa, porque não faz as pessoas, não olha para as pessoas. Está olhando palavras, conceitos e coisas absurdas. E já, por último, acredito que é imprescindível essa luta em que agora mesmo estamos falando as mães, e outro dia falarão os profissionais e as crianças. Acredito que é importante que os profissionais deem um passo à frente conosco, porque o que estamos dizendo não é de loucas. Já está. M.C.: — Muito bem, muito obrigada. Paula. Paula: — Olá, eu? Há mais Paulas ou sou só eu? Ok, eu também vou tentar ser muito rápida. Bem, a decisão da escola não me passou pela cabeça em nenhum momento. Quero insistir nesta ideia utópica de que todas as escolas têm de estar preparadas para absolutamente todos os estudantes. Sou mãe de três crianças. O Héctor tem um diagnóstico de transtorno do espectro autista e com bastantes complicações de comunicação, especialmente de entendimento. Ele frequenta o mesmo centro que os irmãos, e também quero abrir uma janela como a Sandra, no positivo. Mas esta janela vem sempre acompanhada de profissionais que querem assumir o percurso do meu filho. O que quero dizer com isto? Que nem todos os profissionais querem dar aula ao meu filho. Ou seja, dentro deste centro, aqueles que assumiram este risco ou que se acolheram, vamos, ao direito do meu filho, assumindo que é um desafio para eles, fizeram-no de uma maneira extraordinária. Encontrámos aí, pois, uma maneira maravilhosa de crescer como grupo. O meu filho como estudante, como um mais dentro da turma, mas nem todos estão dispostos a assumir esse grupo dentro dos mesmos profissionais da escola. Não é uma escola que tenha um projeto de centro preparado para todo o estudantado. Então, destacar um pouco isso. Que sim, que continuamos a depender da sorte e que a sorte às vezes nos acompanha, mas que não vai ser eterna também. E, por outro lado, pois um pouco fazendo referência ao que comentou a Blanca sobre a Itália. Pois sim, em Portugal aconteceu-nos um pouco o mesmo. Fomos fazer uma excursão, ver um centro educativo e o que nos comentaram foi a eliminação da educação especial. E depois não tinham nenhum tipo de recurso… Ou seja, que nas empresas não havia uma oferta para o estudantado que permanecia muito tempo em centros de Ensino Básico. Talvez, inclusive, até aos 21 anos. Muitas salas específicas, digamos, com esse estudantado, parte separado, e pouquíssimos recursos com os quais os centros tinham sido dotados. Então, que as coisas têm de ser feitas, mas têm de ser feitas bem. Não podem ser feitas de qualquer maneira. Pois nada mais. N.C.: — Muito obrigada, Paula. Ali, estás por aí? Ali: — Ai! Sim, Nacho. Algo superbreve. Eu acho que uma das situações que há na escola é o tema do adultocentrismo. É um cúmulo de opressões. Não, nada mais, por motivos de deficiência. Eu acho que sempre nesse tema as crianças são vistas como não pessoas, não é? São vistas como alguém que vai ser como o futuro, o futuro o que for. O futuro advogado, o futuro engenheiro, é sempre alguém que vai ser. Estão como num limbo. da humanidade e, bom, com as pessoas com deficiência, pois, isto de as ver como crianças é algo permanente. Então, por isso é que também não se levam em conta as suas opiniões, o que querem… É sempre o que disser o profissional, o que disser a família, mas, o que dizem as crianças? São pessoas. Eu tenho um irmão com diversidade funcional intelectual, pois, eu digo que sou a sua voz, não é? O meu irmão Lucas tem a sua voz. O meu irmão é o defensor dos seus direitos. Eu poderei ser, talvez, porta-voz, mas não a sua voz, não é? Há pouco tempo vi que dizia que escreveu algo a Carlos Skilar, que não sei bem como se pronuncia, mas dizia que não é que as pessoas não tenham voz; mas sim que temos de nos calar para poder ouvi-las. E é isto, não é? Pois temos de nos calar e também temos de querer ouvir, porque a verdade é que muitas vezes não há interesse, não há interesse em saber realmente o que querem as crianças e os meninos. Já seria tudo. N.C.: — Muito obrigada, Ali, também pela tua brevidade. Susana. Susana: — Yo solamente quería soltar tres frases que resumen lo que ya hemos dicho y que en su momento a mí me supusieron un dolor y un miedo. Una es la que han dicho Mari y Santi, porque somos de la misma asociación, que es la 'del niño para el recurso y no el recurso para el niño'. Cuando me insistían en que mi hija fuera a un aula específica… que, por otro lado, un psicólogo, un psiquiatra, me dijo una vez que yo o mi hija íbamos a depender de la suerte que tuviera de encontrar a una maestra que viera a mi hija como un niño más, porque todos los niños, todos, tienen necesidades educativas especiales… si encontraba a alguien que comprendiera esa realidad, mi hija avanzaría en el colegio; si no lo encontraba, pues me tenía que joder. Perdón por la expresión. Y, cuando yo le planteé eso a un político que vino a la asociación a hablar con nosotros, le comenté que cómo podía ser eso. ¿Cómo nosotros, como madres, teníamos que conformarnos con el profesor que me habría tocado? Si él quería o no enseñar a amigas. Y él me dijo una frase que fue la que más me ha fastidiado en el mundo. «Bueno, pero con eso no podemos hacer nada porque con el funcionariado hemos topado». Esa frase, dicha de un político importante que representa a Málaga en el congreso, me dolió mucho. Porque si él piensa así, que es el que puede cambiar las cosas, ¿qué nos vamos a encontrar? ¿Qué solución nos dan? Yo he tenido suerte. Fue un poco diferente infantil de primaria, pero he tenido suerte. En Infantil los profesores se volcaron mucho en mi hija y en Primaria, pues, no tanto. Diferencio lo que es su tutor de clase o su tutora de clase a PT y AL. En general, todas las PT y AL que me encontraron han sido personas que, como están formadas y preparadas para trabajar con niños con necesidades educativas especiales, saben hacerlo. Sin embargo, su tutor ya no… Me he encontrado la frase de «es que yo no sé cómo trabajar con Paula». Paula es mi hija. Y quería decir eso, que deberíamos de plantearnos que, entonces, al final, ¿la educación depende de la voluntariedad de un profesor? Es complicado, ¿no? Nada más, muchas gracias. N.C.: — Muchas gracias, Susana, Jorge. ¿andas por ahí? Jorge: — Olá. Só quero dizer que, a partir de tudo isso do confinamento, a gente percebe que nossos filhos não importam a ninguém porque, pelo menos, é a nossa experiência. Nem sempre se preocupam com ele. Aí se demonstra que quando ele está na escola, se se preocupam é porque ele incomoda. Como incomoda, grita, vai embora, corre e blá-blá… «Ai, é que o menino interfere!» Nossos meninos incomodam. Agora que estamos todos em nossas casas, estamos todos confinados, etc., percebemos que eles não existem. Nenhum da equipe, e não precisa, tá bem?…, mas nenhum da equipe de orientação se dignou a perguntar: «Ei, como está seu filho, como isso está afetando ele, o que acontece com ele, ele está bem ou mal?», «Ei, você precisa de alguma coisa?» Nada. Há umas duas semanas, a tutora nos pediu para dar o e-mail para mandar para eles, que estão solicitando. Digo: «bom, e para quê?» E estamos esperando que, provavelmente, quando terminar o curso nos pedirão informações para avaliá-lo, como a passagem para o ensino médio, para avaliá-lo, mandar isso, patatí e patatá. Todos. Então, dá vontade de dizer: «bom, vocês se preocuparam todos esses dias em saber como ele está?» É que não se preocuparam nem um pouco. Então, este confinamento, o tema com o vírus, serviu para isso. Para que, no final, nossos filhos… e não falo somente por mim. Perguntei para as pessoas da escola e o mesmo. Não perguntaram nada. É que não sabem nada, não sabem nada. Então, é o que acontece, já se falou muito, temos que depender das pessoas. Eu aqui lhes comentei que são uma espécie de ilhas em nosso naufrágio. Todos somos náufragos e, de repente, encontramos uma ilha, que são os professores que ajudam nossos filhos, e onde nos agarramos. E que, infelizmente, pelo sistema, termina… o espelho termina indo embora por interinos, porque tal e qual. Não, aqui temos que estar sempre, todos os anos, dependendo de um, de outro… A ver se a do ano que vem, a deste curso, funciona ou não. Sempre estamos assim, e pouco mais. E, também, minha opinião sobre tudo isso, que até o universitário que quer se dedicar ao ensino, desde o minuto um que entra pela escola, tem que dizer com que alunos vai se encontrar, tá bem? Desde a graduação deveriam se dedicar a ensinar o que vão encontrar. Toda a diversidade de crianças que há. Não pode ser que Educação Especial seja uma espécie de especialidade ou uma optativa, ou não sei como está agora mesmo o plano de estudos, tá bem? Desconheço. Mas é que tem que ser assim, obrigatório, porque estão se dando conta de que estamos todas aí, e não pode ser que agora venha um e «não… é que eu não conheço, eu não sei como tratar, eu não sei». Então, acho que desde o princípio têm que se dedicar a todo esse tipo de temas e que o sistema educativo deve mudar radicalmente. Por um lado, a inclusão é mudar radicalmente e deixarmos de conhecimento e deixarmos de história, porque no final é sempre o mesmo. E digo isso um pouco no emocional, né? Porque é que se não… estamos nas mesmas e, a ver se muda isso, porque no final as escolas parecem como uma vinheta de Frato, que uma vez Nacho me ensinou. São fábricas, as crianças vão passando, saem cérebros e, quem não sai, descartam. Pois aí está. Há uma vinheta de Frato que, se procurarem, veem claramente como as crianças com necessidades ou com dificuldades, já não somente necessidades especiais, deficientes, ou como queiram chamar. Não. Quem não cumpre vai para outro lado e somente saem os cérebros. Não quero me estender que… se não Jesús me joga, me queima a roupa [risas]. N.C.:— Muito obrigada, Jorge. Silvia, acho que te deixei esperando muito tempo e não vi que você tinha pedido a palavra há tanto tempo. Pode falar, Silvia. Silvia: — Serei muito breve. Quero dizer-lhes que a maior dor que senti na minha vida não foi pelo diagnóstico do meu filho, nem pelas suas internações no hospital, nem pela sua doença, nem por uma série de outras causas bastante graves que tivemos na nossa vida. A maior dor que a família sentiu, e acho que meu filho também, foi pela escola. E também quero dizer-lhes que meu filho, com 3 anos, já teve uma avaliação psicopedagógica e um parecer de escolarização que o sentenciou à morte. E, agora, com 8 anos, continua sentenciado a não poder sair dessa sala específica, uma sala que o apaga, que lhe tirou muito, que o faz sentir mal e que, acima de tudo, lhe está tirando muitas oportunidades para a sua vida. Apesar de lhe termos dado as ferramentas necessárias, de meu filho ter demonstrado ao mundo as suas capacidades, continuamos a ter de lutar e a ter de lutar e demonstrar, com uma equipa de orientação, que meu filho tem de ter um coeficiente intelectual adequado para poder estar numa sala de aula regular. Nada mais. N.C.: — Muito obrigado. Eu acho que em muitos ou quase todos, para não dizer todos os testemunhos, digo sempre obrigado e um abraço. Alejandro Pérez. Alejandro: — Olá, este… Alejandro, daqui, do Uruguai, envio-lhes uma saudação. Vou tentar ser breve, Nacho. Este…, ouvia atentamente os testemunhos da maioria das mães e pais que os emitiam e, bem, com muitos deles me identifico. Há uma clara violação do que são os direitos humanos, por parte das instituições, já que os objetivos de desenvolvimento do milênio da ONU no ponto 2 falam de uma educação de qualidade e de integração para todos, e isso não está sendo cumprido. E no que diz respeito ao pessoal, tivemos como família diferentes experiências educativas com Manuel, nosso filho, que tem paralisia cerebral e hoje tem 21 anos. Ele conseguiu cursar a escola também com instâncias de internação por cirurgias e o mesmo aconteceu no Ensino Secundário. Em geral, tivemos uma boa disposição por parte dos centros educativos, mas sempre estivemos em cima de professores para que se lograssem as adequações que Manuel necessitou. Eu o que digo aos pais que estão a ouvir aí, alguns com muitíssimas mais experiências do que eu e outros, bem, começando neste caminho, é que sempre têm de estar, não deleguem. Manuel hoje tem 21 anos e nós continuamos a estar presentes e a acompanhá-lo no seu processo de formação como pessoa e em todos os aspetos. Por isso também eu queria abrir, como muitos de vocês, uma janela para dizer que, de repente, a chave é o acompanhamento da família, da maneira que esta se componha. Não esperem que as instituições se dediquem por completo, porque isso não vai acontecer. Assim, é preciso estar, e é preciso estar presente sempre. E muito obrigado por este espaço, Nacho. N.C.: — Muito obrigado, Alejandro, pelo seu testemunho. Verónica, estás por aí? Verónica: — Bom dia, sou da Bolívia. Este… bem, tenho meu filho de 6 anos com síndrome de Down. Sou uma mãe muito ativista pelos direitos humanos e pela inclusão do meu filho. Quero compartilhar que, desde que meu filho nasceu, nestes 6 anos nunca tive problemas em abrir espaços de oportunidade para ele, porque eu parto sempre do princípio de que a inclusão começa em casa. E depende de como nós vemos nossos filhos para que todas as outras pessoas que estejam em seu entorno possam ver nossos filhos. Ele tem sido uma criança incluída desde os 6 meses em uma creche. Quanto mais espaços de oportunidade dermos à normalização, mais estaremos normalizando seu entorno. Sou uma mãe muito envolvida em cada uma das etapas que meu filho passou, nas quais, como dizem, somos as loucas que não têm medo de falar, de ensinar, de educar, e acho que, se tivermos essa atitude de forma muito proativa e positiva, da mesma maneira podemos contagiar as outras pessoas. Não podemos dizer que não se pode, se nós, como pais, não vestirmos a camisa e trabalharmos em equipe. Quando temos essa predisposição e entendemos que este processo de inclusão nunca será fácil e nunca será perfeito, mas vale a pena por nossos filhos, temos que fazer. E tudo o que fizermos no entorno será contagiado. Tenho um entorno muito positivo que trabalha com meu filho, e por isso estão os resultados. Então, eu, aqui, mando uma reflexão para as famílias: não desistam. Acreditem em seus filhos e o trabalho começa em casa. Temos que preparar nossos filhos para que sejam independentes. Não pode ser que deleguemos o trabalho às escolas ou que a escola tenha que se encarregar de tirar a fralda do meu filho ou que isso… Temos que dar as ferramentas em casa. Aproveitar esta pandemia em que estamos fechados e ensinemos coisas mínimas para a vida. Então, dessa maneira será muito mais fácil sua inclusão na sociedade. Obrigado pela oportunidade, Nacho. N.C.: — Muito obrigado, Verónica. Fernanda, fechamos com sua palavra. Fernanda: — Zoe está aqui comigo. Somente queria mandar um abraço a todo mundo, pois, adorei. Adoro ouvir todo mundo. Gostaria de dar ânimos às pessoas que vi um pouquinho mais, pois isso, um pouquinho mais para baixo, porque esses momentos todos temos em algum momento e com tanta coisa difícil. Gostaria também de abrir outra janelinha dessas que algumas pessoas também abriram, né? Zoe tem 7 anos e estamos em uma escola normal. Eu insisti aos 3 anos que ela tinha que repetir porque ainda não falava muito. Nacho e todas as radicais sabem que pensei muito e que foi uma decisão muito dura, mas, passava de estar em um grupo de 25 para estar em um grupo de 15 crianças e também era um ano a mais para que ela adquirisse mais reforço na linguagem e pudesse adquirir, como já tem, a leitura e a escrita. Então, estou muito contente por essa parte, embora qualquer decisão que se tome nunca se sabe se vai dar certo, vai dar errado, né? Mas, no final, conheço Zoe e tento ver quem ela é e que todo mundo veja quem ela é. Não é seu diagnóstico. Muitos veem seu rosto e com isso já pensam que sabem tudo de Zoe. Isso não é tudo, ela é muito mais que seu rosto, que seu diagnóstico e que o que esperam dela. Que há muito a dizer. Então, já está. Embora esteja zangada agora porque não é capaz de abrir uma coisa. Bem, que mando um abraço muito grande a todos e muito obrigado por esses momentos, que são, que são a vida e o céu [risas]. N.C.: — Muchas gracias, Fernanda. No nos ha dado tiempo a cruzarnos. Nos ha dado tiempo a exponer. Yo creo que todos tenemos muchas ganas de hablar. Todos tenemos esa necesidad de poder contar qué es lo que vivimos, lo que nos pasa y a mí me encantan espacios como este, en los que tanta gente pone en común cosas que, en realidad, son realmente comunes. Son experiencias tan comunes, a pesar de que muchas son tan duras, que son travesía en el desierto. Han aparecido por ahí varias metáforas. Una de ellas es como que somos un náufrago, decía Jorge. Bueno, ese sentimiento de desazón, de que no tienes dónde asirte y que, de repente, hay personas. Jorge hacía relación a personas, a profesionales, pero también hay otras personas que son familias, en las que nos podemos agarrar porque tienen experiencias similares. Porque, además, las soluciones a una escuela que todavía es muy excluyente, como hoy hemos evidenciado, no pueden venir por soluciones personales. Porque uno diga: «aquí estoy yo y voy a cambiar la realidad». Cambiamos, cambiaremos la realidad en la medida en que seamos capaces de armonizar, de organizarnos y de pensar cómo podemos incidir en esta realidad que hace tanto daño a tantas personas. Y coincido con lo que planteaba Alejandro, también. Que es una cuestión de derechos humanos, que hoy, cuando… los testimonios más duros, más sangrantes, eran evidentes… No sabría cómo decirlo, pero es una escuela, un espacio, en el que debería acogerse a la infancia con toda su vulnerabilidad. Esas escuelas deberían ser espacios que defienden a la infancia y que preservan sus derechos. Y yo creo que, a pesar de toda la complejidad que hemos visto, también hemos visto muchas luces o algunas luces que nos han dicho, «bueno, pues, quizás por aquí». Yo creo que hay mucho por desarrollar en esa línea. Planteabais que había que cambiar, había que… desraizar la escuela, ¿no? Cambiarla por completo. Bien, pero, ¿qué es eso…? ¿Qué es fundamental? ¿Qué hay que cambiar para que la escuela pueda hacer un espacio en el que esté tu hijo o tu hija? Y ese hijo o hija, puede ser quien no habla o quien se comporta como la escuela, ahora mismo, no tolera o quien no controla esfínter o quien piensa de manera diferente o quien no aprende… Porque muchas veces, en nuestros propios discursos, hacemos como un círculo alrededor, como una zanja alrededor, de la experiencia que nos pasa a nosotros al completo, pero lo que hace falta es ensanchar esa franja y que quepamos todos. Bueno, yo me voy de la sesión de hoy con mucha… tristeza, pero también con mucha alegría, porque me parece que el foro ha sido fantástico. Yo os felicito a todas y a todos. Os agradezco enormemente vuestros aportes, todos y cada uno de ellos, y os querría invitar a algo. Creo que si algo tienen bueno estos encuentros es que son justamente esos, encuentros, donde se dialoga y se puede pensar más allá de lo que yo pienso en mi parcelita o en mí, en mi casa, en mi familia o en mi contexto particular. Y si eso conseguimos llevarlo más allá de nosotros como familias, para mí creo que sería algo fantástico. La semana que viene está convocado un encuentro de estudiantes. Quizá algunos o algunas de vosotros pensáis, podéis pensar, que vuestro hijo o hija, que los compañeros o compañeras de vuestro hijo o hija, pueden formar parte de ese encuentro. Y a ver qué es lo que dicen ellos. Me encantaría poder escuchar qué es lo que dicen ellos y ellas y eso dárselo a los profesionales, a ver qué es lo que pueden pensar los profesionales también con vuestros testimonios y con los testimonios de niños y niñas que están viviendo, en primera persona, cómo es la escuela. Bueno, yo dejo eso por ahí lanzado. Mi correo electrónico es ica@uma.es. Nesse e-mail, se alguém quiser inscrever algum filho ou filha, algum amigo, alguma criança para o próximo encontro, pois, já sabem que podem me mandar um e-mailzinho e será um prazer ouvi-los. E nada mais, que nos estendemos um monte, mas que eu queria ouvi-los a todos e que foi uma honra ouvir. Obrigado e seguimos. Bom, um abraço a todos e todas.

    A escola que temos e a que desejamos. Falam os estudantes

    Nacho Calderón - N.C.:— Ya, pero ¿tú es que conoces a alguien que necesite hablar en lengua de señas o que hable en lengua de señas? — Sí. N.C.:— ¿Y en el cole qué pasa? — Y, no el mismo colegio que yo, pero un amigo mío sí, y no se saben comunicar y, a veces, los profesores tampoco saben cómo tratarla bien, porque en los colegios de acá muchos no saben tratar con chicos con discapacidad o sordera y cosas así, porque directamente los mandan a la Escuela Especial y no tratan de incluirlos bien en estas escuelas. Ahora está cambiando un poco… N.C.:— Ya, porque tú eres de Argentina. — Sí. N.C.:— Muchas gracias. Alguna idea más. ¿Cómo son vuestras escuelas? — Yo sí… N.C.:— Hola, ¿cómo te llamas? — Constanza. N.C.:— Constanza, cuéntanos, ¿cómo es tu escuela? — Mi escuela es muy grande. N.C.:— Muy grande, ¿qué más? — Me gusta. N.C.:— Te gusta. ¿Por qué te gusta? — Me divierto. N.C.:—Você se diverte, hum… E como você se diverte? — Eu me divirto retocando as “misses” que mandam tarefa.N.C.:—Fazendo as tarefas, você diz? — Sim.N.C.:—Com isso você se diverte? São tarefas divertidas? — Sim.N.C.:—E todos os seus colegas se divertem? — Os colegas sim, me divertem muito porque trabalham. N.C.:— Pero, ¿y ellos también se divierten o solo te diviertes tú en tu escuela? — Nos divertimos mucho, pues a mí, igual. N.C.:— Ah, bien. Muy bien, Constanza. ¿Algo más quieres contar de tu escuela? — Mi escuela es muy grande porque trabaja a biblioteca. Hay muchos libros que me gustan leer. “Aroa y yo” somos matemáticadoras, nos gusta hacer sumas y restas. N.C.:— Te encanta. O sea, te encanta leer, te encantan las matemáticas. Constanza, te gusta todo. — Me gustan las circunferencias. Hacer círculo de compás. N.C.:— O sea, que para ti tu escuela es…, te gusta mucho. — Sí, me gusta. N.C.:— Bom, eu acho que vamos ter que aprender da sua escola, a ver como fazemos que outras escolas sejam também assim divertidas. — Muito, muito espertas. N.C.:— Muito bem, Constanza, muito obrigada. Mais ideias. Que mais contam das vossas escolas? — A minha não tem elevador e há uma menina que manca e nunca muda de turma, porque as aulas dela são sempre em baixo. N.C.:— Mmm, ou seja, que a sua escola não tem elevador e ela não pode subir as escadas e, então, colocaram-lhe a aula sempre em baixo. — Não, colocam-lhe… N.C.:— Perdão, a aula sempre em baixo. — Sim. N.C.:—E você, o que acha disso, Alejandra? — Ruim. N.C.:—Por que acha ruim? — Bem, porque ela, se passar de ano, teria que ir para cima, mas… N.C.:—Mas não iria. — Não vai. N.C.:—Muito bem, mais ideias que você quer contar sobre sua escola, Alejandra? — Não… — Bom, então mais, mais ideias por aí. Quem mais quer comentar algo sobre sua escola? Como é sua escola? Vamos lá, mais ideias. N.C.:—Posso… vou contar uma coisa do instituto em que estamos agora. Cheguei quatro anos antes do meu irmão, Jorge. E no instituto acho que nunca houve um aluno em cadeira de rodas, então, não está adaptado. E a verdade é que, quando meu irmão apresentou a matrícula para entrar no instituto, eles reagiram bastante rápido e começaram a colocar, a habilitar as rampas em todos os desníveis dos pátios e adaptaram o banheiro e o ampliaram. O elevador, agora tem um elevador, que não sei se estava antes. Duvido um pouco, mas acho que não. E em geral, me pareceu que fizeram um bom trabalho com isso, porque, quer dizer, antes de meu irmão chegar, não estava preparado para que alguém pudesse percorrer todo o instituto em cadeira de rodas.N.C.:—Já. — E bom, isso sim. Um problema que vejo é que nosso instituto, comparado com muitos dos que existem por aqui, não tem muitos estudantes. Tem uns 300 ou um pouco mais e somos 60 alunos por curso. No início, nos dividiam em turmas de 20 pessoas, mas agora, cada vez mais, as dividem em duas de quase 30 alunos, e acho que isso pode prejudicar, porque para um professor é bastante mais difícil se há alunos que não vão no ritmo da turma, focar neles, porque talvez haja 25 pessoas que seguem perfeitamente o ritmo e 5 que ficam para trás. E eu acho que com 20 pessoas seria bastante mais fácil para o professor.N.C.:—Ou seja, que quanto menores são os grupos, vocês acham que é melhor. — Eu acho que sim, tanto para o professor quanto para o aluno, porque em uma turma com 30 pessoas, o barulho que há, todas as distrações que há... Não é a mesma coisa que estar 20 em uma turma. Ou, eu sei lá, diretamente eu, nas optativas, há vezes que somos 14 e nota-se muito a mudança de ritmo da turma entre uma turma de 30 pessoas e uma de 14.N.C.:—Ou seja, em uma de 14 o ritmo é como mais… — Sim, posso acrescentar uma coisa?N.C.:—Venga. — Eu sou a Lucía [risas]N.C.:—Olá, Lucía. — Não só pelo que tu disseste, mas também pela aprendizagem, porque estamos acostumados a que um professor nos eduque de uma maneira e nem todos temos a mesma aprendizagem. Temos que aprender também de outras maneiras. Não apenas o que uma pessoa nos incute com 30 alunos ali, que também não sabe muito bem o que fazer. N.C.:—Sim. Mas como se faz isso que tu estás a dizer. — Fazendo grupos mais reduzidos, porque a nossa aprendizagem não é muito boa atualmente, pelo menos na minha opinião. N.C.:—Não? A vossa aprendizagem não é muito boa? Agora pergunto em geral, não só à Lucía, mas em geral. A aprendizagem. O que aprendem na escola, acham que é importante, que é regular, que não é importante? O que pensam? A ver, eu gostaria de ouvir, por exemplo, o Marcos. Vamos lá, Marcos. — Olá, Nacho. N.C.:— Hola, ¿qué tal? — Bien. N.C.:— ¿Cómo es tu escuela, Marcos? — Está bien. N.C.:— Sí… Está bien, ¿por qué está bien? — Para mí es buena, pero para mi hermana no tanto. N.C.:— Para tu hermana no tanto, ¿por qué? — Porque se siente sola en el patio. N.C.:— Tu hermana se siente sola en el patio. — Está sola. N.C.:— ¿Está sola? — Siempre. N.C.:— ¿Siempre está sola? — Sí. N.C.:— ¿Y cómo lo ves tú eso? — Mal N.C.:— ¿Y por qué crees que, que ella está sola? — No sé. N.C.:— ¿Y cómo se podría arreglar eso, Marcos? ¿Qué se te ocurre? — Hablando con los de su clase. N.C.:— Hablando con los de su clase… ¿Qué les podríamos decir a los de sus clases? — Que se junten con ella. N.C.:— Mmm… ¿Y por qué crees que no se junta con ella? — Porque tiene autismo. N.C.:— ¿Y por eso crees que no se juntan con ella? — Sí. N.C.:— Tú antes decías, Marcos, que para ti sí era buena la escuela. ¿Por qué es buena para ti? — Porque a mí me mandan cosas, estoy con mis amigos, se juntan conmigo… - N.C.:— Sí. O sea, que a ti te mandan tarea, tú te juntas con tus amigos y eso tú ves que no pasa con tu hermana. — Sí. N.C.:— Bueno, pues muchas gracias, Marcos, porque nos ha ayudado mucho a entender cómo es tu escuela — Gracias. N.C.:—Obrigado, Marcos — De nada. N.C.:—Bom, mais ideias. Mais, mais pessoas nos contando como é a escola delas. — Vamos ver, Nacho, você me escuta? N.C.:—Vamos. Sim. — Olá, tudo bem? Meu nome é Alejandro, sou da Venezuela e, bom, como dizia Nacho, sou um dos mais velhos, embora não tanto, só 24 anos [risas]. Sou estudante universitário, estudo Filosofia na Universidade Central da Venezuela e, bom, estou quase terminando. Estou no processo da tese. Espero, talvez, terminar este ano. E bom, um pouco compartilhando. Minha experiência é bastante particular na escola, sim, porque estudei em três colégios. Dois colégios que não eram acessíveis, que não… falo de que não havia rampas, elevadores, nada disso. Supunha-se que os professores não estavam preparados, nada, e um colégio que sim estava preparado, tinha infraestrutura, elevadores, rampas, tudo. Uma 'jóia'. Os professores eram grupos reduzidos de uns 15 estudantes. Era um colégio bastante interessante, mas fazendo a retrospectiva e olhando para trás, minha experiência menos favorável foi justamente nesta escola. Naquela que era inclusiva, naquela que tinha todas as facilidades para, para mim. N.C.:—Essa foi a menos favorável? — Sim, por isso que digo que é bastante particular. Eu falo, já comentei. Nasci com uma deficiência. Tenho… nasci com espinha bífida. Portanto, sou usuário de cadeira de rodas. Utilizo a cadeira de rodas para me mover e, portanto, minha deficiência é como vocês dizem que são altos, baixos, com a pele de uma cor ou outra… uma característica a mais. Este… e bom, neste sentido, digo isso porque nos outros dois colégios, embora não houvesse essa infraestrutura ou essa reparação, havia a vontade. Acho que se cumpre muito bem isso que você diz, Nacho, de… resgatando, acho, um rapaz no Uruguai, uma das minhas experiências que ficou comigo para que a inclusão um pouco “aconteça”, né? N.C.:— Sí, sí, Tomás lo dijo, sí. — Entonces, sí, porque incluso en este colegio en que estuve cinco años, era accesible y tenía todas las facilidades, el compartir con los compañeros de clase fue un poco tormentoso. Fue tormentoso, fastidioso para mí, incluso podría decirse sin ningún tipo, ahora ya, de problema. Incluso fui sujeto de bullying en cierto, en cierto modo. Y en los otros colegios no tanto, porque, primero, el primer, el primer colegio en el que estudié no tenía las facilidades. Estudié allí porque yo tengo dos hermanos y en el colegio en el que ellos estudiaron, mis padres quisieron meterme porque, bueno, ya conocía el colegio. Tenía escaleras, los profesores adaptaron los aularios a la planta baja. Había la voluntad, todo. Un estudiante más. Hacían todas las adaptaciones, todo lo que se requería para que yo estuviera bien allí. En el tercer colegio que fue donde me gradué de bachillerato, igual, incluso mis padres tuvieron que hablar con los directores —mis hermanos también se graduaron allí— para hacer las acomodaciones de bajar los salones. Me tocaba a mí estudiar en la planta baja. Lo hicieron, ningún tipo de problema, y fue como, los profesores, solamente con un profesor llegué a tener un inconveniente, pero fue algo aislado. Pero el resto, en la parte social, en esos colegios me sentí bien. En cambio, en este colegio que se suponía que tenía todas las garantías, entonces, allí eso es un poco algo que hay que tomar en cuenta, ¿no? Pero lo bueno es que he tenido una familia, mi familia, que me ha apoyaba mucho, me ha escuchado, porque, para mí sorpresa, luego, me puse en contacto con otros compañeros en este colegio que era inclusivo y también tuvieron experiencia similar a la mía. Solo que ellos terminaron hasta el bachillerato. Yo, prefirieron mis padres por esta mala experiencia, ponerme en otro colegio en el que sí estuviera a gusto, aun cuando no estuviera accesible a mi colección o a las adaptaciones por yo ser una persona que utiliza la silla de ruedas. N.C.:— O sea, Alejandro, tú lo que planteas es que, por una parte, están las dificultades físicas o la inaccesibilidad de algunos centros, que es algo que ya han planteado varias personas, pero que no todo es eso, sino que… — ... Sí, sí, totalmente. N.C.:— ... sino que la barrera, la barrera arquitectónica, la dificultad para poder entrar, las escaleras, por ejemplo, que decían Alejandra o Marcos, no son lo fundamental, quizás. Son una parte fundamental, pero no son la única cuestión que se convierte en barrera en la escuela. Muy bien, muchas gracias. — Exactamente. N.C.:— Muchas gracias, y más ideas por ahí, más… — ¡Hola! N.C.:— Hola, ¿quién eres? — Soy Daría. N.C.:— Hola, Daría, ¿nos cuentas un poco cómo es tu escuela? — Sí, mi escuela es diferente a las demás porque, bueno, no nos mandan tantas tareas para irnos a casa y yo creo que me divierto más allí, que como si estuviera en una escuela diferente. N.C.:— Ajá. — Los miércoles, después de inglés, nos dejan ir, o sea, cogemos un amigo, una pareja de nuestra clase, para ir a otro campo más grande que tenemos, donde jugamos, hasta que nos dicen que volvamos a clase. N.C.:— O sea, que tu colegio, Daría, es… A ti te encanta. — Sí. N.C.:—Sim, e você adora por isso, porque primeiro você disse que não te mandavam muitas tarefas, certo? — Não, só às vezes, quando não terminávamos algumas coisas que tinham nos dito. N.C.:—Sim. — E as levamos para terminar em casa. N.C.:—Sim, isso que a Daría está falando agora é algo que me interessa. Quando há tarefas que não se terminam… Alguém tem dificuldade em terminar as tarefas? — Algo me acontece, Nacho. Se mandam tarefa na minha escola, eu faço em casa. Gosto de trabalhar. N.C.:—Você gosta, ou seja, se você não tem tempo de fazer na escola, a Constanza adora fazer em casa também. — Sim, trabalhar. N.C.:—A Constanza adora tudo o que é da sua escola [risas] — Bom, e o resto... N.C.:—Também… — Sim, diga, Daría. N.C.:—Também na minha escola todas as sextas-feiras vamos de excursão, a menos que um dia haja tempestade ou chova muito, mas há, há vezes que chove um pouquinho e vamos com capas de chuva. N.C.:—Já, e todas as sextas-feiras vocês vão de excursão. — Todas, exceto, por exemplo, algum dia. No verão, sempre no final do curso, fazemos uma peça de teatro que, quase sempre, calha numa sexta-feira. Costumamos fazê-la às sextas-feiras, por isso essa sexta-feira não vamos de excursão. Por exemplo, se um dia, sexta-feira, houver alguma festa que celebremos, então não vamos de excursão. N.C.:— Ya, o sea, a ver si yo lo entiendo, Daría, y se lo cuento a todos los demás que hay aquí. Todos los viernes en tu escuela, una de dos, o estáis de excursión, o estáis de teatro. — Sí. N.C.:— Y, además, en tu escuela no mandan tareas para la casa. — No, solo si no terminamos alguna cosa. N.C.:— ¿Qué pensáis el resto de eso? — Qué quiero estar en su colegio, por favor [Risas] N.C.:— Lucía, tú quieres estar en su colegio, ¿no? — Sí, y más ahora en cuarentena, vamos. N.C.:—Vamos lá, mais ideias. O Leo tinha ativado o microfone. — Eu acho que é uma, uma fantasia. Imagina, para começar, que os professores não tenham a iniciativa de te mandar deveres, mas que o faças na aula e, se não der tempo, que o faças em casa. E que depois, todas as semanas tenhamos uma excursão, ou seja, é um plano fantástico, eu acho [risas]. Eu também quero ir para aí. N.C.:—Maria, a tua escola é a inveja de muita gente, que aqui acho, eh? [Risas] e — Eu acho que assim não viveria estressado na aula. N.C.:—Como dizias, Leo? — Que eu acho que assim ninguém, ninguém, iria estressado para a aula, como costuma acontecer. N.C.:—Costuma acontecer que vão estressados para as aulas? — Vamos lá, em geral, sim. N.C.:— Sí, — Sí, sí. N.C.:— ¿Por qué? — Porque estamos a tope con todo. Que es normal, ¿no? Vamos ahí a trabajar, pero no sé, es bastante caótico. N.C.:— Mmm, es bastante caótico, ¿por qué está desorganizado…? — Porque, para empezar, yo me organizo mal, pero, en general, es trabajo, examen, deberes, trabajo… O sea, es así todo el rato. Cuando hay una excursión, claro. N.C.:— Sí, no, es que no se tiene en cuenta la emoción de las personas y la situación de cada persona. Es que no se tiene nada en cuenta. — Claro. N.C.:— Claro. Bueno, ahora vamos a intentar hablar sobre las situaciones de cada persona. A ver, estoy viendo hace un rato a Estefan que tenía el micrófono abierto. ¿Quieres comentar algo, Estefan? Venga. — Sí, bueno, me llamo Juan “Estefan” y yo pienso que los libros podrían también estar en digital. N.C.:— ¿El qué, el qué? Perdona, que no te he escuchado. — Los libros escolares, que todos los libros, en vez de estar en folios, que se gasta mucho papel. N.C.:— Sí. — Pues que estén en digital, los teléfonos, portátiles, ordenadores… N.C.:— Está bien, eso te parece a ti importante. — Para el planeta en general, sí. N.C.:—N.C.:— Sim, muito bem. Mais ideias, Juan. — Que os professores também aprendam a escutar o estudante e que não seja só o estudante que tenha que escutar. N.C.:—Ahhh — Porque há alguns professores que se acham o centro do universo, basicamente. N.C.:—Sim? Vocês compartilham isso por aí ou não? — Vamos ver, quem me… vamos lá. Fala, fala. N.C.:—Fala Manuel. — Tem razão o que ele diz. Acho que a escola, no meu caso, está um pouco antiquada, porque, digo, o estudante também sabe, porque agora tem muitos recursos para aprender e o professor também pode aprender com seu estudante. Eu, por exemplo, não sei se vocês se lembram de que antes havia o velho ditado: o estudante é quem está em silêncio, o professor é quem sabe, e não tem por que ser sempre assim. Gera, gera uma frustração tão grande. Por exemplo, eu lembro que na escola me diziam que eu tinha que trabalhar mais, mas, veja bem, sou uma criança. Naquele tempo eu me perguntava: «sou uma criança, tenho direito a brincar, a me divertir, não sou um adulto em miniatura». N.C.:— Ya, ya. — Pero ojo, ojo, si un niño no le decían nada a la maestra y encima suponía que también hacer la fisioterapia, la piscina y no me quedaba tiempo para jugar. Por eso, por eso yo le ponía la excusa, seguía con este camino, le ponía la excusa. Además… N.C.:— No he escuchado bien, Manuel, la excusa que ponías. — Le ponía de excusa a mamá de que no tenía tarea para evadir… N.C.:— Ya, claro, además eso que tú estás contando, Manuel, me parece que, al menos cuando yo estudiaba, que ya soy un poco viejo, también era algo compartido lo de esconder la tarea que te mandan a tu padre o a tu madre. ¿Eso es algo que os pasa por ahí o, o solo le pasan a Manuel? — A mí, a mí también me pasa un poco. N.C.:— ¿A ti también, Juan? — Sí, un poquito bastante. N.C.:— Ya, y ¿por qué ocurre eso, por qué pensáis que ocurre eso? — Porque cada profesor piensa que los deberes son solamente de una asignatura por día, son 5. N.C.:— Ya, ya. — Te encuentras con un atasco de deberes. N.C.:— Un atasco, eso es como, como en el tráfico, ¿no? A ver, estaba por ahí Antón, que quería comentar algo. Venga, Antón, estamos escuchando. Quizás no tienes activado el micro. Ah, sí lo tienes, pero no te estamos viendo, creo. Ah, sí, te vemos, Antón. ¿Cómo es tu escuela? ¿Qué quieres contar de tu escuela? No se te escucha, Antón. No se te escucha, algo está pasando ahí que no funciona. ¿El resto lo escucháis? — No, no. N.C.:— No se te está escuchando, Antón. Es que ha tenido que abandonar. Eso tiene que reiniciar el ordenador. — Quizás tenga que mirar la configuración. N.C.:—Sim, mais palavras por aí, mais ideias. — Olá. N.C.:—A ver. — Meu irmão. N.C.:—Vamos. — Eu sou o Carlos. N.C.:—Olá, Carlos, o que queres contar. — Para mim, a escola está bastante bem. N.C.:— Te gusta. — Ah, sí. N.C.:— ¿Y por qué te gusta? ¿Por qué crees que te gusta tanto? — Bueno, depende. N.C.:— Ah, depende. Rápido, que hay más niños. — Pues porque paso mucho tiempo con mis amigos. N.C.:— Ya. — Estamos jugando en el patio muchísimo. Y los deberes son cortitos. N.C.:—Ou seja, os deveres têm que ser poucos ou nenhuns, isso é o importante para ti, Carlos. É muito importante estar com os colegas. — Há vezes que nos dão uma montanha de deveres.N.C.:—Uma montanha de deveres. Entre a montanha de deveres que te dão a ti e os engarrafamentos do teu irmão [risas] isto é impossível. — Às vezes, às vezes.N.C.:—É verdade, às vezes, às vezes. Tens razão. Bom, então, tu destacas da tua escola que a ti te agrada porque te podes reunir com os teus colegas, divertem-se juntos e também porque não há muitos deveres. Muito bem. Antón, vi que o teu microfone já estava a funcionar. Vamos lá, à carga. — Uma vez, o meu instituto e eu fomos ao Palácio da Ópera e não havia corrimão, já me tinham dito, mas como eu sou muito tímido, não pedi ajuda a ninguém e as…N.C.:—Estou a ouvir, corta um pouco Antón, que foste com o instituto ao Palácio da Ópera e que não havia corrimão, e que tu, como és muito tímido, não pediste ajuda a ninguém. — Sim.N.C.:—E você passou regular. — Sim. N.C.:—Sim, e por que você destaca isso da sua escola, Antón? — É culpa minha, é culpa minha, mas também da escola, porque ela me viu antes. Também é culpa minha. N.C.:—Você diz que também é culpa sua, mas também é culpa dos outros, é isso que você quer dizer? Ou que é só culpa sua. — Da escola. N.C.:—Não te entendi, Antón. — Também é culpa, também é culpa de quem me viu. N.C.:—Sim, de quem te viu. Minha pergunta, Antón, é: por que quando eu te perguntei sobre a escola, por que você escolheu isso que você está nos contando? — Porque no meu instituto, eu também vi que…N.C.:—Eu não..., é que ficou picotado e eu não entendi bem, mas, vamos ver, você diz que não ajudam no instituto e isso, isso é o que você quer, o que você queria destacar, que você não está tendo ajuda no instituto. — E como a maioria somos pessoas com deficiência, pois não 'ajudam'…N.C.:—Você diz que, o que eu entendi, não ajudam as pessoas que têm deficiência no instituto e que para a maioria vocês são apenas pessoas com deficiência. É isso que você disse, não? — E que quando é preciso compartilhar, estamos sozinhos.N.C.:—Vocês estão sozinhos. — E… não.N.C.:—Sim, então, Antón, o que você quer destacar é o mesmo que o Marcos destacou antes, que acontecia com a irmã dele. — Sim.N.C.:—Muito bem, muito obrigado, Antón, pela sua intervenção. O que vocês acham sobre isso, sobre que há pessoas que ficam sozinhas no pátio ou que não encontram pessoas que as apoiem na escola? O que vocês acham? — Eu acho que os outros deveriam se colocar no lugar da pessoa e encontrar uma maneira de incluí-la e fazer coisas com ela. Eu tinha uma amiga na escola, no ensino fundamental, que tinha síndrome de Down, e como ninguém queria brincar com ela, eu tentei ver uma maneira de brincar com ela e tentei me comunicar com ela e ver o que ela gostava e fazer o que ela gostava. Mas eu acho que os outros deveriam se colocar no lugar da pessoa e procurar uma maneira de incluí-las.N.C.:—Entendi. — Sim.N.C.:—E isso é algo que depende de..., dos colegas ou que depende dos professores, o que vocês acham? — Depende de todos. — De ambas as partes. — De todos, de todos.N.C.:—Lara pensa que por todos, por ambas partes. — Tira.N.C.:—Quem dizia de todos? — Eu. — Os professores, às vezes, não nos, não nos dizem que…, por exemplo, se aproximam mais coisas assim e, às vezes, como que não se importam, e os rapazes às vezes fazem por vontade ou por coisas. Então, eu penso que os professores deveriam motivá-los a fazer coisas.N.C.:—Sim. Muito bem, mais ideias, quem mais fala? — Olá.N.C.:—Olá, como te chamas? — Olha, pergunta-te Nacho, Abril. — Abril.N.C.:—Abril é a menor de todos nós aqui. Abril, como é a sua escola? — Tem salas onde podemos, ali, há módulos e podemos brincar. N.C.:—Ah, que bom. Ou seja, você vai à escola para brincar. — Sim. N.C.:—E é só isso que vocês fazem, brincar? Vocês ficam o tempo todo brincando? — Bom, quando já é uma hora, então vamos lanchar, depois ao parque e, por último, há uma surpresa. Mas é como, como uma festa de despedida. N.C.:—Nossa, olha, o que você está contando, eu gosto. Eu não sei se você gosta também ou não, Abril. — Gosto. N.C.:—Você gosta. Ou seja, você quer ir à escola todos os dias. — E não me mandam coisas.N.C.:—Ah, não te mandam deveres. — Já não me mandam.N.C.:—Que bom! E isso te parece bem ou não? — SimN.C.:—Ah, muito bem. Bom, muito obrigada, Abril. Mais ideias por aí. Quem mais conta? — Em…N.C.:—Vamos lá, Leo. — Sobre o que vocês diziam antes sobre integrar as pessoas na sala de aula, eu acho que isso depende tanto dos alunos quanto do professor. O professor, primeiro, na hora de estar em aula, quando chegam trabalhos em grupo, que eles também participem. Que não fiquem num canto ou que simplesmente, sei lá, que todos participem. E depois, para ir para o pátio, eu acho que os alunos, como, bom, não se colocam na posição desses alunos, então, dizem: "bom, como eu estou confortável com o grupo de amigos que tenho agora, não vou conhecer mais ninguém. Para quê, se eu tenho o meu grupo?" Então não, não dão atenção a eles. N.C.:—Entendi, e qual a solução para isso, então? — Bom, eu acho bom que os professores deem um pequeno empurrão, mas acho que isso não vai mudar muito a opinião deles. Eu acho que isso, isso deveria ser ensinado mais quando somos muito pequenos, como a idade da Abril ou assim, porque é aí que tudo fica gravado na nossa cabeça. Mas, eu acho que se… não sei, que talvez… Bom, não sei. Sim, que eu acho que, se fôssemos educados desde pequenos, bom, sei lá, seria tudo mais fluido e não haveria esse tipo de problemas. N.C.:—Entendi, mas… imagina… Bem, anoto essa ideia, tá? Que é algo que precisa ser trabalhado, principalmente quando, quando somos mais novos. Mas, e uma vez que não somos mais tão novos, o que fazemos? Por exemplo, o que os professores poderiam fazer para que no pátio alguém não fique sozinho? — Olha, os professores não acho que possam fazer muito, porque quando é hora do recreio é hora livre. Isso depende dos alunos, o que eles querem fazer com o tempo livre. Então, claro, eles preferem passar o tempo livre para estar com os amigos do que para incluir outros. Então, sei lá. N.C.:—O que vocês acham, o que o resto acha? — Eu acho errado que os deixem sozinhos, porque, porque… - N.C.:—Para você, isso está errado. — Sim, acho errado deixá-los sozinhos, porque coitadinhos. N.C.:—E... — Que eles passem o tempo todo sozinhos e depois haja grupos de 30 pessoas, sei lá. N.C.:—E que solução você vê para isso, Juan? — Bem, que algumas pessoas reflitam e vão perguntar a eles "você quer jogar futebol ou quer jogar basquete?", o que eles gostarem de jogar. N.C.:—Sim, muito bem. Mais ideias. — Eu acho, eu acho que os professores também, claro, se, também, é de todos e até de nós mesmos como uma deficiência, mas, falando dos professores, acho que, porque muitas vezes, isso pode acontecer porque, bem, temos os colegas, eles nos veem com medo. Eles não sabem como abordar. Eles têm medo porque somos "diferentes" do que estão acostumados. Por isso, sim, acho que o professor pode ajudar um pouco a quebrar esse medo, essa barreira que nossos colegas têm conosco, né? Nós mesmos também podemos tomar a iniciativa. Às vezes, dependendo do contexto, também procurar esses colegas e amigos. Também, depende das situações, mas acho que o professor pode ajudar a facilitar esse vínculo. Essa vinculação entre nós, de estarmos juntos os estudantes, todos os estudantes. N.C.:— Muy bien, muchas gracias. Sí, Marcos. Venga. ¿Qué se te ha ocurrido, Marcos? Vamos a ver. Algo se te ha ocurrido. — No. N.C.:— No, bueno, cuando se te ocurra, tú, pide la palabra. Venga, más ideas. — Yo. N.C.:— Venga, adelante, ¿cómo te llamas? — Hola, me llamo Mario. N.C.:— Mario, venga. — Voy a segundo de la ESO y a mí me molestaba el timbre porque sonaba muy alto, pero ahora ha puesto una música. N.C.:—E isso, e a música não te incomoda? — Não.N.C.:—Gostas, então, dessa mudança? — Sim.N.C.:—Bem, e o que mais queres contar da tua escola? — O dos sapos. — Diz tu. Anda, ajuda-o, tu [risas]N.C.:—Mario, o que gostas, dos teus colegas, da PT? — Ah, que...N.C.:—Vamos lá, conta, conta. Não tenha vergonha, estamos todos contando coisas. — Que eu, que eu, que eu gosto do meu colega. N.C.:—Você gosta, que… quê? — Que me ajudem. N.C.:—Ou seja, você gosta mais que te ajudem mais eles do que a PT. — Sim. N.C.:—Ou seja, você gosta mais que te ajudem seus colegas do que a PT. — Sim. N.C.:—Muito bem, e por que gostas mais? Por que achas que gostas mais? — Anda, Mario, não sejas envergonhado. — Não sintas vergonha. — Anda. N.C.:—Bom, respondes se quiseres. — Ah, porque… porque é fixe. N.C.:—Porque é fixe. Muito bem, muito bem. Muito obrigada. Mais ideias. Anda conta tu. O que ias dizer? Ai! Eras a Mar, não é? — Sim, sou a Mar. N.C.:—Anda, Mar, conta-nos. — Tenho muito claro, eh, de verdade. N.C.:—Sim, sim, eu sei — O que eu gostaria era de ter colegas. N.C.:—É isso que você gostaria, e na sua escola, você tinha colegas, ou não? — Na verdade, tive colegas, mais um, não tive colegas. N.C.:—Você não tinha colegas? — Não. Tinha professores. N.C.:—Você tinha profissões. Gosto que confiassem e acreditassem em mim. — Você gosta que confiassem em você e acreditassem em você, e isso acontecia, ou não? N.C.:—Não. — Não acreditavam em você? N.C.:—Não. N.C.:—E em que você notava isso? — Saí da escola, já a escola eu deixei, e não… não confiavam nada em mim, o que fazem é me vigiar a toda hora. N.C.:—Me vigiar a toda hora, você diz. Vamos lá, Mar, vamos ver se eu estou entendendo, tá? Você diz que não confiavam em você, que o que faziam era vigiar a toda hora e, então, você deixou a escola. Entendi bem, ou não? Como você acha que teria sido a escola para que você não a tivesse deixado? — Pois que me apoiassem e que me ensinassem. N.C.:—Que te apoiem e que te ensinem, mas, ensinavam-te, ou não? — Na verdade, não me ensinavam.N.C.:—Não te ensinavam, na verdade. E por que achas que não te ensinavam, na verdade? — Não me ensinavam porque não fazia tudo o necessário para em... ensinar-me.N.C.:—Ou seja, tu achas que não estavam a fazer o suficiente para que tu pudesses aprender, aprender as coisas. — Exato.N.C.:—Bom, muito bem. Mar, queres contar algo, queres contar algo mais, ou...? — O que mais gosto é a liberdade e de me mover pelos sítios, como os outros, e ser como os outros, também.N.C.:—E ser como os demais, mas você é como os demais, ou não? — Eu sou diferente dos demais. N.C.:—Você é diferente dos demais. — Na verdade… - N.C.:—Isso te diziam, não é? Mas você não é diferente. — Não, é que eu tenho síndrome de Down. N.C.:—E por isso te diziam que você é diferente. — Não, é que eu não sou como os demais, eu sou diferente dos demais. N.C.:— Ya, pero dices que lo que te gustaba era poder moverte con libertad, como los demás, ¿y no podías hacer eso? — No. N.C.:— ¿No? Muchas gracias, Mar, por contar tu experiencia. Gracias. — Yo quiero decir algo. Para nada creo que esté bien lo que ella dice… N.C.:— Sí. ¿Quién eres? — Lara. No creo lo que ella dice porque no es distinta a los demás, yo creo que vos sos igual a todos, sos una persona como todos, nada más que, a veces, tenemos capacidades diferentes. Pero todos somos iguales y tenemos derecho a hacer las mismas cosas y a que nos incluyan. Todos somos iguales y somos únicos y somos perfectos como somos. N.C.:— Muy bien, Lara, muchas gracias. ¿Alguien más quiere hablar? — Yo. N.C.:—Quem é você? — Eu, Marcos N.C.:—Vamos lá, Marcos, então fale você. — Eu acho que os professores têm que ajudar as crianças que estão sozinhas e ensiná-las, porque as crianças que estão sozinhas com problemas não cuidam delas. N.C.:—Entendi… — Elas não ensinam muito. N.C.:—Marcos, agora que você anotou bem a sua ideia [risas]. Já que você anotou e disse bem. Agora eu vou te perguntar, Marcos, como eles podem fazer isso? Como você acha que na escola se pode fazer para que não haja nenhuma criança sozinha ou nenhum menino sozinho? Sua proposta. Agora vamos colocar o Marcos como diretor da escola. — Indo com eles. N.C.:— Yendo con ellos, ¿cómo? ¿Quiénes? — Los profes. N.C.:— Aaaah, O sea, que los profes deberían ir con quienes están solos en el recreo. — Sí. N.C.:— Ya, ¿y así se ha solucionado ya todo? — Y decirles a los compañeros que le ayuden. N.C.:— Ya, bueno, muy bien. Entonces, ¿tú, de director, lo que harías es eso? Bien. Bueno, más ideas, más cosas que queráis expresar. Quedaba por ahí Manuel. Manuel quería comentar algo, que había pedido la palabra hace un rato. — Nacho. N.C.:—Quem é você? É que estou confuso aqui agora e não sei com quem estou falando, desculpem. Vamos lá ver. Manuel queria falar, tinha pedido a palavra. — Sim. N.C.:—Vamos lá. — Sim, o meu vai ser curto, vou tentar não me estender muito. O que eu vejo, no meu ponto de vista, é que nem todos os professores estão suficientemente preparados para ensinar. Explico-me. Na minha opinião, os professores preparam-se com uma preparação superficial. Não de tudo, porque, quer dizer, a acessibilidade de uma escola não é só uma, o acesso arquitetónico. Tem de estar também noutra parte, seja na modalidade de aprendizagem. Porque não, é como disse uma rapariga, agora não me lembro do nome: «Nem todos aprendemos de uma maneira diferente, entram também os valores». Um tem de fazer com que o estudante se sinta à vontade na escola, porque também vai ser a sua formação. Na minha opinião, os professores têm uma preparação superficial, não como deveria ser. N.C.:—Muito bem, muito obrigado, Manuel. Acho que o Antón estava por aí querendo dizer algo. — Outra coisa, que sempre quando toca ir para o refeitório e sempre há que esperar que os de primária saiam e, pois, alguns apontam para mim e riem-se de mim, e eu digo-lhes que os seus pais os têm de educar. N.C.:—Já. Ou seja, que tu vais para o refeitório, saem os de primária, os de primária metem-se contigo e tu dizes que os… — Apontam para mim, rindo-se de mim. N.C.:— Te señala. — Sí, y se ríen. Ellos saben que les estoy mirando igual que ellos. N.C.:— Ya. — Les deberían de enseñar sus padres. N.C.:— Ya. ¿Piensas que es solo una cuestión que deberían enseñarle los padres? ¿Qué soluciones podríamos encontrar? Tú has dicho una, que es que los padres deberían enseñarles. ¿Hay alguna otra solución a eso o no, Antón? — Los profesores también podrían enseñar algo. N.C.:— Ya, los profesores también podrían enseñar algo. — Sí. Bien. Yo voy a romper un poco con lo que hemos estado hablando hasta ahora para ver si me contáis algo sobre esto. ¿Qué me contáis sobre la evaluación? ¿Qué os parece? ¿Qué os parecen las calificaciones en la escuela? — Pues, me parece muy bien. N.C.:—São ótimos para você, [risas]. Olá, Jorge. — Olha, aí está você. Aí está ele, é o Nacho. — Olá. N.C.:—Olá, tudo bem? — Bem. N.C.:—Bom, o que você queria contar, Jorge? — Contar as coisas desiguais. N.C.:—Vamos lá. — Olha, quando comecei a escola, eu tinha professores muito difíceis de entender porque eu tinha uma turma que se supõe que é uma turma junta. Eu tinha uma turma e todas as pessoas juntas. Ok, muito bem, mas eu separado. N.C.:— Sí. — Y, y es como que siempre me han, me han apoyado APP, pero yo no quería que me ayudasen. Entonces, yo le pedí un día libre a Pepe y se lo dije, se lo dije con tanta pena que acabé llorando. N.C.:— Cuando tú le dijiste a los asistentes que no, que querías un día libre. — Sí, ya está, ya está. Tuvo que venir mi madre a defenderme. Fíjate lo que te digo. N.C.:— Fíjate. Y cuando tú dices que estabas apartado…, ¿cómo es eso? ¿Lo puedes explicar un poco, Jorge? — Ostras, estaba toda la clase y yo… Toda la clase atendiendo al profesor menos yo. O sea, toda la clase menos yo. N.C.:— Ya, entiendo, y tú… y, entonces, era como si tú tuvieras… A ver si yo lo estoy entendiendo bien, ¿vale? Tú estabas con tu asistente y, entonces, era como que toda la clase estaba mirando al profesor y tú con tu asistente. — Correcto. N.C.:—Sim, por isso você disse ao assistente que queria dar um dia de folga, mas disse com raiva ou com pena. — Não, eu disse com tanta pena que acabei chorando. N.C.:—Sim, sim. E quando sua mãe foi te defender lá na escola, o que vocês conseguiram, Jorge? — Bem, os professores estavam chamando minha mãe de louca. Que não queriam, não queriam que minha mãe os ajudasse e a professora de inglês disse à minha mãe sobre mim, claro. Olha, a professora de inglês se chama Marga, tá? N.C.:—Sim. — E então a Marga disse para a mamãe, supondo que fosse para mim: «olha, eu faço, eu faço as regras como tenho que fazer e, se não, pois que você se vire». — E como é o seu instituto agora? Conte. — Maravilhoso. N.C.:—Seu instituto agora é maravilhoso. — Eles me apoiam em tudo o que quero e a verdade é que tenho professores muito legais. N.C.:— Sí, ¿y por qué dices que son unos profesores tan majísimos? A ver, explícanoslo para que entendamos la diferencia entre aquellos que no y los de ahora sí. — Porque ellos querían que, los del cole, creían que yo necesitaba ayuda porque sí, porque les daba la gana. N.C.:— Ya, y tú no necesitas ayuda. — Y ahora, sí ven que puedo. N.C.:— A ver, explícate. — Estoy haciendo todo, todo lo que quiero a mi manera y todo cambió. N.C.:— Mmmm, ¿qué significa hacer todo a tu manera, Jorge? — Pues participando yo en la clase, ocupando yo, ocupándome yo mismo de mis deberes, N.C.:— Ya. — Poniéndonos, poniéndome las alarmas para llegar a clase. Todo bien, todo genial. Y a, y a partir de ahí mi vida cambió. N.C.:— Fíjate, a ver, Jorge, entonces yo estoy entendiendo que para ti lo fundamental ha sido que algo que antes estaba comentando Mar, que creyeran en ti, ¿o no es eso? — ¿Que creyeran en mí? N.C.:— Que crean en ti, ¿o no te referías a eso? Que creyeran que tú podías hacer las cosas, ¿o no se estaba refiriendo a eso? — No, todísimo lo contrario. N.C.:— A ver, explícamelo. — Queríamos, querían ofrecerme ayuda en todo. Que lo entiendo, pero en vez de ayudarme, me estaban molestando todas y todas las ayudas. Imagínate lo que tuve que aguantar. N.C.:— Ya. Lo estoy entendiendo perfectamente. Pues me alegro mucho de lo que al final has vivido, no me alegro por lo que tuve que vivir antes, Jorge. Bueno, ¿quieres comentar algo más? — No. N.C.:— Muchas gracias, Jorge. Más ideas, más cosas que queráis contar sobre la escuela. — Nacho, yo quisiera contar a mi salón. N.C.:— Venga, cuéntanos, Constanza. — Yo deseo…. Mi salón, quisiera. N.C.:— ¿Cómo, cómo? — Yo, estar sola en mi salón, yo quisiera sola, para trabajar. N.C.:— ¿Te puedo preguntar algo, Constanza? — Sí. N.C.:— ¿Lo que tú aprendes en la escuela es importante? ¿Cómo aprendes tú en la escuela? — Yo aprendo cosas con mis amis, en la escuela. N.C.:— ¿Qué es lo que aprendes? — Matemáticas. N.C.:— ¿Y esas matemáticas son importantes o no? — Sí, son importantes, ¿por qué? Nosotros hacemos restas, sumas, y ya está. N.C.:—E elas te servem? — Sim, elas me servem. N.C.:— Entendi, e elas te ajudam a aprender na escola? — Já estou aprendendo. N.C.:—Ah, muito bem, muito bem. Mais ideias por aí, quem quer falar? Quem quer comentar algo sobre como se aprende, por exemplo? Sim, Antón, querias comentar algo? — Que a professora que já comentei, não gosto. Fico zangado porque a minha professora me chama de subnormal e me enfurece. Fico zangado que uma, uma pessoa me insulte diretamente e que [no] seja despedida. Por que uma pessoa que diz isso? N.C.:—Entendi, ou seja, vamos ver se entendi. Antón, você está dizendo que sua professora de música diz palavras como subnormal ou retardado e o que você acha de uma pessoa… Sim. Acho que você dizia que isso te enfurece e que você acha que uma pessoa que diz essas coisas não deveria estar aí. — Não. N.C.:—Entendi, quando você se enfurece com isso, quando você ouve, por exemplo, alguém dizer subnormal, o que é que você sente ou o que é que você pensa? — Fico zangado. N.C.:— Te enfadas. — Me enfado. N.C.:— Ya, y ese enfado… Perdón. — Me enfado mucho, especialmente porque estamos en un colegio. Es todo, la niñez de despedir eso. N.C.:— Ya, y cuando te enfadas, ¿te enfadas por dentro o por fuera? — Por dentro. N.C.:— Porque… para afuera enfadarse. — No sé, pero también debería enfadarme e irme y no llorar. Debería irme del colegio cuando están diciendo una cosa muy destructiva sobre mi discapacidad. N.C.:— Muy bien, muchas gracias, Antón. ¿Algo más que quieras comentar? — No. N.C.:— Bueno, más ideas. ¿Quién quiere comentar algo más? — Yo. Bueno, que lo que estaba diciendo Antón, que insultar a un alumno, pues, sería sancionable de despedir al profesor o de denunciar porque, bueno, me parece muy fuerte. N.C.:— Bueno, muy bien, muchas gracias, Juan. Vamos a ver, antes había preguntado… me interesa que, que comentemos algo sobre dos cuestiones. Una, sobre cómo se aprende en la escuela. Si se aprende bien, cómo se aprende, qué es lo que se aprende. Si os parece correcto. Y, también, quiero saber qué pensáis sobre la evaluación, algo que se ha preguntado antes. Me gustaría que profundizaseis en las dos cuestiones. En lo que se aprende y en la evaluación. — ¿En lo que se aprende? N.C.:— A ver, ¿quién se anima primero? — Que se anime otro, no pasa nada. N.C.:— Venga, Juan, venga. Alto. — ¿Yo? N.C.:— Sí, Juan, Juan. — Bueno, yo pienso que el temario nos lo enseñan bien. El temario se enseña bien, lo que no se enseña es a respetar, a tratar bien a las personas y todo eso. N.C.:— Vale, entonces, cuando tú piensas que el temario que se enseña, no está mal en la escuela. Eso está bien y está bien para todo el mundo. — Y las matemáticas y todo también. N.C.:— Todo esto está bien. — Lo que no está bien es que no te enseñan, por ejemplo, a tratar con personas, por así, decirlo con dificultades. N.C.:— Ya, bien, muy bien. Muchas gracias, Juan. Alejandro. — A ver, sí, yo creo que estoy totalmente de acuerdo con Juan, también me sentí identificado con lo que dijo Mar, Manuel, Antón. Este, yo creo que, bueno, un poco respondió a tu pregunta, Nacho, no es que de por sí sea mala la evaluación. Yo creo que, más bien, podríamos hablar de la rigidez con que algunos profesores aplican la evaluación, ¿no? Son muy rígidos. Tiene como una forma de hacer las cosas y listo. Poniendo como un ejemplo, es como una puerta, ¿no? Vemos la educación como una puerta por la que todo el mundo tiene que entrar, en esta puerta y de la misma manera. Cuando no debería ser así, no tiene que ser así, porque al verlo así… que creo que es lo que me ha pasado. Bueno, a mí no tanto, pero porque mi discapacidad lo que me ha tenido son limitaciones del tipo físico, como he dicho antes, pero otros compañeros, sí. Es que, bueno, el que no entra por esta puerta y de la misma forma, es su problema. Y creo que aquí ninguno de los que estamos tenemos un problema. En realidad, discapacidad. Entonces, en esa puerta entramos todos, solo que entramos rodando en nuestra silla de ruedas, entramos con nuestras muletas, entramos con braille, con lenguaje de señas… y se trata de eso, de descubrir que esa puerta es algo que no es fijo. Y creo que, por allí, bueno, es un poco por donde puedan ir las cosas. N.C.:— Muy bien. Entonces entiendo, Alejandro, que la idea es que no todo el mundo aprende de la misma manera y no todo el mundo debería tener que, que demostrar lo mismo. — Exactamente. N.C.:— Ya, muchas gracias. — Y también, bueno… N.C.:— Sí, sí. Comenta. Comenta. — Sí, claro, disculpa. Me gustó mucho lo que dijo Mar del 'sueño de la libertad'. Yo me sentí identificado porque eso era lo que me pasó a mí. En este colegio que les comentaba antes, que era inclusivo. Sentía, más bien, como una, una presión, más o menos parecido, porque si bien entre los compañeros no era mala la interacción, la forma como me trataba desde que llegaba a la puerta... entraba por la puerta de atrás, por la emergencia. Empezando por allí, los estudiantes con discapacidad entramos por la puerta de emergencia, ¿no? Entonces me parece que es importante, que nos podamos sentir libre en la escuela. Eso es todo. N.C.:— Muy bien, muchas gracias. Está por ahí Lucía. — Nacho, quiero… N.C.:— A ver, Lucía, espera un momentito a que hable Marcos. — Sí. N.C.:— Gracias. Marcos, venga. — A mí me mandan deberes, pero a mi hermana no y todo y todo se lo han enseñado mis padres. N.C.:— Bueno, vamos a ver. Entonces, tú lo que estás diciendo es que no todo el mundo aprende igual en la escuela. —Sí. N.C.:— Ya, y no a todo el mundo le mandan tareas en la escuela, porque tú lo ves con tu hermana. Ya, ¿y qué te parece eso? — Mal, muy mal. N.C.:— ¿Y crees que tiene alguna solución, Marcos? — Sí. N.C.:— A ver, ¿nos puedes contar alguna solución tú, como director de tu cole? Si tú fueras director de tu cole, ¿qué harías? — Que el profe le ayude y le mande tareas. N.C.:— Ya, bueno, muy bien. — Como a los demás. N.C.:—Sim, como os outros. Muito bem, bom, então muito obrigada, Marcos. Lucía. — Certo, a primeira coisa é que concordo totalmente com o que o Alejandro disse, era o que eu ia dizer. E a segunda, sobre as avaliações, que, por exemplo, no meu instituto os exames contam 90% da nota na avaliação. Então, há uma que tem alguma deficiência, então, para ela compreender o temário, pois, é mais difícil e os professores não explicam, não a ajudam em nada. A única coisa que fazem é que na hora de fazer o exame lhe dão meia hora a mais para fazê-lo, mas isso não a ajuda em nada. - Isso não ajuda.N.C.:—Não ajuda, dar mais tempo, não ajuda. — Não.N.C.:—Não, por que não ajuda? Vamos ver… — Pois, se não lhe ensinas bem os conteúdos, que lhe vai servir meia hora a mais no exame? N.C.:—Entendi. Ou seja, pelo que vejo, há diferenças em como se ensina. Isso é o que o Marcos disse, que não a todos se ensina igual. E também há diferenças em como se aprende. E, claro, no final isso não se arranja num exame, só ampliando o tempo de resposta ao exame. — Sim. N.C.:—Bem. Muito bem. Vamos lá, a ver, o Leo está com vontade de falar… — Que, que com o exame, quer dizer, se 90% das notas são nos exames e tu depois o que fazes para ajudar um aluno, neste caso com uma deficiência, é aumentar o prazo do exame, quer dizer, do tempo, não demonstra nada porque, vamos ver, para o que se supostamente estudamos e para o que fazemos o exame, é para demonstrar o que aprendemos, e se tu não adaptas os temas para que essa pessoa aprenda e o entenda, por muito que alargues o exame, não, não vai mudar nada. N.C.:—Claro, porque ele tem que ter entendido, senão… — Claro, a nota é apenas uma amostra de como conseguiste explicar o que entendeste. N.C.:—Já. — Mas se tu, se… N.C.:—Se não entendeste… — Para que serve? Para nada. N.C.:—Muito bem, muito bem. — Além disso, eu acho que basicamente os exames nos ensinam a memorizar porque eu, por exemplo, faço um exame de filosofia e, dois dias depois, eu não me lembro do tema, na verdade. Eu memorizo e pronto. — Ah, eu também não. N.C.:—Já. — Não ensina a aprender, nos ensina a memorizar. N.C.:—Já, já. Então, vocês aprendem… Mas isso acontece muito? O de aprender memorizando. — Sim. Em todas as disciplinas, basicamente. N.C.:—Em todas…, mas, Juan, antes dizias que estava tudo bem em conteúdo. — Bem, há coisas que sim. N.C.:— Ya, pero ahora estás viendo algunos problemillas… — Sí. N.C.:— Muy bien. Manuel. — Yo también estoy totalmente de acuerdo con lo que se ha dicho. Creo que el modelo de enseñanza está demasiado establecido. En mi opinión, creo que es un modelo anticuado. Se deberían tomar consideraciones, pues, por ejemplo, en la adecuación del contenido a un lenguaje más explícito. O si, por ejemplo, el alumno tiene la habilidad de expresarlo en equipo como debate, por ejemplo, que se le dé esa posibilidad, porque eso frustra. N.C.:— Ya. — Para ponerte un ejemplo, yo, en la universidad, tuve adecuaciones, sí, pero cuáles eran. Era lo que decían ellos. Era el tiempo, la modalidad, la oralidad… Pero no adecuar el contenido que, en la educación, es necesario. Y no lo digo solo por mí, puede haber otros alumnos que también lo necesiten. N.C.:— Ya. — Entonces, digo, dónde están los derechos. O sea, en lo teórico muy bien, pero en la práctica hay un gran problema. N.C.:—Muito bem, muito obrigado, Manuel, pelo comentário tão interessante. — Olá!N.C.:—Olá, Daría. — Olá, olá.N.C.:—O que queres contar, Daría? — Que eu na escola aprendo também de muitas maneiras. Aprendo lendo, divertindo-me, jogando e fazendo muitas coisas.N.C.:—Daría, é que tenho de o dizer. A escola da Daría é o sonho de todos os que estamos aqui, eh, Daría. — Sim… [risas] N.C.:— Menuda suerte tienes, Daría. Bueno, más ideas. — ¡Hola! N.C.:— Hola, ¿quién eres? — Mmm, Abril. N.C.:— Abril, venga, Abril, ¿qué quieres contarnos de tu escuela? — Aprendo jugando, aprendo corriendo, tirándome en los… N.C.:— Tirándote… — En los muros N.C.:— Sí… — Y también me divierto mucho en mi escuela. N.C.:— A ver, yo te voy a preguntar una cosa, Abril. En tu escuela, ¿todos los niños y todas las niñas se lo pasan bien? — Sí. N.C.:— ¿Sí? Daría, ¿en la tuya también? — Sí. Muy bien. N.C.:— Bueno, muchas gracias a las dos. A ver, Antón quería comentar algo. — En los coles en día que había examen, tengo que ir al médico, por lo que lo hago otro día y, pues, no hay silencio. Y yo, cuando faltan otras personas un día, y otro día hacen el examen, piden silencio, porque hay compañeros haciendo el examen. Y, para mí, no. Entonces, nunca me puedo concentrar y me faltan cosas. Entonces, en mi instituto tenían un trato un poco distinto con los que tenemos discapacidad y los que no. N.C.:— ¿Es algo distinto, entonces, con quienes tenéis discapacidad, Antón? — Sí. N.C.:— ¿Solo con las personas que tienen discapacidad o es distinto con más gente, además de las personas que tienen discapacidad? ¿Creéis que hay discriminación en la escuela con más gente o solo con las personas con discapacidad? — Con más gente. N.C.:— Con más gente, ¿qué gente? ¿Qué gente veis que está en desventaja también en la escuela? — Los que, no sé, los que no están con sus padres, que no les ayudan. — Ya. N.C.:— Como suspenden, ¡ala! Pues no, no es así. — Entiendo, o sea, que, que tú dices que quienes suspenden son, son también discriminados. N.C.:—Sim. Como já suspenderam, é como se fosse um a menos.N.C.:—Sim. Certo, há mais alguém que...? Bem, Antón, querias comentar mais alguma coisa? — Não. — Eu, sim.N.C.:—Vamos lá, Mar. — Eu aprendo, por exemplo, se tu me explicas, eu aprendo medindo as coisas, como na cozinha.N.C.:—Sim. — E fazendo-o, também. N.C.:— Sí, esa es tu manera de aprender, dices. — Sí. N.C.:— Ya, y la escuela… ¿has aprendido de esa manera en la escuela alguna vez, Mar? — Bueno, en la cocina, sí. N.C.:— Ya. — No, en la escuela no aprendí eso, solo lo aprendí en casa. N.C.:— Ya. En la cocina, ¿qué pasó? — Lo de que hacía unas pizzas. N.C.:— Ah, ¿haciendo pizza? ¿Así aprendías?, dices tú. — Sí. N.C.:— ¡Ah! — A mi manera, ir haciendo yo los postres. N.C.:— Ya, ¿y así es como a ti te gustaría haber aprendido también en la escuela? — Sí. N.C.:— Ya, ¿y en tu escuela, en algún momento aprendías de esa manera, o no? — No me dejaron hacer esas cosas. N.C.:— ¿No os dejaban hacer esas cosas? — No. N.C.:— No, pero, ¿y cuándo eras más pequeña, tampoco? — No, no me dejan tampoco. N.C.:— Tampoco. Bueno, muy bien. Muchas gracias, Mar. ¿Quieres comentar algo más? — No. N.C.:— Bueno, después, si quieres, levantas la mano. Muy bien, más ideas. Estábamos tratando de hablar sobre el aprendizaje. Mario, tienes la mano levantada, venga. — Yo. N.C.:—Adiante. — Mandam-nos muitas tarefas, muitas tarefas… N.C.:— ¿Muitas tarefas? Quem está dizendo o das muitas tarefas? Mario? Mario, queres contar-nos algo? Vamos ver… que não se vê muito. Eu, pelo menos, não vejo muito, não sei se é por… — Biologia, geologia, isso é. N.C.:—O que acontece é que, Mario, eu não vejo o que está escrito no papel porque a imagem não se vê bem. Explica-no tu. — Diz-lhe. — Língua, matemática… N.C.:—Sim… São as qualificações? — Plástica, tecnologia, inglês, música. N.C.:— Mario, esas asignaturas que tú tienes, ¿te gustan o no te gustan? — Bueno… todas menos matemáticas. N.C.:— Todas menos matemáticas. Matemáticas no, pero el resto sí. ¿Es así o no, Mario? ¿Te gustan o no? Tómate tu tiempo… — Sí, me gusta N.C.:— ¿Y por qué te gustan, Mario? — Los deberes que hacen, libros no tenemos. N.C.:— ¿Cómo dices? No te he entendido. — ¿Qué libros tenemos? Aquí tengo uno. N.C.:— Habla más alto. — Aquí tengo. N.C.:— ¿Qué nos quieres enseñar? — Aquí tengo un libro que es de… N.C.:— ¿De qué es? — De inglés. N.C.:— Sí, ¿ese te interesa? Ese libro, ¿te gusta o no, Mario? — Sí. N.C.:—E na sua escola, no instituto, vocês têm livros como esse ou não? — Sim, eu também tenho outro que… — Fale sobre ele. N.C.:—Na sua escola, vocês têm livros como esse, Mario, ou não? — Não. N.C.:—Não. Bom, você quer comentar mais alguma coisa, Mario? — Já chega. N.C.:—Você quer contar mais alguma coisa sobre sua escola ou está bom assim, Mario? — Mais tarde. N.C.:— Vale, más tarde. Bueno, tú pides el turno cuando quieras, Mario. Bueno, más ideas del resto. — Yo. N.C.:— ¿Quién eres? — ¿Puedo decir algo? N.C.:— Sí — Es, como decía antes, sobre la gente que está discriminada. N.C.:— ¿Quién eres? Perdona que no te localizo ahora mismo. — Marcos, el hermano de Jorge. N.C.:— Hola, Marcos, sí, pues adelante. — Creo que hay un prejuicio por parte de todos, un poco también por parte de profesores, porque yo he visto a muchos profesores que si un repetidor, como que tiene unas dudas o levanta la mano, como que le hace poco caso porque piensan que es un dejado y que no le interesa la asignatura y, a lo mejor, tuvo, sabe dios, qué dificultad en un curso y repitió. N.C.:— Sí. — Y luego, también, pues, ha pasado, de entrar a una clase nueva y ver a un chico, y cuando me entero de que ha repetido curso, también… Ahora ya no, pero antes como que me echaba un poco hacia atrás. Como que me daba miedo, no sé. Son prejuicios, que dices tú, «uy, cuidado que ha repetido». Y luego, conociendo a gente que es repetidora y que ahora es mi amiga, he aprendido que no pasa nada. O sea, al final somos todos estudiantes, cada uno tiene a lo mejor una dificultad más grande que otros, pero… O sea, no creo que deban prejuzgarse a alguien nunca por nada. Y esto también pasa incluso en los padres cuando dices el nombre de alguien que ellos no conocen, y de pronto, te preguntan quién es, y dices, 'es que repitió' y te miran con mala cara, como diciendo, 'no te acerques a ese'. N.C.:— Ya, sí, sí. — Y no lo conocen. N.C.:— Oye, pero qué interesante esto que plantea ahora, Marcos, de… que no es algo solo que dice, por ejemplo, que dice, por ejemplo, el profesorado, sino que es algo que uno, a uno también le pasa, que tenemos prejuicios… — Sí. N.C.:— … con los demás. — Yo creo que nadie debe mirar a alguien mal por… N.C.:— Muy bien. —… por estar en un curso por segundo año consecutivo, es simplemente otra oportunidad para volver a retomar el ritmo que llevaba. N.C.:— Ya, oye, y ya que estás tú en este tema, Marcos. ¿Qué te parece la repetición? ¿Qué te parece que la gente repita en la escuela, que repita el curso? — Hombre, pues, yo creo que, vale, sé que hay gente que le molesta mucho repetir, pero obviamente es una oportunidad. Si tú no puedes pasar de curso, teniendo algunos conceptos, por así decirlo, que serían del curso en el que estás, porque luego sí que se te iría complicando y sería una bola más grande de materia pérdida, que luego vas a tener que ir recuperando, y recuperando y recuperando. Aunque también veo que, hay veces, que… los criterios para repetir un alumno deberían ser un poco más flexibles. N.C.:— Ya. — Porque… yo qué sé, a lo mejor tuviste un problema personal en un curso y también está para eso septiembre, ¿no? Puedes recuperar algunas asignaturas que dejaste en la evaluación. Que esa es otra, la evaluación. Entonces, pues eso, yo creo que le da la oportunidad a muchos, pero también le quita como la motivación a otros. N.C.:— Ya, muy bien. ¿Alguien más que quiera comentar algo sobre este tema o sobre otros temas? Me llega, me llega una pregunta por aquí que voy a trasladar, ¿vale? Es una pregunta que hace una madre del grupo. Dice: ¿Qué opináis de un alumno que apenas habla, y lo poco que habla, lo hace en inglés con todo el esfuerzo que eso supone, y que le pongan un suficiente en esa asignatura? — Me parece muy mal. N.C.:— Te parece muy mal, ¿por qué, Juan? — Porque ya que le cuesta hablar, y habla en una lengua extranjera, entre comillas, que ahora mismo es la que más se habla, pues me parece mal que, además de que hable, que intente hablar bien, y le pongan insuficiente por no querer hablar español, por ejemplo. N.C.:— Ya, muy bien. Más ideas. Alguien más que quiero responder a esta pregunta. — A ver, Nacho, yo. Me hiciste recordar con esa pregunta, la que hablaba la mamá en el chat. Un caso en mi universidad central. Este caso es como bandera en nuestra universidad, justamente para los que estamos luchando en esto de que nos dejen estar, ¿no? Porque no es otra cosa que nos dejen estar en la universidad o en la escuela. Entonces, este compañero sufrió un accidente. Él no tenía discapacidad. Sufrió un accidente esquiando en Alemania, volvió acá a Venezuela, no, perdón, en Alemania, en la operación pasó algo y tuvo el problema con el oxígeno y adquirió una discapacidad. Entonces, tiene unos superiores comprometidos y no puede hablar, por la discapacidad. Él entró para estudiar en la universidad. Cuando entró, los profesores se fueron al prejuicio, ¿no? ¿Cómo él va a estudiar idiomas modernos si él no puede comunicarse? Entonces, como una resistencia total, y al final del día, se demostró la forma en la que él podía comunicarse, que era a través de una computadora con un sistema. Podía hacerlo perfectamente en tres idiomas y, hoy en día, ya está a punto de graduarse, e incluso ha ganado premios al mérito estudiantil en la universidad. O sea, que poder, podía. N.C.:— Muy bien. Muchas gracias, Alejandro. ¿Alguna otra idea? Bueno, ya vamos como cuesta abajo buscando el cierre. Queda poquito aquí. Me interesaría saber cómo sería la escuela ideal. El sitio ideal en el que todas las personas podrían caber. Donde no habría nadie que estuviera discriminado. ¿Cómo sería esa escuela? ¿Qué es lo que habría que hacer para que esa escuela existiera? — ¿En qué sentido? N.C.:—Todos os sentidos. — Ou seja, de respeito ou de temário. N.C.:—De tudo, de tudo. Estamos falando de uma escola, Leo. Então, uma escola é um lugar onde se vai, por um lado, para aprender e, além disso, também para viver. Então, eu gostaria de saber como vocês inventam uma escola em que todas as pessoas sejam respeitadas. — Vamos ver, que seja factível, que seja possível, não algo inalcançável, pois uma escola em que as aulas fossem reduzidas, como disse meu irmão, que, que, não sei, como o das aulas de, três aulas por curso que sejam de 15 para que o professor possa atender às pessoas que tenham mais dificuldades e se possa aproveitar mais a aula. Depois, é que o de melhorar o sistema educativo, é normal que fiquemos porque há muitas coisas que precisam ser melhoradas, não é? Mas, também vejo que é bastante complicado mudar, porque vejo bastante lógico como está agora, porque, vamos ver, as… Você, quando vai a um colégio, vai para aprender. Ninguém vai gostar de tudo ou da maioria. Talvez não goste de nada, mas, claro, temos que ir para ter conhecimentos básicos, mesmo que não queiramos, porque senão a humanidade, pois, não funcionaria. E eu o que sei, se você tem um acidente, o que você quer é que o opere uma pessoa que, que já tenha os melhores conhecimentos de medicina e que possa salvar sua vida, não é? E assim em todos os âmbitos. Por isso, é necessária uma base para todos, para poder, para não ter problemas no futuro. Então, não sei, para isso existem as notas e para isso existem os exames, e por isso há trabalhos que talvez sejam um pouco excessivos e tudo isso. N.C.:—E isso, Leo, perdão. Isso não entra em conflito com o que se dizia antes de que nem todo mundo deveria passar pela mesma porta? Você entende? O que antes foi dito, um dos argumentos que foi feito quando estávamos falando da qualificação, é que não se podia qualificar todo mundo igual, diziam por aí. Que não podia passar todo mundo pela mesma porta, era a metáfora que se utilizou. — Sim, mas… Como, como? É que não podemos, é que não entendo como se poderia mudar também, porque temos, temos que fazer uma maneira em que se possa ver em que cada um é melhor, sabe? Afinal de contas, em um trabalho não vão olhar as notas do Ensino Secundário Obrigatório, sabe? N.C.:—Já. — Então, é mais para, bom, para ver por onde você vai seguir, depois o bacharelado… não sei. N.C.:— Bueno, muy bien. Muchas gracias, Leo. Más ideas, ¿cómo sería esa escuela? Venga, Antón, ibas a contar algo. — ¡Yo! N.C.:— Está primero Antón y ahora habláis vosotros. Venga, Antón. — Yo me gustaría toda, todas las… como mi profesora de apoyo. N.C.:— Se ha entrecortado algo al principio, Antón. Se ha escuchado algo que me ha dado la impresión de que era como que querías que el profesorado fuera como tu profesora de apoyo, ¿lo he entendido? — Sí. N.C.:— ¿Y cómo es tu profesora de apoyo? — Es muy buena conmigo, me ayuda en todo, y ahora en la cuarentena me escribe correos a ver si necesito ayuda con los deberes de mates y eso. N.C.:— ¿Qué te escribe o no te escribe? — Me escribe. N.C.:— ¿Que sí…? Ya, ya. — Sí. N.C.:— Bueno, entonces. La escuela que a ti te gustaría tener es ¿cómo? — Pues con todos los profesores como ella. N.C.:— Ya. — Teniendo confianza. Me da confianza y no como la… la de apoyo que me venía con los… N.C.:— Ya, entendido. ¿Terminaste, Antón? — Sí. N.C.:— Bien. Rescato, de lo que tú planteas, que para ti es fundamental que el profesorado te dé confianza, ¿sí? — Sí. N.C.:— ¿Sí, Antón? — Sí. N.C.:— Ok. Bueno, muy bien, muchas gracias. ¿Algo más que quieras comentarnos? — No. N.C.:— Vale. Bueno, alguien más que hable cómo, cómo sería esa escuela extraordinaria. Esa escuela que, que a todos nos gustaría. A ver si están por aquí Marcos y Lucía. — Yo. N.C.:— Venga. — Yo pienso en una escuela en la que todos aprenden y que todos fueran y que todos tengan amigos. N.C.:— Que todos aprendan y que todos tengan amigos. — Hola, lucía. — Dile, «hola, Nacho». — Enséñale la flor, qué chula. N.C.:— Me encantan tus flores, Lucía. Bueno, entonces, una escuela en la que todos, todos los niños y todas las niñas aprendan y que tengan amigos. Muy bien, Marcos. — Porque… N.C.:— Di, di, di. — Porque es importante. N.C.:— ¿Qué es lo que es importante? Lo uno, lo otro o las dos cosas. — Las 2 cosas. N.C.:— Las dos cosas, y si yo ahora te digo, Marcos, de esas dos cosas, aprender o tener amigos, ¿qué es más importante? — Tener amigos. N.C.:— Bueno, muchas gracias, Marcos. Adiós, Lucía. — Adiós. N.C.:— Adiós. Muy bien, más ideas. ¿Quién quiere comentar cómo sería la escuela de sus sueños? — Aquí. N.C.:— Venga, Manuel. — Sí, para mí la escuela ideal sería una escuela sin límites. Donde no te pongan, donde no te pongan un 'pero' y sin prejuicios. Donde se…, donde se siente cada uno como es y donde me dé gusto ir y que los estudiantes puedan ser protagonistas y no máquinas. N.C.:— Ya. — Que, porque parece que nos educan para trabajar? Que sí, es importante, pero también la impresión para la vida es importante. La escuela también forma parte de eso. N.C.:— Completamente de acuerdo. Muy bien, muchas gracias. — Nos educan para trabajar, pero… N.C.:— Di, di. — Pero no para la vida. N.C.:— Nos educan para trabajar y no para la vida, ¿verdad, Manuel? — Sí. N.C.:— Muy bien, muchas gracias. — De nada. N.C.:— Lucía, ibas a decir algo. — Que estoy completamente de acuerdo con él, en todo. Que nos ven, actualmente, los sistemas educativos nos ven como máquinas cuando verdaderamente somos personas con sentimientos y con emociones. Que, a lo que no nos educan, no tenemos en el colegio alguna asignatura que nos haga expresarnos cómo somos nosotros mismos, sino que todo tiene que ser mecanizado y regido por un orden, y no. En mi opinión, no nos dejan expresarnos, ni nos enseñan cómo gestionar nuestros sentimientos y a nosotros mismos. N.C.:—Muito bem, Lucía, pergunto-me e pergunto-te, Lucía, como seria uma escola que não discrimina? — Bem, primeiro, os educadores deveriam ter em mente cada situação de cada pessoa e saber como dizer as coisas porque, na minha experiência, muitos professores, ao fazerem algo a alguma criança, alguma zombaria ou algo assim, talvez tenham dito: "Não faças isso, que são coisas de retardado ou de subnormal". Então, primeiro, que se eduquem eles a saber ensinar e depois… porque os alunos tomam os professores como referência. Então, se o professor não os educa bem, os alunos, pois, também não vão saber como reagir. E, também, ensinar com mais, com mais dinamismo. Não sempre com a mesma regra de "eu ponho no quadro tal coisa e isto vocês têm de memorizar para amanhã" e, não sei, com empatia e mais respeito entre os alunos, também. N.C.:—Muito bem, querias comentar mais alguma coisa, Lucía? — Não, não, não. N.C.:—Bom, muito obrigada. Alguma outra ideia sobre, sobre essa escola que todos e todas desejaríamos? Vamos lá, Mar. — Eu não sou visível, por isso quero uma escola que… N.C.:—Ouve-se muito baixo, Mar, tens de falar alto porque, senão, não se te ouve bem. — Ah, sim. N.C.:—Venha. — Bem. Eu sou invisível, e eu gosto que me vejam.N.C.:—Que te entendam. — Sim, também.N.C.:—Muito obrigada, Mar. Quer dizer algo mais? — Também, pois, que estou cansada algumas vezes.N.C.:—Que estás cansada, algumas vezes? — Não, que lhe diziam algumas vezes que era atrasada. — Sim. N.C.:— Ah, que te lo decían. Ya, y la escuela, para que una escuela sea una buena escuela, eso no puede ocurrir ¿o sí? — No. N.C.:— Muy bien, muchas gracias, Mar. Gracias por contarnos todo lo que nos has contado hoy. Gracias. — De nada. N.C.:— Bueno, alguna otra palabra que nos cuente cómo debe ser esa escuela. — A ver, Nacho, yo rápidamente. N.C.:— Venga. — Yo creo que esa escuela, esa universidad, esa educación que necesitamos o que desearíamos es una escuela que no nos ve como un favor, ¿no? Es decir, que te estamos haciendo un favor, ¿no? Tú estás aquí porque 'te lo permitimos, te hacemos el favor de que estés aquí y, bueno, a nuestra manera'. Sin adaptaciones, encerrado, solo, en un aula separada. Entonces, que no nos hagan sentir como que nos están haciendo un favor. Simplemente, es nuestro derecho estar allí. No es ningún favor que nos hacen. Entonces, creo que por ahí puede ir eso. Que se nos reconozca como otro individuo más del aula, de clase o del sistema. N.C.:— Muy bien, muchas gracias. Estoy leyendo aquí algunos comentarios que ha hecho Isa, Itxa, que tiene 6 años y que dice que los exámenes son muy aburridos, y que… que, aprenden. Dicen que aprenden en la escuela a no hablar y a no beber agua en clase de Educación Física. Entiendo que es algo que a Itxa no le gusta y que esa escuela que a todos nos gustaría, no debería ser así. Muy bien, muchas gracias. Más ideas que queráis comentar sobre esa escuela extraordinaria. Venga, Antón. — A los profesores no les importa que nosotras aprendamos. No saben las cosas. No les importa, solo les importa la clase. Y a mí eso no me parece bien. N.C.:— Vale, dices que al profesorado no le importa lo que aprendéis, ¿sí? Que solo les importa, ¿el qué, Antón?, ¿la clase? — Sí. Que, que, sí. N.C.:— Explícalo bien para que lo termine de entender, Antón. — Que no les importa si… Lo que les importa es lo que escribes en el examen y quien se examina les da igual. N.C.:— Ya, muy bien, que lo que importa es lo que escribe en un examen y quién se examina, en realidad, no importa tanto, ¿verdad, Antón? — Sí. N.C.:— Muy bien, muchas gracias. ¿Alguien más que quiera…? Vamos cerrando ya. ¿Alguien más que quiera terminar diciendo algo de esa escuela que les gustaría tener o que nos gustaría tener? — Yo. N.C.:— Venga. — Para empezar, una escuela que te acepte tal y como eres. N.C.:— Muy bien. — Que si, por ejemplo, vas con silla de ruedas, pues que dé igual. N.C.:— Ya, que dé igual. — Que no hay que apartar a la persona que vaya en silla de ruedas o que no habla o que no sabe escribir bien. N.C.:—Muito bem, muito obrigada, Juan. Mais alguém quer comentar algo? Bom, eu acho que é o momento de terminar esta sessão que para mim foi —acho que falo em nome de todos os que estiveram a assistir a ela— foi uma sessão fantástica. Felicito a todos e a todas. Agradeço enormemente por tudo o que hoje nos ensinaram e gostaria que amanhã partilhássemos este vídeo muitas vezes e que muita gente o ouvisse, porque é um vídeo que vale a pena. Obrigada por tudo o que disseram e continuamos a trabalhar por essa escola para todos e todas.

    Trabalhar numa escola que tem de ser para toda a cidadania. A perspetiva dos profissionais

    Nacho Calderón - N.C.:— A ideia, novamente, é continuar com essas conversas. Que não sejam apenas as das mães e pais, por um lado, dos estudantes ou dos profissionais. A ideia é que, entre todos, possamos construir algo e que possamos mover algo em outras pessoas. Bom, então, eu já me calo e vocês têm a palavra. Quem quer se lançar ao ruedo? Vamos lá, Ximena acabou de pedir a palavra, então siga em frente. Ximena:— Olá, bom dia a todos. Saudações a Ignacio e a todos aqui, da Colômbia. Quero resgatar, sobretudo, essa experiência e essa intervenção, a partir dos outros dois conversatórios que pudemos ver: o dos estudantes e o dos pais, que foram muito interessantes. Gostaria de resgatar 5 pontos exatamente. O primeiro é a palavra que usamos para este conversatório, que é perspectiva, perspectiva. Sinto que nos colocou em vantagem e ver mais práticas de longe, e isso nos permite ver a nós mesmos como profissionais. Às vezes, em nossa imediatidade e em nossas salas de aula, não nos permitimos explorar e autoavaliar nossas práticas. O segundo é que realmente é possível uma flexibilização. Transformamos tudo nesta pandemia, levamos em conta os ritmos de aprendizagem, levamos em conta os apoios, os ajustes que as crianças e os meninos e meninas com ou sem deficiência precisam em suas casas, lá com suas famílias. Sinto que esta é uma amostra e um exemplo para nossos profissionais, pais e tutores que estão ao nosso lado. Sim, é possível pensar nessas individualidades e nessa diversidade que existe em nossa sala de aula. O terceiro é que as vozes das famílias se rebelam tanto nesses encontros, nesses conversatórios, quanto nessas telas através das quais os professores e professoras podemos ver essa realidade que está ali, nas casas. Eu tenho meninos e meninas de quatro anos e vi pobreza, vi desigualdade, vi como são suas camas, como é sua casa e isso me permite entender as dinâmicas e entender, às vezes, essas dificuldades que existem na própria sala de aula. O quarto é uma palavra que os meninos usavam no conversatório de estudantes e era que os professores deveríamos ser facilitadores, mas às vezes somos os que mais colocamos o obstáculo. Devemos ser amigos, devemos ouvir, devemos poder ser esse aliado das famílias, porque realmente, às vezes, estamos de uma maneira muito “impositiva”, apontando o dedo para o pai que não dá, que não contribui. E remetendo-me um pouco ao conversatório de pais, pois os pais estão simplesmente lutando por uma garantia de direitos que nós, no meu caso, que sou empregada pública, empregada do governo, temos a obrigação, sim ou sim, de promover esses direitos. Finalmente, fecho com uma frase que também esteve no conversatório de estudantes e foi «a inclusão é feita em voz baixa». Agora, há um boom de conversatórios, de webinars, as pessoas estão se candidatando, os profissionais estão fazendo, mostrando muito suas experiências, mas são experiências isoladas da realidade. Simplesmente, queria trazer isso porque muitos fazemos, mas não mostramos. Então, a ideia é compartilhar com nossas comunidades, pais, mães, estudantes e docentes. Finalmente, ter essa janela de esperança, dizer que sim é possível. Sim, podemos atender à diversidade. Espero ter sido concreta, muito obrigada por me deixar participar, Nacho. N.C.:— Muito obrigado, Ximena. Foi um prazer te ouvir. Begoña. Begoña:— Olá, boa tarde, sou Begoña, sou fonoaudióloga… N.C.:— Olá, Begoña. Begoña:— Olá, que bom estar aqui participando. Muito obrigada, Nacho. Bem, acho que fundamentalmente o que acontece com muitos profissionais é que não temos, talvez, vocação suficiente, não só para trabalhar com crianças com necessidades complexas, mas para trabalhar em educação. E isso que digo pode soar muito, muito duro, não é? Mas é a realidade com que me venho deparando. Eu dou formação a profissionais, além de capacitações também para famílias, e estou a perceber que, em muitas ocasiões, encontramos desculpas como «é que o sistema é assim». E eu penso, «ok, mas tu fazes parte do sistema e tens a capacidade de o mudar, de te revoltares contra ele». Depois, por outro lado, essa falta de vocação faz com que, também, não tentes continuar a formar-te. «É que não nos formam adequadamente». Não, é que a formação tem de ser procurada. Todos fizemos barbaridades e conciliámos a vida familiar e laboral, e daí? Acaso as famílias não estão já a conciliar como podem, mesmo fazendo de professoras e professores neste tempo de confinamento? Então, se não é vocacional, de verdade, não faz mal. Ou seja, dá um passo atrás ou para o lado e pensa se realmente esse é o teu lugar. E… bem, e acho que, com isso, para mim, foi. Ou seja, ponho o foco de atenção na vocação porque acho que é a chave; a chave para que, depois, os nossos estudantes, como ouvimos dizer outro dia, não digam que vão trabalhar, que vão stressados para a aula. Quem me conhece sabe que evito ao máximo dizer: «tens de trabalhar isto com o teu filho». Alguma vez te pode escapar, porque são muitos anos já. Mas evito dizê-lo. E, claro, a criança na aula não trabalha; a criança na aula vai aprender, desfrutar, socializar-se, etc. Então, acho que sim, que é preciso dar uma mudança de olhar importante. E vou acabar aqui, porque quero dar a palavra aos restantes, porque se me deixarem… [risas]. Vamos lá, obrigada. N.C.:— Muito obrigada, Begoña. Queria fazer um aparte para as pessoas que hoje não são do grupo de profissionais, podem comentar o que quiserem através do chat e se quiserem fazer alguma pergunta. Há uma pessoa, Luz, que está a tomar nota para tentar aglutinar algumas destas perguntas. Bom, tem a palavra agora Guadalupe. Guadalupe:— Hola. Este, pues, yo primero agradezco esta oportunidad porque, la verdad, escuchar a las madres de familia, los niños y ahora a nosotros, es una de las cosas que necesitamos. Escucharnos e irnos construyendo desde estas diferentes narrativas. Hubo un momento en el que yo… tal vez, sentí como indignación. Sí, esta es la palabra, o realmente no sé qué palabra logre describir el sentimiento cuando escuchábamos a diversas madres de familia peleando por un derecho a una educación que no debe de ser, ni siquiera, peleado. Las escuelas estamos allí justo para vivir esta diversidad. Escuchar a niños que, de pronto, decían que se aburrían en las escuelas. ¿Qué pasa con esta cuestión de la evaluación y de todo lo que hablamos? Incluso, también como madre de familia, escuchar y vivir lo que luego pasa en la casa de ustedes, con mis dos hijas, es complicado. Y eso creo que a mí me ha llevado a… justo a lo mejor. Ahorita, lo que quiero exponer. Espero ser lo más breve y clara posible. Creo que nosotros hemos normalizado mucho la violencia y la violencia entre sus diferentes aristas. O sea, alguna madre de familia igual hablaba de esta cuestión de edad, del adultocentrismo. Y creo que lo que las escuelas necesitamos, justo, es como ver de qué manera nosotros hemos analizado esta violencia. Pero también de qué manera nosotros invisibilizamos justo las prácticas discriminatorias que sí, siguen existiendo en las escuelas y que también estén de alguna manera. No nos atrevemos a hablar, decir o mirar. Creo que una de las cosas que primero deberíamos de hacer es justo eso. O sea, atrevernos a darnos cuenta de que todos hemos estado en esa postura o de que nos han discriminado en los diferentes roles que tengamos. Que nosotros luego no nos atrevemos a mirar qué discriminamos. Y ver esto y visibilizar esto en nuestra cotidianidad. Yo trabajo como directora de un jardín de niños público en la ciudad de México y, de verdad, sí estoy convencida de que hay esperanza. La participación de nuestra compañera hace un momento hablaba de esto. O sea, de vocación. Pero creo que, como de pronto decir, a los papás, a los maestros, al director. Entonces es como señalar, señalar, señalar, acusar, acusar, acusar el sistema y, la verdad, es que no nos hemos posicionado en entender que, desde el lugar donde estamos, podremos generar con nuestras rupturas esos cambios. Yo sí creo que es posible, les digo. De pronto, me he encontrado en la posición de que, incluso como tío o mamá, discriminan a veces a los niños, a los familiares o vecinos que tú tienes cerca. Pero también he vivido la otra parte. Existimos todavía muchos maestros y maestras como de verdad, así. Con esta camiseta bien puesta y de entender. Y no hay otra manera de entender y dividir las diferencias si tú misma no te miras, ¿no? Si desde este espacio, tú no te atreves a mirar cómo es tu práctica, ya sea como docente, como director, como mamá, porque si no nos unimos y no empezamos a crear esos espacios de diálogo y, sobre todo, escucha entre nosotros, pues difícilmente vamos a generar un desequilibrio que nos lleve a movernos. Por ejemplo, en la escuela donde yo estoy, esta cuestión es constante: tratar de vivir las diferencias, de aceptarnos, pero, incluso, de aceptarnos entre nosotros como colegiado. Y creo que no vamos a poder dar algo si entre nosotros no aprendemos a hacer un colegio de una comunidad, digamos, como de docentes e ir abriendo esos espacios para también escuchar y hacer comunidad con las madres de familia. La verdad es que papás o maestros estamos para que nuestros niños vivan una infancia feliz en estas escuelas. Entonces, yo sí creo de verdad que todavía tenemos la esperanza, que sí podemos hacer algo y empezar mirándonos nosotros. Y justo ir buscando diferentes espacios. Cada cual es bien diferente, pero justo tenemos que empezar a mirar a uno, bueno, pues a lo mejor yo aquí miro a mi colegiado, esta situación y de ahí empiezo a abordar. Cosas chiquitas, pero que, entre cada pasito, cada pasito, creo que podemos empezar a tejer una red como mucho más grande. A lo mejor, es una visión como muy soñadora o esperanzadora, pero, sí, creo que es posible, y justo tenemos que empezar a hacer esa cuestión de mirarnos, de sensibilizarnos, de concientizarnos para ir como avanzando. La verdad es que la educación es un derecho y ninguno de los que estamos aquí podemos permitir que ese derecho se convierta en negocio. Y, finalmente, para terminar, creo que tenemos que empezar a mirar que hemos puesto muchas etiquetas. A lo mejor, yo lo miro y digo: «ah, bueno». Y lo he vivido, de verdad, en serio, he visto a compañeras mías maestras peleando un lugar para sus hijos y es una situación dolorosa. Pero no nos podemos quedar como clavadas en ese dolor o en esta… Hay que seguir levantando nuestra voz, pero sí tenemos que empezar a darnos cuenta, también, que a veces nosotras mismas, en nuestros espacios, vamos generando todavía más etiquetas. Porque se la ponemos al niño que obtiene discapacidad o al niño que presenta x condición, situación, enfermedad, autismo, trastorno de déficit y atención, y al final es otra etiqueta. Y necesitamos darnos cuenta de que somos más, mucho que esa etiqueta, mucho más que ese diagnóstico, ese pronóstico de vida. Y lo digo de verdad, en serio, porque es complicado vivirlo teniendo este rol, incluso de mamá, maestra, compañera o directora. Al final, tenemos que empezar a mirarnos, lo que es de verdad. Entender que todos somos bien diferentes y que, a veces, seguimos generando etiquetas, más etiquetas y más etiquetas. N.C.:—Muito obrigada.Guadalupe:—Eu acho que eu ficaria aqui, neste momento. E a ideia é essa, que temos que aprender a viver nas diferenças. Muito obrigada por me ouvirem.N.C.:—Muito obrigada, Guadalupe, pela sua intervenção. Gabriela.Gabriela:— Bom, antes de tudo, muito obrigada. Acho que, para construir entre todos uma escola para todos, é começando assim, com conversas entre todos. Acho que essa ideia de convocar diferentes atores dentro dessa construção é sumamente interessante. Acho que é entre todos e em reciprocidade, tanto de direitos quanto de obrigações, de demandas e intervenções, e construções dessas intervenções, de direitos e de obrigações, de desejo e necessidades. A verdade é que eu te expressei através de um e-mail. Fiquei muito comovida com as vozes do conversatório dos meninos, de todos. Acho que trouxeram a voz da sala de aula. Eu sou psicopedagoga e atuo em uma escola como psicopedagoga no nível inicial. Também sou professora no curso de formação de professores do nível inicial do instituto Suma. E também estou no Ministério da Educação, em duas áreas, como assessora e integro equipes técnicas, sempre a partir da perspectiva de inclusão. Acho que, nas conversas anteriores de famílias e alunos, ficaram identificados bem claros os problemas que, pelo menos, eu fui definindo e que são plenamente compartilhados aqui. Na Argentina, nós compartilhamos esses problemas do aprendizado alcançado, do currículo, da metodologia, da quantidade de alunos, da formação docente, da administração e do sistema educativo. Agora, recém escutava minhas colegas anteriores e diziam, «o sistema educativo o fazemos todos», e isso é verdade. Cada um, do lugar que pode e na construção, a partir de conceitos claros e conceitos bem definidos. Na questão dos alunos, os alunos conseguem identificar lo mesmo. Que nos ensinem, porque o que se reconhece é que eles querem aprender, mas que dificuldades na forma de ensinar, não é? Em poder pensar como ensinar a todos, a todos e a cada um, porque… embora exista o desenho universal de aprendizagem, que é sumamente interessante em seus princípios, isso também não seria. Acho que sempre há também uma intervenção individual à qual se tem que ir. Alunos que diziam, «eu aprendo fazendo», e essa é uma forma também. E, também, outra coisa que os alunos destacaram foi a convivência. Esse direito a conviver e a brincar com o outro. Lembro-me quando perguntava aos meninos como se solucionariam esses problemas que eles identificam. E muitos disseram com uma simplicidade e uma clareza imensas que, na realidade, é ir falar com o professor e dizer que ele comece a ver como aprende e que fale com seus colegas para que os outros também ajudem nesse processo de aprender. Um sabe, a partir dos maiores referentes teóricos, pedagogos ou psicólogos, entre eles, Vygotsky, que os colegas são os apoios naturais dentro de um grupo de classe. E isso é o que os meninos estavam dizendo um pouco. Algo que também identifiquei foi que a Educação Especial não a veem como algo que esteja em discussão, que sei que na Espanha também está. Aqui, nós, na nossa lei de educação, a Educação Especial é uma modalidade que dá resposta a necessidades específicas. Uma resposta, uma modalidade do sistema educativo. Depois identifiquei o que é intolerável e que realmente comoveu: escutar as famílias em relatos bastante duros. E o que é intolerável e com o que se tem que trabalhar é com o maltrato, o assédio, o bullying, a falta de respeito à discriminação, a violação de direitos… Até os meninos nomearam o direito a brincar, e isso acho que, se nos escuta Tonucci, nos coloca em um desafio que é merecido, não é? Não, não, não se pode pensar nisso. E depois acho que é disso que se trata. Ou seja, um tem que seguir pensando na intervenção própria que faz e no que conseguiu em passar, no que é a integração, com uma perspectiva inclusiva e que isso, também, foi escutado em uma mãe. Bom, não sei como nomear: integração, inclusão. Porque me parece que ainda há confusão. N.C.:— Vamos encerrando, Gabriela. Gabriela:— Sim, para encerrar é… o que emocionou ouvir os estudantes e uma das frases que vou retomar dos estudantes: «os professores também têm que escutar os estudantes porque os estudantes também têm para ensinar». Assim, bom, mil graças.N.C.:—Essa foi fantástica, a verdade [risas].Gabriela:—Sim.N.C.:—Bom, muito obrigada, Gabriela. Tem a palavra Alejandro Pérez.Alejandro:—Olá, bom dia ou boa tarde, aqui do Uruguai. Bem, eu trabalho na área de formação de professores e o que eu vejo é que, na grade curricular, desde que se forma o professor ou o docente, ainda não há um conteúdo curricular em que se atenda à diversidade. Recentemente, há oficinas opcionais. Então, nessas oficinas opcionais, depende do grupo, como ele se forma, se decide fazer uma oficina de inclusão, ou não. Há uma falta de preparação profissional que, como já disseram anteriormente os colegas. Se existe vocação, investiga-se sobre o tema e busca-se especializar-se, mas se a vocação não existe, essa atenção à diversidade da qual nós tanto falamos, não existe. Então, tem que haver uma grande dose de empatia por parte do docente para atender a um corpo discente diverso que temos cada vez mais presente em nossas salas de aula. Por outro lado, todos têm que aprender. Não é somente ir socializar na escola e, nós já vimos isso nos testemunhos muito ricos que nos deixaram estes meninos na terça-feira passada. É buscar a forma particular, de cada caso, para que esse aluno, esse estudante, saia mais rico do ponto de vista de que entrou na minha aula. De novo, como conseguimos isso em cada caso? Cada caso, sem dúvida, vai nos exigir um elemento de investigação para poder conseguir que esse aluno aprenda e apoiar também a família, que sem dúvida vai nos allanar muito o caminho. Eu não quero me estender muito mais porque, o que venho ouvindo até agora, é na mesma linha em que eu venho pensando, mas sem dúvida que precisamos de estudantes felizes nas salas de aula que, também, possam aportar desde sua diversidade e que enriqueçam mais esta sociedade. Que sem dúvida esse estudante será uma contribuição para o outro que tem um pouco menos de dificuldade, não é somente que se contribui para ele. Eles têm muito a dar. Obrigado, Nacho. N.C.:— Muito obrigado, Alejandro, pelo seu comentário. Vou trazer ao debate algumas palavras. Juan levanta várias ideias [en el chat], que vou repassá-las. Ele diz: «Eu acho que é preciso trabalhar em várias linhas. A primeira, a sensibilização profissional, é levar a sério as famílias e os estudantes, que nos mostraram a luta diária que enfrentam em algumas escolas com diferentes profissionais. Assim, acho que seria preciso fazer autocrítica e nos sensibilizar e formar. Em segundo lugar, diz Juan, o modelo educativo deveria dotar de mais autonomia para nos ajustarmos a todo o corpo discente. Autonomia tanto ao centro quanto ao corpo docente, e uma flexibilização do currículo. Pouco objetivo obrigatório e aumentado segundo as necessidades do contexto pelo corpo docente. Terceiro, uma melhoria de recursos humanos. E quarto, Desenho Universal de Aprendizagem, inclusive a existência de técnicos dedicados a criar um desenho para todos dentro dos centros educativos, e que permitam nos adaptar a qualquer necessidade.» Bem, estas são as ideias que Juan havia repassado através do chat. Muito interessantes todas e me permito também trazer uma pergunta que Thelma, do chat de famílias, lança, por se pode servir. A pergunta diz: Que pequenos passos, que estejam em nossas mãos, poderemos ir dando para fazer entender a educação como um direito de todos e todas? Deixo aí a pergunta por se querem retomá-la quando surgirem mais palavras. Eli tinha a palavra agora. Eli:— Bom dia, doutor Ignacio, não sei se me ouviu. N.C.:— Sim, te ouço, te ouço. Eli:— Perfeito. Bom dia do México, fico imensamente feliz em poder participar desta mesa de diálogo que nos convida muito. Algumas questões surgiram para mim. A primeira é uma autocrítica do trabalho que promovo. Trabalho em uma escola no México que promove a educação inclusiva. É uma escola com características privadas, mas que representa uma associação civil chamada Programa Educação para a Vida, que já tem muitos anos de experiência. Várias coisas e, resgatando um pouco o que Begoña, Guadalupe e Gabriela disseram anteriormente, é preciso propor uma metodologia para promover uma escola para todos. Talvez, não sei, esses termos de integração e inclusão estão ficando para trás. Eles estão ficando como essa mesma forma de aceitar outro grupo, mas o quanto queremos promover uma escola para todos, o quanto fazemos isso com base na presença, na aprendizagem, na participação dos estudantes? O quanto fazemos isso com base em uma justiça escolar, o quanto fazemos isso com base em uma justiça curricular, o quanto fazemos isso personalizando realmente os estudantes? E quanto ao corpo docente, uma das estratégias que poderiam ser um caminho seria o fortalecimento dessas bases que os professores têm. Sempre seguimos a mesma linha: não temos uma especialização para poder enfrentar os desafios que se apresentam. Mas, eu acho que os professores têm uma característica muito importante. São fortes, são críticos, são criativos, têm uma diversidade de estudantes em suas salas de aula, têm uma diversidade de experiências. Acredito que o fortalecimento do corpo docente, de sua vocação, pode favorecer que esses contextos educativos se tornem mais ricos e cheios de oportunidades para todos. Espero que possamos, através destes diálogos, retomar mais ideias e, acima de tudo, não deixar de nos questionar e de sermos muito reflexivos sobre o que propomos nesta caminhada da inclusão ou nesta caminhada de uma escola para todos. Muito obrigado, doutor. N.C.:— Muito obrigada, Eli. Um prazer te ouvir. Eli:— Obrigada, doutor. N.C.:— María del Mar tem a palavra. María del Mar:— Olá, boa tarde. Encantada de estar na terceira fase dos encontros [risas]. Vou tentar ser muito breve. Eu acho que esta covid-19 colocou a escola, o que entendemos por escola, de cabeça para baixo totalmente, e se não a colocou de cabeça para baixo, pelo menos expôs todas as deficiências sobre as quais muitas pessoas têm vindo a trabalhar. Podemos falar de tudo, de inovação pedagógica, de rácio, de uma infinidade de coisas… mas, para não me alongar e para responder à pergunta, à questão que o Nacho colocou, eu acho que para trabalhar para que esta escola seja para toda a cidadania, é impossível construí-la sem toda a cidadania. E esse é o primeiro passo, o primeiro bloco que temos de tirar da nossa cabeça. Ao encontro do que todos os meus colegas estão a comentar, com os quais estou em consonância, aludo também ao que dizia um estudante outro dia: «é que os professores acham que sabem tudo e não nos ouvem». Pois não, não sabemos tudo. Aliás, sabemos muitas coisas, mas outras não e, além disso, essas não se aprendem na universidade. Essa é outra questão, não é? Mas depois havia uma mãe da Argentina que nos encantou a todos, que se queixava de que a professora do filho dizia: «é que eu não estou preparada». Pois sim, efetivamente, não estamos preparadas, mas é que as famílias que tiveram de enfrentar agora esta situação, também não estavam preparadas. Nem antes, nem muito menos agora. Eu acho que temos de pensar, tirar o chip de que as pessoas docentes são as que sabem tudo porque estudaram 3-4 anos, ou fizeram os cursos que sejam. Temos de romper com esse «a mim não me vai dizer esta mãe como tenho de organizar a minha turma», «a mim não me vai dizer esta criança como tenho de avaliar». Isso tem de ser rompido porque, se estamos a implicar as famílias num processo complexo, sim, elas têm de nos dizer como temos de o fazer ou, pelo menos, têm de opinar. Termino com um dos passinhos que propunha a família Thelma. Acho que ficam muitíssimos e muito grandes, mas um deles é ser antipática, cada um no seu centro, porque aqui estamos todos de acordo, mas chegamos ao claustro e somos os 'bichos estranhos', em muitas ocasiões. Então, temos de nos habituar a ser antipáticas e pôr em cima da mesa esta realidade. Muito obrigada. N.C.:—Muito obrigada, eu…María del Mar:—Perdoa se não…N.C.:—Não, esteve ajustado. Gostei muito desta última parte porque me provoca muito. Provoca-me que, por um lado, tenhamos a necessidade de encontrar empatia noutras pessoas, mas, ao mesmo tempo, tu dás o dedo na ferida na necessidade de ser antipático num sistema que realmente está a ser de verdade antipático, tal como nos ensinaram as crianças, os jovens e a família. N.C.:— Bueno, Rebeca tiene la palabra. Rebeca:— Buenas tardes, bueno, yo soy de Venezuela, soy profesora de Educación Especial y trabajo en la Universidad Nacional Abierta de Venezuela, donde se forman profesionales de Educación Especial. Por favor, Norla, llévate al niño para allá, por favor. Este…, mira, Nacho, yo recogí, para ser breve, los 3-4 elementos principales. El primero de lo que decían los padres y los niños. La formación de los docentes que manifestaban que no estaban totalmente preparados, por decirlo así. En este sentido, creo que debería generarse una formación de los docentes, donde se incluya, como eje transversal, la diversidad. Y dentro de esta diversidad, por supuesto, la discapacidad. Y que esa formación no solo debe quedar en la formación de pregrado, sino en la formación continua que debe tener ese docente. El segundo punto tiene que ver con que las familias se ven muy agobiadas con la situación, con las circunstancias en las que viven cada una de las personas con discapacidad. Entonces, en ese sentido, yo creo que nuestra formación continua debe ser un trabajo de cooperación conjunta: docente, familia, comunidad. O sea, no podemos trabajar aislados y con esto ratifico todo lo que han dicho nuestros compañeros desde que iniciamos. El otro punto es esa cooperación, que lo rescato también de lo que decía uno de los padres la semana pasada. Decía que los docentes de aula regular, lo llamamos así nosotros, estaban familiarizados, pero no tan sensibilizados, algo así, y que los de especial, los docentes de educación especial, estamos más sensibilizados. Entonces, debe haber todo lo que es esa cooperación docente, de aula regular y docente, aula especialista, no desde el punto de vista de que el docente de especial es el que más sabe o no, sino de manera conjunta. Y para mí es fundamental trabajar desde esa relación con los padres y la comunidad, desde el punto de vista de la formación. Nosotros nos apuntamos ahorita a todo lo que es el diseño curricular en la carrera, y cuesta, porque muchos de los docentes de aula regular dicen: «yo no tengo por qué saber de especial». Entonces, es importante llegar a esa concepción. Y algo muy importante, que lo aplico para nuestro país, es de lo que hablaban los compañeros, la vocación. Muchos tenemos vocación al máximo, pero, por ejemplo, en nuestro país, Venezuela, debido a las condiciones en las que se encuentran actualmente los docentes, a veces, por mucha vocación que tengas, te desanimas. Bueno, con esto cierro. Muchas felicidades por esta actividad, de verdad, gracias. N.C.:— Muchas gracias, Rebeca. Margarita. Margarita:— Boa tarde, Nacho, e a todas as pessoas que nos estão a ouvir. Nada, vou ser breve, quero comentar a minha experiência no âmbito educativo como chefe de Departamento de Orientação, ou seja, como orientadora educativa nas redes de centros de Ensino Infantil e Primário. Pude comprovar, em primeira mão, a falta de respeito, de tratamento, em relação à diversidade. Bem, digo isto porque… depois de fazer um percurso por todos os centros de Ensino Infantil e Primário, pude ver o que acontece no nosso atual sistema educativo. Por um lado, atrevo-me, de forma humilde, a comentar-vos que o próprio sistema educativo responde ao grupo maioritário, mas deixando determinados estudantes, certos coletivos em risco de exclusão, à margem do próprio sistema. E este é um ponto que nos deve preocupar, porque estamos a falar de uma escola para todos, de uma educação inclusiva e temos de, também como profissionais e investigadores, neste caso, recapitular e saber o que significa, o que entendemos por escolas inclusivas. Quando me perguntam o que entendo por escolas inclusivas, evidentemente, falo de uma escola para todos. Uma escola aberta que fortaleça os laços e, neste caso, todos os estudantes possam ser e estar. Todos. O que quer dizer isto? Onde todos os estudantes possam expressar-se com total liberdade. Escolas inclusivas, democráticas. Então, encontramos-nos num momento atual de inércia coletiva, é o que pude comprovar desde o Departamento de Orientação. Porque eu via que o que eu fazia mesmo com os meus colegas, pois não era suficiente para que chegasse a todos os estudantes. Procurava dar essa resposta educativa a todos os estudantes e uma das guias procurava em outros modelos educativos para que fosse uma escola que respondesse à diversidade. Que desse essa resposta às capacidades, às motivações. Porque via que o modelo atual não respondia, deixava relegado às margens do próprio sistema determinados coletivos. E quando falo de coletivos em risco de exclusão, refiro-me a estudantes com deficiência, com incapacidade, mas neste grupo, Nacho, também entrariam os estudantes com altas capacidades, como bem sabes. Estudantes com um coeficiente intelectual superior à média e que, no entanto, o sistema educativo não chega a dar-lhes a resposta dos recursos. Às vezes são um pretexto para os deixar de fora. Então, creio que estamos num momento muito bom, num ponto de inflexão, onde se continua a ver a diferença, evidentemente, como uma barreira e não como um valor. E precisamos entre todos de um compromisso real. Quero dizer isto porque falamos de inclusão e fala-se de inclusão em diferentes âmbitos da sociedade. Concretamente, no âmbito educativo ouvi discursos muito ornamentados, com palavras muito bonitas, mas não vejo profissionais que se responsabilizem, nem que pensem e reflitam. Temos de criar espaços de diálogo, de participação, ouvindo, como é natural, a voz dos estudantes, já que são os principais protagonistas dos nossos centros educativos e são os estudantes os principais protagonistas do centro que, no final, ficam relegados também. Não são ouvidos, não os ouvimos, não lhes prestamos a atenção que eles precisam. De facto, aproveito, bem, para vos contar uma pequena coisa. Na minha tese de doutoramento, que está em curso, dou voz a estes coletivos em risco de exclusão. A amostra realizo-a através de uma metodologia qualitativa de entrevistas biográficas. Entrevistei os estudantes e uma das principais barreiras que analisei, para além das que foram ditas agora mesmo, que comentaram as famílias, é essa falta de formação, atualização e compromisso dos profissionais. Mas não quero que recaia apenas nos profissionais, porque isto é um compromisso de todos: de famílias, de docentes, dos próprios estudantes. Como vimos nas anteriores palestras que tivemos, os estudantes têm consciência de tudo o que acontece na escola: dessas vozes silenciadas, dessas vozes ouvidas, desses estudantes populares ou desses estudantes que ficam nas margens do próprio sistema. Então, já para finalizar, temos de repensar a nossa educação: que direção têm de tomar os nossos centros; que políticas socioeducativas estão instauradas e deixam à margem determinados estudantes; que práticas educativas estamos a realizar, sim, as nossas práticas são valores inclusivos? Temos, de forma reflexiva e de introspeção, de pensar o tipo de valores, se são excludentes ou inclusivos, porque creio que estamos num sistema educativo em que se fala de inclusão, e os estudantes com NEAE, com necessidades de apoio educativo sim estão escolarizados, mas realmente continuo a ver, por parte de determinados profissionais, práticas educativas com valores excludentes. E não é o mesmo, como dizia Tony Booth, na sua guia «Índice por Inclusão». «Falar de aparência é falar de beleza em sentido harmónico». Valor inclusivo, a beleza, em sentido de harmonia, a coerência. Essa coerência da estrutura dentro da organização dos centros, que me sirva como metáfora. Então, temos de desenhar e planificar, para um futuro, que tipo de escola queremos para os nossos filhos e filhas. Queremos uma escola onde todas as crianças possam ser ou estar, criando espaços de diálogo e de reflexão. Lembra-me o que li de Selwyn nas escolas: criar espaços, comunidades de aprendizagem com metodologias cooperativas. Que não sejam os apoios um pretexto para, neste caso, determinar que estudantes entram e que estudantes ficam fora da escola. Então, nada. Já, para finalizar, Nacho, temos um pouco de repensar, todos juntos, toda a comunidade, e criar um modelo de sociedade mais coeso. Estas desigualdades que, cada vez mais, vão crescendo, são um pouco o reflexo da nossa educação, do que está a acontecer totalmente na nossa sociedade. N.C.:—Muito obrigada, Margarita.Margarita:—De nada, obrigada a ti, Nacho, e a todos.N.C.:—Ana Roble tem a palavra. Ana, você está por aí?Ana:—Sim, Olá, tudo bem? Desculpem-me. Bom, perdi a anterior, mas ouvi-a, verei posteriormente. Vi os rapazes e, a verdade, emocionei-me imensamente. Quero comentar-vos que, para mim, é muito complicado separar a minha parte de mãe da minha parte profissional. Não, não consigo. Então… N.C:— Não tens de o fazer. Ana:— Não tenho de o fazer [risas]. Não me ponhas nesse compromisso. O facto é que, quando penso em tudo o que faço a um nível e a outro, digamos que não sei, não sei separar. Perguntava-me outro dia uma mãe, pedagoga, que está um pouco farta do confinamento, como muitos de nós, como eu faria com a filha dela. Disse-me: «A minha filha recebe imensos trabalhos de casa da escola e em casa, isso deixa-me muito nervosa, porque ela só quer estar a trabalhar com missangas. A fazer coisinhas de missangas.» E eu ri-me e perguntei-lhe qual era o problema. Então ela disse-me que tinha de fazer os trabalhos de casa e eu disse-lhe que os trabalhos de casa não são o castigo e as missangas, a recompensa. «O que é que a tua filha mais gosta de fazer? Isto, e porque não trabalha a partir daí. Tenho a certeza que, trabalhando a partir daí, com as missangas em cima da mesa, se podem trabalhar outras coisas». Com isto quero dizer que, na minha faceta profissional, eu tento que as coisas sejam desta forma, ou seja, nunca, nunca, nunca ensinei nada a ninguém, a nenhum aluno, se não for a partir das suas inquietações e dos seus interesses. O aluno que se aborrece, deixa de aprender, simplesmente. E eu acho que isto o apliquei a todos os níveis. Ou seja, eu trabalho num museu e gerir um programa de oficinas inclusivas. Não gosto de lhes chamar assim, gosto de trabalhar pela convivência. Na realidade, são oficinas onde tudo tem lugar e é para todos. Ou seja, eu acho que a escola tem estado um pouco à margem do que é o ambiente, a proximidade, a comunidade e aqui, dentro do ambiente, entra a cultura. Alheia a tudo o que é o ambiente cultural. E não pode ser, não pode continuar assim. Na educação não formal há muito a aprender. Resgato por aí… antes estive a tomar algumas notas… Resgato o tema do direito a brincar, a divertir-se. O aprender fazendo, o direito a conviver. Resgato também o tema da flexibilização do currículo, dos poucos objetivos obrigatórios. Tudo isto já está na educação não formal, de uma forma ou de outra. Quando os alunos vêm ao museu fazer as oficinas, vêm para desfrutar, para se divertir e aprender, e não vêm para que eu lhes exija que me demonstrem tudo o que aprenderam e como aprenderam. Para mim é suficiente que os miúdos perguntem e se inquietem. Um aluno pergunta quando está motivado. Não te vai perguntar nada, nem te vai pôr em causa nada, quando está a ignorar o que lhe estás a contar. Então, acho que teríamos de aprender a trabalhar a partir daí. Acho que a escola não pode estar à margem da comunidade, à margem da cultura e a cultura, também não, à margem da escola. Ou seja, qualquer instituição pública deve-se aos seus estudantes, deve-se aos seus cidadãos e não pode discriminar. Não pode abrir as portas da sua instituição com projetos que não são inclusivos, que não são para todos. E, bom, só queria contribuir com este pequeno grande grão de areia. N.C.:— Muito bem, muito interessante, Ana. Eu pensava que, claro, aí se apresenta a dificuldade de como fazer para encaixar essa forma de trabalho e esse trabalho tão claramente educativo que chamámos educação não formal. Como podemos fazer encaixar isso com as propostas pedagógicas que existem agora nas escolas e com o desenho curricular que existe nas escolas? É aí que está o trabalho e, provavelmente, haverá algo que teremos de desenvolver aí, que poderíamos promover: como fazer encaixar? Ana:— Sem dúvida.N.C.:—Bom, muito, muito interessante.Ana:—Muito obrigada.N.C.:—María José tem a palavra.María José:— Hola. Buenas tardes. Yo soy María José y trabajo y trabajo como orientadora. Bueno, pues quisiera retomar algunas ideas que ya han salido de la escucha. Igual que decía Guadalupe, para mí eso sería fundamental en la escuela si queremos que sea para toda la ciudadanía: hay que escuchar. Hay que dar unos espacios para que puedan hablar, para que puedan opinar, tanto el alumnado como las familias. Y, bueno, pensando qué haría falta para que eso pudiera darse, y no se den esas prácticas discriminatorias, que también se han dicho, y no tengamos el dolor que nos ha causado el escuchar a las familias o al alumnado por esas discriminaciones tan brutales. Una de las palabras que a mí me venía es la de respeto. Respeto respecto a cómo vemos a la persona. También se ha dicho, no sé quién, la autocrítica y mirarnos. El mirarnos. Yo, por lo menos, cada día me doy cuenta de mis propias prácticas y de mi propia mirada, que no es la adecuada. O me doy cuenta de que estoy cayendo en algo, que… Por ejemplo, ayer hablaba con un tutor para un informe que estoy haciendo de un niño que se va al instituto. ¿Y qué objetivo tiene ese informe? Que lo conozcan en el instituto. Y, claro, al hablar con él, me hago consciente de eso. ¿Qué sentido tiene? O sea, ¿qué sentido tiene si yo no estoy haciendo eso con el resto del alumnado, por qué sí lo tengo que hacer con esta persona? Aunque yo intente hacerlo de la manera más… no sé, de la mirada más positiva que pueda poner, llega un informe y eso dice algo en el colegio. Entonces, no sé, por ejemplo, lo que decía Lara el otro día, ver a la persona perfecta como es. Yo creo que, cuando hacemos una evaluación psicopedagógica, estamos esperando a un alumno o alumna que no es la que tenemos delante y, por tanto, le estamos faltando al respeto a esa persona. O, todavía peor, estamos buscando a ese niño fallido porque para eso estamos pasando la evaluación. Un niño fallido, que dice Carmen Saavedra, ¿no? O sea, ¿cómo podemos ver a una persona fallida, en vez de ver a esa persona? En vez de respetar cómo es su aprendizaje, cómo es su forma de andar, su forma de ser, su forma de hablar o… o cualquier otra característica que el alumno o la alumna tenga. Entonces, yo, lo que veo es que hay una serie de palabras que han caído en, no sé si en una desvirtuación: la diversidad, el cambio de mirada, incluso la inclusión. A mí me resulta muy cansino, lo siento, estar hablando en esos términos porque creo que no dicen nada, O sea, que yo, cuando otra persona lo está diciendo, y yo creía que estamos en una misma sintonía, me doy cuenta de que no, que yo no sé qué significa la inclusión para ti. Sí, lo único que significa igual para todo el mundo es exclusión, porque no hablaríamos de incluir si previamente no hemos excluido, ¿no? Entonces, la formación yo veo que va muy encaminada a una formación técnica como profesionales, o a una formación de conocer otra metodología tal. Que yo creo que está muy bien eso, pero, para mí, falta… Por ejemplo, Claudio Naranjo también lo decía. Que falta esa parte de mirarnos, de darnos cuenta de qué estamos haciendo. O sea, cómo nos estamos tratando. Que en una profesión donde trabajamos con personas, y trabajamos con personas que se están formando, que están creciendo como personas, hay muchas cosas que debemos mirarnos y que debemos ser autocríticos. Entonces, no sé, creo que el limpiar la mirada o el profundo respeto del que tú has hablado en ocasiones. El profundo respeto al ser humano, creo que nos llevaría a…, no sé, a ver a la persona y no ver otra cosa que nos hemos inventado. Otro término que yo creo que deberíamos descartar en la escuela, y a lo mejor parece muy radical, es el término de necesidades educativas especiales, igual que la evaluación psicopedagógica, aunque es una parte de lo que nosotros estamos haciendo. Y ver esa formación, no sé, personal, como personas humanas o como le queramos llamar. Y para tener una escuela, digamos, limpia, en la que no haya caminos trazados de antemano para nadie que venga ya con un informe, con dictamen… Y, de hecho, si escuchamos, las familias lo dicen. A mí me ha dicho una madre: «no están hablando de mi hijo, no, no me están hablando de mi hijo» o "ese informe no me dice nada de mi hijo", porque no escuchamos lo que tengan que aportar las familias o lo que tengan que aportar las madres, y las tachamos un poco de locas. No sé, no me enrollo más. Yo creo que haría falta esa parte de humanizar la escuela. N.C.:—Muito bem, muito obrigada, María José. Eu me perguntava que cada vez que, ou pensava mais bem, que cada vez que eliminamos um termo, sai outro. Cada vez que sai um, cada vez que queremos eliminar um contexto porque é horroroso, inventamos outro que vem substituí-lo e que, praticamente, significa o mesmo.María José:—Não, não digo que eu não o substituiria por outro.N.C.:—Já, já. Entendi.María José:—Ou seja, é eliminá-lo e pronto. [risas]María José:—Muito obrigado, María José. Tem a palavra o Raúl.Raúl:—Bem, muito, muito interessante essa questão de mudar o olhar para nos olharmos a nós mesmos, que a María José lembrou. Eu acho que nós também estamos acostumados, sem pensar, para onde direcionar nosso olhar e, automaticamente, de forma natural, olhamos para o diferente, olhamos para o que se move e caímos no que chamo de ocultar mostrando: «olhe para este menino», para que, enquanto você se fixa nele, deixe de ver o que não quero te mostrar porque sinto medo, porque acho que não sei, que não posso. O que não quero mostrar são as dificuldades para que minha sala de aula seja inclusiva, para que minha sala de aula seja alegre, que seja viva e não uma sala de aula morta. Então, se mudarmos esse olhar, e não olho o que se espera que eu olhe, aí entro no disruptivo. E dentro da orientação, você tem que ser capaz de suportar esse não cumprir com o que se espera que, habitualmente, você tenha que cumprir, porque senão nada muda. Se todos fizermos o que até agora se espera, nada muda. Então, essa disrupção, que a princípio pode ser dolorosa para um. Descobre-se, no final, que na verdade todo o corpo docente deseja ser disruptivo, porque em uma escola que não está viva, não é verdade que as pessoas estejam bem. Nem os estudantes estão bem, onde os meninos e meninas não estão bem, e o corpo docente também não está bem. Há medo de mudar, mas não está bem. Então, dentro disso, do que não se espera, me parece, pelo menos na escola pública, que eu digo, se chama pública é porque é do povo, por que o povo não participa? Ou seja, a participação da comunidade é o que pode fazer a escola mudar tal como está. Não podemos incluir a partir de uma escola segregada, isolada de sua própria comunidade. Estou falando de comunidades, de como se trabalha em comunidades de aprendizagem. Se deixarmos entrar estudantes, voluntários, famílias… para entrar na sala de aula, nossas possibilidades de atuação se multiplicam e a qualidade da relação famílias-corpo docente se multiplica, onde já não são antagônicas; mas onde se soma. Soma-se porque se participa ativamente em todas as esferas, não teoricamente desde o Conselho Escolar, mas de verdade e democraticamente. E isso muda totalmente a qualidade da participação. Depois, claro, a nível pessoal, quando falava do disruptivo, cedo ou tarde, nos deparamos com um dilema. O que faço, me adapto ao que se espera de mim ou faço cumprir os direitos humanos? Estou falando quase, quase de objeção de consciência, porque, claro, é muito duro dizer, se você tem consciência disso: «bom, tudo bem, vou fazer, vou colaborar um pouco, com que haja um pouquinho de direitos humanos aqui…». Ou seja, se levarmos a sério, levamos a sério, e me parece que quando abrimos um debate sério, todos escutamos dizendo: «olha só, isso é sério, aqui pode surgir outra coisa». E depois, e, por último, já termino, a respeito de «a situação não se apresenta, ainda não é favorável para que eu introduza mudanças, ainda me obrigam a segregar estudantes». Não é verdade, na realidade somos muito mais livres do que acreditamos e podemos fazer muito mais coisas a partir da orientação. Pode haver um monte de modalidades de escolarização, mas sempre te dizem: «se a geral não é possível, então, passe para outra coisa». Vamos ver, se eu vejo que a geral é possível em muitos centros, claro que é possível nesta sala de aula, também. Portanto, eu não vou recomendar outra coisa, mas sim ajudar a trabalhar para que seja possível nessa sala de aula em concreto. Trabalhar, não só em mudanças metodológicas; mas, também, no que acontece a nível pessoal que nos está dificultando fazer essa mudança. Acreditamos que não sabemos quando, na realidade, os que estão fazendo, não são nem mais nem menos, nem sabem mais nem menos. Bem, deixo por aqui, muito obrigado. N.C.:—Bom, é muito interessante, Raúl, como sempre. Trago um par de perguntas. Uma delas é feita por Sandra no chat, que diz: «Por que vocês acham que essas reivindicações não transcendem o debate político e social?» E Carmen Moreno, outra mãe, diz: «Qual é o sentido do nosso trabalho?» Bom, eu disse outra mãe, mas ela também é uma profissional. Qual é o sentido do nosso trabalho? Bom, ficam aí essas perguntas. Tem a palavra alguém cujo perfil é 'Cátedra Pedagogia'.Patricia:— Perdón, no cambié el nombre. Soy Patricia. ¿Qué tal? Bien, yo tomé algunas notas, pero quiero decir que, en la parte de los alumnos, fue por demás movilizadora. Siempre por mi trabajo escuché a las madres. Soy docente jubilada en nivel inicial y siempre escuché a las madres las mismas palabras, pero escuchar a los alumnos fue muy movilizador y creo que, juntando todas las ideas que ellos propusieron, sería más o menos como un programa de didáctica. Creo que hay muchísimas cosas que ellos plantean, a las que la didáctica daría muchísimas respuestas, atravesadas con la idea de diversidad. Creo que, si tuviera que dar didáctica, arrancaría por ahí. Del grupo de madres, lo que rescato es cuando hablaban del profesorado, y acá quiero ir un poquito más allá y es, más o menos, la pregunta que se hace de por qué estas cuestiones no pasan a las políticas sociales. Creo que hay una mirada muy médica, desde un paradigma muy médico en la sociedad. Creo que es una sociedad normalizadora, como acá en Argentina. Es una sociedad normalizadora sobre la discapacidad. Es muy poco visible desde los trabajos a donde uno va a una oficina, es rarísimo que te atienda alguien con discapacidad, es rarísimo que en un programa de televisión haya alguien con discapacidad, fuera de este rol. Creo que hay una cuestión social frente a la discapacidad, frente a esa normalidad, que no se nos presenta como tal. Fui directora de Jardín de Infante, como contaba la compañera de México. Las maestras me han dicho que, realmente, ellas no se sentían preparadas, ni profesional ni personalmente, para atender a ahí a una alumna. Me acuerdo, particularmente, una alumna que vino en silla de ruedas. Creo que hay algo desde lo personal y lo actitudinal, que tiene que ver con las discapacidades y la mirada hacia lo no normal de la discapacidad. Así, yo creo que lo vemos. En cuanto al profesorado, por lo menos acá en Argentina, el profesorado que va por el lado de común es separado a los que estudian la Educación Especial. Yo creo que estas dos cosas tendrían que estar juntas o, por lo menos, conectadas de alguna manera en algún momento de la carrera, porque creo que ahí es donde está el quiebre. En muchas carreras docentes no hay algo que atraviese con la diversidad. Puede llegar a hacer algún taller, algún encuentro voluntario del profesorado. O sea, acá le decimos 'profesorado' al lugar donde van a estudiar para docente. Ahí hay algo que no está junto, va por caminos paralelos. Me parece que debería haber muchísima más articulación, en ese sentido, porque tiene que ver con esto de la voluntad. A veces los docentes, por movilidad, se hacen cargo de las actuaciones que tienen que ver con la inclusión. Yo tengo muchísimas experiencias excelentes, y muchísimas experiencias no tan buenas, donde un docente, a pesar de no sentirse preparado, se prepara de alguna manera, para atender a ese alumno. Considero que la escuela tiene que tener muchísima más relación con lo que acompaña a ese alumno, tanto con sus padres, que son los que realmente lo conocen, como todos los profesionales que a veces atienden a ese alumno. A veces hay terapistas, hay psicólogos y psicopedagogos que pueden dar muchísima ayuda en ese sentido para la mayoría de la situación y de la mejor forma. Y me quedo con una pregunta que hacía, creo, Marcos, en el grupo de los alumnos: «¿Qué se puede hacer para que no haya niños solos?» Y Jorge pregunta ahora, se supone que en una clase la gente está junta y no separados, cuando ellos hablaban de que estaban separados en los grupos. Marcos decía verlos como a los demás. Creo que todo lo que dijeron los chicos es para analizar profundamente, desde muchísimas disciplinas. Del arte, la pedagogía, la inclusión, la teoría del aprendizaje, pero hay que tener una mirada más abarcativa y menos, como decía una de las compañeras, «de etiquetas». Creo que las etiquetas ahí marcan muchísimo un camino, que lo determinan, que lo prefijan y allá van, no hay otro camino por el que se pueda mover esa etiqueta. Creo que verlo como un alumno más, un alumno del conjunto, ir descubriendo de a poco cuáles son las formas en que aprende, cuáles son sus gustos… Creo que sería una de las cuestiones necesarias e imprescindibles. N.C.:—Muito bem, muito obrigada. Sim.Patricia:—E uma última coisinha. Acho que o corpo docente também teria que dar um lugar ao docente reflexivo. A esse docente que, mesmo sem saber o que fazer em determinado momento, possa ter uma prática reflexiva sobre sua própria prática e, a partir daí, encarar essas questões como outras, mas particularmente nesta que estamos conversando. Nada mais, obrigada. N.C.:—Muito bem, muito obrigada. Tem a palavra a Caterina.Caterina:—Olá, saudações do Peru. Eu queria trazer aqui três ideias a partir da conversa de um pai de família que me fez repensar muito. Aqui as compartilho com vocês. Um pai mencionava que dependemos da sorte ou vontade de contar com um bom profissional que ensine nossos filhos e, aí, como que vieram muitas novas ideias. Uma delas é que, já conversamos durante este diálogo, a educação não é um favor, não, é um direito. Mas é preciso criar esses espaços de reflexão para questionar como a escola tem funcionado. Depois, também pensava que muitos profissionais podem ter pouca experiência em ter uma relação com pessoas com deficiência. De repente, a formação também tem sido muito pobre, não é? Um único curso de Educação Inclusiva na grade curricular não é suficiente para ser um docente que realmente acredita em inclusão. Mas também acho que é importante, e isso menciono porque me lembro de uma mãe em uma conferência que nos dizia que acreditava que a educação inclusiva é um espelho no qual ninguém quer se ver, porque, no final, ninguém quer se reconhecer diferente, mas também é muito igual ao outro porque podemos ter os mesmos sentimentos, não é? Eu acreditaria que muitos de nós, talvez, e muitas pessoas que trabalham em escolas, podem ter muitos medos, preconceitos, frustrações e crenças associadas à pena. Se nós professamos em ser empáticos, é preciso validar que isso pode acontecer, não é? Isso pode ser verdade e, no final, a inclusão é um processo do qual se aprende caminhando e é totalmente válido que haja medos e frustrações. No entanto, há uma terceira ideia, que me parece uma das mais importantes: é preciso assumir a responsabilidade. Nós não somos quem temos que fornecer as dicas, as fórmulas mágicas para que isso aconteça. É o docente quem tem que se comprometer com uma inclusão para todos os estudantes. Algo que me ficou do diálogo de estudantes é o que eles querem ou o que buscam. Acho que querem que confiemos neles, que eles têm todo o potencial para aprender e são aprendizagens para toda a vida. Não somente na parte social; mas também, na parte do que eles buscam, quais são suas metas, quais são seus sonhos. O segundo é que acho que querem que os conheçamos também. Os estudantes não querem que os ignorem, que os deixem sozinhos no pátio, que sejam a última carteira da sala. E, em definitivo, concordamos que um relatório psicopedagógico não pode estigmatizar e não pode categorizar. São as famílias e os estudantes que podem dizer o que buscam, o que querem, como são, como podemos ajudá-los. E não ajudando com pena, mas ajudando a partir da potencialidade de que eles são autônomos, eles podem alcançar seus sonhos. E, bom, o último… Na verdade, gostaria de dizer muitas coisas, mas também gosto de ouvi-los [risas], é que acho que todos temos que nos perguntar: por que e para que nossos estudantes vão à escola, o quanto estamos fazendo para contribuir para que todos os seus sonhos e suas metas sejam possíveis e que eles realmente se sintam capazes de alcançá-los. Muito obrigada. N.C.:— Muito bem, muito obrigada, Caterina. Tem a palavra a Mónica. Mónica:— Respondendo à pergunta que fizeram sobre por que acreditamos que os políticos não estão atendendo às necessidades, eu acho que é porque eles realmente estão muito piores do que nós em nossa profissão. Eles têm muito mais necessidades e acho que ficaram muito para trás em muitas coisas. Não há políticas públicas, não há uma visão de longo prazo e, mais a nível educacional, são necessárias visões de muito longo prazo. Então, claro, pedir… é como pedir peras ao olmo, porque eles realmente não estão no que é necessário. Eu entendo que a pessoa que se dedica a nível político e se dedica, realmente, e é seu trabalho, é porque faz um serviço aos outros e isso não está integrado neles. Então, é muito difícil que eles realmente estejam à altura. E, depois, basta ver, por exemplo, acho que o Marc comentou, que toda a pandemia e todo o confinamento revelam muitas dificuldades, que já se sabiam antes, o que dificulta. Porque sabemos que há grupos muito vulneráveis, sabemos que há pessoas com deficiência que saíram à rua e tiveram problemas, sabemos como estão os idosos em residências, não é novidade para ninguém. Então, quem foram os grandes abandonados? As crianças. Tudo foi feito de costas para as crianças. As crianças não puderam sair à rua, as crianças não puderam ir ao parque, ir às zonas verdes. Ou seja, então, claro, realmente está-se a legislar de costas para a infância. E, depois, para continuar um pouco, para mim, a figura do professor, do docente, é um assistente fundamentalmente e é um assistente que, sobretudo, tem que estar ao serviço dos outros, a nível incondicional, do olhar, da voz, do corpo, do vínculo, da relação e, sobretudo, com muita presença. A presença é o que realmente a criança capta e isso é o que faz com que tudo flua de outra maneira. Claro, tudo isso implica aceitar, por exemplo, que as crianças têm diferentes modos, diferentes tempos de escuta, etc., etc. Diferentes modos de aprendizagem, diferentes interesses. Daí, obtemos que cada criança é um mundo. Então, é como dizer ao outro que me importa como ele é realmente, como é essa pessoa. Tudo isso gera um vínculo, gera uma relação. As crianças disseram isso de forma super clara outro dia: gera uma confiança. Para mim, é fundamental. Se não há confiança, não há relação, não há vínculo, não há… não há energia entre nós, com o que, é que tudo carece de sentido. Então, a sala de aula carece de sentido. A mim parece-me fundamental duas coisas. Nosso trabalho tem dois pontos muito importantes. O pessoal, que é um trabalho pessoal, Raúl explicou muito bem. Nós entendemos que devemos ser um agente de mudança. As pessoas que realmente estão a ser um agente de mudança é porque pessoalmente trabalharam isso a fundo, não são cursos de 20 horas num centro de professores. Estamos falando de formações muito mais longas, de um conhecimento pessoal e de um saber estar com os outros, porque eu pude trabalhar qual é a minha presença em relação aos outros e como me sinto quando vejo que há um confronto na sala de aula ou no pátio, por exemplo, que é onde se estão a produzir a grande maioria dos problemas. A segunda vertente é a comunidade. Ana disse, oxalá todos tivéssemos a possibilidade de estar no museu muito mais tempo e de fazer atividades, com pessoas com as quais estamos convivendo em nossa comunidade. Todo esse trabalho em comunidade com os artesãos onde estiveres vivendo. E se vives numa zona rural, para mim, é maravilhoso. Um trabalho em equipe é fundamental. As equipes não são só um professor, somos muitos os que podemos estar na sala de aula, os que devemos atender a essas crianças. Porque eu posso me vincular com uma criança ou com duas ou com três, mas sempre haverá alguma com a qual, por alguma razão, porque todos somos humanos, não posso me vincular mais e não posso chegar mais. Para responder coisas concretas, quais são as necessidades? As crianças disseram muito bem outro dia, em escolas pequenas. O tamanho importa muito, para mim, importa muitíssimo. Escolas pequenas. Há um livro precioso que fala de que o pequeno é belo, acho que é assim, e devemos tentar tender a isso, escolas pequenas. O como, há que procurar. É que não podemos, dizia, Raúl, parece-me, ficar parados. Depois, se além disso há um unitário onde possam compartilhar a outros níveis, ainda muito melhor. Não falo de inclusão, porque dou por garantido que têm que ser escolas para todos. Ou seja, isto já me parece de outra galáxia, e é o que está a acontecer. Contato com a natureza, importantíssimo. Agora viu-se a grande necessidade que há. Bom, agora vê-se, há muitos anos que se está falando, mas agora viu-se pelo confinamento. Em relação direta com as famílias e com a comunidade do bairro, e depois, comentou-se muitíssimo também, jogo e exploração. O jogo é exploração, é aprendizagem, é emoção. Então, por favor, aos do Secundário também há que deixar jogar. É importantíssimo que joguem. O jogo é o que nos vai dar o vínculo com o outro, a relação com o outro. E, depois, por supuesto, movimento, movimento corporal, movimento a todos os níveis, porque estamos muito acostumadas a estar 7 horas na sala de aula, muitas crianças sentadas, e isso é… enfim, não tenho palavras, não tenho palavras. N.C.:—Muito obrigada, Mónica.Mónica:—Nacho, posso acrescentar só uma coisa? É que somos duas, mas, claro, estamos juntas…N.C.:—Ah, claro, claro. Diga seu nome, por favor.Cristina:—As duas somos professoras. Acho que estes espaços em que nos reunimos, porque assim refletimos, são fundamentais. E eu acho que, atualmente, a situação que acabamos de viver desmascarou absolutamente a escola. A realidade é que estamos a anos-luz de entender o que é uma criança e de nos entendermos como pessoas. Então, acho que a sociedade continua a pensar, como foi dito antes, nos adultos e não nas crianças. E repare, quando nos pararam, a primeira coisa que se colocou foi continuar a partir da câmara de vídeo, dando, dando, dando. Oferecendo o professor, oferecendo o que há a fazer e o que se deve, a partir de um controlo, com a necessidade de controlar o que se está a fazer ou a deixar de fazer. Então, eu acho que é fundamental que ser professor não é uma questão de vontade; é uma questão de ser. De uma escuta pessoal profunda para entender a criança e saber como observá-la. E essa mudança de olhar, que já foi falada em alguns momentos, está em aprender a poder observar a minha criança para poder entender as crianças dentro da sala de aula. Formá-las, e acho que atualmente é uma questão social, como seres críticos, seres com autonomia e com independência. É fundamental que trabalhemos nisto. Como? Eu acrescentaria tudo o que Mónica disse. Como o que estamos a fazer, em espaços onde nos encontramos com as crianças, e que abertamente podem dizer-nos tudo o que pensam e tudo o que sentem, mas sem esse 'limitar', porque o professor quer sempre concluir e dizer que a sua opinião é a mais valiosa. Não. Todos, todos, e não quero fazer exclusão a ninguém, todos fazemos parte de uma sociedade da qual temos de aprender a ser. Todos. Nada mais, obrigada.N.C.:—Muito bem, muito obrigada, Cristina. Carmen, vamos ver se conseguimos. Não se te ouve. Tens de configurá-lo nos três pontinhos à direita, em baixo. Imagino que sabes. Vai a 'Configuração' e vês qual microfone tens posto. Não. Continua… continua a experimentar sem medo, embora a tua voz irrompa agora quando o consigas. Outra possibilidade que eu acho que deverias fazer é que, se não o conseguires, reinicies, pelo menos, a aplicação, e se não, o computador. Vamos lá, agora recupero-te. David tem a palavra. Ui, minha nossa! O tempo está a esgotar-se. David:—Ok, here I am. I'll introduce myself, I'm David. I work as a teacher of what, in Spain, is known as PT, Therapeutic Pedagogy, a support teacher so that people from other countries can understand. I'm Jorge's teacher, Sandra's son, whom you'll already know if you've seen the first video. The truth is, before discussing all the actions I had at Prat, I first wanted to talk about what led me to join this forum, because really, at first, I wasn't planning to participate. I saw it as something that, well, I'm not one for participating in forums, for speaking out loud, so to speak, but I think the trigger was seeing the first video, the video of the families. And seeing how all those families, all those mothers, spoke with such tension about education, about the educational system. I had noted down certain phrases that struck me as quite striking, such as Inma's, who said that we have to empower ourselves, that the school won't empower us. That kind of statements that show that we are doing something wrong, obviously, and we are doing very, very wrong in education, to the point that we are leaving students so much to one side. That's why I decided to participate, to say that they are not alone. That there are indeed people in education who still think we should help these people, that we should stand up for them, and that we have to make a change from within. You were talking about eradicating the educational system from the root and changing it again. I totally agree in that sense, because diversity is not going to be responded to in this way. Let's talk about Jorge's case, which as a specific case can help us illustrate my way of understanding education. When I met Jorge, at the beginning of the school year, we had a first meeting for the evaluation and so on, and, of course, we ended up talking about what he wanted for his education, for his education, for the school year. If you know the story, he came from a school where, well, inclusion really shone by its absence, and, of course, he ended up telling me, basically, that what he wanted was freedom and autonomy. In the end, that's what all children want. Autonomy, to feel that, even though they are children, they can make decisions. And I think that's the key, understanding that they can make their future decisions even as young children. In that sense, I think it's an act of bravery for teachers to make those kinds of decisions for their students' education. I think the motto of this forum was "Between wanting and being able to". Well, I think it's there, you must be able to, the bravery of the teacher is what will determine the real change in the educational system. The bravery of the teachers, of all of us really. We all have to collaborate to change this system and move it towards something that truly helps everyone else. Afterwards, I had a couple of things to tell you, but about the coronavirus situation, from the educational perspective or from what I'm seeing in terms of what it caused in educational methodology. I, for example, was already quite a follower of technologies, I was quite a technocrat in that sense, and now they are being discovered as a method of inclusion, as they are allowing students who had no way of interacting in class to do so. In Jorge's case, for example, having a computer or a tablet greatly facilitates his class methodology, the ability to complete activities, the ability to set alarms for activities. I think it's one of the keys to the new education. That's why I wanted to highlight it at this time. Then, the capacity of teachers to adapt, which is something that I think has already been discussed in this forum on several occasions, forgive me if I go on too long and I'll try to be brief. The capacity to adapt to specific situations and what you have in the classroom, which, in the end, are not 24 children that you can replace with another 24 children, and the class will be exactly the same, no. You have to see that each one of them is different, regardless of whether they have special needs or a situation, that. Each teacher has to see and value that, and know how to respond. That is one of the keys to a good teacher. Then, regarding the change in the educational system, the key is that, to make it more democratic and more transparent, because there was a lot of talk about the evaluation that needs to be in the educational system. Evaluation is not just about the student, obviously, getting a 5 or a 10, no; it's also about the evaluation of teachers, we teachers also have to get a 10, and the educational administration, in general. Therefore, that's where I wanted to focus as a driver of change for that new education. And, well, that's all I wanted to comment on. It's a pleasure to share this space with such good professionals, with such good ideas, and a huge greeting to everyone. Let's hope that what we all want to achieve will eventually be achieved. I trust that it will. N.C.:—Muito obrigada, David. É também um prazer escutá-lo. Vamos com a Inma.Inma:—Olá, boa tarde. Bem, aproveito, coincidindo a minha intervenção depois da de David, para lhe agradecer porque ele me mencionou e gostei muito da sua intervenção e do que disse. Quero começar nomeando Marcos que, como diretor da sua escola, outro dia, para resolver o problema da sua irmã, disse que tinha que ser o professor. E depois, a Leo, que disse que era preciso ensiná-lo desde pequenos. Sou educadora infantil de primeiro ciclo. Somos o primeiro degrau do sistema ou, melhor dizendo, o último, porque somos os que têm pior consideração, e acho que é onde começamos, com a sementinha. Há crianças no sistema educativo desde as 16 semanas. Ou seja, temos uma geração de crianças que entram no sistema educativo desde muito cedo e, no entanto, o que menos querem é estar nele. Vou continuar com o que Marcos e Leo disseram. Então, no infantil, a nossa metodologia é o jogo. Com o jogo as crianças aprendem muitas coisas e também se atendem necessidades. As crianças no Infantil estão em diferentes estágios de desenvolvimento, portanto, há muchas necessidades diferentes a atender. Há crianças que se comunicam e outras não. Verbalmente, quero dizer, porque comunicar, comunicam todas. Então, como educadora de infantil, desenvolvemos na sala de aula uma metodologia onde todas as crianças estão incluídas e todas as necessidades são atendidas. Eu acho que Leo acertou em cheio, ensina-se desde pequenos, mas o que acontece? Que chega um momento no sistema educativo onde isso é abandonado. É de crianças pequenas e não se pode fazer, mas não é assim. Acho que concordo com Mónica em que é preciso brincar, porque é preciso fazer abordagens com experiências. Eu, por exemplo, li um livro que me marcou muito, «O adulto perante a criança". É um livro de experiências que eu acho que é superimportante. As experiências que, bem, não deixam de ser um jogo, mas não um jogo como se quer entender basicamente. Também há outra coisa que gostaria de dizer, e é que no Infantil fazemos uma assembleia, que é muito importante, uma maneira de receber os estudantes. Os estudantes expressam-se, como dizia Manuel. O estudante tem que falar; Manuel tinha muita razão. E nós, a crianças muito pequenas, damos-lhes a palavra. Muitas, como digo, não falam verbalmente, mas nas assembleias está tudo preparado com imagens que lhes permitem expressar-se. Porquê, quando chegam a outras etapas, isto é um nulo total? Não entendo, quando isso poderia continuar. Perder meia hora por dia da jornada a receber ou despedir todos os estudantes, não tira tempo. Acho que nas salas de aula do Ensino Básico desaparecem cantos, desaparecem. Eu não digo que tenham cantos de brincar, mas podemos fazer com coisas de conceitos ou de normas de classe ou de convivência, fazer cantos onde as crianças reforcem certas coisas. Então, estou de acordo com Marcos e estou de acordo com Leo, o que acontece é que não sei porquê isto é abandonado. E acho que o primeiro ciclo, daqui vou reivindicá-lo, de Educação Infantil, é muito importante e acho que deveria estar mais incluído e não tão excluído. Concordo com Guadalupe e, acho que era diretora, e com as duas professoras de Jardim de Infância. Elas falam de que se relacionam muito com as famílias, sim. É que, no primeiro ciclo, como não estejamos com a família… Mas é que no primeiro ciclo de Infantil, no segundo, no Ensino Básico, no Secundário. Em tudo. A família tem que estar em tudo porque eu, para poder desenvolver o que eu quero na sala de aula, preciso saber dessas crianças. Preciso saber se dormiram bem, preciso saber se estão a comer mal, porque tudo isso vai impedir-me de desenvolver a minha prática, a minha metodologia. Então, se eu com 20 crianças de 2-3 anos sou capaz, porquê não se pode no Ensino Básico? No secundário que há adolescentes que dizem que se reprogramam. A adolescência reprograma-se um pouco para voltar a assentar os pilares da infância, coisas que ficaram sem resolver, porque o Secundário trata o adolescente… [risas] Não sei, tem-no bloqueado. Então, as coisas que não se resolveram bem, anquilosam-se e não se resolvem nada, zero. Quero também destacar que gosto muito do poema da orelha verde, esse do senhor maduro com orelha verde. Quero que, por favor, todos os professores tenham uma orelha verde. No final, todos o estão a dizer: é preciso ouvir, é preciso ouvir. Vi neste confinamento o filme de Maria Montessori, da sua vida autobiográfica. Eu sou muito fã dela e gostei ainda mais. Era médica, estudou medicina. No entanto, desenvolveu uma pedagogia educativa importantíssima. Então, acho que os profissionais da educação podemos aplicar o bom senso, podemos aplicar a nossa vontade de formar-nos ou de ler, que a leitura é muito importante. Isso ajuda-nos a abrir a mente e o campo do que temos falado. E quero recomendar, para terminar, o livro «O monstro das cores", que se trabalha com as crianças pequeninas. Para todos esses professores que, como disse Caterina, têm medo, frustração, preconceito… É para crianças pequenas, mas serve para toda a gente. Muito obrigada. N.C:—Muito bem, muito obrigada, Inma. Tem a palavra a educação Teima.Teima:—No final, pensei que ficaria sem a minha vez. Que difícil é resumir tudo o que estamos a ouvir. Repasso tudo o que as famílias disseram, tudo o que os alunos disseram e tudo o que tenho vindo a recolher ao longo destes anos de experiência. Trabalho numa entidade de pessoas com diversidade funcional, na Teima, que fica em Ferrol. E trabalho na etapa de educação, acompanho rapazes que estejam em etapa educativa obrigatória e pós-obrigatória, mas também acompanho os contextos onde eles se desenvolvem, e um desses contextos, logicamente, é a escola. A escola e a família. E dizia que me é muito difícil ficar com ideias porque acho que as chaves foram dadas todas. Acho que, se recolhermos toda a informação que saiu no outro dia com as famílias, recolhermos o que saiu com os alunos, as chaves estão aí. Acho que uma das coisas que está a acontecer é que não nos ouvimos uns aos outros. Acho que este fórum está a servir para isso e acho que essa parte é muito necessária, porque, no final, parece que cada um vê o problema no outro e nunca chegamos a soluções que sejam realmente efetivas e eficazes. Eu, pela minha experiência, vejo que há uma grande insatisfação por parte de todas as partes envolvidas, por parte das famílias, por parte dos alunos, por parte dos professores, mas, o certo é que, dentro de toda esta insatisfação, no final, as pessoas que saem pior paradas são sempre as crianças. Vejo que as realidades se repetem em todas as partes do mundo e acho que, bom, a minha conclusão é que a escola deve ser uma. Tiraria-lhe todas as etiquetas. Nem tem de ser regular, nem tem de ser especial, nem tem de ser pública, nem privada, mas sim que uma escola deveria servir para qualquer criança, seja qual for as suas características. Fico com um comentário do Marcos, que disse no outro dia que a escola para ele era muito boa; no entanto, para a irmã dele não era tanto. Fico com a frase da Carmen Saavedra que diz que, se separas na escola, separas para a vida inteira. Fico com tantas frases. Como a que disse no outro dia a Patricia Viron, que os expulsam a eles e nos expulsam a nós. Ou seja, a escola expulsa quando tens um filho que não se encaixa na norma, expulsa filhos, expulsa famílias, avalia, diagnostica, classifica… Para quê? Se depois não ensina. Fico com a frase que disse a Mar. Disse que tinha professores, mas que na realidade os professores não lhe ensinavam. Que não tinha colegas. Para que vou à escola se não tenho colegas? Onde está essa parte social? E fico com a frase de «renunciar aos monitores de apoio», porque não estavam a ser usados como apoio, mas sim como exclusão. Se eu vou a uma escola e preciso de um apoio, e a escola não me está a fornecer esse apoio; no entanto, fornece-me outro que não estou a precisar, não está a funcionar. A escola não pode ser sofrimento, como saiu no outro dia também, porque não atende a necessidades básicas. Por que é que uma escola não pode atender necessidades básicas? É que não somos humanos. Então, acho que está também tremendamente desumanizada. Está completamente descontextualizada, saiu no outro dia também. Os projetos educativos de centros são de copiar e colar, as programações de aulas são todos os anos as mesmas, não têm em conta a realidade que têm, não consideram os estudantes que têm. Não sei, falta de transparência também. Muita falta de transparência. Não se conta a verdade às famílias. Tudo está enviesado. Isso faz com que tomes decisões condicionadas porque não tens toda a informação. Falta de expectativas. Utilizam materiais de Infantil para rapazes que, se calhar, têm 18 anos. Por favor, que continuem a crescer, que não são crianças para sempre. No entanto, os materiais estão ano após ano, após ano, a fazer sempre o mesmo. Isso acaba por gerar uma imagem distorcida para eles, porque acabam por se ver como que não são capazes, e, no final, a mensagem que estão a dar aos seus colegas também é distorcida, porque os estão a ver a vida toda como se fossem pequenos. A escola, geralmente, olha para o diagnóstico. No final, procuramos soluções para um diagnóstico, sem ter em conta essa pessoa, não é? Não sei, continuamos a depender da sorte, dizia a Paula no outro dia, «de profissionais que assumem o desafio de pegar na turma do meu filho», mas, por que podemos ter essa decisão? Ou seja, como, como é que alguém pode ter a possibilidade de escolher se quer ou não quer? Em qualquer outra profissão, um pode escolher? Pergunto eu. Não sei. Um pode escolher assumir a responsabilidade da sua profissão, ou não assumi-la. Acho que estamos a falar de uma profissão suficientemente importante. Não sei, acho que somos náufragos, dizia também um pai no outro dia. Somos náufragos que, quando encontramos uma ilha, nos agarramos. Ou seja, no final, resulta que as coisas, quando funcionam, são a exceção, não são a regra. A regra é que, geralmente, não funcionam. E fico com comentários dos rapazes onde falavam que, geralmente, os grupos são demasiado grandes, mesmo sabendo que isso condiciona o ensino. Ou seja, nem o professor está confortável com grupos grandes, nem as crianças estão confortáveis, porque também não podem aprender. Que está muito centrada nos conteúdos, que esquecem os aspetos humanos, que está centrada no rendimento académico. Como é que alguém pode ir à escola para aprender com um nível de stress tão enorme? Professores que não ouvem e aprendem. Desculpa, Jorge, há poucos casos. Os que há, que, por favor, se multipliquem. A falta de vocação, que também saiu hoje. E, depois, essa sensação de culpa. Como é que pode ser que o Antón vá de excursão e se sinta culpado porque não foi capaz de pedir ajuda, porque tinha medo ou é muito tímido, quando sabe que há uma professora que o está a ver, além disso? Acho que, se vamos a uma escola que não está a fornecer os apoios que precisa, mal vai, não é? Acho que temos uma escola que se foi construindo à base de remendos e que está a dar lugar a um monte de falhas e que não cobre o que tem de cobrir. Esta é a minha visão, assim rápido e à pressa [risas]. N.C.:—Bom, rápido e correndo, você nos deu muitas, muitas chaves, Susana, então muito obrigada e seguimos. Peço, por favor, a quem ainda resta, que limitem muito a intervenção. Lucía. É que estamos estourando o tempo.Lucía:— Olá? Em princípio, eu tinha pensado em dizer algumas coisas que já fui dizendo no chat, mas pronto. Agora, como resta pouco tempo, resumirei bastante. Eu acho que os que estamos aqui, em princípio, somos uma amostra enviesada do que nos podemos encontrar nas escolas habitualmente. Ou seja, não é isto o que habitualmente encontramos nas escolas. Felizmente, também há, mas não é o habitual. Então, claro, falamos de relatórios, de se fazer ou não fazer relatórios. As crianças são delimitadas ou marcadas, inclusive, pelo apelido, e isso, vamos ver como o eliminamos. Ou seja, eu tive crianças em que só o apelido já indica como as têm, querem situar ou colocar, etc. Então, claro, é difícil se vamos com estas mentalidades, não é? Depois, por outro lado, falamos da formação e mais. Ou seja, eu tive alunos em estágio do Mestrado de Inclusão Educativa e também de Magistério e, curiosamente, dizem-lhes «vamos trabalhar com uma criança cega de 3 anos numa escola em tal sítio» e, surpresa. Recém-saídos da escola, está bem?, e num mestrado de inclusão educativa, ficam surpreendidos que isto ainda aconteça. Então, acho que a formação deveria mudar e deveria evoluir para o que encontrarão nas aulas de verdade. Que podem encontrar um aluno cego, um aluno surdo, um aluno que anda com um andarilho, um aluno com diversidade em geral, não é? Inclusive diversidade cultural, de um sítio, de outro, etc. Depois, outra coisa, o tema dos centros. Ou seja, surpreende-me como a ninguém chama a atenção, como grupos que um ano funcionam com um estilo de tutoria, no ano seguinte deixam de funcionar e começam a ir mal. E ninguém se pergunta por que e a ninguém estranha. Ou seja, eu isto vivi em mais de um centro, centro que dizes: «uh, que bem!, estas crianças vão fenomenal, que não sei quê, que não sei quanto», e no ano seguinte dizes, «mas o que está a acontecer, o que está a acontecer?» Pois algo está a acontecer. Isso, por um lado, e depois, outro tipo na organização dos centros, o ano, a semana. Dizia um dos rapazes que se tinha encontrado mais incluído ou melhor num centro onde não estava prevista a inclusão, e não num centro onde era tudo adaptado e tudo sem barreiras e tal. Pois isto também nos deve levar à reflexão. Mas, sobretudo, a mim o que sim gostaria de incorporar é que não entendo como há determinadas atitudes ou determinadas coisas que se podem permitir. Ou seja, não entendo como se pode permitir, e já no outro dia comentava no Facebook porque eu também vi, que haja professorado que diga: «eu a este miúdo na aula não o quero», mas, como pode ser? Ou seja, nós imaginamos ir ao centro de saúde e que diga o médico, «não, eu a esta pessoa não atendo». Não sei, pode haver médicos que também tenham as suas reticências em relação a algumas coisas, eu que sei. Pode haver um médico que diga: «eu não quero atender esta pessoa, porque é fumador e a doença que tem procurou-a». Ninguém entenderia, não aceitaríamos. No entanto, podemos aceitar que alguém não queira um aluno na sua aula, não é? Então, eu acho que tudo isto nos deve levar à reflexão e adoro que se deem estes espaços, porque se ouvem reflexões muito interessantes, mas também estão as outras. E, de verdade, tem que haver sistemas que isto avaliem, pensem e não permitam. Não se podem permitir atitudes como que, por exemplo, um parecer é super válido para excluir uma criança de um centro e que tem que ir para um centro de Educação Especial. Vamos, isto é um parecer de profissionais, mas nos pareceres dos profissionais também põem outras coisas. Adaptações que os alunos precisam ou coisas que se têm que fazer metodologicamente para que um tipo de alumnado possa funcionar, e isso, pois, se faz, faz-se, e se não se faz, pois tem menos importância. Então, bem, eu deixo essas reflexões rápidas e, de verdade, que adoro estes espaços, mas acho que a realidade é outra[risas]. N.C.:—Bom, Lucía, aqui se reuniu quem tinha interesse em discutir sobre isto, mas também é preciso pensar que não sabes quem vai ouvir isto, porque, quem nos ia dizer que a sessão da semana passada ia ser ouvida em uma semana por mais de 20.000 pessoas? Era um grupo de crianças e jovens, que não pretendiam outra coisa senão falar, e houve muita gente que ouviu.Lucía:—Não, não, se eu adoro e fico feliz que se reflita e que se fale, mas, eu acho que, de verdade, tem que haver outros mecanismos para que quem não nos ouve e não pensa assim ou quem é igual. Ou seja, é que têm que cumprir e pronto, [risas].N.C.:—Completamente. Bom, muito obrigada, Lucía.Lucía:—A vocês. N.C.:— Tiene la palabra Rebeca. Rebeca:— Hola, soy Rebeca. Soy de San Paulo. No hablo español. Voy a hablar portugués lentamente. N.C:— Muy bien. Rebeca:— Inma habló de lo que dijo Leo la semana pasada. La semana pasada, Leo dijo que los niños pequeños juegan con amigos con todas sus diferencias, y, claro, soy maestra de niños pequeños en la educación de la primera infancia. Estoy de acuerdo en que, desde que somos pequeños, tenemos que enseñar más. Leo trajo una idea que está muy presente entre los sufrimientos, y es que cuando somos jóvenes, se debe enseñar a convivir con la diversidad. Si no es de pequeño, ya no se aprenderá. Creo que esta es una idea que debemos romper entre los maestros, que la coexistencia debe continuar sin ser mencionada para ser un éxito con los niños y que ellos tengan la oportunidad de pensar en esta tercera coexistencia más plural en la educación desde la primera infancia; que pueden tener el derecho de tener la sensación de que también tienen este derecho, no solo para las personas con discapacidad u otras diferencias, sino que todos somos diferentes. Que esta convivencia plural continúe siendo promovida y discutida durante toda la escolaridad. Si los maestros creemos que las personas aún pueden aprender, que aún pueden reflexionar y pueden cambiar a lo largo de sus vidas, incluso, después de ser adultos. También pienso en términos de convivencia y relaciones sociales, en términos de enseñanza. También creo que podemos pensar que la educación de la primera infancia puede enseñar mucho, porque, cuando hablamos de personas que aprenden de diferentes maneras, si la escuela es a tiempo completo, pensamos en una enseñanza simultánea en la que todos están sentados al mismo tiempo, cómo accedemos a las diferencias, a los diferentes modos de aprender, los diferentes tiempos, los diferentes tiempos en la sala. No solo para niños con discapacidad, sino para todos los niños. Creo que la educación de la primera infancia puede enseñarnos a probar diferentes trabajos en rincones de trabajo y propósitos que están sucediendo simultáneamente en todos los niños y los jóvenes. Están haciendo cosas en su momento con diferentes métodos de aprendizaje y que el maestro, incluso si solo es uno, puede organizarse con la clase liderando grupos. De todos modos, creo que es una forma de pensar que sentimos que podemos aportar contribuciones al pensamiento de los demás en las etapas de enseñanza. Muchas gracias a todos los presentes. N.C.:— Muchas gracias, Rebeca. Tiene la palabra Juanita. Juanita:— Hola, un gusto estar en esta reunión con ustedes. Un saludo, Nacho. Los saludos desde Montes, en la Nueva México. Yo soy supervisora de Educación Especial y quisiera comentarles un poquito acerca del recorrido que hemos tenido hacia la inclusión educativa de los alumnos que atendemos. N.C:— Muy breve, Juanita, porque estamos yo sobre el tiempo. Juanita:— Ok, sí. El camino hacia la inclusión en nosotros ha sido un poco difícil, pero hemos estado logrando avances, ¿no? Yo pienso que cada escuela es diferente. Estamos trabajando ahorita en los colectivos escolares, en consejos técnicos, donde la mirada la hemos estado poniendo a las barreras, no en los alumnos. Estamos viendo que las necesidades, ahorita, tienen que ser en las escuelas, en los maestros, en materiales. Lo han estado comentando. La escuela tiene que estar preparada para recibir a los alumnos. Todos tienen derecho de estar. Se ha estado trabajando en las normas de inscripción, acreditación y promoción, desde la legislación. En el estado de Sinaloa, tenemos nosotros el derecho prioritario de que los alumnos deben estar en las escuelas inclusivas. Se ha hecho un trabajo enorme con los padres de familia y empoderándoles, diciendo que sus hijos son sujetos de derecho, que pueden estar en una escuela, como los demás alumnos, cerca de su casa, que tienen el derecho de convivir, de aprender y nos queda claro que los alumnos aprenden de sus compañeros mucho más que de los maestros. El convivir con ellos, participar en los recreos, en las actividades lúdicas, es de mucho beneficio para ellos. Nosotros tenemos como zona, ahorita, por ejemplo, con esta pandemia, un reto de contactar a todos los alumnos que atendemos. Tenemos alrededor de 580 alumnos inscritos en nuestra estadística y los maestros tenemos ese reto. Contactar a las familias para saber cómo están. Que platiquen los alumnos con sus maestros, que se sientan acompañados, que se sientan importantes. Y soy de la creencia, como dice Carlos, que sin presencia no hay inclusión. Hay que empoderar a las familias. Nosotros, también, tenemos trabajos en centros de Educación Especial. Yo atiendo un centro particular y otro nuevo público. Los dos son diferentes, pero en los dos se está haciendo el trabajo de sensibilizar a las familias de que sus hijos pueden ir a la escuela regular. En algunas ocasiones, hasta los mismos padres los llevan. Esto nos ha gustado mucho, porque se ha ampliado mucho la cobertura de maestros de apoyo, que les llamamos aquí en México. Maestros de apoyo psicopedagógico que están en las escuelas, apoyando a los maestros, en la elaboración de materiales, en el diseño de sus planeaciones, con las adecuaciones que, ahorita, pudiéramos decir que son los ajustes curriculares. Y hay que hacer ese cambio desde cómo nos comunicamos. Yo les digo mucho a los maestros, desde cómo utilizas el lenguaje, es como tú actúas. Les decíamos, ahorita, una etiqueta tras otra, algunos dicen alumnos con bat. Entonces, ahí hay que estar nosotros siempre muy listos. Es decir, no es el alumno el que presenta barreras, es el sistema, es la escuela, es el maestro, somos, incluso, las autoridades educativas quienes tenemos alguna barrera. Aquí, lo importante, para cerrar, Nacho, es que la comunidad se construye desde lo real, las micropolíticas de cada escuela. Nosotros, como autoridades educativas, desde cada zona estamos construyendo inclusión. Nosotros, en cada escuela, con cada director, se hace la diferencia. Desde los que están dirigiendo la educación, hacemos la diferencia. Este es un camino que apenas empezamos. Me da mucho gusto compartir con todos ustedes, quizás, somos pocos los que seamos de México, pero todo casi nuestro modelo, viene de España. Entonces, yo los sigo muy de cerca y es un gusto estar con ustedes, escucharlos, y mucho que aprender. Ojalá nos volvamos a ver. N.C:— Muchas gracias, Juanita. Igualmente, Mercedes tiene la palabra, aunque Mercedes, ¿me permites un momento que introduzca las palabras de Carmen? Que estaba antes y no ha podido entrar porque tenía el micrófono que no le funcionaba. Mercedes:— Sí, sí. N.C:— Dice Carmen, «me hubiera gustado decir que la escuela es el reflejo de la sociedad y ese salto cualitativo se da en Secundaria, direcciones pedagógicas y mucha democracia». Eso es lo que ella recomienda. Dice, «la educación no es individual, es social". Hablamos con el corazón, pero, a partir de la secundaria, la escuela busca trabajadores. Por eso, cuando en secundaria se hacen adaptaciones, después de cumplirlas, el alumnado no titula. Esa es la realidad. La realidad es que hay que cambiar, formar a personas, no a trabajadores para el mercado. Para remar juntos hay que exigir el derecho a la educación a todos los responsables: dirección, orientación y equipos educativos, no profesores, de forma aislada e individual. Mientras sea así, será voluntarismo.» Yo creo que engancho esto que traslada Carmen con lo que antes había planteado Mar: ser antipáticos. Mercedes, tienes la palabra. Mercedes:— Muito obrigada. Olá a todos e a todas. Em primeiro lugar, queria agradecer-te a ti, Nacho, por realizar estas sessões, estas conversas, que a mim me estão a servir muito e estou a aprender muito. Bom, eu sou doutora pela Universidade de Jaén, além de professora na Universidade de Jaén do curso de Trabalho Social e Educação Social. Então, o meu caso, digamos, é especial. Um pouco descompensado, porque tenho 50 anos de experiência em universidade funcional e um anito de experiência como professora. Por isso digo que está um pouco descompensado. Mas bom, já tenho os dois pontos de vista. Agora não vou entrar em como foi a minha formação e tudo, porque vou demorar muito. Mas, bom, o pouco tempo que levo como professora, é verdade que não se pode transladar a educação da universidade para a escola infantil e primária, as características são diferentes. Mas, bom, eu tomei aqui uns apontamentos e a ver se sou capaz de resumir. Estou de acordo com quase tudo o que se disse, mas alguém disse uma coisa da ponta, que é que o professor deve ser facilitador. Se o professor ou a professora não cumprem este objetivo, pois, mal vamos. É verdade que há professores e professoras que, em vez de facilitar, prejudicam. Outra coisa que também me chamou a atenção da secção da semana passada e da outra, dos pais, é que muitos falavam que a educação do seu filho dependia do professor ou da professora que lhe calhava. Então, a mim isso parece-me muito forte. Que a formação do teu filho ou da tua filha dependa de quem te calha. Isso como se soluciona? Pois, vem-me à cabeça uma palavra: compromisso. O que acontece é que, infelizmente, não há uma pílula para tomar e aumentar os níveis de compromisso; depende muito do compromisso dos profissionais, que se implicam na formação dos estudantes. Antes desta manhã, preparei um pouco isto e olhei para a página web da Universidade de Jaén para ver exatamente os cursos de Educação Infantil e Primária, a ver se havia alguma disciplina específica sobre diversidade funcional, deficiência… Olhei as três que há na Universidade de Jaén, que são a Infantil, a Primária e a Educação Social, e as três reúnem quatro disciplinas, mas são muito, muito amplas, sobre a diversidade. Uma precisamente era sobre a escola inclusiva, mas olhei o temário e era… Depois, outra era sobre as TIC, sobre recursos pedagógicos, mas muito amplo. Realmente, como professora de universidade também, preocupa-me sobretudo a origem dos profissionais, da formação desses profissionais, que depois, ao longo da sua vida profissional, por supuesto, continua a formação sempre. Mas na universidade, o que se faz? Desta, não há uma, não sei se chamar-lhe especialização. A mim não me gusta chamar-lhe assim, acho que a formação tem que ser ampla em muitos aspetos. Mas, bom, não há uma formação específica em crianças com diversidade funcional ou com necessidades especiais. Não há uma formação criada e depois está sempre o recurso de que alguns profissionais te dizem: «eu não estou formado nisso». Mas, bom, é como o que dizia antes, compromisso. Depende do compromisso que tu tenhas de ver as coisas, embora não o tenhas visto na universidade. Em resumo, que me parece também muito importante a formação universitária e, a partir daí, pois, tenho que falar contigo, Nacho, em privado, porque me veio uma ideia de um estudo também muito interessante. N.C.:— Muito bem. Mercedes:— Um estudo muito interessante seria a reação dos alunos perante um professor com diversidade funcional, também, mas isso é já outro tema que veremos outro dia. Mas bom, era isso [risas]. N.C.:— Muito obrigada, Mercedes, pela sua intervenção. Bem, terminámos todas as intervenções. Teria gostado que tivéssemos tido um pouco de interação entre nós, mas já ultrapassámos bastante o tempo e não deve prolongar-se mais. Quero agradecer a todos e a todas, a cada uma das intervenções, que me parecem ter sido muito ricas. Resta-nos agora o trabalho de extrair algumas das ideias fundamentais que fomos trabalhando em cada uma das conversas. Resta, ainda, a conversa dos investigadores e investigadoras, a ver na próxima semana, o que é que nos contam, o que oferecem a todo este debate. E eu tenho a sensação de que nunca acaba, nunca acaba aqui, como que é sempre pouco, fica sempre escasso, precisamos sempre de mais. Uma das questões que ficou em aberto para mim, pessoalmente, foi algo que, para mim, foi fundamental na semana passada e é a preocupação, o interesse, o fundamental para os rapazes e as raparigas, para os jovens, não era o que maioritariamente para o corpo docente é, que é o académico, mas sim que eles dedicavam tudo. Eu acho que o Marcos deu-nos uma lição no outro dia, sendo tão pequenino, uma lição fantástica do que é a escola, que sentido deveria ter a escola, como está a escola neste momento. Ele dizia, dizia que, que para ele a escola era melhor que para a irmã, porque a ele mandavam-lhe tarefas e porque ele estava com os amigos. Nesse momento perguntei-lhe eu: «Marcos, e entre essas duas coisas, a de te mandarem tarefas, ou seja, tudo isso que tem a ver com a estrutura de tarefa académica, o aprender e o ensinar, e a outra, que é estar com os amigos, o que é que mais te importa?». «A participação social na escola?» Ele não hesitou. Disse que o mais importante eram os amigos. E, provavelmente, se queremos construir uma escola diferente, uma escola que não caia nos mesmos erros que tem a escola atual, seguramente deveríamos fazer recair o peso do nosso interesse e da nossa preocupação nessa segunda parte, que é a da participação, a do estar juntos. Provavelmente, já o advertiram em algumas das nossas intervenções fantásticas. Esse estar juntos e esse apoiarmo-nos um ao outro é a forma de fazer com que as aprendizagens sejam valiosas, sejam significativas, contribuam para a nossa felicidade e para a felicidade dos estudantes. Bem, deixamos por aqui e agradeço enormemente a sessão. Oxalá haja muita gente que a escute e que continuemos com estas conversas, não só aqui; mas que as continuemos cada um e cada uma no seu espaço e nos seus lugares. Bem, um abraço. Adeus.

    Investigação educativa e educação inclusiva. Do que sabemos ao que fazemos

    Nacho Calderón:— Boa tarde a todos e a todas. Começamos mais uma sessão. A última das que tínhamos programadas até o momento. Nesta ocasião, vamos falar sobre investigação e educação inclusiva. Há algumas pessoas novas, a quem eu me permiti o luxo de convidar porque pensei que suas vozes poderiam alimentar bem o debate de hoje. E há outras pessoas que estão aí, à sombra, que podem, que estão interessadas em todos esses debates e que podem participar através do chat se quiserem trazer alguma ideia. Eu acho que hoje seremos menos pessoas do que o costume. Talvez, possamos interagir mais. A ideia do debate é dedicar uma primeira parte a apresentar ideias iniciais de todas as pessoas que estejam interessadas em participar e, depois, começar a fazer um pouco mais de diálogo entre nós. O gatilho que havia sido proposto inicialmente era esse título: «investigação educativa e educação inclusiva, do que sabemos ao que fazemos». Essa é a ideia fundamental que está por trás do encontro. Eu a desdobro em duas grandes ideias ou duas grandes inquietações para mim que, talvez, não coincidam com as apostas, mas, eu as quero manifestar. Uma delas é a distância que há entre a investigação e o que ocorre nas escolas. Essa distância entre o que nós conseguimos, muitas vezes desde a academia, mas que não está nas escolas. A outra, também relacionada com esta primeira, é: qual é o papel da investigação na transformação do que ocorre nas escolas? Essas são, para mim, duas ideias fundamentais que, talvez, para vocês não o sejam, mas eu as queria apresentar. A ideia fundamental é a investigação educativa em relação com a educação inclusiva, do que sabemos ao que fazemos e começamos já. Quem, quem se anima a começar? Primeiro, intervenções breves. Eli. Eli:— Bom dia a todos do México. Respondendo um pouco ao título do que hoje nos leva a estar aqui nesta comunicação entre todos e todas «O que é que sabemos?», eu acho que os que temos a fortuna de nos dedicarmos à educação, temos um bagagem de como aprendemos as pessoas e de todos os contextos que influenciam essa aprendizagem. O que é que sabemos que se precisa no âmbito da inclusão? Sabemos que se precisam espaços onde se escute, onde se fale, onde existam os princípios para criar novas comunidades, onde todos participem. Mas, como fomentar uma comunidade baseada nesses princípios de diversidade e inclusão, onde todos contem? É aqui onde nós, há 3-4 anos, temos a oportunidade de ir registrando uma ferramenta a que titulamos relatos biográficos digitais, que consiste em dar voz às pessoas com alguma necessidade de apoio, para que, a partir desta ferramenta, as pessoas possam comentar quais são seus interesses, quais são suas expectativas dentro da comunidade escolar e, desta maneira, os professores possam se aproximar, porque, também sabemos que uma das características do corpo docente é que sempre nos comenta: «é que não conhecemos nosso estudante, é que não sabemos que ferramentas tem, é que não…». Desconhecemos esse potencial, mas não gostamos de dar voz às pessoas, gostamos que as pessoas tenham voz própria. E fazemos este apoio de relatos biográficos digitais para que as pessoas possam compartilhar desde sua vida, desde suas experiências, como gostariam que fosse a escola. Então, esta ferramenta, relatos biográficos digitais, propusemo-la duas vezes no Congresso de Investigação, no COMIE, que é o Congresso de Investigação de Educação no México. Na primeira, pudemos reportar como é sua elaboração e, na segunda, que impacto pode chegar a ter na cultura escolar para favorecer a inclusão, os direitos e a participação de todas as pessoas. Muito obrigado, doutor. — N.C.:— Muito bem, muito obrigado, Eli. Obrigado, também, pela síntese. Samu tem a palavra. Samu Servín.   Samu:— Olá. Bem, em primeiro lugar, um prazer. Na verdade, estive participando da apresentação, nas falas anteriores. E é muito enriquecedora a experiência de agora ouvir também a voz dos outros espaços. Meu nome é Samuel Servín, tenho 23 anos, sou do Paraguai e terminei no ano passado a graduação em Psicologia com ênfase em educação, sabe. E estou abordando o tema da educação inclusiva no Paraguai como tema de tese de graduação e, bom, a partir deste caminho de construção que venho fazendo para aprofundar o tema, acho a experiência anterior muito enriquecedora. Queria contar que, também, estou colaborando com pesquisa, com o tema educativo a partir daqui. E estou atento para poder ouvir, para aprender também e o que eu puder comentar, talvez, a partir da minha pequena experiência, pois fazê-lo. Espero não ter roubado muitos minutos de vocês nesta dinâmica. Obrigado e atento. N.C.:— Muito bem, muito obrigado, Samu. Liliana tem a palavra. Liliana:— Bem, bom dia, aqui no Equador. Muito obrigado pelo espaço. Sou Liliana Siniegas. Um cumprimento a todos e todas do Equador. Sou docente pesquisadora na linha de Educação Inclusiva. Concordo com muitos de vocês que tem sido um espaço muito enriquecedor por tudo o que pôde ser compartilhado. Primeiro, desde o papel das famílias. Depois, desde a posição dos estudantes, a experiência, desde os profissionais e, agora, desde as projeções que podem ser geradas através da pesquisa. Em relação ao título desta sessão e à necessidade de pensar o papel da pesquisa para tornar as escolas inclusivas, eu gostaria de apresentar três ideias centrais, que acho que se fundamentam ou, melhor dizendo, não acho, estou convencida de que se fundamentam nas conversas prévias e nas diferentes participações que houve durante esta semana. A primeira está em função da realidade que vivemos em nossas escolas. Quem interveio nos deixa muitas perguntas que requerem, acho que, antes de respostas, uma problematização sobre a função, sobre o objetivo e, principalmente, sobre o que entendemos por instituição educativa. Na primeira sessão, Carmen, por exemplo, como mãe, nos contou que sua filha agradeceu o confinamento por não a deixar ir à escola. Outras famílias diziam que é necessário resetar o sistema educativo porque o fato de todos irem à escola não garante a inclusão. Os estudantes estão conscientes de que há diferentes ritmos e diferentes necessidades de aprendizagem. Eles levantam, por exemplo, que a escola é caótica porque não se leva em conta a pessoa. Nos disseram que os professores se acham o centro do universo, que os exames ensinam a memorizar e não a aprender, que continuam a ser empregados modelos de ensino antiquados desenvolvidos tão à risca que o único que fizeram foi gerar frustração. Por isso, esta primeira ideia de repensar o que estamos fazendo na escola a partir do que fazemos em pesquisa, considero que é chave. Para a segunda ideia, começo somando-me à pergunta que Marga fez sobre «o que se entende por escola inclusiva». Chama a atenção que, havendo tanta teoria, tenhamos ficado em discursos retóricos que continuam a gerar práticas excludentes. Na semana passada, assinalou-se que não estaríamos falando de inclusão se previamente não tivesse havido exclusão. Por isso, sim, acredito que também é urgente ressignificar o que compreendemos por uma educação inclusiva. Gerando, como diziam algumas das participações, rupturas a partir de uma mudança de olhar que permite entender, como dizia María José, que na escola já não se pode continuar procurando a criança falha ou propondo processos de intervenção para aquilo que lhe falta, sobretudo, quando há alguma deficiência. Que, diga-se de passagem, é do modelo da Educação Especial que tanto temos focado.   Há quem diga que temos focado tanto a nossa atenção em especializar os docentes, os espaços, os recursos, as técnicas, que agora, como bem aponta Carlos Skliar, nos resulta impossível fazer com que todos possam aprender em um mesmo espaço. As experiências dos diferentes países, porque também acho que isso é o rico do que pudemos fazer, refletem dinâmicas bastante similares de contextos educativos que estão centrados nos diagnósticos. Em um modelo médico normalizador, que fez, como dizia uma das mães, Patricia, com que se perdesse de vista a criança. Ou como assinalavam Antón e Mar, que se aponte para quem tem deficiência, utilizando termos como subnormal, retardado e que não fazem mais do que deixar ver os preconceitos e os rótulos que prevalecem frente às expectativas e à confiança que deveríamos ter em nossos estudantes. Manuel, em contrapartida, nos dizia que a formação dos docentes é superficial, porque os leva a pensar que uma escola é inclusiva porque, unicamente, tem acesso arquitetônico, e não pelo fato de o aluno se sentir bem em sua escola. Ou como dizia Marcos, que são os primeiros chamados, os docentes, a romper o medo que se tem, entre aspas, do diferente. Por isso, como manifestavam alguns profissionais, acho que é importante propor uma metodologia que promova uma escola para todos, como, por exemplo, alguns dos profissionais apontavam, o Desenho Universal de Aprendizagem, ou flexibilizar o currículo com poucos conteúdos obrigatórios que permitam que se ajuste a todos os estudantes. Mas, sim, acredito que primeiro, e acima de tudo, a partir da pesquisa, é preciso insistir na necessidade de não reduzir a inclusão à presença de estudantes com deficiência, ou daqueles que, em relação aos outros, continuarão sendo os diferentes. Apenas com nomes distintos: diversidade funcional, necessidades educativas especiais, etc. A terceira e última ideia que apresento, em função do que assinalava María del Mar, quando dizia que a COVID virou a escola de cabeça para baixo, ou Guadalupe, que apontava que a violência se normalizou e práticas discriminatórias se tornaram invisíveis. Sem dúvida, que esta pandemia piorou a crise de muito tempo. Há problemas estruturais que mantêm grupos minoritários excluídos, agora, através da desconexão, porque estamos diante de uma nova dinâmica. Sob o argumento, como aponta Juan Bello Domínguez, de que, a partir de uma estratégia utilitarista, se pensa que se pode levar a escola para casa. Então, em conclusão, diante deste espaço que você abriu, Nacho, e que agradeço muito, nosso papel como pesquisadores deveria encaminhar-se a refletir profundamente sobre a escola e sua função. Sobre a formação docente a partir de uma posição epistemológica diferente da que atualmente temos em muitos países, e sobre uma situação global atual que aumentou a desigualdade, a injustiça e a exclusão. Acho que para quem tenta apostar em uma educação diferente, o desafio que nos resta é grande. O conteúdo, o temário, nos disseram, não é o mais importante. Sim, o é a possibilidade de estarmos juntos e de conviver respeitando as diferenças que estão presentes em todos nós. Assim, há muitas coisas para investigar e, oxalá, possamos unir esforços para todos os desafios que temos pela frente. N.C.:— Muito bem, muito obrigada, Liliana. Stephanie. Stephanie:— Olá, tudo bem? Eu estou aqui do Peru, ainda é de manhã, mas olá a todos e todas. Eu também sou pesquisadora. Sou psicóloga de profissão. Trabalho na sociedade para a síndrome de Down. Tive a oportunidade de participar em projetos sobre inclusão educativa e compartilho, assim como nas reuniões passadas, muitos testemunhos que encontramos em nossa realidade, como nas escolas peruanas. Tivemos a oportunidade de realizar um projeto que implicou entrar e ingressar nas escolas e analisar as concepções, as práticas, as políticas e as culturas de 12 escolas públicas e, justamente, a partir delas, propusemos uma intervenção. E o que podemos encontrar desta investigação e deste projeto iniciado é que um primeiro passo sempre será ouvir as vozes de todos os que estão participando na comunidade educativa, porque essa ideia de que a inclusão não é entendida como nós, pesquisadores ou profissionais que orientamos as famílias, a entendemos, também é observada nesse espaço. Mas, fora isso, para iniciar uma intervenção ou dar-lhes novos conceitos sobre o que é a inclusão, temos que saber também de onde eles partem. Muitos pensam que, na verdade, não sabem o que é inclusão, no entanto, eles a têm dentro de suas concepções, mesmo que nunca a tenham ouvido. Porque está no fato de que sabem que têm que compartilhar com o outro, sabem que têm que conviver com o outro, mas justamente, a partir disso, podemos então construir que eles possam reconstruir esse conceito e participar com outras pessoas para perceber que a diversidade faz parte deles e de seu contexto. Então, isso é algo que encontramos e que foi muito importante. Que antes de capacitar sobre adaptações ou capacitar sobre desenho universal, é necessário reconstruir o conceito de inclusão com todos os agentes educativos para que, a partir disso, eles mesmos ajam e criem um projeto a longo prazo. Isso tem sido muito importante neste estudo que realizamos. O segundo era, também, coletar indicadores, informações sobre como as práticas estão acontecendo, o que está sendo pensado sobre a violência, que situações os estudantes estão experimentando em relação a, por exemplo, participar em sala de aula, participar com outros estudantes e também como a família se encontra. Isso que tínhamos ouvido nas reuniões passadas, iniciadas a partir destas videoconferências, destas palestras, onde também encontramos famílias às quais fecharam as portas ou mesmo que não têm muitas oportunidades. Então, partindo dessa urgência, é necessário ouvi-los e também entender seu contexto e, quando trabalhamos com eles, utilizar exemplos baseados em sua própria realidade. Então, é algo muito importante que temos encontrado. Construir atividades em conjunto, mas, mais do que dizer-lhes como fazer ou como devem ser seus estilos de criação, partir dos fios que eles têm para que percebam que podem construir melhores. E em relação aos docentes, encontramos que há muita necessidade de formação inicial baseada na diversidade, em uma atenção melhor para dar respostas aos estudantes, mas já não podemos voltar atrás. Então, o que precisamos com os professores que estão se formando ou que já estão lecionando é fortalecer a formação em serviço, não é? E isso fizemos a partir, também, de construir a prática ou seu conhecimento prático. Não dar-lhes estas receitas e orientações ainda, mas sim que, com o que eles sabem, vão reconstruindo suas concepções e analisando sua prática educativa. Não está permitido que o conhecimento prático que eles tinham fosse, não fossem ter as estratégias, mas sim perceber que perguntas talvez me ajudarão a reorientar minha prática educativa para que eu, realmente, atenda à diversidade. Bem, essas são algumas das, do que encontramos. Em relação, por exemplo, às pessoas que tomam decisões, que são os gestores, percebemos que, na verdade, eles têm um papel muito importante na inclusão, porque são eles que realmente tomam as decisões das escolas e precisam entender que a liderança tem que ser compartilhada. Porque muitas vezes acontece que o professor está esperando que o gestor lhe diga o que fazer e não age sobre isso. Então, é importante que com os gestores trabalhemos muito esse conceito de liderança compartilhada e, a partir disso, lhes façamos entender que justamente não é algo diferente a inclusão, mas sim que faz parte do seu trabalho. E quando realmente aprender a trabalhar em conjunto e de forma colaborativa, terá conseguido dar resposta à inclusão, e isso é pensar justamente em um projeto educativo inclusivo. Bem, na verdade, também queria agradecer por esta oportunidade. Há várias coisas que encontramos, que, talvez, poderemos compartilhar mais adiante, mas é um conceito muito importante. E o ponto mais importante de tudo o que vimos é trabalhar muito no conceito de inclusão, porque a linguagem constrói realidades e o mesmo vai repercutir diretamente nas práticas que os profissionais de cada escola possam ter. E isso abrirá oportunidades na Educação Superior ou em qualquer ambiente em que queremos que os estudantes continuem. Obrigado. N.C.:— Muito bem. Muito obrigada, Stephanie. Tem a palavra Federico. Federico:— Olá a todos e todas, sou Federico Vector, sou professor na universidade Illinois em Chicago. Queria tocar temas que estão, creio, entrelaçados com o que avançamos e é o tema da intencionalidade. Vejo pouco em tudo o que é pesquisa, e mais do que nada internacionais, sobre inclusão e intencionalidade. Refiro-me a que, geralmente, as pesquisas tentam abranger o tema da deficiência de maneiras muito limitadas, no sentido de que 'os meninos com deficiências somente têm identidade de meninos com deficiências'. Que não podemos aprender ou pesquisar como as experiências desses meninos também estão nas interseções da deficiência com a raça, a linguagem, o gênero, a imigração… Esses meninos ou suas famílias vivenciam ou experimentam formas de opressão e privilégio que interagem e se interseccionam. E eu creio que estamos tendo uma visão bastante limitada na pesquisa com isso. Temos que pensar mais como essas formas de opressão e privilégio interagem, interseccionam, em contextos muito específicos. Porque o conselho específico estava para interagir de formas diferentes. Escolhidamente, apresento isso em dois âmbitos, em duas arenas. Um, o legal, o político. Como a inclusão está sendo implementada em contextos bastante de mercantilização da educação? Meu trabalho, mais do que nada, está na cidade de Chicago. Em Chicago, desde o ano 2000, fecharam mais de 100 escolas por motivos de pontuação acadêmica ou por motivos de austeridade. E isso também afetou meninos com deficiências, mas de maneira muito diferente se são brancos, afro-americanos ou latinos nas cidades de Chicago. É preciso entender um pouco as geografias das cidades para entender como a inclusão interage com essas diferentes formas de opressão. E o outro aspecto é o pedagógico. Dependemos, me parece, às vezes, muito do DUA. Todo mundo, no nível da educação inclusiva, que publica e que dá recomendações para práticas, sempre apoia o DUA, DUA, DUA, mas o DUA também é uma ferramenta muito limitada e creio que temos que ser um pouquinho mais agressivos em criticar. Limitada no sentido de que toca muito pouco os temas de internacionalidade. Fala muito de habilidades, de expandir o espectro de participação, mas não fala muito de como isso também representa identidades raciais ou étnicas ou linguísticas, que vêm e desempenham um grande papel nas salas de aula. E tampouco fala muito, inclusive, dentro da deficiência. Me parece que o DUA é muito limitado, porque tampouco fala da deficiência como cultura e como uma ferramenta comum ou uma ferramenta cultural para a aprendizagem. Trata-a somente a nível de habilidade, mas não fala da cultura e da história das pessoas com deficiências, que é muito importante também para incorporar a uma educação mais emancipadora, me parece. E paro por aqui. N.C.:— Muito obrigada, Federico. Nossa, abre vários pontos interessantes. Bom, teremos oportunidade de falar. Passamos à próxima pessoa. Odet. Odet — Boa tarde. Obrigado por me darem a oportunidade de espreitar por esta janela. Consegui acompanhar algumas das conversas. Acho que é um contexto muito interessante para trocar ideias e para nos colocarmos as questões interessantes que o Nacho sempre nos coloca. Eu voltaria um pouco à questão inicial e ao título que nos propõe e sobre o qual podemos intervir. O subtítulo diz: “Do que sabemos, ao que fazemos”. Eu queria incidir um pouco em 'do que sabemos, ao que fazemos', porque acho que parte inicialmente de uma ideia bastante transmissiva, pois pressupõe que o que sabemos é o que é válido e o que vai orientar a prática. Quando, na realidade, eu acho que o que sabemos, sabemos todos juntos, ou seja, o que sabemos é uma construção coletiva, porque o saber é sempre construído. Por isso, acho que o que sabemos, o pouco que sabemos. Neste caso, falo como docente da Universidade Jaume I e como investigadora também em temas de educação inclusiva. Acho que o que sabemos, sabemos graças ao que nos dizem os profissionais, graças ao que nos dizem as famílias, graças ao que nos aportam os estudantes, que nos aportam imenso. Mas é verdade que, claro, nos últimos anos, alguns investigadores dizem também que a educação inclusiva não avança ou, pelo menos, não avança ao ritmo que deveria avançar, ao ritmo que seria desejável. Nesse sentido, pois sim, parece que se coloca como uma lacuna entre a teoria e a prática. Lembro-me, há muitos anos, de ter tido a oportunidade de visitar as escolas intensivas canadenses. Lembro-me que Gordon Porter, que é muito reconhecido neste âmbito, dizia justamente isso, que temos um excesso de teoria e, possivelmente, temos uma falta de práticas efetivas. Por isso, acho que possivelmente teríamos que inverter a pergunta. Possivelmente, teríamos que pensar também sobre o que fazemos, sobre se o que fazemos, fazemos bem, e sobre o que podemos aprender do que já estamos a fazer nas escolas. E eu acho que, nestes encontros, já tivemos muitas respostas a esta pergunta. Eu tinha tomado notas de algumas intervenções. Por exemplo, por parte das famílias, adorei a sessão com as mães. As mães empoderadas. Elas disseram: «a escola falha no académico, a escola falha na metodologia, falha na formação dos profissionais que educam os nossos filhos». As crianças e os jovens também insistiram nisso e acho que é muito interessante que tenham colocado na mesa as barreiras. Barreiras de todo o tipo, barreiras sistémicas. Aqui falou-se da falta de recursos e do tema das rádios, as modalidades de escolarização… e, por isso, a Blanca dizia: «é preciso desenraizar o sistema». Vamos ter que construir um novo sistema, mas não sobre o que já temos. Acho que aí tem muito a ver o tema das barreiras atitudinais e, concretamente, como dizia a Paula: «as coisas não podem ser feitas à força» [risas]. Achei muita graça a essa frase. E eu digo, a sério que não podem ser feitas à força? Às vezes é preciso ir com a força, porque muitas vezes… [risas]… isto da inclusão é uma maneira radical de pensar a educação. Houve uma professora que também reivindicava que a profissão docente é uma questão de vocação. Sim, é uma questão de vocação e, também, a Gador colocou as suas palavras nisso. Dizia: «as pessoas não preparadas, se estiverem motivadas, bem» [risas]. Esta é uma frase que também anotei, porque é verdade: «é uma questão atitudinal». Ou seja, se estiver motivada, bem. Saiu reiteradamente o tema da formação. Melhor dito, o tema da falta de preparação dos profissionais da educação. Acho que aí, os professores universitários, na parte que nos toca, temos que fazer muita autocrítica. Então, sobre a formação de professores, debatiou-se muito e, por um lado, está o debate sobre a mesa e exige-se especialização. E, por outro lado, a formação de professores generalistas. Acho que no final isto é uma questão de distribuição e é uma questão de modelos. A Liliana há pouco apontou o tema dos modelos. Ou seja, da mesma maneira que a escola, na prática, se está a converter o sistema de Educação Especial, o sistema terapêutico, que vem do modelo médico. Este é um sistema que está a conviver com o sistema ordinário, com o sistema mais baseado no enfoque de direitos, com uma visão muito humanista da escola e das relações humanas. Em suma, com um modelo social. Desta mesma maneira, nos planos de estudo colocam-se e convivem também esses dois modelos. Os estudantes, por um lado, têm disciplinas relacionadas com todos os transtornos que existem, com a consequente, pois, visão patológica e estereotipada do que é a diversidade humana. E, por outro lado, têm as disciplinas mais pedagógicas, mais centradas na diversificação, nas estratégias de personalização do ensino. Há muitos debates sobre se a educação inclusiva deveria ser um tema transversal a todas as disciplinas, mas, hoje em dia, acho que aconteceria um pouco como com os anteriores temas transversais. E com o debate sobre a educação para a cidadania. Acho que isto nos demonstrou que, muitas vezes, uns pelos outros, como dizem na minha terra, a casa fica sem varrer. Pelos vistos, os estudantes também aprendem ao final a fazer programações e, ao final, o que eu sempre lhes digo: «isto não é um apartado». O tema da inclusão não é um apartado. Muitas vezes ensinamo-los a fazer programações didáticas e, ao final, colocar o apartado atenção à diversidade. Então, não seria melhor aprender já a programar, desde o primeiro momento, com programações multinível, com programações DUA? Apesar de o Federico ter feito a crítica sobre o tema das programações DUA, que me pareceu muito, muito interessante. Queria voltar às barreiras atitudinais e, aqui, vêm-me à cabeça duas palavras. Duas palavras que já saíram. Uma é a palavra confiança. A confiança que devemos ter todos em que as famílias podem e devem aportar, e temos a obrigação de apoiar. Confiança em que todas as crianças têm que aprender, confiança em que os profissionais, como naquela sessão que se colocava entre o querer e o poder, querem e podem transformar as suas práticas. Depois resgatei alguma frase, como o que apontava a Jimena, que dizia: «ao final, os profissionais estamos habituados a fazer, estamos a fazer, a fazer e não mostramos o que fazemos». Concordo totalmente e acho também que o nosso compromisso como investigadores vai por aí. Passa por resgatar essas práticas, passa por analisá-las. Como dizia a Stephanie há pouco, passa por refletí-las, repensá-las e difundi-las, e isso acho que tem muito a ver com o tipo de investigação que fazemos. Então, outro dos temas que quero colocar, sem me estender demasiado, é em relação com a investigação. E eu aqui, mais do que temas, colocaria perguntas. Ou seja, é importante que os investigadores nos perguntemos para que investigamos, nos perguntemos para quê, e ao serviço de quem está a investigação em educação inclusiva. E também que nos perguntemos que investigações fazemos e como as fazemos, ou seja, que estratégias de investigação nos permitem repensar sobre as investigações que fazemos. E para sermos coerentes com o que dizemos, como essa investigação pode chegar a ser também mais inclusiva. Estas são perguntas que acho que devemos formular neste espaço. N.C.:— Muito obrigada, Odet. Muitas ideias também interessantes. Guadalupe tem a palavra. Guadalupe:— Este, eu, na verdade, quero ser muito breve, mas me perguntava se era prudente pedir a palavra porque já não sou pesquisadora. Eu trabalho nesta parte das escolas, e tudo isso me levou a refletir muitas coisas e, inclusive, a nos darmos conta de que nós, como professores, também, de alguma maneira, fazemos pesquisa. Fiz como umas anotações para não me estender, né? Este papel de pesquisa e do que nós estamos vivendo nas escolas, pois, assim como agora, se fazem estes fóruns, e também devem ser ouvidos. Acredito que quando nós repensamos nossa prática cotidiana, é algo que deve ser falado e deve, também, ser dado a conhecer. Nas práticas que nós fazemos que, ao nos olharmos às vezes, sim, nos demos conta de que há práticas que não são válidas e, por supuesto, também há outras práticas que acredito que são esses esforços ou tentativas de, nos colocamos uma série de perguntas e mais perguntas, costuma-se começar a fazer desequilíbrios e, talvez, a partir dessas tensões que se geram, começam a dar-se passos. Onde eu estou estudando agora, chama-se Pedagogia da Diferença e da Interculturalidade, e meu professor, Juan, sempre nos diz que justamente estas perguntas nos têm que levar a nos posicionarmos de uma maneira de repensar esta escola, de maneira, pois, de maneira… nem sei se a palavra é válida: 'diferente'. Com este discurso dos diferentes e das desigualdades. Mas acredito que sim, estes saberes coletivos nos permitirão justamente construí-los e reconstruirmo-nos. É momento de que também nós, como professores, nos posicionemos neste papel, né? Ou seja, às vezes acredito que os professores nos exigem muito, né? Muito, muitas exigências e, às vezes, como já dizia na sessão passada, continuamos a perpetuar certas coisas que normalizamos. Desde as violências sutis no dia a dia, nas escolas, inclusive agora, nesta pandemia. Ou seja, acredito que temos que nos posicionar sobre o que estamos gerando e que escolas queremos e como queremos construir como uma comunidade que aprende e que continua a avançar. Então, no final, a única coisa que eu queria dizer é que acredito que é importante, também, que abramos canais, porque, às vezes, acredito que aqui, em nosso país, os professores nos atrevemos pouco, pouco a falar e a romper estes silêncios, né? E às vezes, também, em nosso país acredito que também se geram poucos espaços para que os professores falemos sobre essas tentativas que temos na hora em que já estamos pensando nossas práticas, e acredito que isso é algo muito importante e agradeço muito este espaço. E no final trata-se de construir uma memória coletiva. A verdade é que me fez muito eco Federico quando falava. Às vezes não é só esta questão de que às vezes nós falamos como deficiência, mas um monte de coisas que, às vezes, continuamos como a rotular, nomear, especializar e subespecializar. E, no final, trata-se de que aprendamos a nos dar conta de que todos somos muito diferentes e que, a partir desta diferença, podemos nos enriquecer. E nas escolas trata-se disso. Dizia uma colega: «Os diretores temos um papel muito importante». E isso, nossa, gruda muito porque, pois, eu, desde esse papel de direção de um pré-escolar, sim, é verdade, trata-se de que nos escutemos todos e de que geremos, de algum modo, estes vínculos de liderança horizontal. E, às vezes, inclusive de que nossos colegas professores nos tirem como essa etiqueta que te colocam, essa etiqueta de diretor, com a qual às vezes deixam de te ver como colega, colega ou professor que também está junto contigo, pois, nesta luta de continuar a construirmo-nos, a educação inclusiva começa a partir daí. Esses pequenos passos para gerar esses diálogos. Agradeço muito isso e era o único que eu queria dizer, que este espaço justamente nos permite romper os silêncios. Obrigada. N.C.:— Muito obrigada, Guadalupe. Alicia. Alicia:— Olá novamente. Quero começar comentando que, quando você fez a classificação de que em uma sessão as famílias deveriam falar, em outra os professores, pesquisadores…, eu me inscrevi em todas, Nacho, porque acho que tenho a ver com cada uma. Ou seja, acho que poderia dar meu testemunho como pessoa neurodivergente, como familiar de um jovem com deficiência intelectual, como docente da Universidade de Guadalajara, como mãe de duas crianças normofuncionais e como pesquisadora do laboratório Estudo sobre Violência de Gênero. Então, da minha perspectiva, de tudo isso que eu vivi e dos testemunhos que ouvimos em todas essas semanas, fica muito claro que há, eu acho que parece que há como lados em tudo isso, há como lados de mães que dizem em seu testemunho que «os professores não me entendem»; de alunos que dizem: «bom, também não estão me ouvindo», e eu acho que a pesquisa passa o mesmo. A mim, por exemplo, quando eu fiz um estágio de pesquisa na Universidade de Granada, uma pessoa de lá, uma pesquisadora já reconhecida, me disse que eu não era objetiva porque eu estava falando ou vendo tudo como irmã de alguém que tem deficiência intelectual. Então, que eu não podia ser objetiva e que eu não servia como pesquisadora, porque estava colocando coisas pessoais. Ser objetivo? Eu acho que isso também é algo como a pesquisa. Vê-se esse mesmo viés de «eu sou o grande pesquisador e eu tenho que me manter à margem e não colocar sentimentos, e não colocar…». É como «apresento as evidências, mas eu não me meto». Isso também é o que têm dito: a necessidade de ouvir todas as vozes. Talvez, minha situação seja extraordinária. Eu sei que nem todos podem estar em todos os âmbitos que me couberam, mas é preciso ter em conta, como dizia Stephanie, todos os que participam da inclusão. E que a pesquisa não pode ser apenas para tratar os entrevistados para que contem sua história de discriminação; mas também ouvir suas propostas. Na parte prática, o que dizem sobre a função do diretor, eu acho que é essencial. Uma das entrevistas que eu fiz na pesquisa da tese de mestrado era, precisamente, com um diretor de ensino médio que tem 1400 alunos e que é como um oásis de inclusão. Ele me dizia: «eu nunca recusei um único aluno». Tem alunos com todos os tipos de deficiências. Têm a escola adaptada e o que não têm, fazem como podem e com os recursos que podem. Está sempre buscando recursos e, por exemplo, até nas avaliações me dizia que ele enviava, que a Secretaria de Educação Pública lhe pedia as avaliações 'tabula rasa', pois ele enviava fotos até dos alunos e dos trabalhos. De como chegou este garoto e como estava agora. Ele estava enfrentando realmente todo o sistema. Este sistema vertical que lhe ordena como deve ser. Pois está enfrentando completamente tudo, porque acredita “adequadamente” em seus alunos, que ninguém deve ser excluído nem segregado. Estes, os não normalizados, são também uma questão que não podemos perder de vista. Que há uma situação, tanto no México quanto na Espanha, em que, embora estejamos falando de inclusão, pois sempre está ali, do lado das Escolas Especiais. Por minha situação familiar, meu irmão ficou três anos sem entrar em uma escola porque a indicação era que ele tinha que estar na Escola Especial, coisa que não desejava e, pois para mim, acho que, enquanto existirem essas escolas, elas serão um obstáculo para a inclusão, porque é o lugar por excelência onde querem enviar todos os diferentes. A escola especial é uma legitimação para a segregação e está visto que, nos julgamentos que foram levados tanto no México, na Espanha, Colômbia e em outros países, não mandam da Escola Especial para a regular; mas sim sempre o contrário. Sempre te derivam para a segregação. Aqui também é outra: no papel da inclusão, é muito importante o papel do estado, e aqui há outra separação entre o que há na legislação e o que há na realidade. A convenção já está aí, há legislação internacional, legislação nacional, local e, no entanto, pois, na prática, o que se continua vendo sempre são processos discriminatórios e de exclusão. Aqui, por exemplo, o programa que, a nível federal e nacional, é destinado para a inclusão, destina 30 cêntimos de euros por aluno por ano. Então, essa é a importância que o estado mexicano dá à inclusão. No México o que se está fazendo é como deixar todo o peso do processo inclusivo nos docentes. E, claro, que já as famílias sabemos, que quando há vontade, já temos quase metade do caminho percorrido, mas isso não é tudo. Ou seja, a inclusão não são todos ajustes razoáveis, não é tudo uma questão de que se o professor quer. Também há apoios, ou seja, legalmente os apoios são uma coisa muito diferente, não é? Os materiais, o que deve ser concedido para a inclusão, o professor realmente não pode cobrir. Então, aqui o que está acontecendo é que há um processo, por parte do estado mexicano, de simulação, não de inclusão. Faço como que cumpro com a legislação internacional, como que escolho, mas não estou alocando nenhum tipo de recurso. E a lei de Educação no México tem um apartado onde sinaliza como deve ser a educação no México, e sinaliza que deve promover a equidade e a igualdade de oportunidades. E eu acho que, e com isso finalizo, que é uma questão de igualdade, porque a mim já me disseram que, por exemplo, que não é violento que meu irmão tenham querido segregar; mas sim que o violento era que em minha família quisessem normalizar meu irmão ou não aceitar a realidade, que meu irmão tem uma deficiência. Então, ele teria que ter estado em uma escola especial e, talvez, então, eu também. Por ser neurodivergente eu também deveria ter estado em uma Escola Especial, ou até em um manicômio… porque assim se vê tudo o diferente. Sempre há espaços segregados para nós. Então, acho que nisso da igualdade, é preciso ter claro que, não buscamos uma igualdade de fato; todos somos diferentes, não há duas pessoas que sejamos iguais. Não se busca uma igualdade ou uma normalização; mas sim que devemos ser tratados como se fôssemos iguais. Essa é a questão. Não é que sejamos iguais; mas sim que devemos ser tratados como se fôssemos e o que buscamos é uma igualdade nos direitos. Isso seria tudo. N.C.:— Muito obrigado, Ali. Tem a palavra Jesús. Jesús:— Olá. Bem, agradeço a oportunidade de estar aqui, amigos e amigas e referências. É uma pena não ter podido ouvir Susana, porque para mim ela é uma referência. Bem, quatro coisinhas que me vieram à mente um pouco a partir do título e das coisas que fui ouvindo. Quando falamos de investigação educativa ou de educação e educação inclusiva, do que sabemos ao que fazemos, temos de pensar bem no que fazemos, porque os académicos, creio eu, pensamo-lo pouco. Ou deveríamos pensar um pouco mais, neste sentido, porque, na realidade, vivemos um pouco sob as pressões da Academia e, por vezes, isto, creio que nos faz perder o caminho. Ser um pouco radical em determinadas questões pode afastar-nos um pouco do caminho da Academia. E isto, pois, para mim, é uma questão que vale a pena pensarmos. No sentido de que é importante pensarmos se fazemos investigação sobre inclusão ou investigação inclusiva, neste sentido, por exemplo. Ou seja, se realmente nos preocupamos apenas com as análises, análises dos processos de inclusão para fazer os nossos artigos, ou se realmente nos implicamos com as pessoas com quem fazemos investigação para transformar a sua realidade. É importante que os participantes estejam implicados e que, como já foi dito, a investigação seja o máximo possível emancipadora e que gere estes benefícios para estas pessoas com quem investigamos. Nesta mesma direção, outro elemento que soava um pouco também e me chamou muito a atenção é a partir de que quadro fazemos esta investigação. Não é o mesmo partir do modelo social, que tem muito a aportar em termos de investigação ou de como entendemos a inclusão, ou a partir de conceitos como barreiras, se estas são incluídas ou não nos quadros de pensamento a partir dos quais construímos a investigação. Como dizia, pensar a partir de uma perspetiva ética qual é o propósito da nossa investigação. Ou seja, se a forma como investigamos vai promover a eliminação de barreiras ou não. Isto já o planteava Burton em 2009, mas eu penso que vale a pena ir lembrando. É um pouco como esse mantra que os investigadores teríamos de recuperar para pensar se perdemos a direção ou o norte. Ou pensar como investigadores também que responsabilidades temos pelos privilégios de poder fazer investigação, não é? Da posição que temos para fazer investigação, e pensar que responsabilidades derivam disto. Um pouco falando também contigo, Nacho, surgiu a pergunta de como podemos fazer para que a investigação educativa contribua para a transformação da escola. Eu, a partir da nossa experiência do grupo de investigação em que estou, aqui na Universidade de Vic, da Universidade Central da Catalunha, vimos que o que nos funciona é estar nas escolas. Ou seja, estar nas escolas, percorrer o seu caminho, ouvir muito, ouvir muito, ouvir muito e colaborar com todas e todos os que fazem parte. Ou seja, desde as crianças, as famílias, o porteiro, a porteira…, quem quer que faça parte da escola. E, por vezes, também, formar. Por vezes, gozamos de certos conhecimentos que vale a pena que sejam partilhados também com as pessoas, com quem investigamos. Isto planteava-o no seu momento Burton: «como posso empregar os meus conhecimentos e as minhas capacidades para desafiar as formas de opressão». Eu penso que seria bom que o nosso papel e o nosso conhecimento pudessem acompanhar todas as pessoas que estão nas escolas para este desafio. Tive a sorte de estar em Itália desde 78, há quarenta e poucos anos. E é um país que, pelo menos por lei, é inclusivo e onde foram eliminados os centros de Educação Especial. Tive a sorte de trabalhar com Nicola Komo. Ele levava muito a cabo este tipo de investigação. Chamava-lhe investigação formação- formação-ação, e poderíamos, se quiserem, reformulá-la nesta investigação a formação em colaboração com as escolas. Desde a escuta e a tentativa de analisar e transformar a sua realidade e ação, porque o importante é que acabe em ação, também a nossa investigação, para que no final tenha impacto. Lembro-me que quando cheguei, Komo perguntou-me sobre o que investigava e eu, «sim, bem, as atitudes», mas investigava-se a partir da órbita de conhecê-las, não de as mudar. E ele disse-me diretamente: «Mas que impacto tem isso?». E, bem, foi uma das bastantes bofetadas de realidade que levei na vida, em que dizes: «e como é que eu estive tanto tempo sem pensar nisto». Ou seja, «que impacto», e isto dizia-me já em 2006. A partir daí, pois, essa bofetada que levei está bem porque transformou um pouco a minha realidade e a minha forma de investigar. Ouvi os vídeos das crianças, e sou muito fã, porque é uma das minhas linhas de investigação, também todo o tema das vozes das crianças. Ouvi dois comentários que me chamaram muito a atenção. Uma rapariga manifestava que os professores não sabem e mandam-na para os centros de Educação Especial. Infelizmente, é uma realidade bastante comum e, por isso, planteava esta forma de encarar a investigação, para que possamos chegar ao momento em que estabeleçamos estes processos de colaboração para criar novas citações nas escolas com os professores, com as crianças, com as famílias, com todos os agentes. As famílias incluem e são um modelo. E penso que, a partir daí, a investigação desempenha um papel importante neste processo de transformação. E a outra que me impactava muito era ouvir uma criança, que agora não consigo recordar o nome, que dizia que, para ele, a escola era boa, mas para a irmã dele não tanto. Marcos. Sim. E a minha voz treme porque é emocionante ver que estas coisas continuam a acontecer e que a escola não muda. Via-se como Marcos o vivia na pele e não percebe ao redor na escola que isso possa mudar. Ou seja, a sensação que me parece que possa, que podia ter, e é triste que seja essa a sua sensação e não a de 'isto pode mudar'. E não a de 'quando eu puder ir à escola, se o apresentar aos meus professores ou o apresentar a quem for, vão abrir-me as portas, vão ouvir-me e isto vai mudar'. Na realidade, na voz dos estudantes temos um grande recurso. Agora não gostaria que se me entendesse mal. Ou seja, não é sua responsabilidade a mudança, logicamente; a responsabilidade é mais dos adultos que para isso trabalhamos nisto, mas é importante que consideremos as vozes das crianças para que a escola mude, e são este recurso. Este é o recurso que os torna cúmplices. É tão importante que as crianças sejam cúmplices porque, no fim de contas, quando uma criança tem de ser incluída, tem de ser incluída entre esses colegas. Ou seja, um professor ou uma professora, no final, não pode incluir ninguém, pode gerar as situações para que os outros o incluam, mas um professor ou uma professora dificilmente acaba por incluir porque, quando se celebrar um aniversário, não será ela quem o convida, têm de ser os seus colegas. E é o facto que me fazia pensar muito na expressão de Marcos, não é? Lutar para que estas crianças não tenham esta sensação; mas sim a contrária. Que digam: «a escola pode ser um lugar onde todos sejamos cúmplices, um lugar onde se busca sempre a inclusão e o bem-estar e a felicidade». No fim de contas, pois, a felicidade deve ser o objetivo final. Já está. N.C.:— Muito obrigado, Jesús. Eu acho que, em grande medida, estas conversas se movem por esta ideia que você está apresentando, que é o insuportável ver que os anos passam e continuam os anos passando, e continuam os anos passando, e nós investigando e as escolas continuam na mesma dinâmica e nossas faculdades, como dizia Odet, continuam também na mesma dinâmica, formando o mesmo tipo de professorado e diante desta situação, que a mim me resulta insuportável, pensei: «o que poderemos fazer nós como investigadores e investigadoras que seja de utilidade para o professorado, para os estudantes, para essas famílias que estavam empoderadas, mas que o que denunciavam era a exclusão absoluta que vivem muitos de seus familiares?» E, bom, nisto estamos. N.C.:— Muito obrigado, Jesús. Tem a palavra Julián. Julián:— A verdade é que, como sabes, Nacho, não sou investigador, não sou docente, sou um pai a quem gosta muito de ouvir. Participo, sempre que posso, em qualquer projeto, em qualquer tema que afeta, não somente meu filho que tem deficiência; mas a todos os meus filhos. Acredito que a educação é sempre fundamental, e também como se educa. Como se educa para o futuro, para fazer melhores pessoas. Então, o que sim observei é que há uma grande barreira entre o que é a educação, quer dizer, a escola e a sociedade. Quer dizer, os profissionais, quem está dentro da escola, e o que é a sociedade. Há uma distância que realmente não sabemos encaixar ou fazer com que se encontrem. Então, quando as mães ou os pais falamos dos profissionais, dos professores, falamos do que eles fazem, mas eu acho que seria importante que tivéssemos um ponto de encontro onde todos fôssemos parte comum, e quero me explicar. Antes se falou da confiança das famílias para aportar, de todas as crianças que podem ou dos profissionais que podem. Nós no ano passado, aqui em Castilla-La Mancha, fizemos um projeto piloto que se chamou aulas inclusivas, baseado na comunidade de aprendizagem. Eu o que aprendi aí é que a inclusão não é sobre incluir as pessoas com deficiência. Realmente, é sobre dar espaços onde todos possam formar parte e, inclusive, os pais possamos chegar a conhecer como se ensina aos nossos filhos. Então, posso dizer que em algum caso ou família que pensava que se estava fazendo fatal na aula, porque seu filho não ia poder dar, quando participou neste projeto piloto, mudou radicalmente. Não viu os professores ou as professoras como inimigas; mas sim como grandes aliadas para que seu filho aprendesse. Então, basicamente, minha reflexão é que, talvez, o que há que ver é como introduzir a sociedade na escola. Quer dizer, que a escola não seja algo separado da sociedade. Basicamente, o modelo social da educação acredito que consiste nisso, precisamente, em que sejamos aliados na hora de construir essa educação. Não sei se me enrolo muito ou não sou muito claro na hora… N.C.:— Eu acho que você foi muito claro. Basicamente, acho que realmente o importante é derrubar esses muros que existem, sobre o que acontece na escola, o que acontece na aula. Que muitas vezes não pode sair de lá, o que faz com que haja ressentimentos por parte da família, por parte da sociedade. O que é que está sendo feito? O que é que não está sendo feito? E, no final, são barreiras que, de uma maneira ou de outra, podem ser rompidas, precisamente, como antes dizia Jesús, propiciando espaços para a inclusão. Julián:— Eu simplesmente posso dizer que quando o profissional propicia esses espaços, tanto nos estudantes quanto nas famílias, a inclusão é muito fácil. Acho que é muito fácil, mas tanto para as pessoas com deficiência, quanto para as superdotadas ou para as que têm qualquer tipo de… Não deveríamos focar na inclusão, sob meu ponto de vista, das pessoas com deficiência; mas em todos em geral. E basicamente essa é um pouco a minha reflexão sobre a qual acho que vocês podem investigar ou contribuir os que realmente se dedicam a analisar cada um desses tipos de situações. N.C.:— Muito bem, muito obrigado, Julián. Susana, vamos lá, que vamos conseguir. [risas] Susana:— Boa tarde a todos. À terceira é a vez da sorte. Bem, muito obrigado, Nacho, por nos dar a oportunidade de estar aqui hoje. Vou referir-me muito brevemente a algumas questões. A estas alturas, creio que muitas das pessoas que me precederam já assinalaram, e eu queria relacionar dois temas que estão estreitamente entrelaçados, sobre os quais Odet também pôs o seu olhar. O primeiro, creio que já foi abordado ao longo de todos os encontros anteriores e está a repetir-se hoje. As famílias, os estudantes e os profissionais referiram-se à formação inicial e contínua do corpo docente de formas distintas e aludiram a isso referindo-se à ausência de vocação do corpo docente, à escassa preparação ou às dificuldades que parece haver para ouvir os estudantes. Certamente é tremendamente injusto, essa é a palavra, que a educação de algumas crianças dependa de lhes calhar um professor, como dizia uma profissional, com vontade e formação. Creio que isso é inadmissível e partilhamos todos os que estamos aqui. E, bem, pensando um pouco na escola que queremos e na questão que tu colocavas, que tipo de formação inicial ou como mudar essa formação, creio que há uma série de aspetos que podem ajudar a pensar. Alguns já foram ditos. Creio que a reflexão sobre como fazer da escola um bom lugar para todos não pode ficar reduzida a uma disciplina concreta e, por vezes, a uma disciplina de curtíssima duração. E é isso que está a acontecer nas nossas faculdades. É, infelizmente, a realidade nos planos de estudo. Creio que também não pode ser resultado de uma escolha. Ou seja, é de novo inadmissível e é o que está a acontecer, que os estudantes decidam se escolhem ou não a disciplina de atenção à diversidade ou de escolas inclusivas. Não faz sentido na escola que temos hoje. Além disso, creio que a formação deveria ajudar os docentes, os futuros docentes, e isto dizia-o, creio, uma mãe e também profissionais. A reconhecer e a pensar onde se situam esses futuros docentes em relação a algumas diferenças e algumas situações de desigualdade que estão a ver nas escolas e deveria ajudá-los a agir. E um pouco em relação ao que comentava precisamente Julián, na intervenção anterior, reduzir também essa distância que parece haver entre o que se ensina e o que acontece depois nas escolas. Um pouco o que tu colocavas no início, como quebrar a distância que há entre o que ensinamos e o que acontece nas salas de aula. Creio que a formação deve ajudar os nossos estudantes a deixar para trás essa busca incessante de certezas sobre quem são os outros. E é algo que encontramos todos os dias em aula, quero saber quem é e como é uma pessoa com tal ou qual diagnóstico. Deveríamos conseguir que lograssem entender que é preciso tempo para conhecer, para construir relações possibilitadoras com outras pessoas, e isso surge dos gestos, das aten… Como diziam algumas mães, «como o meu filho expressa algumas coisas, como se mostra perante algumas atividades, o que é que lhe interessa». E tudo isso, que já foi dito, embora de outras formas, o que exige é tempo e outras formas de fazer nas faculdades. Creio que exige tempo e outras formas de fazer que permitam que os estudantes possam pensar sobre as suas práticas vividas também como estudantes. Ou seja, quando eles passaram pela escola. Que lhes dê tempo para manipular os construtos com os quais trabalhamos e que não acabem por se tornar palavras vazias, que muitas vezes aprendem de memória, e a partir dos quais lhes possamos ensinar o que significa ouvir distintas vozes. Ou seja, para que possamos juntos, com todo esse cocktail, sintonizar significados. Saber do que estamos realmente a falar e quem está em jogo. E creio que tudo isso não é fácil. É evidente, em todos os encontros que têm vindo a realizar-se, que se manifesta a complexidade do tema em mãos e não podemos, talvez, entrar em todos os elementos que explicam essa complexidade, mas o que creio é que temos de resistir [risas] para continuar a mostrar que é possível outra, outra formação. Jesús disse antes que era preciso ser radical, pois sim. Temos de nos manter firmes e sabemos que há outras formas de tornar isso possível. Temos de nos manter aí, apesar de haver muitas questões à volta que não nos acompanham, não nos ajudam. E o segundo elemento tem a ver com a investigação que fazemos. Creio que também temos de valorizar a investigação que desde alguns lugares se está a fazer, como a que tu estás a iniciar ou que levas a desenvolver, e que hoje nos reúne aqui a muitas pessoas estas semanas atrás, porque não é o tipo de investigação que predomina, não é a investigação dominante. Há que valorizar esse tipo de investigação, que é feita com outras pessoas e na qual o conhecimento é coproduzido e, portanto, o que resulta é possível pelo tipo de relações que se constroem e pela forma como nos relacionamos. Eu diria que a investigação tem de ser feita com as pessoas e não sobre elas. Não pode ser uma investigação que fale sobre as pessoas com deficiência ou as suas famílias e não fale com elas, não as envolva. E o mesmo na escola, não pode ser uma investigação sobre a escola sem se envolver na escola. Portanto, o que se coloca não pode ser alheio aos interesses, às preocupações ou às necessidades de quem participa, tem de ser relevante para essas pessoas, para os estudantes, para as famílias e para os profissionais. Assim mesmo, tem de reconhecer, valorizar a experiência, o saber da experiência na construção do conhecimento. Que vá de baixo para cima, isso é fundamental. E depois tem de nos levar a pensar no tipo de recursos, estratégias ou linguagens que utilizamos para trabalhar juntos, porque, claro, se só nos movemos com as linguagens que tradicionalmente temos utilizado em investigação, sempre deixamos de fora outras pessoas, incluindo os docentes nas escolas, e já nem digo as famílias ou os estudantes. Quanto mais nos afastamos das estratégias do outro, mais difícil é que o outro se possa sentir parte de algo. E para acabar, creio que do que falamos é de uma investigação comprometida, socialmente, que exige resistir às pressões da Academia, como também assinalava Jesús. É importante que tenhamos em conta que como fazemos a história importa. Então, bem [risas], temos de fazer a história com outras pessoas, construí-la com outras pessoas, manter-nos com a escola e com os profissionais da escola, porque faremos possível outra história distinta da que muitas vezes enfrentamos, não é? E, bem, por aí deixo, muito obrigado [risas] N.C.:— Muito obrigada, Susana, a espera valeu a pena [Risas]. Joana tinha a palavra. Joana:— Olá, muito boa tarde a todos. Eu sou Joana Marina, sou fisioterapeuta e trabalho em centros educativos tratando e tentando ser um apoio educativo. Não sei se consigo, é a minha esperança e a minha ilusão, não sei se conseguirei. E é uma paixão que compagino com a grande ilusão que é a investigação. Tive a oportunidade, desde o programa de doutoramento em educação inclusiva, de investigar, neste caso, a figura do fisioterapeuta num contexto educativo. Não por acreditar que seja mais relevante nem protagonista, simplesmente por ser uma figura que estava presente nos centros educativos e, bom, era desconhecida a nível científico. Relativamente desconhecida neste momento e, por isso, investigamo-la, mas não porque consideremos que tenha de ser uma figura isolada ou protagonista. De facto, entre as nossas conclusões, exalta-se o trabalho em equipa, em colaboração, de uma forma, talvez, interdisciplinar nestes e diversos termos, mas o mais importante é que se direcione o olhar para favorecer a aprendizagem dos estudantes. No caso da fisioterapia, sim que é um perfil de estudantes, mas eu acho que também não devemos deixar de observar todos os estudantes. Na educação inclusiva, todos sabemos que é para todos os estudantes e valoriza a diversidade de aceder e enriquece a educação. Era um pouco o que queria contextualizar. Bom, tendo ouvido todos os colegas, foi um prazer, coincido com Odet em que se convive com o modelo reabilitador. Pois sim, convive com o modelo reabilitador e eu acho que a minha figura e eu podemos dar bastante fé disso. De facto, algumas das conclusões que tiramos na investigação eram que a consideração de saúde adotada, neste caso, pelo fisioterapeuta, que foi quem exploramos através de ferramentas de recolha de dados e duas perspetivas. A do fisioterapeuta e do tutor. Então, localizamos que a perspetiva de saúde que é adotada é o que determina o tipo de atuação que este profissional realiza no centro. E sim que é verdade que, no momento em que estudamos e no contexto que escolhemos, sim que era mais preferente, a atenção reabilitadora. Uma atenção que todos conhecemos que passa nos centros educativos, que é isolada, que é individual e não se dirige, talvez, a objetivos diretos que estão a acontecer ou às atividades próprias do centro educativo. Mas, ao mesmo tempo, sim que, bom, descobrimos ou, ou desvelou-se um pequeno rascunho de como este profissional, em colaboração com outros profissionais, sim que podia favorecer as aprendizagens que acontecem de forma natural no centro educativo.   E um pouco aqui falávamos do desafio da investigação. E como assinalaram outros colegas, trata-se de escutar, escutar, compreender e chegar a empatizar com o que está a acontecer. É muito importante, está no contexto. Eu acho que o assinalamos vários e também o assinalava Jesús: «Por que não fazem investigação-ação?», que finalmente sim que se traduz numa modificação. Afinal de contas, eu acho que se terão de estabelecer as sinergias que tem este espaço. Nacho, conseguiste estabelecer sinergias com todos os atores e todos os atores são todos os atores. Estudantes, profissionais, responsáveis administrativos, que também são muito importantes e não sempre participam ou querem participar… De facto, os responsáveis administrativos foram, digamos, a mesa do encontro que não avançou. Todos os demais avançaram. Os responsáveis administrativos, não. A barreira atual. Bom, provavelmente eu também tenho pouco poder de convocatória nesse ambiente [risas]. Então, um pouco o que eu acho que muitos estivemos a comentar. Para onde deveria ir a investigação? Para estabelecer sinergias entre todos os atores, porque desde a investigação isolada não o vamos conseguir. Tentando ser breve, acho que toquei alguns pontos que gostava, e queria, pretendia informar. N.C.:— Muito obrigada, Joana, pela sua intervenção. Vamos com Nacho. Nacho:— Olá, boa tarde a todas e a todos. Obrigada, Nacho, tocador de nome, por este convite. Estou a desfrutar imensamente e é um prazer ouvir colegas a falar de temas que nos unem. É verdade que muitas das coisas que queria partilhar já foram ditas e não quero repetir, mas voltando à pergunta que me tem feito pensar desde as 5, o que é que sabemos? E, aí, concordo com algo que Odet disse. O que sabemos não é mais do que uma construção e, talvez, aí esteja a primeira grande tarefa da investigação educativa: desconstruir tudo o que sabemos ou, pelo menos, questionar o modo como construímos juntos esse conhecimento sobre a escola, o conhecimento pedagógico. Parece-me que é uma das funções ou dos desafios mais prementes que a investigação tem, começar a questionar a ordem estabelecida na escola e começar a questionar, também, muitas das práticas que, para além de podermos reconhecê-las como mais ou menos inclusivas, mais ou menos a etiqueta que quisermos dar, estão a ser feitas simplesmente porque sempre foram feitas assim. E parece que deixaram um resíduo nas escolas sobre o que é permitido fazer e o que parece que, além disso, é validado por uma espécie de halo científico que continua a ser reproduzido. E questionar isto também nos levaria a rever algumas das questões que ensinamos nas nossas salas de aula, nas faculdades de Educação ou de Pedagogia. Por outro lado, quando falamos de investigação educativa, creio e retomo a expressão de Susana, é necessário que sintonizemos significados também sobre o que é investigação educativa. Vem-nos à cabeça, inclusive, na subpergunta: qual é o papel da investigação para transformar o que acontece nas escolas? Há também como uma espécie de armadilha, não é? Parece que a investigação é algo que acontece, um ente, geralmente externo, às vezes que também acontece no cenário da escola, que tem a capacidade de impactar, de afetar ou de remover o que acontece nela. E eu não sei se esse olhar sobre a investigação está demasiado estendido, mas, às vezes, freia-nos para abrir grandes perguntas em torno da investigação, como as que Odet assinalou, em torno da ética. Ou o grau de beligerância que deveria ter, como disse Jesús. E realmente creio que a investigação não tem qualquer sentido, pelo menos nas escolas, se não vamos a elas sabendo que ali já está a acontecer investigação, independentemente de a academia chegar ou não chegar. E, talvez, comece a imaginar assim papéis mais próximos do acompanhamento, do estar juntos, do repensarmos juntos. Sem dúvida, a investigação, a que podemos fazer a partir da Academia, não pode ignorar em nenhum momento, como já foi dito, quem são os protagonistas na escola e, sobretudo, as vidas que atravessa a organização escolar. É o momento, também, de dar maior protagonismo a todos os movimentos de voz e de participação dentro da própria investigação educativa. Também queria abrir um interrogante que creio que pode ajudar-nos a entender porque é que às vezes há essa distância, que me preocupa e não sei se as pessoas que estão agora na sala gostam de falar sobre isso, com quem vive a investigação, quem convive com a investigação inclusiva. Convivimos com a mercantilização da educação, com os requisitos e exigências da academia, com temas, além disso, emergentes que calham, entre aspas, que vendem soluções imediatas, certezas no âmbito educativo. Por exemplo, há muitas questões que têm a ver com o auge da neurociência na educação, quando a investigação educativa problematiza a própria ideia de investigação da escola, do mundo, da vida, da história. E outros tipos de investigação, ou outros temas de investigação, parecem oferecer de maneira mais rápida certezas, certidões e quase questões indiscutíveis. Aí já não temos nada a fazer. Então temos de prestar um pouco de atenção a outros elementos com os quais convive a educação inclusiva e começar a focar em questões que resultam incómodas para a escola, para a administração, para os sistemas e abandonar, um pouco, os olhares tão psicobiologicistas em torno do que acontece nas escolas. Por isso, creio que deveríamos enfrentar o desafio, tão incómodo para alguns, de começar a falar mais seriamente ou fazendo mais barulho sobre as pressões excludentes na gramática escolar. E já para terminar, simplesmente, pensar no papel da investigação educativa como um altifalante, uma plataforma, um espaço para repensar. Às vezes esquecemo-nos, porque os académicos estamos submetidos a outros corpetes distintos: o valor da denúncia através da investigação. E creio que é muito necessário voltar a colocar-nos nesse lugar, as possibilidades da investigação educativa ou da investigação inclusiva para denunciar e começar a falar daquilo que, muitas vezes e durante muito tempo, foi silenciado na gramática escolar, como é a construção da desigualdade e da exclusão. Pois nada, muito obrigada. N.C.:— Muito obrigado, Nacho, pela sua intervenção. Márquel, é a última palavra que tenho anotada, a não ser que alguém me tenha escapado. Quando a Márquel falar, começamos a interação. Márquel:— Olá, eu sou a María, mãe de um menino com deficiência e gostaria de contribuir com um grão de areia. Tenho um menino com deficiência, como dizia, e uma menina, vamos dizer, dentro da normalidade. Como mãe, com a menina tudo fluiu, foi muito leve, nunca me puseram um pretexto. Ela seguiu os seus cursos, está no 4º ano do Ensino Secundário Obrigatório (ESO), tem 16 anos e tudo foi normal. No entanto, com o menino, que tem 13 anos, tem sido um longo caminho de obstáculos. Gostaria que, se possível, me incluíssem nesta panela que estamos todos a elaborar: um guisado, quero chamar-lhe assim, de contribuições de todos. Gostaria que esta contribuição fosse o porquê de as famílias terem tanta dificuldade em garantir que os meninos com deficiência tenham uma educação inclusiva, zelar por esses direitos que lhes correspondem. Só queria, bem, contribuir com isto. N.C.:— Muito bem, muito obrigado, Márquel. Alejandra. Alejandra:— Olá, bom dia a todos. Boa tarde, aqui na Argentina. A verdade é que, com o que Julián disse, tudo o que eu pensava dizer se desorganizou, porque o que esse pai apresentou me impactou muito, porque na verdade eu concordo. Eu me coloco essa questão e agradeço, Nacho, este convite, que é um bate-papo. Como você diz, criar não se sabe quando começa nem quando termina. E quando me propus a participar, tive realmente minhas dúvidas, porque minha linha de pesquisa vai em relação à voz dos estudantes, mas não das pessoas com deficiência, e pensei que havia algo dentro do que pude investigar em relação aos estudantes que não são catalogados como pessoas com deficiência, que talvez pudesse somar à conversa. Digo que o que Julián apresentou me impactou muito, como pai, porque ele diz que está preocupado com a educação de seu filho com deficiência, mas na verdade com a de todos os seus filhos. E acho que esse é um pouco o olhar da pesquisa. Ou seja, a princípio me perguntava como fazemos todos os acadêmicos: se vou intervir, tenho que estabelecer alguns pontos, que na verdade estabelecemos porque temos pouco tempo, pois Nacho nos marca o tempo [risas]. Mas, na verdade, pensei na educação, para que serve. Não em termos utilitários; mas em termos de sentido. E, na verdade, digamos, a pesquisa serve, pelo menos a pesquisa qualitativa, para recuperar a voz dos sujeitos. E aí, concordo com Jesús, digamos, que a forma do pesquisador é estar nos cenários da pesquisa, ou seja, no campo. Ele disse estar na escola. Essa é a forma de aproximar o que se pesquisa, digamos, ao lugar onde realmente tudo aquilo tem que ajudar a melhorar as práticas educativas. E, além disso, não apenas ir buscar as vozes desses pesquisados; mas também implicá-los de alguma maneira, que é um pouco o jogo que você abriu, Nacho, com essas conversas, das quais participei de todas e das quais me impactou muitíssimo, justamente, a voz dos estudantes e a voz das famílias. Recuperando um pouco o discurso de Julián, ele diz que o tema da inclusão não é sobre pessoas com deficiência, e acho que esse é o ponto, é o paradigma a partir do qual se investiga a inclusão. Eu acho que, embora em termos metodológicos, seja preciso abrir um pouco o jogo e ser um pouco cauteloso e um pouco acadêmico ao nos perguntarmos sobre as pessoas com deficiência, também acho que o tema é que a pesquisa, no terreno da inclusão, deve ser para todo o coletivo e em todas as condições, mesmo naquelas que nós consideramos normais, entre aspas. Por quê? Porque no que pude ver através da pesquisa, no centro do sistema educativo, a deficiência é marcada, além das diferenças de origem, por um ponto crucial dentro do sistema, que é a avaliação. Quando, em seu momento, pude fazer grupos de reflexão, investigar com estudantes que ingressavam na Universidade de Málaga, eles me diziam que, no momento em que um docente avalia um estudante, está dizendo se esse estudante é apto ou não é apto, e aí entra em jogo o que todos os colegas vêm levantando, que é o tema do rótulo. Um tema que você também levanta, Nacho, em suas pesquisas. O rótulo, esse elemento de grande preconceito que inabilita ou habilita os sujeitos a estarem dentro do sistema. Acho que todas as pessoas temos uma deficiência para o sistema educativo. Todas. Esses estudantes, com os quais se vê um projeto de pesquisa, diziam que nas escolas há estudantes móveis, há os desajeitados, os que jamais vão poder falar, e que é muito difícil se mover, contornar esse obstáculo do olhar do outro. E em termos de sistema, acho que o docente, o professor que está na sala de aula, é o representante do sistema e é quem faz, de alguma maneira, e trabalha pela inclusão ou pela exclusão. Então, trabalhar ao lado de quem forma, quem pesquisa ao lado do formador que está na sala de aula, também é uma saída, é uma saída possível. A aproximação. Me impactou muito o que Julián apresentou. Ele diz: «quando a escola se aproximar da sociedade, quando a escola se aproximar dos pais, «se houver uma aproximação, não vejo a professora como uma inimiga». Não pode ser que em pleno século XXI possamos continuar pensando, inclusive como diziam os pais e mães, que a escola coloca paredes, levanta muralhas, que os próprios estudantes com deficiência dizem que ninguém confiava neles, que são vigiados. Ou seja, que nesses termos, acho que os pesquisadores deveríamos juntar o paradigma e pensar que a exclusão, como disse Julián muito bem, não é sobre pessoas com deficiência. Bom, Nacho, não roubo mais [risas] minutos da conversa. Um prazer estar ouvindo todos vocês, a verdade é que é muito enriquecedor. N.C.:— Igualmente, muitas graças, Alejandra. Sergio, e já sim é a última palavra. Depois, abrimos a vela. Sergio. Pois não… Margarita, fala tu. Margarita:— Boa tarde, Nacho, e a todas as pessoas. Obrigada por me dar a voz, porque no outro dia intervenho contando-vos um pouco a minha experiência como Departamento de Orientação, como orientadora nos centros de infantil e primária. E hoje, antes de dar a minha visão como investigadora em formação, já que estou a realizar o doutoramento em equidade e inovação educativa e a linha de investigação, processos de inclusão e exclusão na universidade de Vigo, dirigido pela catedrática María Ángeles Parrilla Latas, quero agradecer a todas as pessoas, investigadores porque pude ler um pouco toda a trajetória sobre o que escreveram acerca do tema da inclusão. No quadro teórico da minha tese doutoral em curso, cujo título é «Barreiras e Ajudas no Caminho da Inclusão: Um Estudo a partir da Voz do Alunado», dou a voz, neste caso, ao alunado. A importância de dar a voz, o movimento de dar a voz do alunado, também em relação com a educação inclusiva. Porquê? Porquê uma investigação deste tipo, com estas características, onde realizo e se conforma o quadro teórico da minha tese doutoral? Pela importância, como dizia Ignacio Haya na Universidade de Cantabria, de dar a voz a determinados alunos. Neste caso, estou a falar de coletivos em risco de exclusão educativa por diferentes razões: deficiência, altas capacidades, que estiveram silenciados nas margens do próprio sistema sem que ninguém lhes desse a palavra. Por isso creio que é importante, através destas vozes, a partir de uma perspetiva inside, de dentro, tento que o objetivo principal ou propósito do meu estudo de investigação seja analisar e identificar as principais barreiras à aprendizagem, neste caso à participação e, por conseguinte, a inclusão que estes alunos sofreram nos centros educativos. Falávamos de barreiras de aprendizagem e definimo-las, para que não entendam as pessoas que não são do campo da investigação, como os obstáculos, impedimentos que encontraram os alunos ao longo das suas trajetórias e, neste caso, através de uma metodologia qualitativa da entrevista biográfica, resgato todas estas vozes. E a partir deste estudo, como digo, inside, de dentro, para que eles me narrem, me contem os seus testemunhos pessoais, as suas trajetórias educativas, as barreiras didáticas que, como bem ouvimos as famílias, no processo de ensino-aprendizagem… N.C.:— Margarita, brevemente, para que no nos quede tiempo para iniciar la conversación. Margarita:— Perdona, Nacho. Para finalizar, el tema un poco de las barreras y de los apoyos que hemos hablado y que todos sabemos y hemos analizado. Y planteándonos el título de esta conversación, las dos grandes inquietudes de las que tú hablabas, la distancia entre la investigación y lo que pasa en la escuela. Y también ahí, la brecha que hay entre la legislación, las personas que legislan las leyes y esas necesidades de nuestra realidad educativa. Hay una brecha existente entre lo que se hace en los centros y lo que los legisladores escriben en la propia ley. Hay una normativa contradictoria, que hay que revisar. Y el papel de la investigación, a través de estos encuentros, de estos escenarios, de estos contextos educativos, utilizando este tipo de plataformas. En este caso, es otro tipo de investigación, como decía por ahí uno de los compañeros. Son otras formas de hacer nuevas investigaciones en nuevos contextos formativos, ecología de aprendizaje, que es donde se crean lazos, donde se crean lazos, donde todas las opiniones que he ido escuchando, las fui apuntando en un cuaderno, porque es una forma de transferir conocimiento, de compartirlo, de crear nuevas formas y nuevas miradas de ver la investigación desde una perspectiva totalmente inclusiva, equitativa y fiscal. N.C.:— Muchas gracias, Margarita. Bueno, decía yo que iba a ser malo como lo era mi madre conmigo [risas]. Yo le contaba la historia de lo que yo estaba investigando y, entonces, me decía: «muy bien, eso está muy bien, ¿pero y hermano, qué?». Entonces, esa es la pregunta que yo hago. Muy bien, todo lo que hemos estado trabajando, pero yo pienso que la legislación sigue igual y recuerdo, por ejemplo, cuando comenzaron a llegarme un montón de famílias para que les ayudara a hacer informes para resistir a la escuela. Y yo decía: "lo que no puede ser es que la solución sea [ayudar] a uno por uno, tratando de argumentar que tiene derecho a estar con el resto del alumnado, porque eso era lo que pedían las famílias". Me mandaban los diagnósticos de los niños y las niñas para ver qué podía hacer yo, para argumentar que ese niño no fuera expulsado de la escuela, por ejemplo. Y yo pensaba, "bueno, y entonces nosotros, como investigadores, ¿qué papel tenemos ante esto?" O nosotros, como investigadores, ¿qué papel tenemos ante nuevas normativas y nuevos decretos que van saliendo, que van en contra de lo que sabemos ya?" Porque hay muchas cosas que no sabemos, pero también hay algunas cosas que sí sabemos.   A mí me ha gustado mucho el tono en el que hemos estado trabajando, en el que hoy se ha mantenido la conversación, que es que en la ciencia, en realidad, no hay tantas certidumbres; sino que no hay tantas certezas como dudas, cuestionamientos, aunque también tenemos alguna certeza. Sabemos, por ejemplo, que la repetición de cursos no es una solución y en nuestra escuela campa a sus anchas, por ejemplo. O sabemos que es bueno cuando las diferencias habitan las escuelas, lo sabemos, en muchas escuelas. El ejemplo está en las voces de las famílias y el alumnado, especialmente, que hemos escuchado durante esta semana, que nos muestran que las escuelas muchas veces lo que hacen es castigar las diferencias y separar las diferencias. Y, entonces, yo no puedo parar de hacerme la pregunta que me hacía mi madre: «Muy bien, tú sabes cómo investigar, todo lo que tú estás haciendo son elaboraciones que son muy interesantes, pero ¿en qué están siendo de utilidad para que la escuela se transforme?» Ya, no digo más. Se abre la veda. Ahora no se pide, aquí no se pide ya la palabra. Se abre el micrófono y adelante… (Silencio) N.C.:— Há alguns anos, fizemos um encontro parecido com este, mas o fizemos presencialmente na universidade de Málaga. Quando o encontro terminou, e depois de fazer todas as elaborações e algumas conclusões, tínhamos chegado a um decálogo das ideias fundamentais que tínhamos tirado em uma sessão de trabalho durante todo o dia. E uma mãe se levanta e diz: "muito bem, tudo isso está muito bem, mas amanhã o que vocês vão fazer". Essa pergunta que era um pouco bruta, a verdade, a mim, pessoalmente, me marcou, porque, muito bem, amanhã em que vou colaborar nessas mudanças, por exemplo, nesse decálogo que havia, que haviam sido propostos. Meu trabalho, em que pode influir para que isso ocorra, em que parte? E eu me pergunto: nós, como coletivo também de pesquisadores e pesquisadoras, qual é a nossa possibilidade como atores em um cenário que sabemos que é, ainda, muito excludente? Samuel:— Permissão, Nacho. N.C.:— Adiante, Samuel. Samuel:— Tudo. A resposta que me vem à pergunta, ao questionamento que você nos faz, é que o trabalho de pesquisa possamos fazê-lo sempre a partir de uma oportunidade de aprendizagem. Talvez, a experiência de pesquisa. Acho que foi você que mencionou o indivíduo, a pessoa que trabalha conosco, a pessoa com quem pesquisamos, que tanto estamos ajudando a que participe satisfatoriamente. Ou seja, eu acho que sim, a pesquisa nossa pode permitir resgatar aprendizagens para essa pessoa que participa. É algo com o qual já podemos nos sentir úteis. Sim, onde colaboramos, veja. É a resposta que a mim, pelo menos, me ocorre com base na pergunta que você me faz, que nos faz: como a pesquisa colabora para a porta. Obrigado. N.C.:— Muito obrigado, Samuel. Eu estava pensando. Aqui, em Espanha, há desde há pouco tempo um movimento que de repente explode e que o que diz é a defesa a ultranza da Educação Especial. Marca a agenda política com quatro vídeos que faz um mágico, um showman. Isso corre como a pólvora através das redes sociais e marca a agenda política. Então, eu penso, é verdade que, nós, como investigadores e investigadoras, não temos certezas e não podemos tampouco falar com a rotundidade com que falam esses vídeos, mas pergunto-me se nós poderíamos também exercer algum tipo de influência em que essa agenda não vá pelos caminhos que marca um grupo de poder. Digo para pôr um exemplo, para aterrar o tema.Julián:—Nacho, uma coisa que eu acho que, para o exemplo que acabaste de pôr, é que o ignorante sempre se crê em posse da verdade. No entanto, a pessoa, o investigador, o seu próprio saber, sempre o está a pôr em dúvida. Então, evidentemente, parte-se de uma diferença tremenda. É dizer, a diferença do ignorante ou do que sabe demais o que quer, como o caso do mágico a que fazias referência, que o tem muito claro e não lhe importa fazer magia para conseguir o que pretende. No entanto, o investigador, evidentemente, sempre se estava a pôr em dúvida o seu próprio saber, com o qual, é complicado lutar com umas armas tão, tão, tão distintas. Desapareceste…N.C.:—Fiz como o mágico [risas]. Desapareci um momento porque estava a ficar sem bateria. Desculpem-me e, em particular, desculpe-me, Julián, porque não pude escutar a sua intervenção. Bom, continuamos.Joana María:—Uma pequena contribuição ao que comentavam, no final. Isto da certeza, acho que é algo que todos os investigadores, apesar de termos alguns conhecimentos, que possamos mais ou menos entender que são certos, é algo que todos fazemos e, claro, não lhe podemos pedir o mesmo sempre às famílias. Na minha opinião e no bagagem profissional que tenho, há vezes que é preciso deixar, um pouco, que o tempo ponha as coisas no seu lugar. Também, as pessoas têm que ter tempo para amadurecer. Não toda a gente está no momento ótimo para aceitar que não tudo se sabe, que não somos possuidores do nosso futuro. Olha o que nos aconteceu agora a todos. Estamos todos semi encerrados em casa e eu antes tinha outras preocupações gigantescas. Não sabes muito bem para onde se vai dirigir, não podes ter… É o que apontava antes. “Algo que aceitar”.N.C.:— Acabo de leer en el chat que una de las ideas y valor que había marcado Nacho Haya, el valor de la investigación en la denuncia, que yo creo que es uno de los grandes valores que habría que explotar, o, mejor, que en el que habría que indagar muy mucho, en cómo podemos ejercerlo. Guadalupe:— Creo que la pregunta que nos has planteado, nos llevó desde primer momento como al silencio, ¿no? Hizo este gran silencio y eso no es otra cosa que una manifestación de que nos seguimos repensando y construyendo. Pero creo que, por ejemplo, si dices: "bueno, ¿hoy qué hacemos, mañana qué hacemos?" Pues, lo primero, justo es esta actitud, y si nosotros transformamos esta actitud, creo que de alguna manera es un buen comienzo. Y la otra cosa es que creo, y no sé si esto sea posible, que tendríamos que llevar estas voces, estas discusiones y reflexiones a los senados, como bien dices tú. O sea, la legislación ahí sigue y la legislación, muchas veces, es lo que sigue perpetuando que se sigan generando estos sistemas de opresión. Y yo no sé si haya forma, como que estas voces las llevemos justo a estas esferas. Yo sé que, al final, lo que luego sale en esta cuestión de la política pública educativa, poco rescata de nuestras voces, pero creo que esa es la lucha, seguir llevándola a esas esferas. Creo yo y, al final, se me hace otra vez el silencio, porque, pues justo nos dejas pensando, ¿no? Como dice tu mamá: "Bueno, ajá, ¿y tu hermano?" En este caso, yo digo, "ah, sí, ¿y mis hijos, y mis alumnos?" Y se genera uno más preguntas. Pero de verdad creo que necesitamos romper los silencios y llevar esto a otras esferas, ¿no? Nada más en este atrape “eterno” de la investigación educativa. Creo que ahí tendremos que buscar la forma o los medios de hacer llegar esto a donde se transforme en esas leyes, ¿no? N.C.:— Muy bien. Sí, Sandra, una madre, en el chat, está diciendo que sí será una cosa de comunicación, de cómo llegan los resultados de las investigaciones fuera del círculo académico, que es algo que se ha apuntado también, por lo envenenado que está el sistema académico, también. Bueno, más ideas. Empar:— Hola, Nacho. Soy Empar y estoy superagradecida de estas conversaciones que has organizado. He participado en todas y yo, como decía antes Alicia, soy un poco de todo. Parte de las docentes, parte de las familias y, bueno, me ha encantado participar. Yo creo que, como resumen, aunque no sea investigadora, también han aportado que, a veces, las docentes hacemos un poco de investigación, poco rigurosa, pero que ahí deberíamos meternos más las docentes, en más investigación rigurosa y ayudar a la investigación de la facultad. Yo creo que, no sé, aunque no hable desde la investigación, no sé lo que podemos hacer, como tú dices, el lunes; qué debemos de hacer. Pero quiero rescatar la idea de una participante de los profesionales en la semana pasada que dijo que, al final, resulta la antipática del claustro. Pues, al final, yo creo que estas ideas, deberíamos seguir defendiéndolas, defendiéndolas desde la antipatía, porque al final es la única forma, ¿no? El decir, "vale, ya lo hemos hablado, ya todo el mundo lo sabe, ya lo hemos demostrado, las leyes lo dicen y todo sigue igual". Pues, al final, igual tendremos que ser un poquito más antipáticos y antipáticas, para que se nos escuche un poco más y para defender el derecho de todo el alumnado a estar incluido. N.C.:— Muito obrigado, muito obrigado. Mais ideias. Susana:— Olá, Nacho. Eu gostaria de apontar algo que me parece importante. Eu acho que as coisas mudaram sim, e este encontro e os encontros anteriores e muitas coisas que estão acontecendo nas escolas são um reflexo disso. Então, não acho que estamos iguais a como estávamos, me recuso a aceitar isso. Acho que, felizmente, nestes últimos anos, o caminho percorrido é importante e interessante, não é? E por isso dizia que tínhamos que resistir aí, para evitar que esses discursos fáceis, como o movimento em favor da Educação Especial, com o que custou repensar o papel dos centros específicos. Que esse discurso fácil, também do qual Julián falava, não penetre com essa agilidade, e eu diria que é assim, não porque o discurso seja potente e não porque o discurso esteja bem fundamentado. De forma alguma; simplesmente porque te permite manter-se no lugar, na certeza, no que você vem conhecendo, na tradição, no que sempre foi. Precisamos de coisas em que nos agarrar, então, que melhor do que algumas não se movam. Dito isso, eu acho que sim, que as coisas mudaram. Acho que estes encontros são fundamentais porque o que servem é para que muitas pessoas de lugares distintos entremos em relação, possamos, de alguma maneira, compartilhar o que nos preocupa, por que queremos continuar trabalhando. E gerar esta rede visível ou invisível, que te devolve a ideia de que não estás sozinho fazendo algumas coisas. Acho que isso é muito potente. Acho que, em todos, desde lugares, desde casa, desde nossa própria família, na universidade, em pesquisa, desde a escola… podemos fazer muitas coisas e, então, ter a oportunidade de poder mostrar como, desde distintos lugares, as estamos fazendo. Fortalece. Então, queria deixar essa outra mensagem porque tenho a sensação de que sim estão sendo feitas coisas e coisas importantes. Assim que obrigada a todos. N.C.:— Muito obrigado, Susana. Mais ideias. Jesús:— Eu me somaria ao que diz Susana. No sentido de que eu acho que as coisas mudaram e que somamos. Como eu dizia antes, assim, metaforicamente, você leva uma bofetada que te abre os olhos. Quando eu era pequeno, ainda estava mais imerso em um modelo reabilitador. Cresci nesse modelo e meu pensamento se conformou na escola e praticamente em todos os entornos nos quais participava com base nesse modelo. E agora, uns anos depois, como encontrei gente ao longo da minha vida que foi me dando essas bofetadas, que vão abrindo meus olhos, pois mudei. E depois, me faz pensar que na segunda-feira o que vou fazer é celebrar meu aniversário e, quando soprar as velas, desejarei muito forte que cada vez sejamos mais, e cada vez somos mais. Há que agradecer a gente como você, Nacho, que organiza estas coisas e que junta gente de diferentes lugares e cada vez somamos mais. E quando saírem esses vídeos, as pessoas os vejam e os comentem nas mesas onde estiverem comendo, quando pudermos voltar a sentar para comer juntos, que as pessoas repliquem e tenham argumentos para ir contra. Eu penso que é importante que cada vez o desejo seja maior e mais compartilhado e os argumentos sejam mais e mais compartilhados. E, aí, e agradecer o papel das mães, também, que dão suas bofetadas de realidade [Risas], nesse sentido. Ou seja que… N.C.:— Muito bem. Muito obrigado, Jesús. Federico:— Muito do que disseram é um dos temas que identificam entre todos, a ideia de privilegiar a epistemologia e privilegiar as vozes das mães, das escolas… que me parece muito bem, mas vou fazer uma nota com base no que estava ouvindo, uma nota de cuidado, porque me parece que também não se pode cair na inocência de pensar que todas essas vozes sairão emancipatórias. As vozes podem impulsionar uma inclusão da deficiência, mas não é compreensiva a nível racista ou de imigrantes. Então, é preciso chegar a esses espaços de investigação com uma reflexividade importante, capaz de ajudar esses contextos a ter uma versão um pouco crítica das próprias ideologias que estão em jogo neste momento. Que não porque saiam de baixo e saiam das escolas ou dos pais, não temos que tomá-las como que vão ser possíveis. N.C.:— Muito bem, muito obrigado, Federico. Odet:— Só apontar duas coisas: o que podemos fazer? Pois, eu acho que quando as profissionais intervieram ontem, já colocavam a ênfase em que não podemos trabalhar sozinhos ou sozinhas, e eu digo que os investigadores também não podemos investigar sozinhos e sozinhas. Então, aqui estamos falando de uma exigência de trabalho colaborativo e isto é uma maneira de investigar. Antes, Nacho, apontava que já há investigação nas escolas. Já se estão fazendo coisas nas escolas. Os professores sim que investigam, o que acontece é que não transmitem tanto quanto deveriam. Empar também há pouco fazia referência a isto. Então, retomando um pouco a contribuição de Julián, que dizia que o tema da inclusão não é sobre pessoas com deficiência, eu também digo: o tema da inclusão não é só sobre especialistas. Mas é verdade que, quando propomos certas investigações e formações, os especialistas são os primeiros a se interessar pelo tema da educação inclusiva. Eu acho que aí temos uma carta para jogar a nosso favor, através do trabalho colaborativo, criando como essas alianças entre o trabalho de colaboração entre docentes e especialistas. Eu acho que aí há uma estratégia que nós utilizamos quando fazemos formação: solicitar que às formações venham os especialistas acompanhados do professorado da sala de aula regular. Ou seja, isso como requisito, porque senão parece que, como que não é com eles. Então, é uma estratégia muito simples para colocar em marcha equipes e apoio à inclusão que possam verdadeiramente colocar em marcha em seus centros práticas mais inclusivas, analisá-las, repensá-las, reformulá-las e investigar sobre elas. Acho que é a investigação para a qual devemos ir e, além disso, acho que tem um grande impacto social, que é a outra questão. Como também tem um grande impacto social, estas estratégias de difusão, como esta em que estamos participando, encontros virtuais que são difundidos em redes, têm um poder e um impacto social muito maior do que todas as publicações, a ver [risas], que ninguém lê. [Risas] N.C.:— Absolutamente. Bom, mais ideias. Inma:— Eu queria dizer umas coisinhas, muito breves. Com a minha experiência como mãe, com o meu filho, quero destacar o que disseram Odet e muitíssimas pessoas, mas hoje simplificou-se em "barreira de atitude". Acho que desde a formação universitária, gostaria de saber como se resolveria isso, porque, no meu caso, o inspetor chegou a dizer-me que ele não podia mudar as pessoas e que essa pessoa não ia fazer nada para aceitar o meu filho, nem para o integrar, nem para fazer nada. E fico com a ideia de que não há nada a fazer e isso não me parece bem. Então, quero ligar com o que disse Susana, que me parece vital e importantíssimo: as disciplinas que na universidade sejam de inclusão ou de deficiências, como se chamem, é importante que sejam obrigatórias e não opcionais, porque, porque se são opcionais, já estamos a dizer aos futuros que isto pode ser escolhido e, então, se pode ser escolhido, posso excluí-lo ou rejeitá-lo. E parece-me que é muito importante o que foi dito hoje aqui. Eu, como mãe e como profissional, que não posso separar, mas sobretudo, como mãe pela minha experiência. E, depois, quero também destacar o que disse Alicia, porque o tema da inclusão e de aceitar a deficiência no sistema que temos está muito burocratizado. O quadro legal, também o disseste tu, Nacho, vai mudando; a legislação vai atualizando-se. Nem os docentes nem os diretores são conscientes de que isto acontece. Eu li todo o quadro legal possível que existe para defender o meu filho. Para reclamar o que é seu, que não sei porque não o davam. E, um dia, vou à Delegação, e ninguém conhecia este quadro legal. Ninguém sabia do que eu falava, e sou uma mãe. Então, acho que é muito importante que não esteja tão burocratizado aceitar ferramentas ou recursos, sejam humanos ou físicos, para os estudantes com necessidades, porque eu acho que teriam de estar já aceites se têm uma deficiência reconhecida por uma secretaria. Teria de estar já reconhecido. É que não sei porque o sistema é uma sociedade, microssociedade, dentro da sociedade. Acho que não são mais que barreiras, barreiras, e barreiras burocráticas. E depois, também, gostaria de dizer que sim, para aceder aos postos para os docentes no sistema, seria necessário que pusessem provas de perfil psicotécnico ou psicológico, porque se a barreira atitudinal é a que é, como o solucionamos. Tem um excesso de teoria e uma escassez de prática, e sabemos quantas pessoas têm uma experiência fora do formal, pessoal e vivencial no seu ambiente. Não sei, acho que há algo a fazer. N.C.:— Inma toca alguns temas muito sensíveis, que mostram a complexidade do que estamos a falar. Por isso, aqui, entre investigadores, entre muito bons investigadores e investigadoras, estão a trabalhar na incerteza. Inma:— E para terminar, diziam que na universidade se questionam como serão estas crianças, que perfis elas têm. A minha experiência com o meu filho não é muito comum, o que o meu filho tem não é muito habitual e o perfil dele também não, mas posso dizer que, aqui ouvi alunos, crianças e famílias com diagnósticos médicos diferentes do meu filho e, no final, todos somos iguais. Todos passámos pelo mesmo. Cada um com a sua necessidade, mas todos com o mesmo. Então, isso de se perguntarem como são os alunos, dizer-lhes que, no final, são todos iguais. Não sei se me explico. [risas] Cada um com a sua patologia ou a sua necessidade. E, depois, quero para terminar dizendo que, por favor, o sistema educativo não pode ignorar 'o médico'. Por favor, eu tive que me conter sentada à mesa de um senhor na Delegação que me diz que um médico não lhe vai dizer o que ele tem que fazer com uma criança. Mas eu vou ao médico e digo-lhe: "a senhorita disse que não o vê bem", e o médico manda-o ao oftalmologista. Então, a educação não pode fechar os olhos à medicina. E estamos a vê-lo com o coronavírus. N.C.:— Muito obrigado, Inma. Bom, já passámos da hora. Eu acho que vamos encerrar por aqui. Ficaríamos mais tempo a conversar, porque eu estou encantado. Acho que saíram muitas coisas de grande, grande valor. Acho que também evidenciámos, em boa parte dos que hoje falaram, a necessidade do trabalho colaborativo. Não só nas escolas. Também entre nós, não é? Que importante seria que continuássemos com fóruns que não só nos levem à nossa investigação particular, com a nossa equipa local; mas que falássemos entre nós, que fizéssemos estratégias entre nós para tentar mover as coisas? Enfim. Bom, quero agradecer enormemente todas as participações. Em particular, às pessoas que eu enredei à última hora [risas]. Odet, Susana, Nacho, Jesús… Enfim. Muito obrigado a todas as pessoas que participaram, foi uma sessão fantástica. E, bom, esperamos que amanhã também tenha muito percurso pelas redes. Um abraço.

    Liderar equipas para construir escolas inclusivas. Dificuldades, conquistas e desafios

    Nacho Calderón - N.C.: — Bom, a reunião já está sendo gravada. Bem-vindos todos e todas. Em primeiro lugar, quero agradecer por estarem aqui hoje, acompanhando-nos nestas conversas, e por continuarem este extenso diálogo entre todos os que fazemos parte da comunidade educativa.

    Algumas questões de procedimento: primeiro, a sessão está sendo gravada, como já foi informado, e será compartilhada nas redes e utilizada posteriormente no projeto de pesquisa em que se insere.

    Isso, por um lado.

    Por outro, o propósito desta reunião é tentar discutir a necessidade de falar sobre a escola que temos, como gostaríamos que fosse e como podemos fazer para que o projeto de tornar as escolas inclusivas se torne realidade.

    A sessão de hoje é precedida por muitas outras, todas elas muito interessantes, com alunos, famílias, professores e outros profissionais, e pesquisadores. Hoje é a vez de um grupo com o qual tenho muita vontade de falar e do qual espero aprender muito: os diretores e diretoras de centros escolares que estão impulsionando a inclusão. O tema de hoje é liderar equipes para construir escolas inclusivas, as dificuldades e desafios para alcançá-lo.

    Lembro de algumas das sessões em que, principalmente as famílias, mas também o corpo docente, falavam da importância das equipes diretivas na construção desses projetos escolares inclusivos. Hoje temos uma oportunidade fantástica, não tanto para contar cada um dos nossos projetos de centro, porque não há tempo para isso, mas para tentar estabelecer uma conversa entre todos nós, para ver o que aprenderam com a experiência que já têm.

    Acredito que ninguém ignora que uma escola nunca é totalmente inclusiva e que sempre tem um caminho a percorrer. O que se trata é que vocês, que têm a experiência e trajetória em tudo isso, possam ajudar o resto a entender quais foram as dificuldades, conquistas e desafios que enfrentaram ao longo destes anos.

    Assim, a primeira coisa é dizer que haverá uma pessoa atenta ao chat, é a Luz, uma colega da equipe. Ela estará atenta caso alguém que não seja do grupo de professores, que são diretores de centros, queira fazer alguma pergunta e, na medida das nossas possibilidades, tentaremos trazê-las ao debate.

    Vamos fazer primeiro algumas intervenções muito breves. Eu tinha indicado nos e-mails que tentássemos fazê-las em três minutos. Não se trata de expor o projeto, mas sim do que aprendemos. Já fizeram uma seleção dessas coisas que aprenderam e estamos agora de ouvidos atentos, então eu tomarei a palavra e começaremos.

    Começa quem tiver vontade, então, em frente. Somos todo ouvidos. Vejo que todos somos muito disciplinados.

    Norma Albeira:—Olá, bom dia para alguns, boa tarde para outros. Bom dia para mim. Bom, eu sou Norma, sou de Entre Ríos, Argentina, diretora da escola Madre de Calcuta e há 19 anos que estamos assentando nosso projeto educativo na base da escola inclusiva. Tem sido um caminho muito sinuoso e o fizemos no início com muita incerteza, mas hoje continuamos pensando nessa ideia de que escola queremos, por onde começamos e, bem, acho que a primeira coisa que fizemos foi soltar as certezas porque em cada processo das crianças havia tanta singularidade que, olhando-as de um só lugar, era difícil desterrar preconceitos. Percebemos que limitavam as possibilidades que as crianças e os jovens tinham e, por outro lado, impediam de ver oportunidades. Algo que fazemos todos os dias é celebrar essa presença em nossas escolas, valorizar essa presença e tornar essa vida visível porque tempo atrás não se via.

    Por onde tivemos que começar? Em princípio, por nos desvencilharmos dos critérios diagnósticos. Na maioria das vezes, eles categorizam os estudantes e poderiam atender às necessidades educativas que eles têm através das propostas acadêmicas que dávamos. Tivemos que aprender a trabalhar em equipe. Essa ideia de que 'cada professor com seu livrinho' não nos funcionou, tínhamos que estar olhando para uma meta em comum e deixar que outros olhares entrassem na sala de aula através das equipes interdisciplinares, da família, dos mesmos docentes de nossa escola e, bem.

    E nos capacitar em novas formas de aprender e conceber a educação, o trabalho em sala de aula. O que não sabíamos, tínhamos que sair para buscar e identificar e, por aí, uma vez que identificamos, minimizar as barreiras de aprendizagem que tinham nossas crianças. Para tornar possível esse currículo, uma vida social interativa, dentro da escola também, tinha que começar dentro das salas de aula. Entre outras coisas, a partir do trabalho da professora com essas crianças. Bom, tudo isso nos leva a questionar que temos que transformar nossa prática, que não seria fácil e que é difícil até o dia de hoje, quando sabemos que os processos de desnaturalização não são algo simples e que estão enraizados.

    Outra coisa que aprendemos e continuamos aprendendo é que valores nos trazia a escola pensada a partir desse lugar e a aceitação, ser mais respeitosos com a vida, com a forma de vida dos outros, o senso de pertencimento. Se este estudante é meu e ele vem à minha escola para que eu possa aproximá-lo dessa cultura, que ele possa ter maior participação no currículo, que é algo às vezes tão complicado.

    Aprendemos que éramos parte de uma metamorfose escolar constante e que, bem, quando achávamos que tínhamos aprendido algo, já desaprendíamos. Aprendemos ritmos, particularidades, a olhar realidades sem julgar. E, bem, que vamos continuar a transitar muitas tensões porque há quem considere que esta não é a proposta adequada. Aprendemos que isto é possível se quisermos o projeto e se tivermos vontade, se tivermos compromisso, muita responsabilidade para poder ter uma boa atitude e ações concretas para poder intervir na vida dessas crianças. Isso é mais ou menos o que venho fazendo em nossa escola há 19 anos.

    N.C.Muito obrigada, Norma. Quantos anos vocês levam trabalhando neste projeto?

    Norma Albeira:—Em nossa escola, 19 anos.

    N.C.:—19 anos. Embora não seja o momento de contar os projetos de centro, seria fantástico se quisessem partilhá-los com a equipa de investigação. Se for assim, podem enviar-me para o meu e-mail, de modo que possamos também aprender com toda a vossa experiência.

    Muito obrigada, Norma. Ouvindo-te, lembrava-me das palavras de uma mãe que, um pouco desesperada, há pouco dizia que não quer mais teoria. Que a teoria da inclusão já não a quer, que o que quer são factos. Então gostaria que tentássemos centrar um pouco todas as intervenções. Levam-nas para onde pensam que devem levá-las, mas tentando dar resposta a coisas que nos disseram familiares, estudantes, profissionais e investigadores antes. Que sirva para pensar numa escola inclusiva.

    Muchas gracias, Norma, por tu intervención.

    Rosa Llorente García.:— Si queréis, continuo yo. Buenas tardes y muchas gracias. Es un placer poder participar en este foro que, seguro, será muy enriquecedor.

    Os comparto un poquito los aprendizajes y retos de nuestro proceso de transformación.

    N.C.:— ¿Cuál es tu centro?

    Rosa Llorente García.:— Es un centro de infantil y primaria, un centro público de Zaragoza ubicado en un barrio que escolariza a población de etnia gitana, inmigrante de segunda generación, población de vulnerabilidad importante. Un centro público que, en un momento dado, acogía a la población del barrio obrero y, ante la escolarización masiva de la población de etnia gitana, se convierte en un centro 100 % de etnia gitana que, posteriormente, acoge a la población inmigrante que va llegando.

    Nossa história começa em 2002-2003, diante de uma grave crise geral por um fracasso escolar de 95% dos estudantes, de grande conflituosidade, visões e caminhos enfrentados entre família e escola e uma tensão muito importante.

    O primeiro aprendizado que nós, professores que queríamos mudar, realizamos foi transformar a cultura da queixa em mentalidade de crescimento e elevar nossas próprias expectativas. Esse foi o ponto de inflexão para pensar que era possível transformar essa realidade tão crítica que enfrentávamos: elevar nossas expectativas, a partir de uma formação em comunidade de aprendizagem, não somos sua comunidade de aprendizagem em si, mas a filosofia de comunidade de aprendizagem nos inspirou para lograr a participação da comunidade educativa. A partir daí, iniciamos um percurso muito complexo.

    O aprendizado que fizemos em nosso centro é, primeiro, ter claro onde queremos chegar e o que tínhamos muito claro é que queríamos lograr ser um centro inclusivo onde todas as crianças aprendessem e onde as famílias valorizassem a importância da escola. Utilizar as habilidades e o conhecimento de toda a equipe docente.

    Um aprendizado muito importante que fizemos em nosso centro é transformar as capacidades e as potencialidades e as habilidades de cada pessoa, de cada docente, de cada família, de cada membro da comunidade educativa para o bem-estar comum, um exercício de inteligência coletiva muito importante também. Desenvolvemos uma linguagem coletiva e essa linguagem compartilhada está baseada em uma formação muito potente, porque para que haja inovação e inclusão, tem que haver formação de toda a equipe docente, mas uma formação que se traslade a vias concretas de ação porque muitas vezes a formação fica por aí, no nada, e não chega a transformar as realidades.

    Muito importante também o modelo de liderança. Em nosso centro apostamos por uma liderança apreciativa que se baseia nas potencialidades das pessoas e nos problemas que se convertem em oportunidades de aprendizagem. E muito importante, também, construir uma cultura do centro compartilhada por toda a comunidade educativa. Em nosso caso, iniciamos um projeto de transformação social, porque a escola é um elemento de transformação social muito potente, e conseguimos que a escola transforme o bairro em que estamos envolvidos e transforme as famílias. É uma capacidade muito importante que tem a escola. Isso fizemos através de uns sinais de identidade fundamentais que são o compromisso e a implicação de todos os agentes da comunidade educativa.

    O aprendizado é muito importante na participação ativa de todos os agentes da comunidade educativa. Somos uma escola aberta onde se organizam múltiplas atividades em que todos participamos ao mesmo nível. A voz das famílias tem mais peso, talvez, que o corpo docente e aí se deu muito peso a essa participação.

    A inovação, evidentemente, foi fundamental e a criatividade. Então, com tudo isso, algo muito importante que aprendemos é que juntos e juntas podemos crescer. A equipe docente atuou como motor de mudança.

    Nós no centro acessamos através de uma comissão de serviços pela qual passas um processo de seleção; você sabe a que centro vem, mas quando chega, o centro ainda é muito mais complexo do que você imaginava. Então, há uma série de características e sinais de identidade nos docentes que funcionam e que são a paixão, a ética, o humanismo, a psicologia positiva, o compromisso, a perseverança, não desistir nunca, embora as dificuldades sejam às vezes insuperáveis, embora no final o sejam. As altas expectativas, a capacidade de autocrítica, a capacidade de trabalho, trabalho individual e trabalho em comum, a inovação e a criatividade. E sim, aprendemos que não há nada mais limitante que as baixas expectativas.

    Em linhas gerais, fiz um grande panorama do que aprendemos e enfrentamos em nosso processo de transformação para uma escola mais inclusiva.

    N.C.:—Muito obrigada pela sua intervenção, Rosa. Passamos para Marta, tenho anotado aqui. Se virem que me engano na ordem porque me saltei alguém, por favor, digam-me.

    Marta Cebrián:—Nossa trajetória vou tentar defini-la o mais rápido e claro possível. Somos um centro que foi criado a partir de um olhar já voltado, desde o princípio, para a inclusão dos estudantes, embora paradoxalmente, olhando para trás, estejamos a fazer parte de uma modalidade de escolarização totalmente excludente quando o que queremos é a inclusão dos nossos estudantes. Pela situação atual e pelo alvoroço social que existe atualmente em torno da educação especial, reconhecemos estar numa luta muito difícil que nos coloca na situação de como um centro específico pode lutar pela sua própria extinção, mas acreditamos firmemente nesta ideia porque a base do nosso projeto é que falamos de pessoas e dos seus direitos e que nenhum sistema deveria limitá-los ou restringi-los em qualquer sentido.

    A base de todo o projeto inclusivo que temos em mãos é colocar o olhar nas pessoas, em cada um dos nossos estudantes, nas suas famílias e, como bem uma mãe dizia na conversa de famílias, falar de planos individualizados e não de planos adaptados, no que concordamos totalmente.

    No nosso processo de transformação em que nos encontramos, estamos nessa linha de elaborar uma série de planos que permitam essa individualização nos processos de ensino-aprendizagem de cada um dos nossos estudantes. Entre as conquistas do centro, e acho que é muito importante, como disse Rosa, está o facto de ser um projeto sólido. Nessa linha, apesar de os profissionais poderem mudar devido à interinidade e à mobilidade de profissionais, continua a transmitir-se essa mesma ideia consolidada de que queremos o melhor para os nossos estudantes e sabemos que o melhor é num contexto totalmente inclusivo.

    Todos os anos tentamos reforçar todas as nossas ideias, participando em formações, em diferentes experiências, em fóruns a nível nacional e com outros centros pioneiros nesse sentido. Há uma grande equipa por trás que lidera um pouco toda essa prática e que permite, também, tirar o melhor de cada um dos profissionais. Isso também consideramos como uma conquista muito importante em todo esse processo.

    Em relação às dificuldades, bom, todas e mais algumas, porque ninguém disse que seria fácil, mas para nós também as precisamos para continuar a melhorar, para corroborar o que queremos e o que não queremos. Para lutar pelos direitos dos nossos alunos, não porque sejam nossos alunos, mas porque o Objetivo 4 de Desenvolvimento Sustentável o reconhece, a constituição o reconhece, a Convenção sobre os Direitos da Criança o reconhece. Então. acho que é importante colocar o foco na pessoa como um ser único, desde a sua capacidade e a sua força, que são muitas. As limitações já lhes foram marcadas durante muitos anos e temos de fugir dessa maneira de trabalhar.

    Partimos no nosso projeto das dimensões de qualidade de vida. A nós abriram-nos um mundo na hora de elaborar esses planos individualizados porque permite que aqueles com maiores necessidades que não vão poder despontar em conteúdo curricular, despontem noutros âmbitos fundamentais na vida, muito mais fundamentais até do que os próprios académicos. Um peso importante no nosso projeto são as famílias. As famílias confiam plenamente no centro. Nós também o trabalhamos assim, para que sintam esse carinho, essa confiança. No final, cria-se uma relação muito próxima e muito bonita para ir criando todo este sistema.

    Desafios que levanta, sob os nossos pés abrem-se muitíssimos. O principal, a comunidade. Pensamos que a escola e as suas práticas não são nada se não se contextualizam no quadro comunitário. A nossa função tem de ser dotar de estratégias e ferramentas a todos os estudantes para o seu melhor desenvolvimento na comunidade, porque fazem parte dela e têm de a conhecer e utilizar. Todas as nossas práticas vão em torno disso. Somos um centro com as portas completamente abertas, dia após dia, para que entrem estudantes, professores, famílias, vizinhos, conhecidos, desconhecidos, mas também para sair, sair para a comunidade, para os seus recursos, para os vivenciar e utilizar como parte dessa comunidade que somos.

    Por último, sim, gostaríamos de destacar como centro o grande desafio das políticas educativas. Sentimos a necessidade de lutar também por políticas acordes com este discurso e que não fiquem apenas nisso que manifestam as famílias: uma teoria que depois se difumina com práticas que não aterram. Acreditamos que é preciso favorecer uma reestruturação do sistema educativo atual e apostar por um sistema igual para todos, com a imensa variedade de recursos que cada um vai precisar, independentemente das suas necessidades ou deficiência. Sim, um único centro base pode ser a escola regular, para lhe dar um nome, mas a escola, em geral, não a única escola que deveria existir. Por isso, como profissionais, devemos ir mais além nas nossas funções, incorporando também essa responsabilidade com a Administração, como dizia uma mãe. Essa mãe impactou-me, a verdade, porque dizia coisas muito interessantes, como desenraizar o sistema educativo para poder voltar a criá-lo. Parece-me muito interessante e chamou-me muito a atenção. Muito obrigada.

    N.C.:—Muito obrigada, Marta. Tem a palavra Marina Sampietro.

    Marina Sampietro Gómez:—Primeiro agradecer à Amalia, da Plena Inclusión, por nos ter proposto para esta conversa que nos parece fantástica, por nos dar esta oportunidade.

    O primeiro que quero dizer é que nossa equipe diretiva é nova. Este longo percurso que ouvimos em outros, começaremos em julho, mas é verdade que o centro tem um longo percurso em inclusão, ou pelo menos em tentar seguir nessa linha.

    Então, vou tentar ser breve e vou ponto por ponto. Sobre as dificuldades que, nesse sentido, como equipe diretiva estamos encontrando e encontramos, é demonstrar a necessidade de uma mudança para pessoas que não a veem necessária; isso é muito difícil. Mudar esse olhar não está em nossas mãos, mas, pelo menos, força para motivar. De alguma forma é o que tentamos. As crenças são muito difíceis de mudar. O medo do diferente, do desconhecido, a rotina quando alguém se acomoda. Sobre a mobilidade da pessoa na escola pública que vocês apontaram antes, em nosso centro, metade das pessoas mudam a cada ano. Isso também é um obstáculo bastante complicado.

    A perspectiva presente em pessoas de todos os setores educativos, desde as que pensam que se há um problema, sempre é o outro. Essa cultura tão espanhola da culpa, da reclamação, de não avançar, que nos custa tanto muitas vezes propor soluções. Isso também encontramos.

    As decisões econômicas muitas vezes são educativas. Essa luta que Marta também aponta por aí. E, depois, o não avançar, querer disfarçar o medo de prudência, porque eu prefiro ser imprudente, sinceramente, do que ter medo. Depois eu arrumo, mas às vezes há certas coisas que você não faz por medo. Esses são os obstáculos de maneira muito geral.

    Quanto às conquistas que fizemos, desde que o centro tem este percurso, com uma liderança compartilhada, é que há pessoas motivadas. Pequenas ações foram funcionando, pouquinho a pouquinho. Vamos nos fixando nisso, nessa positividade a que Rosa apontava antes. Dentro se respira inclusão. Há entidades conjuntas. Busca-se uma escola para todos e para todas que devemos formar entre todos essa construção.

    Esta manhã, todas as conversas foram brutais, trouxeram muitas coisas incríveis, mas me lembro agora de Estefani, do Peru, na conversa de pesquisa, que dizia que todos os agentes deveriam ser ouvidos para construir o conceito de inclusão, em conjunto, para acioná-lo. Que era um projeto a longo prazo. Este é um plano de inovação, que é o que nós precisamos agora. Nós temos um plano de inovação que é inclusivo e o utilizamos para que isso permaneça, independentemente das pessoas que passem pelo centro. Então, você já vai deixando o legado. É uma vivência de responsabilidade compartilhada, de construção conjunta, como estamos fazendo. Promovendo processos horizontais de participação para tomar decisões. Comissões em que há porta-vozes de todos os setores, estudantes, famílias, docentes, não docentes, equipe diretiva, e em todos esses processos fomentamos a participação dos estudantes com deficiência, mudando o modelo baseado em déficits por um baseado na convivência.

    Aprendemos esses modelos com a Plena Inclusión. Tivemos projetos piloto de pais inclusivos, com o Jean Piaget, que é com a Marta, e agora estamos com o Documento Universal de Aprendizagem (DUA), nos formando nele. As alianças com outros centros e entidades que nos abriram perspectivas nos avanços, tornam possíveis grandes coisas, como já disse. Com a Plena Inclusión, a associação de vizinhos do bairro que está super engajada no centro, os centros educativos públicos ao redor. Essas alianças. Com o centro de educação infantil, que é público, o instituto de ensino médio e, depois, o Centro de Formação Profissional. Inventamos o espaço educativo e vamos, aos poucos, coordenando e fazendo coisas conjuntas nas quais incluir não apenas as crianças na escola.

    Outra das conquistas é ir além do nosso centro, pensar mais no conjunto, como disse antes, e para o bem comum. É crucial detetar forças em todos os setores, inclusive naqueles que muitas vezes passam despercebidos. É complicado, mas todos têm forças; evidentemente, é preciso partir disso. Caso contrário, não avançamos. Convidar a pessoa a colocar essas forças ao serviço do centro e aumentar a frequência das reuniões do conselho de crianças e meninas é fundamental. Antes, tínhamos uma reunião por trimestre e este ano fizemos uma a cada mês com a COVID. Depois, deixámos duas de intervalo e fizemos mesmo a de encerramento, que já publicámos.

    Dar transparência a todos os processos, creio que também é muito importante, porque transmite confiança. Se são conhecidos, então não há medo. Não é algo que seja uma das coisas que tentamos fazer desde a equipa diretiva. Depois, quanto aos desafios, é oferecer visão, detetar barreiras e como enfrentá-las. A própria situação da COVID, de repente, surgiu uma rádio na internet, que já tinha um germe e saiu. É nela que participaram todos os que quiseram e puderam e surgiu também um festival de arte em que houve participação não só da nossa comunidade. Começámos a fazer tarefas competenciais que até então não eram feitas.

    É uma oportunidade, a transformação pessoal em docentes e não docentes, e isto também é um desafio que temos agora. A mudança passa por uma transformação pessoal de perspetiva, de atitude, de reflexão e isto, sem dúvida, é o maior desafio de todos. Sabemos que é lento, mas trabalhamos nisso.

    Outra das coisas, e isto último que acabei de dizer, é para vocês o maior desafio. Sim, eu acho que sim. Isto é um centro regular, chamado regular preferente de autismo. Não gosto de dizer que temos a sala trampolim, e acreditamos que este é o maior desafio. Fazer mudar essa mudança de olhar é o que disse antes. Como as experiências que temos adquiridas, é muito difícil aproximar-se. Não se pode fazer mudar como uma pessoa pensa, mas sim que se pode ir adicionando um grãozinho, outro grãozinho e, com pequenas ações, contaminar de maneira positiva.

    Então, há gente que nunca vai mudar, mas se estás neste sistema, bem, este auge sistémico, não se estás neste sistema sabes que tens de passar pela roda, por dizer algo. Uma quinta não seja lá onde não vamos chegar porque é porque tem de haver atrizes, todo o tipo de pensamentos no mundo e é enriquecedor.

    Depois, outra das coisas é ouvir a todos e todas, coordenados, seguindo um espírito democrático. Isto tentamos, já o dissemos antes, intervindo todos os setores, fazendo com que todos sejam partícipes de tudo e que, pelo menos, sintam que a sua opinião e as suas ideias foram tidas em conta.

    Depois, outro grande desafio é mudar a maneira de dar a aula. Quase tudo a nível de sala de aula: apresentar como desafios o que outros veem como dificuldades insuperáveis. «Isto é impossível» disse-se muitas vezes, falta-nos formação, é que esta obrigação é que temos de nos formar e é que já não é mais quantidade, mas sim mais qualidade.

    Nossas milhões de coisas, o documento universal de aprendizagem, o currículo multinível, tarefas competenciais, é que há milhões de coisas e você não precisa estar muitos no centro para poder contribuir e nos ajudar e nos coordenar. Então, em vez de ver como é que não, não chegou o sim, eu me junto ao bonde e entre todos conseguiremos isso não, por outro lado, uma coisa que nos parece muito importante também é que temos que manter a luta porque chegamos um a pesar de que há uma lei fantástica que esta teoria é maravilhosa inclusão há que seguir as instâncias destes dia a dia já ter claro que é uma luta e que é diária e que deve de ser assim porque é nossa responsabilidade e é nossa lâmina de soldado antes de ética, é nossa ética, deveríamos falar e apelar à ética profissional.

    E depois, já como último desafio, seguir com este estabelecer laços com entidades com o bairro com o entorno e no entorno para aprender com e no entorno, mas também com a universidade que haja investigação na escola aí estamos com o programa Hipatia para poder experimentá-lo para poder avançar há que experimentar a desculpa de não ter formação é que não posso fazer por ela já o disse não serve não é que temos um monte de pessoas ao redor que nos têm a mão para nos ajudar nestas coisas com projetos piloto com colaborações então não queremos que este discurso não um pouco obsoleto então não se toque o confortável e tão tantas pessoas de há pouco disse tudo, mas sim estar em ter um bom mestre romano médanos e quando o são a ver e não é questão de sorte, pois o mesmo não estar numa boa escola não deveria dizer questão de sorte e aí todos temos que assumir nossa responsabilidade.

    N.C.:—Muito obrigada, Marina. Todas as intervenções são muito interessantes. Têm a palavra María.

    María Adela Camacho:—Muito obrigada por este espaço. Eu falo desde minha filha, de um povoado de Málaga, e também desde um instituto. Acredito que, sim, é uma realidade um pouco distinta que desde um instituto se fale de inclusão, porque é estranho. Não sei por quê, quando todos temos alunos de distintas capacidades, e a todos eles há que dar-lhes resposta.

    Nós começamos refletindo sobre o direito a aprender, direito a aprender, que acredito que é a base. Então vimos que se podia aprender desde os espaços, desde a metodologia, desde os recursos, desde a atenção a todo o alunado, desde a mesma organização do centro. Começamos pouco a pouco, mas sim que queríamos um centro onde, desde o princípio, todo o mundo se sentisse parte dele.

    Damos muita, muita atenção a qualquer detalhe, nos importa sobretudo que nosso alunado seja o dia de amanhã jovens felizes em si mesmos. Por isso tratamos a todos eles desde a empatia, desde princípios da neuroeducação, com muitíssima paciência para poder nos entendermos entre todos, tantos eles conosco, como com os outros, muita escuta ativa e atenção plena. Tentamos trabalhar mindfulness com os distintos rapazes e moças, e sobretudo através de tarefas competenciais, para nós é muito importante porque vemos que a inclusão dentro de um centro de secundária se deve também a um trabalho competencial. Já trabalhamos o trabalho em equipe, o trabalho colaborativo, o trabalho cooperativo, tudo. Todos os nossos documentos, desde o projeto de direção até o último dos documentos do centro estão todos em sintonia com esse trabalho inclusivo.

    Em nossa própria proposta de direção, ela se baseia em modelos inclusivos. Em tentar, bom, neste caso eu me baseei, e é uma questão pessoal, ser a diretora me baseei em Coral Elizondo, que já havia trabalhado em várias lideranças compartilhadas e a inclusão em documentos de centro. Através do que pude aprender de sua leitura, fiz um projeto, um projeto de centros que é compartilhado por todas, evidentemente, por toda a comunidade educativa. Para nós é muito importante, então, a partir da própria organização do centro, os departamentos, a equipe técnica, temos responsáveis pela igualdade. É um departamento de convivência e coeducação, para poder atender até o menor sintoma, não é, de que possamos esquecer algum estudante que não possa ser atendido em sua capacidade.

    Estamos trabalhando também, estamos dizendo desde, desde o próprio centro, queríamos criar umas marcas de identidade, e são marcas de identidade para nós. Queremos que quando uma pessoa entra no centro, veja esse centro como parte sua, desde os próprios cheiros ao que vê, pelos sentidos. Então, bom, temos muita atenção aos espaços que são espaços diferenciais, espaços flexíveis e abertos, e nos esforçamos para dar uma imagem amável e limpa, calorosa, muito acolhedora. Todo o centro se implica na decoração, no dia a dia, e na organização do centro, com essas marcas de identidade desde o respeito a todos os estudantes.

    Por isso estamos também trabalhando no trato personalizado. Tudo o que se faz dentro de uma sala de aula sai para fora da sala de aula, o que é compartilhado com toda a comunidade educativa, como uma espécie de vitrine do que se faz. Não sei, é como tentar fazer partícipe a todo mundo, a todo visitante, do nosso. Para isso é importante a luz, a cor, as sensações; todos tentamos que tudo não seja o único que, de fato, tentamos espaços, por exemplo, de conhecimento comum, que é uma de muitas coisas das quais já se falou aqui, as colegas anteriores, onde cada grupo de professores se implica em dar de suas próprias experiências. Todo o melhor de conhecimentos transversais, falamos desde o POA, desde caminhos de emoções, de convivência, de equidade, mesmo de formação do corpo docente, que é muito importante e que tem que ser gerido desde a própria equipe técnica no fomento de novas tecnologias, de nova comunicação, tudo isso para criar espaços dinâmicos, emocionais e criativos para os estudantes. Que para nós estamos dizendo que talvez seja o mais importante.

    Para isso, nos apoiamos em metodologias que, com certeza, devem estar fundamentadas no trabalho colaborativo e em técnicas muito ativas. Entre estas se incluem a aprendizagem baseada em projetos, os problemas de aprendizagem, os serviços, as aulas invertidas e a gamificação, que é visual. Acreditamos que é essencial para que todos os estudantes possam adquirir aquilo que, em nossa opinião, lhes será útil posteriormente. O mais importante para nós, por exemplo, é partir do que podem chegar a saber fazer, mais do que do que já sabem desde o princípio. Tentamos, como também mencionaram antes, incorporar o desenho universal de aprendizagem, o DUA.

    Quanto à frase, «se você não vale, eu te tiro da sala de aula», nós garantimos que todo o aprendizado ocorra dentro da sala de aula. Os professores permanecem na sala de aula e, quando surge a necessidade de apoiar alguém que possa não seguir o processo de ensino-aprendizagem de maneira padrão, incorporamos dois professores de apoio. Estes trabalham junto com o professor especialista dentro da sala de aula. Para isso, é crucial prestar atenção a este alunado. Por exemplo, tentamos que haja alunos guias, que são aqueles que podem assistir outros colegas por diversas razões. Aqui, a inclusão vai além de considerar simplesmente um aluno com capacidades distintas. Falamos de inclusão em um sentido amplo, que abrange alunos que se sentem sozinhos, que vêm de outros países ou que não dominam o idioma. Enfrentamos uma ampla variedade de casos para os quais queremos oferecer soluções mediante o uso de alunos ajudantes. Estes podem apoiar emocionalmente outros que se encontrem sozinhos ou retraídos, o que poderia impedir-lhes continuar com seu processo de ensino-aprendizagem.

    Em resumo, o que fazemos é tentar manter uma escola aberta. Não queremos ser professores ilhas; aspiramos a ser professores arquipélagos, unidos todos no aprendizado. Para isso, sempre começamos por uma acolhida tanto do corpo docente quanto do alunado ao novo centro, e por uma avaliação inicial que seja realmente inclusiva, que acredito que é por onde devemos começar tudo, desde uma avaliação inicial bem estruturada.

    N.C.:—Tem a palavra Cristóbal.

    Cristóbal Calero:—Boa tarde, e muito obrigado pela oportunidade de estar aqui aprendendo e compartilhando. Pertenco à Fundación Española. Trabalhei na direção do colégio Cardenal Espinola de Madrid e atualmente estou na fundação, que gerencia 15 colégios em distintas cidades com situações muito diversas.

    Da minha experiência como dirigente, posso aportar minha perspectiva sem repetir as maravilhosas ideias que já ouvimos, que dão vontade de se mudar para Zaragoza ou Mijas. Meu colégio se encontra no bairro de Chamartín, um dos mais favorecidos de Madrid e, por conseguinte, de toda a Espanha. Poderia parecer que não enfrentamos dificuldades. No entanto, nos deparamos com o primeiro dilema: determinar se realmente éramos um colégio de sucesso e o que definia esse sucesso.

    Nós nos colocamos muitos dilemas sobre quando um aluno realmente tem sucesso ou se nossa escola estava obtendo bons resultados a nível acadêmico. Somos um colégio que vai dos dois aos dezoito anos. Percebemos que não tínhamos um problema de valores. Nosso pessoal tem uma vocação extraordinária e uma grande sensibilidade para com os desfavorecidos, com um forte desejo de contribuir para a função social da educação.

    Apesar disso, caíamos continuamente nos mesmos dilemas. Achávamos que estávamos bem porque obtínhamos bons resultados no vestibular e nossos estudantes escolhiam carreiras de engenharia da moda. No entanto, nos deparamos com o dilema de o que fazer com estudantes que aprendem de maneira diferente ou que enfrentam dificuldades comportamentais.

    Chegamos à conclusão de que estávamos falhando em nossa autoavaliação. Nosso enfoque não permitia que muitos de nossos estudantes com dificuldades participassem plenamente da experiência educativa. Frequentemente, esses estudantes acabavam se transferindo para colégios menores ou com mais recursos.

    Percebemos também que não tínhamos um problema de esforço ou de capacidade de trabalho. Nossa equipe era competente e trabalhava excelentemente, mas nosso paradigma estava equivocado. Não tínhamos impacto suficiente na vida das pessoas, nem mesmo nos estudantes que se encaixavam em um modelo mais tradicional.

    Propusemo-nos a romper essa dinâmica relacionada às nossas crenças. Respondendo ao dilema do autoexame, decidimos olhar as coisas de outra perspectiva. Perguntamo-nos o que pensavam de nós as pessoas que se aproximavam para solicitar uma vaga, especialmente aqueles pais de crianças com dificuldades como a dislexia, que temiam nos contar seus problemas por medo das consequências.

    Começamos a nos ver de outra maneira, avaliando-nos através dos comentários de pais e mães. Percebemos que estávamos mais preparados para mudar de paradigma e mover nosso enfoque para nossos valores declarados, com mais profundidade e mais rigor. Quando tomamos essa decisão, descobrimos que a comunidade educativa estava disposta a nos acompanhar, apesar de algumas baixas.

    Essa mudança não foi sobre se as famílias estavam de acordo ou se os estudantes aceitavam a diversidade. Tratava-se de se nós estávamos dispostos a dar esse passo e assumir essa liderança. Quando as famílias viram que liderávamos esse movimento, depositaram sua confiança em nós, mesmo em momentos de dificuldades.

    Um dos grandes desafios tem sido lidar com o próprio sistema educativo, que também está ensimesmado em suas próprias avaliações e formas de operar. Isso inclui gerenciar as relações com os EOEP (Equipes de Orientação Educativa e Psicopedagógica) e nos adaptarmos a um sistema e um currículo que nem sempre coincidem com nossas crenças.

    Percebemos que éramos responsáveis pela experiência educativa de nossos estudantes e suas famílias. Isso não se tratava apenas de que os estudantes estudassem porque suas famílias o exigissem ou de solucionar os problemas individuais dos estudantes, mas de reconhecer nossa responsabilidade em seu bem-estar.

    Este processo levou-nos a uma compreensão mais profunda de como funcionávamos e de como poderíamos mudar os aspetos em que não éramos eficazes. Começámos a questionar como educamos e como aprendemos, com base em evidências e reflexão contínua.

    Finalmente, percebemos que não precisávamos de mudar os nossos valores, mas sim de os recuperar e colocar novamente no centro da nossa cultura educativa. Isto permitiu-nos ser mais humanos, mais próximos, mais amáveis e mais eficazes na nossa transição para uma autenticidade e um humanismo que queremos que estejam no centro da nossa experiência educativa.

    N.C.:—Muito obrigada. Tem a palavra Guadalupe.

    Guadalupe Saldaña:—Olá, ouvem-me? Olá, olá a todos. Vivo na Cidade do México e quero partilhar o seguinte. Tentarei expressá-lo em relação às dificuldades, conquistas e desafios. No início da sessão, Nacho lançou uma pergunta: o que aprendemos? A partir daí, quero fazer a minha contribuição.

    Em primeira pessoa, aprendi a conhecer-me e também a conhecer-nos como grupo. Sou diretor nesta escola há cerca de cinco anos e, durante este tempo, aprendemos a jogar com as dimensões da verdade. Isto implica motivar-nos, por vezes desmotivar-nos, e depois voltar a motivar-nos, entrando num ciclo constante. Menciono isto porque, no início, parti da ideia de que, embora estejamos na Cidade do México, existem delegações com culturas escolares muito distintas, mesmo dentro da mesma delegação.

    Quando cheguei a esta escola, entendi que devemos sempre começar por conhecer a comunidade à qual nos integramos e devolver-lhes a voz e o olhar. Isto é crucial porque estamos situados entre as autoridades e a normatização. Além disso, por vezes, devido ao sistema hierárquico, parece que só os docentes têm voz, mas também é crucial construir e flexibilizar a normatização.

    Acho que o mais importante é observar como é a equipe e construir a partir daí. Isso pode ser um desafio porque todos somos diferentes. No entanto, o que nos permite avançar é dar vida aos espaços de conselhos escolares. Refiro-me a dar voz a todos os participantes, não apenas aos docentes, mas também aos pais e às crianças. É crucial primeiro ouvi-los e, a partir daí, começar a mobilizar. Não há receitas fixas, mas sim a questão de encontrar em cada cultura escolar os pequenos passos que te guiam a construir um projeto em comum.

    Aqui na Cidade do México, muitas vezes são os diretores que realizam o programa escolar de melhoria contínua. Anteriormente, o diretor construía o projeto sozinho, mas agora reconhecemos que o projeto é construído em conjunto. Demos voz a todos e reconhecemos as realidades existentes.

    Uma vez que você aprende, junto com seus colegas docentes e sua equipe, a dar voz a este projeto e reconhecer que ele provém do que você vive nas salas de aula e do acompanhamento que realiza, isso se torna fundamental. Outra questão sutil é que devemos ser cautelosos. Às vezes, como mencionado em sessões anteriores, começamos a culpar uns aos outros, mas devemos acompanhar os processos. Às vezes, o docente se torna o foco de todas as reclamações: dos pais, do diretor, do supervisor.

    Parti da ideia de que é vital acompanhar e quebrar muitas dessas crenças e rótulos. Como diretor, muitas vezes você é posicionado como alguém que supervisiona e julga. No entanto, é importante realizar um acompanhamento empático onde você reconheça a voz dos outros. Além disso, é fundamental que o conselho não esteja desvinculado do que temos aqui, ou seja, encontrar sinergias e aprender com os erros.

    Quanto aos avanços, se olharmos para o espaço do conselho que se ativa a partir dessas perspectivas, acredito que podemos dar sentido à educação inclusiva e à convivência inclusiva. Como desafios, precisamos continuar visibilizando o que normalizamos porque, quando você está imerso, deixa de ver coisas importantes neste projeto ou visão de equipe. Acima de tudo, é crucial consolidar o trabalho em equipe nas escolas para formar verdadeiras comunidades de aprendizagem.

    Finalmente, devemos continuar lutando para criar projetos com a visão de equipe que vocês mencionaram, mas também para criar alianças. Às vezes, percebemos que, embora tenhamos alcançado grandes coisas, descobrimos pelas novas famílias ou pelos irmãos de nossos estudantes que, quando passam para o ensino fundamental, essas crianças são invisibilizadas. Isso te deixa com uma dor, um desafio. Por isso, acredito que é importante gerar alianças com as escolas próximas ou com aquelas para onde você sabe que vão seus filhos, porque parece que o trabalho realizado se quebra.

    Outro desafio que temos, e com isso encerro, é que às vezes deixamos de olhar o fato de que, além das equipes de docentes, diretores e supervisores, o pessoal de assistência à educação também tem uma perspectiva valiosa sobre este projeto. Nós nos integramos, mas estamos neste passo de também construir essa equipe, olhando o que eles têm a nos dizer, e as relações que estão se formando com as crianças, conosco e com o restante da equipe. Com esses erros e aprendizados, é o que eu queria compartilhar com vocês hoje: a importância de formar equipes, a escuta ativa e a liderança compartilhada.

    N.C.:— Muito obrigada, Guadalupe. Tem a palavra a Denise.

    Denise Mosscheti:— Olá, tudo bem? Boa tarde. Aqui na Argentina, eu sou da província de Buenos Aires, especificamente de uma cidade relativamente pequena chamada Bahía Blanca, ao sul da província. Primeiro, é um prazer compartilhar este momento com tantos colegas de tantas partes, e especialmente, da Espanha.

    Conto um pouco sobre mim: sou a diretora da escola Secundária 24, uma escola pública da província, e estou nesta gestão há 9 anos. É uma escola muito pequena que começou com cerca de 80 estudantes e hoje temos 300. Avançamos de maneira muito gradual, liderando, como parte do tema de hoje, o papel e a liderança das equipes diretivas. Tenho a plena convicção de que a escola inclusiva é possível.

    Tem sido um processo gradual de formação de equipe. Acredito que a chave está em incorporar ano após ano não apenas o corpo docente, mas também pessoas externas e diferentes equipes que acompanham esta visão. Nossa meta principal é a educação inclusiva.

    Dos nove anos que temos, uma das fortalezas que construímos é a criação de um olhar amplo e de aceitação em relação aos outros. Aqui, em diferentes partes da Argentina, e segundo minha experiência na cidade, esta perspectiva está bastante estagnada. No início, a primeira coisa que ouvíamos do corpo docente era «eu não sei como fazer». Transformamos isso em «como posso fazer». Essa mudança de olhar tem sido um eixo condutor ao longo de todos os anos.

    A capacitação docente tem sido fundamental. Permitiu-nos abrir novas perspectivas e levar a teoria à prática dentro da sala de aula. Estar presente e conectar-se permite que o corpo docente, convencido de que todos podem aprender, assuma riscos. Perguntamo-nos qual é a condição para assumir esses riscos e a resposta é animar-se a desconstruir-se, a pensar a prática a partir de um lugar flexível e aberto.

    Alguns colegas mencionam que os professores costumam apegar-se aos seus métodos tradicionais. Nosso desafio tem sido mostrar-lhes que há muitas mais maneiras de ensinar, garantindo que a atenção alcance a todos. Viemos de uma educação homogênea, mas os paradigmas estão mudando. Hoje, por exemplo, um professor que entra na escola enfrenta o desafio de como pode reinventar-se para atender a todos os estudantes. Isso implica garantir não apenas sua presença, mas também sua participação ativa e com aprendizagem.

    Este esforço tem sido acompanhado pelas famílias. Ao longo dos anos, vimos e ouvimos como as famílias transitam por diferentes centros educativos sem conseguir inscrever seus filhos devido às suas dificuldades de aprendizagem. Nossa tarefa tem sido romper essas barreiras e mostrar que a aprendizagem é possível para todos.

    Quando os estudantes saem da escola felizes, evidencia-se o sucesso de nossa abordagem. A capacitação contínua nos permitiu crescer a partir do conhecimento e entender como ensinar de muitas maneiras. Silvana, que está entre nós hoje, tem sido uma grande participante nessas capacitações. Ela ajudou a transmitir que há muitas formas de dar uma aula.

    Quanto às debilidades e desafios, começamos a transformar a crença de que se pode aprender de múltiplas maneiras e que os acessos à educação devem ser diversificados. Isso permite que todos tenham a possibilidade de que sua aprendizagem seja tangível e efetiva, assegurando que nossas ações não fiquem apenas no discurso, mas sejam vivenciadas na prática diária da escola.

    Hoje podemos dizer que, em nossa escola Secundária 24 de Bahía Blanca, enfrentamos desafios contínuos, mas os transformamos em possibilidades reais de fazer da educação inclusiva não apenas um discurso, mas uma prática vivenciada e efetiva.

    Acredito que o mais importante é aprender com os erros, porque não há aprendizagem sem equívoco. É nesses momentos de erro que realmente aprendemos e podemos modificar, mudar, adaptar e continuar construindo.

    Quanto aos desafios, são os mesmos para todos: continuar consolidando essas equipes, essas visões, essas práticas e continuar desafiando o status quo. É necessário assumir riscos e continuar crescendo e aprendendo de cada erro e cada acerto. Isso é o que acredito que posso aportar desde minha experiência e visão na escola Secundária 24 de Bahía Blanca.

    N.C.:—Muito obrigada, Denise. Estão anotando, certo? Acho que há bastante material aqui. Passamos para Marta.

    Ana María Mitoire:— Olá, boa tarde. Da Argentina também, especificamente do interior da província de Chaco, ao norte do país, falo como diretora de uma escola de educação especial. Fico muito feliz em participar desses conversatórios que refletem muito do que estamos fazendo em diferentes lugares. Muitas vezes se acredita que as instituições em melhores localizações oferecem uma melhor educação, mas também se pensa que em lugares mais remotos, a qualidade educativa diminui. Quero compartilhar uma experiência que estamos vivendo em ambientes muito vulneráveis do interior do nosso país, onde estamos promovendo a inclusão de pessoas com deficiência.

    Nossa escola articula com quatro municípios, cada um com menos de 7.000 a 8.000 habitantes. Nesses municípios, vimos mudanças muito interessantes graças à cultura inclusiva que começou a ser trabalhada não apenas nas escolas de nível inicial, primário e secundário, mas também na comunidade. Isso permitiu que nossos estudantes de todo o sistema educativo pudessem compartilhar espaços, o que inicialmente foi um desafio e hoje consideramos uma fortaleza.

    Conseguimos abrir a normativa, que na Argentina, apesar de contar com muitas leis interessantes, raramente são colocadas em prática. Construímos espaços para discutir essa normativa porque, embora se proclame que o sistema educativo é inclusivo e que a educação é um direito para todos, muitas vezes encontramos normativas contraditórias do mesmo Ministério da Educação.

    Uma ação concreta que quero compartilhar é uma mostra de práticas inclusivas que começamos a fazer há três anos. Habilitamos espaços onde cada docente, de nível inicial, primário ou secundário, pode explicar como abordou dificuldades que pareciam intransponíveis. Essas experiências são apresentadas em documentos de no máximo duas páginas, onde cada docente relata sua experiência. Isso permitiu que outros docentes, que talvez não estivessem convencidos ou não tivessem feito a mudança atitudinal necessária, vissem que é possível. É uma forma de registrar as práticas, não como uma evidência científica, mas como prova de que é possível mudar e adaptar-se.

    Organizamos essas mostras em um dos quatro municípios em um raio de 20 a 30 quilômetros. Nesses encontros, os docentes e alguns alunos compartilham suas experiências e o restante da comunidade participa como em uma feira. O primeiro ano foi meio dia, depois tivemos que estender para um dia inteiro e este ano pensávamos em fazer de dois dias porque cada vez mais pessoas querem compartilhar como resolvem problemas cotidianos.

    Agora estamos tentando fazer uma publicação dessas experiências. Isso percorre todas as escolas e é construído com o professor de apoio à integração, sejam um ou dois professores que se juntam para contar uma experiência concreta. Isso é o que mais abriu caminho, além de qualquer outra intervenção pedagógica ou científica que tenhamos tentado.

    O maior desafio que temos agora é poder fazer um registro claro desses processos para viver de verdade uma liderança compartilhada. Deve-se saber que a atenção à diversidade e à inclusão não estão apenas na área da educação especial. Embora aqui isso ainda seja o primordial, acreditamos que este é o nosso maior desafio e algo que todos nós que trabalhamos em educação especial devemos assumir. Assim, muito obrigado por este espaço.

    N.C.:— Muito obrigada. Tem a palavra a Carmen.

    Carmen Matés:—

    Olá, Nacho, imagino que te referes a mim. Sou Carmen Matés, diretora de um centro educativo na comarca da Axarquía. Tenho péssima cobertura, por isso estou me movendo pela casa porque estou em uma zona onde há muito pouca cobertura.

    Sou diretora de um centro educativo que é uma comunidade de aprendizagem. Quando falamos de inclusão, percebemos que ainda temos muito a fazer. É verdade que nos baseamos na ideia de que a escola a construímos entre todos, não só entre o corpo docente. No entanto, uma das maiores dificuldades que temos é a mudança de professores e a mudança na concepção dos olhares que muitos professores têm em relação aos estudantes. Não acho que se faça com maldade nem por fazer, mas por desconhecimento. Ouvir as intervenções dos estudantes e das famílias faz com que empatizemos com o sofrimento que há por trás.

    Questiono-me que algo devemos estar fazendo errado, algo que devemos mudar e modificar nos centros. É preciso ter uma mudança de olhar em relação aos estudantes, porque quando há sofrimento por trás dessas crianças, meninos, meninas, pais e mães, algo temos que estar fazendo errado.

    A partir das equipes diretivas, é verdade que temos que considerar que a chave está na atenção à diversidade, porque precisamos dar resposta a eles, mas não podemos sozinhos. Não há uma equipe de professores que acreditem nisso, e é triste ouvir famílias e crianças que dizem que dependem da sorte do professor que te calha. Em parte, compartilho essa percepção, porque nós, como equipe diretiva, muitas vezes temos um corpo docente que, embora possamos manter um grupo formado, a cada ano chega outro grupo novo e começamos de novo do zero.

    Olhamos para os estudantes e eles são categorizados, enviados para orientação, e parece que o estudante não é teu, você não acredita nas capacidades que esse estudante tem. Essa transformação, insisto, não se trata de enfrentar o corpo docente, mas de tentar como desafio que tenham essa mudança de olhar e reconhecer as possibilidades de cada família. Há uma família por trás, há um sofrimento por trás.

    Penso que dar divulgação a todas estas intervenções de pais, mães, alunos e alunas é primordial para que sejam ouvidas e para que todos juntos construamos uma escola que dê resposta a todas as crianças, e que não dependa da sorte do professor que nos calha. Também já ouvi, como diretora, que não estou capacitada com três anos para orientar um aluno que acabou de se incorporar. É triste ter de ouvir isso como mãe, pai e como diretora de um centro educativo.

    Não me alongo mais.

    N.C.:—Obrigada pela tua intervenção, Marta. Agora é a vez da Leti.

    Leti López:—

    Estou totalmente emocionada e feliz por estar a partilhar com tantos especialistas no tema e com tantos grupos. Adoro tudo o que aprendi com as reuniões anteriores e com estas. Muito obrigada e parabéns também à universidade por esta importante investigação. Um abraço para todos. Sou Betty, da Guatemala, sou fundadora de uma associação e diretora executiva. Trabalhamos a educação inclusiva há 15 anos porque comecei com isto ao não encontrar no meu país uma escola adequada para mim, e depois uma escola que eu queria para ele; uma escola onde reinasse a aceitação, onde se respeitassem as diferenças e que construísse a sua autoestima em vez de a destruir, uma escola que se adaptasse à sua forma de aprender. Baseado nisso, pois, comecei com "Frio do Sol".

    Vou começar, talvez, pelos desafios porque considero que as escolas inclusivas temos um duplo desafio, mas que nos cabe abrir caminho. Isso também é muito condicionado, e o desafio de nos darmos a oportunidade de entrar nesse maravilhoso e nessa vivência da diversidade é um desafio de adaptar, impulsionar a diversidade, e depois até que chegue o momento em que seja algo normal. Isto implica ver o estudante como um ser individual, partindo do facto de que é um ser humano, que é o mais importante. Ao vê-lo como um ser humano a quem temos a oportunidade de ajudar a aprender muitas coisas, então vemos como individual e único, com os seus próprios desafios e as suas próprias metas, partindo de diferentes pontos, cada um deles, e respeitar isso acho que é maravilhoso.

    Além deste desafio da universidade, temos outro que também somos uma escola como todas. Então, o desafio de nos irmos adaptando e aparecendo na educação e que queremos fazê-lo bem é por isso que vários de nós que estamos aqui falamos agora do lugar e gostamos de aprender sobre neuroeducação e outras coisas porque queremos que a nossa escola também vá à vanguarda, como muitos, no que é o desenvolver seres humanos com pensamento crítico, com valores e felizes, que é uma das coisas mais importantes para as quais acho que todos viemos a este mundo.

    O que funcionou para nós e o que aprendemos é que, como muitos fizeram aqui, em vez de apontar as diferenças, nós as celebramos; celebrar a individualidade pode ser algo muito bonito. Como dizemos aos nossos alunos no primeiro dia de aula, sabemos que aqui há de todas as cores, tamanhos e sabores, e essa é a primeira mensagem. As crianças são muito inteligentes e se adaptam tão rápido. Depois, elas aprendem linguagem de sinais ou, se ele não sabe como vai se comunicar com seu colega que não vê, mas temos em nossas mãos o fazer disso o mais natural possível. Elas são tão inteligentes que só perguntam se ele pode ouvir ou não, não importa, e elas inventam suas próprias sinais e há comunicação, e isso é algo precioso.

    Depois, pode ser, como também disseram, a aceitação e a empatia. Considero que é um elemento tão importante o se colocar no lugar do outro e trabalhar a empatia, não só com a forma de ensinar, mas também com as emoções, como ele está se sentindo e como as famílias estão se sentindo. Ninguém deve ficar de fora e, se possível, só devemos nos preocupar com a sua saúde. Além disso, às vezes parece que com tanta informação também nos complicamos muito e já não sabemos como enfrentar algumas das situações, mas quando limpamos tudo isso, podemos ver as coisas mais simples que dão resultados, respostas práticas. Por exemplo, fulaninho não pode olhar, mas pode ouvir, pode tocar, e então nos adaptamos a isso e vamos aos seus dias de aprendizagem e seus colegas sabem que vão a isso. Você pode apenas dizer para oferecer tudo a ele, mas ele vai com você aonde quer que seja e explicar o que você está vendo no vídeo.

    Uma das conquistas que não sabíamos que teríamos ao trabalhar com uma escola inclusiva é que somos uma escola livre do famoso bullying e das provocações, porque uma das poucas regras que explicamos aos estudantes em seu primeiro dia de aula é que celebramos a diversidade. Celebrar a diversidade, como bem disse, acho que é aceitar tantas diferenças que cada um de nós tem e celebrar que não há outro igual a você. Então, quando você faz isso, para todos é muito natural e ninguém está interessado em provocar ou em apontar "você é diferente", mas sim em ajudar. Criou-se uma cultura de ajuda e para mim é precioso ver que nas salas de aula, quando as crianças trabalham com diferentes ritmos, elas têm três opções em nossas salas: você termina, mas seus colegas precisam de ajuda, você pode escolher e aprender algo interessante, ir à biblioteca, ir ao canto de jogos ou ajudar outro. A coisa que mais me encanta é que a maioria deles escolhe ajudar um colega e então você está criando um novo tipo de ser humano onde todos se enriquecem, todos aprendem e dentro dessa diversidade teremos crianças com inteligência avançada.

    Bom, quero terminar então com as conquistas. Estamos abertos agora, como também dizia outra colega, a ser multiplicadores das experiências que temos porque ficar com isso em um país onde não há escolas inclusivas e estamos abrindo caminhos seria algo muito egoísta. Temos que compartilhar e ser agentes multiplicadores de que sim é possível. No final, acho que tomar o tempo para reconstruir muitas vezes a autoestima das crianças nos permitirá que tenham uma aprendizagem muito melhor. E no final, como bem disseram nas outras conferências, queremos falar apenas de escolas, não de escolas inclusivas, apenas de escolas para todos, em escolas alegres, onde os estudantes querem retornar no dia seguinte se perguntando que surpresa sua professora lhes dará desta vez.

    N.C.:—Muito obrigado pela sua intervenção, Leti. Tem a palavra Silvana.

    Silvana Corso:— Olá, boa tarde. Obrigado, Nacho, por me dar mais uma vez a oportunidade de contribuir para esta discussão em relação a todas as exposições. Não quero ser repetitiva e prefiro ir direto ao ponto. Nesta convocação, focarei no papel do diretor porque o considero fundamental. Além de tudo o que pode ser contribuído, existe uma questão de posicionamento no papel, e é crucial ter clareza sobre o objetivo. Quando você tem um líder, um diretor que tem claro que nesta escola os direitos são garantidos e não há possibilidade de debate, mesmo que pareça autoritário, não vou permitir um debate sobre se um estudante pode ou não estar; é um fato que todos podem estar. Isso deixa as questões mais claras.

    Para mim, o posicionamento e a crença no papel diretivo são fundamentais e representam o grande problema a ser enfrentado. Também, quando se assume a gestão, surgem os medos e a tentativa de agradar enquanto se vai reconhecendo o terreno. Por isso, seu discurso deve ser claro, sem espaço para debate. O trabalho em equipe é obviamente fundamental, mas com um objetivo claro, e isso é inegociável.

    Outro desafio é saber trabalhar em equipe. A interpretação da normativa é crucial, pois muitos falaram sobre certas condições e normativas que, embora garantidas, meus colegas da Argentina comentaram que aqui avançamos na normativa, mas não em fatos concretos. A normativa entra em contradição com algumas resoluções. Nesse sentido, sempre afirmo que preciso levar em conta a pirâmide jurídica e a raiz. A lei diz que todos devem ir à escola, mesmo que haja resoluções contraditórias. Eu me apego à lei e aprendo a ler a normativa a favor das crianças, não para proteger meu cargo. Para mim, isso é fundamental.

    Outra das questões que abordo como problemas são os discursos instalados dentro das escolas. Isso também tem a ver com o conhecimento da história de cada escola, a forma de nomear o outro, o olhar histórico da escola que diz que neste povoado sempre fizemos as coisas de certa maneira. O fato de que historicamente as escolas tenham trabalhado mais isoladas do que em rede foi o problema que tive que enfrentar ao tentar mudar o olhar em relação ao outro. O primeiro desafio que assumi para poder trabalhar os discursos instalados, e tendo claro meu norte, foi trabalhar com as biografias escolares dos professores. Quero uma mudança de olhar, preciso questionar por que digo o que digo, porque certamente aí emerge toda a minha história escolar e minha história com o outro. Por isso trabalhei em redes, envolvi psicólogos e psicopedagogos do hospital com o qual nos articulamos para me ajudar a realizar esses trabalhos com os professores.

    Uma vez que pudemos habilitar a palavra, começamos a construir discursos. Já mencionaram, então não repetirei, mas é a formação docente permanente em contexto. Na escola, nós geramos esse espaço de formação permanente e as trajetórias escolares flexíveis, baseando-nos em ideias de Flavia Terigi na Argentina sobre pensar em percursos personalizados para cada um de nossos estudantes. Volta o tema do discurso; por exemplo, essas formas de nomear têm a ver com doenças que só aparecem na escola. Um homem para a escola, a superidade é uma doença própria da escola, diz-se. Fora da escola não existem. A partir desse lugar começamos a trabalhar, insistindo neste fio de romper os discursos enraizados, abrindo espaço para tudo.

    Outro grande desafio é o imaginário social quando se trabalha com inclusão, pois aqui também foi mencionado o fato de que a família e o entorno da escola apontam a escola inclusiva como um lugar que não oferece qualidade de aprendizagem. Romper com esse imaginário social para que a escola seja escolhida pela comunidade, e não seja o lugar para onde vão todos os que foram rejeitados em outras escolas, foi fundamental para nós. Nos demos a conhecer, articulamos com a comunidade e, após termos trabalhado historicamente com estudantes que enfrentaram repetências, fracassos ou foram rejeitados por outras escolas, hoje nossa escola é a primeira escolha em nosso sétimo ano. Esse é nosso grande feito: romper com esse imaginário e fazer a comunidade entender que não há outra opção senão a escola inclusiva, que isso é realmente enriquecedor para a trajetória de cada um de seus filhos. Acreditamos que deve ser a oportunidade, mas para isso fizemos muito trabalho para fora, muito barulho para dar a conhecer tudo o que estávamos fazendo e as possibilidades.

    E se me permites, com isso encerro. Outros pontos se repetem em função do que disseram. É justo levantar o problema de como sustentar a inclusão agora. Não se colocava essa pergunta, mas também é um recomeçar o tempo todo. Construir uma escola que trabalha em linhas de inclusão é uma escola que está em permanente construção porque não há nenhuma receita. Muito boa a experiência do Chaco, não em termos de receitas, mas de pensar que com lógica e senso comum todos podemos encontrar respostas. A realidade é que recomeça. Me encontro neste momento de ter tido experiências belíssimas para contar em um período em que estou reerguendo uma escola.

    Esta é minha realidade: a escola que anteriormente incluía os estudantes, hoje os deixa de fora devido à falta de conectividade, a falta de equipamentos e a fome. Teorizo: pais desempregados, passando fome e vindo entregar os trabalhos. A prioridade é a situação que nos está condicionando. Um garoto não pode aprender hoje, como já foi dito em outro sentido: a felicidade não está dentro da escola e o contexto gera as condições para que o outro possa aprender. É um contexto que ressalta um estudante que aprende neste ambiente, onde o arca sopra em sua nuca, e afeta alguns setores mais do que outros, porque a pandemia não reconhece classes sociais e sempre afeta especialmente os mais vulneráveis.

    Então, vejo uma grande oportunidade neste momento de pandemia. Permita-me explicar: analisar os discursos ou entender quem são os estudantes problemáticos da escola presencial geralmente vejo em minha escola, onde às vezes é a conduta disruptiva de um estudante, a forma como se move ou interrompe na sala de aula, o que requer que ele seja especialmente atendido. Na virtualidade, essa conduta não está presente, por isso esse estudante deixa de ser um problema e além disso pode mostrar todas as suas possibilidades para aprender. Assim, o rotular alguém como «estudante problema» se torna um problema em si mesmo. Desmontar esse discurso a partir da experiência da virtualidade me parece que é uma oportunidade única.

    Por outro lado, hoje esses «estudantes problema» também nos ajudam a desmontar o discurso e entender que os problemas de antes são os problemas de agora e que, se não mudarmos nossas perspectivas, continuarão sendo problemas no futuro. Este momento de pandemia é crítico, e se pensarmos que vamos sair melhor disso, ainda está por se ver.

    Então, devemos fazer uma pausa e analisar tudo como estamos discutindo neste período para poder considerar o positivo e o dramático, para poder realmente criar depois uma escola inclusiva. O debate sobre a avaliação é crucial porque este é o momento de fazer uma mudança significativa. Hoje se levanta a questão de como se pode avaliar para além de uma simples nota numérica que dita se um aluno pode ou não. Este momento não pode ser apenas uma ferramenta para sair da situação e contar os progressos, mas deve gerar um debate interno profundo sobre como podemos garantir as aprendizagens dos nossos estudantes. Essa é a pergunta que nos fazemos habitualmente dentro da sala de aula: acreditamos que as ferramentas que temos nos permitem assegurar a aprendizagem. Este é um momento em que, na Argentina, estamos debatindo isso porque pensamos que temos todo o ano pela frente, embora vocês estejam fechando o ciclo. Estaremos em confinamento grande parte do percurso escolar das crianças.

    N.C.:—Eu acho que Silvana coloca sobre a mesa alguns temas importantes. Por exemplo, este último que menciona rapidamente e que nos situa a todos em uma posição interessante. Poderíamos tirar proveito de uma situação como a que temos, uma situação radical que nos está colocando em uma posição muito difícil, mas que, por outro lado, está favorecendo algumas possibilidades que não existiam há dois meses.

    O questionamento da avaliação provavelmente é um momento que deveríamos aproveitar para lutar realmente por essa escola da qual estamos falando, a escola inclusiva. Certamente, uma boa ação que poderia surgir daqui é, não sei, um manifesto ou um trabalho em rede, advogando por essa escola que não está tão condicionada pelas notas e pelas avaliações continuadas.

    Bom, muito obrigado. Tem a palavra Carlos Sandoval e com essa palavra vamos encerrando.

    Carlos Sandoval:—Olá, bom dia. Muito obrigado pela oportunidade de participar e comentar sobre a minha escola. Ouvi tudo o que estão dizendo e algumas coisas interessantes que estão sendo discutidas aqui me tocaram, especialmente o relacionado à avaliação. Eu sou contra as avaliações, especialmente em uma escola inclusiva. Se falamos que há uma individualidade, devemos respeitar essa individualidade. Continuo lutando no meu país contra a questão da avaliação como uma tábua rasa. Nós não somos avaliados externamente a cada ano e eu envio esta experiência dos meus estudantes porque vem o nome de fulaninho e ele não pode ser avaliado como outro. Estou falando de uma escola secundária geral e estes estudantes que temos muitas vezes chegam de escolas de educação especial, mas, por exemplo, existe uma escola de crianças surdas onde todos os seus colegas são surdos. Quando chegam comigo no nível secundário, pois têm que conviver com gente que não é surda. Ok, há alguns estudantes que são surdos e não aprenderam a linguagem de sinais, e isso é um problema e é um problema para transmitir também conhecimento.

    Em outra situação, alunos que chegam com baixa visão, cegos, com deficiência intelectual, autistas, e é maravilhoso ver o que acontece quando eles se conectam uns com os outros e podem viver, podem dialogar e podem aprender deles, o que as escolas gerais evitam. Nós geramos a filosofia de entender o outro do ponto de vista do mundo do outro. Ou seja, se eu aprendo braille, estou entendendo o mundo do cego, mas se não aprendo braille ou se não aprendo uma linguagem de sinais, me será difícil entender esse mundo desse aluno. Então, o que acontece também com os pais? Porque eu ouvia queixas dos pais de família. Os pais de família também têm medo de deixar seus alunos em escolas regulares. Há uma superproteção também do pai de família e isso me consta porque eu vivo, mas também eles sofrem. O pai de família sofre e, junto com o aluno, a rejeição do diretor de outras escolas, a rejeição de docentes porque acreditam que não podem trabalhar com eles porque não estão capacitados.

    Então, o que você faz como diretor? Como diretor, você deve gerar estratégias e espaços para que esses alunos possam se desenvolver e trabalhar suas competências. É isso que minha escola oferece agora. Por exemplo, agora ouvia a professora que está preocupada porque em seu espaço pode haver fome. Nossa escola tem um projeto que se chama «escola de tempo integral». Meus alunos entram às 7 da manhã e saem às 5 da tarde. Sabem o que é conviver com mais de 300 crianças em um refeitório, tudo o que acontece ali, tudo o que transmitem, tudo o que eles podem viver. Esse é o aprendizado. A escola aprende e esse é um erro que temos às vezes: nas escolas de educação especial não se aprende somente em uma escola, aprende-se em casa, aprende-se na rua. Ou seja, continuamos vivendo e é isso que acontece na minha escola. Como diretor, se eu saísse de lá, ficaria contente porque deixei espaços concretos onde os alunos podem viver.

    Ultimamente, o que o sistema me deu foi uma orquestra sinfônica, então onde alunos com deficiência podem ingressar nessa orquestra e trabalhar à distância os transformou também em sua forma de viver, em sua forma de pensar, e lhes permite se desenvolver em outros âmbitos que fiz como diretor: gerenciar espaços para que eles possam se desenvolver livremente. Por exemplo, aqui temos um sistema que se chama CODE que é de esporte, então eles podem ir a concursos, se preparar, e viver a educação de uma forma mais integral, não somente colocá-los em uma sala de aula, não somente se ouve, não, mas também gerar que a educação seja em outros âmbitos. Muito bem, não seja com isso.

    N.C.:—Muito obrigado, Carlos, por sua intervenção. Neste momento já não há mais intervenções programadas. Abriremos um turno muito breve, de entre 5 e 10 minutos, em que tentaremos fazer intervenções muito concisas, depois de termos ouvido tudo o que os demais companheiros e companheiras disseram. Interessar-me-ia saber o que ressoou em cada um de vocês, e em particular gostaria de saber o que podemos oferecer que seja de valor para quem neste momento está pensando se a escola inclusiva é possível ou não, o que é que haveria que fazer, como poderia eu, como professor, professora, diretor ou diretora, acometer esse projeto.

    De momento, deixo a ideia aberta à palavra. Abram o microfone e comecem, mas muito breve.

    Cristóbal Calero:—Bom, eu simplesmente quero parafrasear minha colega Mercedes, que em um dado momento, em uma dessas loucuras em que nos metemos, me disse uma frase que nunca esqueço e que ressoou durante este tempo, especialmente em relação às mudanças de crenças e à imposição sistêmica de que isso é uma utopia. Ela me disse: «Fizemos porque não sabíamos que era impossível». Acho que esta é uma chave para os diretores, para os líderes, chamemos como quisermos, para quem vai guiar os professores para outro lugar. Temos que quebrar essa ideia de que isso é uma utopia ideológica; é um tema real e não impossível.

    José Luis Aguilar:—Uma reflexão importante que alguns mencionaram, mas acho que essa interpelação que nós estamos fazendo deve ser transferida para toda a sociedade. Não existe a possibilidade de ter uma escola inclusiva se não houver uma sociedade que se proponha a ser inclusiva. Nós podemos ter uma resposta onde se modifique arquitetonicamente; refiro-me a que os poderes da derrota, os coletivos, os carros, as ruas são um desastre. Está se levantando um tema de acessibilidade, mas a apelação tem que ser para a sociedade.

    Com relação à escola propriamente dita, mencionou-se a formação, mas me parece importante, quanto ao tema da formação docente, ir além dos conteúdos.

    As formações devem ser desenvolvidas e dar conteúdo às ferramentas para que cada situação seja nova e chame a atenção, porque a única forma de construir é incapacitante e a única forma de que todos os meninos em situação de deficiência sejam considerados de outra forma. Como tenho problemas de conectividade, o que é o enfoque de repetir direitos humanos? Ou seja, a atenção à diversidade está marcada na conquista de coletivos de pessoas com deficiência. Não é um dever que o governo simplesmente diz que inclui, mas sim que incluir é uma situação de aquisição coletiva de direitos e nós temos que advogar por esses direitos.

    Como se rotula antes, terminam arrasando as objetividades. Enfrentamos o tema dos diagnósticos médicos como condicionantes educativos. Não nos serve, mas sim é por isso necessário, porque às vezes os financeiros e os colégios… bom.

    N.C.:—Muito obrigado, José Luis. Sei que todos e todas temos muito a contar, porque vocês têm um trabalho e uma experiência fantástica, mas temos muito pouco tempo. Então, é preciso priorizar que haja mais palavras, mais pessoas que queiram comentar.

    Rosa Llorente:—Construir uma escola inclusiva que passa por trabalhar a partir de uma abordagem de investigação apreciativa, que permite maximizar o potencial positivo de todos os agentes da comunidade educativa, tornando a cooperação o momento fundamental. No agente de mudança. Trata-se de investigar a partir desse olhar ou perspectiva que avalia e respeita o outro, utilizando sempre o diálogo como uma ferramenta de comunicação.

    Recentemente, li o livro «Indagación Apreciativa», de Míriam Subirana, e pareceu-me que me trouxe uma visão muito interessante para liderar escolas. É uma perspectiva inclusiva.

    Denise Moschetti:—Eu queria juntar-me a isto último do que falávamos sobre este momento de pandemia. Sempre dizemos que estamos a trabalhar sobre a inclusão. Acho que hoje estamos a trabalhar como educadores no meio desta situação e trata-se de outras formas de tomar decisões. Estamos a voltar a tomar decisões que, talvez, já tínhamos, humanas, a partir de outro contexto. No meio desta simultaneidade complexa que supõe um deslocamento, como diretores temos de acompanhar os docentes, as famílias e os próprios alunos.

    Hoje estamos com os alunos e as famílias e acho que é central, porque nos vai permitir ver que podemos continuar e reestruturar o que vem, que é a presencialidade. Aqui na Argentina ainda temos um longo caminho para voltar às salas de aula. Acho que devemos construir informação nova e ensaiar novos modos de nos encontrarmos, de podermos transmitir, e isso acho que é fundamental: colocar-nos a pensar nestes conversatórios. Este tempo que podemos ter com as crianças, as famílias e os docentes é fundamental nestes momentos.

    N.C.:—Muito obrigada. Perguntava-me eu quantos dos projetos de direção que expressaram aqui, ao longo deste tempo, têm como base uma pessoa rebelde perante um sistema escolar.

    Miriam Adriana:— Boa tarde a todos. Sou Miriam, de Bahía Blanca, Argentina. Queria dizer que, neste momento, há uma questão que me parece importante ter em conta no processo de construção da escola inclusiva, que não é somente reforçar questões relacionadas com a acessibilidade académica ou pedagógica, mas também com a necessidade que muitas crianças e famílias têm de que seus filhos sejam integrados. E jovens que, também do ponto de vista social, estão a notar, de acordo com alguns testemunhos de famílias, que neste confinamento estão no isolamento.

    Sim, estamos isolados pela pandemia, mas, por outro lado, encontram-se ainda mais isolados do que nas escolas. De nada serve reforçar as questões pedagógicas se, do ponto de vista social, as crianças e jovens nem sequer são tidos em conta pelos seus colegas ou por outras famílias. Por isso, penso que é necessário o trabalho colaborativo com as famílias com deficiência, mas também com outras famílias. Ou seja, que a escola inclusiva trabalhe de forma colaborativa com o resto das famílias para poder entender a situação destes jovens ou crianças, porque senão, estamos o tempo todo a reforçar o pedagógico e a esquecer que a vida ou trajetória vital de uma pessoa não é apenas a aprendizagem de conteúdos, mas também o encontro com outros.

    Parece-me que isto também é fundamental a ter em conta na escola inclusiva. Nada mais.

    N.C.:— Muito obrigado, Miriam. Com a sua palavra vamos encerrar. Nós temos estado a tratar, também, do isolamento no isolamento, como você dizia.

    Em alguns casos, o esforço para permanecer na escola para as crianças, jovens e famílias é tal que, em alguns casos, este isolamento, lhes tem relaxado. É terrível o que estou a dizer, mas quero dizer que relaxaram porque estão a descansar do esforço que têm de fazer para se manterem numa escola comum. Não falo sempre de escola, falo de escola regular, claro.

    Adiante, Silvana.

    Silvana Corso:— Em relação a este momento de pandemia e família, e voltando ao tema dos discursos, hoje estamos pedindo muito apoio à família para sustentar a escolaridade das crianças. Ouvindo as famílias que não ouvíamos antes. E, em relação aos estudantes com dificuldades de aprendizagem, mais ainda. Então, parece-me que também é uma oportunidade para as escolas terem esse registro do papel da família e o quanto elas apoiaram este processo de retorno. Que continuem tendo esse papel.

    As famílias contribuem em relação a questões que têm a ver com o cuidado de seus filhos, mas nunca lhes damos voz para que possam expor como seus filhos aprendem. Não as deixamos ser partícipes de um projeto de escola real, onde se pode ouvir o que elas contribuem sobre a aprendizagem de seus filhos. É algo que deve ser resgatado no retorno, para que as famílias continuem tendo esse papel e não voltemos a fechar-lhes as portas e só as convoquemos para ver quando há problemas ou encaminhamento para algum tratamento. Muito obrigada.

    N.C.:— Muito obrigada. Eu tenho que agradecer a cada uma das palavras das pessoas que hoje intervieram. Também a quem esteve ouvindo e participando através do chat. Há muito que gostaríamos de saber da vossa experiência. Tivemos este tempo, pequenino. Já vos disse que para nós seria ótimo, se vos apetecer, que partilheis connosco os vossos projetos de centros, de forma que possamos aprender algo mais sobre as vossas próprias experiências, para além do que estas duas horas nos proporcionaram.

    Já saíram temas que me parecem muito importantes e que acho que muita gente vai valorizar. Também diria que a liderança que os vossos centros estão a ter deveria sair do centro. Houve muitas intervenções falando da importância de sair da escola, de ir além da fronteira da escola. Acredito que contar histórias como as vossas experiências constrói outro imaginário da realidade escolar que permite a muitos docentes e famílias pensar algo que não se permitem pensar: viver juntos, aprender juntos. Que vivendo e aprendendo juntos, somos melhores.

    Quero felicitar-vos e agradecer este tempo de conversa. Continuamos com tudo. Um abraço.

    Em uníssono:— Muito obrigado(a), um prazer.

    Desafiar as desigualdades na escola. A educação inclusiva na agenda política

    Nacho Calderón - N.C.:— Começamos a sessão. Hoje, quero dar as boas-vindas a Maribel García López, Joan Mena Arca, Georgina Trías Gil e Óscar Clavell López.

    Todos eles são representantes, membros da Comissão de Educação e Formação Profissional do Congresso dos Deputados e acederam voluntária e generosamente a participar neste tempo de conversa, de falar entre nós sobre o tópico «Desafiar as desigualdades na escola. A educação inclusiva na agenda política».

    Esse foi o tópico com o qual os convidei e eles vêm representando distintas forças políticas, grupos parlamentares. Maribel vem pelo grupo parlamentar Socialista; Joan Mena vem pelo grupo parlamentar confederal de Unidas Podemos-En Comú Podem-Galicia; Georgina Trías vem pelo grupo parlamentar Vox, e Óscar Clavell pelo grupo parlamentar Popular.

    Para mim, e acho que falo em nome de todas as pessoas que participaram durante estas semanas nas conversas que temos vindo a ter sobre educação inclusiva, é uma honra que hoje estejam aqui, que nos tenham arranjado um espaço nas vossas agendas e que possamos pensar juntos, novamente, que escola temos e que escola queremos.

    Para mim, custava-me a pensar como iniciar a sessão. Não vou perder tempo, mas parece-me importante situá-los em algo que já comentei no e-mail que vos enviei, e é que estes não são encontros jornalísticos, nem são, provavelmente, os encontros a que estão habituados a ter no Congresso, mas sim, um espaço de construção cidadã com um grupo de pessoas preocupadas em que as escolas respondam às necessidades dos seus familiares, dos seus estudantes e dessas pessoas que estão a ver que não estão suficientemente bem atendidas nas escolas hoje. O tom e o clima que se respirou durante todas estas sessões, puderam comprovar quando reviram esses vídeos, foi um clima de diálogo que, para mim, me parece exemplar. E com esse clima que se gerou a cada semana, gostaria que continuássemos e que fosse um espaço de construção. Um espaço em que sabemos que há incerteza, um terreno que não está tudo claro, que não é branco ou preto e em que temos a necessidade de construir. E em que vocês, perdoem-me que vos trate por tu, têm um papel muito protagonista.

    Também queria fazer ênfase em algo inicial. As pessoas que participámos até agora fazemos parte de todos os representados e representadas, de quem está hoje aqui e de alguns que não estão aqui. Quero dizer que as pessoas que falaram, as crianças e os meninos, as famílias, os profissionais, os diretores, os investigadores e investigadoras, todos eles fazem parte do arco ideológico que representam e que se unem nestas conversas para tentar construir algo melhor, e nesse contexto, gostaria que iniciássemos o debate.

    Eu iniciaria com um par de vídeos que possam servir, fragmentos que possam servir para iniciar os debates. O primeiro vídeo, se vos parece bem, é de Carmen Saavedra.

    Carmen Saavedra:— Eu tenho refletido esta manhã sobre qual é a função da escola, e cheguei à conclusão de que ela tem duas: que as crianças se eduquem e que socializem, que convivam, não é? No entanto, há muitas meninas e muitos meninos que não atingem nenhum desses dois objetivos. Que nem se educam, nem socializam. Não convivem porque não têm amigos.

    Então, minha pergunta é: para que eles vão à escola? Porque essa pergunta eu me faço dia sim, dia também.

    Eu sabia, sentia por que o mandava, mas não tinha palavras para expressá-lo. Então, há alguns meses, Luz López Díaz, que não sei se anda por aqui, deu-me as palavras. Numa frase, ela resumiu por que envio Antón para a escola comum. Ela dizia: escolhi para o meu filho o mesmo colégio onde foram os seus irmãos e onde vão os seus vizinhos. Penso que, se separas na escola, separas para a vida inteira. E, aí, está a razão, embora eu não soubesse dar essa forma, pela qual Antón vai à escola.

    N.C.:— Óscar, sim, você viu. Não se ouve. Agora mesmo você não tem o microfone aberto.

    Óscar Clavell - O.C.:— Sim, sim, eu vi, eu vi.

    N.C.:— Bem. E, Maribel, também? E o Joan?

    Joan Mena - J.M.:— Sim. Também.

    N.C.:— Bem. Outro, o segundo vídeo que vos quero mostrar antes de iniciar o debate. Mostro-o aqui.

    Mar:— O que eu gostaria era ter colegas. Mais bem não, não tinha colegas.

    Audiodescrição [AD]: Texto: «Mar decidiu abandonar a escola há 3 anos.»

    Mar:— Ela tinha professores. Gosto que confiassem e acreditassem em mim. Na verdade, ao deixar a escola, a escola eu já tinha deixado e não, eles não confiavam nada em mim e o que eles fazem é me vigiar o tempo todo. Que me apoiassem e me ensinassem… Na verdade, eles não me ensinavam. Eles não me ensinavam porque eu não fazia tudo o que era necessário para que (eles) me ensinassem. E o que eu mais gosto é a liberdade e de me mover pelos institutos como os outros, e ser como os outros, também.

    Eu não sou diferente dos outros, eu sou diferente.

    Lara Elizalde:— Eu quero dizer algo. Acho que está bem o que ela diz, que ela é diferente dos outros. Eu acho que você é igual a todos, você é uma pessoa como todos, nada mais que às vezes temos capacidades diferentes. Mas todos somos iguais e temos direito a fazer as mesmas coisas e a que nos incluam, mas todos somos iguais e somos únicos e somos perfeitos como somos.

    N.C.:— Com este cenário, gostaria de abrir uma primeira rodada de intervenções de 3 minutos. Eu não vou controlar o tempo com relógio. Vamos fazer uma conversa. Acho interessantes as colocações tanto de Carmen quanto de Mar e Lara. Carmen situa o debate na escola. O que se separa na escola, fica separado para o resto da vida. E Mar levanta o debate de que a escola não fez o que deveria para que ela pudesse aprender.

    Têm a palavra. Quem começa?

    O.C.:—Vamos lá, então me lanço. Primeiro, boa tarde a todos e muitíssimo obrigado por me convidar a fazer parte destas jornadas que considero interessantíssimas. Contribuirei com tudo o que puder e mais para não crispar o ambiente, eh [risas]. Essa é a primeira premissa que você nos lançou. Eu a peguei, peguei o desafio.

    Considero interessantíssimo o segundo vídeo, mas, embora o tenha visto, ouvi muito, muito mal. O primeiro ouvi melhor. Mas pelo resumo que você fez, Nacho, acho que resume tudo, que define tudo. Estamos diante de uma oportunidade de ouro, e digo por quê. Temos sobre a mesa, e todo mundo sabe, um rascunho de nova lei educacional que está em pleno trâmite de apresentação de emendas parciais no Congresso dos Deputados. Dela, pode sair uma lei ou deveria sair uma lei, melhor dizendo, consensuada, pactuada, por amplos grupos, para não dizer todos os grupos, políticos com representação no Congresso. Uma lei que não dependa da mudança de governo, da mudança de cor política ou do governo de plantão.

    Não pode ser que em 40 anos de democracia, tenhamos mudado tantas vezes de leis educacionais e sempre fiquem pendências. Temos que abrir um período, um prazo para ouvir. Antes li uma mensagem que alguém escreveu ali, [decía], que os políticos falem menos e escutem mais. Pois, efetivamente. É o momento de os políticos escutarmos. É o momento de os políticos atendermos as sugestões, as reivindicações que diferentes setores, plataformas, organizações… que estejam vinculadas com a educação de todo tipo. Podem nos aportar e tenho certeza de que veríamos coisas muito gratas e muito boas e muito produtivas e frutíferas para uma lei, para uma lei educacional.

    Por isso, agora mais do que nunca, o pacto de estado para a educação é imprescindível. E dentro da educação entra um setor tão importante como é o que estamos aqui falando de necessidades especiais, estudantes que precisam de alguma atenção especial. Aí é onde deveria entrar esse debate. Aí é onde deveria se aprofundar. Aí é onde deveria ser pactuado e consensuado. E aí é onde os políticos, insisto, deveríamos atender suas sugestões e seus requerimentos.

    Se perdermos esta oportunidade que temos agora, a dia de hoje, aberta, perderemos muitos anos para poder tirar uma lei educacional em condições. Que agrade a todos, nessa vida, é impossível agradar, mas sim a uma ampla maioria da população, porque se falamos de uma parte concreta da educação, estamos perdendo esse conjunto da educação.

    Eu gosto de falar sobre educação, e na educação entram todos os aspectos, todos os âmbitos que sugerimos. E, por isso, repito, aqui estão representados os 4 partidos maioritários da câmara neste momento. Os 4 partidos que fomos votados pelos espanhóis. Se perdermos esta ocasião, esta oportunidade, acho que nos custará muito dar as explicações oportunas aos cidadãos.

    N.C.:—Muito obrigada. Quem continua? Maribel, Georgina, Joan?

    Maribel García - M.G.:—Vamos lá, eu me arrisco. A primeira coisa que eu queria era agradecer. A verdade é que acho tudo o que foi gerado muito interessante. Eu disse isso antes de entrarmos em conexão. É realmente interessante, do âmbito universitário, abrir esta janela para o mundo, porque, além disso, pude acompanhar os diferentes vídeos em que vocês trabalharam tanto com famílias quanto com crianças, profissionais, investigadores e equipes diretivas, e a verdade é que é tremendamente importante, enriquecedor.

    A segunda coisa que eu queria dizer era que este exercício de inteligência coletiva que estamos realizando, dizia isso outro dia uma colega de equipe diretiva, que apresentava em seu centro educativo as comunidades de aprendizagem, à qual farei alusão depois, acho realmente importante e necessário na sociedade em que vivemos. E, sobretudo, a partir desta pandemia que nos descobriu tantas coisas, desde as casas das pessoas até como pensamos nos sentir e como trabalhamos um monte de horas por dia.

    E também queria dizer que, bom, minha visão é multidisciplinar. Eu estou na política ativa, dedicada profissionalmente, se podemos dizer assim, desde abril de 2019. Sou professora de educação física há 20 anos. Sou psicopedagoga. Trabalhei 8 anos em atenção à diversidade como assessora. Sou mãe. Todos sabemos que tenho uma pessoa próxima a mim com paralisia cerebral. Como dizia já outro dia uma profissional. Eu não posso me dividir. Sou política, agora mesmo, mas é circunstancial. Venho do mundo da atenção à diversidade e, assim, quero que se me entenda. Estou totalmente de acordo com Óscar. Acho que, de fato, este projeto de lei que ainda não iniciou o debate, porque está neste momento em fase de apresentação de emendas ao articulado. Está permitindo, e estou convencida de que Óscar, assim como Joan ou Georgina, que estejamos nos reunindo com centenas de coletivos nestes dois meses, trabalhando arduamente nesse articulado e nessas emendas, está se ouvindo toda a comunidade educativa. Estamos tendo reuniões com toda a comunidade educativa, com todos os organismos, associações e coletivos. Não esqueçamos que esta lei já foi apresentada há um ano no Congresso e teve um amplíssimo debate na Comissão de Educação naquele momento, o que acontece é que chegaram as eleições e, obviamente, não pudemos continuar avançando em tudo o que supõe esse trabalho parlamentar de aprovação ou de debate, mas, está claro que é uma lei que é uma grandíssima oportunidade e coincido com Óscar em que temos que aproveitar como for para tirar a melhor lei possível, agora mesmo, para a sociedade espanhola.

    E, depois, eu queria fazer um planteamento, já mais técnico.

    N.C.:— Muito breve, Maribel, para que possamos avançar.

    M.G.:— Sim. Então, deixo para um pouco mais tarde. Gostaria de fazer uma abordagem, um pouco mais técnica, sobre o que penso ou considero que deveria ser a atenção à diversidade, porque, além disso, estou convencida de que muitas das pessoas presentes vão querer ouvir o que nós, neste caso, as políticas e os políticos pensamos a respeito da atenção à diversidade.

    N.C.:— Obrigado. Muito bem. Muito obrigado. Joan, Georgina? Quem continua?

    Georgina Trías - G.T.:— Pois eu mesma, se quiseres. Bom, boa tarde. Muito obrigado pelo convite. Acima de tudo, pelo vosso compromisso com a educação, a todos os que participaram nestas semanas. O que eu quero fazer, nesta primeira intervenção, é apresentar algumas ideias centrais que acredito que podem ampliar horizontes relativamente ao tema da inclusão e que espero que sirvam para enriquecer o debate.

    Em primeiro lugar, eu queria destacar que a educação inclusiva não deve ser exclusiva, não deve ser colocada nem como a única nem como a melhor, deve ser uma opção aberta, sim?, à disposição de todo o mundo que a deseje, mas não deve ser imposta, porque assim, deste modo, respeitamos o quadro de liberdade educativa em que acreditamos firmemente que a educação deve desenvolver-se.

    Por outro lado, também não está demonstrado que o modelo de educação inclusiva seja o melhor, nem o que todas as famílias desejam, nem o que todos os profissionais da educação subscrevem, que acreditam que os centros de Educação Especial são centros de alto rendimento. Que são centros, e isto gostaria de ressaltar, onde se atende aos estudantes em virtude da sua necessidade e não onde se os segrega em virtude da sua deficiência. E, na realidade, sob o meu ponto de vista, o que deveríamos lutar é pela acessibilidade universal à Educação Especial. E, mesmo dentro da própria Educação Especial, há especialização e especializar não é segregar, especializar contribui para uma melhor resposta.

    Tenho conhecimento de que alguns centros o fazem. É evidente que não é o mesmo tentar estimular o desenvolvimento de crianças com autismo, com síndrome de Down, com paralisia cerebral, porque a Educação Especial é uma galáxia, como todos bem conheceis, cheia de diferentes estratos. Especializar também não é isolar, porque o facto de ir a um centro de Educação Especial não isola uma pessoa da sociedade, mas sim, pelo contrário, dota-a de mais ferramentas e recursos para, depois, se desenvolver melhor na sociedade. São centros de alto nível que atendem desde tenra idade as crianças e, por vezes, basta com alguns anos nos centros de Educação Especial, para depois se incorporar na educação regular. Ao meu ver, uniformizar sempre vai em detrimento da qualidade da educação, e todos os que estão aqui sabem disso.

    As distintas orientações e teorias pedagógicas são muito diversas e devem ser respeitadas em prol da liberdade e no quadro da legalidade. E, neste sentido, eu também quero destacar um tema muito importante. O que deve prevalecer é o bem superior do menor. E este, o bem superior do menor, nunca está isolado. No bem superior do menor confluem muitos vetores: os seus pais, a sua família, o entorno sociocultural, o centro escolar a que acode… E, então, se igualamos o bem superior do menor com inclusão, caímos em reducionismo. Ao meu ver, tudo o que construímos está mal orientado. E este bem está muito relacionado em dar a cada um o que precisa em cada momento. A questão é quem o decide.

    N.C.:—Vamos encerrando já, Georgina.

    G.T.:—Sim. Aqui, novamente, enfrentamo-nos a um problema recorrente que é: como cada comunidade autónoma atua de forma diferente, não é? E, depois, também, mais duas coisinhas. Se pensarmos no bem-estar emocional do menor, é evidente que a inclusão não é a receita para que o consiga. Pode ser que às vezes funcione, mas não sempre. Aqui, as palavras ‘nunca’ e ‘sempre’ não funcionam, e é lógico, porque cada pessoa é um mundo e o que vale para um, não vale para outro. Mesmo com o mesmo tipo de deficiência.

    Por outro lado…

    N.C.:— Mmmm, vamos encerrando.

    G.T.:— Sim. A nível mais político, parece que há uma intenção de baixar as percentagens de estudantes em Educação Especial porque nos últimos 20 anos não baixaram. Então, aí sim, gostaria de fazer uma observação, não é? Que esta intenção não tem em conta a dignidade da pessoa. Estamos a falar de pessoas, não de números. Os tipos de deficiência, além disso, são diferentes e os que conhecem o tema, são diferentes agora e há 20 anos.

    E já, por último, concluo. Eu creio que todos os que se envolvem no tema da Educação Especial, devem ter claro que ninguém deve apropriar-se da deficiência. Nenhuma plataforma, nenhuma associação, nem nenhum governo. E evitar qualquer visão enviesada desta realidade. Devemos ser respeitosos com as distintas aproximações e permitir que cada orientação possa desenvolver-se no quadro da liberdade de educação, sem impor uma determinada aproximação sobre outras igualmente legítimas. Muito obrigada.

    N.C.:— Muito obrigada, Georgina. Joan.

    Joan Mena:— Bom, muito obrigado e boa tarde a todos e a todas. Primeiro, agradecer também o convite ao grupo Unidas Podemos-En Comú Podem, e também parabenizá-los pelo trabalho que estão realizando com estas atividades.

    A mim acontece como a Maribel: sou professor de secundário e, agora, além disso, estou exercendo de representante político. Por isso, muitas vezes me custa tirar o chapéu de uma coisa e colocar o de outra, porque eu, acima de tudo, defendo a educação. Acredito que os vídeos que nos passaram, do que falam e no que se baseiam, fundamentalmente, é no direito à educação. Do que teríamos que estar refletindo é, basicamente, sobre o direito à educação e se todas as crianças neste país, independentemente de suas circunstâncias sociais, econômicas, físicas ou psíquicas, têm o mesmo direito à educação. Nós pensamos que, infelizmente, não. Não conseguimos uma lei que garanta o direito à educação de todas as crianças.

    O principal problema que a Espanha tem, e isso não o dizemos desde Unidas Podemos-En Comú Podem, mas sim todos os relatórios do nosso entorno europeu e dos países da OCDE. O principal problema educativo que a Espanha tem é precisamente a segregação, que vem motivada por diferentes causas, não é? A segregação socioeconômica, mas também a segregação dos estudantes que têm umas circunstâncias concretas. Por isso, eu acredito também que o modelo de escola que pretendemos construir diz muito do modelo de sociedade que queremos construir na Espanha. Portanto, uma sociedade inclusiva, onde «todo mundo seja igual porque é diferente», como dizia o vídeo, é o modelo de educação que nós defendemos, porque é o modelo de país que defendemos também desde Unidas Podemos.

    A que aspiramos nós no modelo educativo? Que tipo de escola queremos desde Unidas Podemos? Queremos, e não enganamos ninguém nem escondemos nada, uma educação que seja pública. Queremos uma educação que seja gratuita e queremos uma educação que seja inclusiva, porque são as 3 peças fundamentais para garantir uma sociedade livre de desigualdades. Eu acredito que, se a liberdade tem que servir para algo, tem que ser, precisamente, para que não haja desigualdades e que não se instalem, nem se institucionalizem essas desigualdades e, menos ainda, desde um sistema educativo como o nosso. Para fazer isso, para poder conseguir isso, e acredito que disso também temos que falar e ser sérios, precisamos basicamente de duas coisas. A primeira, mais recursos. Eu acredito que, ou destinamos mais recursos à educação, ou, se não, ao final teremos uma mentira construída sobre um pilar que não é o verdadeiro, não é?

    Eu, que também tive contato com muitas famílias, tenho a sensação de que a maioria das famílias… tenho a convicção de que a maioria das famílias o que querem é o melhor para seus filhos e para suas filhas. O problema o temos muitas vezes desde a escola, mal chamada, regular. Se não há mecanismos. Se não há recursos para atender a todos os estudantes, independentemente das circunstâncias com que se apresentem, muitas famílias buscam alternativas, não é? Por isso, acredito que aí os poderes públicos são os responsáveis para garantir que a escola tem que servir para todas as crianças.

    Precisamos também de formação. Precisamos que o corpo docente tenha muita formação. Os cortes dos últimos 10 anos na educação desmontaram muito a educação pública em nosso país, mas praticamente enfraqueceram a formação do corpo docente, que tem que ser, pois, um corpo docente que esteja atualizado ao dia a dia. Essa lei que nós acreditamos, queremos que seja uma lei que blinde a educação pública, a educação gratuita e, também, a educação inclusiva. Tem que garantir que nenhuma criança, nenhum menino, fique para trás pelos motivos que eu antes vos dizia, e vou terminando. Acredito que a LOMLOE tem que incluir isso.

    Dizia antes o colega Óscar que tivemos na Espanha em Democracia até 7 leis educativas. Isso é verdade. Mas eu não vejo um mau planteamento, no sentido de que as leis estão para se atualizar. O problema que tivemos é que quase nenhuma dessas leis teve o concurso nem a aprovação do conjunto da comunidade educativa, com o qual, ou fazemos uma lei que esteja avalizada pela comunidade educativa, ou senão voltaremos a fracassar, não é? Acredito que esse é um dos elementos, uma das necessidades que temos planteadas em cima da mesa. E termino com uma coisa que não quero, a, deixar para trás.

    Acredito que a maioria das forças políticas que estamos hoje no congresso dos deputados estamos mais de acordo nesses aspectos do que muitas vezes transparece para a sociedade. Certamente nos teimamos mais em marcar nossas diferenças e em fazer públicas uma disputa entre uns e outros e não nos damos conta de que somos os principais inimigos quando fazemos isso. E tenho a convicção de que eu o que sim que pediria acabo a todas as forças políticas é que tiremos a educação da nossa batalha política e partidária que é muito legítima, porque a ideologia está para isso, mas acredito que o bem comum, a educação, tem que estar acima dos interesses partidistas de uma e outras forças políticas.

    Muito obrigado.

    N.C.:— Estão chegando muitos comentários. Vários deles vêm em torno da ratificação da Convenção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, que faz o Reino de Espanha em 2008, que depois é avaliada pelo próprio comitê, e que, por exemplo, poderia, poderia dizer alguma pergunta deste tipo.

    Além de se reunir com os diferentes setores vinculados com a educação, estão elaborando essa nova lei com a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência em suas mãos?

    Outra pessoa, por exemplo, pergunta: Acham que se pode opinar que está amplamente avalizada por numerosas investigações nacionais e internacionais e há, além disso, um argumento superior, e é que estamos falando de direitos humanos e de um tratado internacional ratificado pela Espanha?

    Pois… Se acham que sim, poderíamos continuar por aqui. Quem segue?

    M.G.:—Posso? Em relação à Convenção dos Direitos Humanos e dos Direitos das Pessoas com Deficiência. O relatório que a ONU fez em 2018 fala de uma investigação sobre supostas violações graves ou sistemáticas do artigo 24 do direito à educação da Convenção pela Espanha, que são a exclusão estrutural e a segregação das pessoas com deficiência no sistema educativo geral. Isso foi um golpe tremendo para o sistema educativo espanhol quando foi publicado, porque realmente estudando a base da Convenção, sim, sim, com certeza, nós queremos levá-la em conta na nova lei, não pode ser de outra maneira. Para mim, essa Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, aprovada pela ONU em 2006 e ratificada pela Espanha em 2008, está nos mostrando um caminho.

    Um caminho muito claro sobre a necessária consecução em todos os casos do que se fala de ajustes pessoais. Temos que garantir às pessoas com deficiência, a todo tipo de pessoas com necessidades educativas especiais e com NEAE, ou seja, à diversidade, porque todos somos diversos, todas somos diversas, o gozo, o exercício, em igualdade de condições com os demais, de todos os direitos humanos e fundamentais, entre eles, a educação e a educação inclusiva. E isso não significa que, em um dado momento, tenhamos que renunciar a alguma modalidade de escolarização ou tenhamos que pensar que todo mundo, que tudo é branco ou tudo é preto. Acho que você dizia no início, não é? Eu acho que a oportunidade a temos em três níveis. Em nível macro, temos uma oportunidade que é o projeto de leis de educação, e nesse projeto de lei de educação não vai sozinho, vai com futuros Decretos Reais, onde se tem que trabalhar, sim ou sim, a brecha digital e a brecha de aprendizagem que ficou clarissimamente em cima da mesa com a COVID-19.

    É preciso trabalhar pela formação profissional adaptada para pessoas com deficiência porque, como dizia um vídeo, uma garota, o que não pode ser é que eu fique em casa e já não, já, o meu máximo seja estar em um Centro de Dia ou em uma residência depois dos 21 anos. É preciso trabalhar para fazer uma mudança absoluta na formação do professorado, na formação inicial, que vocês viram, vocês comentaram em outras ocasiões, formação permanente e acesso à função pública.

    Está claro que isso é uma oportunidade. Eu encaro isso como um desafio. E isso é a nível macro, mas a nível meso, vamos às transferências em competências educativas, às comunidades autónomas e aos seus Decretos de atenção à diversidade. Os Decretos de atenção à diversidade têm de ser repensados e repensados muito seriamente. Temos de repensar para que serve uma avaliação psicopedagógica, para que serve um parecer de escolarização, qual é o uso dos recursos humanos que temos nas salas de aula, se afastamos crianças, se as segregamos, se as colocamos dentro da sala de aula, porque está claro que, nas comunidades de aprendizagem, uma das coisas que mais nos ensinaram é que quando numa sala de aula não entra um docente, mas sim mais de uma pessoa, entra a comunidade educativa, entra o que rodeia o centro, é muitíssimo mais enriquecedor, é um espaço enriquecido de aprendizagem e, portanto, muito mais inclusivo. E a nível micro, todo o trabalho que temos de fazer como centros educativos e como sala de aula: boas práticas, maior autonomia, os DUA, a sensibilidade dos centros educativos. Temos de recordar e retomar esse trabalho porque temos de personalizar o ensino. Todos somos iguais, todas somos diferentes, mas não é uma questão de adaptar o ensino. Para mim, a palavra adaptação ficou antiquada e ficou reduzida. É preciso personalizar o ensino. É preciso chegar a cada menino e a cada menina, porque ninguém pode ficar para trás e essa, essa ideia de que qualquer menino ou menina seja capaz, no sistema educativo espanhol, de atingir o máximo das suas capacidades; esse deve ser o nosso trabalho. Esse deve ser o nosso ponto de vista. E creio que esta Convenção não nos diz se centro…

    N.C.:—Vamos encerrando.

    M.G.:—Termino. Termino, sim. Centros de Educação Especial, sim ou não. Não nos diz se salas de aula especializadas ou não. O que temos de procurar e repensar é que o nosso sistema educativo seja inclusivo em todos os seus âmbitos, em todas as suas modalidades e que dê resposta à sociedade espanhola, que é diversa, que é única e que, portanto, todos nós possamos realizar-nos nela.

    N.C.:—Muito obrigada, Maribel. Pensava que, justamente nestas conversas, esse debate mal esteve presente. O debate que esteve presente o tempo todo é como fazer com que, das escolas, ninguém saia despedido, como fazer com que nas escolas ninguém se sinta excluído e sobre esse debate esteve-se a trabalhar o tempo todo. Duas coisas.

    Uma, Maribel, quando eu disse antes, nem tudo é branco e preto. Provavelmente, o comentário não foi acertado, porque no direito, sim que é ou branco ou preto. Eu referia-me a que, na construção das nossas ideias e das nossas práticas e das nossas culturas, sim que as coisas não são nem brancas nem pretas. E, por outro lado, queria comentar que, algo que já tinha surgido, é que, sim, que há muita investigação científica e, de facto, numa das conversas, a conversa de investigadores e investigadoras, ficou muito patente. Então, gostaria que os debates os fizéssemos sobre, sobre dados.

    Muito bem, quem continua?

    O.C.:—Bem, continuo eu?

    N.C.:—Muito obrigada.

    O.C.:—Bem. Foram ditas coisas muito interessantes até o momento, só que serão ditas outras tantas. Dos meus colegas, há dois que disseram que são professores e conhecem o que é a docência por dentro. Eu não o disse, mas também. Também o sou, de secundário. Também sei o que é a docência por dentro e no outro dia disse-o noutra reunião. Disse que, se nos dessem a elaborar, a confeccionar, uma lei educativa a quatro professores em atividade, dentro de uma sala de aula, num mês sairia uma lei perfeita, porque legislar desde Madrid é muito difícil ou muito distante da realidade, por dizê-lo de alguma maneira, de como se pode fazer desde dentro de uma sala de aula. Estamos a falar de uma lei educativa. Somente os professores sabem o que é uma aula, sabem o que são os seus estudantes, sabem como têm de trabalhar com os seus estudantes e o que têm de fazer. Por infelicidade, pois, não se tem em conta os que diaadia estão trabalhando ou pertencem a plataformas dedicadas à educação.

    Dito isto, efetivamente, o corpo docente é um magnífico corpo docente em todos os aspetos. Em Espanha, desde o Partido Popular, estamos a reivindicar um MIR educativo, como, como têm os médicos quando acabam a carreira de medicina, pois, os professores também. Que a formação seja permanente porque, queiramos ou não, a sociedade vai mudando; a realidade não é a mesma. A de agora, o sistema educativo não é o mesmo agora que há 15 anos, nem será o mesmo dentro de 20 anos. Portanto, essa realidade que muda, temos também de a acoplar e amoldar ao sistema formativo dos docentes. Por supuesto, eu dizia no início, deve-se ouvir todas as partes. Deve-se atender a todos os coletivos, todos. Por supuesto, que se deve ter em conta a convenção dos direitos humanos. Por supuesto que se deve ter em conta o art. 27 da Constituição espanhola. Por supuesto que se devem ter em conta todas as sentenças judiciais, do Supremo, do constitucional. Que apontem para um lado ou apontem para outro. Por supuesto que se deve ter tudo em conta, porque se deixássemos uma parte, por mínima que seja, sem a ter em conta, essa lei já sairia coxa, não sairia tão completa como deveria sair.

    Falamos de professores, falamos de alunos, mas, muitas vezes, esquecemo-nos das famílias. E as famílias, os pais, sabem o que querem para os seus filhos na perfeição. Às vezes precisam de um conselho ou algum apoio externo para decidir, porque não são especialistas em educação, tal como eu. Se preciso de um conselho legal, vou a um advogado. Se preciso de um conselho sanitário, vou a um médico. É normal que os pais tenham de recorrer ao conselho de profissionais para poder escolher em algum momento o tipo de educação que querem para os seus filhos. Mas eu não conheço nenhum pai nem nenhuma mãe que não queiram o melhor para os seus filhos e, portanto, a liberdade de escolha recolhida na Constituição espanhola. Recolhida num estado democrático como é o nosso, o espanhol. Deve estar aí presente, e são os pais os que devem escolher a educação para os seus filhos. E são as administrações públicas as que devem garantir esse direito de escolha aos pais. Quer seja o Estado, ou sejam as comunidades autónomas, porque digamos que a imensa maioria das competências educativas estão transferidas para as comunidades autónomas, para as conselherias de educação. E, portanto, se chegarmos a esse ponto, não deve haver nenhum problema.

    Precisam-se de recursos humanos e económicos? Por supuesto. Precisam-se de recursos humanos e económicos, mas, tendo todas as cartas sobre a mesa, estou seguro, estou seguro, que poderíamos aprovar essa lei ou poderíamos chegar a acordos importantíssimos e duradouros.

    N.C.:—Muito obrigado, Óscar. Lia agora mesmo um comentário. Este, «poderias dizê-lo às equipas do EOE?» Porque, na realidade, isso não o decidem as famílias hoje. Quem está a decidir o centro em que se escolarizam as crianças e os meninos, não são as famílias, são as equipas de orientação. Mais palavras. Joan.

    J.M.:—Sim, eu. Posso?

    N.C.:— Adiante.

    J.M.:— Vamos lá, eu, várias coisas. Eu não sou tão otimista quanto o Óscar. Eu não acho que nós, professores, sozinhos faríamos a melhor lei educacional neste país. Teríamos que incorporar, por exemplo, as famílias, que também são uma peça fundamental da comunidade educativa, e é algo que não foi feito nas diferentes leis educacionais que tivemos neste período da democracia, não é? Por isso eu dizia: o ruim deste período, destes 40 anos, não foi que tenha havido muitas leis educacionais, porque as leis existem para serem atualizadas, para serem modernizadas e a Espanha dos anos 80 não precisava da mesma educação que a dos anos 90, nem a dos anos 2000, nem a que precisamos agora. Temos que adequar a sociedade e a escola pública da Espanha aos desafios da sociedade espanhola em cada momento, mas é verdade que não fomos capazes de incorporar a opinião, nem a implicação.

    Muitas vezes por falta de vontade política, na maioria das vezes nas diferentes leis educacionais. No dia em que fizermos isso, certamente teremos uma lei que virá para ficar mais tempo, porque quem tem que aplicá-la dentro das salas de aula, precisamente, acredita nela. Eu acho que, sinceramente, não temos que dar passos atrás. A Espanha já tem um modelo de educação inclusiva que está ratificado desde o ano de 2008, como dizia a Maribel. Portanto, a partir daí, a obrigação que todos e todas temos, os que estamos no Congresso dos Deputados, é como adequamos a legislação e a normativa educacional ao que a Espanha já ratificou. Ou seja, o mandato já o temos. A partir daí, temos que ver como tornamos possível que a escola na Espanha seja uma escola inclusiva, onde caibam todas as crianças e todos os meninos.

    E eu acho que há 4 elementos fundamentais para conseguir isso. O primeiro, como disse antes, a formação é básica. Precisamos ampliar a formação do corpo docente. Não apenas a formação inicial, que é importantíssima, mas a formação permanente, que foi cortada em todas as comunidades autônomas e nós somos uma peça fundamental. Temos que estar formados e formadas a cada dia.

    O segundo, os recursos. Sem recursos, sem investimento em educação, não poderemos aspirar às mudanças estruturais que o modelo educacional espanhol necessita.

    O terceiro, que eu acho que é fundamental e teríamos que aproveitar também uma situação decorrente da COVID-19. Temos a obrigação de tentar reduzir as proporções em nossas salas de aula, porque isso também favorece a educação inclusiva e favorece a atenção individualizada que acho que todos os partidos políticos de qualquer ideologia defendem. Portanto, vamos nos pôr de acordo também em como reduzimos essas, essas proporções em nossas salas de aula para garantir que todos os estudantes e todas as estudantes estão sendo atendidos de acordo com suas necessidades.

    E o quarto, que para mim é um elemento fundamental. Muitas vezes nos esquecemos e os primeiros que nos esquecemos disso somos os professores. Permitam-me que agora fale também como professor. Precisamos incorporar também novos perfis profissionais na educação. Precisamos que não haja somente professores e professoras. Precisamos de orientadores, pedagogos, zeladores, psicopedagogos… Precisamos de educadores sociais. Ou seja, tem que haver um perfil muito variado de profissionais na educação do nosso país para garantir que a escola é uma escola precisamente inclusiva.

    E acabo com uma coisa. A mim muitas vezes, quando falamos da escolha das famílias, não deixa de me parecer uma pequena armadilha que fazemos todos e todas sozinhos, porque se a escola que eu tenho ao lado de casa tivesse todas as ferramentas para oferecer uma educação como eu acho que meu filho ou minha filha tem que ter, não me colocaria alternativas à escola que fica em frente da minha casa, com o que temos que conseguir é que a escola que fica em frente das nossas casas, vivamos no bairro que vivamos, vivamos na cidade que vivamos, no povoado que vivamos, nos povoados rurais, que há muitos na Espanha, seja a melhor. E eu, por isso, dizia que tem que ser pública, gratuita e inclusiva, porque a escola que todos temos ao lado de casa tem que ser a melhor para não termos que procurar alternativas fora. Muitas vezes, colocamos a liberdade de escolha das famílias como uma armadilha para, de alguma maneira, não dotar das ferramentas necessárias que a escola que temos em nosso bairro tem que ter, e, portanto, vestir de alternativa, o que é uma obrigação por parte das famílias.

    — N.C.:Muito bem, muito obrigada. Recordava, a propósito do que ias comentando, algo que me fez chegar uma mãe. Contava-me uma conversa que tinha tido com um dos seus filhos, são 3 filhos. A mãe pergunta ao filho o que aconteceria se, no dia de amanhã, o centro dissesse a um dos seus irmãos que não podia estar por seu comportamento ou o que fosse. E, então, este rapaz, Martín chama-se, responde: pois, haverá que ajudá-lo. E, então, pergunta pelo outro irmão, que tem autismo e, então, quando ele responde, responde com uma pergunta: qual é a diferença para pensar que Lucas pode ir à minha escola e Héctor não pode ir à minha escola?, quem decide quem vai a uma escola ou a outra? Porque parece que é uma decisão, mas, na realidade, é uma decisão, no melhor dos casos, muito condicionada.

    Aqui, no grupo de famílias que há aqui, há alguma pessoa em particular que esteve a litigar pelo direito a estar, a permanecer, do seu filho no centro em que estava escolarizado. E a respeito do tema da formação, havia um comentário por aí também, que li, que dizia: «se já faz mais de 25 anos da declaração de Salamanca, o que é preciso para que o corpo docente se forme em condições? Desde então vimos formando, supõe-se, para a escola inclusiva, que problema está havendo com a formação?»

    Mais palavras. Georgina. O micro. Agora.

    — G.T.:Sim, bem, eu queria fazer algumas observações. Nós, o enfoque que fazemos da educação é no marco da liberdade. E a liberdade supõe o respeito aos direitos. Por supuesto, os direitos fundamentais contemplados através dos organismos que vocês citaram. Os direitos fundamentais contemplados na Constituição espanhola. Então, o que não podemos fazer é dizer, de repente, que a liberdade de escolha é uma armadilha ou um artigo da Constituição é um falso direito. Ou seja, eu acho que a liberdade dos pais para escolher a educação dos seus filhos é um direito fundamental. E eu, simplesmente, gostaria de apontar algo que antes não disse. Acho que objetivar os critérios para que não aconteça, para que não se deem todas essas sentenças que vocês estão dizendo. Muitas famílias que quiseram levar seus filhos para a educação regular. E, precisamente, as plataformas que reúnem todas as famílias de crianças com deficiência seriam as que deveriam, a meu ver, se pôr de acordo para objetivar os critérios. Para que um estudante vá a um centro ou vá a outro com a ajuda das famílias. Enfim, ter aí um pouquinho mais de consenso.

    E, depois, acho que é muito importante fazer um planejamento de vida. Inclusive mais além de objetivar critérios frente à deficiência. Todos sabemos, por experiências familiares, que conviver com a beleza e com a riqueza que elas aportam. Essas pessoas, sem dúvida, são especiais porque nos abrem a outro olhar sobre a existência e nos enriquecem, mas, tudo isso, que supõe a convivência, não tem nada a ver com a liberdade que possamos decidir a educação que queremos para nosso irmão, para nosso filho, para nosso sobrinho. Então, eu acho que é preciso evitar o exclusivismo. A educação inclusiva, fenomenal, mas não exclusivamente, porque, então, entra em jogo a liberdade.

    E depois, claro, homem, dizer que o ideal é que em frente à sua casa tenha o colégio, oxalá, oxalá. Mas, bom, é que há um mosaico de propostas pedagógicas dos diferentes colégios e isso qualquer um que saiba de pedagogia sabe que a pedagogia não propõe um modelo único de educação, mas sim propostas pedagógicas. E que quando alguém decide a que colégio leva seu filho, tem que poder escolher. E, oxalá, a escola pública oferecesse essas distintas propostas pedagógicas e não fosse uma escola uniforme. Oxalá. Muito obrigado.

    N.C.:—Claro, quando falavas de objetivar em critérios, aparece um texto, um comentário que diz: «então, em que ficamos, critérios oficiais ou escolha da família». É que, na realidade, bom, é algo complexo. Eu não quero entrar.

    G.T.:—São muitos vetores, não é? É um tema complexo. É que, acho eu…

    N.C.:—Claro, o que acontece Georgina é que poderia parecer que as famílias estão escolhendo e o problema não é esse, o problema. Basta ver alguns dos vídeos, especialmente os das famílias e o dos jovens… Vou colocar aqui um vídeo para que o vejamos e comentemos.

    G.T.:—É que, desculpa, desculpa. Em relação aos vídeos. Por exemplo, o primeiro que colocaste diz: «se separas na escola, separas para a vida inteira». Bem, isso é uma visão determinista. Nem toda a gente pensa assim. Conheço imensas famílias que não pensam assim, mas muitas. Isso não se pode universalizar. É um reducionismo.

    J.M.:—Mas Georgina, então, responde-me uma coisa: porque é que o teu filho ou a tua filha que brinca com o vizinho da frente tem de ir para a escola a 50 km de distância? Isso eu acho que é um funcionamento excludente por parte da sociedade. E desculpem que façamos perguntas, talvez não seja o…

    N.C.:—Bem, eu acho que é bom que entrem neste debate. Acho bem. Vou colocar este vídeo para ver o que provoca.

    Marcos:— Olá, Nacho.

    N.C.:— Olá, tudo bem? Bem. Como é a sua escola, Marcos?

    Marcos:— Está bem.

    N.C.:— Sim… está bem? Por que está bem?

    Marcos:— Para mim é boa.

    N.C.:—Para ti é boa.

    Marcos:—Para minha irmã não tanto.

    N.C.:—Para tua irmã não tanto, por quê?

    Marcos:—Porque ela se sente sozinha no pátio.

    N.C.:—Sua irmã se sente sozinha no pátio.

    Marcos:—Ela está sozinha.

    N.C.:—Ela está sozinha? Sempre. Ela está sempre sozinha?

    Marcos:— Sim.

    N.C.:— E como você vê isso?

    Marcos:— Mal.

    N.C.:— E por que você acha que ela está sozinha?

    Marcos:— Não sei.

    N.C.:— E como poderíamos resolver isso, Marcos? O que você sugere?

    Marcos:— Conversando com os colegas dele.

    N.C.:— Conversando com os colegas dele... e o que poderíamos dizer aos colegas dele?

    Marcos:— Que se juntem a ela.

    N.C.:— Mmm E por que você acha que ela não se junta a ela?

    Marcos:— Porque ele tem autismo.

    N.C.:— E por isso você acha que eles não se juntam a ela?

    Marcos:— Sim.

    N.C.:— Você disse antes, Marcos, que a escola era boa para você, por que ela é boa para você?

    Marcos:— Porque me mandam coisas, fico com meus amigos, eles se juntam comigo…

    N.C.:— Sim. Ou seja, você recebe tarefas, fica com seus amigos e isso você vê que não acontece com sua irmã.

    Marcos:— Sim.

    N.C.:— Bom, muito obrigado, Marcos, porque nos ajudou muito a entender como é a sua escola. Obrigado, Marcos.

    Marcos:— De nada.

    M.G.:— Bom, é absolutamente claro e cristalino o que diz esse menino sobre a sua realidade e sobre a da sua irmã. Eles estão no mesmo centro educativo e estão vivendo uma experiência educativa absolutamente distinta, diferente. Eu acho que, sinceramente, com este vídeo temos que nos perguntar várias coisas: que tipo de educação queremos. A diversidade existe e existe desde que nascemos até que morremos. Todas as pessoas somos distintas e todas as pessoas somos iguais, e se educarmos de maneira segregada e diferenciada, não saberemos viver e conviver na sociedade em que estamos. Então, acho que temos que, decididamente, trabalhar por uma sociedade mais coesa, e isso vem pela atenção à diversidade em toda a sua extensão.

    Com respeito a um dos vídeos, falava-se de justiça social e falava-se de justiça escolar e justiça curricular. Gostei muito, porque realmente este menino está exigindo ou solicitando justiça curricular e justiça educativa para a sua irmã. Eu penso que a atenção à diversidade não pode depender da vontade de uma família, não pode depender da vontade de uma administração ou da vontade de um docente, como vocês disseram em muitas ocasiões: é que o docente lhes diz que não está preparado, é que o docente não o quer na sua sala de aula ou é que a família quer isto ou só isto. Eu sim li a sentença e estou a par da sentença de escolarização que está havendo tanto num lado, como no outro. Famílias que pedem que o seu filho vá para um centro de Educação Especial, como famílias que pedem que o seu filho ou a sua filha vá para uma escola regular.

    O sistema atual que temos nos obriga e, de alguma forma, nos exige que todos os profissionais que nos dedicamos à educação, a trabalhar coletivamente. As equipes de orientação não podem ser um lado, os centros docentes outros, os docentes outro lado, as famílias outro lado. Não podemos estar em guerra. Temos um menino, uma menina, que tem umas necessidades e temos que sentar, falar sobre isso e que esse parecer não seja uma sentença, ou que essa administração finalmente tenha que ir embora e se queixar porque a família quer ou o menino… não, não podemos seguir por esse caminho e acho que este projeto de lei educativa nos tem também que obrigar a sentar, a refletir as políticas e os políticos neste tema para que, depois, nos Decretos de atenção à diversidade…

    N.C.:—Vamos encerrando já.

    M.G.:—das diferentes comunidades autônomas seja uma realidade. E temos que, temos que repensar, temos que sentar para pensar.

    N.C.:—Muito obrigada, Maribel. Chega-me um comentário que vem a propósito disto que estás a comentar. Os pareceres de escolarização não são elegíveis, são um parecer de escolarização. De facto, essas sentenças o que fazem é questionar o valor legal desses pareceres de escolarização. Isso não é escolhido por ninguém e não se pode colocar em termos de que é algo escolhido, quando o mecanismo para que uma pessoa vá para um centro de Educação Especial ou uma sala de aula específica é algo que decide, por exemplo, um profissional.

    Mais palavras.

    M.G.:— Só uma coisa. As equipas de Orientação Educativa e Psicopedagógica específicas e os demais departamentos de orientação, estou convencida de que fazem o seu trabalho o melhor possível, tal como os profissionais da educação, e que quando realizam um parecer de escolarização fazem uma proposta. A família assina a favor ou contra essa proposta. Lembrem-se disso. Não é exatamente…

    N.C.:— Mas a família não pode recusar, ou seja, quando o parecer de escolarização é apresentado, é, no final, absoluto. A família pode recusar, mas isso pode ser levado até onde o profissional quiser, até onde a administração quiser, na verdade.

    Vou enviar outro vídeo que tem a ver com isto. Muito curto.

    Raúl R. López:— Mais cedo ou mais tarde, deparamo-nos com um dilema. O que faço, adapto-me ao que se espera de mim ou exijo o cumprimento dos direitos humanos?

    N.C.:— É um profissional, é um orientador; de facto, há muitos orientadores nesta situação.

    J.M.:—Claro, por isso eu dizia que, seguramente, nos enredamos muito em todo este tema do que as famílias escolhem e do que não escolhem, quando o debate está em saber se as escolas têm as ferramentas necessárias para lidar com os estudantes que apresentam qualquer tipo de necessidade. Porque, seguramente, quando conseguirmos isso, não haverá profissionais que se tenham de colocar a excluir um estudante para que possa ser atendido em função dos requisitos educativos que são impostos pelas administrações públicas. E, provavelmente, também não haverá demasiadas famílias que se colocarão a levar os seus filhos a determinadas escolas. Porque, como dizia, creio que o debate que temos pendente é quais são as ferramentas, quais são os recursos que as escolas necessitam para garantir que qualquer estudante, independentemente das suas circunstâncias pessoais, sociais ou económicas da família, seja atendido da melhor maneira possível. E creio que, sinceramente, esse é o debate que deveríamos ter com uma perspetiva política e tenho a sensação de que não me enganarei muito. Creio que nesse debate encontraremos pontos de encontro, independentemente da ideologia que cada um de nós tenha, que evidentemente é legítima, porque o bem do menor, o bem de que o meu filho, que vota à esquerda, seja bem atendido numa escola e o filho do meu vizinho, que vota à direita, também seja bem atendido na escola, interessa-nos como sociedade em geral. É aí que encontraremos esses pontos em comum que sei ou que creio que são por onde temos de transitar, pelo qual eu creio que deveríamos deixar de debater.

    Eu dizia armadilha, ponha-lhe a palavra que quiser, mas debates que não nos levam a lado nenhum, que o único que procuram é o confronto entre umas famílias e outras e procurar o bem superior, que é o bem pela educação, que tem de ser como garantimos que a escola dá a atenção que necessita qualquer criança e qualquer menina, independentemente das suas circunstâncias pessoais. Para isso precisamos de recursos, precisamos de formação do corpo docente e precisamos, evidentemente, de perfis profissionais diferentes para além do professor histórico que tivemos toda a vida nas nossas salas de aula.

    N.C.:—Muito obrigado.

    O.C.:—Não se trata, se me permites, Nacho, de confrontos, nem de ganhar batalhas, nem de todo o contrário. Às vezes, os seres humanos, as pessoas, somos peritos em tornar fácil o que é difícil e em complicar a vida de tal maneira que, daquilo que parece uma realidade tão óbvia, que quase tocamos com a ponta dos dedos, fazemos um mundo universo e, efetivamente, há muitas coisas importantes.

    Uma delas é que, às vezes, qualificar algo é muito doloroso. Colocar sempre algum adjetivo de inclusivo, exclusivo, de especial, de ordinário… Por trás disso, às vezes, há muita dor, muita dor e muita crueldade. Que não deixa de ser muitas vezes a realidade, sim, mas colocamos esse toque que, às vezes, o desumaniza, por assim dizer, na questão que estamos tratando. Dizem que as crianças nunca mentem, e quando vemos realidades como a deste menino, Marcos, do vídeo anterior, que denunciava o que sua irmã está sofrendo por ser autista, a verdade é que isso é um drama e essa é a realidade. E, efetivamente, está nos mostrando que algo não funciona bem, que algo está falhando no sistema educativo. Chame-se recursos, que podem ser recursos econômicos, profissionais, o que for. Quando uns pais não podem escolher livremente o centro, seja o da frente de sua casa, ou o do outro lado da cidade, ou o que tem na cidade vizinha. Mas quando livremente não podem escolher esse centro, algo está falhando também, algo não funciona e é isso que deve nos preocupar.

    Tudo funcionaria bem, e eu já disse isso antes, quando as administrações públicas, e falo no plural, são as garantidoras de que nós, como cidadãos, tenhamos nossos direitos e possamos acessá-los. E essas administrações públicas, se eu, como pai, ou qualquer pessoa que esteja nos ouvindo como pai ou mãe que quer levar ao colégio que seja, sem adjetivos, insisto, sem adjetivos, não vou objetificar agora os substantivos, levar seu filho ao colégio que seja, tenha alguma deficiência ou não, pelo sistema educativo que seja ministrado nesse colégio… O que for, não me importa. Insisto que não quero entrar em detalhes. Se não pode fazê-lo é porque o sistema está falhando conosco. E é preciso corrigir isso. Que às vezes, uma maneira de corrigir isso, efetivamente, concordo com meus colegas, são recursos econômicos. Claro. Não tenho dúvidas. Seria o mínimo. Mas não são apenas recursos econômicos. Há também outros aspectos que devem ser levados em conta, e insisto, os pais são quem devem ter a primeira e a última palavra, sempre acompanhados, em algum momento, de apoio externo para poder escolarizar da melhor maneira possível seus filhos.

    M.G.:— Eu só um apontamento. Isso talvez, Óscar, seja possível em uma cidade como Madrid. Na Extremadura, âmbito absolutamente rural, temos os centros que temos e qualquer criança pode escolher o centro que quer, simplesmente porque há um, talvez, em sua cidade e não há mais. Portanto, quando eu dizia que a atenção à diversidade tem que ser a melhor possível também nesse centro, porque é o que tem. Não vamos levar essa criança em um ônibus todos os dias quando pode estar em seu centro. É a isso que eu me referia, tendo em conta que, claro, eu te entendo, Óscar, temos que diferenciar entre escola rural, urbana… É que é tão amplo tudo [risas] que essa é a casuística. Não podemos colocar uma norma ou uma regra porque não é possível.

    O.C.:— Totalmente de acordo.

    N.C.:— Me fazem aqui uma pergunta: «Vocês acham que fazer um projeto de lei a partir de um pacto vai fazer com que o que Marcos diz mude?»

    J.M.:— Eu dou-te a minha opinião, se te parece bem. Se o fizermos a partir de um pacto exclusivamente político dentro das quatro paredes do Congresso dos Deputados, será muito difícil. Se o fizermos a partir de um pacto entre as forças políticas e a comunidade educativa, então, estaremos a começar a mudar estruturalmente o que tem sido feito na educação nos últimos 40 anos.

    O.C.:— Que não sirva de precedente, mas concordo com ele.

    J.M.:— (Risos) Bem.

    M.G.:— Muito bem, muito bem, vamos, vamos. (Risos) Precedente perigoso, precedente perigoso [risas].

    O.C.:— Mas apague isso do vídeo, eh, apague.

    N.C.:— (Risos) Apago, apago [risas]. Bom, mais ideias. Tenho aqui outro vídeo. A verdade é que tenho uma fraqueza sempre pela família, que é com quem mais trabalho e é quem mais investigo, sobretudo as mães. Acho que o conhecimento que as mães geram é um conhecimento de valor incalculável para as escolas, que, neste momento, não está a ser tido em conta e que, necessariamente, se quisermos que as escolas sejam inclusivas, tem de ser colocado em destaque, como uma grande ferramenta para construir conhecimento pedagógico.

    Isso já foi dito, mas tenho de dizer que a sessão de jovens que tivemos aqui, de crianças e jovens… Georgina, querias comentar algo?

    G.T.:— Sim, tocou-me em algo sensível. Do conhecimento das mães, apenas um apontamento. Eu estive em formação muitos anos também. Antes e sempre falei do que é o conhecimento por conaturalidade, que é o conhecimento que uma mãe tem de forma natural sobre o que acontece ao seu filho, e que ela sabe, por conaturalidade, por amor. Por esse conhecimento que o amor dá. Porque ama, sabe atender o seu filho da melhor maneira. Só queria fazer este apontamento, porque me pareceu muito bonito e porque o subscrevo.

    N.C.:— Pois, veja bem, parte das minhas pesquisas anda por aí. No conhecimento que as mães geram, particularmente, também os pais, evidentemente, mas, particularmente, eu trabalhei com as mães e é um conhecimento do filho delas. Você diz a partir do amor. Eu também coloco assim nos meus trabalhos, a partir do amor. E é um conhecimento direto com a pessoa, para além de todo o processo de rotulagem que ocorre em diferentes instituições. Ocorre na saúde desde que começa o nascimento do seu filho ou sua filha e, depois, a instituição escolar também trabalha a partir daí.

    E as famílias o que fazem, e em particular as mães, é conhecer a pessoa sem o estigma, elas têm essa capacidade…

    G.T.:—Exato.

    N.C.:—…essa capacidade de mostrar à instituição quem é essa pessoa sem o estigma.

    G.T.:—E não só à instituição, mas ao próprio menino, porque, se você é capaz, a cada dia que amanhece, olhar para o seu filho com um olhar novo, sem rótulos, porque já não é perante a instituição, é que você realmente não diga: «este é um preguiçoso, este é um chato, com este não dá, este é um inútil…». Tudo isso limita radicalmente os filhos. É preciso formar os pais também, e eu a isso me dediquei imensamente.

    N.C.:— Sim. Acontece também, aqui já estou entrando mais do que deveria…

    G.T.:— Já, eu também (risos), perdão, eh.

    N.C.:— … mas estamos trabalhando o escolar, no familiar também. O educativo, não há parcelas.

    G.T.:— Transcende.

    N.C.:— Mas, eu dizia, esse conhecimento, você dizia ‘natural’, eu não chamaria natural…

    G.T.:— Connatural.

    N.C.:— Connatural. Eu não chamaria assim, mas acho que estamos falando da mesma coisa. Esse conhecimento genuíno que se gera nas famílias… Não em todas as famílias, é preciso dizer. Em algumas famílias ou em muitas famílias, nas que eu conheci, com certeza. Esse é uma grande ferramenta para a escola. E uma das coisas que vocês colocaram aqui, mas que também foram colocadas nas sessões anteriores, é a importância da participação nas escolas, que a comunidade vá às escolas, que possam entrar nelas, que possa transformar a cultura… Essa é uma das grandes ferramentas que temos.

    Bom, coloco outro vídeo. Tenho fraqueza também pelos jovens. Coloco um vídeo curtinho para continuar e vamos encerrar em breve.

    Antón Fontao:— Que medidas vão tomar para que nenhuma criança se sinta sozinha na escola?

    M.G.:— Sim, dizia que a nível micro temos uma série de boas práticas que poderíamos e deveríamos recuperar, e não apenas deixar novamente nessa boa vontade que têm alguns centros educativos ou alguns docentes que estão mais formados ou mais implicados na educação inclusiva.

    Temos os pátios inclusivos, temos um trabalho com comunidades de aprendizagem interessantíssimo por Ramón Flecha em todo o país, cientificamente demonstrado e trabalhado, temos famílias e associações, coletivos, entidades, que trabalham lado a lado com os centros educativos para que nenhuma criança se sinta assim. É uma crueldade tremenda ter rapazes e raparigas ainda nos centros educativos sozinhos. E os professores, as professoras, trabalhamos com o melhor de cada casa, com o tesouro de cada casa. Meus filhos, eu tenho dois filhos, e são o tesouro da minha casa e estou convencida de que todas as mães e todos os pais e todas as famílias que nos escutam, seus filhos são o mais importante e suas filhas para eles. Então, temos que voltar novamente a trabalhar a todos esses níveis, porque dentro do nosso âmbito legislativo, temos a capacidade de legislar, mas também temos a capacidade de poder trabalhar, como dizia Joan, como dizia Óscar, poder trabalhar com a comunidade educativa integralmente para que possamos aprender numa investigação-ação, que no final é uma investigação-ação que está a dar os seus frutos e a recolher os seus frutos em muitas partes da Espanha.

    G.T.:— Pois, eu, nesta linha, e para responder ao vídeo, gostaria de contar que, apesar de que o nosso grupo parlamentar, esta nova lei que está a ser tramitada, a rejeitámos de plano por ser eminentemente ideológica, sim que apostámos por essa emenda que é o tema de integrar a educação emocional. Educação emocional que supõe uma educação integral da pessoa: formar pessoas. Não sei o que será isso que comentaste dos pátios inclusivos. Então, que isso seja uma realidade natural, mas não apenas em relação às pessoas com deficiência, mas com qualquer um que não é como tu, que não pensa como tu, que pensa diferente. E nisso temos de dar o exemplo os próprios políticos, perante quem pensa diferente, como me relaciono. Aí, entra o respeito pela pessoa, o ver pessoas, ver que a pessoa é acima de tudo um bem e que por isso deve ser respeitada, embora, embora tenha diferenças comigo.

    É uma grande, uma grande tarefa de formação, como já disseram aqui, que é uma disciplina pendente, que é a formação do corpo docente, das famílias, das crianças, e é constantemente, a meu ver, através do diálogo, da interação, dessa capacidade de estar atenta ao que acontece em todo o lado, dessa empatia. 'Empatia', abusou-se muito desta palavra. Já quase nem me atrevo a usá-la, porque está muito mal utilizada, francamente. Então, eu que sou especialista em educação emocional, quando a ouço, digo, 'caramba, isto não é empatia, pelo amor de Deus'. Mas é verdade que, se conseguirmos que a pessoa, os seres humanos, os nossos estudantes, os nossos filhos, nós mesmos, porque isso também se vai crescendo com a idade, então podemos crescer nisto. Sem dúvida, melhoraríamos a convivência e não veremos estas situações que a todos nos doem.

    N.C.:— Claro, na realidade, nessas conversas, apesar de que se falou com muita calma, há uma grande dor depositada nessas sessões. Eu penso, se essa é, como dizia Georgina, uma das grandes lacunas que tem a nossa escola: como estamos a tratar as emoções dos estudantes. Por exemplo, como cai a motivação, especialmente, no ensino secundário. Isso tem a ver com a satisfação e o desejo que os estudantes têm de estar ali. O que é que estamos a fazer?

    Mas, claro, há alguns grupos que levam a melhor. O exemplo, creio que o temos nesses vídeos, porque há irmãos e irmãs que contam a história de sua passagem pela escola e da passagem da escola, mas da escola de seu irmão ou irmã. E essa grande diferença que existe aí, não é diversidade, é desigualdade. É preciso entendê-la como a desigualdade que temos que remover, e que vocês, como políticos, têm uma grande tarefa pela frente.

    O.C.:—E muitas vezes, Nacho, se me permite, mais do que desigualdade, é que se torna crueldade. E é muito duro, muito duro. É que o que, voltando ao vídeo deste último garoto, Antón, o nome dele, né? Já estou no segundo capítulo do livro. Falamos do primeiro capítulo, que seria que cada estudante possa estar no centro que quiser, mas uma vez dentro do centro, não deve se sentir isolado, não deve se sentir marginalizado. Não somente para as pessoas com algum tipo de deficiência, isolamentos sociais, por muitos motivos, não somente por ter uma deficiência física, psíquica, do tipo que for. E os professores, temos uma luta diária. E por isso alguém perguntava antes: «Mas não havia o suficiente com o de Salamanca, de 25 anos atrás?» É que a sociedade muda a um ritmo tão rápido, tão voraz. Estamos na digitalização da sociedade e isso muda tão rápido que as maneiras de ensinar ou as maneiras de se enfrentar a um grupo de estudantes, não são as mesmas agora do que há 25 anos, nem serão daqui a 7 anos. Por isso, os professores temos que estar em uma formação permanente, praticamente a diário. Não nos acomodarmos até nos aposentarmos.

    Um consegue sua vaga e se acomoda, né? Tudo o contrário. Devemos estar nos formando permanentemente em questões tão sensíveis como estas. E repito, a equipe espanhola é excepcional, excepcional. Não posso dizer nada negativo, em geral, do corpo docente, mas, insisto, às vezes nos encontramos com realidades dentro de uma sala de aula que chegam a ser cruéis.

    N.C.:—Bom, é que eu queria dizer que, na realidade, quando falamos de escola inclusiva, estamos falando de toda a escola, da escola para toda a cidadania. E quando antes Georgina falava de emoções, são algo para toda a cidadania. E, quando comenta, Óscar, essa intervenção, também se refere a toda a cidadania. Não se trata de outra coisa, o que acontece é que há populações que estão fora, ou que estando dentro continuam fora, e esse é o grande trabalho que temos. Dizia um dos pesquisadores que participou dessas sessões, Nacho Haya, o nome dele, que era preciso passar dessa ideia tão biologicista, que entende a deficiência como um problema biológico, a entender que nosso trabalho está em ver as pressões excludentes que há no sistema, que é do que estava falando Antón. Não estava falando de outra coisa. Ou do que estava falando Marcos antes, quando dizia que para sua irmã aquela escola não era boa.

    Essas pressões que o sistema faz agora mesmo para que sua irmã não esteja lá. São as que temos que trabalhar. E comentava Óscar, «é que passou muito tempo e o tempo muda desde Salamanca». Mas é que nem sequer isso fizemos. Ou seja, é que os propósitos da Declaração de Salamanca, que passaram anos desde aquela declaração da Unesco, não os fizemos.

    Joan queria comentar e vamos encerrar já em um momento.

    J.M.:— Sim, eu não concordo com o que disse o Óscar, (ironia), nem que sirva de precedente. Acho que, precisamente, a pergunta que o Antón nos fez é a principal pergunta que temos a obrigação de responder enquanto administrações públicas e nós, como representantes políticos.

    Primeiro, porque pode ser feito de duas maneiras. Ou fazemos medidas, digamos, pontuais, paliativas, para chamar-lhes assim, para ir corrigindo os déficits que o sistema tem. Ou propomos mudanças estruturais que são as que o nosso sistema educativo precisa para garantir que todas as crianças tenham atenção nas nossas escolas. Eu dizia isso. As mudanças estruturais que nós propomos desde o Unidas Podemos são as que buscam uma educação que seja pública, que seja gratuita, que seja inclusiva, porque pensamos que é a escola para todos e para todas as crianças, independentemente das necessidades que tenham. Eu dou o meu exemplo. Não é preciso que o diga. Fui toda a vida uma criança gordinha, com peso elevado e, quando fazia educação física, precisava de uma atenção especial, diferente da que precisavam os restantes dos meus colegas. Pois é isso que temos de garantir: que, dentro dessa escola, independentemente das necessidades que cada um de nós tenha pelas nossas condições físicas, psíquicas ou socioeconómicas, sejamos atendidos dentro dos centros escolares. Porque isso é, e volto ao que disse no início e com isso termino, o que nos vai garantir também uma sociedade inclusiva. Não uma sociedade onde uns nos vejamos diferentes dos outros, mas que todos nos vejamos iguais, precisamente, porque somos diferentes.

    O.C.:— No que diz respeito ao Partido Popular, eu estaria disposto, como porta-voz de educação do meu partido, no Congresso dos Deputados. Não me fecho a ninguém. Estou disposto a sentar-me e falar de tudo. Eu disse isso antes. Para chegar a uma negociação é preciso pôr todas, todas as cartas, com a face para cima, em cima da mesa. Todas. As minhas e as de todos os outros.

    E eu concordo que não se poderão aceitar todas as minhas cartas, mas também o outro deve concordar que não posso aceitar todas as suas cartas. É uma negociação, em última análise. É preciso ceder por ambas as partes, por todas as partes. Insisto: sentar-me numa mesa com os partidos políticos, para tirar… vejam bem, com os partidos políticos, insisto, e com toda a comunidade educativa, porque é no que estávamos de acordo antes, o Joan Mena e eu, a comunidade educativa tem de ser um ator, não de pedra, não um convidado de pedra, um ator ativo totalmente nesta negociação. E, por suposto, negociar para chegar a uma lei educativa que se prolongue no tempo e que caia bem, sobretudo na comunidade educativa. Eu sem nenhum tipo de problemas.

    G.T.:— Pela minha parte, efetivamente e como vocês disseram no início. Algo muito importante. Trata-se, em primeiro lugar, de escutar e, depois, de escutar. Se um escuta bem, sempre se pode chegar a um acordo. Assim que nada. Já aproveito e agradeço-te, Ignacio, pelo convite e nada. Do nosso comando vamos continuar a lutar pela educação, por este compromisso, por dotá-la dos recursos que precisa, por atender todas as necessidades das famílias com filhos com deficiência e também pela liberdade. Muito obrigado.

    N.C.:— Muito obrigada, Georgina. Vamos encerrar já. Maribel. Adiante.

    M.G.:— Primeiro, agradecer às pessoas que assistiram. Estou totalmente à disposição de qualquer família, mãe ou pessoa que participou para responder a perguntas e ao que for preciso. Fico imensamente feliz em ouvir Óscar e Georgina e, claro, Joan, pois daqui pode surgir o que se espera de nós como políticas e como políticos: chegar a um acordo para aprovar a melhor lei educativa possível. Quero pensar que, e estou convicta disso, todos e todas almejam um sistema educativo de qualidade e de equidade, porque se não há equidade, não há qualidade. E, portanto, estou convicta de que seremos capazes de levá-lo adiante e estou à disposição para qualquer pergunta ou qualquer sugestão por parte de toda a comunidade educativa que sei que nos acompanha. Muito obrigada.

    N.C.:— Muito obrigada. Georgina, Joan…

    O.C.:— Nacho, aproveito também para me despedir. Obrigada por me convidar. A verdade é que estive muito à vontade. Esta hora e meia passou muito rápido e de forma muito agradável. Poderia ter ficado muito mais tempo. Contem comigo para o que precisarem, para outras jornadas como esta ou a nível pessoal, a nível político em Madrid. Assim, estou disposto a colaborar com vocês, com a comunidade educativa em geral, porque a comunidade educativa e, sobretudo, nossos crianças merecem.

    N.C.:— Muito obrigado, Óscar.

    J.M.:— Agradecer-vos, também, não só por nos terdes convidado esta tarde, mas pelo trabalho que estais a fazer. Eu acho que é importantíssimo que a comunidade educativa também se ative e que, portanto, nos ensine muitas vezes o caminho. Eu sempre digo que não há ninguém melhor que a comunidade educativa para saber quais são as necessidades dentro da sala de aula. Portanto, continuar, continuar a desejar que estejais a lutar por esta educação que defendemos, a melhor educação para todos e para todas. E porque eu estou convencido de que o vamos conseguir entre todos juntos.

    N.C.:— Bem, muito obrigado a todos e todas por estarem hoje aqui, especialmente a vós quatro por vos terdes disponibilizado a estar. Porque também sabemos todo o trabalho que tendes agora mesmo, que é ingente, e que com certeza tendes muitas outras coisas muito interessantes, mas não sei se mais interessantes que esta (risos). Eu agradeço-vos muito a participação.

    Acredito também que, quando dialogamos, conseguimos transcender muitas fronteiras que são, que na realidade, móveis e que agora tendes uma tarefa muito importante de mover fronteiras para continuar a trabalhar juntos, porque o que têm estado a reclamar todas estas famílias, professores, diretores, investigadores e, sobretudo, crianças é que a escola lhes valha a pena.

    Assim, muito obrigado por todas as vossas intervenções e nós também estamos por aqui.

    Em uníssono:— Obrigado, adeus.

    Mais informações

    Produções científicas a partir das Conversas

    Publicações

    Conferências em congressos científicos

    • CALDERÓN ALMENDROS, I. (2021). Subverter as relações de investigação: pensar, fazer e promover escolas inclusivas através do diálogo. Conferência apresentada no I Seminário Internacional de Investigação: Construindo uma rede de redes em torno da inclusão e da interculturalidade. Cádis, Espanha.
    • CALDERÓN-ALMENDROS, I.; RASCÓN-GÓMEZ, M.T. & CABELLO-FERNÁNDEZ-DELGADO, F. (2021). How to make our schools more inclusive? The case of Spain. Paper presented at Comparative Education Society of Asia (CESA) 12th Biennial Conference. Kathmandú, Nepal.
    • CALDERÓN-ALMENDROS, I.; RASCÓN-GÓMEZ, M.T. & MOJTAR-MENDIETA, L. (2022). Interseccionalidade, narrativas emergentes e educação inclusiva na Espanha.Trabalho apresentado na Reunião Anual da American Educational Research Association 2022 (AERA). San Diego, EUA.https://hdl.handle.net/10630/24019
    • CALDERÓN-ALMENDROS, I. (2022). Envolvendo comunidades na promoção de culturas escolares inclusivas.1ª Conferência Internacional sobre Educação e Formação – Pensando a educação em tempos de transição.Lisboa, Portugal.https://hdl.handle.net/10630/24019